EVANGELHO SEGUNDO TOMÉ


Este livro que vocês vão ler agora contém o segredo da melhoria espiritual. Contém todas as informações que vocês precisam para passar no dia do “julgamento”.

Procurem ler com toda atenção isto que está escrito aqui, porque tem todas as informações para o espírito chegar no dia de aparecer na frente do Pai e poder dizer com toda tranqüilidade: “Eu estou no caminho certo Pai e tentei fazer as coisas da melhor forma”.

Todo ensinamento que vocês precisam para poder crescer espiritualmente está aqui, está neste livro. As outras coisas que vocês ainda terão notícias, nada mais são do que curiosidade. É para aqueles que querem se especializar em algo. Mas, este livro que aqui está é que traz o ensinamento para o seu crescimento espiritual.

Este livro fala, sem falar, o tempo todo, nas quatro letras que são a coisa que vocês têm que fazer na vida: o AMOR.

Sem isso nada se consegue neste universo de Deus. Sem ter amor no coração, sem ter vida no coração, pois amor é vida, nada se consegue na verdade.

Todos aqueles que vivem por objetivo outro que não seja de ter o amor dentro de si, um amor sem fronteiras, um amor sem barreiras, um amor sem sexo diferente, um amor sem nível social diferente, um amor sem cor diferente, todos que vivem sem esse amor, com certeza no dia do juízo terão alguma coisa apontada contra si.

A vida do espírito é a coletividade, é a busca de que todo mundo é igual um ao outro e que ninguém é melhor ou pior nas leis de Deus.

As coisas que nós sempre dizemos não têm nada mais no fundo do que o amor. Sem essa energia, sem esse sentimento, não há vida. Há vegetação, pois a vida é esse amor, é essa procura de ser igual a todo mundo.

Cumprindo suas missões é que vocês demonstram esse amor pelo seu irmão. É colocando em ação aquilo que levou tanto tempo no plano espiritual para aprender, que vocês trazem o amor para dentro de vocês. É principalmente pagando até o último dízimo, até o último centavo, a dívida de cada um, que vocês conseguem recuperar o amor que perderam ao ofender.

Sem essas três coisas, não há vida. Passa-se pelo tempo. Prorroga-se o processo de encarnação e leva-se mais tempo para resolver seus problemas. Não é para isso que o espírito vem na carne. Não é para as coisas materiais, não é para as tentações materiais que ele vem na carne. Ele vem para provar que ama os seus irmãos e principalmente para provar que se ama, porque só consegue se amar quem ama seu irmão.

Não é a aparência física que diz se uma pessoa é bonita ou feia: o que diz é o amor que essa pessoa passa nos atos que faz. O ato do amor quase nunca é o ato que a gente esperava ou queria. Quando estamos na carne queremos a coisa da carne, enquanto que o ato do amor é espiritual.

Viver nada mais é do que amar. Passar por esta vida é cada dia estar aumentando o seu amor pelos outros e recebendo mais amor. Mas só recebe amor quem dá o amor.

“Quem semeia vento, colhe tempestade”. Quem semeia amor, recebe amor e isto é a única coisa que vale a pena nesta vida. É a única coisa importante que existe.

Mas este velho não está falando do amor do homem pela mulher: está falando do amor do espírito pelo espírito, seja ele do sexo que for, classe social, nível de escolaridade, cor ou que religião pratique.

É o amor de um pelo outro. Não o amor de cobrar, o amor de exigir, mas um amor de buscar a compreensão. Um amor de provocar a trégua. Um amor de buscar a junção de duas pessoas para fazer algo e não o amor de um só para provar que é melhor.

O amor não pode nascer porque foi exigido que tivesse amor. O amor tem que brotar tem que vir de dentro de cada um. Entretanto, este amor só vai brotar, só vai nascer dentro de vocês, na hora que as suas vidas forem entregues totalmente nas mãos de Deus. Só Ele pode ser o amor colocado dentro de vocês.

Enquanto o espírito procura, ele mesmo ser sempre o senhor de todo o Universo, não consegue. Na hora que diz: “Senhor do Universo, sou uma partícula do Senhor”, o amor brota e surge dentro do coração.

Neste livro vocês aprenderão a parte técnica de como alcançar este amor. Aqui está para vocês compreenderem como se alcança o amor.

Porém, não adianta nada, como já foi dito, se o baú cheio de moedas de outro ficar no fundo do mar. Se estes ensinamentos não forem resgatados, estudados e colocados na prática, de nada adianta ter este livro na sua prateleira. Ele sozinho não vai se abrir para mudar a vida de vocês. Toda informação é para ser dividida com o irmão, mas é, principalmente, para ser o conhecimento e prática de vocês mesmos.

Quero finalizar com uma história deste velho.

A vida de vocês é um eterno caminhar. Vocês caminham levando uma cruz nas costas. Uma cruz que, para cada um, sempre é mais pesada que a do outro.

Aí se conta que existiu um moço que era muito esperto e um dia disse:

“Eu vou ficar andando com esta cruz grande e pesada? Eu vou fazer uma coisa: vou cortar um pedacinho da cruz e ninguém vai ver. Quer ver só?”

Ele cortou um pedaço da cruz e continuou caminhando. Engraçado, ninguém falou nada como ele. Ninguém cobrou dele aquele pedacinho da cruz. Aí ele disse:

“Está vendo como sou esperto? Já que agora eu cortei um pedacinho e ninguém reclamou, vou cortar mais um pedacinho”.

Continuou andando e ninguém veio dizer para ele que não podia cortar pedaços da cruz. Ele continuou caminhando confiando, porque a cruz tinha ficado mais leve sem os dois pedaços.

Assim foi ele fazendo a sua caminhada, cortando pedaços da cruz, até que a cruz ficou pequenina e ele a carregou nos ombros sem sentir muito peso, sem muito problema.

Uma multidão caminhava junto dele, cada um com a sua cruz pesada e ele, o grande homem, o homem que tinha descoberto o sentido da vida que era cortar a cruz, caminha tranqüilo, sem esforço, sem sofrimento e sem cansaço.

Mas, como todos os homens que caminhavam pela planície da vida, um dia ele chegou no desfiladeiro onde tinha um buraco muito grande para passar para o outro lado. Ele então pensou:

“E agora, como eu vou fazer para passar?”

Aí um anjo apareceu para todos que estavam à beira do precipício e disse:

“Do outro lado está a terra prometida. Do outro lado está a vida que vocês sempre quiseram. Se vocês perceberem, a cruz que cada um carrega é do tamanho exato do buraco por onde vocês têm que passar. Joguem a cruz que ela vai servir de ponte e vocês atravessam”.

Nosso amigo estava lá com o seu cotoco de cruz e ela não alcançava o outro lado do buraco. Os outros passaram pela cruz e no momento que chegaram do outro lado, a cruz sumiu. Mas o homem que carregava o cotoco teve que voltar pela mesma estrada para recolher as partes que ele tinha cortado, para juntar tudo e poder passar.

Esta história mostra bem tudo o que está escrito neste livro. Mostra bem todas as técnicas que serão passadas. Não adianta fugir das suas lições, não adianta dizer que não precisa provar o que aprendeu e não adianta muito menos fugir dos pagamentos que deve.

Na hora de atravessar o desfiladeiro se a sua cruz estiver muito pequena, você terá que voltar com seus próprios passos para achar os pedaços da cruz abandonados.

Com as graças de Nosso Senhor Jesus Cristo, nosso grande Governador Geral e com o Amor do Pai Eterno e Supremo, nós ficamos muito gratos de poder trazer esta humilde cooperação do plano espiritual para a evolução de vocês.

PAI JOAQUIM

Espírito de Luz – Falange Africana – Preto Velho

Transmitida pela espiritualidade.

Tomé, o autor deste evangelho, é filho de José, de um casamento anterior à sua vida com Maria e, portanto, irmão de Jesus. Entretanto, não era o único, pois da primeira união José teve outros filhos.

Esses irmãos participaram com Jesus de todas as suas peregrinações, porém dois deles foram muito importantes: Tiago e Tomé (Felipe era irmão gêmeo de Tomé).

Depois do desencarne de Jesus na cruz, os doze que ficaram como apóstolos, dentre eles os irmãos de Jesus, começaram a escrever o que o Mestre havia dito durante a sua vida. Porque O conheciam, eles não descreveram Jesus como homem, mas procuraram transmitir o que o Mestre havia ensinado.

Muito tempo depois da morte de Jesus, começaram a perguntar como tinha sido a Sua vida. Foi neste momento que Marcos, Mateus, Lucas e João escreveram as histórias que estão na Bíblia. O objetivo destes evangelistas era transmitir como tinha sido a vida de Jesus.

Então, as histórias do Mestre, escritas pelos quatro evangelistas, foram aquelas que os apóstolos lhes contaram e não as que eles próprios tinham vivido.

Assim, os autores dos textos constantes da Bíblia apenas escreveram sobre Jesus, sem que tenham sentido a força do Seu olhar ao transmiti-las. Escreveram com uma visão para seres humanos os ensinamentos. Porém os doze apóstolos, que conviveram com Jesus, puderam sentir Sua “força”, ou seja, o sentido dos Seus ensinamentos e, por isso, escreveram as mensagens para espíritos.

Entre estes autores que conviveram com Jesus, quem melhor relatou Seus ensinamentos, quer em veracidade, quer em entendimento ou quantidade, foi Tomé que, além de ter cuidado de Jesus desde seu nascimento, tornou-se seu melhor amigo.

É o que nós vamos começar a estudar: o Evangelho de Tomé.

Neste evangelho estão os ensinamentos de Jesus que os escritores dos evangelhos canônicos ou não conseguiram entender ou não tiveram acesso.

A intenção destes ensinamentos, como veremos, é transmitir ao ser humano como se sentir espírito na carne e orientar a sua vida na matéria como tal.

