Palestra 04


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Segundo elemento presente nos ensinamentos dos mestres que vamos ver hoje: ecumenismo…

Falar de ecumenismo é uma coisa muito difícil no planeta. Por quê? Porque a idéia que vocês fazem sobre ecumenismo é a fusão das religiões. Para a humanidade a pessoa “ecumênica” é aquela que não tem religião, mas aceita todas…

Por isso o ecumenismo foi definido como o ato de fundir todas as religiões. Acontece, porém, que isso é impossível…

Por que é impossível se fundir todas as religiões? Porque uma religião é composta de dois fatores ritos e doutrina…

Cada religião tem o seu rito, a sua forma de se religar a Deus. Além disso, elas possuem uma doutrina que precisa ser seguida pelos seus fiéis sobre pena de não serem tratados de seguidores daquela religião se não seguirem aquela doutrina.

Se a personalidade humana for católica, por exemplo, existe a obrigação de seguir a doutrina católica, ou seja, de acreditar no que a religião católica apostólica diz que é certo. Se ela não segue esta doutrina, o catolicismo diz: você não pertence a mim.

Sendo espírita, a personalidade humana é obrigada a seguir os preceitos da doutrina desta religião. Do mesmo modo, se ela não seguir, o espiritismo dirá que esta personalidade humana não pertence a ele…

Por isso é impossível fundir as religiões…

Veja bem… As doutrinas espírita e católica – apenas para ficarmos nestes dois exemplos – são antagônicas, ou seja, cada uma impõe uma verdade diferente da outra.

Jamais um espírita será aceito por um católico porque os católicos não acreditam em espíritos. Jamais um católico será aceito por um espírita como igual porque ele não acredita em reencarnação…

É por isso que é impossível fundir-se as religiões: cada uma possui uma doutrina que é antagônica a outra. Como fundir algo como água e óleo, ou seja, dois elementos que não são compatíveis?

Sendo assim, como, então ser ecumênico? Como fundir as religiões se elas são antagônicas? Impossível, não?

Agora, se ser ecumênico faz parte da elevação espiritual e se não se pode criar um ecumenismo a partir das diversas doutrinas que existem, como realizar isso? Fundindo tudo dentro de si mesmo…

Mais uma vez voltamos à questão do interior e do exterior, como, aliás, é o grande aspecto da evolução espiritual. Reforma íntima não se faz no exterior, mas sim no interior, já disse isso.

Sendo assim, é preciso que o ser seja ecumênico sem esperar que exista um ecumenismo no mundo exterior… Ou seja, que ele tenha como real dentro de si todas as doutrinas religiosas do planeta sem dizer que uma está “certa” e outra “errada”…

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Mas, como se transformar em ecumênico com todas as divergências entre as diversas doutrinas? Não se prendendo especificamente a nenhuma delas…

Mas, o que é não se prender a nenhuma delas especificamente? Não achar que só aquilo que elas falam está certo.

Vamos explicar melhor isso…

Quando as doutrinas religiosas dizem que a personalidade humana deve fazer tal ou tal coisa para poderem ser considerada seu fiel o que ela faz? Criam uma lei… Ou seja, as doutrinas religiosas são códigos de leis que criam realidades.

A partir daí volto a perguntar: como não se prender a nenhuma religião especificamente? Não se prendendo as leis que elas ditam…

Portanto, o ecumênico é aquele que não se subordina a leis que as doutrinas religiosas criam para distinguir o “certo” do “errado”, o “bem” do “mal”… Ecumênico não é aquele que acredita em todas as doutrinas, mas sim aqueles que não se subordinam a elas…

Dentro de tudo que já falamos sobre reforma íntima, será que o que falei agora está certo? O que é uma lei de uma doutrina religiosa? É algo material: é palavra, é imagem, é idéia. Quem criou estas leis? O ego.

As leis das doutrinas religiosas são criações de egos, personalidades humanas, a partir de ensinamentos de mestres. Cristo, por exemplo, disse “ame” simplesmente. Depois vêm as personalidades humanas e querem dizer como se deve amar, o que é amar e o que não é.

Mas, será que se devem criar leis humanas que precisam ensinar a amar? Eu acho que não…

Quando se cria uma lei dizendo o que é “certo”, automaticamente se cria o “errado”. Será que julgar alguém o dizendo “errado” é amar? Quem ama de verdade, ama incondicionalmente, ou seja, sem criar lei para dizer o que é amar ou não… Portanto, quem se fundamenta numa lei para dizer o que é “certo” a ser feito, não ama…

Acham que sou eu que estou dizendo isso? Não… O apóstolo Paulo, aquele que melhor compreendeu o ensinamento do Cristo, foi quem disse.

Paulo diz assim: a lei cria o pecado.

NOTA: No caso, Paulo estava se referindo à lei dos hebreus, que era fundamentada no Antigo Testamento. No texto bíblico, inclusive, o termo lei é apresentado em toda a epístola de Paulo com a letra “l” maiúscula…

Isto porque o “errado” só começa a existir quando se coloca uma lei dizendo o que é “certo”. Se não houver lei para legislar algo, não há nem “certo” e nem “errado”. Depois de falar assim da lei, o apóstolo conclui: Deus não ama aquele que cumpre a lei, mas sim aquele que age com fé, como Abraão agiu ao oferecer seu único filho em sacrifício ao Senhor…

Sendo assim, é Paulo que diz que a elevação espiritual (o amor de Deus) é conquistada pela fé e não pelo cumprimento da lei ditada pelas doutrinas religiosas…

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Portanto, a característica ecumenismo que deve ter o espírito na luta contra o seu ego trata-se de não se subordinar às leis (verdades, o que é certo) religiosas que o ego cria como doutrinas.

O ego diz, por exemplo, que para ser religiosas de determinada religião a personalidade humana deve estar vestida de determinado jeito. O espírito não deve se subordinar a isso…

Quem acredita que isso seja real, acaba como escravo do ego, porque acredita que aquilo é necessário para comungar com Deus. Este espírito não estava feliz de verdade naquele momento, mas sentindo prazer por estar vestido adequadamente. A intencionalidade ao ir vestido daquela maneira não estava na comunhão com Deus, mas em cumprir uma lei criada por egos humanizados… Portanto, foi com estes que a personalidade comungou e não com o Senhor.

Aliás, a questão da obrigação da observância dos códigos legislativos precisa ser pensada não só com relação às doutrinas religiosas, mas em todos os aspectos da existência humana…

Todos os códigos de leis que existem no planeta Terra são obras de egos e não de espíritos. Eles são semelhantes nos diversos povos porque fazem parte de uma provação central para os espíritos que encarnam no mundo de provas e expiações. Mal comparando, posso dizer que é o que vocês chamam de consciência planetária ou verdades planetárias…

Em todos os grupos de seres humanos do planeta existem códigos que pretendem criar normas que distingam o “certo” do “errado”, mesmo que o conteúdo destas leis seja diferente. Por exemplo: aqui neste país o homem não pode casar com outra mulher. Este é um elemento do código de leis de vocês. Em outros lugares existem códigos de leis que fala diferente, ou seja, que diz que pode casar…

Quem está certo? Isso não interessa… O que importa é que uma lei foi criada, ou seja, um padrão de “certo” foi estabelecido e com isso gerou-se um “errado”. O amor incondicional acabou…

O conteúdo da lei não importa, mas sim a existência de um código que pretende estabelecer o que é “certo”. Por que isso? Porque todas as leis são estabelecidas por egos, ou seja, instrumentos para provação do espírito que poderá ou não alcançar a elevação espiritual através dela.

Quando ele a alcançará? Quando não se prender ao que o ego diz que é “certo”, ou seja, quando o ser libertar-se da obrigação de cumprir as leis…

Quando o espírito que vivencia um ego que habita este país não se deixar levar pela personalidade humana que diz que ter duas esposas é “errado” e o que vivencia um ego onde se diz que deve ter duas não sentir-se obrigado a isso, então a elevação espiritual será alcançada…

Este ser será elevado porque conseguiu alcançar a verdadeira liberdade: ele é livre dos padrões humanos que determinam o “certo” e o “errado”.

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Paulo, como nós já vimos anteriormente, falou da lei e disse a mesma coisa que dissemos. Mas, com quem Paulo aprendeu? Ele aprendeu no mais alto céu com Cristo…

O mestre nazareno falou muito de lei. Ele disse: eu não vim tirar um ponto ou uma vírgula da lei, mas sim dar o seu real sentido… Este real sentido é o amar…

Para amar, ele falou mais da lei: ela é a trave que está nos seus olhos e que o faz enxergar o cisco que está nos olhos dos outros. O cisco são os “erros” dos outros, mas eles são pequenos quando comparados aos seus “erros” (a trave): apontar o “erro” dos outros…

A subordinação aos parâmetros legais não deixa a personalidade humana usar uma característica do universal amor que vimos: a igualdade. Isso porque a lei padroniza o “certo” enquanto o amor o diversifica. Diversificando o “certo” ama-se o próximo do jeito que ele é.

Quando existe a subordinação aos padrões legais não se ama igualitariamente. Se uma personalidade humana segue os padrões de “certo” criados pela lei, com certeza irá amar primeiro os que cumprem estes padrões para só depois amar o outro…

Por isso fixar-se ao “certo” impede que haja o amor universal: ele castra a liberdade, a igualdade e a felicidade sua e dos outros…

Além do mais, quando se fala em cumprimento de uma lei (determinar que alguém é errado) jamais poderemos também nos esquecer do ensinamento de Cristo. O mestre, ao ser testado pelos fariseus que queriam que ele julgasse uma mulher pega em flagrante delito, disse: que atire a primeira pedra aquele que não tem pecado…

Desta parte todos se lembram, mas muitos se esquecem da continuação deste ensinamento. Quando ninguém acusou a mulher, o próprio Cristo disse: quem sou eu para julgá-la…

Ora, se o próprio Cristo não se sentiu confortável para julgar os outros, quem somos nós para fazê-lo.

Portanto, o espírito não deve acreditar na sensação que o ego cria de que a lei é importante, de que ela é necessária para se determinar o certo e o errado. Não crendo nisso ele poderá libertar-se das idéias de “culpado” e “errado” que a personalidade humana gerará para si ou para os outros, alcançando, assim, a elevação espiritual, ou seja, o amor incondicional…

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Agora, eu não estou falando só em leis da sociedade não, mas nas chamadas leis individuais. Ou seja, estou falando nos padrões de certo de cada personalidade humana…

Por exemplo: Qual a cor da sua calça?

Participante: Verde…

Tendo alguém daltônico aqui, será que ele veria a mesma cor? Se ele não vê a mesma coisa que você, ele está “errado”? Sim, para você estaria, porque o seu código interno de leis diz que esta cor chama-se verde… Portanto, para amar o próximo o espírito precisa libertar-se da lei que determina que exista uma cor “certa” para esta calça…

Vamos a outro exemplo. Pense numa coisa que você goste. Será que todos gostam do que você gosta? Claro que não… Para você eles estão “errados”, pois aquilo é gosto, não é mesmo? Mas, quem disse que o outro é obrigado a gostar do que você gosta?

Olhe, estou usando exemplos bem simples apenas para compreenderem, mas ampliem este conceito para as coisas mais complexas do mundo e vocês verão quantos momentos de sofrimento poderiam ter sido evitados, se isso fosse possível, apenas libertando-se da lei interna que diz o que é certo ou errado…

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Portanto, o ecumenismo como não subordinação a código de leis é instrumento necessário para a elevação espiritual porque só ele pode levar o ser a viver em felicidade incondicional.

Enquanto houver subordinação a código de leis a felicidade não será condicional, mas ocorrerá apenas quando os ditames dele forem contemplados. Ou seja, será condicionada a que o outro cumpra o que você acha “certo”…

Para poder alcançar esta felicidade, a personalidade humana terá que se transformar num juiz, ou seja, terá que estar sempre atento para verificar se o outro está cumprindo a lei ou não. Este estado de tensão acaba com a sua própria felicidade…

Sim, a personalidade humana que vive apegada a código de leis se se coloca no direito de ser juiz, de julgar a humanidade. Ela acredita que tem o direito de julgar o próximo porque conhece a lei, porque sabe o que é “certo”.

