Joaquim comenta a função espelho

May 28, 2009 by admin  
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Baseado em estudo de O Livro dos Espíritos

919. Qual o meio prático mais eficaz que tem o homem de se melhorar nesta vida e de resistir à atração do mal? ‘Um sábio da antiguidade vo-lo disse: conhece-te a ti mesmo’.

Este é um grande conselho que o Espírito da Verdade está dando. No entanto, a resposta à pergunta seguinte é mais abrangente. Trata-se de um valoroso texto de Santo Agostinho e, por isso vamos estudar este assunto nela e não aqui.

919 a. Conhecemos toda a sabedoria desta máxima, porém a dificuldade está precisamente em cada um conhecer-se a si mesmo. Qual o meio de conseguí-lo? ‘Fazei o que eu fazia, quando vivi na Terra; ao fim do dia, interrogava a minha consciência, passava revista ao que fizera e perguntava a mim mesmo se não faltara a algum dever, se ninguém tivera motivo para de mim se queixar. Foi assim que cheguei a me conhecer e a ver o que em mim precisava de reforma. Aquele que, todas as noites, evocasse todas as ações que praticara durante o dia e inquirisse de si mesmo o bem ou o mal que houvera feito, rogando a Deus e ao seu anjo de guarda que o esclarecessem, grande força adquiriria para se aperfeiçoar, porque, crede-me, Deus o assistiria. Dirigi, pois a vós mesmo perguntas, interrogai-vos sobre o que tendes feito e com que objetivo procedestes em tal ou tal circunstância, sobre se fizestes alguma coisa que, feita por outrem, censuraríeis, sobre se obrastes alguma ação que não ousaríeis confessar. Perguntai ainda mais: se aprouvesse a Deus chamar-me neste momento, teria que temer o olhar de alguém, ao entrar de novo no mundo dos Espíritos, onde nada pode ser ocultado’?

‘Examinai o que pudestes ter obrado contra Deus, depois contra o vosso próximo e, finalmente, contra vós mesmos. As respostas vos darão, ou o descanso para a vossa consciência, ou a indicação de um mal que precise ser curado’.

‘O conhecimento de si mesmo é, portanto, a chave do progresso individual. Mas direis, como há de alguém julgar-se a si mesmo? Não está aí a ilusão do amor próprio para atenuar as faltas e torná-las desculpáveis? O avarento se considera apenas econômico e previdente; o orgulhoso julga que em si só há dignidade. Isto é muito real, mas tendes um meio de verificação que não pode iludir-vos. Quando estiverdes indecisos sobre o valor de uma de vossas ações, inquiri como a qualificareis, se pratica por outra pessoa. Se a censurais noutrem, não na podereis ter por legítima quando fordes o seu autor, pois que Deus não usa de duas medidas na aplicação de sua justiça. Procurai também saber o que dela pensam os vosso semelhantes e não desprezeis a opinião dos vossos inimigos, porquanto esses nenhum interesse têm em mascarar a verdade e Deus muitas vezes os coloca ao vosso lado como um espelho. A fim de que sejais advertidos com mais franqueza do que o faria um amigo. Perscrute, conseguintemente, a sua consciência aquele que se sinta possuído do desejo sério de melhorar-se, a fim de extirpar de si os maus pendores, como do seu jardim arranca as ervas daninhas; dê balanço no seu dia moral para, a exemplo do comerciante, avaliar suas perdas e seus lucros e eu vos asseguro que a conta destes será mais avultada que a daquelas. Se puder dizer que foi bom o seu dia, poderá dormir em paz e aguardar sem receio o despertar na outra vida’.

‘Formulai, pois, de vós para convosco, questões nítidas e precisas e não temais multiplicá-las. Justo é que se gastem alguns minutos para conquistar uma felicidade eterna. Não trabalhais todos os dias com o fito de juntar haveres que vos garantam repouso na velhice? Não constitui esse repouso o objeto de todos os vossos desejos, o fim que vos faz suportar fadigas e privações temporárias? Pois bem! Que é esse descanso de alguns dias, turbado sempre pelas enfermidades do corpo, em comparação com o que espera o homem de bem? Não valerá este outro a pena de alguns esforços? Sei haver muitos que dizem ser positivo o presente e incerto o futuro. Ora, esta exatamente a idéia que estamos encarregados de eliminar do vosso íntimo, visto desejarmos fazer que compreendais esse futuro, de modo a não restar nenhuma dúvida em vossa alma. Por isso foi que primeiro chamamos a vossa atenção por meio de fenômenos capazes de ferir-vos os sentidos e que agora vos damos instruções, que cada um de vós se acha encarregado de espalhar. Com este objetivo é que ditamos O Livro dos Espíritos’. (Santo Agostinho).

Participante: Este texto está consignado como de autoria de Santo Agostinho. No final ele afirma: com este objetivo é que ditamos O Livro dos Espíritos. Santo Agostinho é o Espírito da Verdade?

Não. Santo Agostinho faz parte daquilo que nós chamamos de ‘Academia de Ciências Espirituais’, ou seja, de um grupo de espíritos que dirigem a divulgação dos ensinamentos espirituais para o planeta Terra. Esta ‘academia’ é que é realmente o ‘Espírito da Verdade’.

Nós nunca dissemos que foi um espírito que ditou todas as respostas de O Livro dos Espíritos. Na realidade foi um grupo de espíritos que presidiu a transferência de ensinamentos.

Acontece que em algumas respostas houve identificação de um ou outro ser universal através da última personalidade que viveu encarnado. Mas, nas maiorias das respostas isso não foi preciso.

Voltando, então, à nossa conversa, a primeira orientação do Espírito da Verdade (ver pergunta anterior) é que, para elevar-se, o espírito encarnado deve conhecer a si mesmo. Tal ensinamento nos leva a entender que o primeiro grande detalhe para aquele que pretende aproximar-se de Deus é conhecer a si mesmo, se auto reconhecer.

Mas, depois, vem Santo Agostinho é afirma que esse auto reconhecimento é quase impossível. Isto porque o ‘amor próprio’, que chamamos de individualismo ou egoísmo, lhe faz julgar-se de um modo diferente do que julga os outros. O amor próprio lhe faz ter compreensões diferenciadas entre a sua participação nos acontecimentos da vida e a dos outros.

Sendo assim, posso afirmar que o auto reconhecimento (você saber quem é você mesmo) que o Espírito da Verdade diz que é fundamental para a elevação espiritual, é um trabalho que deve ser realizado indo-se além daquilo que você acredita sobre si mesmo.

Para que ele possa ser realizado é preciso, então, que o ser humanizado vá além daquilo que acha, sabe, conhece ou imagina como ‘certo’ e ‘errado’ em si mesmo. Foi com esta finalidade que Santo Agostinho abordou no texto acima o conhecimento que pode servir como ‘formula mágica’ para cada um se auto conhecer: a função espelho.

Ou seja, a informação que Deus coloca na sua frente espíritos afins (iguais, com o mesmo padrão de ação) para que você compreenda que possui ‘dois pesos e duas medidas’ para avaliar a mesma coisa.

Apesar deste ensinamento, que é raiz para quem quer aproximar-se de Deus e que já foi trazido há muito tempo, o ser humanizado não avalia sua participação nos acontecimentos do mundo com esta Realidade. Por isso continua julgando a participação dos demais espíritos encarnados nos acontecimentos.

Conhecer-te a ti mesmo é fundamental, mas para isso é preciso conhecer profundamente a ‘função espelho’ que Santo Agostinho comenta. Isso porque quem não compreende este assunto não entende a lei do carma: a justa reação à sua ação.

A lei do carma que ‘move o mundo’ (faz os acontecimentos acontecerem) é posta em prática através da ‘função espelho’ que foi citada neste trecho de ‘O Livro dos Espíritos’. Vou falar do assunto na prática (usando como exemplo os acontecimentos do mundo) para ficar mais fácil a compreensão do assunto.

Se um espírito humanizado tem à sua frente durante um acontecimento alguém que quer ‘levar vantagem’ sobre ele, é Deus mostrando-lhe que ele quer levar vantagem sobre os outros. Tendo à sua frente alguém que é ríspido, é Deus mostrando-lhe que ele é ríspido com os outros. Esta é a ‘função espelho’; este é o carma; esta é a lei do carma em ação.

Então, esta é a ‘função espelho’: Deus colocando à sua frente espíritos, encarnados ou não, que praticaram determinados atos, de tal forma que eles sejam a Real imagem do que você é na Realidade, mesmo que não se entenda como tal.

Sabe de uma coisa, se para você o mundo é ‘uma droga’, tenha certeza, de que este mundo é o seu espelho. Ele sempre estará e será um reflexo do que você é no interior.

Tudo que você constata no mundo exterior (nas pessoas, objetos e acontecimentos) é o mesmo que existe no seu interior (no seu ego). Mas, em você, existem as desculpas, ou seja, os motivos para justificar seu comportamento e dizer que ele está ‘certo’, para que, desta forma, possa continuar julgando o outro dizendo que ele está ‘errado’ por ter agido como você agiu.

Mas, tudo isso não é Real. O que você acha de si mesmo ou dos outros são meras criações do ego que o Pai faz acontecer desta forma para que você tenha a oportunidade de provar a si mesmo que aprendeu o Universalismo durante os estudos na erraticidade.

Como já vimos anteriormente, o Espírito da Verdade afirma que ninguém tem nada a provar a Deus durante a encarnação, mas a si mesmo. Sendo assim, é justo que os acontecimentos da vida espelhem uma tentação, ou seja, induzam o ser humanizado a nutrir determinados sentimentos. Só assim ele pode provar a si mesmo que aprendeu que tal tipo de comportamento sentimental fere o Universalismo.

Portanto, a ‘função espelho’ nada mais é do que a criação virtual de uma condição sem a qual de nada adiantaria para o espírito encarnar-se. Ou seja, é Deus lhe amando para lhe proporcionar a oportunidade de provar a si mesmo que aprendeu determinados aspectos necessários para que possa alcançar a evolução espiritual..

Entender isso leva ao ‘conhece-te a ti mesmo’, ou seja, leva o ser humanizado a compreender o que precisa trabalhar em si para prosseguir no caminho de aproximação do Pai.

Eu já disse em palestras anteriores. Se alguém chega à sua frente e diz que você é feio, é Deus lhe mostrando que quer ser bonito. Quando o ser humanizado compreende isso pode se reconhecer realmente: ‘sou um espírito encarnado que dá mais importância a ilusão da sensação de sentir-se belo do que ao amor entre irmão’. Aí pode lutar para libertar-se desta paixão e deste desejo gerado pelo ego.

Se alguém chega na sua frente e lhe toma alguma coisa que é sua (rouba), é Deus lhe mostrando que você é apegado às posses materiais que existem no ego. E quando você compactua com a sensação de raiva e perda lançadas à sua consciência pelo ego junto com o ato de xingar e acusar aquele que roubou, está mostrando para você mesmo que não aprendeu na erraticidade o universalismo, pois continua achando muito mais importante a posse do objeto do que o bem estar espiritual, do que a convivência entre irmãos.

É isso que Santo Agostinho está mostrando e, com isso, está fazendo o ser humanizado entender a lei do carma. Fazendo o espírito encarnado compreender que aqueles que praticam a ação que ele, por imaginar que é a personalidade transitória que hoje guia o seu consciente, chama de ‘errados’ não estão praticando nada, o ser humanizado vivencia a ação carmática dentro do amor universal e, com isso alcança a elevação espiritual.

Entendo que, na Realidade, foi Deus quem colocou aqueles espíritos ali para agirem a partir de uma ‘função espelho’ e, com isso, auxiliarem na evolução deste ser dando uma oportunidade dele se libertar do seu individualismo que o leva a acreditar que apenas ele está ‘certo’, o espírito pode, então, provar a si mesmo o que aprendeu antes da encarnação no chamado ‘mundo espiritual’. Isto porque, compreendendo e vivenciando esta Realidade, o ser humanizado se liberta das paixões gerenciadas pelo ego. Com isso pode, então, provar a si mesmo que aprendeu na erraticidade a amar universalmente a todos.

Como eu disse a resposta de Santo Agostinho era longa, mas a síntese é a menor que existe: tudo que existe no Universo, sejam as pessoas, objetos ou acontecimentos, são instrumentos utilizados por Deus para que o ser humanizado possa ter a oportunidade de provar a si mesmo o quanto aprendeu na erraticidade.

E, quando você a compreende, o seu ‘mundo’ muda. Ao invés de ter na sua frente um ofensor, alguém que está lhe ofendendo, terá um irmão que, comandado por Deus, gerado pela Causa Primária de todas as coisas, estará criando um espelho para que você se auto reconheça e ‘trabalhe’ para libertar-se das paixões e desejos criados pelo ego que fazem com que você acredite na ‘culpa’ do outro.

Aí está. Este é o conhece-te a ti mesmo que o Espírito da Verdade afirmou que é o meio prático mais eficaz que tem o homem de se melhorar nesta vida e de resistir à atração do mal: ninguém pode se auto conhecer a não ser que esteja na frente do seu espelho.

Por isso é preciso se compreender que todos e tudo que estão à sua frente transformam-se em um espelho, um reflexo do seu interior, para que você possa praticar o amar universalmente que aprendeu na erraticidade. Vivendo a partir destas Verdades o espírito encarnado pode, então, deixar de achar-se certo e conferir ao próximo o direito de também querer e ser alguma coisa além daquilo que ele quer que o outro queira e seja.

Participante: Esta ‘função espelho’ que você citou é a mesma coisa da’ sombra’ de Jung?

Sim é basicamente a mesma coisa. No entanto, acho o termo ‘função espelho’ mais apropriado, pois ele pode ser traduzido por ‘um reflexo de você mesmo’.

Aplicando este termo ao ensinamento fica mais fácil compreender, por exemplo, que aquele que lhe ofende não faz isso, pois a ofensa que foi sentida não veio externamente, mas foi um reflexo de você mesmo, das suas paixões. Foram suas paixões que geraram a sensação de ofensa e não o que aconteceu externamente. Por isso eu acho a palavra espelho mais apropriada.

Se colocássemos o termo ‘sombra’, a ofensa estaria no exterior e não no interior. Usando o termo ‘espelho’ fica mais claro que ela está no interior apenas reflete-se no exterior.

De qualquer forma, utilizando o termo ‘sombra’ ou ‘espelho’, se hoje você está sofrendo, passando por situações que não gosta, não acuse o mundo. Comece a olhar para dentro de si mesmo e verifique que você gerou a motivação para que aquele acontecimento fosse daquela forma.

A partir desta compreensão, pode ser entendido, então, o que temos falado nestes sete anos de estudos: ninguém é culpado. Todos, os outros e você mesmo, quando se relacionam com as ‘coisas’ do mundo, exercem uma função no Universo como espelho daquele com quem está se interagindo. Por agora falamos dos outros agindo à sua frente, mas já vamos falar de quando você assume a função de espelho dos outros.

Participante: A ofensa, então, é devido ao fato de acharmos que somos algo. Se acharmos que nada somos não há ofensa, certo?

Não é ser algo: é ter algo. A ofensa, quando você aceita o impulso do ego que diz que foi ofendido, ocorre porque o que acontecimento (o que foi feito e/ou falado) foi contrário àquilo que você acredita ou deseja.

Desta forma, o problema não é ser, mas possuir, ter. Digo isso porque quem não tem verdades não fica ofendido. Sendo assim, afirmo que você não precisa deixar de ser, mas precisa deixar de ter.