Como muitos não conseguiram alcançar esta visão, as religiões abandonaram este evangelho dizendo que ele não havia sido “intuído pelo alto”.

Este Evangelho é composto de 114 logias ou ensinamentos que Jesus transmitiu a Tomé quando estavam a sós. Alguns foram depois até comentados pelos evangelistas, mas a sua grande maioria não é comentada em nenhuma religião.

DÍDIMO = gêmeo.

Tomé inicia o seu Evangelho afirmando que Jesus era o Vivo porque ele continuava “vivo” na carne.

A vida e a morte possuem significados diferentes para os que se sabem espíritos e os que ainda se acham “seres humanos”. Para estes, estar vivo significa ter ações materiais, praticar atos. Para os espíritos, estar vivo é viver na glória de Deus.

Não importa que densidade de matéria o espírito ocupe, ele poderá estar vivo se estiver vivendo na glória de Deus, ou seja, dentro do mundo espiritual positivo. Para que isto aconteça é necessário que ele conheça e pratique as Cinco Verdades Universais:

Sou um espírito.

Moro em um mundo espiritual.

Venho a esta densidade de matéria fazer prova.

Minha prova é a utilização do amor universal.

Deus é quem escreve as questões desta prova, pois Ele é a Causa Primária das coisas.

Aquele que compreende estas verdades e as coloca em prática, vive; quem se vê de forma diferente ou responde às questões da prova com outro sentimento, morre.

Tomé afirma que Jesus estava vivo, ou seja, que Ele conhecia e praticava estas Verdades.

Portanto, a primeira afirmação de Tomé é que Jesus nunca teve como base as coisas materiais, ou a vida material, mas sempre viveu para o espírito, para as coisas espirituais.

O Mestre não viveu com sentido de matéria; todos os seus atos e mensagens dirigiram-se à vida espiritual. Por isso Ele estava vivo e continua vivo mesmo depois de seu desencarne.

Todos os espíritos, quando encarnam, vivem apenas para a matéria e, por isso, estão mortos para o mundo espiritual. Isto ocorre porque eles não conhecem nem praticam as Cinco Verdades Universais.

O objetivo de Jesus era, portanto, ensinar estas verdades aos espíritos na carne e, desta forma, trazer a “vida” para todos. Será sob este prisma que iremos analisar os ensinamentos constantes do Evangelho Segundo Tomé, o Dídimo.

Jesus disse: aquele que entender o que Ele falar não vai morrer. Para compreendermos melhor, vamos buscar o significado de “morrer”.

MORTE – 1. O fim da vida animal ou vegetal. 2. Termo, fim. 3. Destruição, ruína.

Para aqueles que não acreditam em religiões, a morte se torna o fim completo, ou a cessação da vida. Entretanto, como a própria ciência vem comprovando, nada acaba, tudo se transforma.

A planta não morre e sim se transforma em adubo, ou seja, vida para novas plantas. Quando as células da folha que caiu penetram no solo e são absorvidas pelas raízes de outras plantas, continuam existindo dentro destas.

Então a morte é, na verdade, uma transformação que vai gerar nova vida. Não existe fim para nada. Aqueles que acreditam na “morte” como o fim da vida é porque desconhecem a transformação que acontece. Nada acaba, tudo se transforma.

Nem mesmo os sentimentos, coisas imateriais, acabam: eles se transformam. O amor vira ódio, a alegria passa a ser tristeza. Nada no planeta acaba: transforma-se. Nada tem fim: passa por transformações.

Este conhecimento, que já é praticado por aqueles que acreditam em religiões, é importante para que o ser humano que não acredita nelas, saiba que ele também não acabará, mas se transformará.

Baseadas neste princípio, todas as religiões ensinaram até hoje que a morte transformará o ser humano em algo diferente do que é: o católico acredita que vai se transformar de “acordado” em “dormindo” e voltará a “acordar” no dia do juízo; os protestantes acham que se transformarão em anjos na glória do Senhor. Mesmo aqueles que se aprofundaram mais neste assunto (espíritas kardecistas), acreditam que se transformarão de “alma” para espírito.

Todas as religiões promovem a transformação, ou seja, a mudança de uma coisa para outra. Entretanto Jesus afirma que, quem entender suas palavras, não vai conhecer a morte, ou seja, não vai passar por transformações.

Quem entender as palavras que Jesus confiou ao seu irmão mais querido, já vai se ver e se sentir como espírito, mesmo estando na carne. Não vai ser preciso morrer para se transformar em espírito e, por isso, não haverá um processo de transformação.

Podemos então entender as palavras de Jesus, escritas por Tomé, da seguinte forma:

Aquele que entender o que eu digo se verá agora como espírito e por isso não precisará passar por um processo de transformação.

Esta é a explicação para “não experimentará a morte”, ou seja, não passará por transformação.

Quem compreender as Cinco Verdades Universais e conseguir colocá-las em prática, não precisará se transformar em nada mais, pois já será. O espírito está preso a uma carne, habita um mundo espiritual e não material e, portanto, já é um espírito e não uma “alma”.

As religiões separam a vida em dois mundos: o mundo da matéria e o fora dela. Não existe esta separação e por isto, não existe morte, transformação. Mas para se viver uma vida espiritual, mesmo estando retido na carne, é necessário se entender as palavras de Jesus. Isto é o que transmite Tomé.

Este estado foi alcançado por todos aqueles que entenderam as palavras de Jesus. Como um ser humano poderia entrar em uma arena com leões famintos, sabendo que iria morrer, sem sentir medo? Como poderia um ser humano enfrentar exércitos, ser crucificado, queimado, com alegria e felicidade? A resposta é só uma: já sendo espírito e sabendo que não haveria transformação ou mudanças.

Aqueles cristãos que entraram nas arenas, os santos que foram para as fogueiras já conheciam esta verdade e, por isso, não precisavam ter medo porque já sabiam que eram espíritos e conheciam a verdade da não transformação.

Esta compreensão não se alcança com mágica ou apertando um botão, mas sim com o próprio esforço: estudo, dedicação e, acima de tudo, a prática. É isto que faz alcançar a consciência de já ser espírito.

Ninguém pode fazer nada por você, a não ser você mesmo. Como ensinou Buda Guautama: se você quiser saber porque você é assim hoje, veja o que fez ontem; se quiser saber o que será amanhã, veja o que está fazendo hoje.

Se você quiser ser um espírito ao abandonar a carne, é necessário que você desde hoje saiba que já o é e viva como um espírito. Não existe processo instantâneo de transformação. Não é o desencarne que vai lhe trazer, automaticamente, este conhecimento: você precisará estudar no plano espiritual menos denso para alcançá-lo.

Assim, a missão de Jesus foi ensinar como ser espírito hoje e nós não devemos adiar esta visão para depois.

Esta é, então, uma das intenções do evangelho de Tomé: trazer os ensinamentos para se viver como espírito, o que acabará com a visão de “transformação”, chamada morte.

“Aquele que procura, não cesse de procurar até quando encontrar”

O primeiro recado de Jesus é que os espíritos na carne não devem parar de procurar a vida espiritual, a Verdade Universal.

Será que as pessoas estão realmente procurando a vida espiritual ou estão cedendo às tentações que Jesus enumerou para o planeta? Hoje os seres humanos enumeram diversas necessidades antes de procurar as suas verdades universais.

Todos precisam “fazer a sua vida”, necessitam estudar, trabalhar, para que possam conquistar coisas materiais. Esforçam-se em progredir materialmente, mas esquecem que estes valores materiais terminam com o fim da encarnação.

É preciso que o ser humano altere seus objetivos, premiando a vida espiritual em primeiro lugar, pois esta é consistente e eterna enquanto que a primeira é efêmera e curta.

Para evoluir espiritualmente e alcançar a visão espírito, o Mestre deixou como primeiro ensinamento a necessidade da procura incessante.

Para fazer isto, há a necessidade de que o ser humano esteja vigilante o tempo inteiro nos seus valores espirituais e tenha persistência para não ceder às tentações materiais. Entre estas tentações está a da omissão (”eu não consigo…”).

Todo espírito tem que “brigar” consigo mesmo e verificar que a forma que está pensando nada mais é do que hábito. Tem que mostrar claramente a si mesmo que os pensamentos nada mais são do que conceitos enraizados dentro de si, voltados à satisfação material e não espiritual.

O “ser humano” não sabe a realidade das coisas que acontecem, apenas “acha” que elas são de uma determinada forma. Como então pode se pronunciar sobre ela? Utilizar o “achar” e confundi-lo com o “saber” é cessar de procurar a vida espiritual: pára de procurar a Verdade Universal para utilizar o poder de “mandar” nas coisas.

Os “seres humanos” querem comandar a sua vida e a vida dos outros, mas não possuem base para tanto, pois possuem uma visão limitada dos sentimentos com os quais os atos são praticados. Quantas vezes acham que estão sendo amados e na verdade são alvos de outros sentimentos? Ao contrário, muitas vezes identificam ataques onde está havendo compaixão.

Assim, a procura do entender-se como espírito, que encerrará com o processo de transformação “morte”, começa pelo fim do “achar” as coisas, ou seja, utilizar parâmetros próprios para julgar o que está acontecendo. Isto só é conseguido vigiando constantemente a si mesmo.

É necessário estar vigilante para saber se o que se está fazendo está trazendo alegria para todos (”será que deixei alguém triste com este meu pensamento?”, “será que eu fiquei triste com ele?”). É também preciso verificar se está sempre presente a compaixão (”será que o meu pensamento está ferindo ou magoando alguém?”).

É importante esta consciência, pois ninguém tem o direito de ferir ou magoar outra pessoa, sem que com isso esteja ferindo ou magoando a Deus, que é o Pai, não só seu, mas de todos.