Vocês já ouviram falar disso? Já ouviram falar de alguém que conhece a lei e que por causa disso se imagina com direito de julgar os outros? Cristo falou destas personalidades e as chamou de professores da lei…

“Ai de vocês, professores das leis, fariseus e hipócritas que ensinam os outros, mas não praticam”.

Sim os professores da lei (aqueles que sabem o que é “certo” e querem impô-lo aos outros), sejam da lei coletiva ou da individual, não praticam o amor, apesar de disserem que ensinam a amar… Isso porque quando eles se apegam a um código de leis padronizam o que é amar um amor e querem obrigar os outros a amar do jeito que eles acham “certo”. Mas, quem disse que eles sabem o “certo”?

Só o ecumenismo, a liberdade do “certo” e do “errado” pode levar o espírito a uma coisa que chamamos de consciência amorosa. Sendo a liberdade uma parte integrante do amor universal, consciência amorosa ou a consciência que ama é aquela concede ao próximo o direito dele ser quem quiser, de ter a liberdade de agir do jeito que quiser agir sem que esta consciência se veja obrigada a julgá-lo por isso.

Portanto, o ecumenismo é outro instrumento da elevação espiritual. Aliás, um instrumento importantíssimo, pois o ecumenismo como aqui nós descrevemos leva ao fim dos julgamentos, tema no qual Cristo muito falou quando trouxe os ensinamentos para a elevação espiritual…

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Mas, tem outro aspecto que quero abordar neste momento a respeito do tema ecumenismo: ele deve ser aplicado a todos os quesitos legais e não apenas a alguns. Ou seja, você não deve escolher que lei tem que cumprir ou não.

O espírito precisa se libertar da ação do ego de forma total e não apenas de algumas partes deles. Por isso, é preciso libertar-se da coerção de todos os ditames legais e não de apenas alguns…

A partir disso, pergunto: dá para viver sem leis? Vamos imaginar que de hoje para amanhã acabem todas as leis: você acha que a vida na sociedade poderia ser vivida sem lei?

Todos aqui responderam não. Uma pessoa ainda disse: seria uma desordem…

Devo, então, entender que a existência de leis é fundamental para a vida humana. Certo?

Participante – Nesse planeta, nessa fase que ele se encontra acho que sim.

Está certo…

Agora me digam: para que uma lei é feita? Pelo que eu sei é para proteger o direito dos outros, certo? A lei é criada para que ela proteja o direito de cada cidadão, ou seja, para que não aconteça nada “errado”…

Então, pergunto novamente: alguém é capaz de me dizer algum “erro” que a lei extinguiu?

Reparem bem: se a lei protege o direito das personalidades humanas evitando que aconteça o “errado”, isso quer dizer que não existem mais assassinatos e nem roubos, pois há leis que coíbem isso. Certo?

Participante – O argumento que já ouvi é que sem as leis estaria pior.

Há, isso é um “achômetro”: alguém acha que estaria pior, mas não tem a menor certeza de nada…

A consciência do que acabei de dizer (que a lei não cumpre seus objetivos) é importante para aquele que pretende promover sua elevação espiritual. Isso porque o ego diz ao espírito que a existência de leis é necessária para que se preserve o seu direito, mas ele mesmo assim não é preservado… Então, para que lei?

A personalidade humana através do seu mundo das idéias afirma que a existência de leis é necessária porque sem ela as coisas poderiam ficar piores, mas ela não tem a mínima idéia do que está falando porque não conhece o que é viver num mundo sem leis… Sabe como seria uma existência sem leis? A mesma que é hoje…

Ora, se a lei não extingue nada, se ela não coíbe nada, como ela pode alterar alguma coisa? Toda vida das personalidades humanas é legislada; cada passo que se dá nesse mundo é legislado. Para cada atividade humana existe uma legislação. Mas, apesar deste enxame de códigos que dizem o que é “certo”, o comportamento humano jamais se alterou ao longo dos séculos. Os mesmos crimes legislados como ”errados” há dois continuam sendo praticados até hoje…

Por isso volto a repetir: as leis não servem para nada…

Participante – O fim das leis acaba só com as obrigações.

Isso… O fim da lei acaba com a obrigação e com a cobrança da mudança do próximo.

Antes disse que as leis não servem para nada, mas não falei a verdade. Alei serve sim para uma coisa: para poder julgar e acusar o outro. Ou seja, a lei é um instrumento carmático que cria uma situação de não amor que serve de provação para o espírito que está realizando a sua grande aventura…

Sem acabar com o apego às leis o espírito jamais vai amar, pois jamais aceitará que o outro seja do jeito que ele quer ser. Isso porque a lei é um parâmetro para medir e julgar o que os outros fazem.

Vou dizer mais ainda: quando o espírito liberta-se do valor que a personalidade humana dá às leis automaticamente surge a consciência amorosa ou a consciência que ama… Somente quando esta consciência for alcançada o espiritualismo (a libertação dos elementos do mundo material como reais) acontecerá…

Então, quando o espírito se conscientizar de que as leis, sejam elas judiciárias, morais ou pessoais tudo será extinto. Somente então poderá ser realizado o que a lei não conseguiu fazer: unir todos em pé de igualdade…

Falei em leis morais e vocês devem estar achando estranho, pois estas são as mais defendidas em qualquer trabalho religioso. Mas, será que a lei moral foi capaz de extinguir o ato imoral? Se não foi, para que continuar existindo?

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Participante – Tendo como base outros estudos que nós fizemos e que afirmam que nada poderia ser diferente do que foi até então, eu acredito que isso que você esta falando nós devemos começar a treinar daqui para frente. Não seria isso?

Porque tudo foi do jeito que foi?

Participante – Porque foi escrito assim.

Mas porque foi escrito assim?

Participante – Porque Deus sabia já do nosso comportamento.

Ah, do seu comportamento.

Se tudo foi do jeito que foi porque o seu comportamento era assim, então não pode se dizer que tudo teria que ser do jeito que foi. Na verdade, foi do jeito que foi porque vocês, espíritos, tiveram determinado comportamento. Carma…

Ou seja, o mundo está do jeito que está porque vocês, espíritos, são do jeito que são. Agora, façam com que vocês se mudem para que o mundo seja diferente.

Participante – Foi isso que eu disse; não poderia até então ter sido diferente.

Não, não poderia. Eu não estou criticando o passado. O que eu estou mostrando é a característica do ser humano.

Além disso, estou mostrando ao espírito: é aqui que você está (apegado ao ego que diz que isso é “certo”) e você precisa vir para cá (viver sem apego a estas ilusões criadas pela personalidade humana).

Segunda coisa que estou dizendo ao espírito: não pegue a lei que a personalidade humana vivencia e jogue no lixo. Foi isso que eu disse? Não… O que falei é que o espírito deve ir lutando contra o ego para aos poucos vocês se libertar dele…

Lembre-se do que já disse: não adianta querer renascer sem antes você morrer. Esta morte não acontece de súbito: é preciso que o ser vá se libertando aos poucos.

Tal pensamento vale para tudo que já falei aqui, inclusive a questão da necessidade de se alimentar. Não dá para o espírito que está vivendo a sua aventura encarnatória (ligado ao ego) imaginar que pode, de uma hora para outra, não mais sentir a “fome” que o ego cria. O que o ser precisa fazer é paulatinamente ir se libertando desta sensação para que aos poucos surja nele uma consciência amorosa. Aí sim, ele pode mudar sua ação e não mais dar o valor de real àquilo quer a personalidade humana cria…

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Então essa é a ferramenta ecumenismo. Ela, em conjunto com o espiritualismo, é um elemento necessário à reforma íntima.

Através do espiritualismo o ser se liberta das formas e das propriedades delas; pelo ecumenismo se liberta da lei ou da obrigação de ter que se agir dentro de um determinado padrão.

Ficou claro isso?

NOTA: Esta pergunta foi dirigida a uma pessoa do sexo feminino que estava presente junto com seu esposo.

Participante – Sim…

Então, seu marido pode arrumar outra…

Participante – Não, isso não…

Ah, mesmo tendo entendido que não deve apegar-se a “certos” e “errados” Isso não pode acontecer, não é mesmo? Por quê? Porque você, como todo ser humano é individualista…

O individualismo, assim como o materialismo e o apego à código de leis que determinam o “certo”, é outra característica da personalidade que o espírito precisa reconhecer e libertar-se da sua ação…

A personalidade humana diz que os ensinamentos valem, são perfeitos e bons, mas só aceita a sua aplicação nos outros. Mesmo acreditando que deve libertar-se das leis humanas o ego, quando a aplicação de tal ensinamento afeta a sua própria existência, não o aceita…

O trabalho da reforma intima começa na modificação da sua própria existência e não da vida da coletividade. O espírito precisa libertar-se de todas as leis que a personalidade humana cria para a vida carnal, mesmo que com isso este ser humano aparentemente perca alguma coisa…

De nada adianta o espírito lutar apenas para colocar em prática este ensinamento quando se referir à vida dos outros e manter estes mesmos valores quando eles afetam a existência da personalidade humana que está criando a sua aventura encarnatória. Se isso acontecer, ele nada executou no tocante à evolução espiritual.

Por isso, se não existe mais o “certo” e o “errado” para você, porque não deixar seu marido ter outra?

Claro que isso que estou falando é apenas para exemplificar o que estou falando. É óbvio que a compreensão da necessidade de se dar a liberdade ao outro não vai levar você a buscar outro nem a ele a buscar outra.

O que estou querendo dizer é que você, o espírito, precisa estar consciente de que todos têm o direito de ser e fazer o que quiserem. Se não houver esta consciência disso e acontecer de um dia ele fizer algo que você não concorde possa, então, não acreditar na critica que a personalidade humana vai criar…

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Na verdade, o fim das leis não traz necessariamente a bagunça. Isso é uma coisa que nós temos que deixar bem claro. A bagunça acontecerá se tiver que acontecer tanto importa se espírito reagir de uma ou de outra forma… A ação do espírito junto ao ego não muda os acontecimentos materiais, pois eles são determinados antes da encarnação conforme os gêneros de provações pedidos pelo ser universal.

Sendo assim, posso dizer que a reforma intima não altera a vida, mas sim a forma como o espírito vivencia o que a personalidade humana vive…

Participante – Trata-se de uma mudança de atitude?

Não, uma mudança da forma como o espírito participa das vivências da personalidade humana. Uma mudança não de atos, mas do estado que o espírito participa daquela vivência.

Participante – Não adianta eliminar as leis e continuar fazendo o que se faz

Adianta sim…

Pode deixar tudo mundo continuar a fazer o que faz, pois se você não vivencia mais o que vivenciava antes, os outros não vão mais fazer o que faziam…

Vou dar um exemplo para facilitar a compreensão do que estou dizendo…

O acontecimento carnal diz que a personalidade humana que o espírito está ligado está andando na rua e alguém mete a mão no seu bolso tirando de lá o dinheiro. O que é isso para o ser humano? Um roubo…

Dentro do processo de reforma íntima, o espírito aprende que tal ação na verdade é apenas uma representação de sua provação. Com isso o espírito não mais acredita quando o ego diz que tal acontecimento é um roubo, mas o entenderá como sua provação…

Repare: o ato continua o mesmo (alguém meter a mão no bolso da personalidade humana e tirar o dinheiro), mas o espírito não vivencia mais um roubo e sim uma provação.

Depois o espírito passa a compreender que a sua provação é, na verdade o fruto do amor de Deus por ele. Neste momento ele ultrapassa a idéia de tal acontecimento ser uma prova, mas sim a materialização do amor do Pai pelo seu filho…

Ou seja, o mesmo acontecimento foi primeiro compreendido como roubo, depois como provação e posteriormente como amor de Deus em ação…

Por isso disse que para quem não vivencia mais o que vivenciava antes, os outros não vão mais fazer o que faziam…

Participante – O espírito deixa de julgar o ladrão?

Mais do que isso: para o espírito que se liberta do que a personalidade humana diz que está acontecendo não há mais ladrão… Não há mais ladrão porque não há mais roubo.

Dentro da escala que colocamos no exemplo, aquele que participa do acontecimento enfiando a mão no bolso tirando o dinheiro inicialmente se transforma num instrumento da provação e depois do amor de Deus, um mensageiro do Senhor.

