GUERRA E PAZ
December 16, 2008 by firmino
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Os homens buscam como objetivo de vida a paz, pois ela é um dos integrantes da felicidade que eles pretendem ter nesta vida. Entretanto, vivem muito longe deste objetivo. Não só não existe paz nas relações entre nações como também ela não é alcançada nas relações privadas. Isto ocorre porque o ser humano está muito longe de compreender o real significado da paz.
Para que a paz seja alcançada, o homem entende que seja necessário que os seus desejos e paixões formados a partir de seus conceitos ou verdades particulares sejam alcançados. Quando isto ocorre, ele encontra a paz, a felicidade e a harmonia. Enquanto estes pré-requisitos não ocorram, ou seja, estiver acontecendo algo com o qual ele não concorde, o ser humano tentará impor a sua vontade sobre a do outro.
Agindo desta maneira, o ser humano não promove realmente uma paz, mas uma dominação: sobrepõe suas vontades à dos outros. Esta dominação, no entanto, jamais poderá levar à verdadeira paz.
Isto porque aquele que foi submetido só aparentemente não passa a ter as mesmas ‘verdades’ de quem o submeteu. Ele apenas consentiu em não mais guerrear ou porque não tem mais argumentos, ou porque não tem mais força, para prosseguir no embate. No entanto, todos os argumentos dos que foram submetidos ficam latentes, aguardando uma nova oportunidade para, com mais subsídios, dominarem aquele que, por hora, saiu vencedor.
Isto não é paz, mas submissão temporária, pois enquanto os dois tiverem ‘vontades’ e ‘verdades’, vencedoras e vencidas, a paz jamais será alcançada.
Para haver a paz real, aquela que permite ao espírito participar da Felicidade e da Harmonia do Universo, é preciso que não haja vontades (desejos) a serem satisfeitas. Para isso é preciso, também, que as paixões sejam exterminadas…
Portanto, para que a Felicidade e Harmonia do Universo, que são integrantes da paz, existam é preciso que todos os envolvidos abram mão de suas ‘vontades’ e ‘verdades’ e aceitem que os outros possam ‘achar’ e querer diferente de si.
Encontrar a paz é não ver erros nas atitudes alheias. Acabar com as origens dos ‘julgamentos’ sobre as atitudes e desejos alheios, ou seja, as ‘verdades’ e ‘vontades’ que determinam o que é ‘certo ou errado’, ‘feio ou bonito’, ‘bom ou mau’. Somente extinguindo em si estes elementos o ser humano poderá encontrar um estado de paz que não será afetado jamais.
A partir do momento que o espírito não tiver mais ‘verdades’ e ‘quereres’ que precise ser nutrido, tudo o que acontecer lhe trará ‘felicidade’, independente da forma que aconteça. Neste momento nada perturbará este seu estado de espírito e a paz será alcançada. Uma paz verdadeira onde se encerram as “lutas, violências ou perturbações sociais ou conflitos entre pessoas”, encontrando o “sossego e serenidade” (Citações da definição do termo ‘paz’ no Mini Dicionário Aurélio – 3a. Edição).
Às situações de lutas e conflitos, chamamos ‘guerra’. Se a paz, que é o antônimo da ‘guerra, como vimos, é alcançada quando se eliminam os conceitos, podemos, então, afirmar que a guerra é a utilização destes mesmos conceitos.
Os seres humanos condenam aquele que se utiliza da violência física. Criticam a guerra do crime, a guerra entre países, mas não vêem que a cada dia declaram guerra através das suas críticas, não só aos que promovem estas ‘guerras’ mas a muitos outros. Cada vez que um ser humano condena alguém por estar fazendo alguma coisa ‘errada’, ‘feia’ ou ‘má’, está abrindo uma nova frente de batalha que terá que se encerrar com a submissão de uma das partes.
Durante o dia são dezenas de novas frentes que o ser humano abre para guerrear com outros em busca da possessão da “verdade”. No trabalho, na escola, dentro de casa… Em qualquer local onde o ser humano esteja se relacionando com outro, sempre estará em guerra, pois tem desejos e verdades que precisam ser defendidos dos ataques dos outros.
Se vencer, estará acumulando ‘inimigos’ que serão submetidos, mas não vencidos, e estarão apenas aguardando uma outra oportunidade para vencer uma nova batalha. Assim, a guerra se estenderá por toda a existência. Entretanto, se aquele ser humano ‘perde’ uma batalha, da mesma forma, estará aguardando um novo momento em que conseguirá ‘impor’ sua vontade ao outro.
