Palestra 04


Palestra IV

Participante: Na visão monista o UM é o Todo e não pode ser dividido. Sendo assim a causa de nossa ignorância é uma só? É o fato de não sabermos o que é amar verdadeiramente Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmo?

No monismo o UM é o Todo… Esta sua afirmação é perfeita, mas o que é o fato do UM ser o Todo? O que ser Um e o que é estar no Todo?

Estas são as questões que precisam ser avaliadas para bem compreender este tema. Por isso, vamos falar um pouco disso…

Já existiram doutrinas (doutrinas ditas panteístas) que afirmavam que o espírito, o princípio inteligente do Universo, o UM ao qual você se refere, transformava-se em UM apenas quando saía Todo. Quando isto acontecia, ele vivia como UM, ou seja, tinha uma individualidade durante certo tempo.

Findo este tempo, ainda segundo estas doutrinas, este UM regressava ao Todo e com isso perdia a característica de UM. Ou seja, elas afirmavam que o espírito não era por si só uma individualidade, a não ser quando afastado do Todo.

Já em O Livro dos Espíritos Kardec faz uma pergunta bem clara: o espírito é uma individualidade. A resposta é sim… Sendo assim, as doutrinas ditas panteístas perdem a sua consistência, pois o Espírito da Verdade afirma que o ser universal é UM dentro e fora do Todo…

Descoberto que o espírito é sempre UM, pergunto: o que é ser UM no Todo? Respondo: é ter uma individualidade sem individualismo…

Vou lhe explicar esta afirmação… Para isso vamos criar uma figura… Imaginemos que todos nós que estamos aqui formamos um grupo. O “Grupo das Bananas”, só para podermos dar um nome a este grupo, ou seja, para criar uma individualidade grupal…

O “Grupo das Bananas” é uma individualidade formada por cada uma das individualidades que fazem parte dele. Ou seja, existimos individualmente eu, você e todos que estão aqui. Mas, fora isso, existe uma individualidade que congraça todas estas individualidades: O “Grupo das Bananas”.

Acontece que quando você individualidade passa a fazer parte de uma individualidade grupal, o óbvio, o natural, seria anular os efeitos e ações da sua individualidade em prol, em benefício da individualidade coletiva. Sei que isso geralmente não acontece, mas esta deveria ser a realidade.

Na verdade, na maioria das vezes, as individualidades, mesmo integradas a um grupo, permanecem utilizando-se dos efeitos da sua própria individualidade. É a isso que chamamos de egoísmo, ou seja, priorizar a individualidade individual em detrimento da individualidade grupal que se faz parte…

Mas, anular os efeitos da sua individualidade, ou seja, o egoísmo, não acaba com a individualidade individual. O ser que está num grupo e anula seu egoísmo continua sendo uma individualidade, mas sem individualismo…

Voltemos agora ao nosso assunto, ou seja, ao UM espiritual e o Todo Universal…

O espírito é uma individualidade, ou seja, o UM. No entanto, este espírito pertence a uma plêiade espiritual, que vulgarmente chamamos de Todo.

Aplicando-se aqui o que falamos acima, podemos dizer que o ser espiritual que não anula os efeitos da sua individualidade, não está no Todo. Já aquele que consegue anulá-los passa a viver perfeitamente integrado ao grupo que faz parte, ou seja, torna-se o Um no Todo…

Resumindo, digo que o espírito que consegue anular o seu egoísmo é uma individualidade perfeitamente integrada à comunidade espiritual, é o Um no Todo…

Agora posso começar a lhe responder… Você me pergunta: o espírito não consegue viver como UM no Todo por que não sabe amar? Eu respondo sim…

O ser espiritual não consegue ser UM no Todo porque não sabe amar universalmente: ama individualistamente, egoisticamente. Ou seja, não consegue, ao amar, anular os efeitos de sua individualidade…

Aliás, esta é a característica do seu nível de elevação espiritual atual. Todos os espíritos encarnados para provas e expiações são individualidades individualistas, egoístas. São o UM alheio ao Todo porque querem conviver numa sociedade onde elas tenham as suas vontades e desejos atendidos, mesmo que com isso prejudique o grupo.

Este é o “problema”… O “problema” do ser espiritual dentro da questão monista ou processo de elevação espiritual é o individualismo, o egoísmo, o amar a si acima de tudo. É isso que precisa ser combatido por este ser para poder reintegrar-se ao Todo…

Mas, deixe-me deixar algo bem claro: não é você espírito que é assim, mas o ego.

O ego tem como característica fundamental o individualismo, o egoísmo. Ele, como instrumento da tentação, da provação, possui aquilo do qual o ser universal deve libertar-se para poder ter a consciência de estar integrado à plêiade espiritual que chamamos de Universo ou Todo…

O espírito não tem individualismo, egoísmo… Ou seja, ele é e sempre será o UM integrado ao Todo. Apenas quando se imagina como sendo a personalidade humana, ou seja, acredita na realidade construída pelo ego que utiliza o egoísmo como sendo a sua realidade é que, ilusoriamente, o ser não se vê como o UM integrado o Todo…

Portanto, o UM jamais perde a sua individualidade e jamais se separa do Todo. O que ele tem é a ilusão de não ser ou a ilusão de não estar integrado…

Acho que enrolei um pouco, mas é porque o assunto é muito complexo…

Participante: O que seria agira em prol da individualidade do grupo? Como posso saber o que é melhor para o grupo?

Você só estará agindo em prol do grupo quando simplesmente assistir os acontecimentos do grupo…

Sendo assim, pergunto: quando você não age em prol do grupo? Quando quer ter ingerência nas decisões do grupo, ou seja, quer comandar o grupo. Não esqueça: o fundamento básico do UM ilusoriamente separado do Todo é o egoísmo e por isso qualquer ingerência deste UM sempre será motivada por ganhos pessoais…

Mas, como saber o que é “melhor” para este grupo?

O grupo universal não é um grupo como outro qualquer… Ele não é um grupamento onde os seus participantes tenham vontades ou objetivos individualistas. Trata-se de um grupo que está unido pela fé, ou seja, pela confiança e entrega absoluta a um Ser Maior…

Esta característica específica do “Grupo Universal” ou Todo elimina vontades individuais. Por causa da entrega com confiança, o Todo aceita a presença de uma Causa Primária, ou seja, de um só Coordenador que decide o que é “melhor” para o grupo. Mas, esta fé só existe porque os participantes do Todo sabem que esta coordenação do Ser Maior é feita com Amor e Justiça…

Ora, se as atividades deste grupo são sempre causadas primariamente pelo Coordenador e se elas refletem aquilo que todos querem (Amor e Justiça) o que resta aos seus participantes? Assistirem aquilo que o Ser Maior causa…

A partir daqui posso lhe responder…

O que é que o grupo quer realmente? O que está acontecendo…

O que é “melhor” para o grupo? O que está acontecendo…

Diante deste fato, para poder integrar-se a este grupo sem destoar, só resta a você, para não ter individualismo, amar o que está acontecendo…

Olha, deixe-me dizer uma coisa… Nós podemos dar muitas voltas e voltas, ou seja, falar de diversos assuntos com diversas palavras, mas vamos sempre voltar nas mesmas questões antigas: amor, fé, Causa Primária, entrega, Justiça, Amor, etc…

Não adianta se querer dizer que existem coisas novas que precisam ser conhecidas… Como Cristo disse: tudo está feito…

Por isso sempre disse que o trabalho para a evolução espiritual é aprender a assistir a vida sem deixar que o coração se altere por causa da razão ou emoção. Isso vale para qualquer coisa que vocês queiram saber…

Participante: Parece que seus ensinamentos se dividem em dois níveis: o do monismo e o da espiritualidade corriqueira (encarnação, obsessão, reencarnação, carma, etc.). Um nível exclui ou entre em conflito com outro.

