RESPOSTA A UM AMIGO
December 11, 2008 by admin
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Amigo Cláudio, paz!
Sua resposta foi muito boa e contém dúvidas que assolam muitos dos que entram em contato com os ensinamentos do EEU. Por isso, se me permite, vou fazer o que tenho feito recentemente: refletir sobre os assuntos à luz dos ensinamentos nos trazidos por Joaquim…
No entanto, ao fazer isso, me permita não seguir exatamente a ordem de suas colocações, sem, no entanto, mudar o que você disse. Alterando apenas a ordem das suas palavras acredito que fique mais fácil lhe responder…
“acho que esses ensinamentos passados por eles (mestres) deviam ser um pouco mais organizados e direcionados com um propósito único”.
Foi só muito recentemente que Joaquim veio nos falar do propósito de seus ensinamentos que acredito seja também de todos os mestres: levar informações ao espírito através do ego. Como Joaquim falou muito recentemente, todos os mestres falaram a espíritos através do ego e não a seres humanos. Mas, falaram com que objetivo?
A resposta a esta pergunta foi mais uma das falas que Joaquim incorporou muito recentemente: mostrar ao ser universal a hipocrisia humana. Mostrar a eles que o discurso do ser humano é um, mas que a ação é diferente daquilo que diz acreditar.
Na verdade, quem é contraditório é o ser humano e não o ensinamento. Isso porque diz que acredita e aceita uma coisa, mas age de forma completamente diferente… Claro que como já vimos, toda contradição humana é motivada pelo egoísmo, ou seja, pela vontade de ganhar para poder ter prazer alcançando assim a fama através dos elogios…
Este, para mim, é o propósito único de todos os mestres: mostrar aos espíritos que os seres humanos são contraditórios sempre que o ganhar pessoal é ameaçado pela prática dos ensinamentos.
Ao transmitirem seus ensinamentos através do ego humano, os mestres criam um balizamento, ou seja, criam um padrão do que os seus seguidores deveriam seguir. Por exemplo: Cristo nos ensina que devemos amar a todos. Este ensinamento gera, então, para os que se dizem cristãos um valor que deveria ser seguido. Mas, não é assim que os seres humanos vivem.
Eles dizem que amam, mas não a todos. Amam os “certos”, os “bons”, aqueles que estão de acordo com os seus parâmetros individuais de “certos” e “bons”. Por que amam somente a estes? Porque não querem perder, não querem sofrer, tem medo de perder o seu prestígio individual e serem criticados.
Os seres humanos não amam indistintamente porque se fizerem isso terão os seus valores individuais destruídos e eles perderão aquilo que pode gerar o ganhar, ter prazer, ter fama e ser elogiado. O não amar indistintamente é o fruto do individualismo, do egoísmo, como diz o Espírito da Verdade, que faz com que os seres humanos só coloquem em prática o ensinamento quando eles possam se satisfazer.
Existe nas cartas de Paulo um exemplo muito grande da hipocrisia humana. O apóstolo fala que deu uma “bronca” em Pedro porque este, ao visitar uma comunidade onde Paulo estava, misturava-se aos gentios (não-judeus) na hora da alimentação, o que é proibido pelas escrituras judaicas.
Acontece que ao chegarem mais pessoas do núcleo de Jerusalém onde Paulo vivia, este deixou de alimentar-se com os gentios. O apóstolo Paulo, então, chama publicamente a atenção de Pedro, acusando a sua hipocrisia…
Esta é uma verdade da qual não podemos nos afastar e nem o apóstolo sobre qual Cristo disse que ergueria sua igreja escapou: o ser humano só pratica os ensinamentos quando isso não lhe trouxer prejuízos…
Agora, será que Cristo não sabia disso? Será que Krishna ou qualquer outro mestre esperava que o ser humano vencesse o egoísmo? Claro que não… Se eles eram tão profundos conhecedores da personalidade humana, claro que eles sabiam que seria impossível a uma personalidade humana vencer suas próprias verdades e seu egoísmo…
Por que, então eles continuaram falando? Porque precisavam expor este cancro que o raciocínio humano não afirma existir…
O raciocínio humano não aceita que a personalidade humana é egoísta. Lembra do exemplo que dei em um outro texto? O daqueles que se dizem muito bonzinhos porque praticam a caridade material? Então, é por aí… O raciocínio humano diz que é “certo” não gostar de quem é “errado” ou “mal” escondendo que estas qualificações só existem para que a satisfação individual não seja perdida…
Como é que um espírito que está ligado a uma consciência humana que esconde o individualismo sobre uma capa de “bom” e “certo” poderia compreender isso se não houvesse os ensinamentos?
Tudo isso os ensinamentos dos mestres e de seus auxiliares, como Joaquim, transmitem ao espírito e, por isso, é o propósito único de todo trabalho da espiritualidade…
Ao meu ver, se todos são mestres, todos deveriam ensinar a mesma coisa..
Cristo diz: não mate!..
Krishna diz: mate!
Agora você vai entender o porque de ter pedido para responder suas questões fora de ordem: era precisar entender o propósito único para depois compreender porque Cristo e Krishna foram contraditórios…
A partir dos ensinamentos destes dois mestres foram geradas doutrinas religiosas diferentes. Apesar de aparentarem ser completamente diferente uma da outra, o que elas contém em comum? Vença suas paixões e desejos e com isso o egoísmo será anulado…
Vencer o egoísmo é vencer a si mesmo. É vencer a si mesmo, é vencer suas paixões (o que gosta, o que acha “certo” e “bom”). O resultado de quem vence suas paixões é o fim do desejo o que leva a se vivenciar tudo de maneira equânime, ou seja, sem prestigiar nenhuma verdade.
