Palestra 03


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Vamos começar o estudo de hoje… Estamos falando sobre encarnação, que nós definimos como a grande aventura do espírito.

No primeiro dia, dissemos que encarnar não é vir à carne, mas ligar-se a uma consciência transitória diferente da real do espírito. Dissemos, ainda, que essa consciência é um conjunto de valores e verdades que geram a realidade ilusória que o espírito vivencia como real. OU seja, dissemos que enquanto ligado à consciência espiritual o ser universal vive uma realidade e depois que se liga à encarnação ou à consciência material ou ao ego, ele passa a viver outra realidade.

Depois conversamos sobre o ego. Dissemos que ele tem duas partes: a primeira é a técnica, aquela que cria a forma das coisas, ou seja, que dá forma da parede, da laranja, etc. Além da forma, a consciência transitória também cria na parte técnica o sabor, o cheiro e o som das coisas…

Sim, é o ego que cria o gosto da laranja. Na verdade a laranja é um acumulado de fluidos cósmicos universais que não possuem sabor ou odor… É o ego ou a consciência padronizada para a vida na Terra que faz o espírito vivenciar o fluido cósmico como uma laranja.

Sobre o ego dissemos mais: da parte técnica ele tem uma emocional. Definimos essas emoções geradas pela personalidade transitória como as sensações que o espírito sente quando ligado à carne ou ligado ao ego. Ou seja, afirmamos que é o ego que lhe diz que deve ficar triste, que você está com raiva, que está frustrado.

Este foi o resultado de nosso estudo sobre o ego: saber que ele é composto de duas partes. Uma que cria as formas das coisas e outra que diz com que emoção o espírito deve vivenciá-la…

Na verdade não dissemos que o espírito tem que vivenciar as formas criadas pelo ego vibrando dentro do padrão emocional que o ego cria. Afirmamos que o ser universal que vive ligado a esse ego deve escolher o seu padrão vibratório… Esta escolha, segundo o que afirmamos, consiste-se em optar pelo padrão emocional que o ego está criando ou vibrar universalmente, ou seja, com amor universal…

Vou dar um exemplo do que dissemos… Se o ego diz que o espírito está triste, ele não precisa necessariamente ficar triste. Na verdade, o ser universal pode escolher entre sentir-se triste ou não.

Por isso afirmamos que mesmo que a personalidade humana à qual o espírito esteja ligado esteja triste, isso não quer dizer que o ser universal que está vivenciando aquela encarnação também o está. Ele pode estar feliz na tristeza…

Ainda sobre este tema afirmamos: esta opção sentimental é o que comumente é chamado de livre arbítrio. O espírito tem o livre arbítrio de vibrar dentro do padrão sentimental imposto pelo ego ou de optar pelo universalismo.

O resultado desta livre opção do espírito gera, então, a realidade que este ser vive. Se o espírito, por exemplo, escolhe viver a tristeza que o ego está gerando, ele viverá uma realidade triste.

Mas, deixamos bem claro que o ego não cria esta tristeza aleatoriamente. Pelo contrário, ele age de uma forma padronizada de acordo com as necessidades da encarnação de cada espírito. Ou seja, ao gerar uma infelicidade a personalidade transitória está criando uma provação para o ser universal, pois está criando um dos pólos sobre os quais o espírito exercerá o seu livre arbítrio.

É por isso que algumas coisas para vocês, humanos, são tristes. Elas são deste jeito porque são situações criadas pelo ego para gerar ao espírito a oportunidade de cumprir uma das finalidades da encarnação: provar o que aprendeu na erraticidade…

Isso nós falamos no segundo dia. No terceiro falamos sobre reforma íntima e chegamos à conclusão que ela devia ser realizada dentro do ser (na sua escolha sentimental) e não através de atividades externas (ações). Depois definimos o que era essa reforma de dentro: não se subordinar às emoções que o ego cria

Para explicar bem esta reforma, dissemos que o ego, a partir de determinadas sensações, gera pensamentos que trazem a sensação do inconsciente para o consciente. Dissemos ainda que se o espírito se aprisiona a esta idéia não executa reforma alguma, mas que quem se reforma não se aprisiona a elas. Por isso concluímos que o espírito não é obrigado a sofrer ou muito menos a ficar alegre: ele simplesmente recebe a idéia de estar sofrendo sem sofrer.

Deste último conhecimento deduzimos que o que precisa ser feito pelo espírito durante o período que está ligado à consciência transitória (encarnado) é alcançar a liberdade das sensações propostas pelo ego. Não falamos em mudança, ou seja, em ficar alegre quando há a idéia de estar triste, mas sim em libertar-se da idéia de estar triste ou alegre…

Ou seja, falamos que o espírito deve simplesmente manter–se equânime, ou seja, na palavra de vocês, apáticos. Se o ego propõe prazer em algum acontecimento, o espírito deve ficar apático; se o ego propõe choro de dor, o espírito deve ficar apático.

Esse é o trabalho da reforma intima; esse é o objetivo do espírito empreender a grande aventura. Ele precisa aventurar-se na ligação com uma consciência diferente da dele que cria uma realidade ilusória simplesmente para provar que é capaz de optar pelo universalismo ao invés de vivenciar tudo o que a personalidade diz que é real…

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Para hoje prometemos começar a falar dos instrumentos para a reforma intima, ou seja, da espada que Cristo afirma ter trazido para que os espíritos matem o ego. Mas, antes de qualquer coisa, deixe-me esclarecer algo: o “matar” o espírito não está ligado a assassiná-lo, mas extingui-lo por inanição, ou seja, por não se deixar levar pelo que ele propõe como real.

Vamos, então, começar este estudo… Para isso pergunto: o que é um instrumento de reforma intima? Algo que lhe ajuda a libertar-se do ego.

Acho que isso é claro, não? Se promover reforma intima é libertar-se do ego, o instrumento da reforma intima tem que ser algo que vá ajudar o espírito a libertar-se da personalidade transitória…

O que o ego cria quando ele traz ao consciente uma parte técnica e um sentimento? O ego quando cria a parede e uma sensação com relação à ela, o que ele cria? Uma realidade…

O ego cria realidades, como por exemplo, “parede feia”. Esta idéia é o resultado da conjunção da criação técnica (parede) com uma emocional (feia). Esta idéia, quando chega ao consciente se transforma, então, numa realidade…

Mulher bonita, mulher que não presta, coisa velha, coisa nova, certa, errada, coisa bonita, limpa: tudo isso são realidades que criadas pelo ego e não realidades reais… Não são reais porque não existe a forma que está sendo adjetivada e nem o adjetivo que é aplicado. Isso porque o adjetivo é individual e no Universo apenas o que é universal é real…

Com esta simples observação, chegamos, então, a uma conclusão para algo muito discutido no planeta de vocês: se reforma íntima é libertar-se das realidades criadas pelo ego, ela se consiste em não acreditar nos adjetivos que o ego cria para as coisas…

Esse é o primeiro detalhe do estudo da espada que Cristo diz ter trazido…

Sendo a reforma intima a mudança com a sua relação como o ego e se o que o ego faz é criar realidades, ela consiste-se em libertar-se das realidades que o ego cria sobre as coisas. Simples, não?

Agora repare: não estou falando em mudar a realidade… Não se trata em, ao achar uma parede feia, passar a achá-la bonita. Isso porque parede não é feia e nem bonita: parede é parede. Parede é uma representação por formas do fluído cósmico universal. Sendo assim, o espírito precisa aprender a se relacionar com a parede que é criada pelo ego sem nenhuma opinião individual sobre ela…

Sendo assim, posso dizer que o espírito encarna para provar que é capaz de se relacionar com a parede e todas as coisas do mundo material em outros termos que não aqueles que o ego propõe.

Ficou claro isso? Não é apenas uma dedução óbvia de tudo que já estudamos em outros livros? Mas, não é isso que a cultura humana fala sobre o tema…

A cultura humana afirma que reformar-se é mudar a parede e as demais coisas do mundo. Ela diz que reformar-se é mudar-se externamente, ou seja, mudar as coisas do mundo. Isso é impossível e está fora do controle do espírito.

Como vimos, o espírito escolhe antes da encarnação o gênero de suas provações. Com isso ele cria um padrão personalizado de ser, pois a forma como ele será, ou seja, como “entenderá” as coisas do mundo é a sua provação. Se ele se mudasse externamente, ou seja, se tivesse idéias diferentes sobre as coisas, a encarnação não mais corresponderia ao gênero de provas pedido por ele mesmo…

Portanto, o que precisa mudar é a forma do espírito interagir com a parede no seu intimo e não mudar a parede ou qualquer outro elemento material.

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Por exemplo: muita gente diz que praticar caridade é doar um prato de comida. Se isso fosse verdade Cristo teria aberto um restaurante para dar comida de graça a todos. Mas, não foi isso que ele fez.

O quê que Cristo fez na verdade? Ensinou o espírito a vivenciar realidades diferentes daquela que está enxergando. Todo trabalho de Cristo é no sentido da construção de uma nova realidade a partir da fé em Deus. Quando o espírito usa a fé em Deus ao invés do que lhe vem à razão, todas as coisas deixam de ser o que parecem ser e ganham uma nova realidade.

É isso que é o trabalho da reforma intima: alterar a vida que o espírito vive, a forma como ele vivencia os valores da sua vida carnal e passar a viver tudo de uma forma equânime e com fé. Ficou claro isso?

