PRIMEIRO PEGUE O MARTELO
December 19, 2008 by ferrari
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Teve um momento neste ano de 2008, na lista Satsilva, local onde conversamos sobre felicidade incondicional e autorealização, que decidi pegar no pé dos integrantes. Eu perguntava aos integrantes: “Quem é você?”. E recebia respostas culturais, tipo: “Eu sou um ser, Eu sou espírito, Eu sou deus, Eu sou ego, etc”. Eu retornava: “Tem certeza? Com base em quê você tem certeza?”. A pessoa justificava os termos, ficava brava, dizia que eu mesmo havia falado aquilo. Mas eu continuava: “Você está afirmando que você é isto, então, deve ter certeza. Com base em quê você tem certeza?”. Mais respostas culturais e acabava sempre que a pessoa não tinha certeza nenhuma, só cultura. E assim fui fazendo uma faxina na “espiriculturalidade” que percebia presente e viciosa.
Por que fiz a faxina? Pra cortar o vicio pela raiz. Porque, em se tratando de felicidade incondicional, é fundamental ter certeza-de-si! Cultura não resolve a felicidade! Não é possível viver a felicidade incondicional sem certeza-de-si. Entendo que falar em certo (certeza) pode parecer contrário a minha própria proposta de faxina espiricultural, mas não se trata de certeza no conhecido, mas de certeza no inegável: eu existo. Certeza-de-si não é cultural, racional, é existencial. Certeza-de-si é saber-se-ser.
Pra viver a felicidade incondicional, é fundamental ter certeza-de-si. Só a partir dai começa o caminho do meio, o caminho da felicidade incondicional. Enquanto não se dá este primeiro passo, fundamental, imprescindível, ficamos apenas brincando de espiricultura, pois falta o fundamental pro caminho poder começar: certeza-de-si. Vou ilustrar o que estou dizendo com uma metáfora.
O caminho de voltar ao paraíso, como diz o cristianismo, ou rumo ao nirvana, como diz o budismo, é como pegar um martelo e ir destruindo um prédio enorme que foi construído com tijolos. Cada tijolo é um bloquinho de cultura, um condicionamento que, devido nosso apego ao mesmo, nós impede de viver a felicidade incondicional. Mas com o martelo na mão, vamos fazendo o caminho de volta a felicidade incondicional, destruindo tijolo por tijolo. Assim, percebe que pra destruir o prédio precisamos de um instrumento? Precisamos do martelo! Certeza-de-si é o martelo. Por isto que digo que não é possível percorrer o caminho do meio sem certeza-de-si.
Reflita sobre o seguinte: como você podería “ter” consciência de que é um humano se antes não “fosse” a própria consciência tendo a consciência de que é um humano? Percebe que é preciso primeiro “ser” consciência pra depois “ter” consciência (do que quer que seja)? Ou seja, o paraiso está mais perto do que perto, nós somos o paraiso. Não perceber isto é viver a ilusão de ter saido do paraiso, quando, de fato, é impossivel sair dele, pois é impossivel sair de si mesmo.
Nós não “temos” um espírito, nós “somos” espírito. Isto é tão óbvio, tão óbvio, que passa completamente desapercebido. Eis ai todo o trabalho de um instrutor espiritual, apontar pro óbvio que somos. Mas se é óbvio, por que apontar? Porque o óbvio só é óbvio pra quem já despertou pra sua obviedade. Os instrutores sabem disto, e por isto apontam pro óbvio sem expectativa de sucesso, apenas criando a possibilidade do despertar. Se o despertar pro óbvio acontece, que é a tal da “iluminação”, surge um sentimento assim: “dããããã! é isto? que óbvio!”.
Tem um famoso instrutor indiano (osho) que diz que, ao chegar a iluminação, deu risada. Entendo que é pra dar risada mesmo. O que pode ser mais óbvio do que “eu existo”? Só que tem sim uma diferença. Agora este “eu” não é mais um eu-cultural, eu-pensado, eu-acreditado, eu-separado, nem junto, nem nada, é apenas eu. Certeza-de-si. Inexplicável, inegável, óbvia.
Porém, este despertar não é o fim do caminho, pelo contrário, é o começo. Agora temos o martelo. Agora podemos começar o caminho de volta ao paraiso (felicidade incondicional). Agora temos a ferramenta necessária pra começar a destruir do edifício. Agora despertamos pro óbvio que somos, tijolo (humano) e martelo (ser), ao mesmo tempo. O que é do céu e do céu, o que é da terra é da terra, mas ambos, céu é terra, são o que somos: espiritegos (serumanos).
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