Ninguém tem o direito de dizer aos outros o que quer, o que “acha”, obrigando-o a ouvir o que quer dizer. Seu direito acaba onde começa o dos outros.

Enquanto o espírito se vir como “ser humano”, ou seja, o centro de um universo que ele chama de “minha vida”, não há como se conscientizar de que é parte de uma coletividade que vive para o Pai.

Além dos sentimentos alegria e compaixão, tem que haver a igualdade. Não há condições de se obrigar as pessoas a fazer as coisas de determinada forma e nem podemos submetê-las às nossas vontades. Cada uma tem o direito de fazer o que quiser, na forma que achar melhor, desde que não fira e nem tire a alegria de ninguém.

A vigilância constante destes três sentimentos traz o mundo de Deus para cada um e, portanto, leva a alcançar a visão de espírito.

Não pode haver a cessação da vigilância e da procura da vida espiritual, pois se houver a interrupção, o espírito certamente cairá no “pecado”, ou seja, nos sentimentos contrários ao amor universal. Quando isto ocorre, o espírito começa a merecer que Deus lhe dê situações negativas e aí, no sofrimento, é muito mais difícil manter este amor.

Não pare nunca de procurar o amor universal

“e quando encontrar, ficará perturbado”

Quem encontrar este amor universal, esta vida espiritual, vai ficar, inicialmente, perturbado, pois a sua vida se alterará completamente. Todas as coisas que estão à sua frente mudarão completamente: deixarão de ser o que eram e terão outro sentido…

A vida mudará completamente porque a vida material, vivida pelos “seres humanos”, nada tem a ver com a espiritual. A vida material é ilusão, não existe.

Os seres humanos, para se sentirem felizes, necessitam que os seus conceitos sejam atendidos para que eles alcancem a “felicidade”. Isto não é felicidade, mas sim satisfação que cessa quando cessam os motivos.

O espírito, por não ter conceitos, vive a felicidade universal, aquela na qual apenas participar das maravilhas do mundo de Deus já satisfaz.

Por não conhecer esta vida, o espírito quando sai da carne pelo processo “morte” fica preso a este planeta, procurando alcançar seus conceitos e a felicidade.

Não está sendo dito que em outros mundos menos densos não existam coisas materiais, mas o que está sendo afirmado é que o espírito vê essas coisas de forma diferente. O ser humano vê as coisas materiais por sua forma, mas o espírito entende o “sentido” de cada uma delas, ou seja, a sua essência.

Tomemos como exemplo uma cadeira. Para o ser humano, ela nada mais é do que pedaços de madeira, espumas e panos reunidos sob uma determinada forma. Para os espíritos que se reconhecem como tal e vivem no mundo espiritual, essas informações são sem importância. Para eles, o que importa é o sentido da existência da cadeira, ou seja, a sua essência.

À cadeira podem ser atribuídos diversos sentidos ou essências: conforto, segurança, descanso, beleza, luxo, orgulho etc. Entretanto, para o espírito pouco importa de que é feita a cadeira, mas sim o sentido para o que ela existe. É a escolha entre estas essências que é a prova que o espírito vem fazer na carne.

Para o mundo espiritual a forma das coisas não tem importância, pois qualquer que seja ela, o sentido ou a essência será sempre a mesma. Não importa se a cadeira é feita de ouro ou de tábua de caixote, ela sempre poderá proporcionar uma essência positiva.

“e ao perturbar-se, ficará maravilhado”

Quando o espírito entender que as coisas valem por sua essência, encontrará o mundo espiritual mesmo nesta densidade de matéria que vive hoje. Ao descobrir este mundo, encontrará o mundo de Deus. Ao ver-se nele, maravilhar-se-á com a sua justiça, beleza e amor!

O mundo de Deus é perfeito pela Perfeição que o criou. No mundo de Deus não existe lugar para injustiça, pois Deus é a Justiça Suprema; não existe lugar para erros, pois Deus é Inteligência Suprema do Universo. No mundo de Deus não existe lugar para tristeza ou infelicidade, pois Deus é o Amor Sublime.

Quando o “ser humano” se transformar em espírito penetrará neste mundo e maravilhar-se-á com todas estas coisas.

O “ser humano” não consegue entender a justiça, pois entende o mundo apenas pelas suas verdades pessoais (“achar”) e não pelas Verdades Universais das coisas. Encontra a injustiça porque acha que ele é que está certo; sofre porque suas verdades não são contentadas e vê o erro, porque não conhece a essência das coisas.

Todo o Universo é regido pela lei da ação e reação: tudo o que ocorre é uma reação a uma ação. Como o “ser humano” imagina-se sempre certo, espera que a reação seja sempre ao seu contento. Quando isto não ocorre, não procura a reação em alguma ação sua, mas acusa Deus de estar cometendo uma injustiça.

O espírito não possui “verdades” individuais e por isso aceita as Verdades Universais. Para ele, tudo o que ocorre é porque ele merecia, ou seja, procura cada ação que originou uma reação dentro de si mesmo e não externamente.

Entendendo a ação de Deus sobre as coisas (Deus Causa Primária), o espírito se maravilha com a perfeição da vida universal e alegra-se por participar dela.

“e reinará sobre o Todo”.

O espírito que conhece as Cinco Verdades Universais não tem verdades individuais que possam ser menosprezadas e por isso não se fere nem se sente injustiçado.

Aceita tudo que lhe acontece como ato de uma Inteligência Suprema, ou seja, não encontra erro; vê sempre a Justiça Suprema em ação e por isso não encontra injustiça; entende que em todos os momentos está presente o Amor Sublime, que busca a igualdade entre todos e a manutenção da alegria universal.

Quando alcançar esta visão, o espírito não mais perderá sua alegria, pois ela não dependerá da satisfação de verdades individuais, não causará sofrimento aos outros, não precisará defender a “sua verdade” e verá como todos são iguais, apesar das diferenças físicas.

Aquele que se considerar espírito, estará apto a conduzir o seu irmão nesta mesma busca, pois aceitará que cada um tenha o seu próprio patamar de evolução e não buscará impor suas verdades aos outros.

“Se aqueles que vos guiam vos disserem: vê, o Reino está no céu, então os pássaros vos precederão. Se vos disserem: ele está no mar, então os peixes vos precederão”

O início deste ensinamento trata do que se conhece até então como a localização do reino de Deus: o mundo espiritual fora da carne.

O Mestre afirma que este reino não se encontra acima ou abaixo do planeta Terra, pois se assim fosse, os seus habitantes já o teriam alcançado.

Assim, Jesus só deixa uma opção: o reino está no mesmo espaço físico onde também existe o planeta Terra.

Existe um único Universo, independente da matéria mais densa ou menos densa que o espírito ocupe. Na verdade, o que distingue o plano espiritual do que chamamos plano material não é um lugar físico, mas a densidade das coisas materiais.

Todas as coisas e espíritos em todas as dimensões coexistem em um mesmo espaço físico. Só não podem ser percebidos porque os espíritos que vivem em matérias de densidades maiores não conseguem “ver” as coisas e espíritos que vivem em densidades menores.

Portanto, todos aqueles que o espírito na carne acredita que estejam no “céu”, estão, na verdade, ao seu lado, mas em matéria menos densa, o que dificulta a esse espírito tomar conhecimento da existência deles.

Esta informação é de suma importância para que os habitantes do planeta se reconheçam como espíritos já. A densidade das matérias existentes no planeta Terra é uma das causas da visão “ser humano” que o espírito na carne possui.

Como não consegue ver as outras densidades, o ser humano criou um local diferente para a existência delas e separou o universo em planos e locais diferentes. Como o ser humano acredita que existe uma “transformação” para que se torne espírito, criou, também, um local diferenciado para a vida deste “novo ser” em que se transformará. Assim, o ser humano dividiu o Universo em dois mundos distintos: o material e o espiritual. Ao menos denso, ele atribuiu a Deus o comando das coisas, mas para o material, assumiu a posição de Deus já que Ele se encontra em “outro lugar”.

Por este motivo, o ser humano é dominador por natureza. Como não consegue ver Deus na Terra e acha que Ele habita outro lugar, quer dominar o planeta e agir livremente. Porém, o espírito sabendo que este é um mundo espiritual onde a matéria possui várias densidades, consegue enxergar a ação do Pai sobre as coisas, inclusive sobre a sua vida.

Para os momentos onde não conseguem dominar as coisas, os “seres humanos” criaram locais que servem de interligação entre o mundo material e o espiritual: os centros, igrejas, templos etc. Nestes locais buscam alcançar Deus e pedir a Sua intervenção em determinados assuntos, ou seja, prenderam-No dentro destes locais e só O libertam quando Dele necessitam…

Por isto Jesus faz menção “àqueles que vos guiam”. Os clérigos de todas as religiões devem entender que para se religar a Deus não há necessidade de se recorrer a igrejas ou templos. Como morador do mundo de Deus, o espírito pode se religar ao Pai em qualquer local.

“mas o reino está dentro de vós e está fora de vós”

Deus não está confinado dentro de paredes de templos e sim dentro de cada espírito, pois age diretamente sobre seus filhos, buscando auxiliá-los na elevação espiritual.

O espírito tem que compreender esta ação de Deus sobre ele para que O encontre em todos os momentos de sua vida. Necessita entender que Deus comanda os seus passos, momento a momento, com a finalidade de manter o equilíbrio universal através da Justiça Perfeita. Sem entender que nada consegue praticar sem a ação de Deus, o espírito transforma-se em um ser humano que se julga independente de Deus para a realização de atos. Portanto, o espírito precisa encontrar dentro de si mesmo o Reino de Deus, ou seja, a morada do Senhor.

