Palestra 06
Participante: O senhor pode falar um pouco mais sobre os sete níveis de consciências a que já se referiu?
Sete níveis de consciência ou sete consciências que funcionam em conjunto, sendo seis ilusórias e uma que é a consciência primária do espírito.
São seis consciências, cada uma formando uma conscientização ou realidade, as quais o espírito está ligado, sendo que das seis consciências, somente uma é vivida no consciente. As outras são vivenciadas no inconsciente. Você, o espírito, hoje tem uma consciência primária que está ligada a seis outras das quais você só toma ciência de uma, ou seja, só vive como realidade aquilo que a sétima constrói.
Sendo assim, não importa nem saber que existem sete consciências: é apenas uma cultura. Isto porque na verdade, para você, só existe a sétima. Só lhe é consciente aquilo que você traz ao consciente, ou seja, no seu caso como o espírito vivendo um mundo de Provas e Expiações, é a sétima.
Portanto, não se prenda a esta informação, porque será mais uma cultura que terá que se libertar. Só isso.
Participante: Somos simplesmente privilegiados ou escolhidos pelos ensinamentos recebemos de você ou qual a nossa função frente a tudo isso?
Privilegiado escolhido? Isto é ilusão humana…
Somente a visão humana das coisas pode imaginar que a Causa Primária de todas as coisas pode conceder um privilégio ou uma escolha a alguém. A mente universal, que sabe que Deus é justiça e o amor, não pode pensar em privilégios algum para ninguém. Não concebe que possa haver a escolha de um em detrimento de outro.
Não, não se trata de escolhas pessoais, mas de merecimento. Sendo assim, eu diria que se vocês ouvem o meu ensinamento – sem entrar no mérito dele ser melhor ou pior do que qualquer outro – é porque merecem estar aqui. Posso dizer que vocês o merecem, porque estão aqui o ouvindo…
Agora, se você considera os ensinamentos muito bons – digo isso pelo termo privilégio que usou – eu só tenho uma coisa lhe dizer: a quem muito foi dado, muito será cobrado. Tornar-se merecedor de receber alguma coisa é ao mesmo tempo participar de provações cuja aprovação está baseado no que recebeu.
Sabe, vocês acham muito bom e muito bonito ouvir palavras de mestres – não que eu me considere um mestre – gostam de ouvir ensinamentos que consideram de grande sabedoria, mas se esquecem da contrapartida. Não há privilégios individuais, não há escolha: há responsabilidade.
Por isso lhe digo que mais do que um privilégio, receber ensinamentos é uma responsabilidade. Na realidade você não está recebendo ensinamento, mas responsabilidades. Mas, se as recebeu é porque é merecedor dela, ou seja, tem condições para realizar o que advém (provas com este conteúdo) deste recebimento.
Participante: Nos seus ensinamentos em “Optando pela felicidade”, o senhor fala sobre o livre arbítrio do espírito entre optar pelo bem ou mal. No monismo não existe dualismo… Fiquei confuso sobre este tema. Poderia falar sobre isso, que a mim se assemelha com o ensinamento do separar o joio do trigo?
A sua visão monista é perfeita: não existe nem o bem nem o mal, não existe o joio nem o trigo, já que o Universo é Uno, Único e Constante. Mas, apesar disso, é preciso abordar este tema… Vamos falar disso.
Antes de falarmos sobre o porquê da necessidade de se passar este ensinamento apesar dele ser uma ilusão, deixe-me relembrá-lo que ele não é ensinamento meu, mas do Espírito da Verdade. Deixe-me lembrá-lo também, que este mestre não fala sobre a escolha entre o “bom” e o “mal” mas entre o bem e o “mal”.
Já falamos sobre isso, mas não custa repetir… O bem é Deus, é a elevação espeto espiritual, o mundo espiritual, o Universo. Já em contrapartida, o “mal” é a matéria, o materialismo, o egoísmo básico do ego humano.
Aplicando-se estes valores ao que o Espírito da Verdade disse, podemos entender que o ensinamento que nos leva a compreender a necessidade de se separar o bem do “mal”, não é meu nem daquele que trouxe as bases da doutrina dos espíritos, mas todos mestres nos colocaram frente a este dilema: a escolha entre o bem ou o “mal”, a escolha entre Deus ou o mundo material. Mas, porque eles nos colocaram frente este dilema?