O egoísmo não está no ato de matar ou em qualquer outro, mas na intencionalidade com que se vivencia o acontecimento. O ser humano que mata quando quer é egoísta; aquele que não mata quando acha que não deve fazê-lo, também o é…
Sendo assim, quando Cristo ensina o “não mate”, ele está criando um balizamento para mostrar o egoísmo dos egos humanos que aplicam este ensinamento quando querem, ou seja, que acham “certo” um tipo de matar, mas não acham outro.
Se levássemos o ensinamento ao pé da letra, todo ser humano cristão, inclusive o próprio Cristo, deveriam ter vegetarianos. A ingestão de carne, seja branca ou vermelha, só pode acontecer depois de uma morte.
Sendo assim, para não matar, eles não poderiam comer carne… Mas comem. Pior: dizem que é certo matar para alimentar-se…
Repare que estou falando apenas de ato, mas ainda tem o desejo não realizado. Cristo ensina: de nada adianta não adulterar; se você sentiu vontade já pecou… Ora, os cristãos não chamam de “pecado” o desejo de matar, mas ele também é proibido por Cristo.
Quem viu o discurso do papa acusando Judas depois da divulgação do evangelho deste, reparou que se o apóstolo “traidor” estivesse vivo, o papa, com certeza, o teria excomungado e lutado pela sua condenação à cadeira elétrica. Este discurso estava de acordo com os ensinamentos de Cristo? Ele segue o não mate? Mas, para o papa condenar Judas é “certo”, pois, segundo a tradição católica ele traiu Cristo, mesmo que o mestre da sua doutrina tenha ensinado ao contrário…
Já Krishna diz que deve se matar e cita no Bhagavad Gita diversos motivos para tanto. Mas, será que o mestre não estava querendo ensinar a mesma coisa que Cristo?
Por que ele disse a Arjuna que ele deveria matar? Porque o seu discípulo achava “errado” matar. Ou seja, porque ele tinha uma paixão que levava a um desejo…
Não é o mesmo ensinamento? Não se prenda ao que você quer, gosta ou diz que é certo, mas viva o que tenha para viver em paz, harmonia e felicidade: este é o âmago do ensinamento de todos os mestres…
Pronto… Reduzindo-se os ensinamentos à sua essência, ou seja, libertando-se do significado da letra fria, vemos que todos os mestres ensinaram a mesma coisa. Apenas as palavras são diferentes e o sentido pode parecer também diverso, mas no fundo todos os mestres ensinaram a mesma coisa.
eu acredito nas coisas que o PJ diz, mas quando ele fala que nada existe, somente o espírito, Deus e energia cósmica universal… aí depois ele fala sobre como resolver problemas do ego… é o contrário do que ele acabou de falar.. por que uma hora existe e outra hora não existe? ou existe ou não existe! Ao mesmo tempo, se existe ou não existe.. que diferença faz??
Aqui ainda a mesma coisa que já falamos: Joaquim falando a ego através de espíritos.
Quando fala das coisas do Universo, o amigo espiritual está mostrando ao ser que as percepções que a personalidade humana diz existir não são reais; quando fala como resolver problemas do ego, mostra que o egoísmo tem solução, mas que esta não é alcançada pela razão humana porque a personalidade que lhe serve como provação na encarnação não está disposta a abrir mão do egoísmo.
se eles estão fazendo isso de propósito, então é perda de tempo querer evoluir por algum tipo de ensinamento. .
pessoas que seguem religiões e conceitos absurdamente diferentes alcançam a evolução da mesma maneira..
Por isso nenhum mestre criou uma doutrina religiosa. Todos foram unânimes em afirmar: ame a Deus acima de todas as coisas.
Paulo é bem taxativo neste aspecto: a elevação espiritual não se alcança com a subjugação à lei, mas pela fé. Para mostrar o que disse falou do exemplo de Abraão, ou seja, daquele que foi além do que era “certo” por confiança e entrega a Deus…
Portanto, o que pode ajudar o ser espiritual na elevação não é a subjugação à doutrina que a personalidade humana siga, mas sim na entrega com confiança ao Senhor.
Até agora eu também não entendi pq eles querem tanto que os espíritos evoluam e qual o sentido da evolução. São mestres, eles deviam saber! Quando eu perguntei isso ao PJ uma vez, ele me disse “não sei, pergunta pra Deus”..
ok, então estamos todos tentando evoluir por alguma coisa que ninguém sabe o que é, e nem pra que serve..
Quem está tentando evoluir, você? Será que você, ser humano, se julga capaz de vencer o egoísmo sem criar novas verdades que o irão nutrir? Quem está tentando evoluir é o espírito e você é apenas o instrumento que utiliza para a elevação: isso é o que ensina o EEU.
Mas, para que os espíritos querem evoluir? Mais: o que é evolução para o espírito? Como podemos ter respostas a estas e outras perguntas se, como diz o Espírito da Verdade a Kardec o espírito para nós é um nada?
É por isso que deixei de querer saber muita coisa…
Como disse antes, o que mais me atrai no EEU é que eu passei a saber que nada vou poder saber. Sendo assim, para que me preocupar com estas questões?
Em todos as palestras que escuto tem sempre o mesmo questionamento: o espírito pode isso, o espírito faz aquilo, o que é isso para o espírito? Para que prender-se a estas curiosidades se nem consigo saber o que é o espírito?
Não estou lhe criticando, mas comentando um aspecto que é igual para muitos. Estes questionamentos são o que há de mais comum nas gravações das palestras. Mas, me pergunto: será que um dia nós, seres humanos, conseguiremos saber as respostas a estas questões? E se os espíritos pudessem nos responder, será que haveriam palavras para descrever o que é indescritível?
isso não quer dizer que eu não acredite ou não queira fazer parte.. só acho que a mensagem deveria ser mais clara e objetiva..
