Conhece a ti mesmo – segundo dia
Vamos continuar nosso estudo sobre o ego, mas se alguém quiser fazer alguma pergunta antes, fique à vontade.
Participante: Os animais ou plantas têm egos? Se houver, como funciona?
Nem animal, nem planta e nem ser humano tem ego. Quem tem ego é espírito e não os elementos materiais. Aliás, estes elementos são o resultante da ligação do espírito com o ego. O ser humano é o resultante da ligação do espírito com um ego, mas a planta e os animais também.
A partir daí podemos entender que todos os seres têm um ego. Mesmo aqueles que estão na erraticidade possuem uma espécie de ego, pois, como dissemos ontem, a personalidade espiritual funciona de forma idêntica ao ego.
No entanto, os egos, ou consciências diferenciadas das espirituais, são diferenciados de acordo com a missão que o espírito terá que realizar durante a sua encarnação. O espírito que habita e constrói a planta não tem o mesmo ego dos humanos, porque a consciência temporária deste espírito não cria realidades.
Para o ser humanizado o ego é o criador de realidades. Se o espírito que está ligado à planta não constrói realidades, ele não tem o ego como você entende e como estudamos ontem.
Já o espírito que está ‘encarnado’ como animal vivencia realidades, ou seja, o seu ego possui esta propriedade. No entanto, não podemos dizer que é o mesmo ego do ser humano.
Participante: Mesmo o animal mais simples na sua estrutura?
Mesmo o animal mais simples na sua estrutura possui ego, pois o que determina a presença de um ego é a existência do espírito e não a constituição material do animal. Agora, para que o ego tenha a função de formação de realidades é preciso que o ‘animal’ vivencie atos.
Sendo assim, se um micro organismo que seja considerado um animal não tiver percepções, o espírito ligado a ele terá com certeza um ego, mas este não será igual àquele ao qual está ligado o ser que vive como ‘cachorro’, por exemplo.
O que precisa ficar bem claro, por enquanto, é que o espírito que vive ligado à uma matéria animal possui ego, mas que esse não é igual ao do ser humano. Existem diversas diferenças entre eles.
Participante: O ego do espírito ligado ao animal é instintivo?
Por agora vou apenas dizer que é diferente, pois se falasse que ele era instintivo estaria fugindo à realidade, pois o instinto também está presente no humano e não é apenas característica do ego de espíritos que vivem ligados à determinados animais.
Não tente caracterizar o ego animal, mas apenas compreenda que ele não é igual ao humano. Só para exemplificar melhor as diferenças, o ego humano cria a individualidade, o se ver como um independente do todo universal. Já o ego animal não.
O espírito que está encarnado numa forma animal não sabe que ele é ele, ou seja, não se compreende como individualidade. Por força do seu criador de realidades (ego) se identifica como fundido ao universo e não como um elemento destacado.
Esta é uma diferenciação entre o ego humano e o animal, mas existem diversas outras. Por que? Porque cada ego é criado de acordo com o objetivo da encarnação do espírito.
Desta forma, o ego do espírito que vai vivenciar o mundo animal é criado para atender a um objetivo e o do espírito que vai viver o ser humano é criado para outros.
Participante: E no caso de haver um consciente coletivo, uma consciência controlando vários pequenos animais, este consciente pode ter um ego?
Existe um consciente coletivo, nós falaremos dele hoje. Mas este consciente coletivo não é propriamente um ego. Deixe para mais tarde explicarmos este ponto com mais calma.
Participante: Como um ego agiria em várias pessoas, animais e plantas simultaneamente?
Como disse, não há um ego, uma consciência individual que controla as demais. Por este motivo não é um ego que age.
Sendo assim, não há o que responder nesta pergunta.
Participante: No caso de obsessão, como funciona a aplicação de vários egos a uma única pessoa ou animal?
Quando ocorre uma obsessão? Quando existem espíritos no mesmo grau de elevação se intercomunicando, ou seja, quando existem espíritos que se harmonizam porque possuem realidades, paixões e desejos semelhantes.
Então, o que é a obsessão? É uma comunhão de egos que faz com que espíritos interajam dentro de realidades ilusórias que são frutos de suas paixões e desejos.
A obsessão não é, portanto, um ego agindo sobre o outro, como se costuma imaginar, mas espíritos ligados a egos semelhantes que se comunicam e se confraternizam por estarem no mesmo padrão vibracional, ou seja, por vivenciarem paixões e desejos semelhantes.
Participante: Obsessor, amigo de fé, irmão camarada…
Exato. Os que estão envolvidos em um processo de obsessão são espíritos que vivem com egos muito parecidos, que tem possuem comandos semelhantes em sua montagem.
Por exemplo. Se um encarnado é obsediado por outro espírito (dentro ou fora da carne) para beber compulsivamente é porque ele tem no seu ego esta paixão e este desejo de beber.
A obsessão, portanto, acontece porque desejo com desejo igual se junta. Nada mais do que isso.
Participante: Existe um ego coletivo para todo planeta?
Não, não existe um ego coletivo para o planeta. Falaremos disso mais tarde.
Na realidade o que é conhecido como ‘ego coletivo’ é um ‘banco de dados’ que é utilizado como depósito de comandos coletivos para programar egos humanos. Os egos se abastecem no ‘banco de dados’, mas este não é por si um criador de realidades.
Digo isso porque ontem definimos o ego como uma consciência temporária criadora de realidades. Não há um criador de realidade planetária’, mas existem dados arquivados num banco de memória que são usados nas programações dos egos.
Respondida as dúvidas iniciais, vamos, então começar a conversa de hoje. Faremos isso exatamente conversando sobre este aspecto que é tratado pelos seres humanos como ‘ego coletivo’.
Como disse, não existe um ‘ego coletivo’ se você aplicar ao ego a definição de que ele é um criador de realidades, mas existe um ‘banco de dados’ de onde são retirados comandos que aparecem nos egos humanos ou terrestres.
Existe, portanto, um ‘banco de dados’ para o planeta Terra. Mas para falarmos dele, precisamos antes entender o que é o planeta Terra.
Ontem encerramos nossa conversa dizendo que a própria realidade material, ou seja, os corpos e movimentações que existem, são criações do ego. Se assim é, o planeta Terra, ou qualquer outro planeta, não existe externamente a você, mas é uma criação do seu ego.
Isto precisa ficar bem claro porque quando definimos globalmente algumas coisas (tudo, todos) muitos separam coisas que não englobam na totalidade que afirmamos ser. Um dos exemplos é o planeta. Nós afirmamos que toda a realidade material não existe, mas muitos continuam acreditando que a Terra como um planeta existe, mas isso não é realidade.
E, se a Terra não é um planeta o que é ela? Vamos entender.
Por definição, Universo é o campo de trabalho para elevação do espírito. Tudo que você conhece assim como o que não conhece no Universo foi criado e idealizado por Deus para servir ao espírito no seu processo de provação. Todos os sóis, estrelas, planetas, satélites naturais, espaços vazios entre eles que você percebe como as chamadas ‘dimensões’ espirituais que não podem ser percebidas pelo ser humanizado, são criações de Deus com função de auxiliar o espírito na sua evolução espiritual.
Sendo assim, não existem planetas, mas sim campos de trabalhos diversos separados um do outro. Vamos criar uma figura para melhor compreensão.
É como se o Universo fosse um estádio desportivo onde houvesse pista de atletismo, campo de futebol, quadra de basquete, de tênis, etc. Ou seja, um lugar que reunisse todas as arenas necessárias para a prática de todas as atividades desportivas conhecidas.
Cada arena tem a sua finalidade, ou seja, abrigar a realização do seu desporto, e o estádio seria o local que abrigaria todos as arenas com todas as suas finalidades. Cada arena tem uma razão de existir e o estádio existe com finalidade de abrigar todos os desportos.
Cada elemento do Universo (planeta, sol, estrela, etc.) é como se fosse a arena para a execução de um determinado esporte. Existe o ‘planeta’ que serve de campo de futebol, onde os espíritos se desenvolvem em um determinado aspecto; existe aquele que serve de ‘campo de atletismo’, onde o espírito desenvolve outro determinado aspecto, e assim por diante.
A Terra, portanto, é um destes campos onde o espírito se desenvolve num determinado aspecto da evolução espiritual. Hoje, a Terra serve para o espírito como campo de trabalho naquilo que é chamado de ‘mundo de provas e expiações’.
Não nos compete neste estudo falar de ‘mundo de provas e expiações’ e por isso não abordaremos este aspecto. O que temos que entender hoje é que não existe o planeta Terra, mas que aquilo que compreendemos como tal é uma criação do ego que serve como um ‘espaço’ universal onde os espíritos se desenvolvem dentro de um determinado aspecto.
Planetas são ‘espaços’ que servem a grupo de espíritos que estão dentro do mesmo padrão vibracional (nível de elevação espiritual) e que servem para que estes espíritos trabalhem determinados aspectos da existência espiritual.
A compreensão desta idéia ou noção é fundamental para entendermos o que vai ser falado a partir de agora. Porque quando buscamos comentar sobre ‘ego coletivo planetário’ estamos, na realidade, falando sobre um ‘banco de dados’ que contém comandos para serem agregados a egos que se ligarão à espíritos que viverão em um mundo onde o sentido da encarnação seja provas e expiações e não sobre o ‘ego da Terra’.
Começamos a entender um pouco sobre o ‘banco de dados’ disponível para aqueles que encarnarão na ilusão planeta Terra, ou seja, no sentido de encarnação provas e expiações. Mas ainda existem detalhes que precisam ser mais esclarecidos.
Isto porque a Terra não é uma, ou seja, não é igual. Ela é formada por raças e pátrias que são diferentes entre si. Por causa desta diversidade entre elas posso afirmar que as raças e as pátrias também são ‘lugares’ para trabalhar diferentes tipos de aspectos espirituais.
Se anteriormente comparamos um planeta a uma arena para a prática de determinado esporte dentro de um estádio (Universo), podemos dizer que a Terra como a pista para atletismo abriga diferentes modalidades de esporte. São corridas de grandes extensões ou rápidas; com obstáculos ou não.
Cada pátria ou raça é uma modalidade do mesmo esporte, ou seja, uma subdivisão dos elementos contidos no ‘banco de dados’ planetário. Isso ficará mais bem entendido daqui a pouco quando definirmos o ‘banco de dados’, mas por enquanto devemos ter em mente que o trabalho de elevação espiritual se divide dentro de aspectos macros e estes se subdividem em diversos outros aspectos.