Este é o primeiro aspecto que queria falar hoje. É importantíssimo tê-lo em mente antes de falarmos propriamente nas ferramentas, pois eles criam uma nova dimensão para as ferramentas que vamos comentar.

A partir dele podemos entender que as ferramentas para a reforma íntima precisam ser elementos que destruam uma realidade. Que destruam a realidade com a qual o ser humano vive. Mas além de tudo, as ferramentas têm que ser elementos que não criem uma nova realidade.

Ou seja, elas precisam destruir o feio da parede, mas não podem criar uma parede bonita. Precisam criar só a realidade parede, sem adjetivos, sem opiniões individuais.

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Vamos agora falar do segundo aspecto das ferramentas da reforma íntima. Aliás, este é um aspecto que em qualquer coisa da vida não vem ao mundo das idéias humanas.

Quando se propõe qualquer coisa ao ser humano, qual a primeira coisa que ele faz? Vai e faz. Ele não se prepara para fazer; sai fazendo.

Ele vai ao centro espírita e dizem: você tem que fazer reforma intima. Rapidamente sai correndo para fazer reforma intima. Mas, quando isso acontece, nada se, porque não houve uma preparação para fazer. Você precisa se preparar para promoção da reforma intima…

A primeira preparação necessária quando se fala em reformar-se, ou seja, mudar-se, é saber que a personalidade humana é uma coisa e precisa ser outra. Não é isso? Reformar-se não é isso: ser uma coisa e transformar-se em outra?

Para iniciar esta preparação, pergunto: o que é a personalidade humana, você, que um espírito vivencia hoje?

Como é que o espírito vai mudar se não sabe quem é a personalidade humana hoje? Como é que se parte para fazer uma reforma intima se não se sabe o que tem que se mudar em si mesmo?

Falo assim porque, mesmo que não veja isso, a personalidade humana sempre se considera certa em tudo. Mesmo que ela esteja errada, o ego cria um novo certo para que ela, então esteja certa…

Com a personalidade humana considerando-se certa e o espírito acreditando que isso é real, durante a reforma íntima não buscará libertar-se destas realidades. Só o que a personalidade humana, você o ser humano, considerar errado é o que espírito aceitará libertar-se.

Mas, como dissemos, o espírito não deve libertar-se apenas do “errado”, mas também do “certo” criado pelo ego. Ele tem que libertar-se de todas as idéias que o ego cria e não apenas daquilo que a personalidade humana diz que é “errado”: isso é reforma íntima…

Este é o segundo detalhe: o espírito precisa saber onde está agora a personalidade humana que vivencia na sua aventura. Ele precisa saber quem é esta consciência à qual está ligado para aí então pensar em libertar-se dela. Ou seja, mudar o que e para onde…

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Este é o segundo detalhe que precisamos conhecer antes de falarmos da espada crística: reconhecer-se, reconhecer o que na realidade é a personalidade transitória à qual está ligado…

Muitos querem fazer a reforma intima, mas não sabem quem é esta personalidade. Como libertar-se de alguma coisa se você ainda se considera “certo”? Como é que o espírito vai se libertar de alguma coisa se ele não sabe do que tem que se libertar?

Por isso, antes falarmos dos instrumentos da reforma intima vamos reconhecer qual é a situação atual de qualquer ser humano. Só depois de sabermos isso poderemos entender do que termos que nos libertar quando acabar a reforma intima. Apenas quando tivermos esta consciência poderemos, então, aprender a usar esses instrumentos.

Portanto, esses são os dois aspectos dos instrumentos que vamos falar hoje. A cada instrumento precisaremos falar o que é hoje o ser humano, como ele vive hoje e como deveria ser a existência dentro do universalismo.

Entretanto, ao abordarmos estes aspectos, não estaremos criticando o ego, o ser humano. Lembrem-se do que disse antes: o ego é minuciosamente preparado dentro das necessidades da aventura do espírito. Ou seja, quando demonstrarmos como são as realidades criadas pelo ser humano estaremos tendo sempre em mente que elas precisam ser assim para que o espírito possa, então, realizar a sua provação.

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Participante – Como se preparar para as mudanças?

É isso que nós vamos falar hoje.

Participante – Devemos procurar ouvir o que as pessoas dizem da gente?

Não, não precisa de tudo isso… Se você for se levar pelas pessoas vai acabar se tornando no que os outros querem e não no que Deus quer.

Nós vamos entender isso já, já.

Participante – Mudar para Deus. A mudança é mudar para Deus.

Sim, é mudar para Deus. Mas, veja: isso para nós ainda é muito inconsistente. Como mudar para Deus se nós não sabemos nem quem é Deus ou o que Ele é ou como Ele é? Temos noções; cada um tem uma noção individual sobre Deus, mas não O conhece na verdade… E, na verdade jamais O conheceremos através do mundo das idéias…

Tudo o que um espírito vivencia durante a encarnação, ou seja, quando não ligado à sua consciência primária, são as idéias que o ego cria sobre Deus e não a realidade do Senhor. Se a personalidade humana mudar esta idéia, a mudança do espírito ainda continuará presa a uma noção individual de Deus. Com isso ele não se muda, pois em essência continua acreditando no que o ego diz ser Deus.

Então veja: a reforma íntima consiste-se do espírito libertar-se do ego e mudar-se para Deus, mas sem esperar que a personalidade humana identifique o que é Deus para depois se mudar.

Respondendo-lhe, então, afirmo que reforma intima consiste-se na mudança para Deus, mas isso não deve levar ao apego do o ego diz que é Deus. É preciso que o espírito se conscientize que Deus é, no momento, algo inatingível, intocável e inexplicável, ou seja, um nada. A partir daí deve libertar-se de qualquer outra idéia que defina Deus…

Portanto, de nada adianta se apegar à idéia do ego que afirma que tais comportamentos denotam uma vivência com Deus. Como ele pode afirmar isso se nem sabe quem é o Pai e o que ele quer para um de seus filhos?

É justamente por acreditar nas idéias sobre Deus que o ego cria que o espírito apega-se à condenação do assassino. É a partir destas idéias que o espírito acredita que Deus não queria que o outro fosse assassinado. Será que Ele não queria mesmo?

Este é o problema da reforma íntima: o espírito quer se mudar para Deus, mas um Deus que seja compreendido através das idéias humanas. Só que quando faz isso não se muda para nada, porque continua apegado às idéias, mesmo que elas sejam diferentes de outras que a personalidade humana teve antes…

Compreenda: quem cria a realidade de um assassinato, por exemplo, de ter acontecido uma maldade, é o ego. No Universo de Deus não existe maldade, não existe dor…

Participante – Para nos despirmos do ego passaremos a ser o quê? Mestres?

Não, espíritos.

Participante – Só que espíritos mestres como são chamados, não?

Não, sendo apenas espíritos, ou seja, como tendo voltado à sua consciência espiritual. Isso porque, na hora que você for espírito está liberto do ego.

Enquanto você se acreditar como ser humano, não importa se na sua consciência espiritual é um mestre isso ou aquilo, você será o humano. Enquanto você se considerar como ser humano, vivendo uma vida humana, você é escravo do ego.

Na hora que você se entender como um espírito vivendo uma aventura espiritual na encarnação, aí se libertou da ação. Mas isso não quer dizer que a sua vida material mudará: continuará vivendo a mesma vida que vive o seu vizinho que pode ser até um bandido.

Portanto, enquanto você, o espírito, estiver preso ao ego será ser humano; quando se libertar deste, ou seja, não mais creditar como real as realidades que ele cria, então será um espírito na carne…

Participante – Então nessa vida não tem como nos despirmos totalmente do ego?

Não, sem o ego você não pode viver.

É impossível ao espírito se despir do ego: o que ele pode é se libertar da ação sentimental que a personalidade humana lhe propõe, ou seja, da dualidade do prazer e da dor, do bem e do mal, do certo e do errado.

Isso é o que o espírito pode fazer; despir-se antes do fim da aventura encarnatória jamais…

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Vamos, então, conhecer as duas coisas necessárias para se entender a espada que Cristo trouxe.

Primeiro: onde você, o espírito, está hoje? Está em um estágio espiritual que chamamos de “ser humano” ou “ser humanizado”. Você é um espírito, mas neste momento está vivenciando uma etapa da sua existência eterna que chamamos de “ser humanizado”.

O que é um ser humanizado? É um espírito ligado a um ego, a uma consciência transitória que lhe constrói realidades ilusórias, que vamos chamar de “humanas”. Todos os que estão encarnados neste planeta vivem nesta condição, por mais espiritualizado que seja.

Isso é preciso ficar bem claro. O que estou querendo dizer com isso é que todos os espíritos encarnados no planeta Terra estão dentro de uma mesma faixa vibracional. Saiba que não existem santos sobre o planeta: todos que estão encarnados estão sobre a influência de um ego e, por isso, são seres humanos.

A partir desta constatação podemos começar a entender as características da humanização do ser, ou seja, característica que os egos aos quais os espíritos encarnados na Terra possuem.

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Primeira característica do ser humanizado: característica material.

O que quer dizer isso? O ser humanizado é um ser perceptivo, ou seja, tem percepções (visão, audição, olfato, paladar e sensibilidades do corpo) que fazem parte das realidades com as quais o ser humanizado.

Vou dar um exemplo disso: você está sentado onde?

Participante – Cadeira.

Isso: você está sentado numa cadeira.