Mais clara do que elas são? Impossível…
A mensagem de Joaquim, pelo menos para mim, é clara: você nada pode fazer, nada tem a executar, nada conseguirá saber, por isso viva a vida que você tem da forma que ela é e do jeito que viver…
DE CORAÇÃO PARA CORAÇÃO
December 11, 2008 by admin
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“Coração,
grande órgão propulsor
que bombeia o sangue venoso e arterial”.
Os versos acima de uma música de Noel Rosa dão bem a definição científica do coração, mas além desta existe ainda a visão filosófica sobre o coração. Desde a antiguidade a filosofia trata este órgão do corpo físico como a fonte do sentimento. Daí surgiram as expressões “amar de coração”, “o que os olhos não vêem o coração não sente”, etc…
Quando Joaquim, a determinado momento dos estudos do Espiritualismo Ecumênico Universal, falou que a opção que deve ser exercida pelo livre arbítrio do ser manifesta-se no coração, foi exatamente a esta visão filosófica do órgão humano: o sentir. Mas, o que ele quis dizer realmente?
Nosso amigo espiritual sempre deixou bem claro que existem dois mundos: o real e o ilusório. O primeiro é o mundo dos espíritos, o segundo o dos homens. Este último mundo, ainda segundo Joaquim, é aquele que se desenrola na razão humana, ou seja, aquele que é consciente pelo ser humano, enquanto que o primeiro é totalmente inconsciente ao instrumento carmático do espírito. Juntando as duas informações temos, então, a diferença entre sentimento e sensação, entre razão e coração.
Sensação ou emoção são os sentimentos que passam pela razão. Ou seja, são os sentimentos que são fundamentados por lógicas racionais. Por exemplo: “amo porque”, “tenho raiva quando”, “estarei feliz se isso acontecer”…
Além disso, sensações são aquela que são reconhecidas pela mente humana, ou seja, que se tem consciência de estar sentindo. Exemplo: “eu não sei porque, mas gosto de tal pessoa”. Mesmo que não haja um motivo aparente para a existência daquela sensação, o simples fato de se saber o que está sentindo já denota a presença de uma sensação e não de um sentimento.
A emoção, portanto, pertence ao mundo dos humanos, pois é conhecida e justificada pela mente humana. Como disse Joaquim, é humano tudo aquilo que lhe é conhecido. Já o sentimento pertence ao mundo dos espíritos e, por isso, não pode ser detectado pelo ser humano.
O amigo espiritual nos ensinou: o que não lhe é consciente não existe, pois não se tem a consciência de existir. Se tudo o que é conhecido são sensações, o sentimento é espiritual. Sendo assim, a escolha dos sentimentos não pertence às ações do ser humano, mas somente do espírito e a personalidade transitória não toma conhecimento dela…Então, porque Joaquim nos falou que devemos escolher com o coração?
“Eu falo a espíritos através de egos”…
Na verdade o que Joaquim estava querendo era mandar um recado ao espírito: você pode escolher sentir o que quiser, apesar da razão humana estar dizendo que você deve sentir…
Quando o amigo espiritual utilizava a expressão escolher de coração estava dizendo ao espírito que ele tinha o livre arbítrio sentimental. Estava também dizendo ao ser humano que ele nada pode fazer neste aspecto.
Se o coração vibra com os sentimentos e se estes não podem ser conhecidos pela razão, como pode o ser humano interferir ou agir nesta questão? Como pode o ser humano escolher o que sentir se para tanto ele precisará saber o que está escolhendo e com isso estará apenas trabalhando com sensações ou emoções?
Portanto, a questão da livre opção, segundo o EEU, trata-se apenas de uma ação espiritual. Nunca esta doutrina quis dizer que o ser humano poderia escolher o que vivenciar sentimentalmente.
SER, ESTAR E FAZER
December 11, 2008 by admin
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A mensagem mais forte que o Espiritualismo Ecumênico Universal trouxe foi a de que o ser humano nada pode fazer, ser ou estar por vontade própria. Apesar disso, o que mais marcou todos os trabalhos de Joaquim foram as perguntas: o que eu faço; o que devo fazer; como devo ser? Refletindo sobre isso me veio à seguinte imagem à mente…
No estudo do ego (Conhece a ti mesmo) Joaquim diz no início: para poder se compreender o ego (ser humano) é preciso assumir uma dupla personalidade. Nós somos seres com duplas personalidades, ou seja, somos ao mesmo tempo humanos (eu humano) e espirituais (eu espírito). Enquanto humanos não temos direito a ser, estar ou fazer nada, pois só o espírito possui estas propriedades…
A partir daí me veio a seguinte figura à mente…
Há mais de trinta anos, no Rio de Janeiro, um amigo meu se casou. Até aí nada demais, mas o inusitado do caso e que serve como figura para o que Joaquim ensinou, é que a noiva não compareceu ao casamento, mas se fez representar por uma amiga munida de uma procuração para tanto. A noiva verdadeira morava nos Estados Unidos e não poderia estar presente à cerimônia…
Lembrando deste fato, a minha compreensão sobre a dupla personalidade se ampliou…
A noiva e a procuradora formam duas personalidades distintas, assim como o ego e o espírito são duas individualidades que vivenciam um único acontecimento: o casamento.
O espírito é a noiva que durante aquilo que chamamos de encarnação se faz representar por um procurador: o ser humano.
Este tem procuração para representar a noiva durante aquele espaço da existência dela, mas não tem o direito de ser, estar ou fazer nada com relação à vida marital.