Falar em meu ensinamento é apenas uma força de expressão, já que, na verdade sou apenas o locutor de ensinamentos redigidos por outros seres…

Na verdade, a linha de pensamento do que leio não tem dois níveis não: tem um só. Desde a primeira mensagem que passamos, falamos de uma forma monista. Agora, para se atingir ao monismo existe um caminho para chegar…

Por onde passa este caminho? Com certeza não passa pela construção de coisas novas – se houve construção de novos paradigmas durante a caminhada ela foi feita por voes e não por mim. O caminho passa sempre pela destruição de tudo o que é acreditado como real.

Sendo assim, quando falo em desobsessão, incorporação ou em qualquer outro tema que você chamou de espiritualidade corriqueira, percorro pedaços do caminho. Ou seja, tenho sempre no fundo a intenção de destruir alguma verdade pré-concebida para que os seres humanizados possam chegar ao monismo.

Na verdade, a cada vez que comento um tema específico sempre busco quebrar os paradigmas pré-existentes. Por isso muitas pessoas dizem que eu não concordo nunca com o que vocês dizem, que digo que vocês estão sempre errados… Não é isso: se concordasse com vocês estaria reforçando determinada verdade, quando sempre as estou combatendo.

A respeito da linha dos ensinamentos, deixe-me lhe dizer uma coisa: se chegasse aqui e dissesse apenas amem a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo, teria dito tudo o que tenho para falar. Só que vocês não teriam entendido nada…

Por que? Porque faltam elementos para a compreensão deste tema. Ou ao contrário: sobram elementos para compreensão. Sobram verdades, escalas, leis, cultura… Por isso foi preciso como caminho se comentar diversos aspectos, mas sempre mantendo um cunho monista nas respostas…

A linha de pensamento que sigo desde o primeiro dia é dar a Deus o que é Deus e a César o que é de César. É entregar a Deus a batuta do Universo…

Isso é necessário porque os seres humanos, com suas verdades fincadas no individualismo, imaginam que tiraram a batuta Dele. Imaginando-se capaz de agir independente de uma Causa primária, cada um do seres humanizados ilusoriamente imagina que retirou a batuta de Deus e imaginou-se capaz de reger a “Orquestra Universo”. Por isso, dentro dos conceitos humanos, a orquestra é está tão desafinada e desencontrada…

Participante: Fale um pouco das vicissitudes, que parecem ser um ciclo vicioso…

Vicissitude, como bem explicado em O Livro dos Espíritos, são as alternâncias das situações da vida.

A vida não existe de uma forma retilínea. Ao contrário, o viver é um Constante subir e descer de montes.

Isso é vicissitude: de manhã você acorda muito bem, na hora do almoço já não está tão bem, à tarde melhora e de noite tem nova caída…

Mas, a vida não é assim por acaso… Estas situações acontecem deste jeito porque elas são instrumentos carmaticos do espírito.

Além do mais, a vida não pode ser só de prazer ou de dor, pois é preciso sempre o equilíbrio. Saiba que no Universo tudo está sempre equilibrado: nada está fora do lugar…

Participante: De que adianta um ego Joaquim ficar falando para outro ego José? Tudo que vem do ego não é sem importância para a Realidade?

Sabe, o pior nesta história não é querer saber a importância da conversa destes dois egos: é imaginar que Joaquim fala… Joaquim não fala: o seu ego cria a idéia de que Joaquim está falando.

Na verdade o som não existe: é uma criação do seu ego. Mas, o ego vai mais longe na criação das realidades ilusórias: além de criar o som, ele cria uma compreensão para um som que ele mesmo cria…

Veja, você, ego, não está convivendo com Joaquim, mas sim com você mesmo, ou seja, o ego convive apenas ele mesmo o tempo inteiro. Tudo que acontece na sua existência não existe externamente, mas sim internamente.

Você me perguntaria: para que isso? Eu lhe responderia: por que você está vivendo…

Vamos voltar à questão que falei agora pouco sobre integrar-se ao grupo sem individualismo: é preciso assistir o que a Causa Primária está criando para comandar o grupo universal, o Todo. Esta é a forma que o grupo universal no seu nível de elevação vive. Portanto, assista isso e não queira saber motivos…

Para que, porque, como, quando e onde não fazem parte da consciência do Um que está perfeitamente integrado ao Todo. Não fazem partes de individualidades que querem perder o individualismo. Isto porque querer saber é uma característica individualista: querer deter a posse de um conhecimento…

É isso… Por que eu falo? Não sei lhe responder, já que eu nem falo. Você, o ego, é que está criando a fala do Joaquim, este lugar, a minha compreensão, tudo…

Eu, não estou nem aqui…

Participante: O senhor já falou sobre desobsessão. Disse que quando eu não tiver nada os obsessores nada irão querer de mim… Poderia explanar um pouco mais sobre o assunto?

Posso…

Em O Livro dos Espíritos se fala que o Universo se agrega por simpatia, por afinidade de idéias. Os iguais se atraem…

Quando você fala em obsessão tem que se lembrar disso. Tem que se lembrar de que nenhum obsessor vem ao seu encontro, ao encontro deste ego, porque você é lindo e maravilhoso.

Repare que estamos falando de obsessor, ou seja, de espíritos que vocês consideram “maus”. Se você for lindo e maravilhoso, outros espíritos virão ao seu encontro, mas estes vocês chamam de mentores, anjos da guarda e não estão preocupados em afastá-los…

O obsessor, aquele espírito que vem ao seu encontro e que você considera “mau”, buscando alguém semelhante a ele para se unir. Muitas vezes ele faz isso sem maldade…

Vou lhe dar um exemplo. Se você é uma pessoa que gosta de sentir inveja dos outros, os invejosos vão lhe procurar, vão querer conviver com você já que vibra na mesma faixa que ele.

Mas, eles não estão ali para lhe fazer o “mau”. Estão ali porque você tem o que eles querem, o que eles gostam…

Quem é invejoso gosta da inveja, do invejar e por isso se junta a todos que invejam…

Se, ao contrário, você seca seu coração, se não tem elementos materiais – sensações emoções humanas – os espíritos presos a estes padrões vibratórios não lhe buscarão. Isto porque você não terá nada o que eles querem…

Aproveitando este tema, deixe-me dizer algo interessante.

Na Bíblia Cristo ensina assim: você expulsa um demônio, ele sai, não encontra lugar para viver e volta. Ao voltar, encontra a casa arrumada como ele deixou…

O que é uma casa arrumada para um obsessor? Aquela que contém o que ele quer, que contenha aquilo que ele deseja. Este obsessor, então, volta a habitar a casa donde foi expulso. Mais: ele chama mais sete afins para também morar ali…

Afinidade: isto é o que une os espíritos em qualquer nível…

O obsessor expulso de um encarnado que gosta de fazer fofoca chama seus amigos que adoram fofocar e os convida para se juntarem ao ser humanizado que também gosta disso para viver a inveja.

Sendo assim, se você não quer o demônio (obsessor) volte e fique, o único remédio é desorganizar a casa. Isso quer dizer que você deve mudar o seu padrão vibracional.

