Palestra 05


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Participante – Esses dias estava pensando em Deus e que quando eu desencarnasse a primeira coisa que procuraria era Ele. A resposta que tive é que me veio à mente é que não ia achá-lo, pois não dava para vê-lo. Deus seria apenas uma emanação de amor, podemos só senti-lo. Como é Deus, se for dessa forma, como escrevemos o livro da vida?

Olha, vou ter que responder do mesmo jeito que já lhe responderam: não dá para saber isso. Faltam elementos à razão humana para conhecer Deus.

Além disso, você me pergunta como se faz para escrever o livro da vida, ou seja, programar o ego humano. Da mesma forma tenho que lhe dizer que não dá para você saber como isso é feito, pois a razão humana não tem conhecimentos científicos espirituais nem para saber o que é ego. Como, então, saber como programá-lo? Impossível.

Como uma mente humana poderia saber como é Deus? Deus não tem forma, já que no mundo espiritual nada tem forma. Como conhecer algo que é amórfico?

Aliás, pelo mesmo motivo, digo que você não conhece nem você mesmo, o espírito. Como conhecer a si mesmo se você é amórfico também?

A mente humana não pode conhecer as coisas do mundo espiritual porque elas não possuem formas e tudo que não tem como ser percebido não existe para o mundo humano. Isso para ficarmos apenas em um aspecto, mas existem tantas outras coisas nos elementos extra-matéria que nem dá para dizer que vocês não podem conhecer, pois não teria como explicar porque não podem conhecê-los.

Deixe-me dizer-lhe algo: existe um mandamento de Moises que até hoje foi mal entendido. Ele é tão complexo que até a igreja católica alterou o seu texto para não ter que explicá-lo.

Trata-se do segundo mandamento dado por Deus a Moisés. Ele diz o seguinte: não faça imagens de nada que está no céu, na terra ou abaixo da terra. O céu seria o mundo espiritual, o mundo superior. A terra é a sua existência carnal e o mundo de abaixo da terra trata-se da forma como os judeus conheciam o inferno ou o mundo espiritual inferior. Não faça imagens, ou seja, não imagine nada.

O que o mandamento quer dizer é o seguinte: não queira conhecer formas ou descrições de nada que há no céu, na sua própria existência ou nos planos espirituais inferiores…

Os amigos espirituais não tem como lhe contar estas coisas, pois vocês não conseguem fazer figuras da realidade universal. Você me diria: “mas, muitos falam de coisas extra-matéria, inclusive o senhor”. Sim, falamos, mas quando abordamos o que está além da matéria ou a própria realidade da matéria nos utilizamos de figuras. Ou seja, comparamos o elemento universal a alguns elementos conhecidos da razão apenas para que vocês possam ter uma noção. Apesar disso fica o ensinamento: não se preocupem em querer entender perfeitamente, porque não irão…

Por exemplo: Deus é emanação do Amor. Isso é Perfeito, pois o Senhor do Universo é a emanação do Amor Universal…

Agora o que é amor que Ele é? O que é emanar no caso de Deus? Você não sabe, você não conhece, pois nestas coisas existem elementos que você não tem a menor noção do como procede para poder conhecer a realidade. Portanto, não adianta querer imaginar a emanação do amor.

Não faça imagens de nada que está no céu, na Terra ou abaixo dela: eis aí um grande ensinamento…

Sinceramente, eu morro de rir quando ouço um ser humano descrevendo uma planta do mundo espiritual ou qualquer elemento extra-matéria. Já repararam que a descrição destes elementos os torna igual aos que existem na Terra? Já repararam que eles funcionam do mesmo jeito que aqui na Terra? Isso é até anti- científico, pois no mundo espiritual não existem elementos que algumas coisas precisam para funcionar aqui na Terá…

Além do mais, será que Deus precisa copiar as coisas materiais para poder colocá-las no Universo? Como diria o Espírito da Verdade: é o homem considerando-se o ser forte que não vê nada acima dele…

Não, não faça imagem das coisas além da matéria. Quando sair da carne, não procure Deus através de forma, não queira “ver” Deus: procure-o no seu coração. Não procure Deus na visão, mas no sentimento, no amor. Unir-se a Deus não é chegar perto de Dele, mas sim vibrar, pulsar na mesma freqüência que o Pai pulsa.

Agora se você quiser saber através da mente humana o que é pulsar para poder fazer isso, não vai saber. O pulsar realiza-se no coração e, como vocês mesmo dizem, a razão desconhece o sentimento…

Mas, alguém fez uma imagem interessante para o espírito: uma almôndega pulsante. O espírito algo feito por alguma coisa que se desconhece e que pulsa como o coração.