Sendo assim, a Terra não é um planeta, mas um congregado de espíritos trabalhando determinados aspectos da existência espiritual e o Brasil, a Argentina e os Estados Unidos também não são países, mas ‘espaços’ que servem para que espíritos trabalhem determinados aspectos da existência espiritual.
Tendo anteriormente falado na existência de um ‘banco de dados’ para formação de egos que caracteriza universalmente aquilo que os humanos chamam de Terra, precisamos, agora, que dizer que existe um ‘banco de dados’ com a mesma finalidade que caracteriza cada país e raça conhecida pelos seres humanizados.
Sendo assim, ninguém é brasileiro, argentino ou americano, mas são espíritos ligados a egos que foram abastecidos com ‘verdades’ retiradas destes ‘banco de dados’. Ninguém é preto, branco ou amarelo, mas cada um destes possui em seu ego comandos que foram retirados de determinados ‘bancos de dados’ que são subdivisões do central (o do planeta).
Mas, quando falamos em ‘bancos de dados’ não podemos pensar macro, pois existe diversas micro características que são retiradas de outros bancos. Além de pensar na pátria, temos que pensar nos regionalismos presentes nos próprios países e raças.
No caso do Brasil, por exemplo, as regiões norte, nordeste, sudeste, centro e sul concedem àqueles que ali vivem características de personalidades completamente diferentes umas das outras. Estas características de personalidades servem como campo de algumas determinadas provas para o espírito.
Não paremos por aí, pois os estados, as cidades e os próprios bairros das cidades são campos de trabalhos para determinados aspectos da elevação espiritual já que criam coletivamente determinadas características nas personalidades de seus habitantes. Por este motivo, afirmamos que também se constituem em micro banco de dados onde estão à disposição do espírito comandos para serem agregados aos ‘programas’ de seus egos para o trabalho espiritual.
Mas, se estamos falando de personalidades não podemos esquecer outros aspectos que influenciam nela além da questão geográfica. É o caso da profissão que se vivencia, do sexo, do casamento ou não, da maternidade ou paternidade ou não, etc. Chamo a isso de ‘papéis’ exercidos por espíritos durante a encarnação e que criam comunidades que possuem personalidades iguais.
Uma mãe, por exemplo, é sempre uma mãe. Existem traços que são comuns a todos os espíritos que exercem o papel de ‘mãe’ durante a encarnação. Estes traços estão presentes em micro ‘banco de dados’ que servem para abastecer o ego do espírito durante a montagem da personalidade temporária com a qual irá vivenciar determinada encarnação. Mesmo coisas consideradas fúteis como torcer para um determinado time de futebol, cria comunidades com traços de personalidade iguais e cada vez que isso acontece serve como instrumento para a provação do espírito em determinado aspecto da elevação espiritual.
Com tudo isto que falamos, começamos a compreender aquilo que vocês chamam de ‘ego coletivo’ e que chamei de ‘banco de dados’ que abastece os egos humanos. Entendemos que ser humano, habitante da Terra, é estar ligado a um ego que contenha comandos retirados do ‘banco de dados’ terrestre e das micro divisões que ele possui: país, região, cidade, bairro e comunidades.
Podemos, então, dizer que um homem que tenha como profissão a medicina, seja brasileiro, more na cidade de São Paulo,em um bairro de classe alta é um espírito que está ligado a um ego que tenha comandos retirados de cada um destes micros bancos de dados. Ou seja, tudo isso é uma realidade ilusória criada pelo ego para que o espírito possa cumprir determinadas missões dadas por Deus para que ele alcance a felicidade que eterna que o Pai tem prometido.
NOTA: Esta afirmação refere-se ao ensinamento transmitido pelo Espírito da Verdade na pergunta 115 de O Livro dos Espíritos:
“115. Dos Espíritos, uns terão sido criados bons e outros maus? Deus criou todos os Espíritos simples e ignorantes, isto é, sem saber. A cada um deu determinada missão, com o fim de esclarecê-los e de os fazer chegar progressivamente à perfeição, pelo conhecimento da Verdade, para aproximá-los de Si. Nesta perfeição é que eles encontram a pura e eterna felicidade. Passando pelas provas que Deus lhes impõe é que os Espíritos adquirem aquele conhecimento. Uns aceitam submissos essas provas e chegam mais depressa a meta que lhes foi assinada. Outros só a suportam murmurando e, pela falta em que desse modo incorrem, permanecem afastados da perfeição e da prometida felicidade”.
Esta é a Realidade sobre a identidade criada a partir da união do espírito com o ego: comandos que possibilitam a execução de determinadas missões. A sua identidade atual (aquele que você imagina ser) é composta pelos comandos que retirou de micros bancos de dados para realizar a sua provação espiritual.
Não sei se me fiz entender porque o assunto é complexo e dificilmente poderá ser compreendido por inteiro. Não há possibilidade do espírito dominado pelo ego entender profundamente o como, por que, para que de tudo isso que estou afirmando.
Portanto, não queira entender profundamente o que digo. Saiba apenas que todos os traços de sua personalidade atual foram retirados de arquivos que estão vinculados ao banco de dados terrestre para que fosse criada determinada realidade ilusória com o objetivo de você, o espírito, aproximar-se de Deus e vivenciar a felicidade eterna. Para isso é preciso que você conviva com esses traços sem ‘ranger de dentes’.
Apesar de jamais poder ser compreendido por inteiro e profundamente o tema de hoje, continuaremos ainda falando dele para poder lançar um pouco mais de luz na sua realidade.
Até aqui conceituamos o ‘banco de dados planetário’ e suas subdivisões. Vamos, agora, aplicar estes conhecimentos à sua vida, à sua personalidade, pois o objetivo deste trabalho é conhecer a si mesmo.
Ontem definimos o ego como um programa de computador e hoje falamos que este programa é montado a partir de comandos que estão disponíveis em micros bancos. Ou seja, cada ‘papel’ que se representa no mundo carnal é originado em um ‘banco de dados’ que possui comandos que dão determinadas características de personalidade ao ser humanizado. Vou explicar melhor isso.
Quem trabalha ou conhece programação (fazer programas de computador) sabe que nem tudo precisa ser escrito. Existem mini programas que podem ser copiados e acoplados ao seu programa para poder se atingir determinados fins que se quer alcançar.
O espírito quando vai fazer o programa com o qual irá criar suas realidades, ou seja, quando escreverá o ego, define, por exemplo, que irá lutar contra a ação da personalidade temporária que lhe induzirá ao materialismo.
NOTA: Todo o ensinamento passado neste trecho da palestra parece coisa extremamente nova, sem ensinamentos que tenham o precedido. Mas, isso é irreal. Tudo aquilo que será falado aqui, de forma simplificada, foi comentado no da Vida Espírita, subtítulo Escolha das Provas, de O Livro dos Espíritos.
Para ilustrar e fazer referência, iremos, aos poucos, referindo-nos ao ensinamento do Espírito da Verdade.
“258. Quando na erraticidade, antes de começar nova existência corporal, tem o Espírito consciência e previsão que lhe sucederá no curso da vida terrena? Ele próprio escolhe o gênero de provas porque há de passar e nisso consiste o seu livre arbítrio”.
Este espírito, que já vive agregado ao orbe terrestre, irá procurar nos ‘bancos de dados’ disponíveis no planeta Terra os comandos relacionados com a luta ao materialismo, dentro da intensidade que ele quer trabalhar.
Vou a um exemplo mais prático para poder ser bem compreendido. No entanto, quero deixar bem claro que tudo que falarei a partir de agora é apenas exemplificação, pois verdades de um mesmo micro banco podem servir para diversas provações.
Sendo assim, se um espírito decide como gênero de sua provação atacar profundamente o materialismo buscará o banco de dados de um ‘país’ onde os comandos criem na personalidade que vivenciará durante a ‘encarnação’ um forte apego ao materialismo. Neste caso ele irá anexar ao seu ego comandos que estão disponíveis no banco de dados pátria rotulado como Estados Unidos.
NOTA: “260. Como pode o Espírito desejar nascer entre gente de má vida? Forçoso é que seja posto num meio onde possa sofrer a prova que pediu. Pois bem! É necessário que haja analogia. Para lutar contra o instinto do roubo, preciso é que se ache em contacto com gente dada à prática de roubar”.
Por que isso? Porque lá, notadamente, o materialismo, a paixão pelo mundo material, é muito forte. O espírito buscará, então, os comandos que já estão prontos e guardados sobre o nome ‘pátria Estados Unidos’ e agregará estes comandos ao ego de sua futura encarnação.
Quando isto é feito, ou seja, quando os comandos são agregados ao ego, cria-se, então uma realidade ilusória que será vivenciada durante a encarnação. Neste caso, o espírito que anexou os comandos do arquivo ‘pátria Estados Unidos’ terá, durante a encarnação a realidade ilusória de ‘nascer’ neste país.
Desta forma o patriotismo, orgulho patriota, com o qual os seres humanizados vivem não existe, não é real. Isto porque o espírito não escolhe pátria para nascer por achá-la bonita ou gostar dela, mas porque nela estão os comandos que se adaptam àquilo que ele quer vivenciar com o sentido de negar a realidade que está vivendo. A escolha dos programas fará, necessariamente ele nascer naquele país.
Depois disso o espírito escolherá ainda, cidade, estado, região, bairro e os ‘papéis’ que serão vivenciados naquela encarnação e as sociedades com o as quais conviverá. Mas não faz tudo isso aleatoriamente: todas as escolhas serão feitas a partir da determinação de lutar contra o materialismo, gênero inicialmente escolhido pelo espírito para servir de provação nesta encarnação.
NOTA: “269. A que se devem atribuir as vocações de certas pessoas e as vontades que sentem de seguir uma carreia de preferência a outra? Parece-me que vós mesmo podeis responder a esta pergunta. Pois não é isso a conseqüência de tudo o que acabamos de dizer sobre a escolha das provas e sobre o progresso efetuado em existência anterior?”
Da mesma forma, o espírito, antes da encarnação, não procura uma profissão pela própria profissão. Ele criará para o seu ego a ilusão de ser determinado profissional a partir da aglutinação de comandos de determinados bancos de dados ao seu ego.