Porque os mestres, se eles sabem que não existe dualismo, nos colocaram este dualismo? Porque este dualismo não existe na consciência primária do espírito, mas existe na consciência que você está vivendo hoje.
Sendo assim, para você este dualismo é real. Aliás, todo dualismo é real. Eles podem não existir na Realidade universal, mas existem como caminhos para o monismo.
Você não pode simplesmente acabar com o bem ou “mal”: precisa entender que o bem é o monismo, é a integração com o universo, é ligar-se em deus, é viver para Deus, em Deus e com Deus. Para isso precisa se conscientizar que o “mal” é tratar o dual como real. Por isso, Cristo ensinou: não corte o joio quando ele ainda estiver crescendo. Espere ele e o trigo crescerem para só aí separar um do outro…
Como disse, ensinar a necessidade de separar op bem do “mal” é um caminho, é um instrumento necessário da caminhada para o retorno da consciência da Unidade em que já vive. Por isso os mestres falaram nele e por isso eu também falo.
Ele é necessário para que você venha libertando-se de verdades, até entender que não há verdade para se libertar. Sim, não há verdades das quais você precisa se libertar. Porque? Porque você tem apenas a ilusão de ter uma verdade…
Deixe-me deixar bem claro isso. Todo o processo de evolução não existe. O espírito já é puro, já está pronto. Mas, ele não tem consciência disso.
Por isso existe o processo de evolução das ilusões que acontece nesta fase que estamos vivenciando. O processo consiste-se em libertar-se paulatinamente das verdades, mas ele em si é uma ilusão, pois o espírito tem apenas a ilusão de estar vivendo as ilusões… É o ensinamento de Krishna do qual já falei: a mente primária é escrava da mente secundária, mais, se a mente secundária e a escravidão são ilusões, ela não está presa.
Portanto, na verdade todo o chamado processo de elevação espiritual é um processo ilusório, porque na realidade existe apenas o espírito que é Uno, Único, Constante e puro.
Participante: O senhor já ouviu falar do processo chamado de transcomunicação experimental, que permite a comunicação com os espíritos através de aparelhos eletrônicos como televisão, computador, telefone, etc? Existem milhares de gravações realizadas em diversos países em inclusive no Brasil…
Antes de qualquer coisa, lhe direi: este processo é uma ilusão.
Para se comunicar com os espíritos, para ouvi-los, não é preciso aparelhos sonoros. Além do mais, seria impossível para um espírito usar televisão ou rádio, já que estes aparelhos sonoros são materiais e, portanto, simples criações de ego, ilusões. Foi por isso que comecei dizendo que, no meu ponto de vista, este processo é uma ilusão…
Além disso, posso afirmar que este processo é mais uma prova para a humanidade, já que tudo que é vivenciado através do ego é uma provação para o espírito. Mas que prova é esta?
Ao lhe responder isso, aproveito para abordar um tema muito importante que gostaria de conversar hoje. Hoje, aqui, estão presentes mais de quinze pessoas. Quinze pessoas que se dizem buscadoras de Deus. A vocês, pergunto: o que é buscar a Deus? É libertar-se da matéria.
Não se busca a Deus sem se libertar da matéria. O chamado processo de evolução espiritual consiste-se em libertar-se da matéria para poder voltar à consciência da sua já existente ligação com Deus.
A partir disso, faço uma pergunta: por que vocês, humanos que dizem que buscam a Deus, vibram quando um cientista comprova pela ciência o que vocês já sabem de estudos espiritualistas? Será que para vocês é preciso que um cientista lhe comprove que existe espírito? Será preciso você ouvir a voz de um espírito para acreditar que existe o ser universal? Que espiritualismo seu é este que precisa que a ciência comprove para que você acredite que existe?
Isto não é espiritualismo é materialismo, é acreditar na ciência. Ciência e espiritualismo são coisas completamente diferentes…
Se você é espiritualista, ou seja, acredita haver algo mais do que a carne tem que parar de vibrar sentimentalmente quando a ciência comprova algo que já aprendeu no campo espiritualista. Senão você acreditará nas verdades científicas e no espírito verdadeiro.
Aproveitei sua pergunta para falar uma coisa que tenho visto muito: espiritualistas em êxtase porque doutores falam das coisas espirituais como verdadeiras. Isto deixa transparecer que para espiritualista, apesar dele dizer que acredita na sua doutrina religiosa, é necessária a comprovação do mundo espiritual através da ciência.