Repare na resposta dele e veja como está preso à matéria. Falo isso, porque ele está conosco desde a primeira palestra e já me ouviu dizer que os objetos materiais são formados por fluído cósmico universal. Por isso deveria ter me respondido “estou sentado em fluído cósmico universal”. Mas não fez…

Por que não fez? Por que, apesar de já ter a informação e dizer que entendeu o ensinamento, ele ainda falou que está sentado numa cadeira? Porque vocês podem saber das coisas espirituais, mas não conseguem vivenciá-las. Ele sabe o que falei, mas o apelo a viver o que é percebido é maior do que a lógica nova…

Por isso não me respondeu que estava sentado em fluído cósmico universal. Mas, mesmo que quisesse forçar esta resposta – falar apenas por falar – ainda estaria errado. Por quê?

Se ele realmente fosse consciente do que falei antes teria que me dizer que ele não estava sentado. Isso porque se a cadeira é fluído cósmico universal porque é um elemento do mundo material, o corpo também o é. Neste caso, não haveria na sentado: o fluído cósmico estaria em contato consigo mesmo…

Essa é a primeira característica do ser humanizado: ele, por mais que tenha informações do mundo espiritual, vive a vida material, ou seja, a realidade do mundo material através das percepções do corpo. O que ele vê existe; o que prova o sabor existe; o som que ele ouve existe. Se algo não for percebido por nenhuma destas percepções, para ele não existe, não é real…

Mas, na realidade nada disso existe. Todos os elementos do mundo material são criados pelo ego, pela parte técnica do ego. Na realidade real (a do espírito, do Universo) só existe a matéria universal, o fluído cósmico universal, que não possui densidade, forma, sabor ou cheiro…

Os objetos do mundo material, sejam eles quais forem, são imagens geradas pelo ego a partir da percepção do fluido cósmico universal. Eles não são reais, mas apenas uma imagem criada pelo ego a partir de algo completamente diferente…

Essa é a primeira característica de um ser humanizado, ou seja, é o ponto de partida para o espírito que quer promover a reforma intima: compreender que precisa libertar-se da realidade material que vive. Cadeira não é cadeira.

A partir daí pergunto: para o espírito que está ligado ao ego o que deve ser uma cadeira? Nada…

Lembrem-se do que eu já disse: não é criando uma nova realidade que o espírito promoverá a sua reforma íntima, mas libertando-se da realidade virtual, da realidade que o ser humano conhece.

Mesmo que o ego crie uma idéia que afirme que tudo é fluído cósmico universal, o espírito também não deve apegar-se a ela. Por quê? Porque esta idéia é fomentada por figuras materiais que são ilusórias.

O ego só é capaz de trabalhar com elementos conhecidos do mundo material. Tudo o que não é conhecido ele não consegue fazer uma figura, uma forma e, por isso, jamais será capaz de exprimir a realidade real.

Como o fluído cósmico universal existe num mundo onde não há formas, o ego não consegue gerar imagens dele. O máximo que faz é criar idéias, ou seja, comparações com elementos conhecidos. É por isso que vocês chamam o elemento universal de energia.

Fluído cósmico universal não é energia. Aliás, fluído cósmico universal é energia, mas energia não é o que vocês conhecem como energia. Isso porque a energia que vocês conhecem é apenas uma figura, uma representação criada pelo ego para o fluído cósmico universal. É assim que o Espírito da Verdade responde à Kardec quando este pergunta se o fluído cósmico universal é a energia elétrica que os humanos conhecem…

Portanto, a reforma íntima consiste no espírito “lutar” contra o ego que coloca as coisas do jeito que são. Isso porque, depois de criar formas para as coisas, o ego propõe emoções que vão dizer que aquela forma é bonita ou feia, limpa ou suja.

Eu pergunto: se não houver chão, como é que vai haver sujeira? O espírito que luta inicialmente para libertar-se das formas criadas pelo ego mais facilmente repudia as emoções, pois não encontra mais sentido para elas existirem. Já o espírito que continua acreditando nas formas tem mais dificuldade de realizar a reforma do seu interior porque os objetos que o ego cria são sujeitos ao dualismo.

Mas, mesmo o dualismo criado pelo ego é falso. No Universo não existe nada dual…

Um dia perguntei a uma pessoa: como é o nome desse piso que vocês usam? Ele me respondeu: cerâmica. Aí perguntei: do quê ele é feito? De terra, barro, responderam-me… A partir disso eu perguntei: o que vai sobre este piso que vocês chamam de sujeira?

Pois é… A sujeira terra e barro é feia quando está sobre a cerâmica que é terra e barro… Ambíguo, não?

Aí o ser humano me respondeu humanamente: mas isso é cerâmica, aquilo é sujeira. Não, isso é terra e barro e aquilo é terra e barro. Eles são iguais porque são compostos pelos mesmos elementos. É o ego, o gerador de provações do espírito, que separa terra e barro em cerâmica e e em sujeira.

NOTA: Apesar de não ter citado diretamente, o comentário do espírito amigo fala de conceitos. O mesmo elemento humano sujeito a conceitos pré-formados pode deixar de ser bom para ser ruim, de ser belo para ser feio.

Além de separar a terra e barro em duas verdades, o ego cria a sensação de que sujeira não é bom… Mais: cria a idéia de que a terra e barro sujeira não deve estar ali, apesar de tecnicamente ser a mesma coisa da cerâmica…

Concluindo, então, afirmo: enquanto o espírito não se libertar da visão Terra sobre as coisas – ver sujeiras – ele vive a emoção como real e vai, então apegar-se à idéia de que aquilo tem que ser limpo.

Mas, não para por aí… A partir desta aceitação o ego criará um culpado – aquele que deixou a sujeira ali – e junto com esta idéia uma nova emoção que servirá de provação ao espírito que está ligado a esta personalidade humana… Mas isso é outra história que vamos falar depois…

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Esta é a primeira característica da humanidade do ser e a primeira coisa que precisa ser alterada. Mas, como falei, esta alteração não se trata de alterar valores ou nomes das formas.

De nada adianta ao espírito que quer promover a sua reforma íntima começar a chamar a parede de rabo ou de qualquer outra coisa. Isso simplesmente não vai lhe levar a lugar algum…

O que ele precisa alcançar é a ausência de qualquer valor humano. Como disse Cristo, vencer o mundo, vencer os valores que são dados às coisas do mundo…

O que é parede? Não sei. Este é o trabalho que o espírito precisa realizar para alcançar êxito na sua aventura…

Sabe por que isso? Porque além das verdades individuais (conceitos individuais) existem diversas verdades (conceitos) que são coletivas. Estas verdades surgem de forma espontânea no ego e por fazerem parte de uma chamada cultura geral, o espírito se prende automaticamente a elas como real a partir do momento que vive a realidade de uma forma.

Na parede nós temos um bom exemplo disso. Quando se fecha a porta de um quarto cercado de paredes, o ego humano cria a idéia de que ninguém está lhe vendo. Por quê? Porque existe um conceito geral que afirma que a parede bloqueia a visão.

Doce ilusão… Tem muito mais gente observando as ações que estão sendo praticadas neste momento do que se este ser humano estivesse no campo de um estádio de futebol.

Que ver outro exemplo? O ego afirma: eu sou mulher, porque possuo um corpo de mulher e por isso devo me identificar como mulher. Quantos conceitos surgem a partir dessa identificação de um sexo que o ser humano (ego) se acha obrigado a cumprir? Só para ficarmos no superficial, estes conceitos dão aspecto de real a idéias como ter que andar sempre bem arrumado, de brincos, usar maquilagem, etc. Não é isso?

Pois bem, o espírito que vive como real a idéia “eu sou mulher”, sente-se obrigado a fazer tudo isso. Quando por qualquer motivo que o próprio ego crie para não fazer, a mesma personalidade humana gera a insatisfação de não ter realizado o que a feminilidade exigia e justifica que esta insatisfação é real porque o conceito coletivo não foi atendido. Pronto, lá vai o espírito aceitar esta insatisfação ao invés de optar pelo amor universal…

Além do mais, o ego utiliza-se dos mesmo conceitos para julgar os outros. Justamente pelo espírito aceitar a identificação como mulher que o ego cria é que ele passa a vibrar de uma forma não universal quando a personalidade humana cria a ideai de cobrar de outras mulheres o cumprimento deste conceito global.

Veja, então, nos pequenos e corriqueiros exemplos que dei antes como se prender a forma, ou seja, as características humanas que o ego cria e diz que são reais através das percepções, age como se fosse uma bola de neve levando o espírito ao aprisionamento a tudo aquilo que o ego diz que é real, àquilo que o ego determina para aquela forma.

Por isso na reforma intima é fundamental o espírito não se identificar com as formas que o ego cria. Volto a repetir: não se trata de mudar de seis para meia dúzia…

De nada adianta o espírito querer ser assexuado, porque esta condição humana também possui diversos conceitos coletivos que vão aprisionar o espírito às emoções que o ego criará…

Para a reforma íntima, o espírito deve não aceitar o valor de mulher, a realidade de ser essa forma. Ao não aceitar esta imposição da personalidade humana, todas as obrigações inerentes a ela somem e com isso as emoções são injustificadas…

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Participante – Comentário sobre essas questões da feminilidade: enfeitar alimenta o ego…

Como disse falei, eu dei exemplos simples e corriqueiros, mas também não me estendi em todos os aspectos de cada um deles.