Compreende o que estou querendo dizer? Os acontecimentos da vida não mudam, mas sim os valores com o qual se participa destes acontecimentos…

Isso é reforma intima…

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Voltemos ao assunto que estava conversando com a moça que está aqui com seu marido: a libertação do “certo” é aceito quando se trata da vida do outro, mas não quando se trata da vida de cada um. O que a personalidade humana quer preservar ao não aplicar este ensinamento na sua própria existência?

Participante – Preservar o eu?

Isso: preservar o seu “eu”. A personalidade humana que aqui está com o seu marido não gostaria que ele arrumasse outra mulher. Para preservar este desejo que compõe o seu “eu” é que ela não se liberta do preceito que o marido tem que ser fiel à esposa.

Essa é uma das características da personalidade humana que precisa ser vencida pelo espírito: o “eu”. Mas, como se vence o “eu”? Vivendo o “nós”.

Quando nos conscientizamos disso, chegamos, então, ao terceiro instrumento da reforma intima: o universalismo.

Vivenciar o “eu”, ou seja, priorizar os desejos individuais é ser individualista. Vivenciar o “nós”, ou seja, dar ao próximo o direito de ser, estar e fazer o que quiser sem que o “eu” se sinta ferido é ser universalista. É ser universal…

Falando mais praticamente, vivenciar o universalismo dentro do processo de reforma íntima é vencer a verdade de cada um que protege sempre o “eu” e vivenciar a verdade do próximo sem críticas ou restrições. Ou seja, entregar-se ao próximo.

Essa é uma coisa dificílima para aqueles que estão apegados a egos. Isso porque o espírito que se apega à personalidade humana acredita que os valores que esta personalidade cria são “certos”. Ele jamais vai aceitar e participar da verdade do outro como se sua fosse.

Eu vou dar um exemplo disso: um dia eu estava fazendo uma palestra falando sobre servir ao próximo. Disse que servir ao próximo é fazer o que o outro quer por querer fazer o que o outro quer. Isso é servir ao próximo…

Uma pessoa então me disse… “Vou dar um exemplo para ver se entendi bem. Sou casada e meu marido quer ir ao futebol todo domingo. Para servi-lo devo ir com ele”?

Respondi a ela dizendo: se você quiser servir ao próximo sim, deve ir com ele. Se ele quiser que você vá, você que quer servi-lo deve acompanhá-lo.

Ai esta personalidade humana de uma forma bem individualista, que é a característica do ego, me disse: “mas, quando vou fazer o que eu quero”? Nesta simples pergunta se encaixa toda a dificuldade da reforma íntima…

Dizer que a reforma íntima passa pelo serviço ao próximo não é nenhuma novidade, pois os mestres ensinaram isso. Por que, então, a personalidade humana que diz que quer se elevar não faz? Porque ela não serve ao próximo, mas apenas faz concessões esperando receber algo em troca. Quando age assim não está vivenciando o “nós”, nas ainda está presa ao “eu”…

O serviço ao próximo, ou seja, a vivência do “nós” precisa ser feito com uma perfeita integração com o próximo que começa pelo abandono do “eu”. Ou seja, o pensamento que deveria ser realizado por aquele que diz que quer reformar-se é o de ir ao futebol sem esperar nada em troca. Ir como um serviço ao próximo, como uma devoção ao “nós” e não para que o “eu” ganhe futuramente algo…

Esse é o verdadeiro universalismo: conviver com o próximo sem estar apegado em si mesmo. Se a personalidade humana que citei aqui conseguisse colocar isso em prática iria ao futebol com o seu marido para servi-lo e com isso estaria eliminando a cobrança dele retribuir esta ação…

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Participante – Universalismo, então, é o fazer sem esperar nada em troca?

Mais do que sem esperar nada em troca: sem querer outra coisa, sem ter outra verdade, sem ter outra realidade, sem ter mais nada e viver cada momento independente um do outro. Isso é universalismo.

Participante – É comum num casal os dois estarem com necessidades diferentes um do outro. Em um momento um pode estar querendo ir para um lugar e outro para outro.

Ele disse que é comum ter as pessoas terem necessidades diferentes e está certo. Mas, eu pergunto: o que é a sua necessidade? O que é a necessidade que um espírito vivencia durante a sua aventura encarnatória? É aquilo que a personalidade humana cria para ele como provação.

Então, aquilo não é necessário, mas apenas mais um acontecimento do qual o espírito precisa se desprender. Acreditando que aquilo é realmente necessário o espírito não realiza o trabalho que veio fazer, não chega a bom termo na sua grande aventura…

Portanto, é comum cada personalidade humana querer algo diferente do seu parceiro, mas isso só acontece para que o espírito possa ter a oportunidade de fazer a sua reforma íntima…

Participante – Mas, se eu estiver aceitando o que o outro quer estarei me subordinando a o ego do outro?

Não estou dizendo para você se prender a outro ego; estou falando em servi-lo sem se escravizar ao que o ego do próximo quer. Aceitar o que ele me diz como realidade atual, mas sem se prender aquilo. Ou seja, se ele quer que eu vá, eu vou; amanhã ele não quer que eu vá, então, eu não vou.

Se o espírito se prende ao que o ego do outro quer em um determinado momento como algo “certo” criará uma lei ele quer que eu vá, então tenho sempre que ir com ele… Não é isso que estou falando…

Amanhã pode ser que ele não queira que você vá. Se você aceitou o tem que ir sempre como uma regra, ou seja, se prendeu ao servir como ter que ir com ele sempre, cobrará porque ele não está lhe chamando desta vez…

Servir ao próximo é vivenciar o que ele quer a cada momento sem apego à condições. Ir com ele quando ele quer que você vá; não ir quando ele não quiser que você vá. Isso sem fazer a menor diferença entre ir ou ficar…

A necessidade daquele que vivencia o universalismo é fazer o que o outro quer e não estabelecer parâmetros do que é servir. Se durante o serviço a ação carnal mostrar a sua personalidade humana indo ou não, isso não tem problema…

Universalismo não se traduz numa ação específica (fazer a ação que corresponde a vontade do outro), mas sim em algo interno: a disposição de servir o próximo. Posteriormente vamos falar sobre este assunto, mas por hora saiba que se o universalismo independe da personalidade humana participar ou não da ação do outro.

Saiba que se a personalidade humana participar da ação que o outro deseja com uma razão que mostre contrariedade ou obrigatoriedade (“tenho que ir novamente, que saco”, “tenho que ir porque eu quero realizar a elevação espiritual) a ação de ir não pode ser considerada universalista. O que denota uma ação universalista é aquela onde a razão humana não se considera contrariada ou obrigada a fazer o que o próximo quer, seja participando da ação que ele deseja praticar ou não.

Esse é o instrumento universalista da reforma intima. Ele está presente quando o espírito se liberta do “eu” – dos desejos e vontade individuais da personalidade humana – e se entrega perfeitamente à vontade e desejo do próximo pela simples vontade e desejo de servir ao próximo.

Quando para o espírito não importa as vontades criadas pela personalidade humana, mas sim o desejo de servir ao próximo, neste momento ele está utilizando-se do universalismo e está realizando a sua reforma íntima…

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Então, como vimos até aqui, universalismo é a integração com o próximo, ou seja, a não contraposição ao que o outro acha ou quer. Isso vivenciado pelo espírito mesmo quando a personalidade humana possui razões contrárias ao universalismo, ou seja, individualistas… Essa é a vivência de uma encarnação que pode levar o ser a aproximar-se de Deus.

Levar a encarnação a bom termo, ou seja, aproximar-se de Deus é:

ser espiritualista, ou seja, não se prender às formas e realidade materiais construídas pelo ego…

ser ecumênico, ou seja, não se prender às leis desse mundo criadas pela personalidade humana…

e entregar-se aos acontecimentos do mundo com perfeição, ou seja, sem deixar os desejos e paixões do “eu” provador alterarem o seu padrão vibracional…

Quando isso acontece, o espírito aproximou-se de Deus. Por quê? Porque com isso ele destrói toda a realidade que o ego cria.

Ao destruir as formas, os códigos de lei que criam o “certo” e o “errado” e as paixões e desejos que a personalidade humana cria, o espírito poderá viver num estado de paz, porque não vai ter mais armas para guerrear, de harmonia, porque não vai ter mais nada para que lhe contrariar e de felicidade, porque não vai terá mais nada que lhe faça aceitar a sensação de estar chateado…

Quando os três instrumentos que falamos hoje forem utilizados pelo espírito tudo que acontecer para ele estará perfeito, mesmo que a personalidade humana diga ao contrário. Eu disse prazer, ou seja, mais do que “certo”. Saiba que enquanto houver o “certo” para o ser este não escapará da sensação de prazer que a personalidade humana criará.

Olhe que vida maravilhosa é essa que estou descrevendo. O espírito observa a criação da parte técnica do ego que cria a imagem de um estupro e não sofre com isso…

Sim, o estupro para o ser liberto da materialidade, dos padrões de “certo” e universalizado não é mal… Ele é mal para quem? Para a carne? Mas, carne não existe: é criação racional da personalidade humana através da sua parte técnica…

“Mas o espírito está sentido dor”, diriam os que ainda querem separar “certos” e “errados”. A estes eu repondo: a dor não é do espírito, mas sim uma sensação criada pelo ego. Se o espírito está sentindo esta dor é porque não realizou a contento a sua reforma íntima, ou seja, ainda está apegado ao ego. Se este ser universal entender que está encarnado, ou seja, que está vivendo uma grande aventura probatória ao invés de uma vida carnal não mais vivenciará esta dor…

Lembrem-se do que eu disse: enquanto houver qualquer coisa que seja “certa” ou “errada” para o espírito, mesmo que este padrão seja coletivamente aceito, ele não tem harmonia com o mundo. Ele ainda acreditará quando a personalidade humana disser que são as coisas “erradas” não podem acontecer.

O ser que não se harmoniza com o mundo através da libertação dos padrões de “certo” e “errado” não tem felicidade incondicional, pois vai viver a sensação de sofrimento que a personalidade humana criará quando o “errado” estiver acontecendo. Também não terá paz, pois os conceitos da razão humana servirão como instrumentos para que este ser crie a “guerra“ (ir contra) os que não seguem os padrões que ele acredita.

Guerra: não foi isso que as personalidades fizeram contra aqueles que promoveram a guerra no Iraque? Eles fizeram guerra para ter paz, para pedir a paz… Ou seja, guerra para parar a guerra…

Sim, guerrear não é apenas portar uma arma e dispará-la contra os outros. Criticar o governo que faz guerra é abrir guerra contra este governo.

Será que isso é “certo”? Como é que alguém pode dizer que quer paz se não dá o exemplo? Realmente a lógica humana muitas vezes pode até ser considerada engraçada.

Deixe-me fazer um comentário… Vocês acompanharam pela televisão a preparação para a guerra do Iraque. Viram também os povos irem para as igrejas, templos ou centros rezarem para não ter guerra. Apesar deste esforço de milhares de seres humanos aconteceu a guerra? Vocês viram que sim…

A partir disso eu deveria dizer: que Deus vagabundo, hein… Que Pai é este que não atende um apelo justo e “certo” de seus filhos? Repare: Deus deve ser muito fraco, pois o mundo inteiro rezou pedindo a Sua interseção para que não acontecesse guerra e Ele não pode fazer nada…

Sim, esta é a conclusão lógica a que se chega se ficarmos presos à questão do “certo” e “errado” e do mundo acontecendo sem um Regente. Agora, vamos ver o mesmo acontecimento a partir da visão que estamos criando aqui, ou seja, que a vida encarnada é apenas a grande aventura encarnatória do espírito.

Onde está o ato de guerrear na encarnação? Na parte técnica do ego. Ou seja, tudo o que você viu a respeito de guerrear não existiu fora da razão humana, mas foi sim uma criação interna do ego.

Além do mais, será que aquelas percepções são uma guerra? Ou seja, será que a bomba que você viu cair é um guerrear? Não, guerra foi um valor que a personalidade humana criou para aquela percepção que ela também criou…

Sim, você, personalidade humana, viu uma bomba caindo, mas isso não quer dizer que aquilo representa uma guerra. Na verdade a consciência de que aquilo é uma guerra é formada por uma verdade que está no ego e não pela realidade.

