Palestra 03


Participante: No Bhagavad Gita, Arjuna não quer entrar no campo de batalha porque terá que lutar contra seus amigos e parentes que tanto lhe ajudaram. Como poderia, então, matá-los… Pode falar sobre isso? Quem são os amigos e parentes de Arjuna?

Antes de qualquer coisa, é preciso que compreendamos que a história narrada no Bhagavad Gita é simbólica não Real. Na verdade nunca existiu esta batalha, assim como muitos acontecimentos que estão descritos como realizados por Cristo não aconteceram. Existiram Cristo, Arjuna e Krishna, mas muitos dos acontecimentos em si são parábolas.

Voltando a sua pergunta, na história do Mahabarata – o Bhagavad Gita faz parte de um livro maior chamado Mahabarata – o pai de Arjuna morre e o seu irmão assume a administração dos bens dele no lugar dos filhos (Arjuna e seus irmãos) porque eram pequenos.

Acontece que o tio de Arjuna acaba roubando as terras do que pertenciam à família dele. Quando Arjuna e os irmãos crescem, eles reclamam esta terra de volta. Inicialmente o tio dá um pedaço desta terra para eles, mas depois, a toma de volta.

Neste momento, orientado por Krishna, a família do Arjuna entra em guerra com a família dos tios. É esta a base da história que dá origem aos ensinamentos do Bhagavad Gita.

Apesar de incitado por Krishna, o Senhor Supremo segundo os hindus, Arjuna diz que não quer matar os seus parentes, os seus amigos. Na hora da batalha ele se recusa a atacar e Krishna, então, tem a conversa narrada no Bhagavad Gita onde o incita a cumprir a sua obrigação…

Para que Arjuna possa compreender a necessidade de batalhar, Krishna diz a ele: você não matará ninguém, pois o espírito não morre, não se machuca e nem se molha. Diz mais ainda: aquele que acha que mata ou que morre é um idiota, pois ninguém e morre ou mata.

Este é o fundamento do Bhagavad Gita. Mas, além deste ensinamento espiritual, tem um detalhe tão importante quanto este na fala de Krishna. Durante a conversa Krishna dá a Arjuna um motivo material para ele deveria matar seus parentes: o fato de ser um guerreiro…

Krishna fala assim: mesmo se esquecermos o espírito, nós temos que levar em conta que você é um guerreiro. O guerreiro tem que lutar para matar e se ele não faz isso, fica desonrado.

Eis aí um grande ensinamento: na vida carnal existem coisas que são necessárias serem feitas. Quando você, em nome de falsas e hipócritas bondades acusa-se por praticá-las, quem se desonra é você…

Participante: Krishna estaria se referindo ao ego?

Quando fala o que? Por favor, me responda o que você quer saber quando pergunta se o Sublime Senhor estaria se referindo ao ego…

Participante: Quando fala simbolicamente em amigos e parentes…

Não. Quando ele se refere aos amigos e parentes não está falando do simbolicamente ego neste momento. Estes personagens são simbolismos para os apegos e as paixões que o ego tem.

A simbologia utilizada quando Krishna incita Arjuna a lutar contra seus parentes e amigos é o ensinamento que você deve lutar contra suas paixões e posses. É isso que quer dizer esta passagem.

Arjuna no Bhagavad Gita simboliza um ego e há o anuncio para esta personalidade humana que ela deve lutar contra aquilo que preza, que acha importante materialmente, aquilo que dá valor. É esta a simbologia…

Participante: Uma pergunta sobre os sete níveis de consciência que o senhor já falou… Eu fazia idéia de que estar no primeiro plano de consciência é estar de posse da maior e mais clara consciência e estar na luz e no amor que o Pai nos dá…

Sim, isso é estar no primeiro plano.

O primeiro plano é a consciência primária do espírito, a consciência espiritual do espírito. Mas, neste plano, pouquíssimos vivem. Só possui esta consciência aqueles que não mais estão apegados a orbes planetários algum.

Aliás, nem Cristo está neste plano… O espírito que é chamado por vocês de Cristo, por estar ligado ao orbe terrestre, ainda precisa estar em planos mentais diferentes do primeiro, apesar de já merecer vivenciar a sua consciência primária.

Cristo é um espiro que abriu mão de viver a sua realidade espiritual e ficar preso a consciências mais criadoras de ilusão para poder servir a irmandade espiritual.

Participante: Em qual plano você se encontra, ou seja, após este momento de falar conosco, em qual plano de consciência você se sintoniza?

Eu vivo atualmente entre o sétimo e o sexto plano de consciências.

É preciso que eu esteja nestes planos para poder executar este trabalho que estou fazendo. Se tivesse em outro, não teria realizá-lo porque as realidades dos demais planos de consciência não são compatíveis com aquilo que você pode ver ou ouvir…

Participante: Gostaria de saber de você espírito e não de Joaquim. Quero saber onde você, o espírito, se encontra?

Eu estou ligado ao Joaquim enquanto durar esta missão. Por isso estarei onde Joaquim estiver…

Participante: O senhor diz que tudo é ilusão… Gostaria de saber, então, se durante as vivências de Jesus na carne, como nas curas, desobsessões e milagres, ele estava se iludindo com as coisas da matéria?

Quem você me pergunta se estava se iludindo? Jesus ou Cristo?

Participante: O cristo encarnado…

Não existe Cristo encarnado… Existe Jesus, um personagem humano, um ego, que estava ligado a um espírito que serviu de médium para o Cristo Universal, o Interplanetário. Cristo não encarnou: por isso fiz esta pergunta.

Respondendo-lhe, digo: enquanto se viva os acontecimentos da vida Jesus Cristo, o espírito que estava ligado ao ego Jesus estava iludido, mas o Cristo Interplanetário não… Apesar de não estar de posse de sua consciência primária, ele não ia cair nesta ilusão…

Participante: Então Jesus era o ego de Cristo?

Jesus foi um ego de um espírito que não tem nome cor, sexo ou religião, mas que também não é aquele que vocês chamam de Cristo.

Vou lhe dar um exemplo para ficar mais claro. Chico Xavier era um ego que estava ligado a um espírito. Mas, ao mesmo tempo em que este ego estava ligado a um espírito, por funções próprias suas, servia como médium para Emanuel, André Luiz…

No caso de Jesus e Cristo é o mesmo processo. Havia um ego que estava ligado ao espírito que chamarei de Jesus e o Cristo Interplanetário se utilizou deste espírito ego para trazer suas mensagens. No momento desta união e enquanto ela durou existiu o Jesus Cristo, ou seja, o Jesus médium trabalhando com o espírito Cristo Interplanetário.

Esta união começa depois do batismo no Rio Jordão, quando aparece a pomba e diz: este é meu filho querido. Ali começou o Jesus Cristo… Por isso é que todos os evangelhos citam esta passagem como marco, como início da missão de Cristo.

Antes havia Jesus o Nazareno, Jesus filho de José. Era este personagem que existia e ele era o ego de um espírito que não é aquele que dizemos que é o Governador Geral do planeta.

Participante: Cristo, então, são várias consciências numa só?

Não… Repare o exemplo que dei: Chico Xavier era várias consciências numa só?

Não, Cristo é uma individualidade, um espírito, um ser espiritual universal que você chama de Cristo, ao qual se refere como Cristo. Ele não se auto-denomina assim, porque não se identifica. Saiba que no mundo espiritual, apesar da existência da individualidade, os espíritos vivem em universalidade e, por isso, não se identificam, não se separam dos outros.