Assim, o ser humano passa a sua ‘existência’: julgando os demais e sendo julgado por eles. Tudo isso porque ainda tem verdades, desejos e paixões que precisam ser defendidos, mesmo ao custo da não realização do objetivo da encarnação: aproximar-se de Deus.
Não podemos esquecer que Cristo nos alertou que ‘com o mesmo peso que julgarmos, seremos julgados’. O estado de beligerância contínua é que afasta a possibilidade do espírito alcançar a verdadeira paz. Não adianta apenas o espírito “orar aos céus” pedindo a Deus, Cristo ou qualquer santo que lhe traga a paz:: é necessário que ele a conquiste a cada minuto de sua vida…
Para conquistar a paz, o ser humanizado não deve esperar que os ‘anjos’ intercedam para que tudo aconteça da forma que ele quer, mas é preciso, sim, que se promova a sua reforma íntima: a eliminação do seu íntimo das verdades, desejos e paixões que, em conjunto com o ‘egoísmo’ que é a base de ação de todo ser humano, acabam por gerar conflitos (guerras) e fazer vítimas.
UM CASTELO INEXPUGNÁVEL – OU QUASE
December 14, 2008 by admin
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O acesso é dificultado por acidentes abruptos e pelos galhos espinhosos de plantas ressequidas que formam uma “floresta” cerrada em que a passagem é fechada a quem não se anima a romper a horda ameaçadora de espinhos. As muralhas do castelo são muito sólidas e os blocos de pedra utilizados na sua formação são altamente maciços e fortemente ligados, o que dificulta o arremetimento por qualquer arma. O senhor do castelo mantém em regime severo de prisão um valente exército sempre na espreita de disputar em confronto com os tenazes e bem armados carcereiros suas forças intima e extraordinariamente contidas, fazendo com que se mantenha na obscuridade da relativa impotência.
O castelo de imponente silhueta ao abrigo de densa névoa tem um nome tão aparatoso quanto sua própria figura: ORGULHO. Sua localização: bem no coração de uma mata densa, muito pouco explorada. Nunca se viu no mundo objetivo uma defesa tão impenetrável, as abordagens do mundo exterior, na maior parte das vezes, param no forte espinheiro que protege o castelo. As que logram passar pela defesa batem no maciço inexpugnável, não encontrando meio de invadir fortaleza tão hermética.
Como acessar as dependências desta fortificação e resgatar o valoroso exército mantido sob inclemente e forçada subjugação? O castelo é absolutamente impenetrável, o que nos leva a concluir que se possibilidade houver, somente uma revolução interna pode realizar a façanha. Isto é, um motim!
Uma possibilidade palpável: o exército prisioneiro descobre um ponto fraco na guarda inimiga ou aproveita-se de uma distração – causada por algum afrouxamento do castelão – e domina uns, ganha a adesão de outros, e assim, entra em condições de estabelecer uma guerra no interior do castelo. Esta terá a duração comparável com a resistência de um e de outro exército, que acabará – sabe-se lá depois de quanto tempo! – com a libertação dos prisioneiros e a queda do castelo, se não com a derrota destes e uma nova oportunidade de luta terá que ser aguardada, após restabelecimento das forças trancafiadas concomitante com novo ensejo oferecido pela guarda do castelo.
E o ciclo continua… mas até que a resistência do exército do castelão seja minada pela persistência do intrépido colosso que procura manter sob seu poder tirânico. Essa resistência do comando e do povo do castelo exige uma concentração de esforços insustentável ao longo do tempo – podem ser anos, séculos… – mas um dia o castelo, por esgotamento das forças reinantes, cai.
E do coração dessa floresta, agora bela e exuberantemente transformada partem, em decidida disparada, os tropéis libertos que vão reinar soberanos por toda a vastidão que a imaginação alcança.
Paz
Luciano
BELEZA UNIVERSAL
December 11, 2008 by admin
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Que me desculpem os poetas, mas a natureza não tem nada de bela, pois Deus, o Supremo Administrador do Universo, não possui o conceito de beleza. Como a ciência hoje já comprova, as cores e formas de animais e vegetais são funcionais e não estéticas.