A única ação do espírito é sentir e, por isso, seus atos físicos não passam de materialização de seus sentimentos. Deus comanda estes atos de acordo com o sentimento do espírito, ou seja, para cada ação espiritual, uma reação. Se o espírito sente raiva, Deus comandará para que este espírito pratique um ato de raiva contra outra pessoa; se o espírito sente bondade, seus atos irão condizer com este sentimento. Portanto, o ato do espírito é comandado, na forma, por Deus, de acordo com os sentimentos que ele nutre.

Por isto Jesus resumiu as leis de Deus em apenas uma: AMAR.

Quem ama não pratica atos para ferir outros espíritos. Para amar é necessário ter alegria; para mantê-la é necessário nunca ver injustiça. Só Deus, a Justiça Suprema, pode nos garantir a justiça de tudo o que acontece.

O espírito deve procurar esta morada também externamente, ou seja, tem que entender que os fatos e atos que acontecem em qualquer lugar também pertencem ao Reino de Deus, ou seja, também são guiados por Deus.

Se um espírito se sentir ferido por outro, deve entender que ali existe uma ação de Deus. Acusar o ofensor de ter praticado espontaneamente o ato é negar a existência de Deus no planeta. Se foi um ato de Deus, então ali existiu justiça e foi praticado da maneira que deveria ser, pois foi obra da Inteligência Suprema do Universo. Assim sendo, o espírito que recebe o ato não deve sentir-se ofendido, mas acreditar que Deus, pelo Seu amor, só trará a ele o que o auxilie na sua evolução.

Todo espírito é comandado por Deus porque habita o Seu mundo. Desta forma, tudo o que acontece a um espírito é obra do Criador como reação a um sentimento que ele tenha emitido. Se alguém consegue ofender um espírito é porque este também já ofendeu alguém.

“Se vos reconhecerdes, então sereis reconhecidos e sabereis que sois filhos do Pai Vivo”

Aquele que encontrar Deus dentro de si e no mundo que habita, se reconhecerá como espírito e buscará sempre o amor para se nutrir. Estes espíritos serão reconhecidos por Deus e verão que Ele está Vivo, ou seja, que age dentro de cada um. Assim, não mais emitirão sentimentos negativos sobre o planeta e então receberão as bênçãos de Deus.

“mas se vos não reconhecerdes, então estareis na pobreza, sereis a pobreza”

Aqueles que ainda se entenderem seres humanos, capazes de criar atos e fatos, permanecerão fora das bênçãos de Deus e, portanto, serão pobres.

Jesus, em diversas outras passagens avisou que o espírito deve procurar juntar riquezas no mundo espiritual e não no material. As riquezas do mundo material geram o sentimento posse, que é contrário ao amor universal e afasta o espírito de sua real riqueza. Portanto, quanto mais bens materiais possuir o espírito, mais pobre ele será e mais a pobreza representará.

Quando falamos em bens materiais, não devem ser entendidas apenas as coisas materiais, mas também os bens morais e sentimentais. O ser humano quer possuir tudo que existe: seus parentes, seus cônjuges, os amigos, os inimigos (bens sentimentais) e a razão das coisas, o estar certo sempre (bens morais).

Jesus não recrimina os bens materiais em si, mas a busca de sua posse. O espírito pode ter bens materiais desde que compreenda que eles pertencem a um mundo espiritual e não a um mundo material: no mundo material as coisas valem por sua forma, enquanto que no mundo espiritual as coisas valem por sua essência. Na sua essência uma casa é um abrigo, mas para o mundo material a casa vale pela riqueza que tenha.

O espírito que compreende o mundo espiritual em que vive, não se importa com detalhes. Para ele, a casa será sempre um abrigo, independente dos adornos que tenha e ele será sempre feliz, pois se sentirá abrigado. Por isto, para um espírito, tanto faz morar em um palácio ou em um caixote: qualquer lugar que o abrigue, ali ele morará e será feliz.

O ser humano que não compreende esta essência fica sempre à procura de formas materiais mais ricas para poder possuir mais bens. Por isto vive na pobreza espiritual, e será ela própria…

“o homem carregado em anos não hesitará em perguntar a uma criança de sete dias a respeito de onde está a Vida, e ele viverá”.

Se não existe o processo “morte” para transformação do ser humano em espírito, também não existe o processo “nascimento” para que o espírito altere-se para ser humano. O espírito é um só durante a sua vida carnal e pode, desde o seu início, praticar atos espirituais. Aliás, nesta etapa da vida de recém-nascido, ele é mais capaz de executar atos espirituais do que quando estiver mais avançado na vida carnal.

O processo de crescimento do “ser humano” é balizado pelos pais, parentes e amigos que lhe transmitem todos os conceitos adquiridos durante toda uma existência como “seres humanos”. São eles os responsáveis por gerar a imagem “ser humano” no espírito que encarna.

A sociedade ensina o modo de viver, vestir, andar, comer, o que gostar e o que não gostar, o que fazer e o que não fazer, de acordo com as suas normas. Seu interesse é formar mais um “ser humano” com sucesso material em primeiro lugar, mesmo que este sucesso seja alcançado com o cumprimento de normas divinas. Mãe e pai sabem obrigar o filho a estudar para “ser gente”, mas não lhe transmitem o amor necessário para que ele se entenda como filho de Deus. Isto, porque eles também estão preocupados em “ser” alguém.

É a visão “ser humano” que estabelece as prioridades do novo ser: primeiro, os responsáveis pela criança preocupam-se em assegurar-lhe o seu sucesso material ou a sua subsistência, em segundo lugar, ocupam-se em mostrar-lhe a verdadeira trilha a ser seguida.

Por isto, Jesus afirmou que um homem cheio de conceitos para alcançar a sua vida, não deve hesitar em perguntar a um recém-nascido sobre como são as coisas no mundo espiritual menos denso. O espírito recém encarnado possui a lembrança completa destas coisas para ensinar àqueles que esqueceram.

Claro que uma criança não saberá falar para explicar tudo, mas o espírito também não se utiliza desta forma arcaica de comunicação. A “linguagem dos anjos” é formada por emissão de sentimentos. Olhe no olho de um bebê e encontre o amor, veja o seu sorriso e entenda a alegria, sinta seu toque e veja o que é carinho. São estes sentimentos que mostram como é a Vida e onde ela está.

Além disto, deve o “homem carregado em anos” observar o comportamento das crianças, pois eles são oriundos de um ser sem conceitos formados. A criança come quando quer, porque o estômago não tem relógio para determinar “horário para comer”. Este horário é fruto de um conceito, uma convenção para facilitar a vida, mas este conceito altera-se nos diferentes lugares do planeta, portanto não é verdade universal.

A criança dorme quando tem sono e não porque “está na hora”; a criança não se preocupa com o amanhã, pois sabe que ele será “como Deus quiser”; a criança é incapaz de guardar raiva, porque tem mais facilidade de achar dentro de si o amor.

A hora de dormir, por exemplo, é um conceito que o espírito cria: cada um tem a sua. A preocupação com o dia de amanhã provém do desejo de dominar a vida. O “homem envelhecido” preocupa-se com o futuro, pois quer que ele seja como ele deseja, ou seja, como ele acha (conceitua) que deve ser.

O “homem velho” se fere e guarda raiva e rancor das pessoas, pois estas foram capazes de fazer coisas que ele não acredita como certas, ou seja, feriram seus conceitos.

Para que o “ser humano” consiga transformar-se em espírito é necessário que ele abandone todos os seus conceitos, ou seja, as suas verdades pessoais. No Universo existe apenas uma verdade: amar a Deus, a si e aos outros. Apenas o amor é a verdade.

Para conseguir isto, o “ser humano” necessita ver-se como espírito participante de um mundo espiritual, onde Deus é o Comandante de todas as coisas que acontecem. Enquanto o espírito permanecer “ser humano” e quiser dominar a “sua vida” precisará ter verdades ou posses morais.

Muito já foi falado sobre isso, mas pouco foi entendido. Buda avisou que o ser humano deve jogar fora tudo o que ele acha que é, para que se reconheça como o espírito. O que deve ser atirado fora são os conceitos que os seres humanos utilizam para agir, ou seja, para “ser”.

Jesus disse: “… juntem posses no céu, onde as traças e a ferrugem não as comem”. As únicas posses de um espírito são seus sentimentos.

Além disso, Jesus afirmou e foi trazido pelo Evangelho de Maria Mágdala:

“O apego à matéria gera uma paixão contra a natureza. É então que nasce a perturbação em todo o corpo; é por isso que eu vos digo: Estejais em harmonia…”

“Se sois desregrados inspirai-vos em representações de vossa verdadeira natureza. Que aquele que tem ouvidos para ouvir, ouça”.

“Após ter dito aquilo, o Bem-Aventurado saudou-os dizendo: Paz a vós – que minha paz seja gerada e se complete em vós! Velai para que ninguém vos engane dizendo: Ei-lo aqui, ei-lo lá Porque é em vosso interior que está o Filho do Homem; ide a Ele: aqueles que o procuram o encontram”.

“Em marcha! Anunciai o Evangelho do Reino. Não imponhais nenhuma regra, além da qual fui o Testemunho. Não ajunteis leis às dadas por Aquele que vos deu a Tora, a fim de não vos tornardes seus escravos”. (O EVANGELHO DE MARIA MÍRIAM DE MÁGDALA – pág. 8 e 9)

O espírito que busca transformar outro que se encontra em um corpo de bebê, contribui para a desarmonia do Universo, pois gera uma paixão à carne, que é contra a natureza espiritual do Universo.

O único Evangelho do Reino é o amor universal, no qual Jesus resumiu toda a lei mosaica. Portanto, não devem os espíritos acrescentar a este texto mais nenhuma lei, pois só o amor pode ser o regulador das relações dos espíritos.

Quando o homem junta outras leis (códigos de etiqueta, bom gosto, leis religiosas, leis materiais) à lei do amor universal ele se transforma em escravo delas e afasta-se desse amor.