Portanto, o que vocês chamam de Cristo é um só espírito. Agora, este ser universal para transmitir os ensinamentos utilizou-se de um outro espírito e de um personagem humano, ego, ao qual este outro espírito, que vocês chamam de Jesus, estava ligado.

Participante: Quais são as propriedades que o espírito manifesta no mundo material?

O espírito? O espírito só tem uma propriedade. Só existe uma coisa que ele faz na Realidade e que, para informá-lo sobre ela, terei que dar um nome qualquer para você possa criar uma idéia na sua cabeça. Dentro desta idéia ilusória, então, eu diria que o espírito “espiriteia”.

Saia de uma coisa: o que o espírito faz é inconcebível ao ego humano. Ilusoriamente ele imagina que está vivendo a vida que o personagem, o ego, vive… Mas, ele não está vivendo o que o personagem vive: ele tem a ilusão de estar vivendo a ilusão que é a vida do personagem…

Veja bem… Você, o personagem, o ego, tem raiva de alguém. O espírito que está ligado a você personagem está “espiritando” no Universo, mas por viver esta ilusão como realidade, acredita que está tendo raiva.

Então, além da raiva ser ilusória, há uma ligação ilusória do espírito com a raiva que o faz imaginar que está tendo raiva, mas ele está apenas “espiritando”.

Participante: As tentações são criações do ego. Até que ponto o espírito desencarnado espiritando por aí mantém, ou seja, se deixa levar pelas ilusões humanas?

Não, as tentações não são criações doe go. São criações de Deus através do ego. As tentações são a base da provação do espírito e, por isso precisam ser criações de Deus e não do ego.

Aliás, o ego não pode criar nada… Por que? Porque o ego não existe. Ele é uma ilusão que Deus cria e que o espírito ilusoriamente acha que é real.

Então, as tentações são criadas por Deus.

Continuando a lhe responder: deixar-se levar pelas ilusões materiais depois do desencarne depende do que você acredita como encarnação.

Se você acredita que encarnação é ligar-se a esta carne, não saberia lhe responder. Isso porque para mim, estar ligado a esta carne ou não, tanto faz porque, afinal de contas, a carne não existe: ela é uma percepção que Deus cria através do ego…

Agora, se você fala em desencarnado como livre da sétima consciência eu diria que este espírito está livre da provação e por isso não viverá a tentação.

Para podermos bem compreender o assunto é importante compreender que as tentações às quais você se refere, só existem para o ser humanizado, ou seja, para o sétimo grau de consciência de um espírito. Elas não existem para os demais planos de consciência. Para estes outros planos, existem outras tentações, porque existem outras provações.

Portanto, esta tentação a que você se refere – as tentações do Cristo no deserto, que não existiram, que não aconteceram, mas tratam-se apenas de uma parábola para explicar a provação que o espírito está fazendo – acaba quando termina a ilusão de achar que a sétima consciência é real.

Participante: Nos ensinamentos judaicos Deus criou as trevas onde nos situamos, por isso nos identificamos com o ego e não temos consciência de nossa partícula divina. Segundo este mesmo ensinamento, esta é a causa da individualidade criada pelo amor divino. O senhor concorda com isso?

Eu só mudaria uma palavra. Sabe, às vezes existem palavras que são utilizadas e com se arrasa toda uma lógica.

Na verdade, as trevas – ou mundo carnal, que é o que o judaísmo chama de trevas – confere o individualismo ao espírito e não a individualidade. O espírito fora das trevas, ou seja, no Reino do Céu, com Deus, é uma individualidade só que não tem individualismo.

Ao ligar-se a este ego, por acreditar que ele é o ego, ou seja, por você acreditar que é a pessoa humana que imagina ser, torna-se individualista. Por que? Porque a base de formação do ego é o egoísmo.

Todo ego humano possui na raiz o egoísmo. Esta é uma informação do espírito da verdade e é uma Realidade.

Participante: Os sete planos de consciência são simbólicos porque existem muitos estágios entre um plano e outro. Não é mesmo?

Não…

Veja, um plano espiritual é um plano espiritual. Ele é determinado por uma faixa, não por uma linha fina. Esta faixa deve ser o que você chama de subdivisões. Apesar de você dizer que existem várias subdivisões, na verdade, existe ali um único plano, não importando o intervalo exista dentro dele.

Mas, vou continuar a responder-lhe. Apesar de antes ter lhe respondido com um não, agora digo que sim…

Sim, os planos de consciência podem possuir várias subdivisões, se você assim imaginar…

Aprenda: os planos de consciência são simbólicos, já que todos eles, com exceção da consciência primária do espírito, não existem. São planos ilusórios de consciências ilusórias que criam realidades ilusórias…

Sendo assim, se dentro da sua realidade ilusória o plano tiver subdivisões, ele terá… Agora, na Realidade, não há planos separando o Universo, nem mesmo os sete que eu relacionei.

O universo é Uno, Único e Constante. Sendo assim, o espírito não pode mudar de um plano para outro. Ele sempre vive num mesmo plano. O que muda é a ilusão que ele vive… Mas, como a ilusão é uma ilusão, posso dizer que ele ilusoriamente muda de ilusão…

Participante: Poderia dizer porque quando Kardec pergunta em O Livro dos Espíritos como se conhece um homem de bem, o Espírito da Verdade responde que é através dos seus atos corporais e a sua capacidade de antever a vida espiritual. Você não disse que os atos corporais nada são?

Sim, eu digo e continuo dizendo: os atos matérias são meros teatrinhos…

Veja… O espírito de “bem” (elevado) realmente se reconhece pelos seus atos, mas não apenas por eles. O reconhecimento como tal depende ainda da sua capacidade de, ao praticar atos, vislumbrar o outro mundo. Repare bem que uma coisa não se desliga da outra.

Portanto, o espírito elevado se reconhece quando ele, ao vivenciar um ato, está prestando atenção no mundo espiritual e não no material.

Sendo assim, o ser que quiser levar vantagem durante um determinado acontecimento estará vivendo um ato prestando atenção no mundo material. Agora quem não quer levar vantagem, está vivendo o mesmo ato olhando o mundo espiritual.

Este é o primeiro detalhe na resposta do Espírito da Verdade… Segundo detalhe: ele não relaciona na sua resposta um rol de atos positivos…

Em nenhum momento – e já estudamos O Livro dos Espíritos todo – o Espírito da Verdade mostra quais os atos são considerados “bons”. Ele não fala: apenas afirma que se reconhece pelos seus atos “bons”, mas que atos são estes?

Em alguns grupos islâmicos, por exemplo, um ato “bom” é explodir uma bomba contra israelenses com o preço da sua própria vida. Se seguíssemos a lógica que você usou na sua pergunta, o ser que vivesse este ato é um espírito elevado, pois está praticado um ato considerado “bom” de acordo com a visão daquele povo…

Cuidado para não confundir os ensinamentos dos mestres com os seus conceitos sobre a vida…

Porque você leu que o Espírito da Verdade disse que o espírito elevado se reconhece pelos seus atos, já imaginou que se reconhece que um ser é “bom” por aquilo que você diz que é “bom”…

Participante: Mas é citado “atos corporais”. Isso quer dizer atos materiais, não?

Sim, são pelos atos materiais, mas não apenas por eles.

Foi o que falei no primeiro detalhe. Ele diz que o espírito é reconhecido como de bem não só pelos atos, mas quando pratica as ações olhando para o mundo espiritual, tendo a intenção presa àquele mundo.