As plumagens dos pássaros atraem as fêmeas e assim a preservação da espécie está garantida. As flores possuem cores e formas diferentes para atrair os pássaros para a polinização. As frutas têm cores atraentes para que os pássaros distribuam as sementes que farão nascerem novas árvores. Os peixes possuem cores variadas para mostrar o seu grau de periculosidade e afastar seus inimigos naturais.
Os animais são providos de “artifícios” que às vezes acabam com suas “belezas”, mas que garantem a sua existência para que possam cumprir o seu papel no desenvolvimento do planeta. Alguns possuem cascos que provocam asco, outros têm chifres que acabam com a beleza estética, mas todos estes artifícios são utilizados para prolongar a existência dos animais.
Tudo na natureza tem uma razão de ser. Deus, o Pai Criador causa todas estas coisas para que os reinos não inteligentes possam permanecer ativos, sustentando a vida humana no planeta.
Dentro da evolução espiritual é necessário que o ser encarnado alcance esta compreensão e acabe com os seus conceitos sobre as coisas da natureza. Enquanto o homem “achar” alguma coisa bela é porque a estará comparando com outras que considera “feia” e não amará estas últimas.
A temida aranha tem o seu papel fundamental na natureza, o “estranho” besouro também e até a “nojenta” barata cumpre a sua função para que o planeta viva em equilíbrio.
Se o planeta fosse povoado apenas pelas plantas e animais “bonitos”, quem faria a função dos “úteis”? De que se alimentariam os animais que pastam se todas as plantas tivessem que ter flores bonitas, mas que não dispusessem dos nutrientes necessários para eles? O capim pode ser considerado uma praga pelos seres humanos, mas se ele não existisse não haveria o leite que sustenta o homem durante toda a sua vida.
Deus não possui estética mas sim funcionalidade. Todas as coisas que existem no planeta agem entre si e dependem umas das outras para existir. O temido tubarão, “senhor” dos mares, precisa de pequenos peixes que lhe “limpem” o exterior para continuar existindo. Mesmo os animais de grande porte precisam das pequenas aves para livrá-los dos insetos.
O ser humano que separa as coisas em “feias” e “bonitas”, “úteis” ou “inúteis”, ofende ao Pai porque não compreende a ação de Deus suprindo todas as necessidades dos seres.
O questionamento sobre a estética ou importância das coisas interfere na elevação espiritual, pois não deixa o ser compreender a interação universal. Sem este conhecimento, não consegue compreender a interação que acontece em sua própria espécie para auxiliá-lo na elevação espiritual.
Assim como o ser humano depende de todos os outros reinos para existir, também depende de outros seres da mesma espécie, pois a elevação espiritual só será conseguida quando amar aos outros como a si mesmo. Os seres humanos não conseguem se amar mutuamente porque possuem conceitos de “belo” e “útil” para qualificar os demais seres.
Conceitos como “beleza” são fatores que contribuem para o atraso na evolução espiritual, pois condicionam o amor do ser apenas para aqueles que contemplem os seus padrões. Cristo não nos mandou amar apenas aqueles que estão dentro do nosso padrão positivo, mas amar a tudo e a todos no universo.
Como se pode amar o “feio”? Apenas compreendendo a importância deste para o equilíbrio planetário. O amor entre os seres nunca nascerá de valores estéticos, mas surgirá quando cada um entender que a sua existência, que serve como campo para a elevação espiritual, depende de todos os outros seres que existem no universo.
Peço novamente desculpas aos poetas, mas não tenho a menor intenção de acabar com a poesia, pois tive algumas encarnações onde ganhei o pão de cada dia escrevendo versos. Minha intenção com estas palavras é mostrar-lhes o que é a verdadeira beleza: Deus e a Sua ação no universo.
Que não escrevam laudas sobre a flor de lótus, mas louvem a “beleza” da ação de Deus para criar o lodo, o único ambiente que pode nutrir esta flor. Que não falem das flores, mas lembrem a todos como é belo o Pai que dá o adubo para sustentá-las, mesmo sendo ele formado pelo estrume deixado pelos animais. Mostrem a maravilha que são os insetos que Deus criou: aqueles que mantêm o equilíbrio do meio ambiente tão atacado pelo ser humano, o mais louvado.