A procuradora vive o momento do casamento, mas não pode participar da vida a dois. Não pode exercer nenhuma atividade relacionada à vida conjugal.
Da mesma forma, a procuradora não pode gozar os benefícios do casamento…
Este é o ser humano. Ele é um procurador do espírito, porque o representa durante a encarnação, mas isso não quer dizer que ele possa agir durante este acontecimento da existência do ser universal.
Ele, como representante legal estará presente à cerimônia, mas mesmo durante ela quando se expressar, dizendo o “sim”, por exemplo, não estará expressando nem fazendo algo próprio, mas apenas manifestando a vontade da verdadeira noiva…
Da mesma forma, enquanto estiver vivendo a cerimônia matrimonial, ele pode até pensar que está vivendo a sua vida, mas naquele exato momento ele não é ele, mas sim a noiva…
Concluindo, o ser humano não pode fazer, estar ou ser nada porque tudo o que ele fizer referente ao casamento nada mais será do que uma expressão da vontade da noiva…
HISTÓRIA É ALGO QUE POEM NA SUA CABEÇA
December 11, 2008 by admin
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Sri Krishna, o mestre dos hindus, afirma que tudo que vem à mente humana é maya, ou seja, ilusão. O mundo de maya é o mundo ilusório onde vivem os seres humanos; um mundo fictício onde idéias humanas existem.
Para ilustrar a um discípulo que lhe perguntava sobre o que era o mundo de maya, Krishna narra a seguinte história. Conta ele que no mundo Real caminhava ao lado de um discípulo quando disse a esse: estou com sede. O discípulo querendo servir ao mestre corre para apanhar água.
Chegando às margens de um rio o discípulo vê do outro lado uma bela jovem. Encanta-se e enamora-se por ela. Larga tudo o que está fazendo e atravessa o rio em direção a aldeia onde aquela jovem morava.
Ao chegar lá procura o pai da jovem e fala de suas pretensões com relação a ela. O homem cede e as núpcias são marcadas e se concretizam depois de decorridos alguns dias. Habitando, então, a mesma casa do pai da jovem, o discípulo passa a trabalhar ns plantações junto com os demais membros da família.
Depois de algumas colheitas a grande notícia: a jovem está grávida. Nasce o primeiro rebento: um homem. A felicidade é geral e a vida continua com o discípulo trabalhando a terra com os familiares da jovem e vivendo seu romance e o filho, que era o seu grande orgulho.
Passado mais algum tempo e novamente outra grande notícia acontece. A jovem grávida novamente dá a luz mais um filho saudável e belo. O discípulo não se contém de alegria e assim os anos passam…
Um belo dia, quando os garotos já estavam grandes, começa uma chuva implacável. O rio, antes apenas um riacho, torna-se caudaloso repentinamente. Pegos de surpresa tanto a jovem quanto os dois filhos do discípulo são arrastados pela correnteza. Apesar de todo esforço do marido e pai, ele não consegue salvar a vida dos seus.
Sentado desconsolado à margem do rio o discípulo sofre a sua dor quando ouve uma voz que lhe diz: continuo com sede esperando a minha água…
Depois da história Sri Krishna ensina então o que é o poder de maya. A Realidade da existência do discípulo jamais foi alterada. Nela ele foi até a beira do rio buscar água para o mestre, mas o poder inescrutável de maya gerou toda esta história, ou seja, ela aconteceu apenas na mente dele.
Apesar de toda sensação de que aqueles acontecimentos fossem reais, o discípulo jamais havia conhecido uma jovem, se casado, trabalhado a terra, tido filhos e nem os tinha visto perecer. Tais fatos nunca aconteceram, mas existiram apenas na imaginação do discípulo.
Imaginação: eis aí a realidade da história que afirmamos ter acontecido.
Krishna afirma: o Real nunca deixou de existir e o irreal jamais existiu. Mas, o que é Real neste Universo? Segundo o Espírito da Verdade na Realidade existem apenas o espírito e a matéria universal, o que foi chamado de fluído cósmico universal, e acima de tudo Deus. Portanto, tudo que é Real precisa ter acontecido com estes elementos.
A matéria, ainda segundo o Espírito da Verdade, não age. Segundo O Livro dos Espíritos a matéria universal é apenas o laço que retém o espírito; é o instrumento de que ele se serve e, ao mesmo tempo, sobre o qual exerce a sua ação. Sendo assim a Realidade só pode ser formada pela ação do espírito sobre a matéria e não ao contrário.
O que é o espírito? Segundo a mesma fonte, para nós humanos é nada… O espírito é algo que não pode ser percebido ou compreendido pela mente humana.
Ora, se não conseguimos nem saber o que é o espírito, como podemos saber qual a sua ação? Como podemos compreender o que é Real se a Realidade é apenas a ação do espírito sobre a matéria?
A partir disso pergunto: o que é Real? Para nós humanos nada. Mas, e isso tudo que vivemos como realidade? São ilusões criadas pelo poder inescrutável de maya na mente primária do espírito. Nada do que chamamos de real está acontecendo a não ser na imaginação do espírito…
Isso é verdade para o momento atual, mas sempre foi verdade, pois se trata de uma Verdade Absoluta. Todas as realidades vivenciadas por um ser humano são forjadas pelo poder inescrutável de maya apenas na mente de uma personalidade humana como foram aquelas da história do discípulo e de Krishna.
Face tudo isso pergunto: e a história da humanidade? E os acontecimentos que estão nos livros e que, aparentemente são recontados há milênios? Fazem parte da ilusão de agora…
A cada momento o poder de maya cria tudo o que compõem a existência do ser humano, inclusive a memória. É por isso que dizemos que possuímos memória seletiva: nos lembramos do que queremos nos lembrar e esquecemos do que queremos esquecer…
O poder de maya cria a cada momento as lembranças que precisam existir para poder dar lógica aos pensamentos de agora. É por isso que o ser humano, no momento que está frente a alguém, se lembra, se isso for necessário para dar lógica a algum pensamento, do que esta pessoa lhe fez, mas não se lembra que quem descobriu o Brasil foi Pedro Álvares Cabral.