Isto, no entanto, não invalida a segunda coisa que falei, pois não importa que ação material estejamos nos referindo, pois o Espírito da Verdade não diz o que é um ato “bom” ou não…

Na verdade, já debatemos a questão do “bem” e do “bom”. “Bem” é tudo que vem de Deus; “bom” é aquilo que você gosta do que Deus faz.

Sendo assim, posso traduzir o ensinamento do Espírito da Verdade da seguinte forma: o espírito elevado é reconhecido quando pratica atos que ele considera “bons”, ou seja, que estão de acordo com os seus próprios valores de bondade, ligando-se no mundo espiritual, ou seja, sem deixar a intencionalidade egoísta – que no fundo é o mundo material – predominar em seu coração…

Foi exatamente o que respondi e que, aliás, sempre venho dizendo…

Participante: O que é memória espiritual?

Acúmulo de informações que o espírito recebe na sua memória primária. Só posso lhe responder isso, pois o que está na memória primária do espírito você não poderia compreender…

Saiba que na memória espiritual não estão as lembranças dos casamentos que teve, dos filhos que gerou, mas sim informações que são realmente importantes para o espírito.

Na memória primária do espírito não está a Maria com a qual ele casou há dez encarnações atrás…

Participante: Os conhecimentos intelectuais das diversas encarnações se somam na memória do espírito?

Se somassem, vocês teriam cabeça de duzentos metros, para poder guardar tanta informação…

Veja, você já viveu na Roma antiga e por isso precisou conhecer tudo que era real naquele tempo. Depois foi para os países baixos, foi ser um viking, teria que conhecer tudo de lá. Depois foi para a África viver numa tribo: seria necessário outro tipo de cultura para sobreviver lá…

Todo este acúmulo de conhecimentos matérias, no entanto, não teria nenhuma utilidade hoje para você que vive neste século no Brasil… Por isso, o conhecimento intelectual de uma encarnação encerra-se quando ela acaba.

Aliás, se vocês guardassem estes conhecimentos, nenhuma criança precisaria ir a uma escola para aprender a ler, não é verdade?

Participante: Sempre vejo que as pessoas falam do mundo material e espiritual como se estivessem separados, dando a impressão que existe uma distância geográfica… Não sinto assim… Sinto que tudo está fundido em uma única emanação de Deus. Este sentimento é coerente ou uma ilusão do ego? Como colocar “espíritos” na vida na nossa caminhada terrestre?

Vamos a primeira parte…

A idéia da existência do mundo espiritual à parte do mundo terrestre foi criação do espiritismo. Esta informação não foi dada pelo Espírito da Verdade…

Isso porque todo o ensinamento deste mestre tem como objetivo mostrar a existência do mundo espiritual ativo e a sua correlação com o mundo material. Nestes ensinamentos fica bem claro que os espíritos se comunicam diretamente com os encarnados e, por isso, que não existem distâncias entre eles.

Portanto, a idéia de que existe um mundo espiritual separado geograficamente do mundo material é uma criação do espiritismo, da filosofia espírita que os egos humanos criaram a partir dos ensinamentos que o ego Kardec escreveu…

Mas, não há distinção entre mundos a partir do momento que você entenda a linha oriental e os ensinamentos de Cristo que dizem que o Universo é Único, Uno e Estável. Num Universo que seja Uno, não pode haver dois lugares…

Agora, você me pergunta se esta sensação que você tem é do ego, e eu respondo que sim, é do ego… Mas, nem tudo que vem do ego é “errado”.

Tudo que vem do criador de realidades é uma prova e não uma mentira… Prova para que? Para ver se você se prende ao que ele diz como verdade.

Quando isso acontece, você adquire uma posse moral, uma sabedoria. Neste momento o ego criará situações onde defenderá esta possessão e você perturbará o seu coração com esta criação do ego…

Segunda pergunta sua: como trazer o espiritual para o material… A resposta é simples, apesar de complexa…

Veja, através do ego você não pode trazer o espiritual para o material. O máximo que poderá fazer é, comparativamente, criar idéias matérias do que seja o mundo espiritual. É isso que fazem aqueles que afirmam que existem cidades espirituais, umbral, etc…

Não existe plano superior ou inferior, pois o Universo é Uno. Nada disso pode existir, pois o Universo é Uno…

Então, você não pode trazer o espiritual para o material… Mas, se eu disse que isso é possível, como fazer então para trazê-lo? Mantendo seu coração no espiritual…

Mas, o que é isso? É alcançar a equanimidade com relação às coisas da vida. Ser equânime é praticar o amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmo que Cristo ensinou…

Participante: Com tanta ilusão é duro manter o coração no caminho certo…

Quero aproveitar sua afirmação para falar algo muito interessante. Vou mostrar algo importante a partir do que acabou de ser falado: é difícil fazer o que você fala…

Sim, eu concordo, é difícil fazer o que eu falo… Mas, antes de qualquer coisa, pergunto: o que eu falo, o que ensino?

Esta pergunta é importante porque muitos me dizem que é difícil fazer o que eu falo, mas o que será que realmente eu falo? Por favor, me respondam: para você o que é que eu falo?

Respostas dos participantes: Para não fazer nada… Fala que viver é simplesmente viver, louvar a Deus e ponto final… Pelo que tenho conhecido de você, acho que tudo que fala é uma grande provação para quem ouve… Você fala que tudo é ilusão e que por isso não devemos nos importar com os acontecimentos materiais e nos mantermos em paz… O senhor nos abre a mente do ego para a consciência do espírito da integração a Deus… Fala para continuar a viver como antes… Fala que existe um único estado de integração com Deus… Oferece uma possibilidade de nos universalizarmos… Nada… Ensina a verdade de Cristo: amar… Nos ensina a divinizar tudo já que tudo é Deus…

Alguns até falaram conseqüências do que eu ensino, mas o meu ensinamento tem um ponto que, por estas respostas, imagino que o ego de vocês ainda não trouxe a razão. Este ponto que está por trás de tudo o que falo é o despossuir…

Não importa o que eu diga – não importa se digo que tudo é ilusão, se estou querendo universalizar ou ensinar o que é amar. Não importa as palavras que use, no fundo a minha intenção é sempre dizer: é preciso despossuir as coisas do mundo…

Quando falo que não deve preocupar-se com desobsessão, afirmo que é preciso despossuir a capacidade ilusória que tem de fazer desobsessão. Quando digo que você não deve se apegar a sentimentos familiares, afirmo que deve despossuí-los, pois eles só pertencem a este mundo…

Ou seja, em tudo que o seu ego cria como locução minha há sempre a intenção de lhe transmitir um elemento do qual deve desapegar-se. É isso que digo sempre…

A partir deste fundamento e ainda motivado pela afirmação que foi feita (Com tanta ilusão é duro manter o coração no caminho certo…), volto a perguntar: por que é tão difícil a um ego humano despossuir o mundo material?

Por favor, me respondam: por que vocês acham que para um ego humano é tão difícil despossuir as coisas materiais?