Aquele que ama não pratica nenhum ato errado aos olhos de Deus. Portanto, basta amar e não será preciso mais nenhuma outra atitude de um espírito.

“Pois muitos que estão em primeiro lugar ficarão em último e se tornarão um só”.

Os que se encontram em primeiro lugar (os mais velhos) na imaginada “lista de entrada no Reino do Céu”, certamente terão que esperar para lá entrar. Isto porque não é a morte que determina a entrada neste Reino, mas a prática do amor universal.

O espírito é sempre o mesmo. Tudo o que um “ser humano” pensa, acha e faz, continuará a pensar, fazer e agir após deixar a vestimenta carnal; se hoje o espírito na carne busca se transformar em um “ser humano” de muitas posses, logo após o seu desencarne continuará buscando a mesma coisa e agindo para isso.

É importante ao espírito entender esta visão. Não existe “compreensão instantânea” das coisas espirituais porque saiu da carne: se hoje ele não sabe, amanhã também continuará a não saber. É necessário que o espírito se veja como tal, para poder entender o desencarne.

A literatura espírita moderna mostra que muitos espíritos são atendidos após o desencarne, permanecendo desacordados e sendo levados a hospitais para tratamento. Na verdade, esta forma de proceder não é uma ciência para o corpo espiritual, mas para o próprio espírito. Durante o processo de “atendimento” no “hospital”, o espírito é levado a relembrar-se das coisas espirituais. Entretanto, isto só acontece a poucos que têm o merecimento, ou seja, aos que buscaram a reforma íntima, mesmo ainda não se reconhecendo como espíritos.

A grande maioria, aqueles que colocam os desejos e necessidades materiais acima da busca espiritual, não encontrará este conforto e continuará a viver a “vida” de “ser humano”, apesar de já estarem fora da matéria carnal. É muito comum encontrar-se espírito sem carne que continua “acordando” quando o sol nasce, alimentando-se, pegando ônibus ou carro e passando o dia inteiro no mesmo trabalho que tinha antes de desencarnar. Ao fim do dia, retorna para casa, assiste à televisão com a família e depois vai dormir. Este espírito, apesar de fora da matéria carnal, vê o perispírito que continua revestindo-o e, como este é semelhante ao corpo físico que possuía, acha que o perispírito é ele.

Com esta visão do espírito, podemos afirmar que aqueles que ficarem por último para entrar no Reino do Céu farão um só do seu corpo espiritual e de seu corpo físico.

“Reconhece o que é visível para ti”

Esta afirmativa de Jesus precisa ser profundamente estudada para que se alcance o entendimento do ensinamento.

O espírito possui um processo interno que lhe permite reconhecer, analisar e tomar decisões em face de acontecimentos externos. Chamamos a este processo de raciocínio.

Sempre que alguma coisa é captada pelos órgãos sensores do corpo humano, é encaminhada ao espírito que procederá a um raciocínio.

Este processo possui três partes distintas:

a) análise da percepção;

b) tomada de decisão;

c) comando para a ação.

O reconhecimento das coisas que foram percebidas é a decisão a que o raciocínio chega, depois da análise das percepções. Desta forma, podemos dizer que o que nos é visível é fruto desta análise.

Para fazer esta análise, o espírito na carne utiliza-se de informações anteriores sobre o assunto. Por exemplo, quando ele vê uma cor amarela, vai buscar dentro de si todas as informações que tem sobre esta cor para decidir se comanda a uma apreciação positiva ou não da cor percebida.

A estas informações anteriores existentes dentro do espírito, chamamos de conceitos. Os conceitos são formados por decisões de processos de raciocínios anteriores que ficam arquivados na memória dos espíritos. Assim sendo, dentro do nosso exemplo, a apreciação ou não da cor amarela dependerá de informações anteriores que o espírito tenha do contato com esta cor. Caso tenha “boas” lembranças, apreciará positivamente; caso não tenha, desgostará.

Ampliando o ensinamento e colocando-o no texto de Tomé, podemos afirmar que o reconhecimento de alguma coisa depende do conceito que se tenha sobre ela. Se gostamos anteriormente, reconheceremos a coisa como boa; se não gostamos, o reconhecimento será de coisa ruim.

Entretanto, cada espírito possui um conceito diferenciado sobre a mesma percepção, o que determina a individualidade de cada um. Como saber, então, quem está certo ou errado: quem gosta ou quem não gosta do amarelo?

Podemos chamar o conceito de “verdade pessoal” ou aquilo que é verdade só para uma pessoa. Esta “verdade” dificilmente será a mesma “verdade universal” das coisas, pois o espírito na carne possui uma visão muito limitada sobre as coisas e o Universo.

Continuando ainda no nosso exemplo, todas as cores foram criadas por Deus e por esta origem têm que ser perfeitas, pois Ele é a Perfeição Absoluta. Portanto, não pode haver cor “boa” ou “ruim”…

Aplicando este ensinamento para todas as coisas, podemos afirmar que nada pode estar sujeito a um binômio (feio/bonito, alto/baixo, gordo/magro, primeiro/último), porque todas as coisas foram criadas por Deus que, por ser a Justiça Perfeita, não pode premiar ou desmerecer nada.

Estes binômios surgem do ponto de vista de cada um, ou seja, dos conceitos que cada um possui. Imaginemos um valor em dinheiro: qualquer que seja ele será muito para quem tem menos e pouco para quem tem mais.

Assim, não existe um real reconhecimento das coisas que estão sendo percebidas pelo espírito, mas sim um “reconhecimento pessoal” de cada uma delas. O espírito reconhece as coisas da forma que quer, ou seja, de acordo com os conceitos que norteiam seu raciocínio.

Por isto Jesus avisa: “…reconhece o que é visível para ti”. Quando afirma isto, o Mestre nos ensina que o único reconhecimento que podemos ter é a simples constatação da existência da coisa. Os espíritos nada podem reconhecer além disso, pois estão impregnados de conceitos que deturpam a sua visão.

Foi o que Jesus disse ao abordar a cegueira espiritual:

“Se vocês fossem cegos não seriam culpados – respondeu Jesus. Mas como dizem que podem ver, então ainda são culpados”. (João – 9,35)

Enquanto o espírito achar que tem a capacidade de reconhecer as coisas à sua volta, ainda não estará praticando o AMOR UNIVERSAL.

Quando uma pessoa pratica um ato, quem vê organiza toda uma história para explicar a si mesmo o que está vendo (pensamento). Imagina todos os motivos que levaram a pessoa a praticá-lo, de acordo com os conceitos pré-existentes sobre essa pessoa. Se o espírito “gosta” dela, busca embasamento positivo para o pensamento, mas se não gosta, “monta” toda uma acusação sobre o ato praticado.

Isto é um julgamento; uma corte sem advogados, testemunhas e possibilidades de defesa, pois o “réu” muitas vezes nem sabe que está sofrendo este processo. Por isto, o espírito que se imagina capaz de reconhecer as coisas que estão acontecendo à sua volta, estará sempre julgando através de conceitos anteriores sobre a pessoa, a coisa ou o ato.

“e o que é oculto te será desvelado”

Para aquele espírito que abdicar de reconhecer as coisas e as pessoas, Deus revelará a “verdade universal” sobre elas. A cor será uma obra de Deus para sua ajuda; a outra pessoa, um espírito amigo em processo de evolução que necessita de sua ajuda e não de seu julgamento.

Como ver na agressão um pedido de ajuda, se ainda existe o conceito de que a agressão é para ferir? Aquele que agride está pedindo socorro para ele mesmo, pois possui sentimentos negativos que levaram Deus a dar-lhe a prática daquele ato.

Como não sentir a injustiça em uma agressão, entendendo-a como uma lição? Não reconhecendo um agressor, mas entendendo que a pessoa que lhe agride, apesar de estar usando um sentimento negativo, está auxiliando Deus na sua obra ao dirigir a você (que precisava e merecia passar por isto) este ato e sentimento (Deus estará lhe mandando um recado…).

Estas duas visões sobre agressão não são conceitos, pois não são verdades particulares, mas sim verdades universais. Todo gesto de desafeição entre dois espíritos na carne é o pedido do agressor para que o agredido lhe remeta sentimentos positivos. É também é um aviso de Deus ao agredido de que muitas vezes ele também agrediu alguém.

Jesus afirmou que toda dívida deve ser paga até a última moeda. Se você um dia agrediu alguém, Deus não pode simplesmente perdoá-lo sem que você tenha consciência do sofrimento que causou a alguém. Assim, Ele utiliza outro espírito que tenha, naquele momento, os mesmos sentimentos que você já teve para com outro espírito, para lhe trazer o ensinamento.

Ele assim procede, não por penalidade ou vingança, mas porque precisa ensinar a cada um que, no momento que agrediu, não reconheceu corretamente o que estava vendo.

Só haverá este reconhecimento quando o espírito expulsar os conceitos de dentro de si e reconhecer que nada pode ver.

“Pois que nada há de oculto que não seja manifestado”

Deus não seria Perfeito nem Justiça Suprema se escondesse toda a Sua intenção daqueles que recebem as Suas ações. Ele sempre está revelando aos espíritos a verdade das coisas. Porém, para enxergar estas verdades, o espírito necessita alcançar a cegueira material, ou seja, deixar de reconhecer as coisas pelos seus conceitos e alcançar a visão espiritual, aquela que só é revelada por Deus para quem não enxerga conceitualmente.

“Queres que jejuemos? Como deveremos rezar, e deveremos dar esmolas? E que dieta deveremos seguir?”

Os discípulos de Jesus, face ao iminente desencarne do Mestre, preocupavam-se com os ritos e posturas que deveriam seguir depois disto. Iniciava-se a preocupação em estabelecer uma religião a partir dos ensinamentos de Jesus, que servisse para divulga-los.