Isso é uma imagem do espírito para essa pessoa. Você faça a que quiser, pois nem você nem aquela pessoa estão “certos” e jamais poderão estar enquanto humanizados. Se quiser, vamos dizer, ser mais romântica, pense que o espírito é numa estrelinha brilhando ou numa nuvenzinha pulsando raios. Você faz a imagem que quiser e nenhuma das que fizer estará “errada”, mas será apenas uma imagem que lhe serve como parâmetro para compreender o incompreensível.

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Participante – No livro Nosso Lar de André Luiz, que a maioria de nós já leu, é colocada a imagem que o senhor falou: no céu tudo é igual a terra. Só que neste em outros livros as coisas de lá são melhoradas…

Isso é desta forma para que vocês possam ter uma noção das coisas que lá existem. Mas, apesar disso, insisto no meu aviso: não façam imagens. Isso porque as coisas lá não são exatamente o que vocês imaginam ser…

Agora, porque os espíritos usam estas imagens? Para lhes passar ensinamentos sobre a reforma íntima…

Os espíritos da época do início do espiritismo tiveram que fazer imagens para mostrar que existia um mundo espiritual ativo. Precisavam mostrar a humanidade que no céu há coisas e não apenas o sono eterno pregado pela doutrina católica. Hoje, que vocês já não acreditam, isso não é mais preciso e Deus manda novos auxiliares para ampliar a visão sobre a vida depois da carne.

Imagine se André Luiz ao escrever o Nosso Lar falasse do mundo espiritual como estamos falando agora (não há nada que vocês possam compreender ou imaginar)? Talvez o espiritismo nem existisse no Brasil…

Portanto, esta forma de falar foi preciso durante um tempo para vocês e ainda é necessária para outros. Por isso os livros espíritas continuam sendo escritos…

Participante – Mesmo porque nós já aprendemos que não é porque desencarnamos que nos tornamos repentinamente perfeitos. Muitos espíritos estão em uma fase de evolução em que essas coisas precisam ser plasmadas tais como na Terra.

Perfeito… Mas, porque isso acontece? Porque são espíritos ainda presos a egos materiais.

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Sendo assim, nesse trabalho sobre a maior aventura do espírito, a encarnação, enceramos hoje uma fase importante. Aquela que trata da criação da realidade com a qual a personalidade humana vive. A partir de agora, vamos entrar na fase dos instrumentos da elevação espiritual.

Já falamos de espiritualismo, ecumenismo e universalismo. Agora vamos estudar algumas – vou colocar esta palavra entre aspas para entendermos que trata-se de sentido figurado – “verdades universais”. Vamos estudar alguns instrumentos que existem nos egos, mas que durante a realidade fictícia que ele cria não são perceptíveis. Apesar de vocês não perceber a presença destes instrumentos, eles fundamentam a lógica humana…

A partir da próxima conversa, então, vamos começar a estudar essas “verdades universais” que o ego não utiliza durante as realidades virtuais humanas, mas vocês precisam saber da existência delas para compreender como o que a personalidade humana cria está fora da realidade real.

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Perdoem-me, durante o assunto carma esqueci de falar algo muito importante: eu e todos os mentores somos carmas também. Nós fazemos parte da programação da existência de cada personalidade humana que convive conosco…

É preciso deixar este aviso porque senão parece que nós estamos fora do mundo virtual e isso é irreal. Eu sou uma realidade virtual para vocês.

Eu não sou preto, não sou velho, não me chamo Joaquim e nem essa voz é minha. Eu sou um espírito, ou seja, algo que vocês não têm condições de saber o que é…

Então, eu e meus ensinamentos, assim como qualquer mentor e suas instruções, somos elementos criados por Deus para agir junto à sua personalidade humana e nossa relação já estava pré-determinada antes da encarnação.

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Nós estamos estudando a encarnação e a definimos como a maior aventura do espírito. Falamos que encarnação não é vir à carne, mas trata-se do espírito cobrir a sua consciência espiritual com aquilo que vocês chamam de véu do esquecimento ligando-se a uma consciência temporária que chamamos de ego. Dissemos que o ego é programado para que represente as provações que o espírito precisa realizar.

Dissemos, ainda, que ao ligar-se ao ego, o espírito vivencia uma nova realidade. Ou seja, ele vivencia uma realidade material que é diferente da sua que é universal. Para vivenciá-la, é criada uma personalidade humana, ou seja, o ser humano. Este ser humano que representa a encarnação do espírito vive, então, percepções de ação que também não são reais, mas que representam a prova do ser universal…

Isso foi o que vimos até aqui e com isso dissemos que encerramos a fase de estudo das realidades, sobre as realidades das coisas, que foi a primeira etapa do nosso estudo. A criação da realidade ou a criação do que o espírito vivencia durante a encarnação ou maya, como o Krishna chamou isso.