A memória, na verdade, não é o arquivo de tudo que aconteceu, mas apenas idéias que imaginam acontecimentos para justificar a lógica do pensamento atual. Por isso para justificar uma desconfiança a esposa se lembra sempre do que marido lhe fez de mal, mas nunca se lembra do que ele já fez de bem…
Por isso afirmo: a história é alguma coisa que lhe colocam na cabeça neste momento…
Não estou me referindo a apenas fatos individuais, ou seja, da sua história, mas também à história universal, aos acontecimentos históricos da humanidade. Não importa o que os livros dizem, aqueles acontecimentos estão acontecendo agora para o ser humano que pensa neles…
Apenas um detalhe: não estou dizendo que eles não aconteceram. Podem até ter acontecido, ou seja, aquela realidade ilusória pode ter acontecido para algumas personalidades humanas nas mentes de espíritos, mas isso não quer dizer que a sua lembrança de agora afirme definitivamente que aconteceu.
A memória histórica não se prende a verdades ou realidades que tenham acontecido em mentes de outros seres humanos. Mesmo que um determinado fato não tenha acontecido ele pode ser criado como memória se isso for necessário para tornar lógico um pensamento de agora.
Quem nunca se lembrou de um acontecimento onde outro participasse e ao comentar com este ele diga que nunca viveu aquilo, que é coisa da sua cabeça? Quem nunca se lembrou de algum momento e ao comentar com outro envolvido nele escutar que estamos loucos, que aquilo não aconteceu daquele jeito?
A memória é individual. Cada um se lembra do que precisa lembrar e se recorda do jeito que precisa recordar para que os pensamentos de agora tenham lógica e com isso levem o espírito a se prender ao egoísmo que está na formação mental.
O que estou querendo dizer com isso? Que o Brasil nunca foi descoberto; que não tivemos império e nem a escravatura; que depois não veio a democracia que trouxe a figura dos presidentes. Tudo isso é história, é algo que está sendo criado na sua memória neste instante para dar lógica ao que está sendo pensado. Para que? Para o espírito não acreditar que deve libertar-se do ego…
“Mas, eu sou velho, já vi diversos presidentes e os nomes deles estão na minha memória”. Estão? Digamos que por doença ou pancada, você perdesse a memória. Eles continuariam lá? Você continuaria acreditando na existência deles? Não, se a criação do momento não incluir a idéia da existência da coisa, a memória jamais dará por falta destas informações.
“Mas, existem documentos, fotos, filmes, que comprovam a existência de alguns acontecimentos e da participação de seres humanos neles”. Está certo: este é um bom pensamento…
Mas o que são os documentos, os livros, as fotos e os filmes senão criações de maya que formam o mundo irreal? Eles são como a choupana, as plantações e o rio da ilusão do discípulo de Krishna: algo criado pelo poder inescrutável de maya enquanto na Realidade o ser estava apenas buscando água para o mestre.
A história, seja universal ou individual, é apenas uma criação do poder inescrutável de maya para dar lógica a pensamentos da personalidade humana que ao chegarem à mente primária do espírito constitui-se no instrumento para a sua reforma íntima. Isso é o que ensina o EEU. Mas, por que ele ensina isso?
Será que Joaquim ao ensinar isso esperava que o ser humano fosse descrer dos acontecimentos históricos? Será que ele esperava que a personalidade humana fosse capaz de negar a veracidade dos acontecimentos que são colocados na sua memória? Claro que não…
Este ensinamento não se dirige a seres humanos, mas sim a espíritos. Também não têm como finalidade fazer com que o espírito altere a história ou compreenda que os acontecimentos dela são ilusões, porque ele não pode agir sobre o poder de maya. Por isso Krishna diz que este poder é inescrutável…
O que o EEU quer é que o espírito receba informações através do ego que o leve a entender que os pensamentos formados pelo poder de maya que o estão bombardeando neste momento não podem ser considerados como “certos” ou “bons”, para que o ser universal não vibre em uníssono com a sensação que a personalidade humana cria…
Quantas “atrocidades” já não foram cometidas e consideras “certas” e “boas” usando para isso a memória de outros acontecimentos? O caso mais recente que tivemos foi a guerra entre os EUA e o Iraque e o Afeganistão. A retaliação a estes povos foi considerada como justa por causa da memória dos acontecimentos de 11 de setembro…
Não estou aqui dizendo que esta guerra não deveria ter acontecido. Se ela aconteceu é porque fazia parte do conjunto de percepções de personalidades humanas que os espíritos encarnados no planeta Terra precisavam ter. O que estou querendo dizer é que os espíritos não devem acreditar na motivação que as personalidades humanas que dirigem ou defendem esta guerra criam, porque estas motivações se fundamentam numa memória de algo que não existiu.
O espírito que acredita nas motivações fundamentadas em acontecimentos históricos dá como “certa” a prática daquilo que se está praticando e com isso vibra (sente) de acordo com a sensação gerada pela personalidade humana…
A memória não existe: é algo que põe na sua cabeça para justificar a busca do ganhar que leve o ser humano ao prazer e a fama através do elogio… Sendo assim, a história também não existe…
O FIO DA MEADA
December 11, 2008 by admin
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Antes de falarmos do dia-a-dia da vida dos seres humanos, preciso falar ainda de uma série de características que influenciam a formação das idéias humanas. Estas características foram ensinadas pelo EEU sob o título “As Quatro Âncoras”.