Resposta dos participantes: Porque confundimos o que somos com o que possuímos… Por causa do desejo… Se desposuíssemos, teríamos a ilusão de não ser mais… Porque a gente não sabe o que nos espera… Porque vivemos no mundo material e, por conseguinte, não vemos o espiritual… Teríamos de abrir mão de tudo que desejamos… Porque gosta e se vicia com as emoções aqui oferecidas… Falta de fé e medo de não ser… Porque nos condicionamos às referências do ego, em especial às práticas do meu e seu… Porque não sabemos que a vida Real é a espiritual e não o aqui…

Nada disso…

O ego não é capaz de despossuir as coisas – e quando falo em coisas estou falando nos elementos materiais, nos amores e desamores e nas verdades e mentiras que cada um possui – porque precisa destas paixões para criar a ilusão do comando sobre as coisas da vida…

Sem que você tenha paixões, ou seja, sem que tenha posse de objetos, amores e desamores, certezas e mentiras, o ego não conseguiria lhe vender a ilusão de você estar comandando a sua vida…

Eu vou dar um exemplo muito antigo. Quando em uma palestra falei que era necessário despossuir o sentimento familiar, uma pessoa me disse: como, então, vou exercer a função de provedor de minha família? Olha a ilusão do controle: achar que é ele que provê a família de alguma coisa. Que sem ele a família morreria de fome…

Outro exemplo… Algumas pessoas já me disseram que a partir da idéia do nada, passaram a ter medo da morte. Eu respondi: você não passou a ter medo da morte por causa do nada. O que aconteceu, na verdade, é que você perdeu o controle que tinha sobre a morte (saber de antemão o que ia acontecer) e por isso o ego gerou o medo…

Esta pessoa, como, aliás, muitos espíritas, imaginavam que sabiam o que é morrer, o que ia acontecer depois do desencarne… Como eu destruí esta paixão (verdade, saber), o ego criou o medo e justificou-o pela falta do controle sobre o futuro, pela incerteza do que lhe acontecerá…

Aí estão dois exemplos do que falei: o ego jamais deixará de criar paixões para poder explorar a sensação do poder (conhecer) e comandar o futuro…

Agora, respondendo diretamente a quem me disse anteriormente que é muito difícil por na prática o que ensino, respondo: é sim… É muito difícil por na prática porque o ego incita e o espírito aceita a ilusão de ter o comando da vida, em qualquer dos seus planos de existência…

Mas, este comando é apenas uma ilusão e não uma verdade…

Sabe, a vida, aquilo que é o dom de Deus, aquilo que o Pai confere a seu filho, aquilo no qual Ele é a Causa Primária de todas as coisas não pode ser comandada pelo ser humanizada, como o ego afirma. Acreditar, como afirma o ego, que é você quem a comanda e que Deus não faz nada, não manda nada, é no mínimo dissociar-se do Senhor…

Acreditar quando o ego afirma que, se você quiser, pode ir ou voltar de algum lugar, que pode fazer algo contra alguém ou tomar uma atitude sublime com relação a uma outra pessoa de acordo apenas com a sua vontade, como se estivesse sozinho no Universo e o resto da espiritualidade não existisse, como se eles não tivessem direitos é uma grande prova de egoísmo…

O controle da vida: esta é a ilusão maior que o ego cria para lhe prender a humanidade.

Sem as paixões humanas, lhe diz o ego, você não terá controle sobre sua vida e aí os outros agirão sobre ela. Como o ego se baseia no egoísmo e o espírito que o aceita como real também, o criador de realidades ilusórias diz: como você poderá levar vantagem sobre os outros se não tem o controle da situação?

É por isso que é muito difícil colocar em prática o que ensino…

Outro dia me disseram uma coisa muito interessante: sem colocar o ensinamento Deus causa Primária de todas as coisas, tudo o que você fala perde sentido. Perde sim…

Enquanto você não entregar o comando desta existência a Deus, ou seja, viver ao Deus dará, nada conseguirá… Isto porque você estará peso na ilusão que o ego cria de que é você que comanda a sua vida.

Acreditará que é você que faz desobsessões, que sustenta casa, que dirige o carro… Ora, aqui não tem nenhuma criança para acreditar nisso… Ou melhor, nenhum adolescente, pois a criança sabe que a vida acontece por ela mesmo… Aqui tem espíritos velhos vivenciando egos velhos (com experiência) que já cansaram de programar a vida de uma forma e a programação não acontecer.

Aliás, temos um exemplo bem perto de nós disso… Lembram da semana passada? Estava todo mundo controlando a sua vida para poder estar presente no horário da reunião para conversarmos, mas quando chegaram aqui não encontraram nada…

NOTA: Na semana anterior, por problemas na Internet, não houve condições de se realizar o encontro no Chat…

Que controle então você tem? Que palestra vocês ouviram na semana que passou? Nenhuma…

Mas, se vocês tivessem controle sobre o que acontecesse nas suas vidas teriam que ouvir alguma coisa porque programaram que isso ia acontecer… Teriam que ter ouvido porque tinham decido que iam ouvir…

É isso que pode ajudá-los…

O que pode lhes ajudar a colocar em prática os ensinamentos é entender que não tem controle algum sobre os acontecimentos das suas vidas. A partir desta conscientização podem, então, parar de querer ter determinados objetos, amores e desamores, certezas ou não certezas… Isto porque se conscientizarão de que estas coisas só servem para lhes dar a ilusão de que vocês estão controlando a vida…

Quantas vezes já não tiveram a certeza de que determinada pessoa é muito boa e no final ela está lhes passando rasteira? Quantas vezes tiveram certeza que amavam o marido, a esposa ou um amigo e o amor acabou-se logo depois?

Filhos, não tenham certeza de nada, porque a certeza é uma posse, uma paixão… Se entregue a Deus, confie em Deus, viva em Deus, para Deus e com Deus… Nesta frase, que soia mal porque se repete muito a palavra Deus, está toda essência que você precisa compreender…

Todo o resto que conversamos são só palavras. As únicas mensagens que realmente importam são essas:

Viva com Deus. Para isso diga: eu não estou sozinho, Deus está do meu lado…

Viva para Deus: olhe para o lado ao invés de ficar olhando para frente.

Viva em Deus… Para isso tenha a consciência de que tudo que está acontecendo é sempre divino…

Só isso…

Na hora que você colocar este modo de viver em prática conseguirá manter o seu coração ligado na universalidade. Mas, para isso é preciso abrir mão da ilusão de estar controlando a vida…

Participante: O espírito jamais abandona sua primeira consciência; apenas vai se expandindo consciente de ser peça única integrada no Universo através do contato com o fluído cósmico. Está certo este parecer?

Não posso lhe responder porque o raciocínio parte de uma falácia.

A partir do momento que você afirma que o espírito jamais abandona a sua primeira consciência, está dizendo que pode haver o abandono e o não abandono. Isso é irreal: o espírito não pode abandonar a sua primeira consciência…

Para que ele abandonasse a consciência primária teria que haver alguma coisa que fosse assumida. Acontece que todas as outras seis consciências sobre as quais já falei são apenas ilusões e não reais.

Na verdade não existem estas outras consciências: o que existe é a ilusão de haver. Sendo assim, o espírito não pode abandonar uma coisa, já que não há outra onde ele possa estar.

Com respeito a isso quero lembrar mais uma vez o ensinamento de Krishna. “Ó Uddhava, amigo, diz-se que o Atma (ou alma Absoluta) está ligado ou livre de acordo com o ponto de vista que prevalecer em relação aos gunas. Todavia, em verdade, o Atma nunca está preso e, posto que os gunas são aparências criadas por Maya, a meu ver, não existe nem ligação nem liberdade”.