A partir de tudo o que vimos até aqui, na realidade o que é que está acontecendo? Uma encenação gerada pela percepção humana, quer seja na forma, na compreensão e nas sensações que tem por finalidade construir a provação que acontece para o espírito durante a sua grande aventura encarnatória.

Sendo assim, a existência de uma guerra é realidade sua, personalidade humana, e não de Deus. Para Ele o que está acontecendo é apenas a provação do espírito que é necessária para que este se aproxime Dele.

Veja bem o que falei: para Deus o que está acontecendo é apenas a provação do espírito. Eu não posso nem dizer que para Deus a guerra representa a provação do espírito, pois para o Senhor a guerra não existe. Aquilo que a personalidade humana chama de guerra Deus chama de provas…

Pronto: agora existe um Senhor Onipotente, Onipresente e Onisciente. Um Senhor que sabia tudo que estava acontecendo na realidade e estava presente fazendo acontecer o que era preciso acontecer acima da vontade e desejo de qualquer um.

Este é o Deus descrito pelos mestres e não aquele que as personalidades humanas acreditam existir e rogaram para que não houvesse a guerra…

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Como disse, Deus sabia o que estava acontecendo na realidade. Mas você, quer seja espírito ou personalidade humana, sabia? Se não sabia, será que poderia saber? Será sobre isso que conversaremos na próxima palestra.

Hoje falamos dos instrumentos necessários para destruição por parte do espírito da realidade criada pela personalidade humana. Na próxima conversa iremos falar sobre a realidade real do Universo.

Apesar de conversarmos sobre isso apenas na próxima conversa, por enquanto posso adiantar uma coisa: o espírito, apesar de ligado apenas às realidades ilusórias que a personalidade humana cria.

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Nós estamos estudando a encarnação, a grande aventura do espírito. Já falamos diversas coisas sobre encarnação e na última conversa falamos sobre os três instrumentos para promoção da reforma íntima, ou seja, três instrumentos para a caminhada pela elevação espiritual. Estes instrumentos são o ecumenismo, o espiritualismo e o universalismo.

Ainda na última conversa acabei falando o seguinte: esses instrumentos precisam ser utilizados pelo espírito para libertar-se da ação do ego…

Como vimos anteriormente a ação do ego é construir realidades que são ilusórias para que o espírito a vivencie como real ou não. Sendo assim, deixei claro na última conversa que o espiritualismo, o ecumenismo e o universalismo são instrumentos para que o espírito se liberte da realidade criada pelo ego.

Hoje, como prometido, vamos falar sobre essa realidade. Falaremos como o ego cria realidades para o espírito, como a personalidade humana é programada para criar determinadas realidades para espíritos específicos.
Então hoje vamos falar sobre aquilo que você, personalidade humana, acredita que é real. Vamos falar da ação do ego que cria uma realidade de vida e vamos falar como isso é construído e como é vivido.

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Como disse anteriormente, o ego é composto por duas partes: uma que nós chamamos de técnica, que é aquela que cria a forma das coisas, e uma parte que chamamos sentimental ou de sensações, que é a que confere as sensações, sentimentos e emoções que o ser humano vivencia.

Comecemos, então, pela parte técnica do ego…

A parte técnica do ego tem duas divisões, ou seja, as formas com as quais a personalidade humana convive diariamente são divididas em dois grandes grupos. O primeiro grupo eu vou chamar de formas planetárias…

O que são formas planetárias? A forma que faz parte de um modo global no planeta. Elas são percebidas de forma idêntica por todos os egos…

As formas planetárias, então, são as “coisas” do planeta. Exemplo: parede. Parede é parede no planeta inteiro, ou seja, todas as personalidades humanas conhecem este elemento do planeta.

Além destas formas, o ego cria outras que chamaremos de formas individuais… São formas, ou seja, “coisas” do planeta, mas elas são percebidas especificamente por uma personalidade humana ou por um grupo de seres humanos, mas não são percebidas de forma genérica por todos.

Na verdade, as formas individuais são desenhadas por cada ego. Vou dar um exemplo…

Como disse parede é uma forma planetária, pois parede é igual em tudo quanto lugar do universo. Agora o corpo da parede é sempre individualizado, ou seja, cada ego desenha um corpo para o elemento parede.

Sei que este exemplo não deixa vocês entenderem bem o que quero dizer, por isso vou dar outro. Olhos e mãos são formas planetárias, pois todos reconhecem este desenho. Mas, o “seus olhos” e as “suas mãos” trata-se de uma individualização da forma planetária.

O desenho dos seus olhos e das suas mãos são individuais, ou seja, pertencem só a você. Foi você, o ego humanizado que, a partir da forma planetária olho e mão, criou a forma “seus olhos” e “suas mãos”.

Não sei se deu para ficar bem claro. Existe dentro da parte técnica do ego as formas de um jeito planetário, mas existe também a forma individual que é desenhada pelo ego particularizando a forma planetária.

Além destas duas formas, que são fixas, estáticas, existe ainda uma outra parte do ego que vou chamar de formas de ação. Na verdade, a forma da ação é a percepção da ação que a personalidade humana tem durante a vida carnal.

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Vou dar um exemplo juntando as três formas que comentamos…

Digamos que um ser humano imagine que ele está em um carro que está andando. O carro, não importando a marca ou o desenho, é uma forma planetária, pois é reconhecido por todas as personalidades humanas. O seu corpo (o você que está andando de carro) é uma forma individual, pois trata-se de uma particularização da forma planetário corpo humano. Já a percepção do carro estar se locomovendo é criação da terceira parte do ego: a forma de ação.

Após criar estas três formas, como um desenhista desenha os personagens de sua figura, o ego as utiliza para gerar uma realidade: um ser humano que está andando de carro.

Deu para ficar mais ou menos claro?

Nesta realidade, que é comum na vida das personalidades humanas, existe uma forma universal, que é o carro – é universal porque carro é carro em qualquer parte do planeta – o seu corpo, que foi desenhado de modo particular a partir de uma forma universal e a idéia da locomoção em velocidade.

Ficou claro isso? Eu sei que parece complicado, porque estamos pegando um instante da vida de vocês e decompondo-o em diversas ações. Mas, é preciso se decompor cada instante presente em diversas etapas para que possamos começar a lutar contra a realidade que se vivencia.

A personalidade humana acredita que está andando de carro, mas o espírito não pode crer nisso, pois ele não anda de carro. Isto porque carro não existe, mas trata-se apenas de uma forma gerada a partir do fluido cósmico universal. Além do mais, o corpo, que a personalidade humana diz ser ele, também não existe, pois a matéria carnal nada mais do que uma forma que o ego cria a partir do fluido cósmico universal.

Se não existe carro nem corpo, como pode então existir locomoção? Para que alguma coisa se movimente é preciso que ela pelo menos seja real. Se o corpo não existe, pelo menos como você o percebe, ele não pode movimentar-se…

Portanto, fica, no início desta conversa, a informação de que a parte técnica do ego possui três divisões: as formas planetárias, as individuais e as de ação. Será sobre este tema que iremos conversar hoje…

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Vamos começar, então parte técnica do ego que chamamos de formas planetárias.

Este “programa” – vamos chamar assim os geradores das formas do ego – que codifica o fluido cósmico universal nas formas globais do planeta é imposto ao espírito. Ou seja, o espírito não tem como escolher as formas que serão criadas por este programa da parte técnica do ego. Assim sendo, jamais o ego, por escolha do espírito, poderá ver parede onde outros vêem mesa…

Então, com relação a isso, deve ficar bem claro que ninguém jamais vai, por mais elevado que seja, por mais liberto do ego que seja, alterar a visão sobre as coisas do planeta, o sabor das coisas ou qualquer outro fruto das percepções humanas.

Não é porque o espírito tenha se elevado que a tangerina vai ser mais doce. Esse sabor é universal: ele não é particular. Não é porque o espírito tenha se elevado que a laranja vai mudar de cor…

Isso precisa ficar bem claro, porque tem muita gente achando que quando se elevar espiritualmente as coisas do mundo vão mudar para ele. As coisas do mundo não podem se alterar no tocante à forma porque o espírito nessa etapa não tem condições de influenciar nas formas planetárias ou na codificação de formas criadas, através do ego, pelos espíritos que governam o planeta.

Portanto, este é o primeiro detalhe: as formas que pertencem ao programa planetário do ego são universais para os seres de um planeta, ou seja, em qualquer lugar deste planeta eles causarão a mesma percepção. Isto porque elas são criadas, através do ego, pelos mentores ou administradores do planeta de acordo com o grau de elevação dos espíritos que agora encarnam no planeta Terra.

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Um detalhe importante para que não pairem dúvidas…

Eu disse que as coisas planetárias não podem ser alteradas, mas alguém pode me dizer: o homem derruba uma montanha e com isso altera toda uma paisagem. Isso não alterou uma forma planetária?

Não, a forma planetária é o morro e não um morro específico… Aliás, na realidade real nada aconteceu: aquele fato tratou-se de uma criação de egos. Isso porque para que tal fato acontecesse na realidade real o corpo e o próprio monte precisariam existir. Mas, eles não existem: são fluído cósmico universal…

Portanto, esse ato, por exemplo, de desmontar uma montanha não é uma alteração, mas uma “vivenciação”. Qual a diferença? A diferença se consiste na idéia que a personalidade humana cria de achar que a montanha será perpetuamente montanha, alcançando a consciência de que estava prevista a existência da montanha só até o momento em que estava previsto que ela existiria versus a idéia de que ela deveria existir sempre…

Neste caso, não houve alteração no programa, ou seja, o ser humano não mudou nada do que estava previsto. O que aconteceu foi uma seqüência natural da programação.

Isso é uma coisa que precisa ficar bem clara. Não existe rio poluído, ou seja, nenhum rio alterou o seu estado de limpo para poluído. Isso porque a poluição do rio já estava prevista. Se já estava, faz parte da pré-programação e, portanto, não houve alteração de programação, mas sim continuação da mesma programação. Na verdade há uma programação que dizia que um dia era limpo e que a partir de determinada época ele se poluiria…

Não foi, portanto, a programação que se alterou, mas tratou-se sim de etapas diferenciadas da mesma programação. Aliás, a pré-programação de alterações faz parte do ensinamento budista que fala da impermanência das coisas. A impermanência de todas as coisas está projetada e programada na parte técnica do ego.

O ciclo das coisas terrestres são pré-programados e a mudança que se prende a pré-programações não se consiste em alterações daquilo que foi projetado para acontecer. Quis fazer essa ressalva para que isso ficasse muito claro…

Agora, este mesmo pensamento serve para as formas particulares. Se uma personalidade humana perde, por exemplo, uma perna, ou seja, o desenho do seu corpo passa a não contar mais como uma perna, isso não quer dizer que algo aconteceu “errado” durante a vivência da encarnação, mas que a alteração já tinha sido projetada por Deus antes da encarnação porque ela seria um instrumento de provação para o espírito.

Sendo assim, não posso dizer que aqueles que destruíram uma montanha, poluíram um rio ou causaram a perda de um membro do corpo humana são culpados de algumas coisas. Eles são apenas instrumentos para a criação da ilusão que os espíritos aventureiros precisam para suas provações…

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Participante – Dentro do tema, podemos dizer que o planeta terra está evoluindo?

Sim, o planeta Terra está evoluindo e irá evoluir mais. O novo mundo irá surgir e com ele muitas das formas planetárias e individuais serão alteradas…

Participante – Dentro das programações que o senhor citou, podemos dizer que a segunda guerra mundial estava programada e ela aconteceu para a evolução do planeta?

A segunda, primeira e todas as sem números também. Não só a guerra de exércitos, mas a guerra urbana (os assaltos, os seqüestros). Tudo é programado para a evolução do planeta.

É sobre isso que vamos falar agora…

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Até agora falamos em desenhos de formas e não em ação. Falamos em desenhos de formas planetárias e desenhos de formas individuais. Agora vamos falar de ação, que é o terceiro elemento gerado pela parte técnica do ego: as percepções de ações.

No exemplo que dei anteriormente (uma pessoa andando de carro) existiam três etapas de criação do ego. Nele existe o desenho de um carro, que é uma forma planetária, o desenho do corpo humano, que é a forma planetária individualizada e a parte da ação: o movimento, a percepção de andar. Esta percepção é outra ilusão que o ego cria.