Esta é uma diferença fundamental que precisa ser compreendida por aquele que pleiteiam aproveitar esta encarnação para provarem a si mesmo que aprenderam quando na erraticidade. Por isso, ao longo desse trabalho todo, sempre disse que reformar-se não é mudar o que o ego lhe diz, ou seja, as verdades, mas não acreditar nelas. A verdade vem, surge à mente, mas o buscador não acredita nela.

Com isso você deixa de ter, mas continua sendo, porque deixar de ser ninguém pode.

Participante: Gandhi, antes de desencarnar, havia dito a um repórter que não precisava perdoar ninguém porque nunca havia sido ofendido.

Exatamente isso que estou dizendo: quem não tem verdades não é ofendido. Só é ofendido quem acredita em alguma coisa. Se você não acreditar que é bonito não se ofenderá quando alguém disser que é feio. Se não acreditar que trabalha bem, não ficará ofendido quando alguém disser que trabalha mal.

Então, sim, você não precisa perdoar porque não foi ofendido. Mas, o comentário do próximo não ofende por quê? Porque tudo que os outros dizem não contraria mais nada, pois você não possui mais nada para ser contrariado.

Participante: E quando os espelhos são positivos (melhores do que nós) e não nos achamos merecedores de estar frente a esta pessoa?

Não entendi a sua pergunta…

Isso porque, se o ‘espelho’ está acima de você, no sentido positivo da elevação espiritual, ele não pode ser ‘espelho’, porque não refletiu você, ou seja, não lhe mostrou o seu interior. Por isso eu disse que não vi muito sentido na sua pergunta.

Mas, se por acaso você quis dizer que a pessoa que está à sua frente é melhor do que você, tal pensamento realmente reflete algo no seu interior: a avaliação de pequena, abaixo, pior que faz de si mesmo. Isto serve como ‘função espelho’ (auxiliar na sua caminhada), mas não a admiração que sente por outro.

Este reflexo (ver que se sente menor que alguém) deve servir sim, para auxiliá-la na elevação espiritual. Isso porque todos os espíritos, em suas naturezas íntimas, são iguais entre si, ou seja, não pode existir ninguém pequeno.

A partir desta análise existe uma ‘função espelho’, ou seja, um auto conhecimento que pode lhe levar a libertar-se de uma verdade ilusória criada pelo ego.

Isso faz parte do segundo aspecto da função espelho que iremos falar: quando você serve como espelho dos outros. No entanto, deixe-me antes tirar mais dúvidas que ainda existem.

Participante: Estou lendo o livro ‘A vida no Planeta Marte’ de Ramatis e tenho a impressão de apesar de ser um orbe mais evoluído lá ainda há muito ego e ‘verdades. É isso mesmo que acontece lá?

Sim. Eu já afirmei que só Deus não tem ego, ou seja, só Ele não tem verdades temporárias que levam o ser a viver uma personalidade diferente da sua. No entanto, as verdades existentes nos egos marcianos são menos individualistas do que as daqui (Terra).

Apesar disso, tenho um conselho a lhe dar: aprenda primeiro a viver na Terra e depois se preocupe com a vida de Marte. Sabe, o apego à busca de conhecimentos (curiosidade) que o ego lhe levou ao consciente como realidade, o leva à dispersão quanto ao que deve ser feito durante a encarnação.

Existe nos egos humanos atualmente a ilusão de estar havendo uma grande discussão sobre outros planetas, a vida nestes orbes, mas a Real compreensão sobre este assunto só vai ser conseguida pelos seres humanizados quando eles souberem viver a vida daqui espiritualmente falando. Isso porque em Marte vivencia-se uma outra provação, um outro sentido para a encarnação cuja compreensão não pode ser alcançada pelo ego terrestre.

Portanto, não ceda ao ego: concentre-se em aprender a viver a vida carnal de forma universal (liberto das ilusões que o ego cria) para só depois querer aprender a vida (o que se faz durante uma encarnação) em Marte.

Saiba que se esse desejo é mais uma ilusão de ego, também é mais uma prova para o ser humanizado. Se ele estiver concentrado neste ilusório interesse criado pelo ego não aprenderá a viver a vida carnal dentro dos padrões universais e, com isso, nunca aprenderá a usar a ‘função espelho’ para sua elevação. Enquanto o ser humanizado estiver preocupado com as vidas fora do planeta não estará vendo a ação espelho, ou seja, a ação do seu próximo aqui na Terra para lhe auxiliar a conhecer-se e poder, então, ‘resistir à atração do mal’.

Ficou claro isso? Não estou dando bronca, não estou acusando: trata-se de uma orientação que estou dando porque sei que você está procurando a reforma íntima.

Aliás, este ensinamento (abandonar a busca da cultura) é antigo em nosso trabalho. Por diversas vezes já falei aqui que é preciso se libertar do anseio de ler e estudar que o ego cria como paixão para alguns seres humanizados.

Quando ele assim age é movido por um gênero de prova pedido por você mesmo (espírito). Ou seja, o desejo de aprender racionalmente, de suprir a curiosidade com relação ao mundo material e/ou espiritual é também uma ‘função espelho’ para que você compreenda que está buscando para si mesmo, que quer ganhar cultura e com isso ter fama. Trata-se, portanto, de um sentimento que você buscou provar que aprendeu a libertar-se quando na erraticidade.

Participante: Mas somos curiosos e é difícil não estudar estes temas…

Sim, mas veja, esta curiosidade, aliás é ditado de vocês, ‘mata o gato’. Isto porque ela lhe deixa ‘aéreo’ com relação à realidade ilusória que vive. Imaginando que conhece a vida em outros mundos, acha que também já sabe a daqui e, por isso, não presta atenção aos acontecimentos do mundo para ver o reflexo deles e descobrir, assim o seu interior.

Lembre-se: a curiosidade não é sua, você não está curioso… Na Realidade o que está acontecendo é o ego lhe criando uma verdade no consciente que serve como uma provação que você deve fazer a si mesmo. Ou seja, Deus lhe dá a curiosidade para ver se você supera este aspecto do ego.

Quem compreendeu a questão do egoísmo que já falamos já deveria ter entendido isso, pois, o que é a curiosidade? O desejo de conhecer o que não conhece. Isso se chama individualismo, querer para si. Portanto, um egoísmo que precisa ser eliminado de nossa existência.

Deixa eu relembrar algo que digo praticamente todo dia. O espírito na carne só tem uma coisa para fazer: viver. Ele não tem que aprender nem esquecer, mas apenas viver a vida.

Veja bem, se há alguma coisa a ser ‘entendida’ nesta vida, é a ‘função espelho’ que Santo Agostinho e outros ensinaram e sobre a qual estamos conversando aqui. Isso é fundamental para sua existência eterna como espírito e não a cultura material.

Através do entendimento deste elemento universal, você pode aprender que todas as pessoas com as quais você se relaciona, direta e indiretamente, agem de tal forma que, a participação delas naquele acontecimento, lhe leve a reconhecer a ‘linha de raciocínio’ que o seu ego atual utiliza. Eu falei todas e não algumas específicas.

Siga lendo a parte 2

Joaquim fala sobre as raízes do sofrimento

May 10, 2009 by admin  
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RAÍZES DO SOFRIMENTO (palestra dia 17.03.09)
(faixa 1)
Com as graças de Deus! Salve! Que a Paz esteja com todos vocês!
Nós hoje vamos fazer a última conversa dessa série “Falando com Seres Humanos sobre a Felicidade”. Nós vamos mostrar então porque você não é feliz.
Se antes tiver alguma pergunta…

Da última vez então, nós dissemos que é preciso questionar o pensamento audível, aquele que você toma consciência, para poder compreender o pensamento não audível, ou seja, as afirmações que você nem sabe que existem dentro de você e que levaram a mente a construir aquele pensamento que você ouviu.
Dei um exemplo e hoje vou seguir nesse mesmo exemplo: a sua mente percebe através da visão um corpo humano que tem um determinado nome, ela joga ao seu consciente a idéia: “Tenho sair daqui que eu vou sofrer”, e eu disse que você precisa entrar em meditação, precisa perguntar a esse pensamento “Por que isso”? Eu parei nessa primeira parte onde o pensamento diz: “Ele não presta, ele já me fez mal, ele já fez coisa contra mim, então eu preciso sair daqui”. Foi até aqui que nós chegamos e chamamos esse processo de meditação. Agora esse processo não se encerra aqui. Nós vamos continuar falando dele hoje. Nós vamos continuar falando dessa meditação. E tem mais. Quem espera que eu pare num determinado ponto, tire todos os conceitos da mente. Porque eu vou mais fundo do que aquele ponto que a maioria dos seres humanos param.
Participante: Voltamos ao tema Felicidade. Achei que era o tema Memória hoje.
Só falei de Memória para poder falar de Felicidade. Numa das palestras eu disse que você não quer ter felicidade, você quer viver com a felicidade e você não consegue viver com a felicidade. Por que? Porque na sua memória existem valores que são condicionantes e que causam então o sofrimento. Eu falei de memória para falar de felicidade. E vou continuar falando hoje de memória para falar de felicidade.

Participante: No ultimo encontro o Sr. falou em rótulos condicionais que fariam a pessoa sofrer e rótulos não condicionais que poderiam fazer a pessoa feliz. Pode relembrar novamente o que são estes últimos?
Rótulo condicional aquele que pode ser, pode não ser, pode não ter, pode não ter, pode haver, pode não haver… Rótulo não condicional: aquele que é! Um rótulo não condicional: Deus. Deus é completamente incondicional. Então se o seu pensamento tem Deus, Deus, Deus não o seu Deus, você já começa a chegar na incondicionalidade. Agora se o seu pensamento tem valores humanos ele vive na condicionalidade.

Participante: Você disse que haveria mais palestras sobre esse assunto…
Eu falei que haveria mais, mas nós vamos acabar hoje. Qual é o problema?

Participante: O que é êxtase?
Êxtase é prazer. Êxtase é euforia. Êxtase é egoísmo satisfeito. Quando o que você quer, você consegue, você entra em êxtase. Nem que seja o contato com Deus. Mesmo aquele êxtase divino é prazer porque é fundamentado no que `eu quero´. O contato com Deus não traz êxtase. O contato com Deus traz mansitude.

Participante: Pode falar dos pensamentos que surgem na mente antes e depois dos atos, por ex. se o que fizemos for algo certo ou errado.
Se surge um pensamento dizendo que você está certo, você tem que meditar sobre ele. Porque eu acho que estou certo? Porque pensamento você está dizendo que eu estou certo? Para escutar a resposta do pensamento. Ele vai dizer: “Porque foi o que Joaquim disse”. Ai você diz para ele: “E quem disse que Joaquim sabe a verdade”?

Participante: Como posso lidar melhor com fragmentos de pensamento, digo, pensamentos soltos que vem ao acaso.
Não existe fragmento de pensamento. O pensamento não se fragmenta. Cada pensamento é um pensamento. O que você chama se fragmento de pensamento é um pensamento. `Ah! Mas surge por um acaso´… Todo pensamento surge por um acaso. È muito raro vocês construírem um pensamento. Vai estar dentro do que nós estamos conversando hoje, que é sobre a meditação no pensamento.
Participante: Não devemos rotular os outros, mas podemos rotular suas idéias como certas ou erradas?
Se você rotula a idéia do outro, você está rotulando o outro. Isso é só uma desculpa para poder continuar rotulando os outros. E tem mais…Não é errado você rotular os outros. Você pode rotular quem você quiser, a hora que você quiser. Aliás, todos os seres humanos vivem fazendo isso 24 h por dia. Agora, o que você precisa saber é que quando você rotula, você criou uma condicionalidade, você cavou o seu próprio sofrimento. Não é errado, agora, você precisa estar consciente de que o rótulo que você manda para o outro é um condicionamento e você está cavando o buraco do seu sofrimento hoje ou amanhã.

Participante: Desde quando você começou seu trabalho já houve alguma pessoa que já alcançou a felicidade incondicional através dos seus ensinamentos?
Não sei. Eu não fico observando para saber se ela alcançou ou se não alcançou. Eu acho que muitos alcançaram em muitos momentos. Agora você me pergunta se alcançou o tempo inteiro? Não sei lhe responder. Até porque quem alcançar a felicidade incondicional nem volta aqui para dizer!

Participante : Por que é tão difícil se concentrar?
Por que é tão difícil se concentrar? Porque vocês vivem pelas percepções externas. Você não se concentra na mente. Você vive pelo que vê, pelo que cheira, pelo que ouve. Você está atento 24h ao externo. Então é difícil se concentrar porque na verdade você não se concentra. E preciso lutar para se concentrar.
Participante: Você acredita então que o pensamento positivo pode mudar nossas atitudes durante a vida?
Não. Não falei isso! Não é o pensamento positivo que pode lhe ajudar. É você descobrir o seu pensamento e aí você mudar a sua forma de pensar. Nós já vamos chegar lá…. Tanto faz você pensar positivo ou negativo. Se você está na dualidade, ou na condicionalidade, você vai sofrer! Você pensa positivo, não acontece e ai?

Participante: Quando repensamos o pensamento, a resposta do pensamento ao pensamento, poderíamos dizer que é a voz de Deus?
Não. Poderíamos dizer que é o que está de verdade na sua mente. Veja o exemplo que eu usei: “Preciso sair daqui porque senão eu vou sofrer”. Mas na verdade não é isso que o pensamento está dizendo. O pensamento está dizendo: “Aquele ali não presta, aquele ali já lhe feriu, aquele ali já fez coisa contra você”. É isso o que o pensamento está querendo lhe dizer e você não houve, por que? Porque isso é o pensamento não audível.

Participante: O que é estar em alerta total?
Estar em alerta total é estar 24h centrado na sua mente para ouvir os pensamentos que estão vindos, para descobrir os pensamentos não audíveis, e para o resto que nós vamos falar hoje. Isso é estar alerta 24 h. Aliás isso é o “Vigiai” que o Cristo falou! “Orai e Vigiai”!
Participante: Às vezes tenho a impressão que seus ensinamentos são principalmente para nós seres humanos deixarmos de ficar “se achando” perante os outros e a vida.
Espera para você ver o final do dia de hoje. Você vai ver só o que eu quero com tudo isso…
(faixa 2) Vamos continuar….

Então você faz a pergunta POR QUE? ao primeiro pensamento e ai você ouve o segundo pensamento. Você ouve as idéias que estão por trás daquele pensamento e você pergunta de novo a esse novo pensamento: “POR QUE ISSO”?

Vamos no exemplo na prática, para ficar melhor: “Preciso sair daqui senão vou sofrer”. “POR QUE”? “Porque aquele já me fez osso, já me fez aquilo e aquilo outro”. “POR QUE ele me fez isso, aquilo e aquilo outro”? Vou continuar no exemplo: “Porque um dia eu falei uma coisa e ele provou que eu estava errado”.
Olhe, você foi perguntando POR QUE, POR QUE, POR QUE ao pensamento e chegou a uma POSSE.
Querer estar certo é ter uma POSSESSÃO MORAL. Ter a posse da verdade.
As outras posses são: A POSSE SENTIMENTAL . Eu gosto, eu desgosto, eu amo, eu desamo…
E a POSSE MATERIAL. É meu, é do outro…Aquele pensamento que cria possessão de alguma coisa para alguém.

É ao que você precisa chegar. Você precisa identificar que você só sofre, como no exemplo, você só sofre, quando alguém diz que você está errado, porque você tem uma posse moral, ou seja, você tem um certo!
Veja a angústia de sair que estava no primeiro pensamento, ela só existiu porque a posse moral estava com medo de ser novamente destruída!