Agora, não adianta deixar de ser invejoso e passar a ganancioso, pois tal conduta irá atrair os gananciosos. O que você precisa para se libertar completamente dos companheiros do orbe terrestre é se libertar das emoções e sensações terrestres, humanas. Quando conseguir realizar esta reforma íntima só terá como companheiros espíritos que não estão presos a estas emoções…

Participante: Mas, estas emoções não são do ego?

Sim, as emoções humanas são criações ilusórias da personalidade temporária à qual o espírito está ligado. Agora, quando o ser universal deixa seu coração vibrar nesta mesma emoção passa a vivê-la como real.

Então quando disse não ter emoções não estava falando em razão, mas sim no coração. Aliás, esta é uma confusão que sempre acontece quando proponho alguma mudança. As pessoas dizem logo: mas, não estava pré-escrito…

Esta confusão é comum porque tenho que colocar o que pretendo transmitir em palavras. Quando faço isso vocês acreditam que estou propondo mudanças na razão, mas isso não é Real…

Sempre estou falando de coração, de sentimentos. Apenas utilizo-me para tanto de termos conhecidos da razão. Mas, sempre estou afirmando que você deve realizar o que digo no coração e não pela razão…

Participante: Se já está tudo programado, como posso desarrumar a casa?

Sua razão está completamente programada, portanto, não conseguirá desarrumá-la. Agora, seu coração é fruto do seu livre arbítrio: esta casa pode arrumar do jeito que quiser. O livre arbítrio a que me refiro é entre o bem e o mal: amar ou ser egoísta. Portanto, você não arruma a mente e sim o coração.

A reorganização dos sentimentos é fundamental porque o espírito desencarnado não se liga na mente, mas sim no coração.. O obsessor se liga no coração e é por isso que muitas vezes ele sabe melhor do que você os seus reais sentimentos…

O ego pode mentir, pode falsear emoções, mas o coração jamais mente: espelha sempre a intencionalidade do espírito…

Participante: Como mudamos o padrão vibracional? Como não se identificar com algo que parece tão nosso como, por exemplo, o ciúme, a posse, etc?

Assistindo a vida: olha, ela está com ciúme, que besta…

Para isso é preciso nos lembramos do primeiro trabalho específico que fizemos sobre o ego (“Conhece a ti mesmo”). Já no início desta série de palestras dissemos: é preciso criar uma dupla personalidade.

Esta dupla personalidade de se constituir de coração e razão. Sentimentalmente você deve identificar-se com o coração e fazê-lo assistir a razão, ao invés de querer vivenciá-la…

É assim que se faz: libertando o coração da razão você faz com que o coração assista a razão funcionar…

Participante: Mas, se libertar das sensações humanas não é praticamente deixar de ser humano?

Sim… Mas, no que se transformará quando deixar de ser humano? Em um ser espiritual… Portanto, sim, libertar-se das emoções, das sensações e da razão humana é negar a humanidade e reafirmar a sua espiritualidade.

Lembre-se: você não é um ser humano que tem experiências espirituais, mas um ser espiritual tendo experiências humanas como provação do seu amor incondicional… Você humanizou-se para provar a si mesmo que ama mais os sentimentos espirituais do que as emoções e sensações humanas…

Por isto estas sensações são chamadas pelos mestres de tentações humanas…

Participante: Dentro deste tema, pode-se falar em obsessões de toda uma nação? Existem povos escravos da violência e do radicalismo. Isso é um desafio enorme para a regeneração planetária. Como as mentalizações amorosas podem ajudar este processo de regeneração sem o apelo do egoísmo? Ou está tudo programado que nossa intenção nada valerá?

Desculpe, você está generalizando quando afirma que há povos que se baseiam na violência e no radicalismo. Dentro do povo árabe, por exemplo, que é muito citado por estas características, existe pessoas que tem amigos judeus e não tem ódios deles.

Estes elementos conhecem e têm na razão todos os argumentos que os radicalistas têm. No entanto, não deixam o coração seguir a razão.

Portanto, não são todos os elementos de um povo que vivem o radicalismo e a violência, como você quis insinuar. Este é o primeiro detalhe…

Segundo: o ódio do árabe pelo judeu, por exemplo, é carma… É razão, lógica racional, ou seja, é o instrumento carmatico que aqueles espíritos precisam. Por isso, me desculpe, mas afirmo: você não pode acabar com isso…

Em O Livro dos Espíritos tem uma pergunta interessante sobre o que você quer fazer (alterar as condições humanas):

260a – Assim, se não houvesse na Terra gente de maus costumes, o Espírito não encontraria aí meio apropriado ao sofrimento de certas provas? E seria isso de lastimar-se? É o que ocorre nos mundos superiores, onde o mal não penetra. Eis porque, nesses mundos, só há Espíritos bons. Fazei que em breve o mesmo se dê na Terra.

Na hora que você entender que não existe árabe, judeu, brasileiro ou americano, mas que todos são espíritos, irmãos entre si, filhos de Deus, a violência e o radicalismo acabam… Mas, não acaba porque eles irão fazer as pazes, porque terão compreensão, porque entenderam que devem se amar, mas porque Deus mudará a programação dos egos…

Os maus costumes que o Espírito da Verdade cita é exatamente o hábito de deixar o coração seguir a razão…

Deixe-me falar uma coisa. O anti-semitismo na Europa é muito mais velho do que a Segunda Guerra Mundial. Existiam na Rússia no tempo dos czares os dias de se matar judeus. Neste dias, os russos entravam nos guetos simplesmente para matar os judeus ao léu… Isto era uma festa para o povo de então…

Então, a razão que move o povo árabe, é mais antiga no planeta do que as recentes violências. Mas, porque é assim? Porque é instrumento de carmas dos espíritos.

Vamos sair um pouco da questão violência para poder me fazer entender melhor. Por que a maioria dos brasileiros quer levar vantagem em tudo? Porque é o instrumento de um carma destes espíritos humanizados… Por que a maioria dos americanos é essencialmente materialista? Porque é o instrumento do carma destes espíritos…

Sendo assim, não queira mudar o jeito de ser de um povo, pois a partir do momento que você quer mudar alguma coisa, decretou antes que aquilo estava “errado”. Quando age assim, está dizendo que Deus está “errado”…

Cristo ensinou que se deve amar a tudo e a todos: o árabe, o judeu e a rixa entre eles… Sim, temos que amar a guerra, a bomba, a morte… Não dá para se dizer cristão quando você ama algumas coisas e quer mudar ou acabar com algumas…

Se fosse assim, Cristo teria lutado contra os romanos. Teria deposto o pró-cônsul que estava explorando o povo judeu. Ele nunca fez isso. Aliás, nem ligou para eles. Desculpa, ligou sim. Foi socorrer a filha de um senador, o assistente de um oficial do exército romano…

Saiba: você não tem que acabar com nada, mas sim aprender a amar a tudo, inclusive o que diz que está “errado”.

Sendo assim, afirmo que o que você chama de processo obsessivo coletivo, na verdade é a programação de egos de acordo com a prova que os espíritos precisam… Como em todas as provações espirituais, alguns conseguem silenciar o coração, outros não…

Participante: Esta semana eu tentei assistir a vida e tive sentimentos de irritação sem saber por que. Observei e mandei o ego calar a boca e funcionou… De onde vem estes sentimentos repentinos sem motivo algum?