O racional da personalidade humana cria a ilusão que um fluido cósmico universal parece um carro; cria a ilusão que o mesmo fluido cósmico universal parece um corpo; e cria, ainda, a ilusão da ação, a ilusão do movimento que não existe.

Aplicando este mesmo princípio à pergunta sobre guerra que me foi feita agora a pouco sobre guerra, posso dizer que o ego cria as partes planetárias (arma, bala, metralhadora, tanques). Cria, ainda a figura de corpos feridos e machucados.

Além disso, o ego também cria a ilusão de ser ferido. Sendo assim, não existe nem a guerra e nem os corpos feridos ou mortos, pois tudo é apenas fluido cósmico universal que serve como base para a personalidade humana desenhar formas e ações.

É sobre isso que vamos falar agora.

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Portanto, a terceira criação da parte técnica do ego é a ilusão da ação.

Veja uma coisa: se a realidade da personalidade humana fosse criada apenas por formas estáticas não haveria a provação do espírito. Para que a prova aconteça, ou seja, para que um sentimento seja colocado pelo espírito ao receber uma sensação, é preciso haver animação.

Além do mais, como diz o Espírito da Verdade, um corpo – que para nós não é o corpo físico, mas o mental, a personalidade – pode existir sem um espírito, mas ele jamais será animado.

A movimentação dos corpos não pode ser atribuída ao espírito, pois ele não se movimenta dentro do sentido movimentar-se que vocês conhecem. Ela também não pode ser atribuída à carne, porque esta nem existe como tal. Por isso, essa movimentação das formas só pode ser gerada pelo ego. A animação dos acontecimentos da vida não são geradas pelas formas nem pelo espírito, mas pela parte racional (ego) da personalidade humana.

O espírito não se movimenta no sentido de mexer membros ou de locomover-se. O espírito liberto da ação do ego está integrado ao Universo, mas isso não quer dizer que ele se locomova pelo Universo, mas sim que ele é o Universo.

Para o espírito fora da aventura encarnatória não há locomoção e nem ações como conhecidas pelos humano. O espírito não age como vocês compreendem a ação.

Eu já disse anteriormente: a única ação do espírito é o pulsar. Espírito não anda, não senta, não voa: a única atividade de um espírito é um pulsar sentimental. Ele recebe e emana sentimento, amor.

A atividade do espírito é como a do coração de vocês que pulsa sangue. Só que ele para realizar a pulsação não se contrai ou se expande como o coração de vocês.

Por tudo isso é que volto a afirmar: a percepção de ação é sugerida como realidade pela personalidade humana ao espírito. Agora repare: a percepção de ação. Não estou falando em ações concretas, mas em perceber que está acontecendo alguma, pois a ação como elemento concreto é ilusão…

Para que a ação fosse concreta era preciso que antes os elementos que dela participam fossem reais, mas como vimos, eles são meras criações do ego também. Sendo assim, como pode algo que não existe realizar ações? Portanto, o que o espírito recebe é uma percepção de ação gerada pelo ego e não a visão de um fato concreto…

Mais um detalhe sobre a percepção de ação: elas fazem parte da provação do espírito. Sendo assim, elas têm que ser individualizadas, ou seja, tem que ser geradas por Deus através do ego individualmente e de acordo com o gênero de provações pedido pelo ser antes da encarnação…

Vou dar um exemplo para facilitar a compreensão do assunto. Fiquemos com o mesmo exemplo que dei (uma pessoa andando de carro): a velocidade que é percebida por cada personalidade humana.

A velocidade de um carro não é medida por um velocímetro, mas pela percepção da ação. Isso acontece porque espíritos possuem provas diferenciadas…

Por exemplo: se um espírito vem combater o medo, a personalidade humana criará uma percepção diferenciada da velocidade daquele que não vem combater medo. Ou seja, cada espírito ligado a um determinado ego terá uma percepção de velocidade diferenciada, mesmo que os dois estejam no mesmo carro.

É por vocês dizem que o outro está correndo muito e eles dizem que não… Isto acontece assim porque a percepção da ação é diferenciada de acordo com cada ego. Ela não é universal: é codificada antes da encarnação de acordo com a provação de cada um. Deus padroniza a percepção da ação de acordo para cada espírito de acordo com a sua necessidade de vivenciação, ou seja, com aquilo que ele terá que vivenciar como provação.

Outro exemplo: tem personalidades humanas que não passam perto de um cachorro, pois simplesmente ao avistá-los já percebe a ação do cachorro querendo atacá-lo. Apesar disso, existem outras personalidade humanas que não tem nenhum medo do cachorro e, por isso, não têm a percepção do ataque eminente.

Eu não estou falando ainda de medo; medo é sensação. Estou falando de percepção.

Pergunte a quem tem medo de cachorro se ele quando ele vê o animal não percebe que ele está pronto para atacar. Na verdade, o cachorro nem está aí para aquela pessoa, mas o seu mental (ego) criou aquela percepção como real.

Mas, o ego não criou isso à toa. Criou porque o espírito pediu para realizar determinada provação. Por isso Deus colocou no ego essa programação. Ela vai gerar uma sensação – e aí falamos no medo – da qual o espírito precisa se libertar.

Deu para compreender?

Então, são três as coisas criadas pela parte técnica do ego: uma forma planetária, uma forma individualizada e a relação destas formas através de percepções de ações…

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Participante – Essa terceira parte, a perceptiva, pode ser alterada no decorrer da vida?

Boa pergunta, eu ia falar disso…

Sim, ela será ela poderá ser alterada. Como? Como disse, ela vai gerar uma sensação que tem por fim criar uma provação. Acontece que quando o espírito não mais se prender a estas sensações geradas pelo ego, ele não mais precisará desta provação. Sendo assim, estas sensações não mais existirão para o ser e, com isso, as percepções têm seu sentido alterado…

Não estou falando que o ego não mais criará a percepção, mas o espírito por estar liberto da ação do ego não mais perceberá a presença do ego como uma possibilidade de um ataque iminente…

Em face disso, chegamos a uma conclusão: a percepção da ação é a única coisa criada pela parte técnica que pode ser alterada depois da encarnação.

Aquele que está ligado a uma personalidade humana que tem medo da velocidade, por exemplo, tem a sensação do medo justificado pela percepção de alta velocidade. Quando este espírito supera o medo, ou seja, não mais vibra nesta freqüência, a percepção de velocidade pode ser alterada. Ou seja, a personalidade humana não vai mais achar que o carro está correndo muito…

A normalidade daquela velocidade que antes era considera alta é uma resposta ao trabalho do espírito para libertar-se das sensações criadas pelo ego.

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Participante – Eu acho que está ficando um pouco confuso. Você disse que para você sensação é sentimento, mas para nós a sensação é a do paladar, do olfato, do tato…

Isso não sensação, mas sim percepção…

Participante – Você muda a maneira que nós entendemos as palavras, acaba ficando difícil para a gente.

Desculpa, mas se alguém mudou não foi eu: foi Buda. Para este mestre, no conjunto dos “Cinco Agregados” existem tanto as percepções como as sensações. Sendo assim, podemos afirmar que percepção é aquilo que é percebido pelos órgãos de sentidos do corpo e sensações são emoções, sentimentos que o ego lhe manda.

O problema é que a língua de vocês, apesar de ser uma das mais ricas, tem poucas palavras. São muitas as coisas que estamos falando aqui para as quais não existem palavras específicas na língua de vocês e em nenhuma língua do planeta. Isto porque são coisas até agora desconhecidas.

Veja bem: o que fizemos foi colocar a realidade de vocês numa “mesa de operação” e a dissecamos. Apesar de estar logicamente correto, vocês não conseguem imaginar corretamente a realidade que dissemos porque estas coisas fazem parte da criação do ego através da parte material que vocês não percebem…

Ego é você, ser humano. Ego é a psique humana, aquilo que a psicologia estuda. O mundo mental que você não vê acontecer…

Estas partes materiais criadas pelo ego, aliadas as sensações também geradas pela personalidade humana é que vão criar a realidade: aquilo que você vive como real. A sua realidade, portanto, sempre é formada por uma parte planetária, uma individual, uma percepção de ação e uma sensação, ou seja, uma emoção que se justifica quando imaginamos que a realidade é real…

Ao afirmarmos isso, estamos dissecando a tal da psique que os psicólogos estudam e que, para nós, se chama ego, é seu “eu material”, o ser humano. Mas, apesar desta personalidade humana parecer real, ela nada mais é do que uma personalidade transitória que está servindo de provação a um espírito que está vivendo a sua grande aventura.

Sei que a compreensão de que você não é a personalidade humana que veste é difícil. Mesmo os que acreditam em espíritos não conseguem se imaginar como um ser universal, mas acredita-se como um homem. Por isso dizem assim: o meu espírito…

Não existe o seu espírito: você é o espírito. Não você o ser humano, não as idéias e conceitos que tem hoje, mas você é um ser universal que não tem consciência de ser o que é porque o ego lhe diz que você é o “eu material”, o ser humano. Mas, essa personalidade humana não é você: você está vivendo anexado a ela, preso a esse ego sem ter consciência de você mesmo para poder viver a sua grande aventura, a encarnação…

É por isso que fica complicado se falar dessas coisas.

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Continuemos…

Existem, como vimos, a parte técnica do ego que se subdivide em três. Além desta parte técnica, existe a emocional ou de sensações. Vamos falar um pouco dela…

Chamaremos esta propriedade do ego de personalidade. Personalidade, então, para nós, é a parte do ego que cria as sensações ou emoções que em conjunto com a criação da parte técnica (percepção) vai formar uma realidade.

Para começar a falar dela digo: a personalidade é criada pelo espírito antes da encarnação. Ela é um dos instrumentos da provação do ser universal, ou seja, participa da construção de realidades das quais ele precisa se libertar.

Vou dar um exemplo. A personalidade humana vivenciada por um espírito tem como característica a ansiedade. Ou seja, um ser universal recebe do ego a sensação de ansiedade diante de determinadas percepções. Isso quer dizer que o espírito que está vivendo sua aventura encarnatória através daquela personalidade humana está realizando uma provação para provar a si mesmo que é capaz de se libertar dessa sensação.

Como já dissemos, o ego é o tentador. Sempre que ele sugere uma realidade como prova é com o objetivo de gerar uma oportunidade para o ser universal provar que já se libertou de algo. Por isso ele cria os mayas, as ilusões. Ser ansioso, ou seja, viver uma personalidade que denote ansiedade, é, portanto, uma oportunidade de realizar esta provação.

Mas, esta verdade não vale apenas para as sensações consideradas negativas pelos valores humanos. Ela é universal, ou seja, abrange tudo que a personalidade humana cria. Se uma personalidade humana é, por exemplo, amorosa em extremo, isso não é “bom” ou “certo”: trata-se de algo que o espírito precisa provar que já superou…

Sei que vocês estão estranhando o que acabei de dizer. Afinal, para vocês o resultado de uma elevação espiritual deveria ser tornar-se amoroso, não? Mas, acontece que o amoroso humano nada tem a ver com a amorosidade universal. Isso porque vocês, personalidades humanas, não sabem o que é o amor na sua concepção universal.

Por isso, vamos trocar o exemplo. Digamos que a personalidade humana que está servindo de aventura para um espírito seja dedicada aos outros de acordo com os padrões de bondade do mundo material. Isso não é “certo” nem “bom”: isso é uma personalidade emanada pelo ego da qual o espírito precisa se libertar.

Reparem que eu disse “libertar-se. Na verdade não é deixar de ser, mas se libertar disso. O que o espírito precisa fazer é não acreditar que é obrigado a ser da forma padronizada pelo ego como “boa” para se elevar.

Isso é desse jeito porque os conceitos de “bom” e “certo” são criações do ego, ou seja, são instrumentos da provação do espírito. Não existem padrões de “bom” e “certo”: quem está dizendo que o espírito tem que prestar socorro a alguém é o ego. Ele não faz isso porque é “certo”, mas sim para que o espírito lute para se libertar da obrigatoriedade de ter que executá-las.

Ele também não propõe esta ou aquela sensação para que o espírito a modifique. Como já disse, a vitória sobre o ego não se consiste em alterar o ego, ou seja, deixar de ser ansioso para ser calmo, mas quando o ser não for nem ansioso nem calmo: ser simplesmente ele, o espírito.