“Deus criou todos os Espíritos simples e ignorantes, quer dizer sem ciência. Deu a cada um determinada missão com o fim de esclarecê-los e fazê-los alcançar, progressivamente, a perfeição para o conhecimento da verdade e para aproximá-los Dele” (O Livro dos Espíritos – pergunta 115).
A encarnação é uma missão que Deus dá aos espíritos para esclarecê-los e fazê-los aproximar-se Dele. Podemos comparar o espírito no Universo como um filho que mora com os pais, mas que não se coaduna com a família que vive. É o filho que coabita o mesmo teto dos seus pais, mas não participa dos ideais familiares, achando que seus pais são “caretas”, que “não sabem de nada”…
O que faz com que o espírito não vivencie o mesmo que seus pais eu já falei: o egoísmo. No Universo o que predomina é o universalismo, ou seja, a perfeita comunhão entre todos. No entanto, alguns espíritos vivem o egoísmo, ou seja, estão mais preocupados consigo mesmo do que com a comunidade que vivem.
Joaquim ao falar da mente humana comparou-a a uma árvore, ou seja, disse que os desejos individualistas expressos pelos pensamentos (eu quero), marcas maior do egoísmo, são frutos da ação de outro elemento: as paixões. Paixão é aquilo pelo qual o ser humano é apaixonado, ou seja, gosta, diz que é seu ou afirma saber.
Estes elementos formam a árvore constitutiva dos pensamentos. Claro que eles são alimentados pelo egoísmo, mas, entre este sentimento e as paixões, o EEU ensina que existem elos de ligação que se traduzem em características implícitas em todos os pensamentos. Essas características foram chamadas de “As Quatro Âncoras”.
Elas foram chamadas assim porque, como âncoras, aprisionam o pensamento ao egoísmo. Por causa da presença destas características, jamais o egoísmo estará ausente dos pensamentos humanos, mesmo que de forma não aparente. Além disso, o nome se deve porque, assim como âncora é formada de dois garfos, as características do pensamento existem em pares.
Vamos a elas…
Vontade de ganhar
A primeira característica implícita em todos os pensamentos é a vontade de ganhar sempre. Todo pensamento humano, mesmo que aparentemente não demonstre, traz embutido em si um desejo de ganhar, de levar vantagem sobre os outros.
Sei que muitos afirmam que não possuem esta característica em seus pensamentos, mas ela está sempre presente. Ela, assim como as demais, são como raízes que arrancam do solo (egoísmo) os nutrientes que manterão viva a árvore da razão humana. Se elas pudessem ser extirpadas, o pensamento com certeza não seria o mesmo.
Digo se pudessem, porque não podem. Se a encarnação tem como objetivo aproximar o espírito de Deus, o egoísmo tem que estar presente na ação para que o espírito, então, possa vencê-lo e provar que se coaduna com sua família universal.
Voltando à vontade de ganhar, como disse, ela está presente mesmo quando não se imagina. Vou dar alguns exemplos para observamos a sua presença onde parece que ela não existe.
O primeiro exemplo: a caridade material. Hoje são milhares de pessoas em todo o mundo que fazem da prática da doação de elementos materiais aos necessitados uma atividade constante. A chamada solidariedade…
À primeira vista os pensamentos que justificam a participação de seres humanos neste movimento parece não abrigar nenhuma vontade de vencer, mas isso aparente.
Alguns praticam a solidariedade por motivos religiosos, outros praticam porque acham que devem ajudar os carentes, outros, ainda, justificam seus pensamentos por amor ao próximo. Aparentemente trata-se de motivos que em nada versam sobre a vontade de vencer, mas isso é engano…
Quem pratica a caridade por motivos religiosos espera ver seus esforços observados pela entidade superior do Universo e ganhar como recompensa méritos para outra vida; quem pratica por solidariedade espera que a ajuda surja o seu efeito, ou seja, que ele veja o outro sentir-se melhor; quem faz por amor espera ganhar a sensação do dever cumprido. Não importa o que se ganhe, desde que alguma coisa seja recebida em troca: esta é a característica do pensamento humano.
Lembro-me de uma conversa que Joaquim teve com uma pessoa. Eles estavam falando de caridade material e Joaquim disse que ela só seria reconhecida como doação quando a pessoa a praticasse sem nenhuma motivação específica. Ou seja, quando esta pessoa simplesmente desse, sem planejar dar ou quere dar…
Outro exemplo clássico foi o de uma amiga que dizia que por amor ela brigava com outro amigo para que ele parasse de fumar. Ela deixou bem claro para Joaquim: eu não ganho nada com isso, faço apenas por amor. Pesquisando junto a ela sobre esta ação, em determinado momento nossa amiga respondeu que fazia isso porque não queria que o amigo morresse. Joaquim, então, disse: qual o problema dele morrer? Ela respondeu: eu vou ficar com saudades…
Aí está a ação da âncora vontade de ganhar. O que aparentemente se demonstrava num ato amoroso sem qualquer ação egoísta no final se transforma numa peça de egoísmo, pois ela estava preocupada consigo mesmo, ou seja, queria ganhar a presença dele…
Mas, como disse, as âncoras estão sempre presentes em dupla. Se o pensamento humano sempre esconde uma vontade de ganhar, ele também possui a característica de que não querer perder.
Esta característica é mais fácil de se ver. Ninguém quer perder nada, nem em campeonato de cuspe à distância, não é mesmo?