Como todos eram praticantes da religião judaica, preocupavam-se com que ritos deveriam seguir para poder louvar o Rabino que haviam seguido, criando uma religião de Cristo.

Os ritos de uma religião são os atos que aqueles que professam a fé em determinada doutrina praticam. Por isto os discípulos de Jesus lhe perguntam sobre o jejum, a oração, o amparo aos mais necessitados e as limitações de alimento que deveriam ter. Era comum aos judeus religiosos a prática destes atos como prova de sua religiosidade.

Praticavam o jejum em ocasiões predeterminadas e com finalidades específicas, oravam nas sinagogas, eram obrigados pelas leis mosaicas a amparar aqueles que viviam em piores condições materiais e tinham restrições quanto a tipos de alimentos que podiam ingerir. Agora que Jesus alterara muitos dos ensinamentos até então conhecidos, a dúvida deles era como “viver” com os novos ensinamentos.

“Não mintais, não façais aquilo que odiais, pois todas as coisas são manifestadas ante a verdade”.

Em resposta, Jesus afirma que não devem eles preocuparem-se com os atos em si, mas com a essência com a qual os atos são praticados, ou seja, com qual sentimento são movidos para a prática destes atos. Por isto, Jesus não confirma os atos citados, nem lhes acrescenta mais nenhum, mas diz que devem preocupar-se com o sentimento. O Mestre afirma que todos os atos podem ser praticados, mas eles não devem ser feitos com sentimentos negativos.

O primeiro destes sentimentos é a mentira para si mesmo. Muitos praticam o jejum dizendo que o fazem para louvar a Deus, mas o real motivo da prática (sentimento), fica muito longe disto. Alguns o praticam por auto-penitência, ou seja, para aumentar o seu sofrimento de tal forma que Deus deles se compadeça e lhes dê o que desejam. Alcançam o sofrimento máximo com a intenção de “barganhar” ou, ainda, de fazer chantagem com Deus para alcançar o que querem. O jejum praticado por amor, para louvar a Deus não pode conter sofrimentos, mas sim alegria; não pode conter pedidos de vantagens próprias, mas sim ser bendito por Deus.

Apenas desejar fazer algo proibido, já significa tê-lo feito. De nada adianta o ser humano não ingerir determinados alimentos ou bebidas, porque a doutrina não permite, se existe o desejo, a vontade. Seguir a doutrina é não ter este desejo.

O ser humano reza, mas não ora: discursa palavras bonitas afirmando que está “falando com Deus”, mas o seu pensamento está muito longe Dele. Enquanto ora, está preocupado com as coisas de sua vida, reparando em outras pessoas, fazendo pedidos. Ele não ora com amor para falar com Deus, mas para cumprir obrigações.

A caridade praticada pelo ser humano, na maioria das vezes, esquece da afirmação de Jesus de que a mão esquerda não pode saber o que a direita está fazendo. Nos dias de hoje, o ser humano está preocupado em doar para receber “abatimento no imposto de renda”.

A preocupação do ser humano em praticar a caridade é saber o que ele vai ganhar em troca por aquele ato. Muitos não se preocupam com retorno material, mas ainda querem obter vantagens espirituais. Grande parte pratica a caridade com a intenção de “reservar o seu lugar no céu” e não para auxiliar o irmão necessitado.

Praticar a caridade não é dar esmolas, ou sobras, e sim “dar de si”. O ser humano doa roupas velhas que estão no armário, sem uso, com a intenção de sobrar espaço para poder comprar outras roupas novas para si mesmo. Compra dezenas de cobertores que não cobrem o frio de ninguém, apenas para poder dizer que ajudou muitas pessoas.

Doar é comprar uma roupa nova para si e outra igual para dar; é comprar apenas um cobertor, mas que seja igual ao que tem em casa. Desta forma o ser humano estará tirando de si e dando aos outros: estará praticando a verdadeira caridade.

Qualquer ato praticado deve conter os três componentes do amor universal: igualdade, alegria e compaixão. Por isso Jesus afirma que nada deve ser feito sobre a base do ódio. De que adianta você jejuar se está sofrendo por isso, orar sem estar alegre, dar esmolas sem sentir igualdade e impor a si mesmo restrições se elas lhe causam dor?

Todo ato tem que ser praticado com alegria, compaixão e igualdade. Somente o jejum sem sentir fome, a oração com alegria, a esmola com igualdade entre as pessoas e a abstinência sem sofrimento, são válidas.

Jesus afirma que não devemos nos preocupar com os atos que temos que praticar, mas sim com o sentimento que estamos utilizando durante a prática destes.

Se a base que nos leva à prática do ato for o amor universal, todos os atos podem ser praticados. Não existindo esse amor, não adianta fazê-los por obrigação. Deus não vê nossos atos, mas “enxerga” os sentimentos que nos levam a fazê-los, pois estes sentimentos emanam de nosso corpo carnal durante a prática do ato. Por isso, toda a base que utilizamos para praticar os atos é manifestada frente à Verdade que é Deus.

“Nada há de oculto que não venha a ser desvelado, e nada há de coberto que permaneça sem ser descoberto”

O ser humano pensa que “ninguém” está vendo os atos errados que pratica, mas se esquece que Deus está em todos os lugares e a tudo “vê” (Onipresente e Onisciente). Mesmo que mais ninguém possa enxergar o sentimento que você escolheu na hora que praticar o ato, Deus estará vendo e, quando achar necessário, revelará a verdadeira motivação desse ato.

Por mais que um ser humano tente “esconder” dos outros as suas motivações (sentimentos), Deus sempre acabará revelando-as, para que todos compreendam os verdadeiros sentimentos que levaram à prática desse ato.

Qualquer ato praticado sem o amor universal, mesmo que, aparentemente outras pessoas vejam você como alguém muito devotado, Deus providenciará para que você pratique outros atos que mostrarão seus verdadeiros sentimentos ou intenções.

É claro que Deus aproveitará o seu ato, mesmo feito sem o sentimento adequado, para auxiliar o espírito que se encontra necessitado, como nos casos de caridade material.

Enquanto o ser humano não utilizar o amor para atingir a consciência de que não deve praticar determinados atos, nenhuma lei o fará deixar de praticá-los.

O ser humano submete-se às leis, enquanto que o espírito não necessita delas, pois tem a consciência da prática do amor universal.

Lembremo-nos mais uma vez das palavras de Jesus:

“Em marcha! Anunciai o Evangelho do Reino. Não imponhais nenhuma regra além daquela da qual fui o Testemunho. Não ajunteis leis às dadas por Aquele que vos deu a Tora a fim de não vos tornardes seus escravos”. (O Evangelho de Maria – Miriam de Mágdala – Pág. 8 – linha 23)

A única lei que Jesus testemunhou foi o amor universal. Quando fez milagres e alimentou seus discípulos no “sabath”, Jesus estava colocando em prática a compaixão, ou seja, a consciência do sofrimento das outras pessoas, colocando-a acima das leis escritas.

Portanto, espíritos, anunciem, com seus atos, o amor universal, mas sem tentar impô-lo, para que vocês mesmos não alterem seus sentimentos, sendo causa de infelicidade para os outros.

Pela compaixão do próprio amor universal, não se pode criar leis que “obriguem” os outros a segui-lo, pois isto acabaria com a alegria. É preciso praticar todos os atos com a consciência do amor universal para que Deus o revele às outras pessoas. Não é preciso criar leis para ensiná-lo.

O leão

O leão é o animal tido como o rei da floresta. Todo rei detém o poder sobre as coisas e é desta forma que devemos entender a palavra leão no texto: o poder sobre as coisas.

“Bendito o leão que for comido pelo homem, pois que o leão tornar-se-á homem”.

O poder é uma das provas que Deus coloca na vida do espírito na carne. Dependendo do sentimento que se utiliza para exercê-lo, o poder pode ser uma fonte de progresso ou retrocesso para o espírito.

O poder com ódio gera genocídios; com ganância, corrupção; com inveja, perseguição. Entretanto, se exercido com amor, levará à felicidade universal, à ausência de sofrimentos e à igualdade entre todos.

Compete ao espírito na carne escolher com quais sentimentos irá exercer o “poder” que receber. É uma missão que o espírito recebe para auxiliar Deus em sua obra. É através dele que o espírito pode transformar-se no “sal para a humanidade”, ou seja, ser o “tempero” da vida dos outros espíritos.

O espírito que detém o poder deve viver de acordo com as leis de Deus (amar a Deus, a si e aos outros) para que cumpra sua missão positivamente. Esta forma de agir é submeter o poder transitório ao Todo Poderoso do Universo. Entretanto, muitos colocam o poder, a missão, na busca da satisfação individual ou de grupos pequenos, em detrimento da coletividade espiritual ou da felicidade universal. Esta forma de proceder acarreta negatividade muito grande para o espírito que a pratica.

Portanto, para que o espírito na carne possa ser bendito, ou seja, ser “elogiado” por Deus, é necessário que ele acabe com esta sensação de poder e pratique a igualdade entre todos, transmitindo, assim, o amor universal.

Esta é a missão de todos aqueles que exercem o poder: utilizá-lo com igualdade para que não traga sofrimento e promova a felicidade universal.

Entretanto, não podemos esquecer do “poder” não declarado. O ser humano possui “verdades individuais” (conceitos) e por isso imagina-se com o poder de obrigar os outros a fazerem as coisas exatamente dentro de suas verdades. Quando isto não acontece, usa a acusação e a crítica. Este poder é extremamente destrutivo, pois estas “verdades” são fruto exclusivo da visão limitada que o espírito tem sobre as coisas. Na verdade trata-se de um “achar” e não de uma verdade.

Enquanto o espírito possuir estes conceitos, tentará exercer poder sobre a vida dos demais.