No caso do nosso exemplo (um espírito que escolheu o gênero materialismo para lutar contra) ele poder ser médico, pois aqueles que exercem esta profissão têm a ilusão de ter o poder de dar a vida ou a morte. Ele pode ser um economista, que lida com o dinheiro e com a ganância sua e dos outros.
Enfim, o espírito vai a partir da idéia central de combater determinada atitude espiritual (ser materialista) buscar nos bancos de dados disponíveis no planeta programas que criem ilusões para que ele as vivencie. A partir da programação do seu ego formada por comandos dos bancos de dados do planeta Terra, o espírito vai criando o seu ‘destino’ na ‘vida’.
Então, o espírito escolhe comandos que estão rotulados como pátria Brasil e nascerá neste país. Escolhe o programa que represente uma sociedade carente, e nascerá numa favela. Escolhe um programa de busca de evolução material pelos próprios valores materiais e terá um como destino uma personalidade que pode ser definida como ‘um pobre soberbo’. Escolhe alcançar a vitória material (fama) para poder libertar-se do orgulho e com isso decide antes da encarnação que se ‘formará numa faculdade’.
Por isso lhes afirmo: o destino da vida material do espírito será escrito automaticamente de acordo com as suas escolhas para vivenciar esta ou aquela realidade. Escolhas estas que são opções de comandos que estão disponíveis nos micros bancos de dados do planeta Terra.
NOTA: Aparentemente esta informação leva àquilo que é conhecido como determinismo. No entanto, não é bem assim. Há outras opções que o espírito pode viver durante a encarnação além de ‘criar’ seu destino. Senão vejamos:
“851. Haverá fatalidade nos acontecimentos da vida conforme ao sentido que se dá a este vocábulo? Quer dizer: todos os acontecimentos são predeterminados? E, neste caso, que vem a ser do livre arbítrio? A fatalidade existe unicamente pela escolha que o Espírito fez, ao encarnar, desta ou daquela prova para sofrer. Escolhendo-a, instituiu para si uma espécie de destino, que é a conseqüência mesma da posição em que vem a achar-se colocado. Falo das provas físicas, pois, pelo que toca às provas morais e às tentações, o Espírito, conservando o livre arbítrio quanto ao bem e ao mal, é sempre senhor de ceder ou de resisti”. (O Livro dos Espíritos).
Podemos dizer, então, que as situações da vida são predeterminadas, mas que cada espírito vivendo a mesma realidade ilusória é livre para escolher se passará por ela na depressão do sofrimento, no êxtase do prazer ou ainda com a felicidade eterna que o Pai concede.
Quem vivencia as realidades ilusórias com a felicidade eterna são aqueles que foram chamados pelo Espírito da Verdade de submissos; quem vive tanto na dor quanto no prazer são os que passam pelas suas provações murmurando como foi falado pelo Espírito da Verdade na resposta à pergunta 115 que já citamos.
Volto a repetir: este assunto é extremamente difícil de entendimento por vocês, pois estou falando da vida de cada um.
Até hoje vocês imaginam que escolheram durante a encarnação ser e estar o que são e estão porque gostam ou tem ‘afinidade’ com estes elementos, mas isso é irreal. Tudo que você é hoje foi decidido antes da encarnação e não porque gostasse, achasse bonito, ou tivesse ‘afinidade’, mas para que provações fossem criadas e, com a vitória sobre elas, se aproximasse mais de Deus.
Alguém aqui falou que é geógrafo, mas isso é uma mentira. Ninguém é geógrafo; está geógrafo (vive a ilusão de ser) para vivenciar algumas realidades comuns à comunidade de geógrafos. Ou seja, o carma que esta profissão traz embutido em si.
Este conhecimento acaba, por exemplo, com todos os méritos que imagina ter por haver se formado na faculdade.
O mérito de ter estudado e se formado na faculdade não existem, pois você se transformou em geógrafo não quando se formou na faculdade, mas quando programou o ego desta existência com comandos que estavam arquivados no ‘papel profissão’ com o nome de geógrafo. Esta programação gerou a obrigação de, ilusoriamente, se formar numa faculdade. Portanto, a sua formatura não se deve a esforços humanos, mas a atitudes espirituais antes da encarnação.
Outra pessoa aqui presente, exerce a profissão de professora, ou seja, acha-se professora. Por isso imagina que tem que ‘ensinar os outros’. Mas isso é irreal, pois ser professora não é ensinar os outros, mas sim criar determinadas realidades ilusórias para que o espírito as vivencie e execute o seu trabalho de elevação espiritual.
Ou seja, esta pessoa não estudou para ter uma determinada profissão, mas para que fosse criado um papel ilusório nesta vida para que ela vivenciasse determinadas realidades que todos os profissionais desta área específica vivenciam.
Veja como esta compreensão mexe com suas vidas. Até hoje vocês tinham a ilusão que um espírito escolhia ser médico para poder ajudar os outros, mas isso é mentira, é ilusão, pois para o espírito dar a saúde material não é ajudar ninguém, pois ele entende que tudo que é material é maya. O espírito escolhe formar-se na faculdade de medicina porque vivenciar o ‘papel’ de ser médico durante a encarnação possui a prova que ele tem que fazer nesta ‘vida’.
Veja como este ensinamento altera suas existências. Tudo que vocês são hoje, tudo que vocês já foram até hoje, deixa de ter a razão que tem ou teve e passa a ser vivenciado com um outro sentido, com uma nova razão para ser.
Não mais ser médico para curar, mas para vencer as tentações que o ‘titulo’ de doutor lhe dá. Não mais ser professora para ensinar, mas para vencer as tentações que este título lhe dá.
Por isso que estou falando que tudo que disse hoje é de difícil compreensão, pois ele acaba com a sua vida como conhecida até então. Até ontem sua vida era uma, a partir de agora tem que ser outra, porque se inverteram os valores de tudo que você foi ou é, fez ou está fazendo.
Mas, não aplique isso apenas nos exemplos que estou dando, ou apenas às coisas consideradas como materiais. Mesmo para o trabalho espiritual este ensinamento é realidade.
Ser médium, por exemplo, é um ‘papel’ pré-escrito pelo espírito para si durante a encarnação. Ele não serve apenas para ‘ser instrumento de Deus para auxiliar o próximo’, mas também para vencer determinadas realidades criadas com o exercício da mediunidade: soberba, orgulho, vaidade, etc. Por isso tenha a certeza que você não é tão ‘bonzinho’ assim, ou seja, não escolheu ser médium para ajudar os outros, mas para fazer determinadas provações.
Veja como muda a vida. Altera tudo porque se aplica aos mínimos detalhes da sua existência. A partir da conscientização dele, ao invés de viver a sua profissão ou a sua masculinidade/feminilidade, passará a descobrir o que estas particularidades que vivencia hoje criam como prova para você, espírito.
Na prática, é isto que os ensinamentos dos mestres querem dizer quando aconselham aos seres humanizados a buscar dentro de si mesmo a elevação espiritual. Praticando este ensinamento vocês buscarão nas suas origens espirituais o que quer dizer ser homem ou mulher, ser mãe ou pai, ser filho ou neto e, com isso, deixarão de vivenciar estes papéis.
Como ensinou Cristo, vivendo a busca interior abandonarão pai e mãe, pegarão sua cruz e aí poderão segui-lo. No entanto, este abandono não se trata de algo físico, material, mas ele se origina com o fim da vivencia do ‘papel’ filho e o entendimento do que ele representa como prova nas suas vidas.
Quem conscientizar-se da Realidade, ou seja, da virtualidade das realidades criadas pelo ego, deixará de vivenciar a maternidade ou paternidade e passará a buscar o que esses papéis representam como provação para cada um. Só assim a pergunta ‘quem é minha mãe, quem é meu irmão’ que foi proferida por Cristo poderá ser respondida.
É deste o conhecimento que estamos falando hoje. É disto que estamos falando agora. Com ele, a sua vida vira de ‘ponta cabeça’ porque deixa de ser externa e passa a ser meditativa: uma vida onde você medita sobre os aspectos da vida e não os vivencia.
Participante.: O problema, então, é passar a se apegar ao conhecimento carnal ou material?
Não é apegar-se à nada, mas querer ‘ viver’. É ‘vivenciar’ os acontecimentos da vida como realidades externas à você.
O problema é você viver a maternidade, o ser professor, o ser homem ou mulher. Porque o espírito não é homem ou mulher, professor ou pai/mãe, mas, está estes elementos.
E está para que isso? Como uma prova seja proposta para você, ou seja, que realidades sejam criadas para que você não se apegue a elas.
O problema, portanto, é você querer viver a ilusão que o ego cria, a realidade ilusória que o ego cria. Isto é problemático para o espírito porque quando você vive a sua feminilidade, que é uma realidade ilusória criada pelo ego, já que não existe ‘espírito fêmea’, você deixa de fazer a sua prova.
Aliás, nem sabia que existia uma prova a ser vivida na sua sexualidade: como então realizá-la? Tudo isso porque se apegou ao ser feminino.
Vamos continuar ainda falando do ego, mas acho que devemos ficar ainda um pouco mais neste aspecto, pois ele é fundamental para a vida de um espírito encarnado. Este ensinamento explica tudo o que vocês estudaram até hoje a respeito de reforma íntima.
O que é ser e estar, o que é mudar-se, o que é aproximar-se de Deus, elevar-se espiritualmente: tudo está ligado à conscientização das realidades que vivem como provações.
Explica tudo. Explica o que é o sentido da vida. Quando eu digo que você não nasceu para viver a vida estou fundamentando-me neste conhecimento. Você não nasceu para viver a sua masculinidade ou feminilidade , mas nasceu para não vivê-las, ou seja, para entender que a sua feminilidade é uma realidade ilusória criada pelo à qual você precisa se libertar.
Participante: Nesta tentativa de não me deixar levar pelo ego e às vésperas de festividades tão comemoradas por todos nós, como são o natal e o ano novo, nesta minha luta para não vivenciar aquilo que a humanidade está vivendo nestes dias, o que está acontecendo é que estou caindo num vazio, que eu não consigo realmente entender isso tudo, mas também não quero fazer aquela comilança e aquele monte de presentes porque não acredito mais nestas coisas. Então, eu me acho perdida e com um fundo de tristeza muito grande sem saber o que fazer. Gostaria que o senhor falasse sobre isso.
Em seu Evangelho, na logia 002, Tomé nos ensina: ‘Jesus disse: aquele que procura, não cesse de procurar até quando encontrar; e quando encontrar ficará perturbado; e ao perturbar-se, ficará maravilhado e reinará sobre o Todo’.