Tudo é perfeito, organizado e projetado para que um seja o sustentáculo da vida do outro. O que atrapalha esta visão do universo é o conceito do ser humano que separa as coisas como “bonitas” e “feias”, “úteis” ou “inúteis”.
Senhores poetas utilizem o seu dom para ensinar aos seres encarnados a compreender a ação de Deus no Universo. Mostrem para eles que tudo que existe, por mais estranha que seja a forma, é obra do Pai e que possui, por isto, a “beleza” suprema do Universo. Todo o mundo de Deus é belo porque é perfeito.
Quando o homem compreender a ação de Deus e não julgar as coisas a partir dos seus padrões estéticos, estará apto a ver esta mesma ação nos outros seres humanos. A partir desta compreensão verá em seu “inimigo” (o “feio”) um instrumento de Deus para a sua evolução.
Aquele que busca a “beleza” nas coisas também a procura nos outros seres humanos. Como não acha esta “beleza” continua amando apenas aqueles que satisfazem os seus conceitos. O ser universal está muito acima de padrões como os de “beleza”, porque conhece a maravilha do universo: a ação de Deus em prol da elevação dos seres.
Em seu evangelho (logia 29), Tomé traz um ensinamento de Cristo que pode nos ajudar a compreender o assunto aqui abordado: “Se a carne veio a existir por causa do espírito, isto é uma maravilha; mas se o espírito veio a existir por causa dela, é a maravilha das maravilhas. Mas o que me maravilha é como essa grande riqueza fez morada em tal pobreza”.
O Mestre neste ensinamento fala de sua admiração pelas coisas materiais. Esta admiração, porém, não nasce da forma estética das coisas, mas pela sua função: servir ao espírito para a sua evolução. Cristo se maravilha com a obra de Deus e não com a beleza das coisas materiais. Quando o ser humano compreende esta ação e abandona os seus conceitos, universalizando-se, para Cristo ocorre a maravilha das maravilhas.
Para o Mestre todas as coisas materiais são “pobres” se comparadas com o espírito, a grande “riqueza”. O ser humano que valoriza as coisas pelos seus conceitos acaba ofendendo outras “maravilhas” que Deus cria, chamando-as de “feias”.
A “beleza” universal é a ação de Deus que tudo provê para a evolução dos seus filhos.
EU NÃO TENHO QUE FAZER O QUE JOAQUIM ENSINA
December 11, 2008 by admin
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O Espiritualismo Ecumênico Universal está lotado de informações do que deve ser feito ou deixado de fazer. Mas, quem deve fazer o que está sendo ensinado? Vamos conversar sobre isso?
Agora no final Joaquim afirmou: eu falo a espíritos através do ego. Ao agir desta forma, o amigo espiritual deixou bem clara a existência de duas personalidades: a humana (ego), mesmo que de forma ilusória, e o espírito. Se o falar do amigo espiritual constitui-se naquilo que o EEU diz para fazer ou no que deve ser abandonado, para se saber quem deve seguir estes ensinamentos precisamos antes estabelecer quem é quem, ou seja, quem é o espírito e o ego…
Eu sou o ego.
Eu sou o Firmino… Sou o marido da Márcia, o pai da Elen, da Paula, do Eduardo e do João Márcio. Vejo-me como homem, sinto-me carioca e moro atualmente no interior de São Paulo. Se tudo isso me compõem, se tudo isso é o que eu sou, não posso me considerar espírito, não é mesmo?