Jesus disse que o espírito é o “sal para humanidade”, ou seja, que ele deve ser o tempero da vida dos outros. Esta posição, porém, deve ser exercida para colocar o tempero certo: o amor universal.

Este amor não aceita conceitos, regras ou leis. Ele se baseia unicamente na igualdade que todos devem ter de achar que estão certos. Quando o ser humano imagina-se superior, ou seja, detentor da verdade e utiliza o poder de “temperar” a vida dos outros, acaba trazendo sofrimento a eles.

Para ser bendito o poder de “temperar” a vida dos outros, deve o espírito abandonar suas próprias verdades, ou seja, o poder que imagina ter de corrigir as outras pessoas. Deve exercer esse poder apenas para transmitir felicidade, aceitando todos os outros espíritos da forma que são. Para que isto aconteça é necessário que o espírito respeite a individualidade de cada um, as divergências de opiniões, sem procurar ver o “certo” ou o “errado”.

Não existem dois espíritos na carne que possuam conceitos completamente iguais. Para que o espírito realmente possa auxiliar o seu irmão que se encontra em processo de evolução, ele não pode “achar” nada “certo” ou “errado”, mas apenas buscar a prática do amor universal.

Esta é uma verdade universal que pode ser entendida a partir da observação da atividade dos espíritos sem carne que são enviados ao planeta para auxiliar os que estão encarnados. Estes espíritos jamais buscam saber se o irmão encarnado está certo ou errado, mas praticam o auxílio necessário sem maiores análises.

Esta deve ser a forma de agir do espírito na carne também. O espírito deve exercer o poder informal que Deus concede a cada um sobre os outros (sal da humanidade), para que possa auxiliar seu irmão, transmitindo-lhe fé e amor, deixando de censurá-lo, acusá-lo. Nem com base no código Supremo, o espírito pode apontar erros, pois Deus não nomeou espírito algum seu procurador ou xerife da humanidade. Para poder colocar o “sal” na vida dos outros, o espírito deve buscar apenas transmitir o amor e nunca a crítica.

Portanto, o poder informal deve ser exercido apenas com função de orientação e não de fiscalização.

“e maldito o homem que for comido pelo leão, pois que o leão tornar-se-á homem”

A má utilização do poder sempre gera sofrimento a quem recebe os atos oriundos de sentimentos negativos a eles agregados. O espírito quando criticado, agredido em sua individualidade, sofre.

Este sofrimento não é representado apenas pelos atos materiais que acontecem contra ele, mas pela transmissão dos sentimentos negativos utilizados no processo de raciocínio pelo espírito que detém o poder.

O espírito agredido recebe os sentimentos que irão embasar seus próximos atos. Assim, o espírito fica mais vulnerável e acaba utilizando-se destes sentimentos negativos para praticar outros atos negativos contra outros espíritos. Com isto, também contrai “dívidas” perante a lei de Deus.

Desta forma, aquele que exerce mal o poder recebido (missão) não só acumula débitos pelos sentimentos utilizados por si mesmo, bem como por aqueles retransmitidos. Isto acarreta débitos grandes ao espírito que detém o poder e por isso a importância da missão.

Por isto Jesus afirma que será “maldito” aquele que se deixar levar pela tentação do poder, ou seja, pela tentação de lucrar com o exercício dele.

Todo poder tem que ser exercido para o bem da comunidade espiritual e não para lucro próprio.

O peixe

Jesus utiliza-se de mais um simbolismo para nos trazer o ensinamento.

O peixe para os seres humanos é um alimento e é neste sentido que Jesus utiliza esta palavra neste ensinamento. Porém, Jesus não poderia estar falando de alimento material, pois como já vimos, este evangelho é dirigido para espíritos e não para “seres humanos”.

O alimento do espírito é o sentimento que ele utiliza para viver espiritualmente. Portanto, Jesus está orientando aos espíritos como devem se “alimentar” durante a sua vida na carne.

“o homem é como o pescador sábio que joga sua rede no mar, e a puxa cheia de pequenos peixes; no meio deles, acha um peixe tão grande e bom…”

Jesus inicia o ensinamento explicando que existem dois tipos de “alimentos” para os espíritos: os pequenos e os grandes, que são os bons. Apesar de não dito explicitamente, a afirmação de que o grande é bom nos leva a deduzir que o pequeno não é bom. Aplicando-se o sentido da palavra “bom”, podemos dizer que existem dois tipos de sentimentos que o espírito pode utilizar como alimentação: os que fazem “bem” e os que não fazem.

Outro detalhe no ensinamento de Jesus, diz respeito ao tamanho do peixe. Quando o ser humano alimenta-se de grande quantidade de alimentos (peixe grande) ele se satisfaz, sacia a sua fome e não tem necessidade de se alimentar de mais nada.

Destas duas explicações, podemos depreender que Jesus afirma que um dos peixes faz bem à “saúde” do espírito e o satisfaz completamente, enquanto que o outro não, pois exige que o espírito se alimente constantemente para se satisfazer.

“que o pescador sábio devolve todos os pequenos peixes, escolhe o peixe grande sem remorsos”

O peixe grande e bom que Jesus se refere é o amor. Este alimento espiritual faz bem à “saúde” do espírito e o satisfaz completamente, enquanto que o peixe pequeno representa os sentimentos negativos, que se contrapõem ao amor universal. Este último alimento faz mal à saúde porque é contrário às leis de Deus. Quando um espírito nutre algum tipo de sentimento negativo, ele está infringindo a lei do amor (amar a Deus, a si e ao próximo) e com isso, atrapalhando a evolução de si mesmo e de outros espíritos.

A “alimentação” espiritual se dá quando alguma percepção é alcançada pelos sentidos do corpo físico que o espírito ocupa. Quando estas percepções chegam até o espírito, ele faz a análise através do processo raciocínio.

O primeiro passo para este processo é a escolha, pelo espírito, do sentimento com o qual irá analisar a percepção. Desta forma, se uma outra pessoa é percebida pelo espírito através da visão, ele escolherá um sentimento que se encontra dentro dele mesmo para iniciar um raciocínio sobre esta pessoa e a situação que ocorrerá com a presença dela.

Sempre que o espírito escolhe um sentimento para embasar seu raciocínio, ele o envia ao universo através de um “chacra” situado no centro da testa, chamado chacra diretor. Quando isto ocorre, o espírito emite também uma onda eletromagnética (onda cerebral) que buscará no universo o mesmo sentimento que acabou de ser enviado. Este é o processo de “alimentação” do espírito: a partir de sentimentos seus, internos, ele recebe outros iguais, quando raciocina.

Aquele que, depois de perceber outro espírito sentir raiva, enviará esta raiva ao universo e se nutrirá de mais raiva ainda. Se utilizar o sentimento de inveja, receberá mais inveja. Sempre retornará a ele uma quantidade maior do mesmo sentimento que emitiu. Como os sentimentos negativos não satisfazem ao espírito, é necessário que ele os sinta em maior quantidade para que possa sentir-se satisfeito (peixe pequeno…).

Por isto, sempre o ser humano aumenta o sentimento negativo que tem por determinada pessoa ou coisa. O início, geralmente é só uma mágoa, mas como ela não satisfaz o espírito, ele passa para a ofensa, nutre mais a raiva e termina buscando o ódio para raciocinar. Quando nem isso mais o satisfaz, o espírito começa a escolher este sentimento para raciocinar sobre as pessoas e coisas ligadas à fonte original do sentimento. Sempre estará aumentando a intensidade e o raio de ação de seus sentimentos para que possa utilizá-los no raciocínio e assim buscar mais dele no universo.

Com o amor a situação é inversa. O espírito não necessita de estar sempre buscando este sentimento, pois ele o satisfaz e nutre (peixe grande). Por isto, não precisa ficar inventando “histórias” (pensamentos) sobre uma pessoa para poder amá-la: ama sem motivos.

O espírito que gasta os sentimentos negativos estará sempre “achando” alguma coisa da pessoa alvo do seu sentimento, para que possa prosseguir no raciocínio e assim continuar a “alimentar-se” de energia negativa. Aquele que tem amor dentro de si, ama sem precisar raciocinar para isso. Não precisa buscar respostas (onde, quando, por que) para amar outra pessoa.

Quando o amor é verdadeiro (alegria, compaixão e igualdade), o espírito nunca encontrará “erros”.

O amor satisfaz e não cria a dependência da “alimentação” constante para que exista.

Os sentimentos negativos viciam e levam o espírito a estar pronto para reagir com eles a qualquer outra situação.

Quando o espírito nutre o sentimento negativo por outro espírito, mesmo longe dele, utilizará este sentimento em outras situações: é o chamado “mau-humor”. Isto acontece porque o espírito precisa daquele sentimento para se alimentar sempre.

Quem ama, reagirá sempre com o amor, em qualquer situação, pois estará bem “alimentado” e não precisará de outros sentimentos.

Aquele que se alimenta de amor não possui verdades individuais, pois ama a tudo e a todos.

Por isto Jesus afirma que o homem sábio deve abandonar estes sentimentos menores que não fazem bem e ficar apenas com o amor, que satisfaz e faz bem ao espírito. E afirma que ele fará isso sem remorsos, ou seja, sem sentir que houve “perda” para ele.

Quem nutre sentimentos negativos precisa possuir as coisas para se satisfazer e só quando detém a posse das coisas materiais, realiza-se.

De nada adianta ao espírito aceitar as coisas sem utilizar-se do amor, pois esta forma de proceder gerará o remorso, que é um sentimento negativo. A resignação não permite que o espírito evolua.

A evolução só acontecerá quando o espírito reagir com alegria, compaixão e igualdade a todos e a tudo, com o que se sentirá satisfeito.