Se essa mente não tivesse arquivada na sua memória aquela paixão, ou seja, aquela verdade, aquilo que ele acredita _ porque paixão é o elemento conhecido da posse _ então: “Eu sei que isso é branco”, o `ser branco´ é a paixão e o `eu sei´ é a posse. Aquele pensamento só surgiu porque a mente tinha a disposição dele, na memória, uma paixão que estava atrelada a uma posse. Se essa paixão não estivesse atrelada a uma posse, você não iria sofrer. Por que?

Porque se você não se considera certo, você não vai sofrer quando alguém disser que você está errado.
Se você não considera que ama alguém, você não vai sofrer quando esse não agir dentro dos padrões amorosos que você quer.

Quando você não considerar uma coisa de ninguém, nem sua nem de ninguém, você não vai sofrer quando essa coisa mudar de estado ou de dono.

Então veja, o pensamento que, à inicio parecia ser a fonte de seus sofrimentos naquele momento, não é a fonte de seu sofrimento naquele momento. Por que? O problema não é aquele pensamento. O problema é que você tem possessão! Você quer possuir aquela verdade! E se amanhã você quiser, você troca de verdade. Mas não adianta trocar de verdade, porque toda verdade estará embutida na possessão.
Então não adianta você trocar um elemento do pensamento, você tem que atacar mais fundo. Você precisa atacar a possessão! Eu nem e ninguém sabe nada! Eu e ninguém se ama! Eu e ninguém possuo nenhum bem material! É esse trabalho que vem no POR QUE?, no POR QUE?, no POR QUE? que você precisa fazer para chegar nesse ponto.

Descobrir que aquilo que você está achando não é simplesmente o que você está achando. É uma possessão. Algo que você retém dentro de você a ferro e brasa. Que você está marcado de forma indelével na sua memória, como seu, como sua posse!

Então dentro do nosso caminho para a felicidade, nós começamos querendo viver um momento de felicidade, momento com felicidade. E descobrimos agora que você não vive momentos de felicidade, porque tem possessões, porque está preso a determinadas possessões.

Eu diria que a possessão é como a raiz que nutre uma árvore. Ela nutre sem aparecer. Você olha uma árvore, você só vai ver as paixões, o caule, os galhos, as folhas, as frutas. Você só vai ver essa serie de decorrências da possessão. Mas a raiz, aquilo que está sustentando o pensamento como real, como verdadeiro, você não vê!

E é por isso que você precisa meditar profundamente a cada pensamento para descobrir a raiz de sua infelicidade. Porque a raiz de sua infelicidade não é o outro, não é o ambiente em que você está, não é a vida que você tem. A raiz de sua infelicidade são as suas posses. Porque ter posses é viver num mundo de contrariedades, de contradições. Por que? Porque não existem duas pessoas que tenham posses da mesma paixão, da mesma verdade. Sempre vai acabar dando problemas…
Eu ainda não acabei… Mas se tiver perguntas…

Participante: Essas possessões é que vão formando os rótulos?
Essas possessões dão origem aos rótulos. O rótulo é a paixão, é aquilo pelo que você é apaixonado. Aquilo que você é apaixonado positivamente, gosta, ou que você é apaixonado negativamente, não gosta. Elas nutrem a paixão. E quando você extirpa uma paixão, não há problema porque a raiz está ali para criar outra paixão. Ela vai criando paixões e você vai combatendo as paixões, mas sem você saber que ao combater uma, você cria outra. Eu já cansei de alertar. Não queiram acreditar no que eu digo. Porque se vocês acharem que eu estou certo, vocês vão estar criando uma nova paixão, que vai sustentar uma raiz dessa, uma posse, e você vai achar que está certissimo quando não esta!

Participante: A posse é a causa da idéia da separação?
Sim! A posse é uma das causas. Mas veja eu falei em raiz. Quando vocês pensam em raiz, pensam que é a coisa mais profunda. Mas tem alguma coisa que nutre a posse. É alguma coisa que nós vamos falar já já. Essa é a verdadeira causa da separação do todo.

(faixa 3 ) Continuando…
Como eu disse, a possessão é a raiz. É a raiz que nutre a árvore da paixão. Mas veja, uma posse sozinha, não resolve nada. Ela se extingue por ela só. A raiz da árvore precisa retirar nutrientes de algum lugar para nutrir a árvore. Raiz é um mero instrumento de captação de alguma coisa para levar para outro lugar. Então não pode ser a posse a causa de seus sofrimentos. Aliás, eu vou dizer uma coisa agora, desdizendo tudo o que eu disse até agora. Você até pode ter paixões, você até pode ter posses, não há o menor problema de você gostar de alguma coisa, de você achar alguma coisa certa, de você dizer que aquilo é seu. Não há problema. Porque a paixão só se torna um problema para a felicidade, quando ela é nutrida pelo egoísmo que é a característica de todo o ser humano! Pensar em si, acima de todos e de tudo!
AÍ ESTÁ A VERDADEIRA FONTE DO SEU SOFRIMENTO: O SEU EGOISMO!

E esse egoísmo nós vamos descobrir, fazendo uma perguntinha simples à possessão: e daí? E daí que eu acredito que aquilo seja verdade? No exemplo que nós estamos falando…E daí que ele disse que eu estou errado?

Sabe o que é, em palavras, o seu egoísmo? É O QUERER GANHAR SEMPRE! Tirar sempre uma vantagem! Nem que seja um “Muito Obrigado”. Já ouviram esta frase: “Eu fiz por ele e ele não me disse nem muito obrigado”! Olha querendo ganhar um `Muito obrigado´!

Querendo ter sempre prazer! Ou seja, querendo que você seja sempre satisfeito, sempre atendido! Você não aceita que o outro seja atendido e você não! Você quer pelo menos se conformar, ou seja, ser atendido de alguma forma. Não! Você tem que se sentir não atendido e dizer: “E daí que eu não fui atendido”? “Por que eu preciso ganhar”? Por que eu preciso dizer para mim mesmo “Ah! Também, tanto faz, tanto fez”? Não! É sentir mesmo: “Não eu não gostei, aquilo não me satisfez”… Mas é por isso que eu vou agora arrancar os pelos do cabelo?

A outra palavra que define o seu egoísmo é a FAMA! A vontade de ser sempre notado, de estar em evidência, de ser reconhecido pelas pessoas como certo, como sábio, como bonito, como tendo, como isso ou como aquilo! Ela é a expressão de seu egoísmo!

E se você não perguntar à sua posse: e DAÍ? Você não vai descobrir que você quer ser reconhecido! Nem que seja reconhecido por não ser reconhecido! É aquele que diz: Eu sou humilde! Quem diz que é humilde é aquele que quer ser reconhecido por não ter reconhecimento. E a cada coisinha que lhe faz sofrer, que nutre as suas paixões, de onde sua paixão arranca a fortaleza para possuir, para ser possuída….é a busca do elogio!

Sempre alguém está falando de você, bem ou mal não importa, porque tem muita gente que gosta que os outros falem mal dele. Mas aquele que quer estar sempre em evidência! Que quer sempre que os outros falem dele. É aí que você precisa agir! Mas para descobrir isso é preciso perguntar à sua posse: E DAI?????
Ninguém conseguirá atingir essa felicidade enquanto não calar em si o seu INDIVIDUALISMO, O SEU EGOISMO!

Aprender a perder sem sofrer, para isso é preciso não querer ganhar. Aprender a ter desprazer, sem sofrer! Aliás, uma vez me perguntaram: “Joaquim sofrimento não é normal”? Eu disse “É! Mas você tem que aprender a sofrer sem sofrer”!!! “E como eu sofro sem sofrer”? “Simplesmente não querendo o tempo inteiro ser feliz”…O tempo inteiro ter prazer, o tempo inteiro ser atendido… Você tem que controlar em si a sua ansiedade de querer ser sempre reconhecido! Ser sempre reconhecido! Estar sempre na crista da onda! Você tem que aprender a não lembrarem de você, sem você sofrer! Você tem que aprender a viver a vida que você tem, quando ninguém liga para você, sem sofrer… e sem desejar que liguem e nem sem gostar de que não ligam. Não ligaram e daí? Qual o problema?Porque que eu preciso sempre estar em destaque???
No trabalho que nós estudamos o professor da lei, Cristo disse assim: “Olhe o tamanho dos adornos que eles colocam na vestimenta”! E eu disse isso: o professor da lei, o egoísta, o ser humano, é aquele que quer estar sempre estar em destaque! Está sempre arrumadinho, está sempre limpinho, está sempre cheirosinho, faz tudo certinho. Ele está doido por isso. Isso é alimento prá ele. Esse egoísmo é alimento para o ego de vocês ou para vocês egos!

Você se alimenta desse egoísmo quando satisfeito ou quando não satisfeito, né? Porque o sofrimento é gostoso… Vem alguém e passa a mãozinha na cabeça, vem alguém diz palavrinhas bonitas….
Ai está o verdadeiro trabalho para o ser humano que acredita que ele pode fazer alguma coisa de verdade. Não é só saber que não pode fazer, é viver sem ter a consciência de fazer, sem intenção, que é outra coisa…

É ESSE O TRABALHO QUE PRECISA SER FEITO!!!

Você precisa identificar a cada pensamento a ação egoísta que está acontecendo. E calar essa ação egoísta!

Porque eu tenho uma triste notícia para quem até hoje não compreendeu! A VIDA NÃO ESTÁ AQUI PARA LHE SATISFAZER! A vida não está aqui para ser direitinha, bonitinha, arrumadinha, tudo no seu lugarzinho!
(faixa 4)

Você se alimenta desse egoísmo. Ou seja, você ego se alimenta desse egoísmo. Para isso ele tem prazer e dor. Então você precisa descobrir isso. Que não importa o que você esteja pensando. Olha bem! Não importa! Você pode até estar pensando nos ensinamentos de Joaquim… Não importa qual paixão ou qual verdade você está pensando… O que interessa é você calar o egoísmo, calar a vontade de estar certo sempre, calar a vontade de ter prazer com aquilo que você acredita! Calar a sua busca da fama através daquilo que você acredita! Calar a busca do elogio, sendo o elogio apenas se alguém responder para você, não precisa nem ser palavras de elogio. Você precisa calar isso dentro de você! Porque se você não calar isso dentro de você, você vai sofrer!

Participante: O que é sofrer?
Sofrer? Você não sabe? Você nunca sofreu na vida!? Sofrimento é toda contrariedade. Cada vez que você se contraria, ou segundo Buda, cada vez que você não se contraria mas comunga com aquele momento, você está sofrendo ou tendo prazer. E como o Buda chama o prazer de sofrimento, tudo é sofrimento. Porque tudo é condicionado pelo egoísmo. Se você não for aceito, vai sofrer.

Participante: Deus ajuda a calar o egoísmo?
Olha, do céu só cai avião e chuva. Deus dá a cada um segundo as suas obras. Então você primeiro obre prá depois receber! Não! Não espere ajuda de Deus não! Deus vai lhe recompensar, não lhe ajudar!

Participante: O mundo espiritual influencia os nossos pensamentos?
Eu lhe devolvo a pergunta: `O mundo espiritual influencia o seu pensamento´? Você vê isso, você acha isso? Não, você não acha isso; você não vê isso. Você vê que cada um pensa o que quer. Você acha que cada um pensa o que quer. Então para você o mundo espiritual não influência seu pensamento. Agora, para o espírito ele sabe que sim. E alias está no Livro dos Espíritos. E é tão grande essa influência que normalmente são eles que lhe dão pensamento… Agora, usar o pensamento com egoísmo, é você, não é espírito. Espírito é um pensamento e você opta por usar aquele pensamento para defender uma posse que está defendendo o egoísmo.

Participante: Os pensamentos paixões são formados só no ego?
Sim! Os pensamentos são formados só no ego.

Participante: Como podemos ver o ego como ego, como podemos não nos identificar com os reflexos, as verdades relativas?
Como podemos ver o ego como ego? Não vai conseguir ver. Porque você acha que o ego é você! Você é! Então você não vai ver o ego como outro. A partir do momento que você disse `Eu não sou´ aí pode ser que você veja. Mas para dizer `Eu não sou´, tem que dizer `Eu não sou´ a tudo: Eu não sou homem, eu não sou mulher, eu não sou brasileiro, eu não nasço, não falo, não como, eu não bebo, impossível, né? Então é impossível você ver o ego.

Como pode não se identificar com as verdades relativas? Você só se identifica. Porque você acha que a verdade relativa que você acha, é a certa!

Deixe eu falar uma coisa interessante. Você só pode agir dentro de você! Você não pode agir no outro! Você não pode salvar o outro! Você precisa agir em você! E você tem que agir em você a cada momento!
Eu falo: `Tudo é verdade relativa´. Ai você acredita que tudo o que os outros falam é verdade relativa. Mas não vê que para acreditar nisso você criou uma verdade absoluta. VIVER É UMA ATIVIDADE MENTAL! E viver é uma atividade mental que deve ser vivida em comunhão com você mesmo! Em interiorização com você mesmo! Cada vez que você vivenciar alguma coisa, volte-se prá dentro, preste atenção em você! Preste atenção no seu pensamento! Queira entender porque você está vivendo aquilo! E não querer entender porque o outro está fazendo, porque o outro está falando, porque está acontecendo aquilo fora de você! Você tem que se preocupar e se concentrar em viver para dentro de você! E não com o outro! Esqueçam os outros! Cada vez que o outro aparecer na sua vida, pense para dentro de você. Como eu estou vivendo com o outro, como eu estou reagindo ao que o outro está fazendo, como eu estou pensando a partir da presença do outro. ESQUEÇA O OUTRO!

Participante: O que é exatamente comungar com alguma coisa? Como entender isso para saber se está sofrendo sem sofrer?
Comungar com alguma coisa é achar certo, é concordar, é achar direito, é estar a favor de… Isso é comungar. Como sofrer sem sofrer? Quando o sofrimento vem, e você cala em você o egoísmo, ou seja, a vontade de vencer, a vontade de ter prazer, a vontade de ficar famoso, a vontade de receber elogios_ o sofrimento vai embora. Ai o sofrimento passou por você. Você sofreu sem sofrer.
Agora quando você luta com o sofrimento a partir do seu egoísmo, ou seja: “Meu Deus por que isso aconteceu comigo?? Meu Deus e agora o que vai acontecer aqui? Eu preciso mudar essa situação”… Você vai ficar sofrendo durante bastante tempo…

Participante: O que é um pensamento para você?
Tudo o que lhe vem à mente! TUDO! Você está vendo o www? Está VENDO?! Isso é um pensamento. Isso é uma construção que o ego faz a partir de energias que entram pelo seu olho. O olho não vê, o olho capta energias, quem vai ver é a mente. Tudo o que ela vê, cheira e ouve é um pensamento…
Participante: Eu não sou um corpo no espírito e sim um espírito no corpo. Isso é uma verdade para mim. Estou errado?

Eu não diria que você está errado se você acha que isso é certo para você. Eu lhe perguntaria: Você é um espírito num corpo. Tá certo. Isso é uma grande idéia. Agora que parte do corpo é você espírito? Mente? Mas se sua mente não sabe nada do mundo espiritual, só tem idéias do mundo espiritual, só tem imagens materiais do mundo espiritual, se sua mente não sabe volitar, se sua mente não sabe portar-se como espírito porque trabalha na base dos elementos materiais… Quem é você o espírito que está no corpo? Não! Esse é um pensamento que lhe faz prender-se cada vez mais à matéria. Porque no inconsciente você se acha você e você acha que espírito é ser isso. Espírito é ser outra coisa completamente diferente disso!
Participante: Se a inteligência é proveniente do espírito, como os pensamentos são formados só no ego? Não existe relação da inteligência com o pensamento?