Que me desculpem aqueles que age assim: são egos e viver isso como real é carma; bem sei disso. Mas, se vocês continuarem a deixar seus corações presos a isto, continuarão presos ao materialismo, continuarão adorando a ciência como seu Deus.
Então, lhe respondendo, acho a transcomunicação experimental que falou, um grande carma para ver se você se apega a ela ou simplesmente acredita que é algo mais do qual precisa se desligar e prestar mais atenção na sua relação de amor com Deus, com o Universo e com a espiritualidade como um todo.
Participante: Como se libertar da matéria?
Alterando as suas prioridade. Liberta-se da matéria alterando a prioridade das coisas.
O que é prioridade na sua vida? Ser mulher, ser feliz no casamento, na maternidade, no trabalho, no relacionamento com os outros? Então você não está buscando a Deus, pois estas são prioridades materiais. Aquele que se liberta da matéria é aquele que tem como prioridade o seu relacionamento com Deus…
Para isso, este ser passa por cima exatamente daquilo que é prioritário para o materialista. Com isso, ele abandona a matéria.
Quando você decretar que sua vida está uma droga, mas no coração tiver a certeza que é filho de Deus e por isso mantiver-se em paz, por isso, terá priorizado Deus na sua vida. Agora, o seu coração vibrar com a razão que decreta racionalmente que sua vida é muito boa e feliz, que você tem tudo o que quer, que se dá muito bem com as pessoas e por isso se sente amado por Deus, estará priorizando o mundo material.
Lembrei-me agora de uma coisa que já disse há alguns anos para umas pessoas… Nunca mais voltei a falar nisso, mas agora me lembrei disso e acho que se encaixa perfeitamente no que estou dizendo.
Perguntaram-me como fazer o que eu ensino e eu disse: zelando pela sua elevação espiritual. Zelando pela sua relação com Deus, como se zela pelas suas coisas materiais.
Sabe, vocês são zelosos no seu trato com as pessoas que aparecem nas suas vidas, no trato com os seus familiares, no trato com o seu emprego, mas não têm zelo pela sua relação com Deus. Por qualquer dez mil réis esquecem Deus, ou seja, perdem a paz, a harmonia e a felicidade. Por qualquer afago ilusório ao seu ego, vocês se esquecem de Deus, ou seja, perdem a equanimidade…
Portanto, como se abandona matéria? Alterando as prioridades da vida e zelando por esta nova prioridade. Se você não zelar por isso, não consegue.
Participante: O que é zelar?
Tomar cuidado com uma relação. No caso do buscador, com a sua relação com Deus.
Para aqueles que querem aproximar-se do Pai, Deus tem que ser mais importante para você, por exemplo, do que o medo da barata. Já que você tem que tomar cuidado na sua relação com Deus, precisa manter o seu coração em paz mesmo que uma barata esteja na sua frente.
Tome cuidado na sua relação com Deus quando acontece o que você quer ou não: é assim que se volta a ter a consciência de já estar com Ele…
Participante: Eu de minha parte ainda acho muito difícil distinguir o que é pensamento e o que é sentimento. Para nós seres humanos isso ainda é muito complexo…
Eu sei, mas racionalmente você jamais saberá distinguir. Sendo assim – e isso precisa ficar claro – ouça apenas: libertar-se da matéria é zelar pela sua felicidade mesmo quando o mundo a ataque. Quando para você o seu relacionamento com Deus for a coisa mais importante da sua vida, estará buscando a Deus, priorizando a elevação espiritual.
Deixe-me agora fazer uma pergunta: vocês entenderam o recado que tentei passar quando respondi sobre a transcomunicação?
Tem muita gente acendendo vela para o diabo dizendo que está cedendo para Deus. Tem muita gente vivendo materialidade dizendo que está servindo a Deus…
Um grande exemplo é exatamente disso é o que falei: quando se vibra com a perspectiva da ciência comprovar a espiritualidade e se diz que isto é muito bom para elevação espiritual. Desculpe: isto é apenas prisão a ciência material.
Participante: Somente para exemplificar sobre o tema. Suponhamos que percebi logo após conversar com uma pessoa que não fiquei em paz naquele momento. Neste tipo de situação a falta de paz se dá porque motivos espirituais ou é a ação é de Deus? Porque não me encontrava equânime no meu coração ou é simplesmente a ação do ego?