Esta sensação de vazio que está sentindo hoje, é originada pelo fato do natal, como comemorado anteriormente, não ter mais sentido para você. Apesar desta consciência, você ainda não consegue interpenetrar no ‘Real’ sentido do natal. Ou seja, é o estado intermediário entre a sua materialidade e a sua espiritualização.
Isto é normal ocorrer para quem está ‘procurando’, pois a luta contra o ego é realizada paulatinamente e a vitória é uma conseqüência da persistência. Durante a luta, a primeira reação é sentir este vazio que você diz estar sentindo. Só que, a partir do momento que você encontra o vazio, tem que preenchê-lo com Deus e isso ainda é muito difícil para vocês.
A luta contra o ego não se vence em uma só batalha, mas há estágios que precisam ser vivenciados em seqüência. Primeiro você é humano, vive humanamente; depois começa a compreender a necessidade da busca de espiritualizar-se e inicia, então, esta busca.
Com isso vai abandonando aos poucos a materialidade mas ainda não chegou à espiritualidade, ainda não encontrou Deus universalmente falando. Por isso surge o vazio. Mas, com a persistência na luta surge, então, o espiritualismo, a presença de Deus na sua vida e aí, então, poderá reinar sobre o Todo, pois está ligado ao Tudo.
Ficou claro?
Participante: Ficou, mas esta sua resposta não ajuda muito em como vou me comportar neste natal.
Os atos que você irá praticar neste e em outros natais já estão programados no seu ego desde antes do seu nascimento e eles acontecerão inexoravelmente da forma prevista. Você não pode, agora, agir de uma forma diferente.
Quando abordo a luta contra o ego, não estou falando de atos, de mudança de atitudes, mas mudar-se por dentro. Eu não disse que não pode haver comilança nem presentes no natal, pois se fizesse isso estaria dizendo que você pode alterar o seu destino.
Quem pratica estes atos durante o natal é porque o seu ego está programado para isso e terá que fazê-lo. O que venho insistindo sempre em dizer é que você, se quiser aproximar-se de Deus, não pode aproveitar esta época para buscar a felicidade material. Então, se fez a comilança, comprou presentes, louvado seja Deus.
Agora não acredite por dentro que isso é natal. Acredite que isso é a Márcia (personagem, ego) que está fazendo e não você, o espírito. Mantenha a sua comunhão apenas com Deus e não com o que está acontecendo, fazendo o que fizer materialmente (atos) durante estes dias, e, assim, terá conseguido superar o natal material.
Participante: Então, é negar tudo que se é?
Não é negar, é deixar de ser. São duas atitudes bem diferentes, porque negar algo é criar uma nova verdade e isso é impossível. Você será sempre quem programou para ser e nada poderá alterar isso.
Se a realidade hoje, por exemplo, é que você é professor, negá-la seria não mais exercer esta profissão. Isso não poderá deixar de ser, pois este é o papel pré-estabelecido por você antes da encarnação.
Por isso não é este o trabalho que estou falando que deve ser realizado. O que estou afirmando é que você, ao vivenciar o ato de ensinar, não se senta professor.
É bem diferente do negar. É a liberdade, a libertação do ser aquilo que o ego diz que você é.
Participante: O preconceito regional estaria no espírito ou seria uma criação do ego. Vou explicar melhor. Um chileno, por exemplo, tem preconceito do argentino; o baiano do pernambucano; o francês do alemão; e assim por diante. Este preconceito estaria no espírito e, portanto se nascesse ou não na Alemanha teria preconceito contra o francês, ou o preconceito está no ego e foi programado pelo espírito. Onde reside o preconceito?
O preconceito não está no espírito, nem no ego. O preconceito faz parte do ‘banco de dados’ de determinadas regiões, raças ou países. O espírito que vai vivenciar a prova de vencer o preconceito escolhe este ‘banco de dados’ justamente porque eles induzem naturalmente a ter esta lógica racional.
Sendo assim, o espírito não escolhe o povo que vai nascer ou de quem terá preconceito, mas os comandos pré-programados é que criam a lógica racional que o ser humanizado deve ser preconceituoso com este ou aquele outro povo. Depois da escolha, o espírito abastece o seu ego, o seu programa individual, com estes comandos e, só então, o preconceito estará presente no ego.
Desta forma, o preconceito originalmente não está nem no espírito nem no ego, mas num ‘banco de dados’. Ele também não se refere a uma outra raça por qualquer razão lógica, mas porque no ‘banco de dados’ que dá origem àquela raça existe a necessidade de receber o preconceito.
O espírito ao escolher determinados comandos absorve este preconceito e por isso tem a ilusão de nascer em tal país, povo ou raça e terá preconceito daquela outra que o comando manda ter. Mas estas coisas não conspurcam o espírito.
O espírito continua sendo o espírito, já que a sua Realidade é ditada pela consciência espiritual e esta não é afetada pelas verdades incluídas no ego. As verdades incluídas no ego são do ego e não do espírito.
Participante: Como fazer, se em casa só eu me interesso pelo trabalho do ecumenismo universal? Às vezes prefiro não assistir à palestra para não arrumar briga com a minha esposa. Ela diz que não está preparada para ouvi-lo e que eu estou virando um beato.
Elevação espiritual é a coisa mais individual que existe: você tem que tratar da sua e de mais ninguém.
Lembre-se que assistir ou não a palestra não depende de você, pois são atos, que não comandará. Por isso começo a resposta lhe dizendo: assistindo ou não, esteja em paz.
Ou seja, se hoje a sua realidade ilusória criou o assistir a palestra, louvado seja Deus. Agora, se amanhã a sua realidade ilusória não criar esta ilusão, louvado seja Deus também. Não a culpe por isso ou fique chorando pelos cantos, dizendo que você é um pobre coitado, que sua mulher não lhe compreende ou acusando-a de não quer evoluir.
Outro aspecto que devo lhe passar nesta resposta: você tem todo o direito de buscar a sua elevação espiritual, mas não tem o direito de cobrar dela que faça a mesma coisa.
Portanto, se estes ensinamentos lhe tocam, coloque-os em prática. Agora se não tocam a ela, dê o direito dela de não querer colocá-los em prática, inclusive quando brigar com você porque os está colocando em prática.
Saiba que o ato dela cobrar de você porque está colocando em prática, ou seja se tornar beato como falou, é direito dela. Aquele que vivencia aquilo que acabamos de falar entende que ela não está cobrando nada dele, mas que o seu ego, a partir de verdades que ele mesmo colocou lá, está criando racional e emocionalmente o se sentir cobrado.
Para que o ego faz isso? Como uma prova. Para ver se você vivencia cobrança ou não.
Então, é muito simples conviver com a situação que você está vivendo. Viva o que você tiver para viver sem acreditar que está vivendo, mas entendendo que em tudo está uma oportunidade para você dizer louvado seja Deus ao invés de ficar imaginando coisas.
Agora que já tiramos algumas dúvidas, voltemos ao nosso estudo.
Até aqui comentamos alguns aspectos das propriedades dos diversos ‘micros bancos de dados’ que compõem o planeta Terra (povos, raças, países e sociedades). Por exemplo, falamos que nos Estados Unidos o programa tem a propriedade mais forte do combate ao materialismo. Mas, não fizemos a análise global do planeta, ou seja, não falamos das propriedades que levam um espírito à encarnar na Terra.
Veja bem. Se você nasce em determinado país por um motivo, nasce primariamente na Terra também por um motivo e não por acaso. É sobre isso que eu queria falar agora agora: por que você está encarnado na Terra?
Compreender isto é fundamental, pois esta motivação primária para se encarnar na Terra é o fundamento, a ‘mãe’, que determina o seu atual estado de elevação espiritual. É fundamental se compreender também, porque são a partir desta característica primária que todos os ‘banco de dados’ (pátria, raça, povo, sociedades) com suas características se formam.
O desejo pela posse material, que está embutido em um ‘banco de dados’ é originado em alguma coisa, mas a fome, que está em outro, também é originada nesta mesma coisa, assim como a sensação de prazer é formada também a partir deste mesmo aspecto que comanda todas as realidades virtuais do planeta.
Desta constatação eu poderia dizer, então, que a característica do ‘banco de dados’ do planeta Terra é única para todos que estão encarnando aqui. Que a característica fundamental do ‘banco de dados’ planeta Terra é comum a todos que estão encarnados nela.
E, se anteriormente dissemos que não existe um ‘planeta Terra’ materialmente falando, mas um ‘espaço’ onde os espíritos trabalham o que vocês chamam de ‘mundo de provas e expiações’, a características do ‘banco de dados Terra’ é a determinante do ‘mundo de provas e expiações’, ou seja, é a determinante do seu grau de elevação espiritual.
Esta determinante, esta característica, nivela todos os espíritos que encarnam no planeta Terra, porque é comum a todos. Se não fosse, o espírito não estaria encarnando no planeta Terra, vivendo o mundo de provas e expiações: estaria em outro planeta, outro mundo.
Portanto, esta característica é fundamental de ser compreendida porque ela é a raiz de todas as ilusões que você cria, ou seja, ela é que dá origem e determina um sentido para tudo o que você vivencia.
Participante: Meu ego me diz para sentir atração por japonesas. Apesar de saber que o espírito não é mulher, nem japonesa, o fato de um espírito encarnar com esta característica não é uma forma que Deus encontra para aproximar dois espíritos em prova? Se aquele espírito viesse com outra roupa corporal iríamos nos aproximar e ser instrumento do carma do outro?
Volto a repetir: vocês continuam se prendendo em atos, em coisas materiais.
Você está querendo saber se deve continuar se aproximando de japonesas ou não, mas isso não interessa saber, pois você não se aproxima agora, durante a ‘vida’, de ninguém: o aproximar-se ou não já foi escolhido antes da encarnação.
O que você não pode, dentro da luta contra o ego, é vivenciar aquilo que acabou de dizer: ‘o seu ego lhe diz’, ou seja, acreditar na proposição feita pelo ego. Veja como você está aprisionado a esta identidade provisória…
Não lhe interessa o que o ego disser: se você está próximo de uma japonesa, louvado seja Deus, se não estiver, da mesma forma. Agora, acreditar que está em seu destino aproximar-se de orientais, isto é ilusão.