Para isso o ser precisa não participar das sensações que a personalidade humana cria vivendo apenas o amor a Deus acima de todas as coisas e o amor universal ao próximo.

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Então, já vimos dois elementos do ego: o criador das percepções, que se divide em três partes, e o criador das emoções que a razão humana vivencia. Agora podemos entender bem cada momento da existência de um ser humano. Para falar mais dele vamos continuar no nosso exemplo: um ser humano andando de carro.

O que é um ser humano andando de carro? É um espírito que na sua realidade está vivendo integrado ao universo, mas que vivencia esta realidade ilusória porque está ligado a uma mente humana que cria as percepções e sensações deste momento. Esta ilusão para o espírito é real porque este ser acredita que a personalidade humana é ele.

O que a mente humana diz que está acontecendo, na verdade, não está. Ela cria todos estes elementos e eles chegam à mente do espírito por causa do elo que os liga, que nós chamamos de encarnação. Na verdade, o espírito recebe em sua mente primária a figura de um carro, de um “eu material”, que ele classifica como sendo ele, a percepção de uma determinada velocidade e a sensação do medo.

Essa é a visão daqueles que vêem os “bastidores da vida humana”. É como os espíritos libertos do ego humano vêem a vida.

Espíritos fora da carne, como vocês chamam aqueles que estão libertos de personalidades humanas, não vêem o acontecimento em si. O que eles vêem é um espírito vivendo no Universo sendo bombardeado na sua consciência primária por estas criações do ego.

Eles não vêem um ser humano dentro de um carro andando em alta velocidade e com medo disso, mas sim um ser universal sendo bombardeado na sua inteligência espiritual por esses fatores que criam a realidade ilusória que ele está dentro de um carro se locomovendo em alta velocidade e sentindo medo por causa disso.

Agora deu para ficar claro?

Isso é o mundo em que vocês vivem: vocês, os espíritos, estão parados em frente a uma tela assistindo o que o ego diz que está acontecendo. Na verdade, você, o espírito, está no Universo assistindo as cenas da vida humana.

Você, o espírito não nasceu, não vive no planeta Terra, não mora em tal cidade, não pertence a nenhuma família e nem está presente no ambiente onde está acontecendo determinada ação. Tudo isso está sendo criado pela personalidade humana seguindo a pré-programação feita antes da encarnação e está sendo levado à mente primária do espírito com a intenção que ele não se submeta a isso como realidade e continue vivenciando a sua existência universal.

Por isso Cristo, aquele que simbolicamente alcançou durante a encarnação a elevação espiritual, disse: eu venci o mundo. Vencer o mundo é isso: superar as realidades ilusórias humanas e permanecer ligado à realidade universal.

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Participante – Dentro dessa visão, nós devemos ouvir a razão ou a emoção?

Nenhuma e nem outra… Isso porque tanto a sua razão como a sua emoção são criações do ego. O que você, o espírito, precisa é se libertar da razão e da emoção e viver apenas o amor a Deus e ao próximo.

O amor ao qual estou me referindo é o universal, o que não tem nada haver com a emoção humana que leva o mesmo nome. É aquele que se traduz em um estado de paz, tranqüilidade, harmonia e felicidade incondicional.

É assim que você, o espírito, deve se sentir. Isso é o que você precisa vivenciar…

Não importa o que o seu ego está lhe dizendo que está acontecendo, é assim que você, o espírito, deve viver. Se o seu ego está lhe bombardeando com a idéia de que você está num carro se locomovendo em alta velocidade e por isso lhe diz que você está com medo, não tem problema: permaneça em paz, em harmonia e em felicidade universal. Se o seu ego esta lhe bombardeando com imagens de uma festa linda e maravilhosa e diz que você adora estar ali e por isso lhe dá sensação de prazer, não perca a sua harmonia, a sua paz e sua felicidade incondicional.

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O que falamos aqui é a realidade do Universo e, portanto, a realidade real do mundo que vocês, personalidades humanas, vivem. Usando termos de humanos de hoje eu diria que a vida que vocês, personalidades humanas, vivem é uma realidade virtual. Isso porque a realidade real se consiste de um espírito parado (sem movimentação) que recebe toda a idéia de movimentação e as sensações que vivencia a partir de um elemento externo a ele.

Esta realidade virtual criada pelo ego foi classificada por Buda como poluição adventícia. Ou seja, algo que altera a pureza do espírito após o advento ou o nascimento na carne.

O ego altera a pureza do espírito porque altera a realidade que ele vive. Cria formas e elementos onde existe apenas o fluido cósmico universal que não têm forma; cria sensações onde só existe amor universal.

A realidade gerada pela personalidade humana é virtual porque nada que ela diz existir existe na realidade. São utopias, são elementos virtuais.

Além do mais, toda realidade criada pela personalidade humana não está acontecendo naquele momento. Você acredita que está lendo estas palavras neste momento porque quis lê-las agora, mas isso não é real. Na verdade, esta leitura aconteceu antes: quando o espírito pediu para vivenciar uma determinada provação e Deus gerou a idéia do ato de lê-las…

Tudo que acontece numa existência carnal é pré-programado de acordo com o pedido do espírito. Isso porque não existe “vida”, mas sim uma encarnação ou uma aventura espiritual. Por isso tudo que acontece tem que estar ligado à necessidade espiritual daquele ser.

Deus programa todas as ações que o ego vai transmitir ao espírito, ou seja, programa pergunta por pergunta a prova que o ser vai fazer. Depois disso o ser se liga a esta consciência, ou seja, encobre a sua consciência espiritual que percebe a verdadeira realidade com aquilo que vocês chamam de “véu do esquecimento” e passa a ter apenas como guia o ego.

Apesar disso, o espírito não está irremediavelmente submisso ao ego. A personalidade humana é o guia do consciente, mas, no inconsciente, o espírito pode utilizar a sua consciência primária para escolher se vai pulsar a sensação que o ego está lhe dando ou se vai pulsar amor universal.
Não sei se eu me fiz entender direito, mas é isso que acontece. Se não consegui explicar completamente, peço que me desculpem, mas como disse, dizer isso em palavras é muito difícil. Isso porque faltam muitas palavras para falar de muitas coisas que vocês nem sabem que existe.

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Participante – Sinto que para poder superar isso parece que temos que exercitar uma entrega imensa. Deveríamos, para poder superar a realidade, viver assistindo o que está acontecendo… É isso: viver assistindo a vida?

Você usou dois ensinamentos de mestres.

Primeiro: entrega… Cristo falou disso: da entrega a Deus (Pai, me entrego em seus braços).

Sim é isso: a entrega a Deus é fundamental. Quando falarmos especificamente nos ensinamentos dos mestres, vamos falar da fé. Fé é entrega a Deus e sem ela você, o espírito, não conseguirá chegar a bom termo na sua aventura encarnatória.

Segundo ensinamento que você citou: assista a sua vida. É Krishna que ensina isso no Bhagavad Gita: repousa em mim e assista a sua vida.

Sim, é isso que você, o espírito, precisa fazer. Isso porque essa realidade virtual criada pelo ego é como se fosse um filme onde os acontecimentos acontecem sem a sua participação ou determinação para tanto. Você, o espírito, não está participando daquele acontecimento, mas sim simplesmente pulsando energias enquanto toda a ação está sendo criada virtualmente a partir de um programa pré-programado.

Portanto, assista às imagens criadas por esse programa como você assiste à televisão. A televisão é uma realidade virtual que você assiste sem participar dela e a vida também deve ser vivenciada desta forma…
Esse seria o ideal, mas, como no caso da televisão, não é o que acontece. Da mesma forma que o ser humano assiste televisão envolvendo-se emocionalmente com os programas, a maioria dos espíritos que estão vivendo a sua grande aventura se envolve emocionalmente com o ego.

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Participante – O senhor poderia ser mais claro? O ser humano que toma decisões baseadas nas emoções está errado?

O ser humano não toma decisão baseado na emoção e nem na lógica. Na verdade, a personalidade humana nem toma decisões…

Tomar uma decisão através da razão é uma ação e como todas as ações humanas, esta está pré-programada. Na verdade ninguém está tomando uma decisão frente a qualquer situação: o que o ser humano tem é a ilusão de estar decidindo algo…

Já você, o espírito, nem está vivendo aquela situação, que dizer de se imaginar protagonista de alguma coisa. A única coisa que você, o espírito, pode protagonizar neste momento é se prender a essa ação proposta como se fosse acontecimento de agora, ou seja, eu achar que tomou a decisão, ou dizer: foi o meu ego que tomou esta decisão. Mas, você, o espírito, pode fazer mais ainda…

Além de criar a idéia de que alguma coisa está sendo decidida naquele momento, o ego vai ainda gerar a idéia que esta decisão será sucedida por determinado acontecimento. Neste momento, você, o espírito, deve também duvidar desta afirmação, pois o que irá acontecer não seguirá uma lógica humana, mas sim a uma pré-programação.

Vou dar um exemplo: alguém lhe convida para ir a casa dele e você responde que vai. Não a pessoa que lhe convidou e nem você, o espírito, que respondeu. Tudo isso foi articulado por egos para servir de provação a espíritos.

Você, o espírito, é exposto no consciente a este diálogo e imagina que porque se comprometeu irá com certeza… Acontece que mesmo você humano sabe muito bem que decidir ir não é garantia de que irá. Você pode ir ou não. Você, ser humano, sabe muito bem que a questão de ir ou não independe de você, pois muitas vezes se programa para ir a algum lugar e acaba não indo por diversos motivos. Quantas vezes isso não aconteceu na existência de vocês?

Se isso é verdade mesmo para a lógica humana que imagina que pode criar situações apenas pela sua vontade própria que dirá para o espírito que sabe que está apenas vivendo um teatro onde os acontecimentos fazem parte da sua grande aventura? Sendo assim, o que você, o espírito, precisa fazer é dizer para si mesmo: “o ego está afirmando que vai, mas isso não quer dizer que irá com certeza. Se no desenrolar desse filme a personalidade humana tiver ido, foi, agora, se não for, não foi. Não há nada de “errado” nisso”…

Respondendo-lhe diretamente agora, afirmo que a primeira coisa que você precisa é fugir da idéia de achar que você decidiu alguma coisa. Você, o espírito, só pode decidir permanecer em paz, amor e felicidade universal ou não indo ou não indo. Você não pode decidir ir ou ficar em lugar nenhum…

É por isso que Cristo diz: não jure por nada que seja do céu ou da terra. Este ensinamento está na Bíblia, no Sermão do Monte e quer dizer exatamente isso: não assuma responsabilidade por nada, não dê nada como “certo” de acontecer…
Se o ego garantir que vai a algum lugar, não se comprometa com esta idéia, pois o resultado desta ação, tanto faz ir ou não, pode acabar com a sua paz, a sua harmonia e a sua felicidade…

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Hoje, então, falamos sobre a construção da realidade que a personalidade humana vivencia. Falamos das três criações perceptivas, da criação emocional e do porque delas serem criadas individualmente de determinadas formas. Faltou apenas um detalhe para esgotarmos o assunto: a criação da realidade na vida social, ou seja, a dois…

Nas ações que a personalidade humana vivencia sempre participam outros seres humanos. Mesmo quando uma personalidade humana está sozinha pensando em alguém, esse alguém está participando daquela ação naquele momento.

Com relação às atividades humanas, dissemos que elas acontecem porque Deus as programou desta forma porque isso atende ao gênero de provas pedido por aquele ser universal. Mas e o outro, será que ele entrou de “gaiato” na sua história? Será que ele participa da sua ação por acaso?

Não… No Universo não existem acasos…

Se aquela determinada personalidade humana está participando de uma emoção com o instrumento da aventura encarnatória de um espírito é porque o ser ligado a ela precisa viver aquela situação, pois ela representa o gênero de provações pedido por ele… Sendo assim, nem ele nem você podem mudar ou deixar de vivenciar o que está acontecendo…

Vamos dar um exemplo e como sempre vamos nos utilizar de algo que voes, personalidades humanas, acham que acontecem por decisão individual de cada um nesta vida: o casamento… Casar é uma ação de relacionamento durante a vida de duas personalidades humanas, ou seja, um instrumento da aventura encarnatória de dois espíritos.