Olhe o moço que achou que é espírito. A minha pergunta prá você para começar: “O que é inteligência”? Você está dizendo que a inteligência vem do espírito. Mas o que é inteligência para o espírito? Você está aplicando um valor_ a inteligência humana_ e dizendo que essa inteligência humana é do espírito. Não! Essa inteligência humana é do ser humano. O espírito tem outra inteligência que nada tem a ver com o processo de formação de raciocínios que vocês humanos têm.

E tem mais: a inteligência é uma propriedade do espírito, a inteligência espiritual; agora a inteligência humana é uma propriedade do ego. É isso o que eu quero dizer. Sabe, esse trabalho começou e vai acabar do mesmo jeito! Porque vocês estão preocupados com o espírito. Vocês estão preocupados em resolver as coisas do espírito! Mas vocês não possuem elementos para isso!!! Vocês estão presos a uma carne! Vocês vivem uma realidade material!!! Não adianta se preocupar com o que é do espírito!!! Você não vai conseguir! Por que? Porque lhe falta conhecimento das coisas espirituais.

O Espírito da Verdade é bem claro: Deus, o ser humano não pode saber o que é. Porque lhe falta o sentido! Espírito, para o ser humano é um “nada”!!! Porque ele não consegue saber o que é o espírito! Fluido cósmico universal, para vocês é energia igual à energia elétrica, mas a energia elétrica já é fluido cósmico universal. Ou seja, dos três elementos reais do Universo, o ser humano não tem condições de saber nada!!! Então como querer comparar uma coisa com a outra???

VIVA A SUA HUMANIDADE!!! Porque é isso o que você está vivendo agora!
É isso que eu estou falando com seres humanos. E ai eu disse lá na primeira palestra. A partir do momento que a única coisa que você pode conviver é com a vida material, pelo menos alcance o que você quer: ser feliz de verdade. E tudo isso que nós falamos foi para isso: ser feliz de verdade. E você só vai ser feliz de verdade quando calar em si a ação do egoísmo!!!

(faixa 5)
Participante: Quando vivemos para dentro de nós não estamos sendo egoístas? Esquecer o outro não é uma forma de egoísmo?
Quando vive para si você está sendo egoísta? Não! Você pode viver interiorizado, sem viver para si. Viver para si que eu falo, e você viver interiorizado em você e não você viver para se satisfazer. Aí é egoísmo, viver para se satisfazer. Mas eu falo, para viver para si, viver dentro de si, viver interiorizado em si mesmo. Afinal se o mundo é o que você pensa que é, se você não estiver interiorizado em você, você nem sabe em que mundo você vive….

Não pensar no outro é egoísmo? E pensar no outro com egoísmo não é egoísmo? Pensar no próximo pensando primeiro em si, isso é egoísmo!!! Só quando você pensar primeiro em você, no sentido de se libertar do egoísmo, você vai poder deixar de ser egoísta com os outros. Ai quando alguém disser que você está errado, você não vai sofrer… Isso não é muito melhor de que você botar o dedo na cara do outro para provar que está certo? Esse viver para si não é viver para se satisfazer, mas é viver interiorizado dentro de si. Viver olhando para si mesmo, para ver como você está reagindo ao próximo. Ai você pode conhecer o seu egoísmo em ação, que você nem conhece, acham que são santos! “Ah! eu penso no outro”! Pensa no outro, desde que o outro seja o que você quer, porque se não for, você mete a lingua, você fala mal!!! Você separa os outros em bom e mau. Então é viver interiorizado para si para se conhecer! E
descobrir que você não está falando mal de ninguém….Você está defendendo a sua paixão de estar certo.
Ouçam isso `Fios´: Ninguém fala para o outro “Você está errado”! Quando está falando para o outro; “Você está errado”, ele não está acusando o outro de estar errado, está defendendo a sua paixão. Isso é egoísmo! Está se defendendo! Mesmo que você, humanamente falando, esteja certo. O que você está dizendo, humanamente falando, parece até bom! Mas você está defendendo o que você gosta, o que você acha, o que você sabe! Isso não é egoísmo??

Participante: Eu percebi uma “presença” controlando, selecionando, arrumando palavras e imagens isoladas e com elas formando os pensamentos de som ou áudio. Quem é essa presença? É Deus, espírito, ego ou quem é aquele calor presencial que eu sinto?

Deus, espírito, ego, tudo isso são idéias para você. Você dê o nome que você quiser…É Deus, é o espírito, é o ego. Não tem problema. Nome não tem problema. O que você precisa é ver a construção do pensamento e aí não deixar que esse pensamento seja o transmissor do egoísmo. Eu não estou nem dizendo que você não pode pensar que o outro esteja errado. Você pode. E daí? E daí que o outro está errado? “Ah, e daí que eu tenho que defender minha verdade”. E daí? Prá que eu quero defender a minha verdade? “O outro está errado”. Está e daí? É por isso eu vou sofrer? Eu não! E por isso que eu vou ensinar? Eu não! Se tiver que sair o pensamento e a palavra, vai sair. Agora, você lá dentro de você não está sendo egoísta e isso lhe traz felicidade incondicional. Por que? Porque não ser egoísta é estar vivendo na felicidade plena. É estar vivendo no universalismo.

Participante: O que é a graça divina? E como ela se manifesta?
A graça divina é aquilo que você achar como graça divina. E como se manifesta? Como você acha que ela se manifesta. O MUNDO É O QUE VOCÊ ACHA QUE É! Olha, roubarem o seu carro é uma graça divina, você vai conseguir ver graça divina nisso? Não vai! Então não se preocupe com graça divina! Porque se Deus lhe der a graça dele e ele lhe dá a cada segundo e você age com egoísmo, você não sentiu a graça de Deus mas sentiu prazer.