Do próprio ego. Você acha que o ego vai aplaudir os seus esforços de espiritualizar-se? Não, a cada vez ele complica mais…

Quando você está fazendo um curso material, no primeiro mês a prova é mais fácil porque existem apenas as matérias dadas naquele mês. No segundo, as provas pioram, porque a matéria que será abordada no teste já são aquelas que foram ministradas nos dois meses. No terceiro piora ainda mais e assim sucessivamente…

O ego sempre estará aumentando o grau de dificuldade da prova… Só isso…

Participante: O que você quer dizer com “coração”?

Sentimento que não passe pela razão, que não seja explicado racionalmente…

Participante: Você conhece o fluído cósmico em sua essência original?

Não… O ego Joaquim não conhece porque ele está preso às formas do sétimo e do sexto plano…

Como estou preso a este ego, ou seja, só o que ele cria é realidade para mim, tenho noções, mas não conheço…

Participante: Você acha o seu trabalho produtivo?

Eu não acho nada… Aliás, Eu não estou nem aqui…

Diga-me uma coisa: se tudo está acontecendo dentro de você, o que será que estou fazendo? Se não estou fazendo nada o que tenho que achar sobre o que não faço?

Participante: Você também tem os sentimentos de individualismo: raiva, tristeza, etc…

Eu, o espírito, não tenho… Assim como você, o espírito, também não tem…

Nem eu nem vocês temos estas sensações, emoções. Quem tem é o ego. Eu ou você só passamos a tê-los quando acreditamos que nós somos o ego, quando acreditamos que estamos vivendo aquilo que o ego está criando.

Você espírito não tem estas sensações. Você espírito está no Universo “espiritando”…

Participante: Se formos o ego vinte e quatro horas por dia não nos restará nada mais a fazer: nem mudar, nem nada mais. Então, não compensa fazer nada… Este ego um dia vai morrer, como você já disse. Sendo assim, algumas pessoas estão certas quando dizem que quando morre acaba tudo…

Sim, para o ego quando surge a realidade ilusória da morte, acaba tudo. Para o ego, não para o espírito. Isso porque o ego acaba, mas para a consciência primária do espírito você, seja lá quem for, continua existindo junto à sexta consciência que, mesmo hoje, está criando também realidades.

A Maria morrerá, mas você espírito ligado a uma identidade “Joaquina” no sexto nível, por exemplo, continuará existindo. A Maria morrerá, mas a Joaquina que existe no inconsciente da Maria continuará viva…

Sendo assim, você disse uma grande Verdade do Universo que tenho tentado salientar sempre: para a Maria não há nada a fazer, a não ser assistir o que está acontecendo…

Participante: Você não acha que este pensamento que eu Maria vou morrer e com isso acaba esta história de que reencontrarei parentes depois do desencarne e outras coisas que os espíritas acreditam, não pode causar um certo pânico?

Ao ego pode, mas a você espírito não… Isto porque o espírito sabe que não têm parentes. Os parentes são uma criação do ego…

Participante: Eu sou o ego… Então eu sei que tenho parente…

Está certo, mas mesmo você ego não pode ter pânico por causa de um ensinamento, por conclusões tiradas a partir do ensinamento. O ego só pensa o que Deus fizer ele pensar.

Sendo assim, se você tiver pânico ia ter sempre, pois Deus ia programar isso de uma forma ou de outra, pois, com certeza, era a prova do espírito. Esta dinâmica de consciência vale para todas as conclusões que Deus dá através do ego…

O ego não pensa por si só, não tira conclusões… Ele não cria idéias…

Se o ego Maria sentir pânico ao criar a ilusão de estar me ouvindo, isso não aconteceu por causa dos ensinamentos, mas sim porque era a prova do espírito que está ligado a esta personalidade.

Portanto, você, o espírito, deve dizer: o ego não tem nada a fazer, por isso não vou me perturbar com o pânico dele… Isso é Verdade e você, sentimentalmente, deve chegar a esta conclusão e deixar o ego debater-se na ânsia de realizar algo…

A você, espírito, a única coisa que resta fazer é assistir o ego trabalhar. Neste caso deve observar que o ego está desesperado porque não vai mais encontrar a mamãe e o papai…

Para isso diga a si mesmo sentimentalmente: não devo deixar o meu coração entrar neste desespero…

.Participante: Mas é um ego pensando em cima do que outro constrói… É como se fosse um espelho… Isso não tem fim…

Eu falei para assistir de coração e não racionalmente… Coração em paz, mesmo que a mente não esteja…

Como já disse hoje, eu coloco em palavras porque sou obrigado a isso. Mas quando falo em assistir a sua vida digo que você deve fazer o seu coração assistir a razão…

Quando coloco em palavras é para dar um direcionamento ao coração e não à razão. Acho que aí é que está o grande problema para a compreensão do que digo…

Quando coloco em palavras vocês pensam que estou falando para trabalhar na razão, mas não falo isso. Digo para trabalhar no coração, no sentimento. Ou seja, digo para trabalhar sentimentalmente neste sentido e não com estas palavras…

Participante: Aí vem um grande problema: não conseguimos distinguir quando estamos trabalhando com o coração ou quando é o ego que está pensando que está sentindo…

Fique em paz, mesmo sem distinguir…

Veja: você não pode distinguir, pois quem distingue qualquer coisa é a razão, o ego. Então esteja em paz distinguindo ou não…

Assista a razão: ela está dizendo que eu estou em paz, então estou… Ela está dizendo que eu não estou, então não estou…

Realize isso, não pela razão, mas pelo coração…

Participante: Não dá para fazer esta distinção…

Eu afirmo que dá…

Não digo que você tenha a consciência de estar fazendo, mas muitas vezes a sua razão está ilusoriamente criando bolhas de atividade, mas você espírito, está equânime. Quando isso acontece, vocês, egos, nem vêem…

O problema é racionalmente os egos ainda querem ter consciência de estar fazendo algo. Querem ter a consciência (razão) de que estão fazendo a evolução e não se faz evolução…

Aliás, não se faz nada…

Lembram do que já falamos: ação, a omissão e a não ação… Neste caso, a ação é agir, é conscientemente realizar a elevação espiritual. A omissão é conscientemente esquecer as coisas a respeito da elevação espiritual e a não ação é fazer sem saber que está fazendo…

Participante: É preciso ter fé para acreditar em você? É preciso acreditar em você?

Não, não acredite em mim…

Não acredite em mim. Se você é feliz de verdade – não estou falando em ter prazer – não acredite em mim… Sendo triste, não acredite em mim também…

Saiba de uma coisa: eu não falo verdades, mas mostro caminhos. Caminhos para se alcançar uma coisa ou para se alcançar outra…

Jamais disse uma Verdade Absoluta…

Participante: Eu acho que estes caminhos e verdades que você diz transmitir são todas relativas…

Sim, é o caminho de agora, a verdade de agora. Se ela durará nos próximos dois dias, eu não sei…

Agora se lembre do que sempre disse: posso hoje dizer que uma coisa é preta e depois dizer que o preto não cem por cento preto, mas oitenta por cento. Isso eu posso fazer, mas não posso jamais dizer que o disse que era preto agora é branco.

Ou seja, eu posso dar uma nova interpretação a alguma coisa que já falei… Aliás, isso eu faço sempre. Sempre estou mudando a visão sobre alguma verdade que vocês imaginam que eu tenha dito.

Agora, me opor ao que já disse antes, isso jamais poderei fazer…

Participante: Você disse que está ligado a um ego. Creio que se referiu ao Pai Joaquim de Aruanda. Mas, creio que você se liga intencionalmente a esta ilusão para poder conversar conosco. Quando encerra este trabalho creio que deixa o Pai Joaquim de lado. Então, em que plano você se sintoniza?