Sendo isso, esta ação não pode ser vivenciada ao acaso ou estar sujeita a decisões que não contenham exatamente os ingredientes necessários à provação dos espíritos. Imaginem se dois espíritos se programam para vivenciar determinadas provas e são impedidos disso por dois egos que se “apaixonam” pelas pessoas que não gerarão o que o ser universal precisa? Que Universo é esse? Uma bagunça, não…

O de cima tem prioridade no de baixo, já disse Cristo. A vida humana precisa ser totalmente útil à existência eterna do espírito para poder ter alguma serventia no Universo…

Por isso é preciso que a sua personalidade humana seja levada a conhecer exatamente aquela que estava pré-determinada para ser seu cônjuge. Mais: precisa ser criada pelos egos a sensação de um estar apaixonado pelo outro…

A paixão humana é uma sensação criada pelo ego vocês, os espíritos, possuem os elementos necessários para gerarem a provação do outro. Deus, que tudo sabe, conhece a necessidade de cada um e por isso programa a ação de um ego para que em determinado momento haja uma coisa chamada casamento ou união dos egos para a criação de uma vida (ação) em comum que servirá de provação para os dois espíritos…

Sendo assim, o ego cria, a partir de ações dos espíritos trabalhadores do Universo, ilusórias atividades humanas que correspondem ao que precisa ser feito no lugar que precisa acontecer de tal forma que a provação do espírito que está vivendo a sua grande aventura sempre aconteça… Este ensinamento está em O Livro dos Espíritos, sub-capítulo “Intervenção dos espíritos sobre o mundo carnal”.

“Imaginamos injustamente que a ação dos Espíritos não deve se manifestar senão por fenômenos extraordinários. Quiséramos que nos viessem ajudar por meio de milagres e nós os representamos sempre armados de uma varinha mágica. Não é assim; eis porque sua intervenção nos parece oculta e o que se faz com o seu concurso nos parece muito natural. Assim, por exemplo, eles provocarão a reunião de duas pessoas que parecerão se reencontrar por acaso; eles inspirarão a alguém o pensamento de passar por tal lugar; eles chamarão sua atenção sobre tal ponto, se isso deve causar o resultado que querem obter; de tal sorte que o homem, não crendo seguir senão seu próprio impulso, conserva sempre o seu livre arbítrio”.

Comentário de Kardec à pergunta 525 a de O Livro dos Espíritos…

NOTA: As perguntas subseqüentes deste sub-capítulo de O Livro dos Espíritos (526 à 528) comentam algumas situações de vida humana e deixam bem claro a mesma posição: tudo acontece direcionado pelos espíritos trabalhadores seguindo o que precisa ser realizado…

São os espíritos trabalhadores do Universo, seguindo o comando de Deus, que conduzem o fantoche (o ser humano) no seu caminho dentro da vida virtual. São eles que dirigem o ego na criação dos cenários que irão aparecer durante a existência carnal e nas pessoas que irão compartilhá-lo com você.

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No texto que citamos Kardec fala exatamente com essas palavras: o espírito é guiado. Mas, além disso, nas outras perguntas deste sub-capítulo o Espírito da Verdade também é absolutamente claro neste sentido. Ele diz: se o ser humano tem que viver a ação morrer subindo uma escada, nenhum espírito vai quebrar a escada, mas sim levá-lo para uma escada quebrada, ou seja, criar a situação dele estar subindo em uma escada originalmente quebrada.

Ou seja, os dois dizem o seguinte: o ser humano vai viver o que for necessário para o elemento universal (espírito) prosseguir em sua jornada eterna. Junte-se a isso a idéia do ego como personalidade humana, como mente humana, e termos então a real noção do que estamos dizendo: tudo o que o ego cria é uma realidade virtual que serve como gênero de provas para um espírito…

Com esta informação fechamos toda parte da aventura do espírito chamada realidade da vida. As realidades da vida, seja nas percepções ou emoções, são geradas pelo ego de acordo com uma pré-programação. Nisso se inclui não só o que a sua personalidade humana está fazendo para outras, mas também o que outras fazem para você, sejam estas atitudes consideras “boas” e “certas” ou “más” e “erradas”…

Todos os relacionamentos entre seres humanos são criados pelos egos induzidos pelo mundo espiritual liberto da carne por ordem de Deus que conhece a programação de cada espírito do universo. Deus comanda os espíritos desencarnados para que eles manipulem dentro da pré-programação do ego, os encontros e desencontros para que a ação possa servir como provação para os espíritos envolvidos.

Isso é a realidade da vida carnal. Isso é a grande aventura do espírito. Este é o mundo virtual que o espírito vive quando encarnado…

Lá atrás comparamos a grande aventura encarnatória como subir um pico. Agora deixamos claro que esta jornada é virtual. Encarnar para o espírito é como para um humano jogar vídeo game: viver realidades virtuais imaginando que são reais…

Essa é a grande aventura do espírito. Esse é o empreendimento que o ser universal tem que fazer se quiser alcançar a sua elevação espiritual, já que ele só se eleva passando por provas.

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Participante – O senhor quer acabar com o romantismo do casamento? Os sentimentos que nutrem nossos casamentos foram para o espaço. Viraram apenas uma união de egos e mais nada.

Desculpa, mas eu não acabei com nada, porque o que você imagina que existe não é real… O romantismo do casamento é uma sensação que está ligada a um gênero de provas que você, o espírito, pediu para vivenciar…

O casamento foi para o espaço? Mas nunca houve casamento…

Nunca houve essa união com as verdades que vocês querem dar a ela. Todas as realidades dessa relação são criações do ego e, portanto, fazem parte da pré-programação da sua aventura encarnatória.

O casamento, como entendido pelas verdades humanas nunca existiu. O que sempre existiu na realidade real? As provas dos espíritos.

Então, eu não acabei com nada… O casamento sempre foi uma união de egos para provações de espíritos. Mais nada do que isso…

Vou dar um exemplo para você entender melhor. Uma mulher que gosta das coisas “bem arrumadas” normalmente casa com um homem bagunceiro. Durante o casamento, apesar de achar que ama seu marido, muitas vezes ela se pergunta: “como fui me apaixonar por você, que é tão diferente de mim”…

Buscando resposta para esta questão pela lógica humana não encontraremos, mas se nós olharmos pela lógica espiritual poderemos ver como a situação é perfeita…

Uma mulher que gosta das coisas arrumadas é um espírito vivendo um ego construído com estas verdades. Elas dizem que as coisas devem estar em determinados lugares para que o ego possa criar a sensação de prazer…

Já o homem bagunceiro é um espírito vivendo um ego que cria determinadas ações: deixar as coisas em lugares diferentes daqueles que as verdades da mulher dizem que devem estar. Este ego possui verdades que dizem que não há um lugar específico e “certo” para se deixar as coisas…

Ora, ser a mulher é um espírito vivendo um ego que afirma que há lugares certos para as coisas, estas verdades são provas para aquele espírito, ou seja, são elementos dos quais aquele espírito pediu para provar que já se libertou. Como poderia este ser realizar esta prova sem um ego que lhe atice a sua idéia de arrumação? Ou seja, ela é casada com aquela personalidade humana porque ela possui verdades e ações que causam bagunça justamente para ver se aquele espírito se prende aos seus padrões ou se mantém a paz, a harmonia e a felicidade.

Isso é o casamento. Isso é o que vocês chamam de casamento.

Saibam de uma coisa: espírito não casa com outro… Não existe casamento no mundo espiritual… Na Bíblia Cristo ensina isso…

Lá está escrito que os fariseus perguntam ao mestre…

Uma mulher casa com um homem. Seguindo as leis judaicas, quando este homem morre, ela casa com um dos seus irmãos. Acontece que este irmão também morre e ela casa com outro. E assim acontece sucessivamente até que ela tenha vivido em matrimônio com os seis irmãos do seu marido original. Quando ela chegar ao céu vai ser mulher de quem?

Cristo responde: de ninguém, porque no céu não há casamentos.

Ora, se Cristo diz que no céu o espírito não é esposa de ninguém porque não há casamento, quem sou eu para dizer que um ser universal está casado com alguém? Se no universal, no espiritual, no real, não há casamento, na realidade humana também não pode haver. O que há é a idéia de estar casado e não o casamento…

O que há na realidade é a união de dois egos cujo relacionamento é necessário para a libertação de cada um deles do seu próprio ego.

Se você realmente se prender a romantismos, realmente fica difícil para alcançar a elevação espiritual. Aliás, no Universo não há tempo para individualismos como romantismos ou pena de alguém: tudo é amor universal.

Participante – Eu não diria isso… Diria que se Deus criou o romantismo, ele faz parte da nossa prova.

Isso: ele faz parte da sua prova… Mas, sendo assim, ele existe para você, o espírito, libertar-se dele e não se entregar a ele.
Aliás, esta sua afirmação é mais uma prova que não existe romantismo no Universo. Isso porque os que lá se encontram não mais encarnam, o que quer dizer que ele já foi vencido e com isso deixou de existir…

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Hoje, então, cumprimos mais uma etapa do nosso trabalho.

Nós estamos alando sobre a encarnação. Anteriormente explicamos que a encarnação é uma grande aventura, a maior aventura do espírito. Hoje mostramos como é construída a realidade ilusória que compõe esta aventura.

A partir disso descobrimos que se você, espírito, possui muitas posses (é rico) precisa vencer as sensações que a riqueza traz; se você nada possui (é pobre), precisa vencer as sensações que a pobreza traz;, se pertence à classe média, precisa viver as sensações que tal vivencia causa… Sendo homem, se libertar das sensações que a masculinidade traz; sendo mulher, precisa se libertar da feminilidade que esta forma traz.

Isso é a encarnação. Esta é a grande aventura probatória do espírito…

Para mostrar como se cria a realidade ilusória que a personalidade humana vivencia, dissemos que existem as percepções que são formadas por três partes distintas: as universais, as individuais e a ilusão da ação de um em conjunto com a outra. Falamos ainda que a estas percepções juntam-se as sensações, que constituem a personalidade emocional do ser humano.

Por último dissemos que nada disso acontece ao acaso. Afirmamos que tanto as percepções como as sensações são geradas por Deus através dos espíritos trabalhadores do Universo de acordo com o gênero de provas pedido por cada ser antes da encarnação e que, por isso, correspondem exatamente ao grau de elevação espiritual de cada ser.

Na próxima conversa vamos falar exatamente destas escolhas e, conseqüentemente, do grau de elevação espiritual de cada ser…

Por que um espírito escolhe casar com outro? Por que um espírito escolhe formar um ego com ações onde ele seja um mendigo? Por que um espírito escolhe construir para ele uma vida nababesca? Será sobre isso que vamos falar amanhã na próxima conversa…

A realidade virtual com o qual vocês, espíritos, vivem o dia inteiro está construída. Agora vamos entender por que você, espírito, vivencia essa determinada realidade virtual? Por que será que você não vivencia outra realidade virtual?

Eu sei que tem muita gente que se pergunta: por que não nasci em outro país; por que eu não nasci rico; por que não nasci pobre; por que não nasci branco; por que eu nasci preto?

É sobre isso que vamos falar no próximo encontro: por que você nasceu do jeito que é, ou seja, porque que Deus construiu essa realidade virtual para você ou invés de construir outra.

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Participante – As doenças vividas durante a vida carnal são escolhidas antes da encarnação pelo próprio espírito?

A doença é uma ação e acontece um corpo físico, portanto ela não é do espírito, mas da personalidade humana. Sendo do ser humano, ela é instrumento de prova do espírito. Portanto, pré-programada antes da encarnação…

Sim, todas as doenças que a personalidade humana vivenciar dentro da realidade virtual é uma forma, uma ação e uma sensação criada pelo ego. Elas foram programadas antes da encarnação, assim como as suas possíveis curas.

Participante – Ultimamente tenho passado mais tempo no hospital do que em casa porque o meu pai está doente. Acontece que eu detesto hospital. Isso está acontecendo para que eu vença esse detestar?