Porque o seu coração tem intenções. É ato de Deus, mas o coração vivencia intencionalidade durante as ações de Deus.
Veja, o coração que não fica em paz quando está convivendo com a criação ilusória de estar conversando com outra pessoa é porque tem intenções diferentes daquilo que ouviu, daquilo que sentiu. O coração, por exemplo, que não fique em paz quando ouve algo diferente do que ele acredita tem a intenção de mostrar o quanto ele é sábio, o quanto sabe. Isso porque ele vivencia a criação do ego que diz que aquele outro ser está ameaçando as verdades possuídas…
Você pode me dizer: mas isso é razão pura… Sim, mas tudo que a razão cria é acompanhada por um sentimento no coração daquele que está aprisionado à realidade do ego como Real.
Na verdade, esta criação não é um sentimento do coração, mas uma intencionalidade que o espírito vivencia como real. Quando dizemos que o coração está vibrando de acordo com a razão, está se falando de ilusões, pois o coração jamais vibra de forma diferente. Por isso afirmo que se imaginar vibrando dentro de um determinado padrão demonstra apenas uma intencionalidade, elemento que é ilusório…
Como já disse, o espírito está só amando, mas acredita que está defendendo suas idéias. Então ele ama, mas vive a ilusão de estar querendo defender suas idéias. Isto é a intenção do espírito que estou falando agora…
Como já disse é difícil falar sobre isso porque tenho que colocar em palavras e quando faço isso vocês pensam que estou me referindo a razões, mas falo de sentimentos.
Participante: Como podemos eliminar nossas intenções? Às vezes percebo que não consigo mudar e isso me deixa triste…
Você está se referia da intenção do coração? Esta você não muda, ela se muda de acordo com a ação do espírito… Você está falando com relação à intenção da razão? Esta não se muda, você se liberta.
Veja, o que você precisa é libertar o seu coração da razão e não mudar a razão. Krishna fala: cada um age de acordo com a sua natureza e cada natureza tem uma intencionalidade.
Sendo assim, não dá para você mudar a intencionalidade racional com que vive. O que pode fazer é libertar-se da intencionalidade, ou seja, a razão está com uma intenção, mas o seu coração não ter intenções.
Não é ter intenções é diferente de eliminar as intenções.
Participante: Posso confiar no coração como bússola para este meu caminhar?
Só pode… Só pode confiar no seu coração, mas tem um detalhe: não pode confiar na razão que diz do que o coração está sentindo…
Olha a diferença: confiar no coração é confiar em nada, porque o coração não chega à razão e por isso o que ele sente não é consciente para você. Quando o coração, ou seja, a vibração sentimental chega à razão, na verdade não chegou, mas a razão criou uma razão para o coração.
Então, não confie em nada. Não confie você, em Deus, em mim ou em ninguém. Desconfie sempre, porque quem confia em alguém, mesmo que seja em si mesmo, irá se decepcionar um dia.
Saiba de uma coisa: a vida é feita de vicissitudes, ou seja, de alternância de situações. Já a confiança é formada a partir da convicção de que aquela pessoa sempre agirá de uma única forma.
Por isso, quando você cria uma confiança em alguém ou em algo, elimina a possibilidade de alternância daquela situação. Mas isto não pode ser eliminado, porque esta alternância com certeza irá acontecer.
Por isso não crie confiança em nada: esteja vinte e quatro horas por dia atento… Atento a que? A não se deixar prender ao que a razão diz.
Participante: Como seria uma pessoa liberta de suas razões? É possível ser assim encarnado?
Uma pessoa liberta das suas razões é racional e externamente igual a você é. Ele é igual você. Por que digo isso? Porque a diferença é que ela estaria liberta no coração, mas você não vê o coração de ninguém, não é mesmo?
Ela tem pensamentos (razões) que falam de ódio, de dor, de ciúmes e de prazer. Ela tem tudo isso, mas se liberta destas coisas no coração. Este coração, no entanto, você não vê…
Mas, veja, se você quer conhecer externamente uma pessoa liberta, ouça o que diz Krishna: ela tem cara de bobo…
Participante: Quando há uma forma mental percebida, qual a melhor maneira de lidar com esta situação?