Foi o que respondi a quem me perguntou sobre negar. O trabalho não é negar nada, mas libertar-se. É não vivenciar o que o ego lhe diz, seja o que for, como real.
Se o seu ego lhe diz que deve gostar mais de japonesas e você acredita nisso, mas o seu ‘destino’ não faz isso acontecer? Lembre-se: os acontecimentos não dependem do que o ego lhe diz, mas sim daquilo que você programou para vivenciar em conjunto com a razão ou lógica ditada pelo ego.
Digamos que o ego lhe fale que você deve se aproximar de orientais, mas o que você escreveu para acontecer não seja isso? Ou digamos, até, que você tenha escrito se aproximar japonesas, mas se nenhuma delas, por opção sua anterior à encarnação, não ligar para você? O que acontece? Sofre.
Então, veja, não se apegue ao que você está vivendo, mesmo que seja aquilo que o ego lhe diz hoje como plenamente real, pois amanhã poderá não ser. Liberte-se da vivência do que o ego lhe diz e só assim poderá ser realmente feliz, independente dos acontecimentos e da razão que o ego impõe.
Não queria saber o porque do ego lhe dizer isso ou aquilo, pois tudo o que ele lhe diz tem só um fundamento: criar uma realidade, Neste caso ele está criando um desejo por japonesas para ver se você vivencia este desejo positivamente (querendo), negativamente (não querendo), ou simplesmente dizendo: ‘eu desejo e daí? Se acontecer aconteceu, mas senão acontecer, não aconteceu’.
Respondida à pergunta, vamos voltar a nossa conversa. Eu falei que existe um fundamento terrestre, ou fundamento do ‘banco de dados’ que vocês chamam Terra e que é o determinante da elevação espiritual de cada um.
Este fundamento é o individualismo. É o ‘eu’: ser, estar, querer para mim. Todo espírito encarnado no planeta Terra, ou seja, ligado a um ego terrestre, é por essência, individualista. Todo ego formado para vivenciar a vida carnal é essencialmente individualista, mesmo aqueles que dizem suplantar o ‘eu’, pois ao dizer que ‘eu suplantei o eu ‘, não suplantou nada, pois está preso à razão que lhe diz que suplantou.
Isto precisa ficar bem claro para aquele que pretendem realizar a libertação do ego.
Você pode ir se libertando, por exemplo, dos carmas ou das realidades de uma sociedade, mas enquanto não entender que a realidade societária nacional, de raças ou povos e tudo o que você vive é formado a partir de um individualismo não vence nada.
Não adianta querer ou imaginar que se libertou do doutor que ‘está’ enquanto ainda for o personagem que está vivenciando. Isto porque o individualismo que fundamenta todos os comandos do ego gerará outras programações onde ele estará sempre sendo a base das realidades.
Desta forma, afirmo que é preciso lutar contra as realidades que uma nacionalidade traz, mas acima disso é preciso lutar contra o ‘eu’ que é nacionalista.
Sendo assim pergunto: o que é esse ‘eu’ ou esse individualismo que estou falando? Ele é representado por todas as suas crenças, ou seja, ele é o formador e o organizador de toda programação do seu ego. Tudo que você vivencia enquanto subordinado ao ego é formado a partir deste ‘eu’, deste individualismo.
Por isso, tudo que você imaginar, ou tiver acesso pela razão ou pela emoção, liberte-se. Não adianta querer libertar-se apenas daquilo que acredita que deve se libertar, porque esta realidade ilusória que quer manter, ainda foi fomentada pelo ‘eu’, pelo individualismo, pelo que você acha das coisas.
Não adianta querer trabalhar determinados aspectos do seu ego, sem entender que a origem destes aspectos está no individualismo, porque se não vira hipócrita: continua preso no ‘eu’ dizendo que está livre do ‘eu’.
Então, veja, se nós definimos cada grupo de verdades que você possui como determinado aspecto criador de realidades para a sua existência, para sua encarnação, agora deixamos bem claro que estes aspectos só existem porque você ainda está totalmente preso no ‘eu’, ainda é individualista.
Participante: Mas para seguir numa profissão é preciso se aperfeiçoar. Como fica, então, esta questão frente ao que o senhor está dizendo?
Se aperfeiçoar em que? Em conhecimentos teóricos? Para que? Para trabalhar melhor? Mas, você não age, não trabalha… A ilusão que vivencia e entende como trabalhar, a realidade de que age, opera materialmente, foi criada pelo ego: ela não existe.
Uma professora, por exemplo, não leciona, pois lecionar, dar aulas, é ilusão criada pelo ego. Sendo assim, o desejo de ser uma melhor professora acaba.
Veja bem. Você não é uma profissional, está uma profissional como instrumento de criação de realidades para que se liberte de viver esta ilusão como real.
Sendo assim, não importa o quanto queira se atualizar, isto só ocorrerá, ou seja, você só vivenciará a realidade de estar se atualizando, na hora que estiver programado que isto aconteça.
Esta programação, no entanto, é feita antes da encarnação, não agora. Portanto, se tiver que vivenciar o ‘se atualizar’, isto não acontecerá por decisão atual, mas como realidade criada antes da encarnação.
Portanto, não se preocupe com o externo, não olhe para fora: olhe para dentro. Veja como você está vivenciando a necessidade de se atualizar, de se profissionalizar. Veja como está lidando com o ato de se aperfeiçoar ou não, com o ato de trabalhar ou não.
É para isso que você nasceu, não para realizar atos.
Participante: O espírito pode desencarnar e ficar preso ao ‘eu’ (ego) e permanecer assim no plano espiritual e, depois, reencarnar preso a este ‘eu’?
O espírito pode desligar-se da carne e permanecer ligado ao ego, ao ‘eu’, mas, neste caso, ele não desencarnou, pois desencarnar não é desligar-se da carne e sim do ego. Isto é uma realidade muito comum.
Agora, ele jamais poderá assumir um novo ego enquanto estiver vivenciando realidades criadas pelo anterior. O espírito não pode se ligar a uma nova personalidade enquanto estiver ligado a outra.
Ontem comentamos este caso e falamos que, quando o espírito não consegue retornar à sua consciência espiritual para preparar uma nova personalidade, existem mentores ou tutores nomeados pelo espírito quando ainda de posse da sua consciência espiritual para preparar esta nova ‘vida’. Este é o procedimento espiritual para esta reencarnação que você perguntou.
Desta forma, uma personalidade é ‘apagada’ e a outra, simultaneamente, é ligada. Isto acontece porque o espírito não pode ter o mesmo ego (personalidade) em duas encarnações.
Participante: Alguns livros espíritas falam de espíritos que foram médicos na Terra, continuam sendo médicos no plano espiritual e, quando encarnam, voltam a ser médicos. Neste caso, eles continuam presos aos egos? Não passaram nas provas? São outras provas ou são mistificações espíritas?
Ainda estão ligados a este determinado aspecto da programação como elemento construtivo de realidades ligadas a uma determinada essência. Ou seja, estes espíritos, ou alguém por eles, escolheram novamente a ilusão de ser médico para vivenciarem uma essência que pretendem combater durante a encarnação.
Não estão presos ao ‘eu’ anterior, mas continuam vivenciando a ilusão de serem médicos até que em determinado momento deixarão de sê-lo.
Participante: Quando o espírito se liberta do mundo de provas e expiações.
Quando acabar com o individualismo. Se o ‘eu’ ou individualismo é à base do mundo de provas e expiações, só quando o espírito acabar com ele poderá encarnar com um novo sentido, com uma nova batalha.
Participante: Acredito que nós não nascemos para praticar atos, mas vivenciá-los sendo espírito, como o senhor ensina, mas aqui no planeta é preciso praticar atos.
Você não nasceu para praticar atos, até porque pela explicação que dei ontem os atos não existem, mas sim uma ilusão de ação.
Você nasceu para compreender esta realidade do universo. Aliás, nem para isso, mas sim para colocar em prática esta compreensão, ou seja, a consciência de que você não age. Porque aprender, já aprendeu no plano espiritual.
Lembra-se que falei que os espíritos estudam observando os que estão encarnados, ligados ao ego? Então, você já sabe o que é se ligar ao ego e agir a partir dele, ou seja, ter a ilusão da ação. Só depois de tanto ver isso acontecendo e conscientizar-se da ilusão da ‘vida’ é que você cria um ego com o objetivo de libertar-se das ilusões que vive e faz isso conscientemente.
Esta é a realidade. Agora, quando você diz que é preciso praticar atos, eu digo que não. Isto porque a vida material não existe. Ela é uma série de realidades ilusórias criadas pelo ego.
Sendo assim, não precisa, por exemplo, haver o ato de um médico cuidando de um corpo, pois não existe o remédio, a mão do médico e o próprio corpo. A ‘cura’, se houver, não acontecerá por causa da ação destes elementos, mas por uma pré-programação.
Todos os elementos materiais são formados de fluído cósmico universal e suas ações são controladas por Deus e não por você, por qualquer outro espírito ou pelas propriedades dos elementos.
NOTA: Aqui citamos duas informações de O Livro dos Espíritos que falam exatamente da ação dos elementos materiais controlada pela Causa Primária de todas as coisas.
“007. Poder-se-ia achar nas propriedades íntimas da matéria a causa primária da formação das coisas? Mas, então, qual seria a causa dessas propriedades? É indispensável sempre uma causa primária”.
“Atribuir a formação primária das coisas às propriedades íntimas da matéria seria tomar o efeito pela causa, porquanto essas propriedades são, também elas, um efeito que há de ter uma causa” – comentário de Kardec à resposta 007.
“009 – Em que é que, na causa primária, se revela uma inteligência suprema e superior a todas inteligências? Tendes um provérbio que diz: pela obra se reconhece o autor. Pois bem! Vede a obra e procurai o autor. O orgulho é que gera a incredulidade. O homem orgulhoso nada admite acima de si. Por isso é que ele se denomina a si mesmo de espírito forte. Pobre ser, que um sopro de Deus pode abater”!
“Do poder de uma inteligência se julga pelas suas obras. Não podendo nenhum ser humano criar o que a Natureza produz, a causa primária é, conseguintemente, uma inteligência superior à Humanidade. Quaisquer que sejam os prodígios que a inteligência humana tenha operado, ela própria tem uma causa e, quanto maior for o que opere, tanto maior há de ser a causa primária. Aquela inteligência superior é que é a causa primária de todas as coisas, seja qual for o nome que lhe dêem” – comentário de Kardec à resposta 009.