Participante: Estou estudando a grande aventura. Se o espírito pode ficar ligado ao ego após a morte do corpo, com quem falamos num centro de umbanda? Espírito ou ego? Como diferenciar?
Com quem você está falando aqui? Com um ego. Espírito não fala. Ego fala. Então se você falar com alguém, você está falando com ego, não com espírito!
Participante: Na verdade Deus estaria fazendo o ego falar aquilo que a pessoa precisa ouvir?
Deus está dando a idéia do ego estar falando, está dando a idéia do outro estar ouvindo aquilo que ele precisa ouvir. Para que? Para combater o seu egoísmo. Quantos vão ao centro espírita: “Pai me ajuda, Pai faz por mim”! Isso não é egoísmo???
Participante: É possível ao ser humano mudar de consciência completamente em uma encarnação?
Se Deus o fizer, é. Já respondi, não retiro nada do que eu disse até hoje. Se acontecer, aconteceu. Agora você, como acha que pensa, você lute para isso. Alguns seres humanos vão dizer já viveram mais ou menos assim. Então se eles podem “eu vou tentar porque eu acho eu posso tentar”.
Participante: Qual a diferença entre Espírito Santo e Espírito da Verdade?
Qual a diferença do espírito José para o espírito Maria? Nenhuma . Espírito Santo é todo espírito.
Participante: O que a Igreja católica entende por Espírito Santo?
Algo que ela não sabe explicar. Algo que vem de Deus, o espírito de Deus. Para eles o Espírito Santo, Cristo e Deus formam uma única pessoa.
Participante: O que é o Espírito da Verdade para os kardecistas?
O Espírito da Verdade para os kardecistas é aquele bobo que falou as coisas e que Kardec leva a fama. Porque eles acham que Kardec é quem fez o Livro dos Espíritos. Espírito da Verdade é uma coisa que eu falo muito… Agora, quando você fala em espírita de Espírito da Verdade,eles já ficam assim… Quem é? Quem é? Ah, é aquele que passou as coisas para o Kardec.
Participante: Aceitar a nós mesmos é o início dessa interiorização?
Não! Pelo contrário. Você não pode se aceitar. Porque você tem por natureza o egoísmo. Você precisa reconhecer o egoísmo e lutar contra ele. Não estou dizendo não se aceitar em atos. Em atos, você não tem como não se aceitar ou se aceitar. Não tem jeito. Por que? Porque o egoísmo não deixa. O egoísmo vai estar sempre querendo ganhar. Quando se aceitar trouxer um ganhar, a mente vai dizer: “Olhe que maravilha, você se aceita!” Quando o se aceitar trouxer um perder, o ego vai dizer: “Lute contra isso”. Então você precisa reconhecer o seu egoísmo e retirar ele. E no momento que você retirar, não vai ter diferença se aceitar ou não se aceitar. Você vai estar se aceitando sempre!
Participante: Afinal quem somos nós, átomos?
Você é aquilo que você pensa que é. Se você é um cientista, você vai achar que você é moléculas e células. Se você é um pensador, você vai achar que você é o seu pensamento. Cada um pensa que é o que quiser. O que você não pode deixar é que aquilo que você pensa que você é, querer levar vantagem em tudo.
(faixa 6)
Participante: Por vezes vivencio um impasse por quer alguma coisa. Se é que devemos querer algo, como e onde e o que devemos querer?
A sua cabeça então, está dando nó atrás de nó, né? Que bom! É para isso mesmo. Moço, eu já falei, paixão e desejo, desejo é o querer, né? E hoje estou deixando bem claro. Não importa se você tem paixão, ou seja, se você gosta de alguma coisa, se você acha alguma coisa certa, se você acha alguma coisa sua… Não importa se essa paixão gera um desejo. Você querer ter o que você gosta , quer, acha que é seu. O problema é você deixar o egoísmo reger tudo isso… Eu quero, por isso tenho que ter! Eu quero e daí, eu quero. Mas não tenho, o que eu vou fazer? Vou me atirar da ponte? Não, vou continuar vivendo, o dia que viver veio. Ah! eu gostaria muito. Sim, eu gostaria, mas não adianta, não aconteceu…Então para que eu vou ficar me martirizando? Ah! Eu estou certo! Sim eu sei que estou certo. E daí? Eu não preciso provar a ninguém que eu estou certo. Eu não preciso mostrar que eu sou o sábio. Essa é a diferença!
Olha, a maioria das religiões orientais, olhe que eu estou falando em religiões humanas não de mestres, a maioria das religiões orientais dos ensinamentos de Buda e Krishna, param na paixão e no desejo. Só que o egoísmo continua usando. E aí você mata uma paixão ou mata um desejo e a mente substitui por outro. Porque eles tem que satisfazer lá embaixo o egoísmo. Então não se preocupe com o que você pensa. Não se preocupe com verdade. Não se preocupe com posses. Tudo isso vai continuar vindo à sua mente. É muito difícil se libertar disso. Agora silencie o egoísmo. Silencie a sua vontade de ganhar sempre. Silencie a sua vontade de ser sempre você que tem o prazer de ser atendido. Silencie a sua vontade de querer sempre estar em evidência, de ser elogiado, de ser reparado. É isso que você precisa silenciar em você. Porque o resto da vida vai continuar. Você vai continuar vendo uma coisa, gostando ou não gostando. E daí, eu vi
aquilo eu não gostei, qual o problema? Todas as coisas que acontecem não precisam me satisfazer. Eu não sou o centro do Universo para ser satisfeito por tudo. Basta isso! Basta você silenciar isto, que nada mais vai lhe afetar.
Sabe, se eu gosto de alguma coisa e não tenho o que gosto, eu só vou sofrer porque quero ter e esse quero ter é o egoísmo em ação… Agora se eu quiser ter, sem querer ter… é difícil, né?…quiser ter sem viver o querer ter, eu não vou sofrer enquanto não tiver, mesmo que esse `enquanto não tiver´ dure a vida inteira.
Quem lhe faz sofrer é você mesmo! Quem lhe faz sofrer é a sua busca desesperada de ganhar sempre! Aprender a perder sem querer ganhar é fonte de felicidade. Aprender a sofrer sem precisar ter prazer é fonte de felicidade. Não é o mundo que lhe faz sofrer. Não são as outras pessoas. É o seu anseio de ser sempre contemplado pela vida.
Participante: Mas o egoísmo é atributo nosso, dos egos encarnados. O que devemos fazer então? Tudo o que pensamos vem do ego mesmo que lá no fundo sentimos felizes, somos egoístas.
Se lembra quando você me falou que perdeu apartamento, perdeu mulher… E eu disse prá você, diga assim: “E daí que eu perdi, qual é o problema”? Estou falando a mesma coisa. Continuando falando a mesma coisa. Agora, tudo vem do ego, está certo… O que é o ego? `Ah , não sei Joaquim, você diz que o ego sou eu´. Então está certo. O ego é você. Mas você vive com isso? Não. Então esqueça isso!
Agora vou dar uma grande dica: tudo o que eu falei até hoje deve servir para você libertar-se do seu egoísmo. Ou por exemplo, quando você sentir vontade de ganhar, diga assim: “Ah, Deus dá a cada um segundo as suas obras”. Quando você quiser dizer que o outro está errado e que você tem que está certo, diga assim: “Ah! eu não devo julgar ninguém, então deixe ele falar o que quiser, eu não vou me considerar certo nem errado”.
Ou seja, pegue os ensinamentos agora e use para acabar com o egoísmo porque essa é a espada que Cristo trouxe para matar em você a sua humanidade e a sua humanidade consiste no seu egoísmo de espécie, por essas quatro coisas que eu falei hoj.e
Participante : E qual é a ligação entre o espírito e o ego?
Não sei. Qual é? Você não é um espírito, você não é um ego? Vamos voltar!!! Isso não lhe pertence! O espírito prá você não é uma realidade. Então isso não vai resolver a sua vida.
Um dia me perguntaram o que é Deus. Eu disse que Deus é a soma das letras D+E+U+S. E o que é espírito? É a soma das letras E+S+P+I+R+I+T+O. Ou seja, espírito é uma palavra e como toda a palavra é o que você acha que é. Mas o que você acha que é, é só o que você acha que é. È uma posse. É uma possessão moral. Não deixe essa possessão moral virar busca de satisfação pessoal!
Participante: Você falou algum tempo atrás que o ego é a prova do espírito. Seria essa ligação entre espírito e ego?
Eu não sei se ele quer ligação física ou se ele quer ligação intencional. A intenção de haver um ego é essa. É ser a prova.
Participante: Hoje lembrei de um pensamento que tive aos 15 anos. Vi um ilustre desconhecido trabalhador passar por mim e pensei: Gostaria de ser assim desconhecido. Que posse estranha foi essa?
A mente cria diversas coisas para esconder o egoísmo. Essa é uma posse. É um desejo. Eu queria ser desconhecido. Mas não sou. Então não adianta nada eu querer ser. Não adianta nada eu esperar ser para ser feliz. Eu não sou desconhecido. Eu sou eu. Eu tenho que viver eu.Então eu vou viver eu. Não interessa que posse, que desejo. O que interessa é que essa posse, esse desejo, não vire instrumento do egoísmo. Ou seja, ela não gere dualidade. Eu sou quem sou, acabou!
Participante: Se eu entendi, quando alcançar o universalismo e o sofrimento se for, continuaremos nossa vida normalmente, sem mesmo percebermos que nos universalizamos?
Exato. A única coisa que vai mudar na sua vida é que você vai sofrer menos. Internamente, não são os acontecimentos de sofrimento. Os acontecimentos vão vir e você vai reagir a eles de uma forma diferente.
(faixa 7)
Participante: Só combatemos o egoísmo internamente ou essa luta se reflete nas nossas ações?
Não! Essa luta não se reflete necessariamente na sua ação. Ele pode refletir-se mas necessariamente não. Olhe, se essa luta refletisse externamente, o Dalai Lama não queria que os chineses saíssem do Tibet. Porque isso é um desejo. Isso é uma posse. Se essa luta refletisse externamente, o Gandhi não queria que a Inglaterra saísse da India. Não se reflete necessário externamente, mas vai refletir por dentro.
Participante: O egoísmo se manifesta a todos e Deus onde entra nessa história?
Se na pergunta 1 do `Livro dos Espíritos´ afirma que Deus é a causa primária de todas as coisas, ele entra aí, sendo a causa primária de você ser egoísta.
Participante: Felicidade é um estado de espírito.
Sim, a felicidade é estado de espírito, é o estado de um espírito. Por que? Porque não é uma coisa material. E se não é material, não é egoísta. Então felicidade é um estado de espírito que aparece, não nasce, já está, aparece em você quando você silencia o egoísmo.
Participante: Então devemos relativizar todos os nossos atos e desejos?
Sim! Porque tudo é relativo mesmo. Tudo é o que você acha que está acontecendo. Aí você relativa o ato, calando o egoísmo que transforma ele em absoluto.
Participante: Na prática seria mais ou menos assim: não ter certeza de nada, mais calar do que falar, questionar nossos pensamentos dos pensamentos para identificar as posses e negá-las para viver louvando a Deus em todos os momentos da vida, mesmo de forma apática, mas feliz por dentro?
Olha moça, você pode até questionar as suas posses. Pode, não há problema nenhum. Muitos fazem isso. Agora, se você não calar o egoísmo, a vontade de vencer sempre, de estar certa sempre, a vontade de ter prazer, ser sempre atendida, não vai adiantar nada.
Por que? Porque a mente vai mudar de idéia. O que você precisa é se conscientizar que o mundo não está aqui para lhe servir, que os outros seres humanos e a vida não estão aqui para atender as suas exigências. Cada um está aqui para viver a sua vida. E a partir do momento em que você se conscientiza que o mundo não está aqui para atender às suas exigências, você nega a obrigatoriedade de que o que você exige do mundo, aconteça. Quando você fizer isso, você vai ser feliz, com o mundo do jeito que ele estiver.
Vocês falam em novo mundo. Todos estão esperando o novo mundo. Só que o novo mundo é individual, chega para cada um. Quando? Quando ele mata o velho… Quando você mata o mundo velho, você entra automaticamente no mundo novo. Ou seja, quando você silenciar o egoísmo, você vai estar no outro mundo. E veja se o mundo que você exige para si, não é tudo o que é descrito pelos mensageiros espirituais: um mundo de paz, harmonia e felicidade. Porque é assim que você vai viver. O outro vai lhe contrariar e você vai responder internamente com paz, harmonia e felicidade.
Participante: Se tiver tempo tem como fazer um resumo do que foi falado no início?
O inicio do início disso tudo foi isso: você é um ser humano. Tudo o que é espiritual não lhe pertence. Sabe essa história, o que o espírito faz, o que o espírito deixa de fazer, como é o espírito, qual é a ligação, isso prá você não vale nada, não resolve nada. Por que? Porque tudo o que você compreender disso, será apenas uma compreensão sua. O que interessa realmente para você, o que você pode fazer, é viver a sua vida da melhor maneira possível, enquanto está aqui. Enquanto estiver aqui, a melhor maneira de você viver é você não exigir para si. Na hora em que você não exigir para si, acabou, você vai viver muito bem!
Participante: As diferentes fases de seu trabalho (`Livro dos Espíritos´,Senhor da Mente, Monismo, e agora Ser Carne na Carne) expressam também um aperfeiçoamento na sua compreensão pessoal?
Não. Eu já disse que tudo o que eu falo necessariamente eu não sei. Tudo o que eu falo é o que alguém escreve e eu estou lendo. Então é um aprimoramento no ensinamento dos espíritos, não eu.
Participante: Você diria que o seu espírito também está passando por uma prova quando você diz essas coisas que lhe são ditadas?
Claro! Se eu me apegar a tudo isso, eu estou frito!
Participante: Fritos estamos nós… Mas vamos lá. Então as profissões que exigem que a pessoa ande sempre arrumada e mostre serviço acabam prejudicando a evolução dessa pessoa?
Essa é uma discussão velha. Eu disse há algum tempo atrás que nós não podemos nos apegar a ter que andar de sapato. Ai minha `Fia´ disse: “Mas o meu trabalho exige que eu vá de sapato”. Eu disse “Então você vai de sapato, não porque o trabalho exige, mas você vai de sapato porque você vai”…
A profissão que exige que você ande bem arrumado, se você gostar de andar bem arrumado, terá problema de felicidade incondicional. Se você não gostar, terá problema de felicidade incondicional.
Agora quando você for a ela, porque vai, porque precisa ir, sem tirar nenhum lucro pessoal disso, ai você chegou. Olhe, não existem culpados externos. O culpado é sempre você. É você que utiliza as coisas do mundo dando margem ao seu egoísmo.
Participante: Como desligar um rótulo de sofrimento, mais conhecido como trauma. O que é trauma?
Como desligar um rótulo _ trauma_ para acabar com o sofrimento? Não querendo ganhar, não querendo ter prazer, é isso. A `Fia´ perguntou o que é trauma? Trauma é uma verdade que está no ego, que está sendo possuída e está sendo usada pelo egoísmo. Dizendo: “Eu tenho mesmo que sofrer porque eu…. aconteceu isso comigo…” Aconteceu e daí? Não adianta, não vai mudar. A minha vida que passou não muda. Teve momentos que eu falei viver o hoje, o presente, no presente, pelo presente. Então não adianta você viver a coisa antiga, porque como eu disse, o sofrimento gerado pelo egoísmo é prazer. “Ah! eu tenho que sofrer. Minha mãe fez isso, meu pai fez aquilo”…Não tem que sofrer… “Ah! mas como eu tiro isso de mim”? Tirando! Constatando. Aconteceu, aconteceu, o que é que você quer que eu faça da vida? Vou passar o resto da vida por causa disso, sofrendo? Você está sendo escravo disso! Na verdade está sendo escravo
do egoísmo, sem saber.
Participante: O que é o subconsciente dentro disso tudo que você falou e o que é um trauma no subconsciente?
O que é o subconsciente nisso tudo? É o inconsciente, é o que você não conhece. Então para você é nada! Para você é nada! Eu estou falando de pensamento. O consciente. Trauma no inconsciente não lhe faz sofrer. O trauma que lhe faz sofrer é o que está no consciente. O que você se sente traumatizado com. Então quando vem no pensamento o trauma que esteja no inconsciente ou que esteja no consciente, ele tornou-se consciente, e é hora de você calar o egoísmo. Daí, aconteceu e o que você quer que eu faça? Você quer que eu volte no tempo e vá mudar aquilo? Não posso! Não posso voltar no tempo e mudar! A única coisa que eu posso é viver daqui para frente…então esquece! E lutar contra você para não deixar isso ficar voltando sempre. Porque é a grande coisa, na hora em que você nega um rótulo, esse rótulo é apagado da memória. E aí ele não vai ser mais usado. Sabe como? Você vai negando um rótulo, um pensamento,
retirando dele o egoísmo. E aí ele para de existir. Porque tudo o que você pensa é arquivado na memória, ou seja, fica de novo rotulado para ser usado depois. Então quando você não utiliza aquele rótulo vinculado a um egoísmo, naturalmente, essa utilização daquele rótulo para nutrir o egoísmo, vai parando, vai acabando. Esse é o caminho que eu disse lá no início.
A `Fia´ tem um livro que o dr. fala isso: `Você precisa preservar o que você planta na memória´. Você precisa estar atento! E se você não está atento ao dia a dia, ao seu pensamento, você está plantando um monte de rótulos na memória e nem sabe disso. Preservar a sua memória! Preservar a ação egoísta que está guardada junto com aquele rótulo.
(faixa 8)
Participante: Eu gostaria de citar um caso meu, porque eu ainda não entendi essa história de subconsciente. Durante aproximadamente 15 anos, eu tive uma coceira apenas nos braços em que eu me feria, com uma régua ou qualquer objeto que eu pudesse estar pegando para me coçar. Quando eu fui a uma alergologista e fiz todos os testes, inclusive exames de sangue, e tudo acusou negativo, a partir do dia seguinte, eu nunca mais tive coceira. Então eu creio que havia alguma coisa no meu subconsciente e que não veio à tona até hoje porque eu não sei o que é que provocava essas coceiras. O que você me diz disso?
Primeiro que você está falando de atos. Você podia se coçar sem sofrer. Você deve lembrar quantas vezes eu disse prá você: “Tô coçando, tô e daí”? Mas não: “Coceira! Que coceira horrível! Ai que coisa tétrica!…” Ia cada vez mais se aprofundando. Então o ser feliz não ia acabar com a coceira. Agora o que mudou entre o não coçar e o coçar? Nada! Por que? Porque o egoísmo da coceira é o mesmo egoísmo hoje do dizer “Eu não estou mais coçando”. O ego, você, está se abastecendo de um ato para nutrir o egoísmo, satisfazer-se, ganhar, sem sentir. Não é a coceira parar, não é o motivo da coceira sumir. O que você precisa, o que vocês todos seres humanos precisam é aprender a viver o que a vida lhe dá, sem sofrer! E aprender a viver o que a vida lhe dá, sem sofrer, é você não exigir da vida o que você quer!
Então se a vida me deu um grão de arroz, eu não vou exigir dela arroz com feijão. Vou comer o meu grão de arroz. “Ah! mas eu vou ficar com fome”. Vou! Mas a vida não me deu arroz com feijão. O que adianta eu chorar, espernear, me machucar, coçar, brigar, a vida não me deu! O que adianta? Seu quiser eu vou correr atrás. Se eu acho que eu posso eu vou correr atrás. Mas hoje não adianta eu lutar… Porque só tenho o arroz…
Vamos dar um exemplo assim: vocês esquecem de fazer alguma coisa. E aí depois ficam: “Ai meu Deus, eu esqueci daquilo. Eu não fiz aquilo…. Eu tinha que fazer aquilo….” Isso é egoísmo. É querer que a vida satisfizesse o que você quer. Esqueci, esqueci e dai? Não tem jeito, está esquecido… Da próxima vez vou tentar lembrar. Mas agora não adianta mais. Isso é viver o presente no presente pelo presente. Por que quando você vive pelo passado você vive se lamentando de que esqueceu ou se vangloriando de que se lembrou. E tanto faz um ou outro você está sendo egoísta!
Participante: Eu achei que a não coceira era meu grão de arroz…E que eu devia dar graças a Deus por isso…
Aliás eu já disse. Não dê graças a Deus por nada. Porque vocês só dão graças a Deus pelo que vocês gostam! Então vocês não dão graças a Deus! Vocês dizem assim: “Fez o que eu queria, né safado”?!
Participante: Não viva cada dia de suas vidas como se fosse o último, viva cada dia como se fosse o primeiro. Assim cada dia rotineiro pode se tornar um dia novo e especial.
Desculpa, você deve viver o seu dia de hoje, sem ontem sem amanhã. Porque se você viver na esperança de um amanhã, você morre hoje e aí como é que fica? Viva o seu dia como se fosse o primeiro e o último. Ou mais do que um dia. Viva cada momento da sua vida como se fosse o primeiro ou o último. Sem achar nada, sem querer nada, sem esperar nada e sem vincular nada que já passou… Aí você vai ser feliz de verdade.
`Fios´, com isso então nós encerramos este trabalho porque o que tinha que ser dito foi dito. Para você ser feliz, para você alcançar o verdadeiro objetivo de sua vida, para você humano, basta simplesmente você deixar de ser egoísta! E com isso eu não estou desdizendo uma palavra do que eu disse até hoje. Até porque eu já disse, elevação espiritual é viver a felicidade incondicional e para isso você precisa suplantar a sua humanidade, que é sinônimo de egoísmo. Quando você suplanta a sua humanidade, você vence o mundo, como Cristo ensinou. Então tanto faz, se é para a elevação espiritual ou para viver como humano, o que você deveria fazer é concentrar-se em libertar-se dessa idéia de querer ganhar sempre, dessa idéia de querer estar sempre no topo da onda!

Joaquim: ‘você está preparado para morrer?’

April 21, 2009 by admin  
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Hoje vamos partir de uma parábola ensinada pelo Cristo: As dez moças (Mateus capítulo 25).

Jesus disse: — Naquele dia o Reino do Céu será como dez moças que pegaram as suas lamparinas e saíram para se encontrar com o noivo. Cinco eram sem juízo, e cinco ajuizadas. As moças sem juízo pegaram as suas lamparinas, mas não arranjaram óleo de reserva. As outras levaram vasilhas com óleo para as suas lamparinas. O noivo estava demorando e, então, a cochilar, pegaram no sono. À meia-noite se ouviu este grito: “O noivo está chegando! Venham se encontrar com ele!” Então as dez moças acordaram e acenderam as suas lamparinas. Aí as moças sem juízo disseram às outras: “Dêem um pouco de óleo para nós, pois as nossas lamparinas estão se apagando.” “De jeito nenhum”, responderam as moças ajuizadas. “O óleo que nós temos não dá para vocês e para nós. Se querem óleo, vão comprar!” Então as moças sem juízo saíram para comprar óleo, e, enquanto estavam fora, o noivo chegou. As cinco moças que estavam com as lamparinas prontas entraram com ele para a festa do casamento, e a porta foi trancada. Mais tarde as outras chegaram e começaram a gritar: “Senhor, senhor, nos deixe entrar!” O noivo respondeu: “Eu não sei quem são vocês!”.

E Jesus terminou, dizendo: — Portanto, fiquem vigiando porque vocês não sabem qual será o dia nem a hora.

Grande parábola! Vamos entender primeiro os elementos dela para depois falarmos sobre o assunto de hoje.

Na Bíblia, Cristo é codificado como o noivo da humanidade, dos espíritos que habitam o planeta Terra. Assim, cada ser humano é uma noiva do Cristo, é uma noiva que está se preparando para o casamento com o Cristo. Esse é o primeiro aspecto dessa historinha.

Outro aspecto: as noivas (os espíritos humanizados) ficam na escuridão esperando o noivo, não os noivos! Existe apenas um noivo para todas as noivas e ele é o Cristo, o amor.

Para vivenciar a vigília é preciso ter luz. Algumas têm a luz e outras não. As que não têm não conseguem se unir ao noivo, não conseguem entrar no recinto do casamento, ou seja, no reino espiritual.

De tudo isso podemos compreender o seguinte: os espíritos que estão vivendo no orbe terrestre um dia casarão com o Cristo, ou seja, alcançarão a elevação espiritual. Mas, enquanto esperam por esse momento, eles precisam se manter preparados para o encontro, pois não sabem qual será o dia e a hora que irão casar com Cristo, ou seja, o dia e à hora em que voltarão para o mundo espiritual. Em outras palavras: o dia e a hora em que vocês vão morrer!

Esse é o tema da palestra de hoje e a pergunta que eu quero fazer para vocês é a seguinte: você está preparado para morrer? Será que você está pronto para abandonar a encarnação, para abandonar a roda da encarnação e ir viver no mundo espiritual?

Essa é a minha pergunta e o tema da conversa de hoje, que será realizada a partir da parábola das dez moças esperando o casamento. Será que você esta pronto para morrer? Será que dá para sair da carne nesse exato momento e ter luz suficiente para ingressar no recinto do casamento?

Participante: Sócrates dizia que a Filosofia era uma preparação para a morte. Seria algo semelhante ao conhecimento espiritual? A Filosofia como um instrumento de transformação da consciência?

Sim. A transformação da consciência é a preparação para a morte. Nós vamos falar sobre isso com muita calma, pois estar preparado para a morte é saber se você tem a consciência necessária para desligar-se da Terra.

Por quê é preciso ter uma consciência específica para poder desligar-se da Terra?

Só para começar o assunto, morrer nada mais é do que isso: desligar-se da Terra, das coisas mundanas. Morrer não é nada diferente disso. Quem morre apenas se desliga das coisas mundanas.