Sendo eu o ser humano, posso dizer, utilizando-me da informação final de Joaquim, que ele fala através de mim para o espírito e não para mim…
Por isso reafirmo: eu não tenho que fazer o que Joaquim ensina…
Aqueles que se sentem impulsionados a ter que praticar o que é ensinado são os que se imaginam como o espírito. Mas, eles não são…
Lembro-me ainda a primeira vez que disse a dois amigos: eu sou o ego… Um deles ficou completamente estarrecido e me disse que eu estava enganado: eu era a centelha divina que vivia dentro do ser humano… Não sou nada disso…
Seria se houvesse algo de divino em mim. Seria se vivesse com valores universais. Mas, não vivo…
Todas as minhas crenças, mesmo aquelas que falam do outro mundo são formadas por verdades materiais. Ainda acredito nas formas, nas sensações, nas percepções, nas formações mentais e no que o a minha memória diz que é real. Não me entrego a Deus e ainda questiono a vida, a justiça dos acontecimentos, as verdades dos outros, o “bom” e o “mal” e o “certo” e o “errado” das coisas. Ainda tenho paixões e como desejo coisas…
Portanto, sou humano, sou ego. E se sou humano, os ensinamentos não foram feitos para mim, mas transmitidos ao ser universal através de mim…
Tentar colocá-los em prática é a mesma coisa que elementos com propriedades diferentes quererem proporcionar o mesmo resultado. Impossível…
Os ensinamentos não são para mim, por isso de nada adianta ficar preso a eles. Na verdade, para mim humano eles nada valem…
Desculpem, fui radical: os ensinamentos valem sim…
Amigos têm dito que ao colocar os ensinamentos em prática em suas existências têm melhorado. Eu mesmo já disse aqui e em outros lugares que me sinto melhor hoje ao saber que nada conseguirei saber…
Isso quer dizer que devo apagar todo este texto e esquecê-lo? Não…
Acontece que os seres humanos, dentro do seu padrão lógico, quando recebem um ensinamento sobre qualquer coisa geram logo a obrigação de cumpri-lo. Tudo que é recebido como orientação transforma-se logo em um código de normas e procedimentos que precisa ser cumprido…
No caso dos nossos ensinamentos, este código de normas gera a idéia de uma forma de viver que atenda aos preceitos que Joaquim chama de elevados. Mas, ele não falou para mim, mas sim para o espírito…
Por isso disse: eu não tenho que fazer o que Joaquim disse… Não estou falando em não fazer, mas sim em não se sentir obrigado a fazer… Se alguém tem que se sentir obrigado a fazer é o espírito, destinatário final da mensagem e não eu…
Esta compreensão é importante para se fugir, se conseguir fugir, do elemento mais danoso para nossas existências: a culpa…
Só se sente culpado aquele que se sente obrigado a fazer alguma coisa. Se eu não sou o destinatário final da mensagem de Joaquim e por isso não tenho obrigação de fazer o que ele afirma que deve ser feito, por que, então, tenho que me sentir culpado quando não o fizer?
Volto a repetir: não estou indo contra nada do que foi ensinado. Sei que todos viverão aquilo que têm que viver, mas este texto faz parte da vida de cada um daqueles que o lerem…
Se nos imaginamos humanos, se imaginamos que podemos errar por ação própria, ou seja, nos achamos capaz de não cumprir com o que foi determinado e por isso sofremos, devemos, então, também ser capazes de compreender que esta culpa, na verdade, trata-se de uma apropriação indébita do que é da alçada do espírito…
Aliás, se conseguirmos colocar em prática o que estou dizendo aqui, estaremos seguindo o próprio ensinamento de Joaquim: se fizer, fez, se não fizer, não fez…
EXPANSÃO DA CONSCIÊNCIA
December 11, 2008 by admin
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Este texto, é uma resposta a um e-mail do amigo Armando que mora na Alemanha e que carinhosamente é chamado por Joaquim de “Moço do Frio”.
Armando afirma que ao refletir sobre o texto que fala que o dualismo é apenas mais uma das ilusões geradas pelo ego chegou a seguinte conclusão: a chamada evolução espiritual, a emancipação do “eu” material e a própria vida também o são.
Eu concordo com você, amigo: para mim estas idéias são também criação do ego. Aliás, na palestra realizada durante o encontro em São Paulo Joaquim deixou isso bem claro.
Ele afirmou que a idéia de evolução espiritual que as personalidades humanas têm são fruto da criação do ego e não uma Realidade universal. Disse que se quisermos chamar alguma coisa de evolução espiritual esta idéia não pode conter ascensão nem muito menos alterações de coisa alguma, pois o Universo é Uno, Único e Estável.
Mas, sobre isso pretendo escrever depois. Queria aproveitar o seu e-mail para tocar em outro assunto.
Você me fala que chegou a esta conclusão refletindo a partir de dois aspectos: tempo e espaço. Para você – e eu também concordo com isso – as idéias sobre evolução espiritual, emancipação do ser e a própria vida humana precisam da existência de tempo e espaço, pois são estes elementos que criam as historinhas necessárias para manter vivas estas idéias.