Lembro-me de uma vez que minha esposa acalentou a idéia de que tinha que ajudar uma família que estava morando literalmente em baixo de uma ponte onde passávamos. Um dia, fomos de manhã ao mercado, fizemos umas compras e fomos para a ponte para dar os alimentos à família. Quando chegamos lá, eles já haviam se “mudado”…
Esta ação deles a fez sofrer, pois a vontade de não querer perder agiu forte dentro dela e justificou o sofrimento. Lembro, ainda, de um chefe que tive que quando eu levava um documento para ele conferir, mesmo que não houvesse erro algum, ao final ele fazia um ponto com a caneta para mostrar que dava a última palavra.
Enfim, nem ele nem minha mulher nem os que praticam a solidariedade estão “errados”. Eles são assim e tem este tipo de pensamento porque são apenas personalidades humanas que estão servindo a um espírito na sua aproximação com a família que ele tem renegado há milênios…
O prazer
Outra característica presente em todos os pensamentos humanos é a vontade de sentir prazer.
O prazer é uma sensação (emoção) gerada pela personalidade humana quando a vida (os acontecimentos do mundo) está de acordo com os desejos do ser humano. Quando o que acontece é desejado, a personalidade humana cria a sensação de prazer; quando não, a de desprazer ou sofrimento…
O prazer, como acredito todos sabem, é inebriante. Trata-se de uma sensação que causa uma euforia que se traduz como bem-estar. Mas, espiritualmente falando, ele não é assim tão positivo.
Cristo nos falou da existência de um bem celeste e outro material. Como no “céu” não existem elementos materiais que possamos chamar de bem, temos que imaginar que o mestre se referia ao mundo sentimental. Ou seja, ele dizia que havia um sentimento que pertence ao mundo dos espíritos e outro que pertence ao mundo dos homens. Este último é o prazer…
O prazer não pode ser considerado um bem celeste porque para existir ele depende do egoísmo. Só tem prazer quem é egoísta. Isso porque se o prazer depende do atendimento de desejos e estes dependem da existência de paixões e elas são o fruto da ação do egoísmo, só quem quer para si, quem quer ganhar alguma coisa tem prazer.
Não amealhe bens na Terra, ms sim no céu…
Eis aí um recado de Cristo que cria um parâmetro para o espírito poder observar em que se fundamenta a razão humana que lhe chega à mente primária. Serve como um balizamento para que o espírito compreenda que quem quer se ajustar no seu próprio meio familiar não deve vivenciar esta sensação.
Apesar deste mesmo recado estar presente na cultura humana, a personalidade humana não consegue se desligar desta busca do prazer. Tenho observado, por exemplo, as chamadas do Padre Marcelo para as missas radiofônicas. Diariamente ele conclama o povo a juntar-se a ele na santa missa com um objetivo diferente: orar pela saúde, pelo emprego, pela família. Mas, isso não é busca do prazer?
Quem precisa orar pela saúde é porque tem o desejo de ser saudável; quem precisa orar pelo emprego é porque quer estar empregado; quem precisa orar pela família é porque quer ter paz no seu âmbito familiar. Ou seja, quem precisa orar a Deus pedindo alguma coisa é porque está em busca do prazer, do bem terreno que o mestre dos cristãos disse que não deve ser buscado.
Incongruente, não? Não, perfeitamente lógico se entendemos a vida como uma encarnação do espírito. O mestre afirma que não deve se amealhar bens na Terra, o representante de Cristo conclama o povo a buscá-lo e os fiéis aceitam esta busca como real. Só assim o espírito pode verificar a hipocrisia da mente humana e abandonar suas idéias convivendo, então, em uníssono com sua família espiritual.
Por isso disse antes: não há “errado”, não há acusações. Estas reflexões não objetivam criticar ninguém, mas apenas mostrar a realidade humana sob outro ponto de vista: da ação do instrumento para ajudar o espírito a aproximar-se de Deus…
Se a mente humana não fosse aprisionada à vontade de vencer e à busca do prazer, mesmo depois de orientadas a não fazê-lo, o espírito não poderia observar como o discurso é diferente da prática e continuaria aprisionado às idéias humanas. Com isso, continuaria a ser um filho rebelde que vive com os pais, mas em constante briga…
O outro lado da busca do prazer é o medo do desprazer ou sofrimento. Com relação a esta característica, acho que nem precisamos nos alongar mais, pois todos somos mentes humanas e sabemos do medo que temos de sofrer.
A fama
Mais uma âncora, mais uma característica do pensamento humano: a busca constante da fama…
Quando o EEU ensina esta âncora ele não está se referindo à fama como conhecida entre os humanos. Não estamos falando aqui de um desejo de ser capa de revista, de ser apontado na rua, nem de ser apontado como um sábio, mas sim do simples reconhecimento suas ações. Ou seja, de esperar ouvir pelo menos um muito obrigado pelo que fez…
Nenhum ser humano faz nada sem esperar em troca o reconhecimento pelo que fez. Nenhum ser humano aceita o anonimato ou o crédito a outro pelo que fez. Sempre o pensamento humano estará esperando ser reconhecido como agente daquela ação. Isso é a âncora da fama…
Mas, num ambiente familiar não há fama individual. As conquistas da família não são reconhecidas como fruto da ação de apenas um, mas da família como um todo.
O espírito que vive na casa dos pais, ou seja, pertence a uma família universal precisa compreender isso. Por isso Cristo ensina que toda glória deve ser dada a Deus e não individualmente a alguém.
Para poder viver nesta família como membro que contribui para ela, o espírito precisa vivenciar a ação do “nós”. No Universo todos levam a fama pela realização de qualquer coisa e o espírito que ainda quer ser reconhecido individualmente é reconhecido como um filho rebelde…
Isso o espírito sabe por causa dos ensinamentos dos mestres, que também são conhecidos dos humanos: a tão falada humildade. Ser humilde não se rebaixar, mas não buscar louros individuais. Sabendo que deveria ser humilde para seguir os preceitos em que diz acreditar, mas buscando sempre ser reconhecido individualmente, a personalidade humana, então, ajuda o espírito a virar-se para o seu seio familiar e vivenciar a sua existência eterna de acordo com os padrões universais.