Apesar destas afirmações tão contundentes, como diz o Espírito da Verdade, o homem orgulhoso nada acredita haver acima dele, mesmo que tenha tido acesso a estes ensinamentos. Deturpa-os para continuar mantendo o ilusório poder de se sentir a ‘raça forte do planeta’.
Quando este ilusório poder é contestado através da Natureza (acontecimentos da vida) o homem acusa o próximo ou credita ao acaso, sorte ou azar a origem dos acontecimentos sem, no entanto, jamais dar a Deus a função de Causa Primária de todas as coisas. Para estes mais um recado do Espírito da Verdade e de Allan Kardec:
“008. Que se deve pensar da opinião dos que atribuem a formação primária a uma combinação fortuita da matéria, ou, por outra, ao acaso? Outro absurdo! Que homem de bom senso pode considerar o acaso um ser inteligente? E, demais, que é o acaso?Nada”.
“A harmonia existente no mecanismo do Universo patenteia combinações e desígnios determinados e, por isso mesmo, revela um poder inteligente. Atribuir a formação primária ao acaso é insensatez, pois que o acaso é cego e não pode produzir os efeitos que a inteligência produz. Um acaso inteligente já não seria acaso”.
Se você não tem que ‘agir’ durante a vida, o que tem que fazer? Libertar-se da ilusão da ação e dos valores que são aplicados a ela no seu mundo interno pelo ego. Ou seja, se médico, deixar o médico agir e lutar para não se ‘sentir médico’ e nem acreditar na cura ou na doença.
Participante: Voltando ao assunto da profissionalização, a gente fica insegura com o seu ensinamento para viver a ‘vida’.
Você não fica insegura, quem criou esta sensação foi o ego. Pare de se sentir insegura, pois você nasceu para vencer esta emoção racional que o seu criador de realidades levou à sua consciência.
É isso que estou dizendo o tempo inteiro. Volto a repetir: este ensinamento se aplica à tudo da sua vida, à tudo que compreender racionalmente e sentir emocionalmente. Nada disso existe, são realidades ilusórias criadas pelo ego para que você vença a tentação de vivenciá-las.
A insegurança que você falou que sente com relação ao seu futuro se colocar em prática o ensinamento não existe: é maya. O ego a está criando e você está vivendo o que o ego cria, dizendo que é seu.
Participante: a partir destes ensinamentos, qual a diferença entre o veneno e o remédio, se tudo é fluído cósmico universal?
Nenhuma. A programação que está no ego é que faz surtir uma determinada realidade ou ilusão.
NOTA: Mais uma vez reforçamos o ensinamento da espiritualidade com informações anteriores repassadas pelo Espírito da Verdade através de O Livro dos Espíritos.
“0031. De onde se originam as diversas propriedades da matéria? São modificações que as moléculas elementares sofrem, por efeito da sua união, em certas circunstâncias”.
“0032. De acordo com o que vindes de dizer, os sabores, os odores, as cores, o som, as qualidades venenosas ou salutares dos corpos não passam de modificações de uma única substância primitiva? Sem dúvida e que só existem devido à disposição dos órgãos destinados a percebê-las” (grifo nosso).
“0033. A mesma matéria elementar é suscetível de experimentar todas as modificações e de adquirir todas as propriedades? Sim e é isso o que se deve entender, quando dizemos que tudo está em tudo” (grifo do original).
Apesar de, aparentemente, o ensinamento agora trazido pela espiritualidade parecer novo, pelas respostas do Espírito da Verdade podemos constatar que se trata, apenas, de aprofundamento de um ensinamento anterior que agora, com novos conhecimentos científicos, pode ser entendido.
Que estes ensinamentos eram verdadeiros e que um dia seriam complementado Kardec sabia e por isso afirmou:
“O oxigênio, o hidrogênio, o azoto, o carbono e todos os corpos que consideramos simples são meras modificações de uma substância primitiva. Na impossibilidade em que ainda nos achamos de remontar, a não ser pelo pensamento, a esta matéria primária, esses corpos são para nós verdadeiros elementos e podemos, sem maiores conseqüências, tê-los como tais, até nova ordem” – comentários à resposta 33.
Apesar da compreensão sobre o tem ser, portanto, velha e fazer parte de doutrinas religiosas, o homem não consegue aceitá-la como Real e ainda se choca quando a Verdade lhes é exposta. Por que? Porque não coloca em prática outro ensinamento do próprio Kardec ao comentar uma resposta do Espírito da Verdade:
“Quanto mais consegue o homem penetrar nesses mistérios, tanto maior admiração lhe devem causar o poder e a sabedoria do Criador. Entretanto, seja por orgulho, seja por fraqueza, sua própria inteligência o faz joguete da ilusão. Ele amontoa sistemas sobre sistemas e cada dia que passa lhe mostra quantos erros tomou por verdades e quantas verdades rejeitou como erros. São outras tantas decepções para o seu orgulho”.
Como o homem não se admira do poder e da sabedoria do Criador ao vivenciar os acontecimentos da vida, mas liga-se apenas à ciência, se choca com tudo aquilo que é revelado e que está acima dos limites científicos. Mas, para aqueles que, mesmo depois de tantas constatações ainda estão incrédulos com este ensinamento, outro recado do Espírito da Verdade e de Allan Kardec:
“0020. É dado ao homem receber, sem ser por meio das investigações da Ciência, comunicações de ordem mais elevada acerca do que lhe escapa ao testemunho dos sentidos? Sim, se o julgar conveniente, Deus pode revelar o que à ciência não é dado apreender”.
“Por essas comunicações é que o homem adquire, dentro de certos limites, o conhecimento do seu passado e do seu futuro”.
Se o ego está programado para a fusão de fluído cósmico percebido como elemento químico com a daquele que é percebido como corpo para criar uma ilusória ação de ‘cura’ ele agirá assim, mas, se não estiver criará a ilusão da doença e até da morte.
É por isso que Kardec ensina e a ciência comprova que existem elementos que ao mesmo tempo curam ou podem matar. Isto porque a ‘ação’ não depende do elemento, mas sim das programações do ego, das criações de realidades por parte do ego.
Vê como algumas coisas do mundo material que são incompreensíveis para vocês agora passam a fazer sentido? Quando nos libertamos da ilusão da ação e retiramos do elemento material a causa primária das coisas, entendemos que tudo que acontece é uma realidade ilusória criada pelo ego. Podemos, assim, entender porque no mundo, às vezes, dois mais dois não dá quatro.
Participante: O senhor falou a pouco que o planeta Terra é um banco de dados que é igual a todos os habitantes do mundo de provas e expiações. Porque então o mesmo programa de veneno mata uns e não provoca essa ação a outros?
Porque não é o veneno que mata, mas a programação do ego.
O ego cria a ‘morte’, não é o veneno que mata. O ego cria a ilusão de ação ‘morte’ e você, que está preso à ilusão da vida como realidade, diz que foi o veneno que matou mas, quem matou e criou a realidade ilusória de morte, foi o ego.
Participante: O veneno no caso seria…
Um programa agindo em cima de outro programa.
Participante: Seria uma desculpa para o desencarne do espírito.
Seria uma desculpa para criar a realidade ilusória do desencarne do espírito. Não seria para fazer o desencarne, mas para criar a ilusão de que ele desencarnou.
Veja se o que está acontecendo com minhas respostas não é aquilo que conversamos anteriormente: viramos a sua ‘vida’ ao avesso, ou seja, a partir de hoje, se aplicado o ensinamento, tudo tem que ser diferente, vivenciado de forma diferente.
E, esta nova compreensão que estamos falando, pode ser muito melhor entendida depois desta série de perguntas. Com ela entendemos que deve acabar a preocupação de se especializar ou a angústia de se buscar a elevação espiritual. Mas, isso precisa ser trabalhado incansavelmente, pois, mesmo tendo acabado de dizer que tudo que sentem é o ego que cria, as pessoas ainda me dizem que ficam angustiadas em não agir.
Como eu disse, todo este ensinamento é muito profundo e mexe em tudo que você vivencia.
Participante: Estou às voltas com um ratinho em minha casa e não estou com vontade matá-lo. Descobri que ele estava comendo a ração dos meus cachorros, ou seja, seria este o motivo para ele nos visitar todas as noites. Então, tirei a ração daquele lugar. Pergunto: isso provocará a ida definitiva deste bicho para o mato que é onde eu acho que ele mora?
Essa ação de ‘ver’ o rato, dele ‘estar’ na sua casa, de estar ‘comendo’ qualquer coisa e de você imaginar que o rato está na sua casa porque tem comida, é tudo ilusão, é criação do seu ego.
O seu ego ‘criou’ o rato e a ilusão de ele estar lá porque tem comida ao seu alcance, mas nada disso é real. E será o seu ego que criará a realidade do rato ir embora ou não e não ação dele.
Participante: Mas eu não sei fazer isso.
Vou explicar como fazer e para tanto entrarei em um novo assunto, em um novo aspecto de nosso estudo.
Ontem eu disse que o ego não poderia ficar somente ligado no mundo interno, ou seja, criar realidades racionais. Seria preciso que no mundo externo houvesse uma movimentação com a participação de outras formas para criar uma ilusão de ação para que o ego criasse uma razão
Aí me perguntaram: mas como ele faz isso? Eu disse que o ego agiria chamando, no universo, outros espíritos com egos programados para serem instrumentos de ações ilusórias com as quais ele precisa interagir. E aí, pela lei da interação, um se juntaria frente ao outro.
A partir daí, podemos entender que o fato do rato estar na sua casa, ou seja, o fato da criação da ilusão de que há um rato se origina num pedido feito pelo seu ego para que o espírito ligado a um ego de rato estivesse lá.
Participante: Esse pedido foi feito quando?
Não há tempo, não existe o tempo, então, não há como mensurar.
Participante: Pergunto se foi uma programação antes da encarnação ou depois dela…
Pode ter sido antes ou agora.
Participante: E onde fica o livro da vida, a pré-programação nisso que o senhor falou agora?
Ficaria no que sempre ficou. Antes de encarnar você pediu determinada essência de prova. Ela terá que acontece. Agora, se o instrumento que agirá para a criação desta essência de prova é ilusoriamente percebido como uma girafa ou um rato, isso é outro detalhe. O que preside a criação da ilusão da ação não é a cena, mas a essência dela.