Como você diz, se o tempo e o espaço são existentes apenas dentro do mundo ilusório humano, como afirmam os mestres, como pode haver elevação espiritual, emancipação do ser ou a própria vida humana? É sobre isso que gostaria de aproveitar o seu e-mail para falar…
O exercício que você fez – e que também venho tentando fazer com estes textos – chama-se reflexão ou desenvolvimento lógico de um tema. Trata-se de refletir sobre um tema a partir de informações disponíveis visando chegar a uma conclusão.
Podemos chamar a isso também de pensamento… Pensar é isso: refletir sobre um tema utilizando-se de informações presentes. Infelizmente, como diz o Dr. Augusto Cury – psiquiatra e escritor famoso – o homem deixou de executar o grande espetáculo do pensamento… Hoje ele apenas repete o que lhe dizem sem parar para refletir sobre o tema…
Antes de continuar, porém, me permita falar aos teólogos de plantão do EEU. Antes que venham me dizer que Joaquim nos ensinou que o pensamento é dado por Deus e que por isso não podemos pensar como queremos, deixe-me falar algumas coisas…
Joaquim, fundamentando-se nos ensinamentos dos mestres, realmente nos disse que Deus é a Causa Primária de todas coisas e por isso é Ele quem nos dá o pensamento. Mas, pergunto: é com esta realidade que nós vivemos? Esta é uma verdade presente no seu dia-a-dia ou você ainda acha que pensa?
Claro que, por mais que tenhamos ouvido o amigo espiritual do EEU, por mais que o achemos “certo”, diuturnamente seus ensinamentos não fazem parte de nossa lógica. Apesar de culturalmente imaginarmos que sabemos, na prática a vida é bem diferente. Imaginamos que pensamos por moto próprio, ou seja, acreditamos que somos nós que estamos formando aquele pensamento.
Por isso a razão deste texto…
Se você imagina que pode pensar por si só – e eu me junto a todos que acham isso, apesar dos nove anos ouvindo Joaquim – reflita um pouco nestas palavras. É claro que culturalmente sei que elas só surtirão o efeito, ou seja, só gerarão o pensamento que Deus der a cada um, mas se assim é, este texto e os pensamentos que ele contém também foram dados por Deus…
Voltemos ao assunto reflexão…
Como disse, refletir é criar uma formação lógica que determine um resultado. Estudei um pouco de lógica na faculdade e lá me foi ensinado que uma formação lógica é composto de dois elementos: premissas e resultado.
Exemplo: Todo animal emite um som; o gato mia; logo, todo animal que miar é um gato…
Este é um exemplo chulo, mas que mostra uma linha de raciocínio criada dentro dos padrões da Lógica. As duas primeiras frases são os argumentos e a terceira é a conclusão que é verdadeira e única, pois atende as premissas levantas pelos argumentos.
Numa construção lógica, toda conclusão é verdadeira, a não ser que o argumento não o seja. Exemplo: Todo homem é bom; eu sou homem; logo sou bom…
A conclusão desta reflexão não é real porque uma das suas premissas é falsa: nem todo homem é bom… A este tipo de premissa a Lógica chama de falácia.
Ou seja, a conclusão só será falsa se uma das suas premissas forem falsas, mas se isso não acontecer, logo ela será verdadeira…
Voltando ao nosso assunto, a reflexão do que nos é ensinado, e aplicando o que disse acima à execução do espetáculo do pensamento, podemos entender que o que o Dr. Cury salienta é que o homem deixou de analisar aquilo no que acredita. Hoje, ele apenas “compra” idéias prontas sem analisá-las à luz daquilo que acredita…
Se você – assim como eu – acredita que pode pensar por moto próprio, precisa se atentar a este detalhe. Precisamos analisar a luz daquilo que estabelecemos como “verdade”, mesmo que relativa, mas real para nós, todo o resto…
Digo analisarmos a luz daquilo que estabelecemos como “verdade” porque, como afirma a Lógica, a conclusão será verdadeira para cada um se as premissas que levam à ela também o forem. O exemplo está exatamente na reflexão do Armando.
Ele acredita que todos os elementos do pensamento humano são ilusões. Sendo assim, a conclusão de que a elevação espiritual como entendida por esta personalidade não pode ser real… Trata-se de uma questão lógica…
Na verdade, o que ele conseguiu foi uma expansão de consciência…
Este termo tem sido muito utilizado hoje em dia pelas fontes universalistas e espiritualistas, mas, pelo menos para mim, de forma errônea. A idéia que se têm sobre expansão de consciência é a de alcançar conhecimentos novos, descobrir o que ainda não está descoberto.