Você ouviu a palestra completa hoje? Você não está no hospital…

Você, espírito, está no Universo pulsando e o seu ego, a sua personalidade humana, está dizendo que você está vivendo uma realidade virtual que é chamada de chamada de hospital. Além do mais não sta indo lá porque seu pai esteja doente ou porque alguém precise de você lá. Na verdade, a sua personalidade humana está criando esta realidade como uma provação para você…

Além destas ações, para que sua prova acontecesse, era preciso que a personalidade humana criasse alguma emoção. Para você a sua personalidade diz que ela tem que ser vivenciada com contrariedade porque você não gosta de hospital; para outros ela poderia dizer que aquilo deveria ser vivenciado com prazer porque ele gosta de hospital…

Pronto: está pronta a sua provação atual. Agora você, o espírito, pode se escravizar a tudo isso ou vivenciar estas ações ligado ao amor universal…

Isso é uma resposta genérica. Agora, falando claramente a você eu digo que é claro que é a sua prova. Aliás, sua pergunta serviu como um grande exemplo para tudo que falamos hoje…

Ela ilustra bem tudo o que conversamos hoje, inclusive a vivência de dois egos numa mesma situação. Seu pai teve que ir para o hospital porque esta ação foi programada como prova para ele e você tem que ir lá mesmo não gostando de hospital porque isso é a sua prova. Para viver esse momento com ele você nasceu como filho dele…

Eu diria assim: havia uma provação que você, espírito, precisava realizar e Deus aproveitou a realidade virtual de outro espírito para que você fizesse a sua prova.

Isso se chama interdependência das coisas. Todos dependem uns dos outros para que a ação do seu ambiente virtual sirva como provação…

Participante – Dentro da programação espiritual existe prioridade para a reencarnação de alguns espíritos, como, por exemplo, os menos evoluídos? Existe, ainda, tempo pré-programado de uma para outra?

Existem prioridades? Não sei…

Respondo-lhe assim porque quem comanda as reencarnações é Deus. Já que ninguém conhece Deus, não saberia lhe dizer se Ele tem alguma prioridade por determinados espíritos…

Mas, posso lhe dizer uma coisa: cada espírito encarna na hora que Deus determina que ele encarne. Aliás, para encarnar o espírito precisa que Deus crie a sua programação e como a encarnação é, em resumo, a própria programação, cada um só encarna quando Deus comanda isso…

Não existe como nascer antes da hora ou na hora que quiser, porque o ato de nascer – que é a ação que você chama de encarnar – já faz parte da programação.

Aliás, a encarnação não começa no nascimento, mas na programação da vida. A encarnação tem início quando o espírito escolhe os gêneros de provas que quer realizar…

Sobre o tempo de uma encarnação para outra, o que posso lhe dizer é que Deus só dá a ordem para que cada ser escolha os gêneros de suas provações quando Ele o considera apto e pronto para a aventura.

Sendo assim, posso dizer que não há tempo pré-fixado. Aliás, esta tinha que ser minha resposta sobre o assunto, pois, como já falei, no Universo não há tempo…

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Participante – A união de duas pessoas, que inicialmente se amavam, com o dia a dia pode trazer certas rotinas que façam uma das pessoas ficar desanimada com as coisas do casal. Problemas na casa com o marido ou com outras pessoas podem levar um dos cônjuges a não mais vivenciar aquele amor inicial… Como voltar aquele amor inicial que já não será mais o mesmo depois dos problemas da união? Será que perdoar seria uma forma para retomar o amor?

Sua pergunta está muito boa. Duas pessoas se casam porque imaginam que se amam. Sim, apenas imaginam que se amam, porque o amor entre seres humanos é uma sensação dada pelo ego.

Duas pessoas que se casam não têm amor verdadeiro um pelo outro. Este amor não é um sentimento, mas uma sensação criada pelo ego para justificar no consciente aquela união.

Sendo assim, se você, o espírito, acredita que está apaixonado por alguém, você é um escravo do ego. Isso porque essa paixão é criada pelo ego como prova para ver se você vai entrar na exaltação do prazer ou se você vai manter-se equânime durante os acontecimentos da vida.

Esse é o primeiro detalhe da sua pergunta. Segundo detalhe: com o correr dos anos a paixão passa. Na verdade, ela não passa: o ego para de criá-la…

Na verdade o ego não para de criar essa ilusão: ele começa a gerar outras. Que outras sensações são essas? Aquelas que você precisa naquele momento da ação casamento…

Quando falei da união entre duas personalidades humanas dei um exemplo: marido bagunceiro, mulher arrumada. As sensações causadas por esta diferença entre estes cônjuges não são geradas no início da relação. Neste momento o ego que sugere apenas a paixão, a emoção da paixão.

Ao longo do casamento o ego para de enviar sensação da paixão e começa a enviar a sensação de contrariedade para o que o outro está fazendo. Neste momento vocês dizem que o amor acabou, mas isso não é real. O amor não acabou porque na verdade nunca existiu.

Na verdade ele sempre foi apenas uma sensação criada pelo ego que agora não mais a cria…

Apesar disso ser real, a personalidade humana não viver com esta realidade. Por exemplo: na sua pergunta, você cita causas para o fim do amor. Afirma que são problemas na casa com o marido ou com outras pessoas que acabam com o amor… Isso não é real…

Saiba que, na realidade, ninguém pode causar problemas para os outros. Ninguém pode, por exemplo, lhe caluniar…

Não existem calúnias porque tudo que alguém disser sobre outra pessoa, mesmo que seja lisonjeiro, não é real. Trata-se apenas de verdades criadas pelo ego como ilusão de ação para gerar um momento que servirá como provação a um espírito… Não importa se a pessoa viu o que diz que você fez, porque o que ela percebeu é apenas criação da parte técnica do ego como vimos hoje…

Saiba de uma coisa: para o espírito liberto da ação do ego não existe certeza absoluta de nada. Isso porque qualquer certeza absoluta que ele tiver não é real, mas apenas uma criação do ego. É apenas a razão humana do ego que está dizendo que aquilo aconteceu, mas nada aconteceu…

Portanto, não há calúnias, mas sim provas. Há um ego que está criando verdades para que um espírito possa vivenciar suas provas. Mas, se não há caluniador, será que existe pessoa sendo caluniada? Não, existem personalidades humanas que dizem ter ouvido verdades que são contrárias às suas…

Na verdade você, o espírito, não está sendo caluniado: o que existe é um ego lançando uma sensação de ter sido caluniado, de ter sido atacado, de ter sido ferido. Além disso, existe você, o espírito, embarcando nesta sensação criada pela personalidade humana, aceitando isso como se fosse real.

Mas, assim como tudo que o ego cria, a sensação de estar sendo caluniado é algo virtual. Faz parte do filme, da peça que está sendo encenada à sua frente, espírito.

Terceiro detalhe da sua pergunta: perdão… Vocês, seres humanos, egos, não conhecem o perdão. Por isso posso afirmar que nenhuma personalidade humana é capaz de perdoar qualquer coisa…

Continuemos no exemplo da calúnia para podermos entender melhor o que estou dizendo. Para vocês, perdoar uma calúnia é não reagir contra aquele que lhe caluniou… Mas, perdão não é isso…

“Pai, perdoa porque eles não sabem o que fazem”… Esta frase dá bem a noção do que é perdoar: não ver errado no que está sendo feito…

Quem não sabe o que está fazendo imagina que está fazendo “certo”. Os soldados que crucificaram Cristo achavam justo e “certo” fazer o que eles fazendo… O mestre sabia disso e por isso disse: eles não sabem o que fazem. Ou seja, declarou expressamente que eles não estavam errados e não seria ele que ia afirmar tal coisa…

Mas, você, ser humano, quer perdoar constando o erro. Quer perdoar o caluniador, mas não compreende que se para você ele é um caluniador é sinal de que há a idéia de que ele lhe caluniou. Se existe esta idéia, você já se sentiu caluniado e a partir daí não há mais perdão possível.

Perdoar, muito mais do que não penalizar, não acusar. Perdoar é nem se sentir ferido. Se você já se sentiu caluniado ou ferido, não há como perdoar…

Na verdade, você, o espírito, não precisa perdoar o próximo, mas sim não se sentir caluniado. Precisa não vibrar a sensação de ser caluniado quando o ego lhe propor isso…

Vou lhe contar uma história que mistura calúnia e pessoas que trazem problema para uma relação. É a história de uma esposa e a relação desta com a sua sogra…

A história afirma que uma mulher casada foi procurar um mestre para fazer um veneno que matasse a sogra, pois ela a detestava. A sogra lhe caluniava, queria comandá-la dentro de casa, pisava nela…

O mestre preparou uma poção e disse para a moça: “para que este remédio tenha efeito você mesmo tem que dá-lo diariamente à sua sogra. Se você deixar de dá-lo ou se outra pessoa o fizer, ele não vai fazer efeito”…

Mas, o mestre disse mais: “além disso, você precisa se tornar amiga da sua sogra”. “Por quê”, perguntou a mulher? “Porque se você continuar inimiga declarada dela, quando ela morrer vão desconfiar de você e lhe acusarão”.

A mulher seguiu perfeitamente o que o mestre disse. Todo dia botava o remédio na comida da sogra e tornou-se, mesmo de uma forma falsa, grande amiga da sogra.

Acontece que o tempo passou e nada da sogra morrer. Um dia, depois de passado muito tempo, a mulher voltou ao mestre e disse: “por favor, me dê o antídoto para o remédio que eu estou dando a minha sogra”.

O mestre quis saber o porque daquela atitude e mulher respondeu: “fazendo o que o senhor me mandou fazer conheci mais intimamente minha sogra e muitos dos preconceitos que eu tinha contra ela acabaram. Fingindo ser sua amiga eu descobri como ela é uma pessoa carente e precisa de mim. Hoje quero ajudá-la a superar isso, mas se ela morrer eu não vou poder fazer isso”.

O mestre então disse: “você não precisa de antídoto nenhum, porque eu nunca lhe dei um veneno para você. O que lhe dei era um remédio para fortalecer a saúde da sua sogra”.

Agora posso lhe responder: se você acredita que é capaz de fazer alguma coisa para “salvar” seu casamento, desacredite em todos os seus preconceitos sobre aqueles que você imagina que estão causando o fim do seu amor. Compreenda que o que aparentemente está sendo feito não é contra você, mas que são na realidade provas para você, espírito. Compreenda, ainda, que os supostos agentes destas ações não são pessoas que agem por “maldade” ou por que querem lhe fazer o “mal”, mas que são instrumentos da sua prova. Mais: compreenda que eles também estão vivendo as provações deles e por isso podemos afirmar que são seres carentes que precisam urgentemente do seu amor.

Quando você compreender tudo isso poderá viver em paz com as pessoas que supostamente estão desgastando o seu amor mantendo, assim, a sua união.

Tenha a certeza de que se você não precisasse passar por estas situações, elas não estariam acontecendo. Estando é porque realmente são provas necessárias para o seu desenvolvimento dentro de sua existência eterna…

Agora, se você fizer tudo isso e assim mesmo a sua relação chegar ao fim, saiba que mais uma etapa de sua existência foi concluída, ou seja, o período de provações junto àquele instrumento está encerrado. Não se lamente por isso porque, afinal, você não estava convivendo com o seu marido por paixão, mas por necessidade de provas.

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Para terminar o dia de hoje, gostaria de fazer um comentário…

Não sei se vocês perceberam, mas sempre que proponho alguma ação dou uma única resposta: amem. Amem a Deus, confiem no Pai, saibam que se Deus é a seu favor ninguém pode ser contra. Portanto, amem mesmo aqueles que vocês consideram contrários a vocês.

Mas, mais do que amar a eles, amem o que eles fazem, mesmo que o ego lhes diga que aquilo é “contra” você. Isso porque eles, seja quem for, são instrumentos da sua prova.

Sem uma pessoa que não lhes contrariasse, vocês não teriam vicissitudes. Se vocês fossem cercados de pessoas que apenas dissessem amém a tudo que vocês querem e que só lhes passasse a mão na cabeça, vocês não teriam provações e, por isso, não conseguiriam a elevação espiritual.

Então, amem quem lhes passa a mão na cabeça e ame quem lhes desagrada dizendo: “louvado seja Deus por você ser instrumento da minha provação. Louvado seja Deus por você estar co-criando minha vida, participando da minha realidade virtual que cria a minha prova para que eu possa exercitar o amor universal libertando-me da ação do ego”.

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