Você está realmente preocupado com esta questão, não é mesmo? Já é a segunda vez que me faz esta pergunta…

Saiba de uma coisa: é impossível que eu deixe o ego Joaquim de lado. Isto porque o meu trabalho não é apenas incorporar aqui e passar ensinamentos. O meu trabalho dura vinte e quatro horas por dia…

O tempo inteiro que estamos neste trabalho e antes mesmo de assumir as incorporações já precisávamos ser Joaquim para poder programar, dentro das ilusões humanas, as ações que seriam executadas. Ou melhor, ter a ilusão de estar programando já que sempre acontecerá o que Deus quiser…

Lembro-me de ter dito a algumas pessoas que era importante para nós que eles escrevessem o que falamos, ao invés de nós ditarmos diretamente… Isto porque muitas vezes nos faltam palavras e quando os egos mais humanizados transcrevem utilizam melhor as palavras do que eu.

Falei isso mesmo estando ligado a um ego que está preso entre a sétima e a sexta consciência: imagina se não estivesse ligado a ele…

Então, não: agora eu não posso me desligar de Joaquim enquanto durar esta minha missão…

Mas, porque eu sei que sou um espírito e vocês não? Porque em Joaquim existe a verdade de que eu não sou Joaquim; no ego de vocês, não…

Participante: Joaquim, quando você fala para mim ego o ensinamento chega para mim espírito?

Já me fizeram esta pergunta com outras palavras: sendo ego lidando com ego, o que está acontecendo entre mim e você, espíritos? Eu respondi: você e eu, espíritos, estamos na Realidade, ou seja, estamos espiritando.

Não, a palavra não chega ao espírito, porque espírito não entende palavra. Aliás, eu não estou nem falando com você: você, ego, cria a idéia de estar me ouvindo. Aliás, cria até eu…

Então eu não falo com você, espírito, nem falo para o se ego: o seu ego cria a idéia de estar me ouvindo…

Participante: Coração igual a intenção… Certo?

Não, jamais… Intenção é razão…

Participante: O ego se desmancha naturalmente quando só o coração permanece. É isso?

Não, o ego não se desmancha… Ele se desmanchará através do comando de Deus e quando Ele achar que tem que desmanchá-lo…

Participante: Pelo que sinto, se o ego deixar, o coração pode despossuir o próprio ego e assim encerrar o processo de vir a ser, só restando o espírito integrado a Deus…

Não, o ego jamais deixará nada… Aliás, o ego nem existe…

O ego não é uma pessoa, um individualismo: é um processo através do qual Deus cria ilusões. Ele é um processo e não uma pessoa…

Participante: É uma programação?

Não, ele é um programa…

Programação é o resultado do que o programa faz. Programa são as linhas escritas, os comandos escritos que criam a realidade.

O ego é simplesmente um método pelo qual Deus cria as ilusões racionais. Sendo assim, ele não pode deixar nada… Se tiver que deixar, este deixar fará parte da pré-programação e não será conquista alguma do ego…

Saiba de uma coisa: espírito e ego não se misturam… É só pela ilusão que o espírito acha que está ligado ao ego…

Participante: O ego Joaquim é diferenciado, porque sabe que ele não é Joaquim. É isso?

Eu não diria diferenciado, mas preparado para esta missão. Falo assim, porque quando você fala em diferenciado, está se referindo a algo melhor do que outra coisa. Não, Joaquim não é melhor ou pior do que os egos que vocês estão vivenciando: apenas preparado para uma determinada função o que o de vocês não está…

Participante: Depois de tudo isso que o senhor falou, só me resta perguntar: para que tudo isso?

Não sei, pergunta para Deus…

Veja bem, seu ego investigativo, não existe para que, porque ou como. Assista estar aqui ou não estar. Jamais tente compreender porque esteve ou não, pois não existe porque para o que você vive…

Olha o que acabei de dizer corroborando o que me disseram: você ego não tem nada para fazer a não ser assistir o que está acontecendo. Assista de coração sem querer ter razões.

Sem razões que determine onde você está, por que está neste lugar, onde vai dar tudo o que está acontecendo agora, como as coisas prosseguirão…

Eu, ego Joaquim, que, por causa de minha missão, estou falando estas palavras não sei o que irá acontecer a partir deste trabalho, que dirá vocês, egos, que estão aqui por provas…

Participante: O senhor diz que a ação é de Deus. O carma agindo, qual a postura perfeita para aproveitar esta oportunidade?

Amando… Amando universalmente… Ame a tudo e a todos.

Olha, deixe-me deixar bem claro. Não adianta se amar apenas as pessoas. Foi o que disse agora a pouco: não adianta amar apenas os judeus e os árabes… É preciso amar a rusga entre eles…

Amar a tudo e a todos, de uma forma universal, ou seja, de uma forma eterna e sem que haja distinções é a única postura que nos aproxima de Deus…

Participantes Por que Deus cria ilusões tão ”horripilantes” para alguns egos, como dores alucinantes e estupros, e para outros cria ilusões mais fáceis de serem vividas?

Deixe-me explicar uma coisa: nem sempre as provas aparentemente mais fáceis são as mais fáceis. Tomemos como exemplo um casamento.

Será que ter um casamento feliz, nos termos de vocês, um casamento onde há um congraçamento, uma união entre os pares, é uma prova mais fácil do que um casamento cheio de brigas? Eu diria que não…

Por que? O qual é a prova de vocês? A prova do despossuir. Despossuir as coisas, as pessoas, os conhecimentos, o que tem e as sensações que o ego cria.

Olhando a partir deste ponto, pergunto: é mais fácil despossuir um marido que bate em você ou um marido que lhe dá carinho?

Veja… Você está partindo do pressuposto humano sobre felicidade e não dentro da visão universal. Por causa disso é que afirma que uma situação onde você é feliz materialmente é uma prova mais fácil. Dentro da Realidade Universal é ao contrário: é mais difícil despossuir quando se está feliz materialmente, ou seja, se está tendo prazer e diz que é feliz.

É muito mais fácil você despossuir a ganância, por exemplo, não tendo dinheiro nem para comparar comida, do que sendo rico. É muito mais fácil despossuir a inveja pela consciência de saber que não pode ter determinada coisa, do que quando ilusoriamente se acha que se pode ter tudo o que quer…

Então, viver uma vida cheia de prazer não é prova mais fácil. Para se poder determinar a facilidade ou não de uma prova é preciso se estar conectado no universal, no eterno e não na realidade material.

Se a Realidade Universal nos diz que a aprovação é conseguida através do despossuir, já que o egoísmo nato do ego que gera a posse é muito mais fácil despossuir aquele que nos fere, que nos magoa, do que despossuir aquele que nos dá carinho.

Apesar de ter dito tudo isso, saiba que apenas fiz um raciocínio… Isso porque, não importa se é o prazer ou a dor, a coisa mais difícil de despossuir é sempre a que possuímos e não o que os outros possuem…

Participante: É impossível amar quando julgamos aquilo que vemos…

Por isso sempre digo: assista aquilo que a razão fala e não viva o que ela diz… Isto porque a razão vai trabalhar o tempo inteiro julgando.

Razão existe para julgar… Raciocinar é comparar percepções com verdades arquivadas no ego e editar uma realidade. Isso é raciocinar.

Se você acredita no resultado deste processo como verdadeiro, vai julgar a vida inteira por que raciocinar é julgar.

Participante: Quando o perispírito se desdobra, o espírito está na sexta consciência?