Não sou totalmente contrário a esta idéia, mas como “descobrir” alguma coisa sem haver um parâmetro que possa nos mostrar que algo foi “descoberto”? Ninguém pode descobrir nada se o que for descoberto não for antes aceito como expansão de uma verdade que já existia…
Se alguém descobre alguma coisa que não possui referencial algum que a qualifique como verdadeiro, certamente irá descartar o que foi descoberto. Dirá que aquilo é uma alucinação, que não é real, que não é verdade…
Sendo assim, pelo menos para mim, expansão de consciência é conhecer outras coisas a partir da análise feita utilizando algo que já é conhecido, que já é verdadeiro…
Sei que estou falando muito em pensar e em verdades, coisas que para aqueles que acreditam nos ensinamentos do EEU são apenas ilusões, mas estou falando de ser humano para ser humano. Como disse em São Paulo, de nada adianta vivermos com as verdades dos espíritos se elas não se aplicam ao nosso mundo. Disse e reafirmo: tais conhecimentos devem existir como referências e não como elementos de nossas vidas…
Somos seres humanos e vivemos como humanos, mesmo que afirmemos que possuímos informações que dizem ao contrário. Por isso continuo falando em verdades… Até porque, se tudo é causado primariamente por Deus…
Voltando, então, ao que estava falando a partir do e-mail do Armando, acho que somos
humanos e se possuímos verdades, mesmo que relativas, e imaginamos que podemos pensar, deveríamos buscar expandir nossas consciências, ou seja, aplicar as verdades que acreditamos em pensamentos lógicos para chegarmos a conclusões sobre outros assuntos. Foi isso que o Armando fez; é isso que tenho buscado fazer com estes textos.
O contrário disso, ou seja, daquele que não promove o espetáculo do pensamento, são aqueles que correm a livros ou a mestres em busca de uma resposta para suas dúvidas. Com isso não concluem, mas apenas recebem uma informação pronta que decoram e saem distribuindo. Estes jamais conseguem criar uma “verdade” sua para servir a novas conclusões e vivem como barquinhos navegando ao sabor do vento, ou seja, do que lhe dizem…
Por isso, amigo Armando, aproveitei o seu e-mail e desabafei. Acho que podemos e devemos ter verdades – até porque se as tivermos nada há de errado nisso, pois o problema é o espírito acreditar nelas e não nós as termos, como nos foi ensinado – mas não conseguiremos, tê-las apenas escutando o que nos dizem: é preciso chegar a conclusões próprias…
Expandir a consciência, ou seja, ter mais compreensão sobre as coisas da vida, é o resultado do raciocínio constante, da execução do espetáculo do pensamento…
Mas, para isso, a primeira coisa é acreditar em algo. Não há como se expandir a consciência sem que se parta de uma premissa que pelo menos para nós seja “verdade” e “real”. Isso é fé, ou seja, confiança e entrega a alguma coisa.
Dentre as múltiplas linhas de informações que todos nós recebemos devemos escolher uma que aceitamos mais, à qual nos afeiçoamos mais. A partir deste momento, devemos transformar o que ela cita como verdade e não questioná-la constantemente…
Quando, no trabalho do ego – Conhece a ti mesmo – Joaquim disse exatamente isso, houve muita contestação. “O senhor está dizendo que não podemos questioná-lo”, perguntaram as pessoas. Ele respondeu: não é isso que quero dizer…
O que ele sabiamente nos ensinou é que não importa no que você acredite, acredite naquilo. De nada adianta ficar questionando a premissa fundamental, pois sem ela não haverá expansão de consciência…
Os gurus orientais são taxativos neste ponto: o primeiro aspecto para se aprender alguma coisa é a obediência ao mestre… De nada adianta se estar em algum lugar questionando constantemente o que ali é dito.
Se aquilo não lhe convém ou não lhe faz bem, busque outro até encontrar algo que lhe satisfaça. Quando o encontrar, porém, abrace-o com entrega e continue por lá, pois sem uma primeira verdade que oriente todo processo de reflexão que leva à expansão da consciência nada é alcançado…
O MUNDO HUMANO NÃO É DUAL
December 11, 2008 by admin
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“Tudo que vêm a mente do ser humano é maya”, isso ensina Krishna. Com isso ele quer dizer que todas as consciências (verdades) que existem na personalidade humana são ilusões.