Não prender seu coração a ela. Sua razão diz que você está aqui ouvindo isso, não acredite nisso. Sua razão diz que você é homem, brasileiros, um trabalhador: não prenda seu coração a estas verdades…
Não acredite sentimentalmente em nada que lhe venha a razão. Não empenhe seu coração com verdades geradas pelo ego.
Participante: Quando somos muito cobrados, temos que voltar de vez em quando aqui para ser reabastecer. Quando eu sinto isso, apareço por aqui…
Só vou mudar algo que você que você só se falou: ninguém lhe cobra nada…
Na verdade você cria a idéia de estar sendo cobrado, mas não está… Lembre-se que toda a realidade racional, ou seja, consciente, que você tem é uma criação do seu próprio ego.
Sendo assim, ninguém lhe cobra nada. Na verdade, o ego está criando a idéia de ser cobrado para também justificar racionalmente a necessidade de estar aqui e justificar, também a sua presença aqui.
Agora, tudo isso acontece apenas no mundo da razão, no mundo a ilusão. Na Realidade você não está aqui nem em nenhum lugar…
Portanto, imaginando que está, esteja. Mas se não imaginar, não esteja…
Participante: Quando falo em muito cobrado é porque sinto que a dificuldade da prova é muito maior, mesmo sabendo a resposta…
Você sente que a dificuldade da prova é maior, mas este sentir é racional. Você vê a dificuldade, compreende as dificuldades, mas quando faz isso não há prova difícil, mas compreensão de dificuldade da prova.
Por isso disse que o ego é que cria a cobrança e não que os outros que lhe cobram. Como outros, eu não falo só das pessoas com quem convive, mas de Deus, dos espíritos, de qualquer coisa.
Na verdade a dificuldade da prova não está na prova, mas sim na informação que o ego lhe dá dizendo que ela é difícil.
Participante: Quando o nosso coração fica pesado de emoções é porque permitimos ou isso também é dado por Deus?
O coração só fica pesado de sentimentos se ele se apega à realidade racional que é pesada. O peso que você tem consciência de ter vem das obrigações e responsabilidades que a razão cria.
Quando o coração se apega a isso ele fica pesado. Agora, quando ele se liberta disso, a razão é pesada, mas o coração é leve.
Participante: O senhor poderia falar sobre o tema que finalizou a semana passada: a humanidade não presta.
Primeiro, vamos colocar esta citação dentro de um conteúdo, para não a generalizarmos. Eu disse que o humanismo, não as pessoas humanas, não presta para quem busca a Deus.
Foi isso que quis dizer, mas que não sou eu só quem digo. Cristo, Paulo e todos os mestres disseram: não se podem servir dois senhores ao mesmo tempo, senão você serve a um e desagrada outro.
Não se pode servir a humanidade e ao mesmo tempo querer servir a Deus. Não se pode ser um ser humano e querer aproximar-se de Deus ao mesmo tempo. Foi isso que disse.
Realmente, o humanismo não serve para quem quer buscar a Deus. Agora, para quem não quer buscar a Deus, o humanismo é ótimo.
Sabe, outro dia estava falando sobre a elevação espiritual e uma pessoa me disse: mas, ninguém é obrigado a fazer elevação espiritual… Eu disse: concordo com você plenamente.
Ninguém é obrigado a realizar espiritualmente, ninguém é obrigado a optar pelo bem sempre. Isso é ponto pacífico, senão o livre-arbítrio do espírito (escolher entre o bem ou mal) não existe.
Isto disse naquele momento, mas para vocês que estão aqui hoje, tenho que dizer que o humanismo não serve para vocês. Por que? Porque a platéia que está aqui hoje é composta por pessoas que se dizem buscadores de Deus. Se estivesse falando para cientistas espirituais, ou seja, para aqueles que estão buscando Deus através da matéria, não falaria isso.
Sendo assim, aqui e agora digo que o humanismo, não é a humanidade como pessoas, não presta para aquele que está buscando a Deus. Isto porque o humanismo se fundamentada no egoísmo, na busca da satisfação pessoal acima de qualquer coisa.
Além do mais, o humanismo se baseia no aqui agora humano e não leva em consideração a existência eterna do espírito, ou seja, não compreende que os acontecimentos de agora são provas e expiações para uma vida eterna e busca o prazer agora.
São por estes motivos que afirmo que o humanismo não presta para quem quer Deus. Agora para que não quer, ele é ótimo.