Que perispírito? Perispírito é corpo – mesmo sendo o espiritual – e todo corpo é ilusão… Sendo assim, que desdobramento de perispírito você quer que exista?

Lembre-se: existem caminhos… As informações espirituais a respeito do desdobramento do perispírito e tantas outras são necessárias para que você comece a ver que existem mais coisas do que suas percepções pode, captar. Mas, a partir do momento que você entra em um campo para onde tem que sair do tudo para o nada, nada pode existir.

Na verdade, o perispírito existe dentro da sexta consciência, mas existe como uma ilusão criada por esta sexta consciência. Agora, se ele é uma ilusão, não pode, então, se desdobrar. O que você pode ter é a ilusão de que ele está se desdobrando, mas isto é outra coisa.

Participante: No que o senhor falou acima se encaixam também outras coisas como pressentimentos, intuições, visões, etc?

Encaixa-se tudo o que é racional. Passou pela razão, ou seja, você teve um conhecimento racional sobre a coisa é uma ilusão.

Participante: O que eu quis dizer é que, por exemplo, as vezes as intuições se concretizam, mas mesmos nestes casos, não somos nós espíritos que temos a intuição, mas sim Deus quem dá e a nós não cabe saber por que Ele agiu assim. É isso?

Exato: cabe a nós assisti-la…

Participante: Você disse que a única matéria que existe é o fluido cósmico com o qual o espírito entra em contato para se conscientizar e se aproximar de Deus…

Nunca falei isso… É você que está fazendo esta afirmação…

A matéria universal, segundo O Livro dos Espíritos, é aquilo que compõe o espírito, do qual se cerca e sobre o qual age. Isso eu sempre disse…

Agora, quanto à intenção de chegar a Deus quando o espírito age sobre a matéria, isto você que está dizendo…

Participante: Disse também que para o espírito é impossível conhecer algo do mundo material. Esse mundo material ao qual você se refere é a matéria como os encarnados conhecem na Terra?

Realmente é impossível ao ser espiritual conhecer alguma coisa do mundo material… Sabe por que? Porque o mundo material não existe…

Sabe o que é esta vida que você está levando? Uma alucinação de um espírito que cheirou cocaína… Como pode uma alucinação existir realmente?

A vida é só uma alucinação… Como pode, então, o espírito conhecer alguma coisa dela? Nada nela existe de verdade…

Quando falo em mundo material, falo sempre desta alucinação… Saiba de uma coisa: não importa em que densidade que esteja esta matéria a que você está se referindo, qualquer matéria a que você se refira que não seja o próprio fluído universal, é alucinação…

Saiba: só existe Deus, o espírito e o fluido cósmico universal… Todo o resto que você acredite existir são combinações do fluído cósmico… São percepções que deus cria a partir do fluido…

Participante: Mas, então, parece que o que foi falado está correto: é através do fluido cósmico que o espírito entra contato que ele se conscientiza de si mesmo e se aproxima de Deus… Você acabou de falar isso

Não, eu não falei isso… Eu disse a que o espírito entra contato com o fluido, mas não afirmei que ele faz pare se conscientizar de alguma coisa ou para se aproximar de Deus.

Eu nunca falei isso porque você não entra em contato com Deus através de matérias, mas sim do amor, que não é uma matéria…

Participante: Para que serve esta matéria então?

Ela serve para “gupigupi”… Entendeu? Não, por que para o que ela serve de verdade não existem palavras humanas que possam definir.

Saiba que qualquer coisa que exista de Verdade no Universo não pode ser definida pelas palavras que vocês têm… Não há como se falar do mundo espiritual através de palavras humanas.

Participante: Mas, no fluído cósmico universal não há toda a variação da matéria como a conhecemos?

Não o fluido cósmico é fluido cósmico e não a matéria como você a conhece… A matéria que você conhece é uma percepção que o ego cria para o fluído cósmico…

Olhe para baixo… Você tem a percepção de ver um chão abaixo do seu pé, mas não está vendo nada, pois nem o chão nem o pé existem como você os vê… Abaixo de você existe o fluido cósmico, mas ele não é o que vê.

Portanto, taco não é fluido cósmico… Taco é uma forma de ver fluido cósmico universal assim como tapete, paredes são formas de ver o mesmo fluido… Isso aplica-se a qualquer elemento material que você perceba, pois tudo que existe é o fluido cósmico universal.

Já fiz esta figura anteriormente, mas vou fazê-la novamente. O Universo é como se fosse uma massa de bolo: uma massa compacta e homogênea de alguma coisa onde você não distingue nada em separado. O Universo é isso…

Distinguir elementos nesta massa é a mesma coisa que pegar um palito de fósforo e, com as próprias mãos, desenhar formas. O ego desenha um homem, uma cadeira, o chão…

No entanto, estas imagens não estão na massa: tratam-se apenas de imagens geradas ilusoriamente numa massa compacta e homogênea… Esta é a realidade

Além disso, encerrando o assunto, deixe-me dar-lhe outro conselho: não queira entender fluido cósmico universal, pois ele não faz parte do seu mundo…

Participante: Ou seja, não sabemos quem somos, onde moramos, como fomos feitos, onde estamos… Não sabemos o que é o Universo, não sabemos quem é Deus… Não sabemos nada…

Mas, você acha isso “ruim”? O que é qualquer coisa que você sabe? Um fruto da árvore do conhecimento, um elemento que Deus disse que não deve ser comido…

Saiba que sempre que você souber alguma coisa este saber nasceu como um fruto da árvore do conhecimento. Portanto se souber algo ainda estará comendo maçã e por isso não poderá voltar ao paraíso…

Participante: Mas, se Deus se diz universalista, por que não divide este conhecimento com os espíritos? Então Deus é individualista?

Não entendi a pergunta…

Participante: Se nós não podemos ter o conhecimento, Deus é individualista por que não o divide conosco…

Na verdade, você tem o conhecimento… Ou seja, o espírito tem o conhecimento do Universo, mas o ego não.

Isto é desta forma porque o ego não pode ter este conhecimento. Se ele tivesse, seria a mesma coisa que o espírito fazer a prova com o livro aberto. Cada ego cria um mundo (saber) específico para um espírito mundo gerando, assim, as suas provações individuais.

Portanto, o ego não pode saber, mas o espírito sua consciência primária sabe…

Participante: Uma coisa que sempre me confunde é quando você diz que é Deus quem cria. Mas, como você já afirmou diversas outras vezes, Deus não existe. Então, que coisa é essa que cria? Que força é esta?

Deus…

Veja o que acabei de dizer: não dá para se explicar o mundo espiritual para chegar ao nível do conhecimento de vocês porque faltam aos seres humanos sentidos, percepções e compreensões espirituais para poder entender o Universo.

Sendo assim, acredite que esta força à qual você se referiu é Deus. Agora, tenha também a plena consciência que dizer que o Senhor é esta força é apenas um rótulo, um nome, que você deu àquilo que chama de força. Não dá para se explicar o que Ele causa, quando e como funciona, porque senão você estará humanizando Deus e o Senhor não tem nada de humano…

Ouça bem: o grande problema neste sentido é que o ego materializa o mundo espiritual. Como vocês acreditam como real estas humanizações que o ego faz, aceitam, também quando ele os instiga saber cada vez mais.