Krishna está ensinando ao seu amigo que, em primeira instância, pode se dizer que a consciência primária do espírito está presa ao ego. Mas, se o ego e a própria idéia de estar preso são apenas ilusões, temos que afirmar que na realidade ela não está presa a nada…

Veja: só acontecerá aprisionamento em quem acreditar no aprisionamento. Mas, o aprisionamento é uma ilusão. É a ilusão de acreditar ilusoriamente numa ilusão…

Portanto, o espírito está sempre na sua primeira consciência e nela tem a ilusão de estar em outras…

Se, no início da pergunta há uma falácia, todo o resto fica prejudicado, como nos ensina o estudo da lógica humana… Por isso não posso lhe responder…

Participante: Sobre tudo estar previsto, o que dizer da pergunta 259 de O Livro dos Espíritos?

259. Do fato de pertencer ao Espírito a escolha do gênero de provas que deva sofrer, seguir-se-á que todas as tribulações que experimentamos na vida nós a previmos e buscamos? Todas não, porque não escolhestes e previstes tudo o que vos sucede no mundo, até às mínimas coisas. Escolhestes apenas o gênero de provações. As particularidades correm por conta da posição em que vos achais; são muitas vezes, conseqüências das vossas próprias ações. Escolhendo, por exemplo, nascer entre malfeitores, sabia o Espírito a que arrastamentos se expunha; ignorava, porém, quais os atos que viria a praticar. Esses atos resultam do exercício da sua vontade, do seu livre arbítrio. Sabe o Espírito que, escolhendo tal caminho, terá que sustentar lutas de determinada espécie; sabe, portanto, de que natureza serão as vicissitudes que se lhe depararão, mas ignora se se verificará este ou aquele êxito. Os acontecimentos secundários se originam das circunstâncias e da força mesma das coisas. Previstos só são os fatos principais,os que influem no destino. Se tomares uma estrada cheia de sulcos profundos, sabes que terá que andar cautelosamente, porque há muitas probabilidades de caíres; ignoras, contudo, em eu ponto cairás e bem pode suceder que não caias, se fores bastante prudente. Se, ao percorreres uma rua, uma telha te cair na cabeça, não creias que estava escrito, segundo vulgarmente se diz.

Eu nunca disse ao contrário do que está aí… Sempre disse que – e quando comentei esta pergunta deixei bem claro – o espírito escolhe o gênero de provas e a partir destas escolhas Deus cria os atos.

Olha a diferença entre o que digo e o que você está entendendo… Eu digo que a partir do gênero de provas Deus cria os atos e você imagina que eu disse que todos os atos foram escritos pelo espírito.

Se observar bem o que falo, verá que sempre disse que os espíritos não sabem os atos que vão acontecer naquela encarnação…

Participante: Como, por exemplo, o fato citado da telha cair?

Isso. Mas, ainda vamos chegar especificamente a este ato. Deixe-me acabar de expor o que ensino a respeito do assunto…

Se um espírito pede, por exemplo, para vencer a ganância a partir do não ter, ele sabe que Deus lhe colocará em um nascimento junto a uma família que não tem posses. Agora, como e por que atos esta família vai proporcionar oportunidades para que ele vença a ganância, o espírito não sabe. Isso Deus criará…

É isso que o Espírito da Verdade quis dizer ao responder: Escolhestes apenas o gênero de provações. As particularidades correm por conta da posição em que vos achais…

Por que isso? Porque depende do carma dos outros envolvidos. Depende das provas dos demais espíritos.

Deus quando cria uma ação carmatica, um ato humano, dá a cada um segundo suas obras, segundo o gênero de provas que eles pediram. Sendo assim, Ele não pode criar atos visando somente a provação de um espírito, mas precisa criar ações carmaticas que estejam de acordo com o merecimento de cada um dos envolvidos…

Durante o acontecimento desta vida este espírito viverá ligado ao ego reagindo às proposições do criador de realidades amando universalmente ou não. É isso que o Espírito da verdade quis dizer quando afirmou: Sabe o Espírito que, escolhendo tal caminho, terá que sustentar lutas de determinada espécie; sabe, portanto, de que natureza serão as vicissitudes que se lhe depararão, mas ignora se se verificará este ou aquele êxito…

Quando este ser universal não ama, gera a necessidade de uma nova provação sobre aquele assunto. Para isso Deus criará um novo ato específico sobre aquela nova provação. Foi o que disse o Espírito da Verdade: Os acontecimentos secundários se originam das circunstâncias e da força mesma das coisas. Previstos só são os fatos principais,os que influem no destino…

Então, tanto eu como o Espírito da Verdade dissemos a mesma coisa: o destino, como atos, são criações de Deus e o Pai os cria, inicialmente, de acordo com a opção do espírito por um determinado gênero de provações e, posteriormente, de acordo com a reação deste espírito aos outros acontecimentos.

Mas, este pensamento ainda nos pode dar uma idéia errada do destino. Ele pode nos levar a entender que Deus criará os acontecimentos no momento em que o espírito fizer a escolha de como reagir a um acontecimento… Ledo engano…

Não queira com esta consciência dizer que Deus cria naquele momento a ação carmatica referente a uma determinada reação do espírito, pois a Onisciência precisa saber de tudo antecipadamente. A Onisciência precisa saber antecipadamente qual será a reação do espírito e, por isso, já saber também antecipadamente qual nova ação terá que ser conferida a este ser.

Sendo assim, eu afirmo: Ele já sabia… Pode não ter contado para você, o espírito, mas Ele já sabia…

Ele sabia que em determinado momento teria que fazer uma telha cair na sua cabeça para que o gênero de prova que você pediu acontecesse. Você não sabia, o mundo espiritual não sabia, mas a Onisciência não pode deixar de saber nada…

É neste ponto que digo que o destino está totalmente pré-traçado: na Onisciência. Mas, além da Onisciência, temos que considerar que Deus é a Inteligência Suprema e, por isso nunca erra. Sendo assim, posso afirmar que Ele sabia precisamente o que ia acontecer e que, por isso, o destino já existia. Você não o conhece nem o mundo espiritual ao seu redor, mas a Onisciência com certeza já o conhecia precisamente…

Ficou clara a diferença? Não desdisse uma palavra que o Espírito da Verdade falou, inclusive quando ele disse que alguns acontecimentos decorrem da sua forma de reação no momento atual.

Sim, decorrem, eles decorrem, mas você não pegou Deus com as calças na mão, ou seja, não agiu de forma que Ele não soubesse antecipadamente. Ao optar por isso ou por aquilo neste momento, você fez opção a agora, mas se a Onisciência não soubesse o que você optaria, não seria Onisciência, mas apenas ciência: tomou conhecimento aquele momento. A Onisciência não sabe no momento, mas tem sempre ciência prévia das coisas..