Na verdade, a feminilidade não leva só a obrigação de se enfeitar, mas, por exemplo, por causa dos conceitos coletivos formados a partir da feminilidade a mulher exige que o homem abra a porta do carro, que tem que ser tratada com carinho, que não pode ser alvo de brutalidade, que alguns assuntos não devem ser abordados na sua frente, etc. Nenhum destes conceitos é realmente real: tudo são idéias que o ego cria para justificar uma emoção que ele gerará para a provação do espírito.

Participante – Então devemos parar com isso?

Achei que estava sendo até chato ao falar insistentemente que não se trata de mudar, mas sim de libertar-se Agora vejo que preciso falar mais…

Não é parar de ser assim; é se livrar da obrigação de ser assim…

Como disse, evolução não é mudança, mas liberdade de ter que agir de uma determinada forma padronizada. Não há nenhum problema em passar maquilagem na cara: o problema é sentir-se obrigado a passar.

A obrigação do atendimento de uma regra coletiva ou individual cria o padrão de certo. É certo passar maquilagem, por isso todas as mulheres têm que passar. Quando você acredita na existência de um padrão coletivo como certo se torna escravo dele – acredita que tem que cumpri-lo.

Além de se tornar escravo, o padrão de certo serve como base para o julgamento de quem não passa, classificando-a como errada. Por que esta pessoa, para você, é errada? Porque ela descumpriu o seu padrão, que para você é o certo. Mas, tudo isso só aconteceu por quê? Porque você aceitou o conceito coletivo como real…

Mas, e se você agora criasse um novo padrão dizendo que as mulheres não devem se enfeitar, será que isso acabaria com o julgamento dos outros? Claro que não: você passaria a julgá-los a partir do novo conceito…

Portanto, a evolução espiritual não se trata de mudança de um padrão para outro, mas sim da liberdade a qualquer padrão. Para isso é fundamental que o espírito compreenda que existe uma realidade que não é a que ele vive no momento.

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Vamos, então, falar da segunda característica do ser humanizado. Sei que muitos de vocês vão dizer que não possuem esta característica, mas ela existe. Todo ser humanizado é individualista.

Essa é uma característica que precisa ser assumida: todo ser humanizado vive o mundo a partir do “eu” e para o “eu”. Essa é à base de compreensão da vida para todos os seres humanos ou seres humanizados. A personalidade humana se constitui num “eu” e vivencia a vida, ou seja, constrói realidades a partir deste “eu”.

Estou certo?

Participante – Sim…

Porque você diz que estou certo? Porque você acha isso, não é mesmo? Quando age assim está vivenciando o seu “eu”. Ou seja, mesmo quando você aceita que é individualista está vivendo o “eu”. Como você só vive o “eu” como realidade, se não achasse certo diria: está errado. Acabei de dar um exemplo do individualismo da individualidade humana.

O individualismo humano começa no “eu” e a ação individualista do “eu” começa quando ele acredita que sabe ou não alguma coisa, quando ele quer ou não algo. Não importa o que seja que a personalidade humana queira ou saiba, tudo o que ela tiver consciência é algo individualista.

Vou usar um termo que é muito utilizado pelos espíritas: crivo da razão… Toda vez que o ser humanizado passa alguma coisa pelo crivo da razão ele foi individualista. O que é o crivo da razão se não o julgamento que o ego humano faz das percepções a partir de suas verdades individuais?

A razão humana, aquilo que o ser humanizado “pensa” sobre as coisas é sempre individualista. Trata-se do resultado de um julgamento do mundo a partir de si mesmo.

Esta é uma característica da humanidade do ser que é ditada pelo ego. Isto porque quando de posse da sua consciência espiritual, o espírito não tem nenhum individualismo. Ele não vive um “eu”, mas um “nós”.

Tudo para o espírito liberto da personalidade humana é “nós”: nós fazemos, nós andamos… Ele nunca vive apenas o “eu”: eu faço. Mesmo que no seu mundo, de posse de sua consciência, o espírito não participe de uma ação, ele diz: nós fizemos.

Por que ele diz “nós fizemos”? Porque foi a comunidade espiritual que fez e ele participa desta comunidade integralizado a ela. Portanto, é como se ele tivesse feito.

Esta é a segunda característica do ego humano que o espírito precisa estar atento: toda personalidade humana é individualista, ou seja, vivencia realidades sempre fundamentadas no “eu”.

Sendo assim, posso dizer que reforma intima é o abandono do “eu”. Trata-se de libertar-se da ação do “eu” e alcançar a ação do “nós”. Não se consiste em mudar o que se acha, porque enquanto apenas se mudar o que acha continua preso no “eu acho”. Não houve evolução alguma porque ainda se está preso a um individualismo, pois só se mudou o que acha.

Então, os instrumentos para a elevação espiritual, para a reforma intima, têm que propor o fim do individualismo para levar o espírito a participar do “nós”. Deve tirá-lo do materialismo e levá-lo ao espiritualismo, ou seja, ao mundo onde as coisas valem pelos seus valores espirituais e não pelos valores percebidos pelo corpo humano.

Resumindo, afirmo que estas são as duas características mais fortes do ser humanizado e são, na verdade, a base daquilo que vocês chamam de “mundo de provas e expiações”. Todos os espíritos que encarnam no planeta Terra, mundo de provas e expiações, estão ligados a egos que possuem as características humanas porque estão aqui para fazer provas. Estas provas são no sentido dele libertar-se do individualismo e do mundo perceptivo alcançando, assim, a vida na realidade espiritual e no “nós”.

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Podemos, agora, começar a falar dos instrumentos da ação da reforma íntima, que, como disse, são instrumentos que precisam alterar realidades da vida humana. Estes instrumentos são em número de três…

O primeiro: o espiritualismo. Vamos conversar sobre esse instrumento da reforma íntima ensinado pelos mestres.

Nos ensinamentos dos mestres existe uma única definição de espiritualismo. Ela está em O Livro dos Espíritos: espiritualista é aquele que acredita haver em si algo mais do que a matéria. Mas, essa definição, que me perdoe Kardec, é muito pobre.

Mais adiante, em sua própria obra, Kardec ensina: de nada vale o conhecimento sem ação, de nada vale a letra morta. Aliás, este ensinamento também está presente em Krishna e em Cristo. Sendo assim, não se pode ser espiritualista apenas por imaginar-se algo mais do que o corpo físico, mas é preciso viver para esse algo mais.

Espiritualismo ou espiritualista é aquele que acredita haver dentro dele algo mais, que é chamado de espírito, alma, anjo ou do nome que você quiser, mas que também vive para esse algo mais. É aquele que vive para o espírito. Aquele que sabe que é e vive para a alma que você sabe o que é.

Por isso disse que a definição era pobre: não adianta apenas saber-se um espírito, para ser espiritualista é preciso viver para o ser universal…

Esta arma ou instrumento da reforma intima é fundamental para os seres universais que querem alterar as realidades que vivem. Por quê? Porque quem vive para o espírito não se vê como humano e por isso não participa das coisas como o ser humano participa. Ou seja, não participa dos acontecimentos do mundo preso às percepções e a partir do individualismo da personalidade humana.

Então, espiritualismo é algo fundamental para o ser que busca a elevação espiritual. É um instrumento de libertação da realidade criada pelo ego.

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Mas, na prática, o que seria viver para o espírito, ser espiritualista? Será que para viver para o espírito é preciso se abandonar a vida material? Será que é preciso abandonar o emprego, se afastar do mundo, da sociedade e viver nu no meio do mato? Será que é isso?

Como já definimos antes, viver é uma atividade mental ou sentimental. A vida humana é gerada no encontro do ego com o espírito. Portanto, é aí que é preciso agir com o espiritualismo. A ação espiritualista não se concentra no ato físico, mas na construção da realidade e principalmente na construção do sentimento, da emoção, da sensação com o qual se vive a vida carnal.

O contrario de espiritualista é materialista. O espiritualista ou materialista não se reconhece pelo o que ele pratica fisicamente, pois a construção de realidade é feita pelo ego e não pelo espírito. A diferença entre um e outro é caracterizada pela relação que o espírito mantém com a ilusão proposta pelo ego como realidade.

Espiritualista é aquele que se relaciona com o ego sem prender-se a parte técnica e as emoções que o ego propõe como reais. Por que isso? Porque o resultado da parte técnica e a sensação que o ego propõe é o mundo material. Portanto, o espiritualista não deve viver para este mundo.

Na verdade ele deveria viver para o “outro mundo”, mas como fazer isso se o espírito que está vivenciando a grande aventura encarnatória não tem consciência sobre aquele mundo? O espírito apegado ao ego vive apenas a razão humana e como nela não existem elementos sobre o mundo espiritual, posso afirmar que o ser universal encarnado não sabe como é o outro mundo e nem sabe como viver no outro mundo.

Então, espiritualista é aquele que o ego diz que “você está triste” e ele não se sujeita a isso. Espiritualista é aquele que o ego diz que ele tem que ter prazer, mas não se sujeita a isso. Espiritualista é aquele que o ego diz que ele tem que ter soberba, mas não se sujeita a isso. Enfim, espiritualista é aquele que o ego diz que ele tem que ter raiva, ganância ou qualquer outra emoção humana e ele não se sujeita a isso, mesmo que os atos que ele vivencia pareçam ter essa intenção.

Intenção… Essa é uma palavra muito importante para os espiritualistas. Tanto é assim que Krishna, Cristo, Buda e outros mestres trouxeram todos os seus ensinamentos fundamentados na intenção e não do ato.