É sobre isso que eu quero falar hoje: a transformação da consciência através da Filosofia, da Espiritologia, do Espiritismo, da Psicologia, do Cristianismo é o caminho para preparar-se para a morte.

Participante: E o que a gente faz depois da morte?

Depende…

Se você gosta de conviver com a sua família, vai ser isso que você vai fazer depois que morrer. Você vai ficar preso aqui junto aos seus familiares. Se você gosta do monte do Tibet, vai morrer e vai ficar preso lá.

Preste atenção: a morte não é algo físico, mas uma transformação de consciência. Por isso pergunto: será que você está vivendo para morrer? Esse é o ponto fundamental da vida para aqueles que se dizem buscadores.

Você vai morrer um dia e a encarnação, a sua existência, é um preparatório para a morte. Não há mais nada a se fazer na vida a não ser se preparar para voltar ao reino do céu, para voltar ao mundo espiritual.

É isso que precisa ficar bem claro, porque tudo que você faz durante a vida carnal não é real, não existe. Tudo vale por um determinado tempo e só vale para você. Sendo assim, a vida humana é relativa, não é absoluta.

Acontece que alguma coisa para ser Real tem que ser absoluta. Por isso nada do que você faz durante a vida interessa para a Realidade. Ou seja, se você estuda, se você casa, se você tem filho, se você planta uma árvore… Nada disso interessa. O que vai interessar é se ao vivenciar essas coisas, você está, ao mesmo tempo, se preparando para morrer.

Ou seja, você vive hoje com a consciência de que vai morrer? Você vive hoje com a consciência de que a família que você tanto preza vai acabar na morte? Você vive hoje com a consciência de que o prazer que você busca tão enfaticamente não terá nenhum valor depois da morte? Você, quando torce pelo seu time de futebol, vive com a consciência que vai morrer e ele vai continuar existindo e não você?

A cada momento da sua vida, você vive com a consciência de que pode ser o último? Você vive com a consciência de estar preparado a esse retorno a pátria espiritual ou só vai se lembrar disso no momento da morte? Ou será que você só vai se lembrar que tem que voltar a viver como espírito depois do desencarne?

Essas são as primeiras perguntas que faço porque, como disse, nós estamos lendo a Bíblia para trazer o ensinamento do Cristo para a nossa vida. Trazer o ensinamento do Cristo é dizer: você é uma das cinco noivas que tem o querosene de reserva para esperar o noivo ou é uma das cinco noivas que vai esperar a hora do noivo chegar para saber que está sem luz?

Participante: E se eu não for preso a nada, o que vou fazer depois da morte?

Se você não for preso a nada material, depois da morte você vai viver o espiritual. Agora se você for preso ao material, você vai morrer e vai continuar aqui, sem corpo, mas preso às coisas materiais.

Para responder a tudo o que perguntei, vamos começar falando da morte…

Um casamento ou uma faculdade, por exemplo, podem durar anos. Já o tempo de uma viagem dura horas e o de um jogo de futebol minutos. Enfim, todos os acontecimentos da vida têm uma extensão de tempo, menos um: a morte.

A morte não dura meses, anos, minutos, horas. A morte acontece em uma micro fração de tempo. Num momento você está vivo e no outro está morto.

Essa é outra consciência que é preciso ter! Você não pode e não deve contar com a perspectiva de entrar num processo de morte porque não existe tal processo. A morte acontece subitamente.

Você pode achar que vai sentir a morte chegando e que poderá correr para se preparar, mas isso é ilusão! Mesmo os doentes que estão em fase terminal ainda acham que vão viver dias, semanas ou meses, mas a morte não tem essa característica. Ela é igual ao machado que desce de uma vez só.

Sendo assim, não dá para esperar… Não dá para deixar para se preparar para a morte depois…

Durante o casamento você pode até relaxar porque se hoje fizer uma besteira terá tempo para se recompor. Durante a escola pode relaxar porque se fizer uma besteira terá tempo para mudar o que fez. Agora, na morte, não há volta. Não há como fazer o que não fez a não ser em outra existência. Na morte, não há como dizer: “eu fiz errado, dá licença, eu vou começar tudo de novo”.

Viver é se preparar para morrer e compreender que ela vai acontecer de súbito. Por isso é preciso que você esteja atento e vigilante como Cristo ensina. Mas você vive, completamente, ao contrário.

A cada dia, a cada hora, a cada minuto você programa mais coisas para fazer na Terra como se fosse eterno, imortal. Age como se o momento da morte pertencesse a todos, menos a você.

Não se pode viver a vida desse jeito. Quem vive a vida desse jeito não consegue libertar-se da Terra, não consegue casar com o Cristo, não consegue sair do ciclo das encarnações.

É preciso que a cada minuto, a cada problema você diga: e se esse for meu ultimo minuto, estarei pronto para morrer agora? Estarei pronto para abandonar isso agora?

Participante: Sabemos de alguma forma quando iremos morrer? Temos essa consciência?

Racionalmente, não. O espírito sabe quando, pois isso lhe é revelado antes da encarnação. Esta informação foi respondida pelo Espírito Verdade em O Livro dos Espíritos, mas, racionalmente, você não sabe.

Participante: Em um centro espírita, minha mãe recebeu uma mensagem dizendo que meu avô já estava esperando por ela e foi uma semana antes dela morrer.

O Espírito pode ter uma noção, mas não sabe o dia ou a hora.

Cristo diz assim: “o dia e a hora vai chegar, isso é certo; mas só Deus sabe quando será o dia e à hora”. Por isso, nós, os espíritos desencarnados, podemos ter uma noção e receber uma ordem de Deus para falar, mas não sabemos o dia e hora precisa.

Participante – Alguém consegue saber que desencarnou logo após a morte?

Perceba: você fala em saber que desencarnou, mas isso é um processo racional. Todo processo racional é ego.

Então, o Ego pode criar a informação que você desencarnou, mas isso vai acontecer quando você merecer. Somente quando você, por merecimento, tiver a condição de receber essa informação, Deus vai permitir que você tenha essa informação.

Apesar disso, afirmo que noventa e nove por cento dos que desencarnam não sabem de imediato. Eu costumo sempre dizer que o próprio irmão do Arjuna, que era seguidor fiel de Krishna, teve que passar pelo Umbral, pelo menos por um minuto.

Vamos, então, começar a conversar sobre essa preparação para, a qualquer momento, estar pronto para libertar-se do mundo material. Como é que eu me liberto da Terra? Quando é que eu vou estar apto a me libertar da Terra? Quando eu passar a viver o presente…

Ou seja, passar a viver o que se tem hoje e não o futuro. O futuro não existe e quem projeta ou cria futuros está preso a Terra, está gerando tempo para estar na Terra ou, pelo menos, uma previsão de tempo para estar.

Se você está pensando no que vai fazer amanhã, não está pronto para morrer. Isso porque você não sabe se vai estar vivo amanhã. E se desencarnar essa noite? Se isso acontecer, você vai querer viver o amanhã que projetou e não vai conseguir se desligar do mundo material, do mundo que projetou para ter amanhã.

A vida foi feita não para viver amanhãs, mas sim o hoje. É por que querer viver o amanhã que o espírito humanizado torna a vida é completamente instável.

Hoje você sai à rua e não sabe se volta para casa. Mesmo tendo a consciência dessa instabilidade, continua projetando futuros como se fosse normal sair de casa e voltar. Mas você não sabe se voltará…

É essa consciência que é a preparação para a morte. Eu estou saindo de casa; vou voltar? Não sei…

Não sei se vou voltar, não sei o que vai acontecer na rua, não sei o que poderá se suceder. Quando eu voltar, eu verei se voltei.

Se preparar para a morte é isso: viver o que você esta vivendo neste momento sem se preocupar com mais nada, sem projetar mais nada. Mas, você vive sempre preparando o dia de amanhã, mesmo dizendo: o dia de amanhã pertence a Deus.

Quem vive projetando-se para o futuro não está preparado para morrer. Enquanto você disser “hoje de noite, amanhã de manhã, na semana que vem, no mês que vem, no ano que vem eu vou fazer isso e aquilo”, saiba que deixou de se preparar para a morte. Quando ela vier, você vai estar comprando óleo para a sua lamparina e não vai casar com o Cristo, não vai entrar no recinto do casamento.

Participante: Para se desligar da matéria, devemos fazer uma evolução na consciência… É possível morrer e só depois fazer essa evolução na consciência, nos desprendendo da matéria?

Não é pode: vai.

Se você não se desprender na carne agora, vai se desprender depois da morte. Isso porque ninguém pode assumir uma nova encarnação enquanto estiver preso a uma anterior. Ou seja, enquanto você achar que é o João, você vai estar preso a essa encarnação e para vir em outra vida como Maria, Josefina ou qualquer outro nome, terá que se libertar do João.

Porém, se você se liberta durante a ligação com uma matéria carnal, isso conta pontos para a sua elevação espiritual. Depois que você sai da carne, tal libertação não conta mais pontos para a evolução.

O Espírito Verdade diz: a evolução só se dá no mundo material, fora dele existem os intervalos entre encarnações para o espírito se preparar para uma nova encarnação. Por isso, o libertar-se do João após a morte será parte do preparatório para uma nova encarnação e não uma elevação espiritual.

Então vamos continuar…

Outra coisa que lhe prende a matéria carnal, são os desejos carnais.

Não estou falando em sexo; estou falando em desejar estar vivo, em desejar ganhar um presente, em desejar ganhar na loteria, em desejar saúde para você, em desejar que a sua mulher ou o seu marido trate você bem. Qualquer desejo baseado em elementos materiais lhe prende ao mundo material. Você fica na dependência daquilo acontecer para ser feliz.

Quem se prepara para a morte não cria raízes na Terra, não se fixa na Terra, por isso ele não deseja nada da Terra. Ele não deseja nem um prato de comida, nem uma casa para morar, nem um carinho de quem quer que seja. Ele é auto-suficiente, tendo Deus no seu coração.

Esse é outro aspecto do preparatório para a morte…

Quem está com a sua lamparina acessa, com o seu querosene em ordem no momento em que o noivo chega, não tem desejo algum. Se tivesse, a única coisa que ele desejaria é que o noivo chegasse antes. Sabe por quê? Porque a noiva que quer que o noivo chegue logo, valoriza positivamente o casamento, ou seja, a morte.

A morte, para quem está preparado para ela, é um momento de felicidade, é um momento de ternura, é um momento de realização. Mas o ego induz o espírito a acreditar que deve permanecer vivo e que viver é bom e morrer é ruim. É por isso que você cria desejo em cima de desejo e, pior que isso, nenhum desejo realizado lhe satisfaz.

Repare bem nisso! Você deseja uma coisa e, no momento que consegue o que deseja, pode ter alguns momentos de satisfação, mas logo vem o ego e cria um novo desejo. Para quê? Para lhe manter preso, para lhe manter enraizado na Terra e distraído quanto à perspectiva da chegada do noivo.

Quem quer casar com Cristo vive atento e esperando, ansiosamente, a chegada do noivo. Não estou falando em se matar, mas sim em viver para morrer, em transformar a morte no coroamento de uma ação espiritual chamada encarnação.

O ego não deixa você se lembrar que é um espírito encarnado. Ele diz que você é um ser humano. Ele diz que você é um elemento da Terra, mas você é um Espírito.

Para que a sua lamparina esteja acessa e você não tenha que voltar para buscar mais querosene é preciso não viver o futuro, não programar futuro, não esperar futuro e também não acreditar em desejos, sonhos, planejamentos, esperança…

Você diz que sonhar não custa nada, mas custa muito caro. Custa perder a hora do casamento… É isso que custa sonhar, programar, viver a ilusão. Você não está errado se continuar vivendo assim, mas se quer casar com o Cristo precisa reformar-se.

Essa reforma é a elevação espiritual, é a reforma da consciência: não ser mais um ser humano e sim um espírito na carne.

O espírito na carne é aquele que tem a consciência de que é um espírito eterno. Esta consciência leva à morte do ser humano.

Muitos já foram os avisos dos espíritos desencarnados a este respeito. Aliás, este é o significado do último segredo de Fátima: o fim da raça humana. Maria avisou que vai haver o fim da existência de espíritos que se acreditam como humanos e se iniciará a geração dos espíritos que sabem que eram antes de existir. Assim será a transformação da Terra, deixando de ser um planeta de provas e expiações para se tornar de regeneração.

Mas, tem outra coisa que precisa ser alcançada para se libertar da Terra: não ter paixões…

Não ser apaixonado positiva ou negativamente por nada desse mundo. Não achar nada certo e nem errado, bom ou mal. Não querer ganhar sempre ou ter medo de perder; não ter prazer ou desprazer com alguma coisa; não desejar ter fama ou ter medo da infâmia; não querer elogios e nem ter medo da crítica…

Quem nutre paixões terrestres capazes de gerar o bem e o mal, o prazer e a dor, a fama ou a infâmia, o elogio ou a critica, está fincado na Terra e não tem como sair disso, pois toda a sua vida depende dessas paixões. Quem passa o dia inteiro julgando o certo e o errado, que aquilo deveria ser feito de outra forma, que aquilo não poderia estar acontecendo, ou mesmo dizendo gostei disso, não gostei daquilo, vai se enraizando, se enraizando, se enraizando…

São dessas paixões que surge o desejo: “eu gosto daquilo”, “eu quero que aquilo aconteça” e quando isto é aceito como real, você se prende à condicionalidade, à dualidade que só existe no planeta Terra.

Quem se prepara para morrer luta contra essas paixões. Não se deixa levar pelas paixões que o ego cria, não acha nada bonito ou feio, não acha nada certo ou errado…

Se preparar para morrer é abrir mão das paixões humanas. É abrir mão daquilo que você gosta, daquilo que você quer. Mas, também é abrir mão de não gostar de nada ou de não querer alguma coisa. É soltar todas as amarras que lhe prende ao mundo carnal.

Quem não se solta, quem só acha bonito o que está fazendo ou o que acha certo, vive preso ao desejo, vive amarrado a Terra…

É por isso que usei essa parábola para tocar neste assunto. Ela é perfeita…

Será que você está preparado para morrer? Será que você não tem nada para fazer amanhã para poder morrer hoje em paz? Será que você não tem nenhum desejo pendente que lhe impeça de morrer hoje em paz? Será que você não tem alguma paixão que lhe impeça de morrer hoje em paz?

Porque se você tiver o que fazer amanhã, se estiver esperando alguma coisa para amanhã ou se tiver algo que você não é capaz de abrir mão, sinto muito: você não está preparado para o casamento e não vai conseguir entrar no ambiente do casamento.

Participante: Certo! Desligo-me de tudo, nada sei, nada desejo, nada possuo… Eu consigo viver assim, mas como ficam os compromissos assumidos com a família? E os filhos?

Que compromisso você assumiu com a sua família e filhos? De representar determinado papel para que o ego dos filhos e da família viva determinadas provas? Esses atos vão acontecer. Deus não vai deixar de dar a cada um o que necessita e merece.

Agora, internamente, você tem que estar desligado de tudo. Eu não falei em se desligar externamente. Eu falei em se desligar de desejos, de paixões, de planejamentos e não de atos.

Eu falei de não desejar um carro novo, mas não falei em não ter um carro novo. Eu não falei em não ter uma casa nova, mas falei em não ser apaixonado pela casa que tem.

Porque você se preocupa com o que vai comer amanhã, se é Deus que dá comida aos bichos, será que não vai dar a você? Este é um ensinamento de Cristo. Repare que ele não falou que você não deve comer, mas disse que não deve se preocupar.