Mas, aproveitando a sua pergunta, deixe-me deixar outra coisa bem clara: o que é ler alguma coisa? É gerar uma interpretação a partir de verdades individuais…

Sabe, você não está lendo o que o Espírito da Verdade escreveu: está interpretando com seus valores o que o Espírito da Verdade escreveu. Esta é a diferença entre o que eu falo o que você entende. Quando eu interpreto o que o Espírito da Verdade falou, o faço a partir de outras verdades e, por isso, encontramos um novo sentido para as mesmas palavras…

Agora, as verdades que eu coloco são universais. As verdades que o ego humano coloca são fundamentadas em conceitos humanos que são individualistas, relativas. Esta é a diferença entre a sua interpretação e a minha…

Sabe de uma coisa? Nós estudamos O Livro dos Espíritos de cabo a rabo, estudamos o Novo Testamento e os textos védicos mais importantes e em nenhum momento eu precisei voltar atrás em algo que já tinha afirmado. Por que isso? Porque o que estão me passando para lhe falar – não é o que eu sei – vem de espíritos que conhecem a Realidade com “r” maiúsculo…

Aliás, lembrei-me de algo que pode nos servir para compreender o que estou dizendo… Levaram uma moeda para Cristo e perguntaram a ele: devemos pagar o imposto? Ele respondeu: a César o que é de César, a Deus o que é de Deus…

Só dá para se pensar no que é de Deus a partir do que é de Deus. Se você quiser criar imagens sobre coisas que de Deus a partir de coisas que são de César, não chegará a lugar nenhum…

Participante: Como perceber a cada momento o que nos desvia no caminho?

Seu egoísmo, suas posses, suas paixões e seus desejos…

Quando você disser assim “eu acho”, está fora do caminho.. Ou melhor, quando você comprometer o seu coração com o “eu acho” que sai da boca, está fora do caminho…

Quando você comprometer o seu coração com o que sai da boca que afirma que alguma coisa é sua, está fora do caminho. Quando comprometer o seu coração com o que sai da boca e afirma que ama ou não alguma coisa, está fora do caminho.

O que lhe tira do caminho é acreditar como Real aquilo que o ego acredita e acreditar como Real é comprometer o coração com o que o ego diz…

Participante: É uma ilusão afirmar que o espírito foi criado puro e ignorante?

Sim, é uma ilusão acreditar racionalmente que o espírito foi criado puro e ignorante porque o significado de pureza e ignorância que você tem é uma ilusão.

O espírito foi criado, agora o jeito como isso aconteceu é rotulado pelos egos humanos como puro e ignorante. Então acreditar piamente nisso é uma ilusão…

Agora, saber que o espírito é a pureza universal e que você não sabe como ele foi criado ou como está agora, não é ilusão…

Participante: Tomando esta consciência que o senhor ensina, de que vale continuar interagindo com a matéria, com os outros e com a natureza da mesma forma que estamos hoje? A mim parece que se não mais interagirmos surgirá uma grande sensação de ilusão. O que tem depois desse desapego da ilusão?

Vamos por parte por que esta pergunta é boa e comprida.

Primeiro: interagir com a ilusão. Você tem duas formas de interagir com a ilusão: conscientemente, através da razão, das criações mentais ou inconscientemente, ou seja, através do coração, dos sentimentos…

De que adianta continuar interagindo com a ilusão conscientemente? Isso não saberia lhe dizer, mas posso lhe afirmar que toda relação consciente é criada por Deus.

Sendo assim, você não precisa saber para que e nem por que deve se relacionar, pois se tiver que continuar relacionando-se – e terá que continuar relacionando-se conscientemente com as ilusões – será Deus que irá criar a relação. Você não poderá deixar de fazê-lo porque, aliás, nem hoje é você que cria esta relação: você vive o que Deus faz…

Este é o primeiro detalhe. Segundo: porque continuar relacionando-se sentimentalmente com as ilusões? Porque esta é a sua prova…

Sabe, o espírito vive a ilusão para poder provar a sai mesmo que aprendeu a relacionar-se com a ilusão amando a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a sai mesmo. Esta é a prova do espírito e por isso afirmo que você não pode deixar de relacionar-se com a ilusão sentimentalmente por vontade própria… Se o fizesse, acabaria com a sua provação.

Você continuará relacionando-se com a sua ilusão enquanto Deus disser que você está em provas. Quando acabar a prova, acaba esta relação, ou seja, a sétima consciência acaba-se. Neste momento você começará a relacionar-se com as ilusões criadas pela sexta consciência.

Isso se chama processo de elevação. Quando vencer as provações da sexta irá se relacionar com a quinta e assim sucessivamente…

Então, não dá para você querer saber porque ou para que de nada, pois tudo continuará sempre acontecendo independente de sua ação. Por isso, não se preocupe com esta questão. Preocupe-se sim em saber como se relacionar com as ilusões… Isso é importante, pois da forma como se relaciona com as ilusões que vivencia hoje depende o seu adiantamento espiritual.

Por isso pergunto: qual a forma de relação que contribui para a elevação espiritual? Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo.

Ou seja, quando seu coração for equânime – só tiver a emoção do amor incondicional – terá acabado a prova, terá provado a sai mesmo que aprendeu que isso é a coisa mais importante do universo e aí Deus suspenderá este relacionamento com as coisas do mundo.

Até lá, preocupe-se apenas em como se relacionar coma s ilusões e não no porque ou no para que…

Outro detalhe da sua pergunta: o que sobra depois que você sabe que tudo é ilusão? As mesmas coisas que havia antes…

Preste bem atenção: no processo de evolução o ego não se muda. Nós acabamos de falar que o espírito escolhe antes da encarnação os gêneros de provas. Estes gêneros, então, estarão presentes durante todo processo de provação…

O ego não vai parar de ver e desejar uma mulher onde hoje ele vê e deseja uma mulher. Ele não deixará de ver uma planta onde hoje percebe este elemento. Mais: o ego não irá parar de possuir a planta ou a mulher, ou seja, dizer que é sua, que ama ou conhece, porque esta é a sua provação.

Então, o que acontecerá quando você conscientizar-se de que tudo é uma ilusão? O mundo continuará igual ao de hoje, mas você viverá este mesmo mundo com a mesma vida de hoje tendo o coração em paz, harmonia e felicidade.

Os valores racionais das coisas não mudam. Uma morte continuará sendo uma morte, mas você, liberto da ilusão da vida, não vibrará o seu coração na amargura do outro ter morrido. O que acontecerá na realidade é que viverá a razão da amargura com o coração em paz…

Participante: A razão existe para organizar as informações recebidas?

Não, a razão existe para lhe criar uma consciência – que ela afirma ser realidade – para ver se você prende seu coração a esta razão ou mantém-se em Deus, com Deus e por Deus…

A razão é o tentador, o diabo, o instrumento que Deus cria e usa para propor a você a oportunidade para optar, ou seja, de exercer o livre arbítrio. Em O Livro dos Espíritos está bem clara a função da razão quando o Espírito da Verdade fala em fatalismo…

Ele diz assim: “A fatalidade existe unicamente pela escolha que o espírito faz, ao encarnar, desta ou daquela prova para sofrer. Escolhendo-a, institui para si uma espécie de destino, que é a conseqüência mesma da posição em que vem a achar-se colocado” (Pergunta 851).

Mas, o Espírito da Verdade complementa: “Falo das provas físicas, pois, pelo que toca às provas morais e às tentações o Espírito, conservando o seu livre arbítrio, quanto ao bem e ao mal, é sempre senhor de ceder ou de resistir”.

Um detalhe: bem não é bom. Bem é Deus, o que vem do Pai, o universal; bom é aquilo que o ego humano gosta do que vem de Deus. Como tudo que o ego humano gosta é fundamentado no seu egoísmo, podemos dizer que o bom é o mal a que se refere o Espírito da Verdade…

Para que existe, então a razão? Para criar a oportunidade do espírito exercer o seu livre arbítrio. Se ela não criar um ato egoísta, ou seja, uma consciência fundamentada no egoísmo, não tem como o espírito optar entre o bem, Deus, ou o mal, a sua razão…

A razão só existe para isso. O que você falou – que a razão existe para organizar informações – não é verdade. A razão não pode organizar nada porque ela é um instrumento ilusório que Deus utiliza para criar uma ilusão fundamentada no egoísmo.