A intenção dá uma motivação à ação. O materialista sente-se motivado durante os acontecimentos por aquilo que o ego lhe diz que é “certo”, “errado”, “bonito”, “feio”, “limpo”, “sujo”, alegre ou triste. Já o espiritualista é aquele que não aceita essas motivações. Ele participa do ato sem ter uma intenção, um desejo próprio, uma vontade e sem ver uma ação de um “eu”.

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Esse é o verdadeiro espiritualista…

Hoje está na moda se dizer espiritualista, mas o que existe de verdade entre os seres humanos é o espiritualismo material e não o real. Isso porque as razões criadas pelo ego dizem que estas personalidades humanas valorizam o espiritual, mas elas contemplam uma forma de viver o espiritual de uma forma material, ou seja, viver o espiritual fundamentado em verdades materiais. Isso é impossível porque materialismo e espiritualismo são antagônicos…

Ser espiritualista é viver a vida material de uma forma espiritualista e não vivê-la preso a conceitos humanos dizendo-se espiritualista.

Uma vez eu fui a um lugar onde havia mais de cem pessoas que se diziam profundos buscadores da espiritualidade. Eles estudam projeção astral, saída do corpo, energias, etc.

Na conversa lá comecei perguntando: o quê vocês vieram fazer aqui? Estudar as coisas do espírito, foi a resposta. Aí perguntei: por quê? Por que precisam estudar as coisas do espírito, vocês nunca foram espíritos? Será que sendo espíritos vocês precisam vir à carne para aprender a ser o que já são? Achando que precisam, pergunto: quando estavam libertos da encarnação, como vivam? Será que não sabiam volitar, não sabiam trabalhar energias?

O você que está além desta personalidade humana que pensa ser hoje já é um espírito e, portanto, já sabe fazer tudo que quer aprender espiritualmente falando agora. Esta é uma verdade incontestável por uma simples lógica…

Apesar disso, os seres humanos, a partir de uma determinada época, passaram a buscar técnicas espirituais e dizer que as conhecendo estão realizando a reforma intima. Mas, isso é ilusão que o ego dá. Ele age assim para que o espírito acredite que está fazendo algo importante aprendendo, por exemplo, a trabalhar energias. O que acontece com este ser que está aprisionado à necessidade de aprender estas coisas? Não promove a reforma íntima, a libertação das sensações humanas.

Enquanto o espírito acredita que é importante aprender a fazer projeção astral, ou seja, aprender a ser espírito no seu próprio mundo, não faz a sua reforma interior, o que é a razão de ter se iniciado esta aventura encarnatória.

Se fosse ao contrário seria muito engraçado, não? O espírito precisaria nascer na carne para ser espírito, ou seja, deixar de ser espírito para aprender a ser. Isso é uma coisa de louco. Isso não tem a menor lógica…

O período que o ser está encarnado (ligado a um ego humano) não é para aprendizado de coisas novas. Trata-se de uma etapa da sua existência eterna onde ele terá que testar a absorção daquilo aquilo que estudou anteriormente no mundo espiritual. Ou seja, testar a absorção da sua capacidade de desapegar-se das formas e das sensações humanas, inclusive do desejo de conhecer racionalmente o mundo espiritual. É exatamente para testar este desapego que o ego diz que é importante se compreender racionalmente o mundo espiritual.

Posso afirmar isso porque esta busca de se conhecer pela razão humana o mundo espiritual é um sofisma. Será que a razão humana pode conhecer o mundo espiritual. Será que o mundo mental humano é capaz de compreender o que para não tem forma, cor, sexo, raça, religião… Enfim, que não possui nada que fundamenta a compreensão racional…

Este é o mundo espiritual: alguma coisa que não possui nada que fundamenta a compreensão racional… O mundo espiritual é alguma coisa, mas o que ele é não pode ser compreendido pela razão humana porque os elementos daquele mundo não possuem compreensão por parte de quem se fundamenta no que é real ao mundo humano… Sendo assim, como pode a razão humana compreender algo que não tem capacidade nem instrumento para compreender?

Então espiritualismo não é conhecer o mundo espiritual. Pelo contrário: é apenas a consciência de que tudo que é vivenciado como humano é irreal, é ilusório, temporário…

O espírito que se dedica a aprender a viver essa vida de uma forma diferente do que o ser humano vive é aquele que se dedica a eliminar a idéia da realidade de todas as percepções e sensações. Por isso digo que ele vive com neutralidade os acontecimentos da vida carnal.

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Existe mais um detalhe a respeito do espiritualismo: ele nada tem a ver com os conceitos divindade, santidade ou religiosidade da razão humana…

Muitos imaginam que para ser espiritualista é preciso atender os preceitos religiosos sobre o relacionamento com o Senhor ou com Seus mensageiros (mestres, santos, mentores, etc.). Isso é irreal. Aliás, reparem que defini espiritualismo sem falar de Deus.

Na verdade o espiritualista vive para Deus, mas se o ego não possui conhecimentos reais à respeito de Deus, como viver para Ele? Mais: na verdade ser espiritualista não é nem viver para o espírito ou para o mundo espiritual, pois o ego não sabe como fazer isso, pois nada conhece da realidade real do Universo…

Sendo assim, para o espírito viver para o mundo espiritual ele não pode aceitar nenhum conceito da personalidade humana que diga que tal ou tal coisa é viver para o espírito. O que ele pode fazer é aprender a não viver materialmente, viver acreditando que os conceitos humanos gerados pelo ego são reais…

Se o espírito tem a sua consciência, a sua própria realidade, encoberta e só pode perceber o que o ego cria, ele sabe o que é material: tudo aquilo que lhe vêm à consciência enquanto está na sua aventura encarnatória. Tudo que o ego diz que o “eu” acha, sabe, gosta… Isso o espírito reconhece e pode agir contra negando a sua condição de real…

Agir contra negando: nunca tentando construir uma nova realidade…

Então, o espiritualismo que é o primeiro objetivo a ser alcançado pelo ser universal durante o seu processo de reforma intima é isso: agir negando a condição de real que o ego dá aos acontecimentos que ele mesmo cria. Não se trata de uma mudança através da construção de novas realidades que sigam novos padrões humanos pré-determinados, pois ele não sabe o que teria que construir para poder alcançar a realidade real, pois está com sua consciência espiritual apagada por aquilo que vocês chamam de véu do esquecimento…

Reforma íntima é a destruição sistemática da qualidade de real a tudo que o ego cria…

Aliás, Cristo ensinou; em verdade, em verdade vos digo; quem não nascer de novo não verá o reino dos céus. Por causa deste ensinamento todos querem nascer de novo, mas ninguém quer morrer antes. Como nascer de moço se não morrer?

Sendo assim, o espírito precisa preocupar-se em renascer da água e do espírito. Para isso deve preocupar-se em morrer, em matar a forma humana que ele imagina ser durante a encarnação. Para quem morre, o renascimento é certo, não? Então, morra e deixe o renascimento por conta da lei natural do Universo…

Aí está uma grande mudança de foco da reforma intima como hoje ela é tratada no planeta: a grande aventura do espírito não é um renascimento, mas uma morte. O espírito encarna (nasce) para morrer e só assim poder renascer da água e do espírito…

Um detalhe: essa morte que eu estou falando não é física. A morte a qual me refiro é da qualidade de real que se dá àquilo que o ego cria…

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Participante – É a morte do ego?

Não, é morte daquilo que você, o espírito, acredita ser… O ego não vai morrer: quem vai morrer é a personalidade humana que ele representa.

A personalidade humana, a nível espiritual, não material, morrerá para o espírito e em seu lugar surgirá um espírito livre: sem nome, cor, sexo, religião, pátria…

O ego continuará existindo e mais: continuará dizendo ao espírito que ele é uma determinada personalidade humana e que por isso deve sentir tal ou tal coisa. O que mudará, na verdade, será a consciência do espírito: ele não mais aceitará isso como realidade, como verdade…

Preste bem atenção no que vou falar agora: ego não se mata. Enquanto o espírito estiver encarnado, o ego continuará funcionando. O que pode ser alcançado pelo ser universal encarando não é o fim do ego, mas sim o fim da escravidão a ele. O fim da auto identificação com o ego diz que o espírito é.

Participante – Fale mais sobre a questão da intenção?

O que é intenção? É a motivação criada pela razão humana durante a participação nos acontecimentos do teatro da vida.

Intenção não significa ação, mas sim motivação. A ação acontece e o ego coloca nas ações que acontecem ou que acontecerá uma motivação.

Participante – É um motivo?

Não, não é um motivo: é uma motivação.

Por que você veio aqui hoje? Não importa a sua resposta: esta é a sua motivação para vir aqui hoje.

Participante – Mas estar aqui foi motivado por um objetivo espiritual…

Foi o que acabei de dizer: o ego cria verdades fundamentadas em conceitos humanos sobre santidade, reforma íntima, para ludibriar o espírito…

Por que você está aqui? Porque quis vir, porque quis estar… Sendo assim, você acredita que está aqui por causa de uma busca espiritual, mas isso não é real. O que realmente lhe motivou a estar aqui foi para fazer o que você queria…

É isso que o espírito precisa compreender. Ele não pode aceitar as justificativas que o ego cria porque a personalidade humana cria motivações secundárias para encobrir a motivação verdadeira…

Pergunto-lhe: você esteve presente em todas as nossas conversas? Não… Teve algumas que a sua razão lhe disse que era mais importante estar em outro lugar, seja para trabalho ou diversão. Isso quer dizer que naqueles momentos você não tinha aspirações de reforma íntima? Claro que sim, mas os acontecimentos acabaram acontecendo contrários a ela, mas presos à razão momentânea…

Portanto, por mais que imagine que é a sua motivação espiritual que lhe trouxe aqui isso não é verdade: você está aqui por motivos materiais. Você está aqui porque a razão criada pelo ego no momento dizia que era “certo”, “bom” ou qualquer outra justificativa, estar aqui.