A outra perna da âncora reconhecimento diz respeito ao medo da infâmia…
Que medo os seres humanos tem de serem difamados, não? Por que? Por que este medo?
Se alguém fala alguma coisa “mal” de você, qual o problema? Você é o que os outros dizem que é? Sendo, ninguém falou mal de você, pois você é realmente aquilo. Não sendo, qual o problema dos outros falarem: você não é…
Na verdade o que importa para a personalidade humana não é o fato dos outros falarem nem muito menos o que eles dizem, mas o medo de ser difamado… É esta perna da âncora que está sempre por trás dos pensamentos que denotam medo do que os outros dizem sobre ele…
O medo da infâmia é o resultado direto da busca constante da fama. A personalidade humana não aceita que ninguém se contraponha ao que ele sabe, gosta ou quer porque tem medo de perder o reconhecimento dos demais. Esta busca pelo reconhecimento dos demais seres humanos denota a falta de fé…
Se Deus é por nós, quem pode ser contra…
A fé é a confiança e a entrega absoluta ao Universo, à sua família. Isso todos os mestres ensinaram e, por isso deveria ser um elemento formador de pensamentos da personalidade humana. O espírito sabe disso e quando observa que apesar de concitado a manter a fé apenas no Universo o ser humano ainda vibra com o medo da infâmia pode, então, realizar o trabalho da reforma íntima, aproximando-se assim, do seu núcleo familiar original: o mundo espiritual em que vive…
O elogio
Como decorrência natural da busca da fama, surge a última âncora. A sua primeira perna diz que todo pensamento humano busca sempre o elogio…
Novamente não estou falando aqui no elogio rasgado, descarado ou daquele que é proferido publicamente. Estou falando apenas na concordância, no outro dizer que o ser humano está “certo”. Toda personalidade humana tem seus pensamentos criados na perspectiva de que os outros afirmem que ela está “certa”, que ela sabe das coisas…
Esta é uma prática comum entre as personalidades humanas, mas quem pode estar “certo” sempre? São tantas as verdades deste mundo, são tantas as perspectivas com que se pode “ver” algum acontecimento que é impossível se estar “certo” o tempo todo.
Além do mais, as próprias ciências humanas, ao descobrirem constantes novidades que alteram as verdades, deveriam servir ao homem como elemento comprovador de ninguém sabe tudo o que pode ser sabido. Mas, a personalidade humana continua vivendo esperando estar sempre “certo”.
Outra coisa que pode comprovar que o ser humano não pode estar sempre “certo”: suas verdades são instáveis. Quantas vezes alguém não mudou de opinião a respeito de algum assunto; quantas vezes novas descobertas, até individuais, não lançaram nova luz sobre verdades anteriores?
É, mesmo esquecendo-nos de que estamos falando de espírito e de Universo devíamos entender que o que sabemos agora é apenas uma opinião que certamente não durará eternamente. Mas, o ser humano permanece firme no propósito de estar “certo” sempre e exige o reconhecimento disso por parte dos outros.
Esta forma de ser do pensamento humano ajuda o espírito a entender o quanto a razão humana é hipócrita. Mesmo sabendo que sua verdade é apenas relativa, ou seja, serve apenas para ele e assim mesmo durante um certo período de tempo, e tendo a notícia que os mestres trouxeram onde se afirma que Deus, o Ser Superior do Universo, é o único que sabe e todos os outros possuem apenas opiniões, o ser humano continua tendo pensamentos que se fundamentam na vontade de ser elogiados.
É por isso que o EEU ensina as “Quatro Âncoras”. Ao fazê-lo, Joaquim não espera que o ser humano deixe de querer ganhar, pare de buscar o prazer e a fama através do elogio, mas, utilizando do ego para alcançar o espírito, Joaquim quer mostrar a esse a hipocrisia humana para auxiliá-lo no trabalho da reforma íntima para que ele possa, então, coadunar-se com sua família espiritual, ou seja, aproximar-se de Deus.
A outra perna desta âncora, claro, é o medo da crítica.
Ora, errar é humano, nós mesmos sabendo. Além do mais, a crítica nos ajuda a nos melhorarmos. Não é assim que pensamos? Então, por que o medo da crítica.
Porque ela traz a infâmia que aparentemente nos faz perder e por isso sofremos. As quatro âncoras se interligam e por isso o EEU afirma que elas estão presentes em todos os pensamentos humanos.
As características que enumerei aqui estão presentes em qualquer pensamento, desde o mais banal até o mais complexo, que o ser humano realiza. Elas são a ação do egoísmo sempre presente na mente humana e não podem ser alteradas ou desaparecerem. Elas constituem o fio da meada, ou seja, o instrumento que criará todas as realidades da existência humana.
A mente humana precisa ser do jeito que é, ou seja, precisa formar pensamentos de cunho egoístas, preso a estas quatro características gerando, assim, paixões que dão origem a desejos, mesmo que ela diga que quer aproximar-se de Deus, para que o espírito possa julgá-las à luz da sua Realidade universal e com isso promover a reforma íntima.
Por isso, apesar do que disse parecer uma ode de ataque ao ser humano, é um ato de louvor. O ser humano não pode mudar-se e nem é “errado” por possuir em seus pensamentos esta características, mas sim para que exerça a sua função no Universo…
FALANDO A ESPÍRITOS ATRAVÉS DO EGO
December 11, 2008 by admin
Filed under Reflexões Universalistas
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