Filhos, nunca se esqueçam: o que existe no Universo? Deus, o espírito e a matéria. Todo o resto é ilusão. O seu Deus, você e as matérias decorrentes da razão, não existem no Universo…

Participante: Quais ferramentas posso utilizar para me reconhecer melhor?

Em O Livro dos Espíritos há um comentário de Santo Agostinho que, ao estudá-lo, falei da “Função Espelho”.

Neste comentário, Santo Agostinho diz o seguinte: é preciso conhecer a si mesmo para poder elevar-se. Para isso, continua afirmando o mentor, Deus coloca espelhos à sua frente.

O que quer dizer Santo Agostinho? Que para conhecer a si mesmo é preciso ouvir o que os outros falam de você.

Vou lhe dar um exemplo: que função espelho exerce uma pessoa que diz que você está “errado”?

Quando alguém age desta forma frente a você lhe provoca uma contrariedade. Com esta forma de agir ela está lhe mostrando que no seu ego existe uma paixão por uma determinada verdade…

A contrariedade, o sentir-se contrariado quando o outro diz que você está errado, só nasce porque o seu ego tem uma paixão por uma verdade, se acha certo…

A partir disso pergunto, então, como se conhecer? Ouvindo os outros… Mais do que isso: ouvindo a si mesmo… Ouvindo que possessões do ego os outros estão acariciando ou atacando…

Sabe, se uma pessoa diz que você é bonito e o seu ego gera uma sensação de felicidade, existe aí uma função espelho para lhe mostrar que a sua personalidade humana quer ser chamada de bonita. Se, ao contrário, lhe chamam de feio, existe aí também uma função de espelho que lhe leva a compreender que o ego quer ser chamado de bonito.

O desejo por um determinado adjetivo é oriundo de uma posse. No caso do exemplo que estou usando, é um desejo que tem aquele que ainda possui padrões de beleza… Saber o que é ser belo…

É assim que você se conhece: ouvindo o que outro diz, mas sim como a sua razão reage aos acontecimentos do mundo.

Esta informação está embasada no ensinamento budista que diz que é preciso ter a atenção plena correta para poder se chegar à compreensão correta da vida… Quando você está atento à reação do seu ego aos acontecimentos do mundo, compreende que o outro não lhe ofendeu ou desacatou, mas que a sua razão sentiu-se ofendida porque quer possuir uma verdade…

É assim que se auto reconhece…

Participante: Depois da morte o espírito se desliga do seu ego emprestado? Se a resposta for sim, após a morte o espírito está liberto, ou seja, volta a ser perfeito? Como, então existem espíritos desencarnados tão presos às ilusões materiais?

Pior do que preso às ilusões materiais: existem espíritos sem carne que estão presos à identidade que você chama de encarnação.

O espírito que está ligado, por exemplo, àquela pessoa ilusória sentada ali, acredita que se chama Maria. Mas, Maria é apenas um rótulo que se dá a esta encarnação que este espírito está vivendo. Se ele não entender isso e libertar o seu coração da Maria, quando sair da carne continuará sendo a Maria.

Respondendo-lhe, então, digo que o espírito não se liberta do ego depois da morte física, mas sim quando se liberta da ilusão de ser o personagem que foi durante a vida física.

Só quando ele deixar de ser o ser humano, deixará de ser…

A partir disso lhe digo: encarnação não é vir à carne, mas ligar-se a um ego, a um personagem. Afirmo ainda: a encarnação não começa no nascimento, pois a ligação do espírito com o personagem acontece antes disso; a encarnação não acaba com a morte, pois o espírito continuará vivendo o mesmo personagem fictício se continuar acreditando ser ele…

Participante: Gostaria de saber se é o espírito que encarna ou é o ego?

Se você chama de encarnar o ligar-se à carne, tenho que dizer que nem um nem outro encarnam. Isto porque a carne não existe. Ela é uma percepção que o ego cria.

Agora, se você chama encarnar ligar-se ao ego, digo, ainda que nenhum dos dois encarnam…

Encarnar não é uma atividade física do espírito, mas uma ilusão. Estar encarnado, ou seja, ligado a um criador de realidades humanas, não existe, pois se trata de uma atividade mental do espírito…

Sendo assim, o espírito não encarna, pois continua com sua consciência primaria funcionando e nem o ego que, afinal de contas, é apenas uma ilusão. Na verdade, o que vocês chamam de encarnação nada mais é do que uma “sugestão” mental que Deus dá ao espírito, ou seja, uma ilusão de estar ligado a um ego que é ilusório…

Ficou claro? Olhe, se tiver dúvidas, pode me perguntar… Eu explico as coisas de uma forma tão clara, não é? Não deixo nenhuma dúvida no ar. Não é mesmo?

Participante: Com toda esta questão de ilusão, digo que você tira uma dúvida e deixa dez…

Claro que sim… Você sabe o que é você querer tirar uma dúvida? É querer desatar nós… Mas, veja: que nós você quer desatar se não existe o nó e nem a linha? É por isso que toda vez que vocês tentam desatar um nó aparece dez novos…

Repare se mesmo cientificamente não é assim. Quando a ciência descobre algo novo, surgem logo duzentas novas dúvidas. É através deste processo, tanto na ciência como na espiritualização que se forma o processo de criação de ilusões racionais que vai construindo as provas necessárias para os espíritos…

Bobo é aquele que acredita que descobriu alguma Verdade Absoluta no âmago de uma questão. Isso porque no âmago de todas as questões existe apenas Deus, como ensina o Espírito da verdade. Até chegarmos a Ele existirão milhares de nós e você não pode desatá-los porque o ego humano não possui propriedades suficientes para entender Deus, como também ensinou o mentor do espiritismo.

Participante: Voltando a questão do encarnar ser acreditar que é um personagem humano, eu pergunto: é o espírito que encarna a Maria?

Não, o espírito não pode encarnar a Maria porque não existe carne. O espírito ilusoriamente acha que é a ilusão chamada Maria.

Sim, ilusoriamente o espírito acha que é a Maria porque a Maria é uma ilusão: ela não existe. Ela é apenas uma idéia que o espírito ilusoriamente tem sobre si.

Deixe-me fazer uma comparação para ver se você compreende o que quero dizer… Sabe quem é a Maria? É a ilusão que um espírito que cheirou cocaína ou fumou maconha vive…

Choquei você? Mas, é isso mesmo: o personagem humano está para o espírito assim como as figuras psicodélicas estão para aquele que utiliza entorpecente: uma alucinação…

Sabe, quando um ser humanizado se droga e como resultado começa a viver mentalmente uma série de coisas? Quando ele começa a ter visões psicodélicas de elementos que não existem? É isso…

A Maria é o efeito de uma cocaína espiritual sobre a mente do espírito. Mais nada do que isso. Entendam isso: a Maria, o José, o Fernando, são alucinações que uma mente primária tem e por ela estar fora de si, acredita que aquela alucinação é real.

Então, não pode haver encarnação se não há Maria para se ligar. Há o início de uma alucinação e quem a faz começar? Deus…

Participante: Foi isso que chamei em outra palestra de expansão do plano material como conhecemos para que mais espíritos tenham oportunidade de se liberar das ilusões…

O que você chamou de expansão do mundo material? Fumar mais maconha? É isso? Criar mais ilusões?