Este conceito que já sabemos, mas muitas vezes a personalidade humana separa elementos dentro da ilusão que diz que não é ilusório. Um destes elementos é o dualismo.
Joaquim na sua palestra de ontem falou isso e causou muito espanto entre os ouvintes, pois aqueles que possuem alguma iniciação nos estudos de Sri Krishna e mesmo de Buda estão presos à idéia de que o mundo humano, se resultado do poder inescrutável de maya, necessariamente tem que ser dualista. Mas, se o dualismo é uma idéia que passa pela mente humana, ele também tem que ser ilusório.
Então, vejamos…
Vamos tomar, por exemplo, uma declaração humana que diga “eu gosto”. Para nós ela é dualista porque existe o outro lado da moeda: eu não gosto. Mas, será que é mesmo? Para responder esta pergunta precisaremos divagar um pouco sobre a realidade humana…
Afirmar através de palavras é o fruto de um raciocínio. Sendo assim, para que uma personalidade humana afirme que gosta de alguma coisa, foi preciso uma formação mental que contemplasse esta verdade.
Esta formação mental ou raciocino se forma num determinado segundo, ou seja, em um determinado espaço de tempo que chamaremos de agora. Se neste agora o ser humano gosta de alguma coisa, isso quer dizer que ele não desgosta…
A possibilidade de desgostar aconteceu em outro momento, em outro agora, mas neste exato momento não existe outra possibilidade. Ou melhor, existe a idéia de que poderia haver, mas não há…
Os mestres, inclusive os católicos como Santo Agostinho, afirmam que apenas o presente existe. O passado já passou e o futuro não chegou. Portanto, apenas o agora é real…
Se apenas o agora é real, nele existe dualismo? Claro que não. No agora a personalidade humana que está servindo de exemplo para esta nossa conversa apenas gosta de uma coisa. Neste momento, como vimos, ela não desgosta…
Ora, se apenas o gostar é real, onde está o dualismo? Na idéia de que a vida humana é formada por uma história…
O ser humano costuma imaginar que todos os momentos que vivencia são existentes, mas não são. Apenas o momento de agora existe, mesmo que seja numa realidade ilusória. Os momentos passados não mais existem, nem mesmo na realidade ilusória, e os futuros ainda não chegaram.
Isso quer dizer que se em algum momento no passado ou no futuro esta personalidade humana não gostar daquele algo, não houve dualismo, mas sim um novo agora onde existiu ou existirá apenas uma verdade. Sendo assim, onde está o dualismo? Está apenas no mundo da teoria, ou seja, é mais uma verdade da qual o ego precisa se libertar.
A crença na possibilidade da realidade ilusória atual ser diferente (a personalidade humana poderia não estar gostando neste momento) afasta o espírito da Realidade Real, que é aquilo que está acontecendo. Quem vive um mundo de possibilidades, ou seja, que o que está acontecendo poderia ser diferente do que é, não interpenetra no Universo, pois está preso a possibilidades que nunca ocorrerão…
O momento presente da realidade ilusória, seja ele composto pelo que for, não pode ser alterado. Se neste “agora” você está lendo este texto não poderia estar fazendo mais nada. Se daqui a alguns segundos virar-se para o lado para ver outra coisa, será um novo momento onde, também, não poderia estar fazendo mais nada…
Este é o resultado do ensinamento dos mestres que dizem que devemos viver cada momento isoladamente. Se a personalidade humana não vivencia cada momento isoladamente, ela os conecta como uma história e aí acreditará que o dualismo pode existir. Mas, isso é apenas uma idéia que vem a mente da personalidade humana, porque a vida não é composta por uma história, mas sim de momentos agora vivenciados sem vínculos entre si…
Portanto, se existe apenas o momento atual e se nele não pode haver ambigüidade, o dualismo não existe nem no mundo humano…
Aliás, isso seria óbvio se tivéssemos uma visão global do Universo ao invés de ficarmos presos apenas no nosso mundinho…
O que é o Universo? Tudo que existe… Tudo engloba todas as coisas. Sendo assim, a realidade humana, mesmo que ilusória, é algo universal, é algo que pertence ao Universo…
Sendo ela universal, fatalmente teria que estar sujeita às verdades universais e no Universo, afirmam os mestres, não existe dualismo.