A preocupação é uma paixão: é o resultado do fato de estar apaixonado pela idéia de que tem que dar o alimento para os seus. Se você acredita nisso, não está pronto para morrer. Sabe o que vai acontecer, se você morrer agora? Vai dizer assim: “e agora, meu Deus, minha mulher e meus filhos, como vão ficar?” Ou seja, você vai voltar para trás e vai perder o noivo.

Participante – Eu acho que as variações do mundo são boas porque provém de Deus. Não importa se somos tristes ou alegres, mas saber que tudo é passageiro e curtir cada momento sempre esperar o próximo ou comparar ao anterior.

Então o bom não é a variação do mundo, mas sim o estado de espírito com o qual você vive a avaliação do mundo.

O que você chama de bom, eu chamo de Bem. Bem é tudo aquilo que provêm de Deus; bom é uma parte do Bem que você acha boa…

O Bem não é bom e nem mal: é apenas Bem. É essa a diferença!

Agora, se você achar a tristeza boa, será masoquista. A tristeza não é boa é Bem, porque bom é aquilo que você gosta e Bem é aquilo que não importa se você gosta ou não, mas existe como fruto do amor do Pai por seus filhos.

Por isso, além do planejamento do futuro, dos desejos, das paixões, você precisa se desligar ainda das posses. São elas que criam as paixões e os desejos.

Deixe o mundo enterrar os mortos e venha comigo. Você já cumpre a lei, então abandone todas as suas posses e me siga! Não foram essas as palavras do Cristo?

Só que, quando se fala em possuir, vocês pensam logo em objetos, em posse material, em posse das coisas. Você precisa se libertar delas, é claro. Você precisa se libertar do seu carro, da sua casa, do seu emprego se quiser morrer em paz. Caso contrário, vai morrer preocupado com o que seu filho vai fazer com a herança que deixar; vai morrer preocupado com o que seu filho ou a sua mulher vai fazer com a casa que deixou… Mas, você precisa libertar-se de outras posses também.

Além da posse material, você precisa se libertar da posse sentimental: o meu filho, a minha mulher, o meu amigo, o meu inimigo…

A idéia do “meu” é uma posse. Quando o “meu” é dirigido a outro ser humano, denota uma posse sentimental. Se você não se libertar desse “meu filho”, não está pronto para morrer, para se encontrar com o Cristo.

Se estiver preocupado com o “seu filho”, vai ficar aqui querendo tomar conta dele; se não se libertar da “sua esposa”, vai morrer e ficar aqui tomando conta dela; se não se libertar do “seu inimigo”, vai morrer e virar obsessor dele, pois estará preso a necessidade de se vingar.

Para se estar preparado para a morte, é necessário que você se liberte dos sentimentos que lhe leva a possuir o próximo.

Estas são duas possessões das quais você precisa se libertar: a posse material, do objeto, e a posse sentimental. Mas, existe uma terceira da qual também precisa se libertar. Trata-se da posse moral que é reconhecida pelo “eu sei”.

“Eu sei” o que vai acontecer depois da morte; “eu sei” como é o mundo espiritual… Quem diz isso não está preparado para morrer porque o ego não conhece a Realidade do Universo, mas apenas cria idéias humanas sobre ela. Quem se prende a estas idéias não consegue saber o que acontece do outro lado da vida.

Por isso, preparar-se para a morte não é buscar cultura: é libertar-se das culturas.

Aprender a morrer não é adquirir novas verdades que sejam mais ou menos espiritualizadas, mas alcançar o “eu não sei nada”. Só quando você não souber de nada, poderá aprender algo.

Cristo disse: “louvado seja Deus que mostra ao simples, aquele que não sabe nada o que esconde dos sábios”. Não que Deus queira esconder alguma coisa de alguém, mas porque Ele não pode chegar a um sábio e ensinar porque o sábio “sabe”.

Depois de me ouvir falar que você não deve programar futuro, que não deve prender-se a desejos, que não deve apaixonar-se por nada nesse mundo, que não deve possuir as coisas desse mundo, seja materiais, pessoas ou culturas, será que você está preparado para morrer?

Mas, não pensem que acabou: até agora eu falei apenas de elementos do mundo humano. Disse que você tem que doar o que quer, o que é apaixonado, o que você possui. Agora vou falar algo muito mais importante que precisa ser feito: você tem que se libertar de você…

A última coisa que você precisa fazer para se preparar para morrer é deixar de ser quem você é. Você tem que deixar de ser o José, a Maria, o Pedro… Enquanto for José, Maria ou Pedro, estará preso na Terra. Isso porque o José, a Maria e o Pedro são da Terra e não espíritos. Quem não se liberta do ego não se prepara para voltar a ser só um espírito.

Libertar-se do ego é a coisa mais importante, porque quem se liberta do ego acaba com o egoísmo, o querer para si…

Todos os que se identificam com uma personalidade humana são egoístas. É dela que surge a paixão, o desejo, o esperar o amanhã…

Então, para se preparar para morrer você tem que vir realizando o despossuir dentro da escala que conversamos hoje: libertando-se do planejamento, do futuro, do desejo, das paixões, das posses… Mas, esta realização só será conseguida quando se libertar do José, da Maria, do Pedro…

É por isso que eu deixei esta parte para o final, porque esse final é o início. Sabe por quê? Porque o José, a Maria e o Pedro vão morrer na sua morte…

O José que você é hoje, essa personalidade transitória, vai morrer e quem se apega ao José, quer prolongar a existência dele, um dia vai ficar sem saber o que fazer.

“Por que o José morreu! O José acabou e agora meu Deus? O José morreu, como é que eu faço? Como é que eu vivo se o José está morto? Cadê a minha masculinidade, a minha feminilidade, cadê ao meu corpo bonito ou feio?”

Esse é o ponto fundamental da vida: quem não se prepara para morrer não viveu; quem não se prepara para morrer perdeu a encarnação…

Portanto, seja vigilante com o seu ego. Não o deixe planejar futuros, criar desejos, paixões, posses e uma personalidade, pois você não sabe a hora do casamento, a hora que o noivo vai chegar…

Não deixe para se preocupar com isso no momento da morte porque ela não lhe dá tempo para você se preocupar com ela. Para morrer, basta estar vivo. Ocupe-se o tempo inteiro em estar preparado para o casamento, pois morrer sem ser para se casar com o Cristo não vale de nada.

Se isso acontecer, simplesmente será mais uma encarnação perdida e você terá que viver outras até chegar o dia em que a noiva prometida terá que se casar com o Cristo. Sendo assim, para que ficar adiando o casamento? Quem adia o casamento com Cristo está simplesmente jogando o tempo fora, perdendo oportunidades de criar uma grande família, de viver uma relação que satisfaz por si só.

Se você quer um conselho: passe a acordar de manhã e se veja se está preparado para morrer naquele dia…

Outro conselho: se você trabalha na apometria, na umbanda, no centro espírita, na igreja católica, na igreja evangélica ou em qualquer segmento religioso e não ajudar o próximo a se preparar para morrer, você não fez nada. A única ajuda que você pode dar a alguém que está vivo, no sentido de estar ligado ao ego, preso à matéria, é o ensinar a morrer…

É isso que este preto-velho faz e é isso que o pastor, o padre e você devem fazer: preparar-se para morrer e ensinar os outros a morrer, ensinar a estar preparadíssimo para o casamento com Cristo.

Que a graça de Deus esteja com todos.

Joaquim fala sobre a chegada do novo mundo

April 9, 2009 by admin  
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Todas as religiões afirmam que um ‘novo mundo’, uma nova era, nascerá no planeta Terra. Dizem, ainda, que este novo tempo será caracterizado através de uma transformação no planeta que trará paz, felicidade e harmonia para os seres humanizados.

As religiões cristãs afirmam que este ‘novo tempo’ surgirá quando Cristo voltar, outras falam em diversas mudanças que ocorrerão no planeta.No entanto, apesar da variedade de visões que determinam à chegada do ‘novo mundo’, todas as religiões são categóricas em afirmar que ela será marcada por fenômenos externos que promoverão a mudança do antigo para o novo.

No entanto, a partir do conhecimento do ‘eu’ interior de cada um, aprendemos que a paz, a harmonia e a felicidade formam um ‘estado de espírito’ e que a alteração deste não pode ser alcançada por uma mudança produzida pela alteração de fatores externos, mas apenas com a reforma do interior de cada um.

Os sentimentos com os quais o espírito encarnado vivencia os acontecimentos da vida carnal é decisão dele mesmo. Eles surgem diante de algum acontecimento de forma não padronizada, ou seja, cada um tem o direito de escolher o que quiser para sentir frente a cada momento da sua existência. Este é o livre arbítrio que Deus deu aos Seus filhos.

Desta forma, se o ‘novo mundo’ promoverá uma mudança sentimental na forma de viver dos seres humanizados (trocar o conflito pela paz; a guerra pela harmonia; o sofrimento pela felicidade), como ensinam todos os mestres, ele não poderá ser alcançado por fatores externos, mas apenas com a mudança interior de cada um.

Portanto, não será a ‘volta’ de Cristo que poderá trazer a paz para o planeta, mas isto acontecerá quando cada um alterar seu íntimo passando a vibrar (sentir) paz e não mais nutrir os sentimentos que geram conflitos. Não será com a retirada dos “ímpios” do planeta que a harmonia surgirá, mas quando cada um abandonar o desejo de guerrear com os seus irmãos para subjugá-los. A felicidade só chegará quando o ser humanizado optar por ela e não pela ‘escolha’ de sentimentos que tragam sofrimentos.

Mas, como deixar de guerrear ou sofrer? Como deixar de optar pelos sentimentos que levam o ser a viver num estado de beligerância com o próximo trazendo infelicidade para si e para os outros? Abandonando o individualismo, o egoísmo, o querer para si mesmo. Somente quando o ser humanizado libertar-se da busca individual durante a encarnação poderá encontrar a paz, a harmonia e a felicidade para si.

O individualismo é o ‘mal’ da humanidade e precisa ser extirpado para que o ser humanizado volte a viver a sua essência espiritual fundido ao Todo (universalismo). Isso porque o egoísmo fere frontalmente o amor ensinado por Cristo (amar ao próximo como a si mesmo) e a máxima que caracteriza a caridade: ‘dar ao outro o que deseja para si mesmo’.

Para que o individualismo exista, no entanto, é necessário que o ser humanizado possua ‘paixões’. Só quando o espírito encarnado nutre uma ‘paixão’ (gosta de determinada coisa, acredita em determinada verdade) é que surge nele o desejo de satisfazer suas paixões (viver o que quer, o que gosta e repudiar o que não quer, o que não gosta).

As paixões do ser humanizado são caracterizadas por ‘escalas dualistas’ que geram as ‘paixões positivas’ (querer, gostar) e negativas (não querer, não gostar). Ou seja, o individualismo é motivado pelas escalas de ‘bom’ e ‘mal’, de ‘certo’ e ‘errado’, de ‘bonito’ e feio’ que cada ser humanizado possui. É deles que surge o desejo (individualismo) de que o ‘certo’ aconteça e que o ‘errado’ não venha a acontecer.

Mas, porque o conhecimento de cada um sobre o ‘bem’ e o ‘mal’ acaba com a paz e a harmonia com o próximo que leva à felicidade de todos? Porque estes valores são individuais. O ‘certo’ e o ‘errado’, o ‘bem’ e o ‘mal’, o ‘bonito’ e o ‘feio’ são concepções individuais que cada um possui e quando se pretende impô-las ao próximo caracteriza-se o individualismo, o querer a ‘verdade’ para si em detrimento do desejo do próximo.

Portanto, para que a paz e a harmonia que levam à felicidade reinem sobre o planeta será necessário que cada um deixe de ter padrões de ‘certo’ e ‘errado’. Abolindo-os o individualismo (egoísmo) não terá onde se fundamentar e, com isso, extingue-se. Por isso dissemos no início que o ‘novo tempo’ não poderá surgir a partir de fatores externos, mas apenas com uma reforma íntima: deixar de guiar-se pelos padrões de ‘bom’ e ‘mal’ e vivenciar o amor ao próximo como a si mesmo praticando a caridade (conferir aos outros os mesmos direitos que quer para si).

A paz e a harmonia que levam à felicidade com que almejam todos os seres humanizados jamais serão alcançadas com a submissão de outros seres, ou seja, com a mudança deles para o padrão individualizado de perfeição de outro. Somente o fim desta vigilância constante sobre as atitudes do próximo é que levará o ser a conseguir entrar na felicidade universal.

Os acontecimentos do mundo não se alterarão para que comece o novo mundo. Os “beligerantes”, em todos os níveis, continuarão a existir, mas os outros seres lhes concederão o direito de agir da forma que quiserem, sem julgá-los ou criticá-los, buscando a felicidade universal para cumprir a lei de Deus. Será através da fé no Pai Justo, Inteligente e Amoroso que se eliminará o temor em transformar-se em vítima do conflito gerado por outros.

Este é o novo mundo: um mundo igual ao que existe hoje, mas visto com outros olhos, sentido com outros sentimentos.

Este nova forma de ver e sentir os acontecimentos, como já dito, é pessoal, ou seja, será alcançada por cada um ao seu tempo. Portanto, afirmo que não haverá uma mudança coletiva do dia para a noite na forma de sentir da totalidade da humanidade, mas, gradativamente, cada um se modificará promovendo a sua reforma e, desta forma, entrará no novo mundo.

Por este motivo, podemos entender que não existe um dia determinado onde o novo mundo se iniciará. Ele surgirá individualmente para cada um dentro de um espaço de tempo marcado por Deus para a reforma dos seres.

Portanto, meus amigos, não esperem que um novo dia comece como por um passe de mágica, pois isto não acontecerá. Esse dia só chegará para vocês quando tiverem conseguido a reforma íntima, quando não mais acreditarem e viverem os acontecimentos como fazem hoje, no ‘tempo velho’.

O mundo novo onde reine a paz, a harmonia e a felicidade, não é um ‘direito adquirido’ do ser humanizado, mas trata-se de uma conquista, um merecimento. Apenas aqueles que promoverem a sua reforma íntima, abandonando a visão “ser humano”, conseguirão adentrar neste reino.

Para participar dessa paz, felicidade e harmonia não existem horas nem dias certos: tudo dependerá do esforço de cada um. Existem seres humanizados que conseguiram alcançar o ‘novo mundo’ há muito tempo: São Francisco de Assis, Santo Agostinho e outros que, apesar de viverem uma existência humana no século passado, já vivenciaram suas ‘vidas’ dentro daquilo que ainda hoje esperamos: o ‘novo mundo’.

Mais recentemente, Chico Xavier, irmã Dulce, Madre Teresa de Calcutá e tantos outros espíritos anônimos conseguiram viver a vida carnal sem que paz e harmonia interior fossem afetadas, alcançando, assim, a felicidade universal. Conseguiram isto vivendo no mesmo mundo, vivenciando os mesmos acontecimentos, que vocês.

As guerras, a miséria, a fome, os conflitos foram os mesmos que vocês viveram e vivem no mundo, ou seja, que lhes tiram a paz, harmonia e felicidade. Eles, porém, não perderam este estado de espírito. Portanto, você também pode realizar isso, sem que para tanto o ‘mundo’ precise alterar-se, que os acontecimentos atuais deixem de existir.

Mas, como fazer viver assim? Em que é preciso acreditar para poder entender o mundo como estes seres encarnados entenderam e alcançaram, assim, o ‘novo mundo’?

Em primeiro lugar é preciso eliminar de vez com a auto visão ‘ser humano’ que cada um tem de si. Não existe ser humano, mas espírito encarnado. Portanto, somos todos espíritos, encarnados ou não, e não seres humanos.