Ou seja, como a cobra da história bíblica, os instiga a querer comer o fruto da árvore do conhecimento. Por causa desta tentação gerada pelo ego vocês deixam de buscar entender o que realmente precisa ser feito para a elevação espiritual e se prendem na busca de curiosidades que não levam a nada…

Esquecem que o ego age desta forma insuflando-os a ter os olhos abertos e o poder de separar o “bem” do “mal”… Só isso…

Lembra o que falei na semana que passou? O ego incita a busca pelo conhecimento insuflando-os com a ilusão de que assim podem exercer o ilusório poder sobre a vida…

Para isso ele lhes diz: quem sabe mais pode mais…

Participante: Não sei se consegui deixar clara a minha dúvida. O que quero saber é como podemos amar a Deus se não existe um deus conforme a nossa concepção e sim apenas a Unidade?

Amando a Unidade… Amando a Unidade, ou seja, amando o que está acontecendo…

O que é a Unidade? O que está acontecendo aqui e agora…

O que é uma coisa universal? É tudo que existe no Universo… Mas, o que é existe no Universo? Tudo que você está vivendo… O tudo que você conhece é o tudo que você é e que existe para você.

Então, chame tudo que você é e vive de conhecimento total… Aí estará amando o Uno sem estar amando um uno… O problema é que vocês querem sempre criar um rótulo ou uma identificação e assim criam uma individualidade do que é em essência universal…

Um dia me perguntaram o que é o universalismo… Eu respondi que se eu definisse o universalismo estaria criando um universalismo. Ao fazer isso, estaria deixando de ser universal.

Respondendo-lhe diria que para amar a Deus, você deve chamar o tudo de Todo e amar a tudo: só isso…

Participante: Na nossa concepção não podemos dizer que Deus é um ser?

Claro que sim… Na sua concepção você pode dizer o que quiser, ou melhor, o que Deus criar para ela…

Então, você pode dizer que Deus é um ser, mas você não deve se prender a idéia de que isso é Realidade, já que existe o Deus ser, o emanado e Suas emanações… Estes três elementos são a força criadora e que foi citada anteriormente.

Deus é tudo… Acreditando que Ele é um ser, não irá crer que o coco do cachorro é Deus, mas ele é…

Portanto, você pode acreditar que Deus é um ser, mas tenha a consciência de que não adianta se apegar a esta idéia. Para se promover a reforma íntima você deve conviver com Deus como um rótulo que você deve usar para rotular tudo que existe.

Participante: De onde venha a idéia de que Deus e é justo e amoroso?

Das doutrinas religiosas, ou seja, dos carmas…

Ter a consciência de que Deus é justo é um carma. Trata-se de uma prova para ver se você vai armar mais a Ele ou aos seus padrões de justiça…

Sim, é isso mesmo, pois quando você não aceita a idéia de que Deus é justo é porque não vê justiça no que ele faz. É por não ter padrões individuais que rotule o que está acontecendo como justo é que você não aceita Deus como justo… Neste momento você não está amando a Ele e sim a você que sabe o que é ser justo.

Lembre-se sempre: Deus não é justo, mas a Justiça… Sendo assim, tudo o que Ele promulga é o próprio código normativo daquela situação (Justiça) e não a simples bem aplicação de um código pré-escrito (ser justo).

É a mesma diferença que conversamos entre “bem” e “bom”: “bem” é universal, é tudo o que vem de Deus; “bom” é individualista, é como é rotulado aquilo que vem de Deus (bem) e que você gosta… É bem diferente uma coisa da outra…

Participante: Só que você não respondeu a minha pergunta: de onde vêm esta informação?

De Deus…

Se tudo vem de Deus, esta informação também vem Dele…Vêm Dele como carma e por isso eu falei: esta informação faz parte da sua prova.

Você ter a informação racional que afirma que Deus é justo e ter critérios individuais de justiça é uma prova para ver se você vai amar mais ao Pai ou aos seus critérios de justiça…

Participantes: De onde vem a idéia de que eu sou obrigado a amar a Deus?

Apesar de usar constantemente esta expressão, você não é obrigado a amar a Deus… Lembre-se que também constantemente afirmo que Deus é um rótulo que você deve aplicar a tudo que existe…

Na verdade, você deve amar a tudo que existe porque esta forma de agir sentimental isso faz parte do universalismo. Mas, por que faz parte do universalismo? Porque quando deixa de amar alguma coisa criou um egoísmo, um individualismo que não pode ser Universal porque é individual.

Deixe-me deixar bem claro o que eu digo: ame a Deus, mas o Deus que me refiro não é um espírito ou um líder de uma religião, mas sim o Todo universal.

Participante: Aqui e agora é preciso esquecer toda literatura, ensinamentos e práticas espíritas e espiritualista para entender o que você diz?

Não só neste aqui e agora, mas em todos eles, você precisa libertar-se de tudo o que lhe vem ao ego e não só das práticas espiritualistas e espíritas.

Precisa libertar-se das práticas sexuais, daquelas que utiliza para poder exercer as funções fisiológicas, para ser pai, para ser médico… Em todos os momentos da sua existência deve libertar-se de todas as práticas que o ego lhe diz que são necessárias para viver…

Veja que não falei em esquecê-las, pois isso é impossível. Eu disse que você precisa se libertar delas, ou seja, não acreditar na idéia que o ego cria e que afirma que elas são verdades absolutas… Só isso…

Participante: Qual é o fruto da árvore da vida citada na Gênesis?

Participante 2: O fruto da árvore da vida é o conhecimento…

Não, o fruto da árvore da vida não é o conhecimento, mas sim o saber…

Quando eu ou qualquer pessoa estamos falando alguma coisa, o que está sendo dito um conhecimento. Quando você decreta que isto que ouviu é uma verdade gera um saber a partir de um conhecimento. No momento que você transformou o conhecimento percebido num saber foi que comeu o fruto da árvore da vida, ou seja, passou a saber.

É por isso que digo: não acredite em mim, ou seja, não transforme o que falo em um saber, porque senão não adianta nada me ouvir…

Participante: Acho que o amor é a mais elevada percepção de sentimentos que podemos provar neste nível do ego, não?

O ego não pode experimentar o amor universal porque ele é humano, ou seja, não existe…

Não, o amor universal espiritual não pode ser experimentado de uma forma racional: ele só pode existir no coração…

Sabe aquelas pessoas que saem pulando de felicidade sem nem saber o porque estão agindo e nem se dão conta da felicidade que estão sentindo, estes experimentaram a felicidade universal. Mas, o pior é que eles nem sabem disso, nem sabem que experimentaram algo tão grandioso… Se soubessem, não teriam experimentado, mas apenas tido a impressão de que experimentaram. Teriam vivido a idéia de ter experimentado sem ter realmente vivenciado esta postura sentimental…

Participante: Seria, então, assim: Deus é tudo e tudo é Deus…

Deus é tudo e tudo é Deus: perfeitos… Mas, além disso, Deus é o todo…

Lembre-se que o Deus a que me refiro neste caso é apenas ao rótulo que você utiliza de uma forma conceitual, ou seja, dentro daquilo que você acha que é Deus… O que estou dizendo é que você deve aplicar os valores conceituais que tem por trás da palavra Deus e todas as coisas, a tudo que existe…

Participante: Haverá sempre uma ilusão associada ao estado de consciência que o espírito vive, com exceção talvez da primeira consciência?

Perfeito

Participante: Como amar você diz aceita?

Amar não é aceitar… Aceitar é aceitar, amar é amar…

Deixe-me explicar uma coisa é ouça com atenção: não dá para se explicar de uma forma ou humana, ou seja, através de comparações a Realidade espiritual. Portanto saiba: amar é amar, aceitar é aceitar.