Hoje nós vamos começar uma etapa nova do nosso estudo. A partir do momento que se determinou como se cria a realidade, nós vamos começar, então, o estudo do processo de trabalho de não aprisionamento à essa realidade ilusória ou o que vocês chamam de reforma intima.

Essa é a segunda parte do nosso trabalho: a partir do momento que sabemos que tudo é ilusão, estudar como se libertar dela ou como se reformar interiormente. Então, este será o tema a partir de agora.
Hoje vamos apenas fazer uma abordagem inicial nesse tema, começando a falar sobre reforma intima.

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O que surge quando o espírito consegue promover a reforma intima? Ou seja, o que surge para o espírito que aproveita a encarnação e consegue a elevação espiritual? Nós falamos já sobre isso, mas rapidamente. Hoje vamos falar um pouquinho mais.

Dissemos anteriormente que o que acontecerá será uma alteração no estado de espírito do ser universal, ou melhor, o espírito passará a viver num estado de espírito onde se encontre em paz, harmonia com o seu meio ambiente e felicidade incondicional. Esse é o resultado da reforma intima.

Este é o estado do ser universal que consegue promover a sua reforma íntima: um estado de paz, ou seja, onde não se guerreie com ninguém; de perfeita sintonia com o mundo, ou seja, sem descobrir “mal” ou “bem”, ver nada “errado” e sem sofrer por nada; e um estado de felicidade incondicional.

Esta mesma descrição pode ser aplicada àquilo que a humanidade chama de “Novo Mundo”, “Era de Aquários”. “Mundo de Regeneração” ou até “Nova Jerusalém”. O nome não importa o que importa é que o tempo futuro que será alcançado com a reforma íntima possui as mesmas características que descrevemos acima para o espírito que se liberta da personalidade humana.

Sendo assim, no início desta etapa de nosso estudo onde iremos falar do processo de reforma íntima, temos que dizer que o ser universal que conseguir promovê-la irá viver no novo mundo.

Viverá num mundo onde ele não guerreie com ninguém, mesmo quando alguém guerreie com ele. Num mundo onde o “mal” e o “errado” não existem, mesmo que ele ainda não concorde com o que está acontecendo. Num mundo que mesmo não acontecendo o que ele deseja esse ser não encontra infelicidade.

Ou seja, este ser viverá na felicidade incondicional…

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A infelicidade, seja por qualquer motivo, acaba com a felicidade.

Se alguém está nervoso, não pode ser feliz. Estando ganancioso, ou seja, desejando alguma coisa ardentemente, não pode ser feliz…

Destas constatações, então, tiramos o primeiro conceito sobre reforma intima: a reforma intima leva a um novo mundo onde existe apenas a felicidade incondicional… Acreditando nisso, a primeira coisa que temos que desacreditar é que o Novo Mundo nascerá num determinado momento para toda a humanidade.

Isso que vocês vêm esperando (a chegada de um novo tempo sobre o planeta) não chegará ao mesmo tempo para todos. O novo tempo ou nova vida, na verdade, será o resultado de um trabalho de reforma intima executado por cada um e, portanto, acontecerá individualmente para cada um.

Veja como eu defini um novo mundo: um estado de paz, um estado de harmonia e um estado de felicidade incondicional. Será que Chico de Assis já não viveu esses três estados? Chico de Xavier e tantos outros também não vivenciaram isso? Sendo assim, posso dizer que eles alcançaram um novo mundo nas suas encarnações…

Sabem, tem muitos egos dizendo a seres universais que ele devem esperar o mundo novo chegar. Com isso ocultam a verdade: é preciso que o ser universal faça o mundo novo chegar realizando a sua reforma intima e não ficar esperando o dia marcado onde Cristo descerá do Céu numa carruagem de fogo ou ainda que a humanidade como um todo altere a sua consciência para que a nova forma de viver exista…

Não, a chegada do “Novo Mundo” de forma genérica ou global não acontecerá porque Deus deu o livre arbítrio a cada um para que, individualmente, todos, usando o seu livre arbítrio, mereçam viver o mundo onde a felicidade incondicional existe… Aquele que fica sentado esperando que a felicidade venha de fora numa data determinada e através de um fenômeno específico, ao invés de construí-la internamente, o que é o objetivo da reforma íntima, não entrará no “Reino do Céu”…

Isso precisa ficar bem claro: reforma intima leva ao mundo novo. Este mundo não nasce num dia ou por um evento, mas sim quando cada um transforma em si a realidade que vive.

continua….

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