Mas veja, não se podem criar mais ilusões a partir do momento que a ilusão não existe, que ela não é Real. Você só consegue imaginar isso porque tem a ilusão de achar que a ilusão é real.

A alucinação que o espírito tem e que você chama de mundo material só existe para ele. Se você estiver ao lado de alguém que está sobre efeito de entorpecentes vê a ilusão que ele está vivendo? Não…

O mundo material de cada ser não existe para o os outros: são alucinações individuais… Como, então, expandi-lo? Não se pode expandir uma ilusão, já que ela é ilusória e individual…

Participante: Como faço para não me tornar frio e insensível já que tudo é ilusão e não devo comprometer meu coração com as ilusões?

Antes de lhe responder, pergunto: o que é se tornar frio e insensível? Eu não posso lhe responder enquanto não souber o que é isso para você.

Participante: Indiferente aos acontecimentos…

Para você frio e insensível é ser indiferente aos acontecimentos do mundo? Então Cristo era frio e insensível… Aliás, não só ele…

O ensinamento de Krishna, Buda, Maomé e do Espírito da Verdade sempre foi este: existe um mundo Real que é o espiritual… Mais: eles ensinaram que devemos viver para alcançá-lo e para isso devemos nos afastar do mundo humano…

Sendo assim, quando você se tornar frio e insensível, no sentido que deu a estes termos, é porque conseguiu libertar-se do mundo material e com isso alcançou a elevação espiritual…

Raciocinando um pouco mais sobre o tema, posso dizer que quando você for frio, deixará de ser “quente”… A partir daí afirmo que aquele que se sensibiliza com as coisas do mundo material é quente e está no “inferno”…

Vocês não dizem que o “inferno” é “quente”? Pois então, aquele que se sensibiliza com as coisas do mundo está no “inferno”. Ou seja, viver a vida material pelos valores materiais é viver no “inferno”…

Sendo assim, digo mais: a vida celestial é “fria”… Se os mestres ensinaram que a vida espiritual é o oposto da vida material, o “céu” tem que ser “frio”.

Por isso lhe digo uma coisa: não tenha medo de ser chamado de frio… Pelo contrário, queira estar no “frio”, queira ser frio…

Agora, se alguns seres humanos consideram que ser chamado de frio é ser denegrido, isso denota que eles acreditam que as coisas materiais são mais importantes que as coisas espirituais…

Para estes seres que querem ser chamados de “quentes” é muito mais importante dar um prato de comida do que deixar de criticar e acusar quem não dá. Isso é direito, é bonito, é ser humano…

Mas, aqueles que se dizem buscadores acredito que não queiram ser humanos, mas sim espíritos. Para ser desta forma é preciso ouvir os ensinamentos do mestre como aquele onde Cristo afirma: Deus dá a cada um segundo as suas obras…

Aquele que quer ser espírito não se “esquenta” com a fome do outro porque tem a consciência de que Deus dá a cada um de acordo com o gênero de provas que aquele espírito pediu. Portanto, para este aquela fome é apenas uma teatrilização do gênero de provas que o espírito pediu.

Mas, se o ser humanizado se torna “quente”, ou seja, se sensibiliza com a fome, isso quer dizer que ele está frio com Deus… Abandona o Pai quando se “esquenta” por causa da fome e da indiferença dos outros com aquilo porque se esquece de Deus, a Causa Primária de todas as coisas…

Sim, amigo, o espírito é frio para a humanidade. Mas, ele não se preocupa com isso, porque, afinal de contas, não se pode servir dois senhores ao mesmo tempo… Ele sabe que quem quiser ser “quente” para matéria não conseguirá ser “quente” para Deus e que se ele for “quente” para Deus, terá que ser frio para a matéria.

A grande hipocrisia do ego humano está justamente aí: em querer servir a matéria acima de qualquer coisa. A hipocrisia humana tão demonstrada por Cristo consiste justamente em querer através da matéria servir a Deus quando a matéria é o próprio Deus.

Sabe, aquela fome que você vê não existe. Aquela pessoa faminta que você não existe. Tudo é emanação de Deus. Quando você serve a fome não serve a Deus…

É isso que precisamos compreender. Falamos muito disso quando fizemos uma palestra que se chamou: “A humanidade odeia Cristo”.

Nela dissemos que a humanidade diz que quer seguir o caminho deixado pelo mestre, mas não aceita se tornar em um “Jesus Cristo”. Isso porque a humanidade não aceita desapegar-se da família, do lar, das coisas materiais e viver uma vida simples.

Compreender isso é fundamental, pois é Verdadeiro… A humanidade diz que ama Cristo, mas na verdade o odeia, porque quer servir a ela mesma enquanto Cristo só servia a Deus…

Compreenda isso que você torcerá para ser frio…

Participante: Como fica vivenciar a sexualidade. Não sirvo a Deus procriando, por exemplo?

Deixe-me dizer uma coisa: se a vida é um dom de Deus, será que o seu órgão genital é Deus? Desculpe lhe fazer esta pergunta, mas se diz que você procria está dizendo que você deu aquilo que é um dom exclusivo de Deus…

Olha, querer servir a Deus, mas ao mesmo tempo acreditar na ciência, ou seja, acreditar que a criança nasce do fruto do encontro do espermatozóide com óvulo, é impossível.

A vida é um dom de Deus, quem dá é Ele e não você… Você apenas acha que gerou um filho, mas isso é impossível, pois não existe você e o seu órgão, a mulher e o dela e nem o ato em si. Tudo isso é uma ilusão que você está vivendo…

Pare para refletir… Leia o que já conversamos anteriormente e busque colocar a lógica monista nas suas crenças…

A partir do momento que você entra em contato com um Universo que é Uno, Único e Estável e que Deus é a Causa Primária de todas as coisas, o que você acha pode fazer? O que um remédio ou um médico pode fazer? Nada…

Participante: Mas, nem por isso deixamos de ir ao médico nem tomar remédio, já que isso é uma programação do ego…

Mas, nem por isso deixamos de vivenciar estes atos. Você não deve viver a ida ao médico, mas sim vivenciar este momento. É diferente…

Ir ao médico é acreditar que aquilo é real, que está acontecendo. Vivenciar a mesma situação é assistir o personagem indo…

Participante: Voltando à pergunta anterior, ao procriar estou sendo médium para trazer mais trabalhadores para colheita…

Você?

Você está trazendo mais trabalhadores para a colheita? Desculpe, mas não é isso que Cristo fala sobre o assunto… Ele diz assim: rezemos a Deus para que Ele mande mais trabalhadores para colheita…

Ele não diz: rezemos aos seres humanos para que eles tenham mais relações para que possam vir mais trabalhadores para a colheita… É diferente… O que Cristo diz é que Deus mandará os trabalhadores e não que você os criará…

Aliás, você não tem participação nenhuma nisso, pois você, José, nem existe…

Participante: A minha pergunta sobre sexualidade teve como intenção questionar como vivenciar este ato friamente…

O seu ego vivenciará a sexualidade, assim como qualquer outro acontecimento da vida, da forma que tiver que vivenciar, ou seja, dentro do seu planejamento carmatico. Agora, o seu coração deve vivenciar estas emoções na neutralidade, ou seja, não pode alinhar-se ao prazer que o ego criará…

O que você chama de prazer sexual não afeta ao coração, mas é uma sensação criada pelo seu ego. Então, assista o ego ter prazer com o coração firme em Deus…

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