Portanto, você está aqui por uma motivação baseada no “eu”, no individualismo. Você está aqui pelo valor material e não pela busca espiritual.

Se você, a personalidade humana à qual um espírito está ligado, respondesse que não sabe porque está aqui neste momento, eu poderia dizer que haveria, então uma motivação espiritual. Agora, enquanto souber porque fez alguma coisa, ou seja, tiver uma razão que afirme qualquer motivação para a prática de uma ação, afirmo que acabou-se o espiritualismo.

Ação sem intenção: essa é à base do ensinamento de Krishna. Por isso ele ensina assim aos seus pares (os espíritos): repousa em mim (Deus) e assista a sua vida. Sabe o que é assistir a sua vida? “Olha lá, ela está indo lá”…

Participante – Então eu não tenho que me perguntar por que faço isso? Simplesmente faço. É isso?

O que é se perguntar por que faz alguma coisa? É descobrir uma intenção, criar uma motivação.

Se a personalidade humana age assim, o espírito não deve acreditar que a resposta a esta pesquisa é real, pois senão ele estará agregando uma intenção ao que é feito…

Participante – O que falo então: fiz porque fiz?

Isso, você fez porque fez. Lembre-se: quem faz alguma coisa com intenção sabe o que faz e se as ações praticadas pela personalidade humana são sempre fundamentadas no individualismo, o espírito que acredita que fez algo por algum motivo se torna individualista…

Apenas um detalhe: não estou falando apenas de intenções que vocês consideram “erradas” ou “más”; estou falando de todas as intenções… Mesmo quando você faz alguma coisa com uma intenção considerada “boa” (ajudar os outros), ainda existe uma intenção gerada pela personalidade humana que é individualista e, portanto, esta ação passou a ser um ato egoísta…

“Mas, Joaquim, você ficou maluco? Ajudar o próximo é um ato egoísta”? Sim, é, pois o ego possui condições para ajudar. Ele cria razões que dizem que você só deve ajudar a quem você achar que deve e da forma que achar “certo” ajudar. Repare que o ser humano não ajuda indistintamente, mas apenas àqueles que ele considera que precise de ajuda e não os socorre da forma que os outros querem ser socorridos, mas da forma que ele acha que deve socorrer… Isso não é egoísmo?

Se a personalidade humana você capaz de fazer sem motivação, ou seja, fazer por fazer e não fazer do jeito que quer, fazer com a intenção de agradar o próximo e tantas outras condições que ele cria, eu poderia dizer que ela era universalista. Mas, como isso não acontece, não posso afirmar isso…

Agora ficou claro? Motivação é a razão que o ego propõe para o espírito durante a realização de ações.

Na verdade, a motivação não é uma razão, mas uma sensação. Trata-se de uma sensação (emoção) que é transformada em pensamento criando, assim, uma realidade para que o espírito possa trabalhar a sua reforma íntima…

Participante – Como se pode fazer no mundo de hoje, pois por mais que você se esforce você vai estar sempre desagradando alguém.

Falar sem intenções…

Participante – Falar sem intenção… Mas o outro se sente ofendido e nós presos às razões nos magoamos. Sabemos que falamos sem intenção, mas o outro não sabe… Quantas vezes elaboramos cuidadosamente o que vamos falar e em contrapartida o outro se sente ofendido com o que foi dito…

Você falou de mais dois ou três assuntos em sua pergunta, mas ainda assim fica fácil falar da intenção.

Diga-me uma coisa: em uma roda como estamos aqui será que o que você disser magoará as todos? Não. Alguns se sentirão magoados, outros não se sentirão magoados. Não é assim?

Participante – Correto.

Sendo assim, você magoou alguém?

Participante – De certa forma sim, magoei alguma pessoa…

Não, se você tivesse a capacidade de magoar ou se suas palavras tivessem este poder, teria magoado a todos. Então, alguns se magoaram e outros não, posso dizer que só sentiu esta emoção quem escolheu senti-la, ou seja, escolheu ficar magoado ou não.

Na verdade não foi você quem magoou ninguém: o outro ego, para poderem criar uma realidade que servirá como prova para um espírito, escolheu a sensação de mágoa para reagir ao acontecimento “você falar”. Um ego diz a um espírito que o certo seria sentir-se magoado naquele momento, enquanto outros dizem a outros espíritos que não…

Isso no campo material. Já no espiritual, o espírito que está preocupado em promover a sua reforma íntima, ou seja, desapegar-se das razões criadas pela personalidade humana à qual está ligado durante a aventura encarnatória, não se sentirá magoado. Mas, aquele que não está vigilante, ou seja, que não se preocupa com a reforma íntima, se sentirá magoado.

Mas isso não é culpa sua. O ego cria a sensação de ficar magoado porque esta é a prova de um espírito e o ser universal fica magoado porque não cumpriu o que Cristo ensinou: orai e vigiai… Sendo assim, você magoou os outros ou eles se magoaram?

Essa é a primeira realidade que surge quando analisamos o mundo material a partir da realidade de ser apenas um mundo de encarnações e não um planeta com vida autônoma: ninguém é capaz de fazer nada a ninguém… Se o outro decidir não receber o que você está fazendo de um determinado jeito, ele não receberá aquilo, por mais que você tente fazê-lo receber… Mesmo que você tivesse a intenção de magoar, não seria capaz de magoar, porque se o outro não aceitar a sua intenção, você não magoou ninguém…

Por isso disse: a coisa mais importante na reforma intima é compreender que ela é a mudança do interno e não do externo. Quando o espírito se conscientiza com isso ele deixa de se preocupar com o externo e passa a estar sempre atento ao interno.

Quando isso for sistemático para o espírito, ao ser criada a propositura racional de que se magoou alguém, o que será prontamente seguido da proposição da culpa, o espírito dirá: isso é o meu ego que está dizendo e, por isso, tenho que me libertar disso. Com isso ele elimina duas sensações de uma só vez: a de ter ferido alguém e a culpabilidade…

Compreendeu? Esse é o primeiro detalhe na sua pergunta. Mas, como disse, existem outros assuntos embutidos nela. Permita-me comentar eles…

Segundo detalhe de sua pergunta: fico pensando em como falar com os outros… Por que você faz isso?

Participante – Às vezes uma pessoa é querida e outras detestadas. Para não feri-las precisamos pensar em como falar…

Como diria Krishna, sua fala parece até de um sábio. A razão humana diz que devemos agir com prudência para não magoarmos os outros… Mas, quantas vezes você já ficou pensando como falar com determinada pessoa e chegou lá saiu tudo diferente.

Participante – Verdade… Quantas vezes estudei profundamente o que tinha que falar e saiu tudo diferente…

Por que isso acontece?

Porque o ato acontece independente do que você queira que aconteça… O que você vai falar acontece e a forma como ele acontece não depende de você.

Lembre-se do que falamos até agora a respeito da encarnação ou vida humana: ela se consiste de realidades que são criadas pelo ego para a provação do espírito. Então, você não pode escolher palavras: você pode escolher se aprisionar ao ego ou não…

Você, ego ou espírito, não pode escolher palavras. É por isso que a personalidade humana decora um discurso e quando participa da ação Quando isso acontece a personalidade humana cria novas provas para o espírito: a contrariedade, a culpabilidade, etc.

Este é o segundo assunto da sua pergunta. Terceiro: depois eu fico chateado por que magoei os outros.

Quem é que ficou chateado? Você, a personalidade humana. Ficou chateado porque magoou o outro? Não. Ficou chateado porque a sua razão diz que você não deveria ter magoado o outro…

Na verdade você não está chateado por magoar, mas porque achava que não deveria magoar e isso acabou acontecendo… Ou seja, ficou chateado porque as coisas não saíram do jeito que você queria… Isso se chama individualismo…

Além do mais, como você, a personalidade humana, não conhece as coisas do mundo espiritual, não nem dizer que você, o espírito, ficou chateado com isso…

Na verdade quem criou a sensação de ficar chateado foi o ego. Vê já bem: ele criou a sensação de estar chateado; não ficou… O ego não sente: ele cria sensações como provação para o espírito…

Então volto a repetir: tudo é interno, tudo é dentro de você. Todas as realidades do mundo que você, a personalidade humana, diz que viveu nessa suposta conversa que expôs na sua pergunta (escolher palavras, magoar os outros e se sentir triste por ter magoado alguém) são, na realidade, criações ilusórias do ego e não atos ou ações reais.

Depois destas ações o ego vai criar novas provas para o espírito. Estas provas estabelecerão uma nova forma de proceder, ou seja, “tenho que pensar melhor antes de falar”, “tenho que não me meter na vida dos outros”, etc. Mas, você pode deixar de fazer alguma coisa? Não, porque você, personalidade humana, vai sempre realizar o que for preciso para a provação do ser universal porque, afinal de contas, você é a grande aventura do espírito…

Quem precisa se preocupar com alguma coisa durante o transcorrer das atividades carnais o espírito e não você, a personalidade humana. E, como já vimos, esta preocupação não deve ser em alterar a forma de agir do ego, pois isso ele não pode mudar. O espírito precisa se preocupar em mudar-se internamente, ou seja, a forma como ele reage às proposituras do ego.