Voltando à explicação da presença ou não do rato, no momento que estava falando da interação entre os elementos me perguntaram também: mas, como o espírito pede ao mundo, ao universo e como ele sabe que ela precisa e encaminha? Para responder isso, eu vou entrar em novo aspecto de nosso estudo.
Lá atrás definimos o ego como um programa de computador, ou seja, como pré-programações que reagirão de determinada forma a um comando. Eu disse assim: o ego é como um programa de computador que faz, ao você apertar a tecla ‘a’, aparecer o desenho deste símbolo no visor.
Mas, para que isso aconteça, é necessário que alguém aperte a tecla. Ou seja, dentro desta nossa figura, o Universo é o computador, cada ego é um programa que roda dentro dele, mas é necessário haver um operador que faça os programas interagir criando as realidades ilusórias ou virtuais.
Pois bem, este programador é Deus. É Ele que ativa a criação das ilusões das realidades ilusórias de acordo com o programa de cada ego.
Portanto, dentro da pergunta que me foi feita (como o ego conclamou ao universo a presença do rato e como ele apareceu) respondo, agora, que Deus ativou determinadas ordenações do programa deste ser humano e do rato, fundindo, assim as realidades ilusórias que cada um (você e o rato) vive numa só.
O rato, então, não está na sua casa porque não tem o que comer , mas sim porque Deus ativou determinada ordenação no ego dele e esta realidade se criou. Isto porque aquilo que é realmente o ‘rato’ (espírito) não está aqui nem acolá, mas está no único ‘lugar’ que existe: o Universo.
Da mesma forma, o rato não irá embora por livre e espontânea vontade, mas porque Deus comandará através de determinada ordenação do programa para acabar com esta ilusão, com este ato ilusório.
Se isto se aplica ao rato, aplica-se também a você. Será Deus que a fará deixar de ‘perceber’ o rato e, então, o ego lhe dirá que ele foi embora e você, que vive aprisionada ao que o ego diz, acreditará nisso.
Esta é a Realidade e o ensinamento máximo trazido pelo espírito da Verdade: Deus é a Causa Primária de todas as coisas. Isto porque quando falamos que cada espírito ligado a um ego tem uma programação individual e que elas se interagem, não podemos nos esquecer que precisa haver o Operador que conecta todos os programas de forma que a Justiça e o Amor sempre imperem no Universo.
Um Conector que faça o ego que precisa viver a ilusão de ser agredido interagir, numa ilusória realidade, com aquele que tem o ego que está programado para agredir. Somente Deus pode ser este Conector, pois é a Inteligência Suprema, ou seja, a capacidade suprema de compreender as coisas, e porque Ele é Onipresente, Onisciente e Onipotente.
Isto é Deus: A Inteligência Suprema, que julga com a Justiça Perfeita e o Amor Sublime e que possui a Onipresença, Onisciência e a Onipotência. Por isso Ele é Causa Primária de todas as coisas.
Mas para exercê-la, Deus não precisa trazer um espírito de lá até aqui, ou levá-lo daqui para lá, como vocês acreditam por estarem aprisionados à ilusão da ação como real. Saibam, que o espírito não se mexe, não se movimenta: vivencia ilusões de movimentação.
O espírito está ‘parado’ no mesmo lugar sempre, já que o tempo e o espaço são elementos do ego e não do mundo espiritual. Ali parado, ele vivencia, em conjunto com outros espíritos ligados a egos, as viagens, os passeios e toda movimentação que faz.
Tudo ‘realidade virtual’: ilusões de movimentações vivenciadas sem sair do lugar. Vou criar uma figura apenas para vocês poderem compreender o que estou falando. O espírito está ‘sentado’ em uma cadeira na frente do computador utilizando uma máscara (ego) que o faz vivenciar uma realidade virtual de um ‘cenário’ da ‘vida humana’.
Sempre que ele se locomove nesta realidade virtual, não há movimentação do espírito, mas Deus é que aperta determinado botão e um novo cenário é criado. Você, portanto, não se locomove: toda movimentação é criação ilusória do seu ego.
Volto a repetir para ficar bem claro: tudo que você acredita hoje é ilusão, são realidades pré-fabricadas por Deus, Causa Primária de todas as coisas, comandando o funcionamento do seu programa individual ou ego.
Você, que acredita na carne, no carro, no locomover-se, mas isso não existe: são realidades virtuais criadas por Deus utilizando os comandos do seu ego.
Sendo assim, para juntar duas pessoas Deus não traz ninguém de lá para aqui, mas, permanecendo o espírito em seu ‘lugar’ no Universo, Ele junta realidades virtuais, ou seja, faz cada programa interagir com o outro. Os egos estão interagindo, mas você, o espírito, está lá ‘sentadinho’ no seu canto assistindo a tudo isso.
Abismado? Incrédulo? Deixe-me dizer uma coisa: esse conhecimento é antigo para os seres humanos, principalmente para os espíritas.
No livro ‘Nosso Lar’, de André Luiz, este mentor ensina isso, de forma figurada. Ele narra que entrou numa enfermaria com milhares de macas, onde percebeu um espírito deitado em cada uma. Reparou, também, pelas ‘feições’ de cada um, que eles estavam vivenciando no seu inconsciente alguma coisa.
Aí André Luiz pergunta ao seu mentor: o que está acontecendo? O mentor responde: são os espíritos vivendo a vida deles.
Como eu disse, isto é uma figura, já que não existem macas ou enfermarias, mas serve para vocês compreenderem o que estou dizendo. Cada um dos espíritos aqui encarnados, é um daqueles que está deitado em uma maca, vivendo realidades no inconsciente espiritual, achando que está ‘consciente’.
E Deus opera tudo isso, cria todas essas visões inconscientes para o espírito e ele, que está inconsciente de ser espírito, vivencia como realidade.
É por isso que se diz que muitos dizem que o espírito está adormecido durante a encarnação. Isto é Real, mas não é o espírito que está adormecido, mas a ‘consciência espiritual’ desse, o formador de realidades espirituais do ser universal é que está adormecido.
O que está funcionando (‘acordado’) é o criador de realidades temporárias, vulgarmente conhecido como ego. E você, por não entender que é o espírito e que, portanto, está adormecido, acredita neste criador de realidades.
Com isso, encerramos a transmissão dos ensinamentos necessários para o conhecimento do ego.
Descobrimos como é ego, como ele é formado, que verdades são usadas para formá-los e entendemos, agora, como ele funciona, ou seja, como cada ego cria uma realidade a partir de um comando de Deus, a Causa Primária de todas as coisas. Dentro desse nosso estudo, amanhã vamos usar tudo isso e descobrir o que fazer para se libertar de toda ilusão que vivemos.
Participante: Esta semana estava em uma loja quando pratiquei o ato de enfiar a mão no bolso. A partir daí a vendedora ficou me vigiando. Eu tinha que vivenciar esse mal-estar de se sentir ladra por outra pessoa?
A compreensão de que você foi avaliada como ladra, não é real: foi seu ego que criou. Ela pode não ter existido por parte da vendedora, mas apenas como um mundo interno seu criado pelo seu ego.
Estou dizendo isso a partir de tudo que conversamos ontem e hoje. Aliás, aplicando-se estes ensinamentos, você e a vendedora não estavam na loja, já que a própria loja, os objetos que lá existem, você e ela não existem: são realidades ilusórias criadas pelos egos que interagem segundo uma virtualidade criada por Deus.
Esta compreensão foi criada por seu ego porque você pediu para que em determinado momento vivenciasse esta compreensão e Deus montou todo o ‘cena’ para que seu pedido fosse atendido.
Então, sim, era para você vivenciar isso. Para que? Para não viver isso.
Para dizer que você não é você, que não estava com a mão no bolso, que não estava vendo a loja, que a vendedora não existe e por isso não pode compreender nada. Ao invés de fazer tudo isso, para aproveitar este momento, deveria ter dito ‘louvado seja Deus’, ao invés de viver a chateação porque imagina que passou.
Ou seja, tudo foi criado para você não viver o acontecimento, mas sim a compreensão de que aquilo foi criado como um dos instrumentos de criação de realidades ilusórias, das quais você deve se libertar.
Será sobre isso que falaremos amanhã: como fazer para deixar de viver a realidade ilusória. A partir do momento que descobrimos o que era possível sobre a criação e o funcionamento do ego, agora é preciso saber como se libertar.
Participante: Se o espírito não está vivendo o acontecimento, onde afinal ele está?
O espírito está no único espaço que existe: o Universo.
Mas, o Universo não é o que você entende como tal: sóis, planetas, estrelas, etc. Por isso, ao responder desta forma não estou lhe respondendo verdadeiramente. Para ser preciso, tenho que dizer que o espírito está no nada.
Este nada, no entanto, não é um vazio, mas alguma coisa desprovida de qualquer elemento que você possa compreender. Ele é alguma coisa, mas aquilo que ele é, é incompreensível para você.
Participante: Estão corretos os indianos que dirigem sem se preocupar com os sinais de trânsito, uma vez que, se tiver que haver um acidente de trânsito, eles não poderão evitar. Esta forma de comportamento seria uma libertação do ego?
Não. Estão corretos os indianos que dirigem sem se preocupar com o sinal, mas também estão corretos os brasileiros ou o povo de qualquer outro país, que dirija se preocupando com o sinal. Isso porque o ato em si está sempre correto.
Observar o ato para julgar o que você quer (ser liberto do ego) é uma incompreensão dos ensinamentos, pois estou falando de libertar-se do mundo interior, das compreensões que o ego dá para cada um e não de atitudes.
Eu não posso julgar pelos atos porque não sei se esse indiano que não presta atenção no sinal ou se o brasileiro que presta estão vivenciando o ato achando que estão dirigindo. Achando que eles estão respeitando ou não o sinal. Volto a dizer, não é o que você faz, mas como se relaciona coma ilusória ação que o ego cria.
Como eu disse, cada região, cada povo tem um programa. No programa do indiano, para vencer determinadas coisas, está escrito que ele não respeitará sinal e no programa do brasileiro está escrito que ele respeitará. Por isso cada um age como age e não porque ele está fazendo ou deixando de fazer.
Então, todos os dois estão corretos nos seus atos, pois seguem os seus programas. Agora, a forma como interagem é outra história. Tem indiano que interage com isso de uma forma liberta, assim como tem brasileiro que também faz isso.