“Quem tem ouvidos que ouça”

Esta é uma frase tradicional de Jesus. Ele conclama os espíritos a se abrirem para a visão espiritual das coisas, abandonando a visão material.

Todos os ensinamentos do Mestre encontram-se além das palavras escritas: estão no significado do ensinamento alcançado através da sua análise. Este é o trabalho desta obra: transformar as palavras escritas nos ensinamentos necessários para que o espírito busque a sua evolução.

Kardec disse que não devemos nos prender “à letra fria que mata”. Foi por procurar o sentido restrito dado pela língua de cada raça que os espíritos na carne se transformaram em seres humanos…

Todos os enviados de Deus trouxeram a mesma informação, com uma linguagem adequada aos seus discípulos. Portanto, não devem ser analisadas ou estudadas separadamente, mas sim de forma conjunta, buscando-se a essência dos ensinamentos que sempre será comum, dada a fonte única da qual provieram.

Para analisarmos este tópico, utilizamos ensinamentos trazidos por Buda Guautama, por Jesus e por Allan Kardec. Se nos fixarmos apenas a um conjunto de informações, ficaremos presos à “letra fria”.

Isso é “ter ouvidos de ouvir e olhos de ver”.

Deixemos que o próprio Jesus decifre este ensinamento:

“Então escutem e aprendam o que a comparação do semeador quer dizer. Aqueles que ouvem a mensagem do Reino, mas não entendem são como a semente que caiu na beira do caminho. Satanás vem e tira o que foi semeado neles. A semente que cai no meio de muita pedra são os que ouvem a mensagem e a aceitam logo com alegria, porém duram pouco porque não têm raiz. Quando, por causa da mensagem, chegam os sofrimentos e as perseguições, eles logo desistem. Outros se parecem com a semente que cai entre espinhos. Eles ouvem a mensagem, mas quando aparecem as preocupações deste mundo e a ilusão das riquezas, elas sufocam a mensagem, e eles não produzem fruto. E as sementes lançadas em terra boa são aqueles que ouvem e entendem a mensagem e produzem frutos; uns cem, outros sessenta e ainda outros trinta vezes mais”. (Mateus – 13, 18).

A importância desta parábola é tão grande que foi transmitida nos quatro evangelhos canônicos e é a única que contém a explicação de Jesus decifrando-a. Trata da recepção, por parte dos espíritos, dos ensinamentos trazidos pelos enviados de Deus.

Jesus compara todos os enviados a semeadores que vêm espalhar sementes sobre a face do planeta; compara cada um com o terreno que irá recebê-las e sobre a forma que cada um recebe os ensinamentos.

Existem pessoas que transformam a religião em um compromisso social: freqüentam os locais de culto apenas para dar uma satisfação à sociedade e serem chamados de religiosos.

Estes são os que ficam à “beira do caminho”. Por não buscarem realmente Deus, os ensinamentos não penetram em seu coração, deixando-os imunes a eles. Apenas comparecem aos cultos com o corpo, mas seus sentimentos estão voltados à sua vida material, preocupados com os compromissos assumidos em suas vidas. O comportamento é alterado e, por isso, os ensinamentos não se fixam, em virtude dos sentimentos negativos existentes.

Por não se encontrarem sentimentalmente envolvidos com os ensinamentos, nada se altera em sua base de raciocínio (sentimentos).

Aqueles que comparecem nos cultos e procuram ouvir as mensagens dos enviados de Deus, apenas na busca da realização de seus desejos e não para sua transformação íntima, Jesus os compara a um terreno cheio de pedras, onde a semente não consegue criar raízes.

Para estes, os ensinamentos só serão aceitos enquanto satisfizerem seus próprios conceitos e trouxerem o resultado de suas vontades. Sua busca é a da satisfação pessoal e não a do aprendizado que pode trazer a mudança interna.

Quando esta satisfação não é mais alcançada, mudam de religião (ensinamento). Na verdade não estão à procura de Deus, mas de realização pessoal. Sempre que podem “lucrar” com determinado ensinamento, ele é considerado “certo”. Estes seres humanos, na verdade, em momento algum aceitaram o ensinamento. Por isto, Jesus afirma que, para estes, os ensinamentos não possuem raízes, pois eles dependerão sempre de uma raiz mais profunda: o querer de cada um.

Um ensinamento, para ser posto em prática, necessita que o espírito abra mão de sua individualidade e de suas “posses” (sejam materiais, morais ou sentimentais).

O terceiro tipo, que não foi citado originalmente por Jesus, mas acrescentado posteriormente pelos “revisores” dos evangelhos canônicos, parece-se muito com o segundo. São espíritos que estão presos aos avanços materiais e não aos avanços espirituais.

Para estes, o ensinamento deve ser sempre uma fonte capaz de gerar o bem material. Enquanto ele for auxiliado a atingir este objetivo, o ensinamento será “certo”, mas quando não premiá-lo mais, passará a ser “errado” e por isso não mais existirá a necessidade de segui-lo…

Deus não está preocupado com a vida material do espírito na carne, pois sua existência é curta em face da eternidade da vida espiritual.

A vida na carne é entendida pela espiritualidade como uma etapa da vida espiritual. Ela deve ter como objetivo o avanço moral do espírito e não premiar a posse material.

Para a espiritualidade, a única posse que um espírito adquire são os sentimentos que nutre e, por isso, direcionam todos os seus esforços para que ele se enriqueça com o sentimento mais valioso: o amor universal. Este amor tem de passar necessariamente pela felicidade universal, ou seja, aquela que é sentida por todos sem a necessidade da satisfação de “vontades” para acontecer.

Portanto, para ser um terreno fértil, o espírito tem de abolir seus conceitos, suas verdades, para poder penetrar na “Verdade Universal” e alcançar a felicidade através da felicidade dos outros e não por prazeres pessoais.

As verdades individuais são como espinhos que não permitem que o ensinamento se fixe e altere a base de raciocínio (sentimentos) para que possa alcançar a Verdade Universal. São as verdades individuais (ou posses) que sufocam os ensinamentos não permitindo ao espírito germinar a semente do amor.

Enquanto o espírito estiver preso a sentimentos que lhe tragam lucro pessoal de qualquer espécie, não conseguirá produzir os frutos que lhe auxiliarão na evolução espiritual.

Para poder colocar em prática os ensinamentos, os espíritos precisam livrar-se da vontade de ganhar ou do medo de perder; necessitam esquecer o prazer e não mais ter medo do desprazer; devem deixar de procurar o elogio e deixar de sentir preocupação com a crítica e não devem buscar a fama nem sentir a infâmia.

Todos estes sentimentos levam ao sentimento de posse. O espírito quer ganhar para poder possuir. Isto lhe causará prazer, pois ele será elogiado e ficará famoso entre os seus iguais. São estes quatro sentimentos básicos que sufocam os ensinamentos enviados por Deus e transformam o espírito em ser humano, o possuidor.

Para poder possuir coisas materiais o espírito cria o mundo material, para poder possuir “verdades”, cria os conceitos e para possuir os outros espíritos cria o “certo” e o “errado”.

Todas estas bases são geradas com o intuito de obter posses e assim alcançar o comando das coisas.

O espírito não precisa possuir nada, pois ele já tem tudo o que necessita para viver, dado sempre por Deus. Somente quando o espírito eliminar os espinhos que sufocam a Verdade Universal, poderá praticar os ensinamentos que o levarão a evoluir na verdadeira vida: a espiritual.

Por isto Jesus avisa:

“Não ajuntem riquezas neste mundo, onde as traças e a ferrugem destroem, e onde os ladrões arrombam e roubam. Ao contrário, ajuntem riquezas no céu, onde as traças e a ferrugem não podem destruí-las, e os ladrões não podem arrombar e rouba-las. Pois onde estiverem as suas riquezas, aí está o coração de vocês”. (Mateus – 6,19)

É de acordo com a “posse” do espírito, que ele terá os sentimentos. Enquanto der valor às coisas materiais, seus sentimentos serão voltados à materialidade e serão negativos, pois esta se contrapõe ao mundo de Deus.

Quando o espírito voltar-se apenas para os “bens” espirituais, aceitará os ensinamentos como um “terreno limpo” e, aí sim, estes conseguirão germinar e produzir os frutos necessários para a evolução espiritual.

Como afirmou Jesus, estes ensinamentos produzirão o amor universal dentro de cada um e se reproduzirá em grandes proporções. Mas, para tanto, é necessário que cada um promova a limpeza de seu próprio “terreno”.

Deus não alterará nunca os sentimentos que existem dentro de um espírito, a fim de que ele alcance o amor universal. É necessário que o próprio espírito busque amor para poder receber amor. Como já avisado, a cada um será dado de acordo com as suas obras. Um terreno limpo é aquele que não possui pedras nem espinhos, ou seja, onde não existem conceitos ou “verdades individuais”.

Para que o ensinamento o conduza ao amor universal, o espírito necessita abolir todos os seus conceitos. Para que estes acabem, o espírito tem de acabar com a análise de suas “percepções”.

Por isso Buda Guautama afirmou que “onde existe uma percepção, existe ilusão”. Cada vez que o espírito analisa alguém, utiliza conceitos e busca contemplá-los, fugindo à “Verdade Universal”. Para Buda, a percepção é o resultado da análise de alguma informação recebida pelo espírito através dos sentidos do corpo humano. Eliminar a percepção é aprender a ver uma pessoa sem que ela seja analisada. Toda análise é um julgamento que se faz com base nos sentimentos atuais e nos anteriores guardados nos conceitos.

Para que os ensinamentos gerem o amor universal, o espírito precisa extinguir a análise de qualquer pessoa ou situação, pois Deus lhe revelará a verdade de cada coisa, como já transmitido na logia cinco deste Evangelho.

Veja a continuação deste estudo aqui (comece a ler a partir do tópico ‘Logia 010 – Amor universal’).

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