Aliás, a sua pergunta mostra bem quem é você: uma personalidade humana… Digo isso porque as suas razões denotam uma preocupação com mudanças externas. Você está querendo mudar por fora (o que faz) e não o seu interior…

Mas, você não pode mudar nada, não é mesmo? Você, uma personalidade humana, precisa ser do jeito que é para que um espírito tenha sua provação.

Ele, que também é você, é que deve mudar-se. Ele é que deve deixar de se pegar as coisas criadas pelo ego alcançando, assim, o espiritualismo. Ou seja, ele é que precisa deixar de acreditar que fez alguma coisa e atingir o nada sabe a respeito deste momento. Ele é que deve dizer assim: eu não falei, palavras saíram; eu não ofendi, o outro é que sentiu ofendido…

Mas, se o outro se sentiu ofendido, isso não é um ato de desamor? Isso não é “errado”? Não: se ele, o espírito, se sentiu ofendido foi porque ele não se libertou da criação da sensação de ter sido ofendida gerada pelo seu ego…

Apesar da razão humana dizer que ser agente para que o outro se sinta ofendido é “mal”, o espírito não deve cair nesta arapuca. Não deve dar crédito à ação do ego que quer obrigá-lo a se sentir mal porque, ilusoriamente, a ação terminou com alguém se sentindo ofendido…

Ficou claro? Aliás, esta forma de ver as coisas do mundo é uma prova do amor verdadeiro ao outro…

Lembra-se que definimos que para a existência do amor real é preciso se dar liberdade ao outro? Se você sofre porque ele se magoou, está dando a ele a liberdade de se magoar? Dar a ele esta liberdade é não se constranger com o sofrimento alheio: “se ele quer se magoar, problema é dele… Por mim, ele é livre para viver o que quiser… Eu não vou sofrer porque ele está sofrendo não”…

Participante – Então, devo me libertar daquilo que o ego diz que devo fazer?

Isso…

Mas, além disso, você deve ajudar o outro a se libertar disso. Como? Não se magoando com o que os outros dizem…

Lembre-se: no Universo tudo é igual para todos. Se você usar o argumento de que ele tem o direito de se sentir magoado ou não, deve agir da mesma forma consigo mesmo… Ou seja, deve entender que ninguém lhe magoa, mas você que livremente escolheu se sentir magoado…

Quando em um determinado momento onde normalmente um ser humanizado se magoa e você não se escravizar à necessidade de sentir-se assim exemplifica a reforma íntima. Com isso gerará curiosidade no outro: mas como, todos lhe pisam e você não se sente magoado?

Neste momento poderá auxiliar o próximo de verdade. Ou seja, lhe ajudar a sentir-se livre para sentir-se magoado ou não…

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Então, falar das armas ou instrumentos da reforma intima é falar de mudança interior. A primeira: o espiritualismo.

Ter noções sobre espiritualismo é até fácil de compreender para vocês pelos exemplos que dei. No entanto, esta facilidade é aparente. Se fossemos aqui entrar em maiores detalhes sobre esta libertação das razões criadas pela personalidade humana vocês veriam que é mais complicado do que parece libertar-se disso…

Por exemplo: remédio não cura ninguém. Este é um pensamento de um espiritualista, já que acreditar que o remédio é capaz de promover uma cura trata-se de elementos materiais. Tanto a doença como a cura não pertence ao mundo dos espíritos… Aliás, acreditar nas verdades científicas comprovadas em laboratórios e que vocês estudaram na escola, é materialismo.

Mas, com isso não estou dizendo que devam desacreditar. Como eu disse, a reforma íntima não se consiste em criar uma nova verdade, mas em se libertar da verdade criada pelo ego. Daquilo que a personalidade humana chama de realidade, do que é o ego diz que é real…

Saibam que todo conhecimento cientifico do mundo é gerado pela parte técnica do ego. Vou dar um exemplo: a ciência afirma que dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar no espaço. Isso é uma lei cientifica e, portanto, real para aqueles que se apegam às verdades humanas.

No entanto, aqui, neste lugar que estamos, existem diversos espíritos “ocupando” o lugar que vocês acreditam preenchido por oxigênio. Vejam: são dois corpos (o corpo do espírito e o oxigênio) que ocupam o mesmo lugar no espaço.

Isso que dizer que essa lei é errada? Não. Isso quer dizer que essa lei cientifica é apenas uma parte de uma lei maior.

Isso é uma coisa que vocês precisam compreender. As verdades cientificam do mundo humano são apenas partes da lei maior. Para compreender isso vamos ficar no exemplo que dei: o espírito e o oxigênio ocupando o mesmo lugar no espaço.

O espírito está aqui, então existem dois corpos no mesmo espaço. Acontece, porém, que são corpos de densidade diferentes… O corpo do espírito é um objeto que está numa densidade enquanto que o oxigênio é outro elemento, mas está numa densidade diferente.

Se entenderem isso, poderão compreender a lei maior que o ego por si só não alcança: dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar no espaço, se eles possuírem a mesma densidade.

Isso a ciência de vocês ainda não descobriu. Ela ainda não descobriu as diversas densidades da matéria e por isso não consegue alcançar a lei maior…

Sendo assim, se apegar às reações químicas ou as reações das propriedades do elemento material por aquilo que a ciência fala é se apegar ao material, a forma. É materialismo.

O espiritualista não contraria essa lei, mas não se apega a ela. Ele diz: “eu aprendi na escola que dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar no espaço, mas se ocupar ocupou, se não ocupar, não ocupou”.

Ele não cria novas verdades, mas também não se apega à verdade que o ego está afirmando que é verdadeira, por mais que ajam comprovações materiais disso…

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Participante – Eu posso me utilizar das coisas materiais porque vivemos em um mundo materialista. Certo? Eu posso usufruir destas coisas sem, digamos, ter que dar um valor maior para aquilo. Certo?

Vou dar um exemplo para podermos entender melhor a sua pergunta. Será que realizando a reforma íntima você não precisará mais comer? Eu respondo: não…

Agora, será que você vai conseguir deixar de comer quando alcançar a reforma íntima? Novamente respondo: não…

Olha a diferença entre as coisas: você não precisa comer, mas não vai deixar de comer.

Lembre-se do ensinamento de Cristo que comentamos agora a pouco: em verdade, em verdade vos digo; quem não nascer de novo não verá o reino dos céus. Lembre-se também do que disse a este respeito: para renascer terá antes que morrer.

Sendo assim, você não tem que se preocupar em nascer de novo (parar de comer), mas sim em matar a necessidade de comer. Matar a verdade que diz que a comida é indispensável. Ao fazer isso automaticamente você renascerá e poderá ou não alcançar o não comer.

Quando falo sobre reforma íntima as pessoas acostumadas ao mundo material se assustam e questionam-se: “como posso viver sem comer, sem respirar?” Eu respondo a elas: vocês continuarão sendo o que são, mas não mais farão por obrigação ou qualquer outra intenção, mas apenas por fazer, por estar fazendo…

Participante – Como é que eu vou me desprender da necessidade de possuir um veículo sendo que eu tenho que me locomover, por exemplo?

Se libertando da obrigação que você precisa de um veículo para se locomover. Para que você tem dois pés?

Participante – Chegar a este desprendimento completo que o senhor fala, acho que é muito forte para nós. Acho que poderia apenas não me descabelar e pegar um ônibus quando o meu carro quebrar…

Está certo…

Mas, se quando o seu carro quebrar também não houver ônibus? Irá se descabelar? I

Aí é que mora o perigo: se tudo conspirar contra você e houver apenas o desprendimento total como solução para não sofrer, o que fará? É por isso que é preciso se chegar ao máximo…

A única solução para que você não sofra dentro do exemplo que deu é compreender que o ego diz que é necessário ter um carro e você não se apegar a esta necessidade…

Participante – É o ego que gera as necessidades?

Isso: é ele quem diz se você precisa ou não de alguma coisa… Cabe a você, o espírito, não acreditar na necessidade de ter ou não algo.

Mas, este processo de libertação não é estático; ele precisa ser realizado em múltiplas etapas. É como uma cebola que quando você tira uma casca aparece logo outra…

Por exemplo: não há como se libertar da necessidade do automóvel sem antes se libertar da necessidade de se locomover, de ir a algum lugar… Acreditando que precisa ir, se não houver um carro à sua disposição ou algum meio de locomoção, sofrerá com certeza…

Portanto a libertação não pode ser a do carro, mas antes precisa ser libertada a idéia de ter que ir a alguma lugar. Você, o espírito, deve alcançar o ponto de dizer: se for, fui; se for, não fui…

Para compreender bem esta idéia da existência de conceitos que dependam de outros, gosto muito do exemplo da comida. Pergunto: vocês comem legumes? Mesmo contrariando vocês respondo: não, vocês não comem legumes. Mais: o legume faz bem para o seu corpo? Continuando a contrariá-los diria: não…

Claro que vocês acreditam que o legume faz bem para o corpo de vocês, mas se prestassem um pouco mais a atenção às coisas, vocês veriam que não é o legume que faz bem. Por exemplo, a cenoura. Por que se come cenoura? Porque ela faz bem para a pele e para os olhos? Mas, é a cenoura que faz bem à pele ou são as vitaminas que estão dentro dela?