Ao falar assim vocês me diriam: vamos dizer que é parece que é… Não, isso não deve ser feito sem correr o risco de vocês ficarem presos à esta comparação como Verdade quando não é. Sem correr o risco de vocês quererem aceitar e com isso não amarem….

Amar não é aceitar: a mar é amar… O que eu falo é ame a tudo, a todos, a todas as coisas…

Participante: Como amar a tudo?

Amando de uma maratona onde não haja emoções variadas no trato com qualquer coisa…

Para amar, por exemplo, não aceite apenas aceitar as coisas… Como disse aceitar é uma emoção diferente de amar. Por isso não aceite as aceitações que o ego crie. Assim estará amando…

Saiba de uma coisa: o amor não se constrói. Ninguém consegue realizar a ação eu amo… O ser humanizado é incapaz de criar a ação amar, porque todas as ações que este ser pratica lhe são conscientes, ou seja, são criações racionais e o ego, aquele que cria as ilusões e as leva ao consciente, é incapaz de amar.

Você não pode mudar estas criações do ego nem criar nada que lhe seja consciente independente da sua personalidade transitória, portanto, não pode amar… O que você pode fazer é libertar-se das emoções que o ego cria…

Acontece que quando você se liberta das criações ilusórias do ego cai, mesmo que não tenha consciência disso, na Realidade vivenciada pelo espírito. Nesta Realidade, o estado natural, ação única do espírito é amar. Portanto, quando você se liberta da crença que as emoções geradas pelo ego são reais, naturalmente estará amando, mesmo sem saber (ter a consciência) que está.

O problema é que vocês querem construir um amor, querem amar, quando amar não é uma postura que possa ser conscientizada pela razão… Amar é o estado natural do espírito e este nunca será percebido pela razão humana.

Portanto, saiba que você já está amando, mesmo que não saiba que está, pois ainda acredita que você é o ego… Se isso é verdade, não se preocupe, então em construir um amar, mas sim em libertar-se da consciência de que você é o ego…

Agora ficou claro o que é amar? Compreendeu como se ama? Amando…

Participante: Seria fazer com que o ego caia no vazio absoluto?

Não, seria fazer com que o coração caia no vazio absoluto… Deixe-me contar uma história para isso ficar mais claro…

Lembram-se dos aviões que bateram nas torres gêmeas? Pois bem, algumas pessoas que já tinham me ouvido estavam assistindo a tudo aquilo junto com outras. Estas pessoas estavam presenciando aquela cena com uma consciência sentimental de que não havia acontecido nada de anormal. Aquelas que nunca tinham me ouvido estavam, no coração, vivendo um grande sofrimento…

Sabe do que tas pessoas que já tinham me ouvido foram chamadas? De frias…

Acontece que, como já dissemos em outro dia, amar é ser frio com as coisas do mundo. Portanto, estas pessoas estavam realmente amando, enquanto aqueles estavam sofrendo, mesmo que dissessem que aquilo era amor, ou fruto dele…

Eu já chamei durante muito tempo o sentimento equânime de apatia. O sentimento equânime, ou seja, o amor, acontece quando você é apático para as coisas do mundo, com as emoções mundanas…

Participante: Falemos da procura da equanimidade… Um ser humanizado pode ter os seus extremos em distâncias diferentes um do outro. Por exemplo: não se exaltar com os resultados positivos ou harmoniosos, mas se alterar com os resultados negativos ou não harmoniosos…

Deixe-me antes lhe explicar um detalhe: não se procura a equanimidade… Ela aparece naturalmente quando você abandona os extremos. Ninguém se transforma em equânime: abandonam o extremo… Uma coisa é diferente da outra…

Vamos, então a resposta… Não importa em que grau você congraça com um dos aspectos do dualismo: neste ponto está o seu extremo, o seu ápice.

Quando se fala e se abandonar os extremos não se fala em, por exemplo, abandonar a raiva extrema, mas sim a sua extremidade de raiva, que pode ser menor do que a dos outro, mas é o seu extremo de raiva.

Veja que grande ambigüidade… O Universo, apesar de ser universal, é individual, ou seja, único para cada um… O que isso quer dizer? Que cada ser vive no Universo em Unidade, mas que as ilusões criadas pelo ego formam um Universo diferente para cada um…

Sabe, tem gente que fica chateada com uma coisa que para outros não têm importância… Eles estão em Unidade no Universo porque são elementos universais, mas ao acreditarem nas verdades e nas sensações que o ego de cada um cria como Realidade ou Verdade, vivem em mundo diferentes…

Além do mais, não se pode querer conhecer o que você já andou pela medida dos outros. Isso é egoísmo é querer se dizer melhor…

Não, não é este o caminho… O caminho é lutar contra todos os extremos, mesmo que um deles esteja apenas um passo do meio…

Falei em lutar contra no sentido de se libertar e não de brigar ou querer mudar-se…

Participante: Eu me referia a mim mesmo… Referi-me ao fato de não me alterar com atos harmoniosa, mas aceitar a tristeza em outros momentos… Aproveitando… Em certas ocasiões você disse que devemos fazer o coração cair no vazio: não seria fazer a razão cair no vazio?

Mas, a razão não existe… A razão é o próprio ego, portanto, ela é uma emanação de Deus… É Deus quem cria a razão: como então você poderá mudá-la? É impossível…

A razão não existe: ela é um instrumento que Deus cria para ver se você ama a tudo e a todos. É por isso que digo que ela é contrária ao amor universal.

Saiba de uma coisa: se você ama a tudo, não pode acreditar na razão…

Participante: A partir do que falei sobre reagir diferente no prazer e na dor, será que os meus extremos não estariam desequilibrados?

No Universo não existe nada desequilibrado… Se os seus extremos são diferentes o equilíbrio deles é ser desta forma…

Dizer que alguma coisa no Universo está desequilibrada é a mesma coisa que dizer que a Onipotência não sabe o que faz… Isso porque onipotência quer dizer toda a potência de construção de alguma coisa.

Sendo assim, tenho que dizer que os seus extremos foram construídos por Deus. Quando você fala que eles estão desequilibrados, diz que Deus é um desequilibrado…

Participante: Me parece que só conseguiremos amar universalmente quando não estivermos aí para nada, nem para esta história de amar, simplesmente abandonando tudo o que passa pela nossa mente. Muitas vezes essa história de amar a tudo tira a nossa paz e acaba nos aprisionando nesta necessidade…

Exatamente. Entender a questão do amar é não tornar isso como uma obrigação, como algo que deverá ser realizado… A questão do amar se torna um carma, uma prova, quando você quer amar…

É o que acabei de dizer: amar é amar e ninguém ama… O amor já existe e flui quando você se liberta das emoções criadas pelo ego…

Existia uma pessoa que vinha sempre me ouvir… Um dia disse uma coisa para ela, que ela não gostou muito, e agora vou dizer a mesma coisa para vocês todos…

Sabem por que vocês não evoluem? Porque querem evoluir…

Transformar a evolução espiritual em objetivo de vida é sinal de egoísmo, pois nesta busca está embutida a esperança de ganhar alguma coisa… A evolução não se constrói: percebe-se que evoluiu depois que evoluir e não durante a caminhada…

Participante: Atirar-se no vazio traz uma sensação de perda e de falta de controle sobre as coisas para que não têm fé… É por isso que o ego rechaça tanto esta hipótese…

Sim… Lembre-se que o interesse do ego é sempre manter acesa a ilusão do controle sobre as coisas da vida, como falamos na semana passada. Por isso ele não pode permitir esta sensação de perda e de falta de controle…

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