O aproveitamento das oportunidades é individual, é de cada um. Não podemos julgar o resultado da libertação do ego por uma raça, ou seja, querer dizer que uma raça é superior à outra porque pratica determinados atos, porque não existem raças, mas provações coletivas para os espíritos.
Participante: No caso do livro ‘Nosso Lar’ que você falou, um desencarnado que está numa maca está vivendo uma ilusão, mas André Luiz vendo os espíritos na maca também não está vivendo uma ilusão?
Antes de lhe responder deixe contestar uma coisa que você disse. Na verdade, não é um desencarnado que está na maca, pois encarnado é aquele que está vivendo as ilusões criadas pelo ego como realidades.
O desencarnado estaria consciente de ser espírito: não estaria dormindo em uma maca. Portanto, são espíritos encarnados que estão dormindo na maca.
Respondendo agora sua pergunta, sim, André Luiz está usando um ego para poder ver tudo o que enxergou, inclusive o espírito. Digo isso porque nenhum ego humano é capaz de enxergar este elemento o Universo. Espírito é um brilho, um clarão, que não pode ser percebido por nenhum criador de realidades humanas.
Sendo assim, quando André Luiz vê o espírito, as faces destes e as macas, ainda está traduzindo o intraduzível para uma forma ilusória e isso denota que ele ainda estava ligado a um ego. Aliás, ele próprio se achar André Luiz já nos dizia que, naquele momento, ele ainda estava ligado a um ego: o ‘André Luiz’.
Por isso, quando citei o assunto, disse, que era só uma comparação para vocês poderem entender. Nunca afirmei que isso é a realidade. O espírito não está em nenhuma maca e nem em nenhum hospital, pois como disse agora a pouco, o espírito está no Universo e não em um determinado ‘lugar’.
Usei este exemplo só para você compreender o que eu quis dizer quando falei do caso daquela senhora com o rato. O espírito dela está, figuradamente, dormindo numa maca e o do rato em outra. Deus ativou os egos de cada um e criou, no inconsciente destes espíritos, estar na mesma casa, no mesmo ‘espaço físico’.
Se quiserem fazer mais perguntas…
Participante: Perguntar o que agora, se tudo é ilusão?
Para você compreender que tudo é ilusão.
Se você coloca, como estão colocando, acontecimentos e realizações materiais nas perguntas, mesmo que consideradas espirituais, dá a você mesmo a oportunidade de ouvir que aquilo é uma ilusão e, assim, vai alcançando o sentido abrangente de ilusão que estou afirmando existir.
Participante: Viver a ilusão não é problema, o problemático é se apegar a ela. Estou certo?
Não. Vivenciar a ilusão do ato não é problemático quanto à libertação do ego, mas, acreditar que está vivendo o ato é problema.
Vou dar um exemplo. Você come, ou seja, vivencia o ato de trazer o garfo com alimento até a boca. Isto não é problema. O problemático é acreditar que está se alimentando. Por quê? Porque o alimento não alimenta ninguém. Isto porque você não é o corpo e o alimento é para o corpo.
Aí está o problema: você achar que está vivendo aquele ato a partir das compreensões que o ego cria no seu mundo interno. O problema é você achar que, já que o ego lhe criou a realidade ilusória de um alimento entrar no seu corpo, acreditar que está se alimentando.
Acho que este exemplo deixa bem claro tudo o que disse. O problema não é segurar o volante de um carro e mexer para lá ou para cá, o problema é achar que está dirigindo.
Você acredita que está dirigindo porque o ego lhe afirma isso e, para confirmar, lhe mostra a sua mão mexendo o volante de um lado para o outro. Mas, quem está fazendo isso é Deus, ou seja, quem está dirigindo é o Pai e, tudo que você vê, lhe é criado pelo ego a partir da sua programação.
Aí está à diferença entre o que é ou não problemático. A diferença está em viver os atos, mas não vivenciá-los, não achar que é você que está fazendo. Aquele que alcança realmente a liberdade, ao estar vivendo a ilusão do ato, não vivencia aquilo que o ato diz que está vivendo.
Participante: É complicado…
É sim, é muito complicado. Por quê? Porque você ainda acha que você é você. Ainda acha que você é o ser humano, que é o fabricador de egos.
Por isso eu falei da raiz, do individualismo, o que se fundamenta no ‘eu’. Na hora que entender que não há um ‘eu’ para dirigir, deixará de viver o dirigir. Mas, enquanto achar que há um ‘eu motorista’ quererá ser aquele que dirige.
Só quando você anular o ‘eu’ poderá ver agindo.
Participante: A frase célebre ‘penso logo existo’, está equivocada? Deve estar incompleta, no mínimo.
Não, ela não está equivocada. Ela é humana. Para o ser humano, pensar é existir, mas para o espírito, pensar no sentido material não é viver. Aquilo que você chama de pensamento (formação de compreensões) sempre existirá, mas para o espírito eles possuem outros valores do que para os humanos.
Portanto, o problema não é pensar, mas como pensar: pense como espírito e viverá como espírito, pense como humano e viverá como tal.
Esta frase, como disse é humana. Mas, se a espiritualizarmos, ou seja, se usarmos a compreensão que estamos tendo a partir deste ensinamento, ela passaria a ter o seguinte texto: ‘eu existo como penso que sou’ ou ‘eu existo como penso que penso’.
Ou seja, se penso que sou humano existo como tal e o mundo existe como material; se penso como espírito, eu existo como tal e o mundo passa a ser espiritual.
Participante: O pensamento é dispensável?
Não. O pensamento não é dispensável. Ele é necessário, pois é o conhecimento racional que o ego lhe dá. Ele faz parte da criação da realidade.
Olhe para as paredes da sua casa. O seu pensamento lhe dirá que o que está percebendo é uma parede e que está pintada de tal cor. Isto é necessário para a evolução espiritual: a criação de uma realidade. Para que? Para que você possa exercer a sua espiritualidade e dizer que aquilo é uma ilusão na qual não acredita.
Portanto, o pensamento é necessário para que você se liberte, já que sem ele não existiria a criação da ilusão. Agora, ele não é necessário para o espírito apegar-se, mas sim para vencê-lo.
Participante: O que quero dizer é se o pensamento é dispensável ao espírito.
Não, porque sem ele não há prova. Ele é fundamental nessa fase de sua elevação espiritual.;
E não é dispensável, é necessário. Mas, não pode ser objeto de sua paixão, ou seja, você não pode se apaixonar por ele, acreditar nele.
Então ele não é dispensável, mas, também, é não confiável.
Participante: Quando desencarnar, como é? Deixo de pensar quando desligar do meu corpo?
Quando desligar do corpo não: só quando desligar do ego. Enquanto houver ego existirá pensamento.
Participante: E este processo vai até quando?
Até que você vença esta etapa e volte à consciência espiritual.
Participante: Isso ainda demorará muitas vidas…
Não, isso pode acontecer no final dessa encarnação.
Mesmo que você não consiga a liberdade total ao final desta encarnação, poderá voltar à espiritualidade de posse da sua consciência espiritual e não deste ego que usa hoje. Isto porque a sua consciência espiritual vai, ao passar por determinadas provas, se depurando.
Sendo assim, mesmo que você não se liberte- totalmente deste ego enquanto ligado à carne, mas tenha alguma consciência de que há um ego e que sua identidade espiritual é outra, que as realidades que está vivenciando são ilusórias e que há outra a ser vivida, poderá voltar à sua consciência espiritual depois do desligamento da massa física.
Aí poderá voltar a estudar, formar outro ego e encarnar novamente.
Participante: Os espíritas falam em fé raciocinada. Está coerente isso, então?
A fé raciocinada não é a fé de Cristo. Vou explicar esta afirmação.
No Evangelho do João há uma frase de Cristo diz. Ela é dita depois do episódio que é conhecido como Santa Ceia e momentos antes de ser preso. Sinto uma grande aflição, mas o que vou fazer. Dizer, Pai afasta de mim este cálice? Mas, eu nasci para isso. Pai glorifique seu nome em mim.
Repare bem nesta frase. Ela dita num momento onde a racionalidade de Cristo aponta para a aflição, ou seja quando o seu ego está criando uma realidade aflitiva. No entanto, o mestre reage a tal proposição com sua fé, ou seja, com a entrega total a Deus.
Veja bem: a fé de Cristo é fundamentada numa entrega total e absoluta a Deus, mesmo acima do que você chama de racional, razão. A personalidade, o ego Jesus Cristo tinha uma ‘razão’, uma lógica racional como a sua, mas ele exerceu a fé superando a própria razão.
Quando se fala em exercer uma fé raciocinada, a compreensão que nos vem é de que devemos subordinar a entrega a Deus (fé) à razão, à lógica humana, material, do ser espiritual. Se ela fosse usada por Cristo ele oraria a Deus pedindo que o afastasse da crucificação assim como qualquer humano faria, pois, ninguém em sã consciência se entregaria a uma cruz, se deixaria levar preso sem reagir sendo inocente.
Esta mesma oração libertando dos perigos foi sugerida por um ser humanizado (Pedro) ao próprio Cristo em outro momento e o mestre lhe respondeu: cala a boca Satanás, você está falando igual a um ser humano. Isto porque a fé de Cristo sempre maior que qualquer razão lógica humana.
Portanto, a fé raciocinada não foi ensinada por Cristo e não pode existir para aqueles que querem aproximar-se de Deus, pois se trata da fé subordinada ao que o ego diz, enquanto que a elevação espiritual é exatamente ao contrário. Completamente incongruente este ensinamento.
Mas, deixe-me dizer algo. Não há, nos ensinamentos do Espírito da Verdade, o aconselhamento desta postura.
Estudamos com este grupo todo ‘O Livro dos Espíritos’ e não há nenhuma informação do Espírito da Verdade que tenha nos levado a encontrar uma orientação para se raciocinar a sua entrega a Deus. Portanto, isto foi criado pela ‘doutrina espírita’ e não pelos espíritos.
Mas, o que é a doutrina espírita, senão também um ‘banco de dados’ de onde são retirados comandos que criam realidades ilusórias como prova para o espírito? Ou seja, um ‘banco’ de comandos para o seu ego, o criador de determinadas realidades?
Então, a doutrina espírita não está ‘certa’ ou ‘errada’ ao ensinar a fé raciocinada, mas o religioso que vive o que esta ou qualquer outra doutrina prega como ‘certa’ é que não está realizando o seu trabalho de elevação espiritual: deixar de viver o que o ego lhe diz.


