UNIVERSAL E UNIVERSALISTA

December 16, 2008 by firmino  
Filed under Reflexões Universalistas

O termo ‘Universal’ é uma propriedade inerente a tudo que existe no Universo. Todos os elementos existentes são, portanto, universais. No entanto, podemos afirmar que os elementos existem como universais de duas formas: a Real e a ilusória.

O elemento universal Real é aquele que pode ser percebido na sua essência real. Já o elemento ilusório é aquele que é percebido por alguns seres do Universo onde, na Realidade, existe o Real. Ou seja, o elemento individual é uma ‘miragem’, ou seja, algo que se percebe onde, na Realidade, existe outra coisa.

Este elemento ilusório poderia ser classificado como irreal, mas desta forma estaríamos negando a sua existência, mesmo como uma fantasia. Universal é tudo o que existe no Universo e o elemento ilusório, mesmo que de uma forma fantasiosa, existe.

Portanto, todos os elementos, sejam Reais ou ilusórios, são universais.

A partir daí, podemos, então, definir o termo universalizar-se: é o trabalho de, gradualmente, abandonar as realidades ilusórias para conviver com as Reais. A este trabalho chamamos de ‘Universalismo’ e quem o pratica é o ‘universalista’.

Dissemos um trabalho gradual porque as verdades ilusórias são de variados níveis. Por exemplo:

– as verdades ilusórias materiais – o mundo que é percebido pelos sentidos do corpo físico;

- as verdades ilusórias científicas – aquelas que são criadas pela ciência através de aparelhos, mas que não fazem parte das percepções humanas, como o átomo ou a célula, por exemplo;

- as verdades ilusórias espirituais – cidades e umbral, ou seja, espaços circunspetos no mundo espiritual, paraíso e inferno, nirvana, etc.;

- diversas outras.

Todas estas realidades, apesar de aparentemente serem Reais, podem ser consideradas ilusórias porque ainda estão ligadas a elementos materiais (som, imagem, forma, etc.), coisas que não existem dentro da Realidade do Universo. É como um viajante que vê a miragem de acordo com a sua necessidade de momento: uns vêem água, outros rios, outros cidades, mas nenhum deles está vendo a paisagem que realmente existe.

A partir desta idéia, podemos, então, afirmar que existe diversos Universalismo, ou seja, diversos caminhos para a universalização, que são trilhados dentro de realidades ilusórias diferentes. Por exemplo: o universalismo católico, o espírita, o hinduísta, o evangélico, o budista, o científico, etc.

Todos estes caminhos de universalização são Universalismos, pois buscam levar o ser materialista (aquele que vive com realidades mais individualizadas) a universalizar-se. No entanto, cada um destes caminhos é trilhado através de construções de novas realidades ilusórias.

Entre eles não podemos dizer que existam caminhos ‘melhores’ ou ‘piores’, mais ou menos ‘puros’, ‘certos’ ou ‘errados’: todos são caminhos que, se percorridos em sua essência, levarão finalmente ao universal.

O ESPIRITUALISMO ECUMÊNICO UNIVERSAL é um destes caminhos. No entanto, diferente dos demais – apenas diferente, não melhor – segue a trilha da não-existência.

O conceito ‘não’, dentro da cultura oriental, tem um significado diferente da ocidental. Enquanto que nesta última ele tem o valor de negação – não existir – para os orientais ele possui o valor de não real.

Um exemplo disso é o ensinamento ‘não-eu’ do budismo. Os ocidentais imaginam que Sidarta Gautama com este ensinamento quis dizer da não existência do ‘eu’, mas isso é irreal. Na realidade o que ele ensinou é que o ‘eu’ existe, mas não como individualidade, mas formado por elementos que não podem ser concebidos isoladamente.

Esta é a forma como o ESPIRITUALISMO ECUMÊNICO UNIVERSAL trilha o caminho da não-existência: tudo existe, tudo é universal, mas a Realidade é diferente do que pode ser percebido a qualquer momento.

Seus ensinamentos pretendem mostrar que as realidades que são vividas pelos seres encarnados são ilusões, mas que, ao mesmo tempo em que ele está percebendo algo, existe outra coisa na Realidade naquele mesmo lugar, sem que para isso diga o que é Real. Ou seja, os ensinamentos pretendem mostrar que tudo é ilusão sem criar nenhuma outra imagem no seu lugar.

Ao invés disso, o ESPIRITUALISMO ECUMÊNICO UNIVERSAL prega a existência do ‘Nada’. Da mesma forma aqui precisa se falar sobre a compreensão deste vocábulo.

O ‘Nada’ que é pregado não é a ausência, o vazio. O ESPIRITUALISMO ECUMÊNICO UNIVERSAL prega uma ‘Nada’ que seja cheio de ‘Tudo’, ou seja, que contenha elementos. No entanto, ele também ensina que este ‘Todo’ que compõe o ‘Nada’ não pode ser percebido ou compreendido pelo ser humanizado.

Assim, a trilha da não-existência pregada pelo ESPIRITUALISMO ECUMÊNICO UNIVERSAL não é a de simplesmente negar a existência de qualquer elemento, mas dizer que eles, na Realidade, existem de outra forma que o ser humanizado não consegue perceber ou compreender. O que, aliás, é a própria definição do Universal que citamos anteriormente.

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