Chico Xavier, Irmão Dulce e tantos outros sabiam que eram ‘filhos de Deus’ elementos universais. Eles não acreditavam que eram as personalidades transitórias que cada um vivencia durante a sua encarnação. Eles sabiam-se elementos eternos e universais e por isso não acreditavam no individualismo que lhes vinha à mente para compreender a vida (dar realidades a ela).

E por causa dessa visão que tinham de si mesmo, também não acreditavam na matéria, no mundo material. Eles compreendiam que, apesar de aparentemente viverem condições diferentes daquelas que chamamos espirituais (o corpo, os objetos, etc.) que tudo isso era apenas uma miragem do que é Real: o Universo.

Chico e tantos outros não acreditavam na vida material. Tinham a plena convicção de que tudo isso era uma pantomima criada ilusoriamente e que a Realidade (a vida espiritual) continuava a existir sempre. Por isso guiavam-se pelas máximas espirituais (amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmo, desejar para o próximo o que quer para si, etc.) ao invés de acreditar nos padrões humanos de satisfação.

Para eles, que viveram o ‘novo mundo’ no mesmo ‘lugar’ onde outros viviam a o velho, nenhum dos apelos humanos (privilegiar o seu bem estar, a sua vontade) eram importantes. Somente a busca de manter-se sintonizado às coisas espirituais e em perfeita harmonia amorosa com Deus e com a irmandade espiritual guiavam sua forma de ‘ver’ o mundo.

A partir destas crenças (que não há ser humano nem mundo material, mas apenas o espírito vivendo no Universo) eles buscaram entender porque estavam vivenciando esse ‘período’ de sua existência eterna ligado a uma personalidade transitória e descobriram que tudo isso trata-se apenas de provações ou missões para o espírito realizar.

Para eles não existia ‘acontecimentos de vida’, mas situações que eram criadas para lhes dar a oportunidade de provar alguma coisa e, ao mesmo tempo, exercer uma missão em nome do Pai para que se transformassem no sal da terra para os irmãos encarnados: aquele que tempera a ‘vida’ dos outros. E, por Cristo, aprenderam ainda que o único tempero que vale a pena ser saboreado é o amor.

A partir disso Chico Xavier, Madre Teresa de Calcutá e outros compreenderam finalmente que tudo que acontece tem como objetivo criar condições para que o espírito humanizado possa amar. Não um amor possessivo ou fundamentado no egoísmo como os seres humanizados vivem, mas um amor incondicional, sem posses, sem direitos ou deveres, mas que simplesmente ame.

A partir destas constatações o mundo mudou para estes seres. A fome e a miséria não se transformaram mais em tragédias ou agressões aos seres humanizados, mas uma oportunidade para que quem vivencia ou assiste estas situações possa amar a tudo e a todos. Ao invés de sofrer com uns e acusar outros, amar indistintamente os agentes ativos ou passivos da situação, para que as máximas divinas pudessem ser atendidas.

Por isso seus mundos mudaram. Não mais existiam agentes a serem condenados, nem situações constrangedoras ou agressivas, mas apenas situações ilusórias que passaram a existir apenas como uma oportunidade para que o amor superasse tudo. Este é o ‘novo mundo’: uma ‘vida’ onde o amor supera a crítica e o sofrimento porque o ser humanizado não mais está submetido às suas paixões e vontades, mas preocupa-se apenas em amar a todos.

Mas, para que isso fosse verdade para os seres humanizados que vivenciaram suas encarnações dentro de um ‘novo mundo’, foi preciso que eles estabelecessem um relacionamento profundo com Deus e não com a matéria. Eles viveram com Deus, para Deus e em Deus. E, quando isso acontece, o ser humanizado descobre mais Verdades que para ele são incompreensíveis: não cai uma folha da árvore sem que o Pai a faça cair, tudo que acontece é a Vontade do Pai.

Deus é Causa Primária de todas as coisas, ou seja, tudo se origina Nele. Tal concepção se transforma em Verdade Absoluta na existência de cada um que alcança o ‘novo mundo’. Quando isto ocorre, os acontecimentos da vida deixam de ser praticados por agentes carnais e tudo se transforma em emanação de Deus. E, se Deus faz, quem pode dizer a Ele que está ‘errado’ e ensiná-Lo o ‘certo’?

Mas, apenas a cultura, ou seja, o saber destas Verdades que já pertencem aos ensinamentos dos mestres enviados pelo Pai (ver ‘O Livro dos Espíritos’, ensinamentos dos evangélicos canônicos, de Buda e de Krishna) não foram o suficiente para que Madre Teresa, Irmã Dulce e outros conseguissem alcançar o ‘novo mundo’: foi preciso confiar e entregar-se a Deus, ou seja, ter fé.

A fé (confiança e entrega, absolutas e irrestritas) no Pai transforma o ‘mundo’ em que vive o ser humanizado. Por isso Cristo disse: a fé do tamanho de um grão de mostarda afasta as montanhas do seu caminho. Todos aqueles que quiserem viver o ‘novo mundo’, não importa a que tempo ou em que lugar, precisarão necessariamente entregar-se irrestritamente ao Pai confiando em seu Amor Sublime e na sua Justiça Perfeita.

A partir do momento que a fé entra em ação toda e qualquer compreensão (raciocínio) sobre os acontecimentos da vida, que é formada a partir das paixões e desejos do ser humanizado, extingue-se e sobra apenas o amor para ser vivido. Por isso, então, afirmo que a fé não pode ser raciocinada, ou seja, passar pelo crivo da razão formada por paixões e desejos egoístas, mas que deve transformar-se numa entrega incondicional.

Também não estou falando em fé cega. Até porque se estivesse falando não haveria problema algum, pois Cristo ensina aos seus seguidores que quem quiser ver (compreender) será um cego.

A fé de quem vive o ‘novo mundo’ não é cega, mas extremamente iluminada. Isto porque ela se ilumina (gera compreensão) a partir de Deus, da Inteligência Suprema do Universo, e do seu Amor e Justiça, que são frutos da sua Onipresença, Onipotência e Onisciência.

A compreensão das coisas do mundo de Chico Xavier, Irmã Dulce, Madre Tereza e de outros, não se fundamentavam nas inteligências menores que estavam vivenciando naquele momento (a consciência que gera a personalidade que o ser humanizado vive durante a encarnação), mas sim no ‘conhecimento’ que tinham de Deus e do que Ele é para o Universo: Pai amoroso, Senhor Supremo, .

Nesta curtas linhas, então, descreve-se um ser universal que, mesmo humanizado, vive o ‘novo mundo’. Trata-se daquele que compreende a si e ao mundo como espiritual e não material; daquele que sabe que não há uma vida para viver, mas acontecimentos que servem de provação para que ele possa colocar em prática todo o amor que ‘aprendeu’ antes da encarnação; e que entende que todo o Universo é regido por Deus através da Justiça Perfeita, mas fundamentada no Amor sublime que jamais fará o ‘mal’ para um filho.

E, para se viver assim não são precisos fatores externos nem esperar um determinado momento, mas basta apenas cada um buscar entregar-se em perfeita sintonia com Deus, amando-O e se sentido amado por Ele. Por isso, encerro essa mensagem com uma velha história.

Conta-se que na África, quando os primeiros raios do sol começam a aparecer, o leão levanta e sai correndo. Ele sabe que, se não correr muito, não conseguirá alimentar-se naquele dia.

Na mesma África, quando os primeiros raios do sol começam a aparecer, o veado também levanta e sai correndo. Faz isso porque sabe que se não correr muito, não conseguirá sobreviver e será comido pelo leão…

Portanto, não importa se você é veado ou leão, ‘certo’ ou ‘errado’, ‘bonito’ ou ‘feio’, cristão ou mulçumano, oriental ou ocidental, espírita ou não, quando os primeiros raios do sol surgirem, levante-se e comece a correr no sentido de estabelecer esta relação amorosa com Deus. Só assim você poderá entrar no ‘novo mundo’.

Joaquim fala sobre as crianças índigo

March 28, 2009 by admin  
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Participante: Os “new age” falam de uma nova leva de espíritos que estão reencarnado e que seriam chamada de “crianças cristal”, por serem mais evoluídas.Você pode falar sobre isso?

Alguns ainda chamam estas crianças de índigo, mas nomes são apenas rótulos: o importante é compreendermos o que são…

O planeta Terra está passando hoje por um processo de transição entre “Mundo de Provas e Expiações” e “Mundo de Regeneração”. Por causa disso, hoje ainda nascem espíritos com egos preparados para o mundo antigo e, ao mesmo tempo, já nascem outros seres com egos preparados para o mundo novo.

São esses espíritos, que já estão nascendo com egos preparados para o mundo de regeneração que são chamados de cristal ou índigo. Como disse o nome não importa. O que é importante é sabermos que são espíritos que já conseguiram realizar as suas provações e que agora renascem para realizar a regeneração.

Mas, isso não é conhecimento novo… O próprio Cristo falou dessas crianças quando disse assim: coitada da mulher que estiver grávida naqueles dias. Aqueles dias são os de hoje, aqueles nos quais está ocorrendo o processo de transição entre um mundo e outro.

Portanto, coitada da mulher que estiver grávida hoje, porque a criança terá um ego de regeneração e não de provas e expiações.

Participante: É verdade que as crianças cristal tem o DNA modificado?

Sim… Faz, parte da mudança de era esta alteração física…

Participante: Como é isso na prática? A mãe é coitada, por que?

Você deveria saber, pois está vivendo isso…

A sua filha recém nascida possui um ego que está, em compreensão universal, anos luz na frente de vocês… O ego dela está a anos luz do de vocês na capacidade amar e doar-se. Deixa eu lhe contar um caso para você compreender…

Num local onde damos palestras regularmente, existe uma moça que tem um filho. Ele já não é mais recém-nascido, mas é bem novinho… Ele já está na escola e lá as crianças brigam como em qualquer escola. Normalmente é ele quem apanha dos outros…

Quando conta para mãe que apanhou de uma outra criança, ela diz que ele deve reagir, que tem que bater neles também. Aí o filho diz para a mãe: “por que eu tenho que fazer isso? Por que tenho que revidar? Ele não sabia o que estava fazendo… Não preciso bater nele…”

É assim… A mãe quer que o filho seja humano, mas ele não é mais um ego humanizado, mas sim preparado para amar e doar-se a tudo e a todos. Este personagem está preparado para o mundo de regeneração.

Participante: E como será a vida dessas crianças?

Aquela que estiver programada para esses espíritos…

Você quer saber se estes espíritos terão uma vida melhor ou pior do que a que hoje conhecemos? Não sei… Não existe melhor ou pior: cada um está vivendo a sua prova.

Será mais fácil ou mais difícil? Não sei. Aliás, deixe-me dizer uma coisa para deixar bem claro que o que você quer saber é relativo: sabe qual é a vida mais difícil para você? A sua… Para você a vida mais difícil é a sua; para aquela outra pessoa a vida mais difícil é a dela…

Cada um acha a sua vida mais difícil que a dos outros. Mas, ainda tem pior do que isso: cada um acha mais difícil viver o que está acontecendo agora. Ninguém sente mais dificuldade em vivenciar o que já aconteceu, porque, afinal de contas, aquele problema já passou… O que é pior de ser vivido é o que está acontecendo agora.

Participante: Como é esta diferença de ego entre regeneração e provação?

Diferença de programação, diferença de conceitos, de verdades, de lógicas. Só isso…

O ego nada mais é do que os programas que o computador (Deus) roda para que o operador (o espírito) assista. Se você quer mudar o que o operador vê, é preciso alterar os programas que o computador está fazendo rodar…

Joaquim fala sobre ser indiferente aos acontecimentos da vida

March 23, 2009 by admin  
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Participante: Como faço para não me tornar frio e insensível já que tudo é ilusão e não devo comprometer meu coração com as ilusões?

Antes de lhe responder, pergunto: o que é se tornar frio e insensível? Eu não posso lhe responder enquanto não souber o que é isso para você.

Participante: Indiferente aos acontecimentos…

Para você frio e insensível é ser indiferente aos acontecimentos do mundo? Então Cristo era frio e insensível… Aliás, não só ele…

O ensinamento de Krishna, Buda, Maomé e do Espírito da Verdade sempre foi este: existe um mundo Real que é o espiritual… Mais: eles ensinaram que devemos viver para alcançá-lo e para isso devemos nos afastar do mundo humano…

Sendo assim, quando você se tornar frio e insensível, no sentido que deu a estes termos, é porque conseguiu libertar-se do mundo material e com isso alcançou a elevação espiritual…

Raciocinando um pouco mais sobre o tema, posso dizer que quando você for frio, deixará de ser “quente”… A partir daí afirmo que aquele que se sensibiliza com as coisas do mundo material é quente e está no “inferno”…

Vocês não dizem que o “inferno” é “quente”? Pois então, aquele que se sensibiliza com as coisas do mundo está no “inferno”. Ou seja, viver a vida material pelos valores materiais é viver no “inferno”…

Sendo assim, digo mais: a vida celestial é “fria”… Se os mestres ensinaram que a vida espiritual é o oposto da vida material, o “céu” tem que ser “frio”.

Por isso lhe digo uma coisa: não tenha medo de ser chamado de frio… Pelo contrário, queira estar no “frio”, queira ser frio…

Agora, se alguns seres humanos consideram que ser chamado de frio é ser denegrido, isso denota que eles acreditam que as coisas materiais são mais importantes que as coisas espirituais…

Para estes seres que querem ser chamados de “quentes” é muito mais importante dar um prato de comida do que deixar de criticar e acusar quem não dá. Isso é direito, é bonito, é ser humano…

Mas, aqueles que se dizem buscadores acredito que não queiram ser humanos, mas sim espíritos. Para ser desta forma é preciso ouvir os ensinamentos do mestre como aquele onde Cristo afirma: Deus dá a cada um segundo as suas obras…

Aquele que quer ser espírito não se “esquenta” com a fome do outro porque tem a consciência de que Deus dá a cada um de acordo com o gênero de provas que aquele espírito pediu. Portanto, para este aquela fome é apenas uma teatrilização do gênero de provas que o espírito pediu.

Mas, se o ser humanizado se torna “quente”, ou seja, se sensibiliza com a fome, isso quer dizer que ele está frio com Deus… Abandona o Pai quando se “esquenta” por causa da fome e da indiferença dos outros com aquilo porque se esquece de Deus, a Causa Primária de todas as coisas…

Sim, amigo, o espírito é frio para a humanidade. Mas, ele não se preocupa com isso, porque, afinal de contas, não se pode servir dois senhores ao mesmo tempo… Ele sabe que quem quiser ser “quente” para matéria não conseguirá ser “quente” para Deus e que se ele for “quente” para Deus, terá que ser frio para a matéria.

A grande hipocrisia do ego humano está justamente aí: em querer servir a matéria acima de qualquer coisa. A hipocrisia humana tão demonstrada por Cristo consiste justamente em querer através da matéria servir a Deus quando a matéria é o próprio Deus.

Sabe, aquela fome que você vê não existe. Aquela pessoa faminta que você vê não existe. Tudo é emanação de Deus. Quando você serve a fome não serve a Deus…

É isso que precisamos compreender. Falamos muito disso quando fizemos uma palestra que se chamou: “A humanidade odeia Cristo”.

Nela dissemos que a humanidade diz que quer seguir o caminho deixado pelo mestre, mas não aceita se tornar em um “Jesus Cristo”. Isso porque a humanidade não aceita desapegar-se da família, do lar, das coisas materiais e viver uma vida simples.

Compreender isso é fundamental, pois é Verdadeiro… A humanidade diz que ama Cristo, mas na verdade o odeia, porque quer servir a ela mesma enquanto Cristo só servia a Deus…

Compreenda isso que você torcerá para ser frio…

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