Então o que faz bem ao seu corpo não é a cenoura, mas sim a vitamina que ela contém…

Se isso é verdade, vocês não precisam comer cenoura: basta ingerir as vitaminas que terão o mesmo resultado…

Participante – Mas, precisamos da cenoura para obter as vitaminas…

Não… Os homens vão para o espaço e levam cápsulas de vitaminas. Eles não precisam da cenoura, ou seja, eles são libertos da necessidade de comer uma cenoura…

Então, vocês podem tomar a vitamina em cápsulas. Por que não fazem isso? Porque a cápsula não tem nenhum sabor…

Repare bem… Na alimentação de vocês existem dois aspectos: a obternção do que é necessário para o corpo e o prazer…

Aí está o que assusta vocês em idéias como a não existência da necessidade de comer: a perda do prazer de saborear determinado paladar… Ou seja, apego às percepções, materialismo… É por isso que vocês não abrem mão da necessidade de comer: pelo prazer de perceber um determinado paladar…

Mas, o que é o sabor da cenoura e o prazer de senti-lo? Percepção gerada pelo ego para poder lançar o sentimento de prazer para que o espírito possa, então, promover a sua reforma íntima, ou seja, não se apegar a ele…

Agora ficou claro?

Mas, não para por aí… Falei muito em vitaminas e disse da necessidade delas para o corpo humano. Apesar disso pergunto: o que é uma vitamina? O que são as vitaminas a, b, c, d ou e? Fluido cósmico universal…

Sim as vitaminas são apenas percepções geradas pela parte técnica do ego quando este percebe o fluido cósmico universal. Mas, será que alguma coisa não o é? Não, tudo é fluído cósmico universal percebido de forma diferente pelo ego, inclusive o corpo humano. Sendo assim, será que o fluído universal percebido como corpo humano precisa do fluído cósmico universal percebido como vitamina? Se me responderem que sim eu insisto: para quê?

Continuo ainda na minha análise… Se as vitaminas que vocês acreditam precisar são apenas fluído cósmico universal, pergunto: será que elas só estão em determinados elementos? Não, elas estão no universo. O ar é fluido cósmico universal. Sendo isso verdadeiro, diria que vocês poderiam conseguir as mesmas vitaminas apenas respirando…

Poderiam, mas não sabem como fazê-lo… Não sabem por quê? Porque vocês estão aprisionados ao ego que diz que se não comerem cenoura, não terão determinadas propriedades…

Por isso insisto no ponto que venho tocando constantemente nesta conversa: você, o espírito, precisa começar a dizer ao ego que não acredita que é preciso comer… Não falei em não comer, mas sim em se libertar da necessidade, da obrigação que o cria a partir dos seus conceitos…

Com isso, o espírito vai se libertando da programação do ego até que um dia ele não mais se sinta obrigado a comer e aí quando o ego criar determinada sensação, o ser universal pode não vibrar neste padrão sentimental…

Já o espírito que acreditar que precisa mudar o ego tentará alimentar-se de ar, mas não conseguirá… E, mesmo que consiga, isto não poderá ser considerado como uma vitória sobre nada já que a alimentação de ar não é executada pelo espírito, mas sim uma criação da parte técnica do ego que gera todas as formas e percepções da vida humana.

Participante – É possível viver sem tomar remédio?

Sim, isso é possível…

Participante – Mas, não temos que preservar o nosso corpo físico?

Mas quem disse que o remédio preserva? Estamos discutindo a nível espiritual e você já partiu para o materialismo.

A partir de informações científicas você acredita que o remédio preserva o corpo, mas quem disse que isso é verdade? Muitas vezes você toma remédio para alguma coisa, mas não conhece a ação dele sobre outras partes do corpo.

Quantas vezes você já tomou um remédio para uma doença que destruiu sua parte intestinal? É aquilo que vocês chamam de efeitos colaterais.

Se este efeito existe, quem disse que tomar remédio preserva o corpo físico? Será que ele não causa mais mal? Tomar remédio não é sinal de prevenção do corpo físico, pois você o toma para curar alguma coisa, mas acaba fazendo mal a outra?

Na verdade você nunca sabe qual q reação do remédio. Além de poder atacar outra parte do corpo será que ele dará o resultado esperado? Quantos remédios existem que se mostram eficazes em uns e em outros não faz qualquer efeito? Na verdade, quando você toma um remédio não sabe se ele lhe fará bem…

Mas, você continua tomando remédios assim mesmo. Por quê? Porque o ego diz que tomar tal remédio irá realizar a cura do seu mal…

Na verdade a coisa é muito mais profunda… É a personalidade humana quem vai criar a sensação da doença, da dor, do sentir-se doente e da cura, se esta acontecer. Aliás, o próprio remédio (a forma) é uma criação do ego, pois remédio como qualquer elemento material é fluído cósmico universal.

Apesar disso, a personalidade humana à qual o espírito está ligado durante a sua grande aventura continua dizendo que o remédio é a causa primária da saúde. Mas, o que é a causa primária de tudo que existe como vimos no estudo de O Livro dos Espíritos?

Participante – Deus.

Se o ego diz que o remédio é a causa primária da doença, o que ele é para o espírito que está aprisionado a isso como realidade? O seu deus para a doença…

Na verdade, quando a personalidade humana dá a algum elemento material a causa primária de algum acontecimento, ela está criando um deus. Para ela o remédio é o Deus da saúde, como o carro o é da locomoção e a casa da proteção…

Eu não queria usar o termo Deus, mas tive que fazê-lo para que vocês entendam a ação da personalidade humana. Ela substitui o Senhor do Universo como causa primária pelas próprias coisas materiais. O espírito que acredita que isso é real pode ser chamado, então, de materialista.

Já o ser que está liberto desta ação, o espiritualista, vive para Deus, se entrega em Deus e por isso atribui a causa primária a Deus. Ele diz: “o ego está me dizendo que foi o remédio que me curou, mas eu sei que as propriedades dos elementos que compõem o remédio são causadas por Deus. Então, foi Ele que me curou e não o remédio”…

O espírito precisa “pensar” assim, se quiser aproveitar a encarnação como instrumento da elevação espiritual, mesmo que o ego não tenha como criar realidades sobre o Universo, sobre o mundo onde Deus age.

Por causa da necessidade do ser ter que realizar esta libertação durante a encarnação é a que a chamamos de uma grande aventura. Trata-se de uma aventura porque o espírito precisa afastar-se do mundo conhecido (aquele que a personalidade humana cria) e aventurar-se num mundo onde ele nada conhece…

Como foi definido anteriormente aventura é um empreendimento de risco e vir à carne é uma aventura para o espírito, porque é um empreendimento onde ele tem que executar algo, onde tem que viver um mundo completamente desconhecido sem ter nenhum mapa que o guie…

Ela contém riscos porque a auto identificação do espírito com o ego o faz achar que o que a personalidade diz é real (o remédio cura) e ele precisa libertar-se disso, entregando-se a um mundo que nada conhece naquele momento…

Participante – Segundo o espiritismo temos que retornar à encarnação até que aja a evolução. Isso é real?

Sim, o espírito tem que reencarnar até que aprenda a viver uma aventura (encarnação).

O processo reencarnatório tem o objetivo de elevar espiritualmente o ser universal. Como esta elevação se caracteriza pela vivência do espiritualismo mesmo preso à uma personalidade humana que, por natureza, é materialista, o espírito precisa reencarnar até que um dia viva uma vida onde não mais se subordine ao ego.

Participante – Quando é que a pessoa vai perceber que alcançou isso?

Quando você se refere à pessoa está certamente falando da personalidade humana, do ego. Então, pergunto: como é que a personalidade humana seria capaz de perceber isso? Vendo, ouvindo, pensando, sentindo? Mas, quem cria a audição, o pensamento, a visão ou a percepção da personalidade humana? O ego. Então, seria o ego dizendo a ele mesmo que se libertou dele…

Se ele fizer isso e o espírito acreditar nele, o ser libertou-se de quem? De ninguém, pois ele ainda acredita naquilo que o ego está lhe dizendo que é real…

Sendo assim, afirmo que a elevação espiritual jamais poderá ser compreendida racionalmente. Ela jamais poderá ser constatada pela razão…

Mas, isso quer dizer que o espírito não pode saber se ele alcançou a elevação ou não? Claro que pode…

Quando é que o espírito pode saber se já se elevou?

Participante – Quando não sentir necessidade de agir de acordo com o que o ego diz que deve agir…

Ou seja, quando ele você não se prender mais ao ego…

Quando o ego disser ao espírito que deve sofrer e ele permanecer em paz, pode saber que se elevou. Quando o ego lhe disser que deve exaltar-se de prazer e ele permanecer em paz, pode saber que se elevou. Quando o ego disser que ele deve desejar algo que pertença a outro e o espírito não acreditar nesta necessidade, se elevou… Ou seja, quando o ser universal atingir um estado de paz, harmonia e felicidade incondicional, ele se elevou.

Agora este estado do espírito não será alcançado através da razão (compreender racionalmente que se está em paz), mas pode ser sentido no coração… Mas, isso é impossível para a personalidade humana, porque se a razão disser o que o coração está sentindo já não será mais sentimento, mas sim razão…

Lembre-se: qualquer coisa que exista para personalidade humana é fruto de uma compreensão racional. Se não houver esta compreensão o acontecimento não existe, não foi percebido pelo ser humano.

Sendo assim, como vocês seres humanos só compreendem pela cabeça, mesmo que seja o sentimento que está no coração, vocês nunca vão saber se o espírito ao qual estão ligados alcançou ou não a elevação espiritual.

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