Compreendeu?
Participante: Entendi o conteúdo e adorei ver o senhor usando a espada…
Eu não vim trazer a paz, mas a espada… Ajo assim porque sou seguidor de Cristo.
Participante: Porque sofremos quando perdemos alguém que estamos apaixonados?
Porque somos seres humanos, porque queremos possuir.
Veja você falou por que “sofremos quando perdemos”. Perdeu por que? A pessoa morreu? Mas, não existe morte… A pessoa foi embora? Mas, não existe distância e por isso não há ir embora…
Veja, você sofreu, na verdade, por ter perdido o contato físico com esta pessoa. Acontece que só precisamos do contato físico quando imaginamos que as pessoas são o físico que percebemos… Quando deixamos de percebê-lo, criamos, então, a sensação de ausência e com isso a de ilusão…
Mas, só quem vive assim é o ego humanizado e o espírito que acredita nesta ilusão criada pelo ego. Por isso lhe respondi que você sofre porque é o humano, porque quer viver humanamente. Só estar assim é que você imagina que precisa do contato material para acreditar que é feliz. Na verdade, é o ego lhe diz que a sua felicidade depende do contato material com determinadas pessoas…
Deixe-me dizer algo que eu acho muito engraçado… Vocês dizem que amam profundamente uma pessoa ou um objeto, mas daqui esta pessoa ou objeto age de uma forma que você não gosta e, neste momento, acredita que acabou o amor. Amor não acaba…
Sendo assim, você na verdade nunca amou… Você estava preso ao prazer, ou seja, estava bem porque aquela pessoa satisfazia as suas expectativas. Isso fica bem claro, porque a mesma pessoa que diz amar não mais satisfaz, o amor acaba e você é o primeiro a acabar com a relação amorosa sem sofrimentos…
Veja bem: se você ama de verdade e a pessoa amada vai embora, você não perde a felicidade porque ainda têm o mesmo amor que tinha para viver e que lhe fazia feliz. Compreenda que amar é sentir-se feliz com amor que tem e não com a pessoa que é objeto do amor. Amar é amar e esta ação não precisa de nenhum instrumento para existir…
Além do mais, lembre-se: não existe o outro, não existe a presença física, mas sim um sentimento que está dentro de você. Porque todo este sofrimento se ele continua lá dentro?
Saiba: aquele que zela pela sua espiritualidade compreende que é muito mais e importante estar feliz do que estar com alguém…
Participante: Buda falou que precisamos atingir uma consciência correta, uma fala correta, um coração correto. Poderia falar sobre isso?
Posso, pois nós já estudamos o “Nobre Caminho Óctuplo”, ensinamento no qual Buda fala de uma série de coisas corretas. No entanto, antes de entrar no mérito do ensinamento, preciso falar uma coisa…
O correto que Buda cita possui a mesma conotação do humanismo que acabei de abordar… Para o mestre, correto não é “certo”, mas o melhor a ser feito para quem tem determinado objetivo…
“Certo” não admite erros, não admite controvérsias: tem que ser igual para todos. Correto é aquilo que é melhor para você. Quando Buda falou sobre determinados aspectos no Nobre Caminho Óctuplo como sendo o correto, ele não quis dizer que era o certo, mas o melhor para aquele que quer alcançar a iluminação.
Ele não falou em “certo”, ou seja, ele não diz que só isso pode ser feito. Ele diz que isso é o caminho para a iluminação, é o caminho que leva a Deus.
Esta primeira compreensão necessária sobre o tema: o caminho búdico, ou seja, as “Quatro Nobres Verdades” e o “Nobre Caminho Óctuplo” falam de procedimentos corretos para quem quer ser um Buda. Mas, isso não quer dizer ele tenha dito que eles são “certos”.
Neste ensinamento ele fala que é preciso ter uma “consciência correta”. O que é uma “consciência correta”? Vamos entender isso…
Este é um mundo espiritual humanizado… Este não é um mundo humano que convive com um mundo espiritual como a doutrina espírita humana fala. Este é um mundo espiritual humanizado.
Mas, se ele é um mundo espiritual, tem que ser compreendido e vivenciado a partir de verdades espirituais e não materiais. O que seria viver neste mundo a partir de verdades espirituais? Por exemplo, deixar de acreditar nascimento.
Bolas, que espíritas são esses, que conhecem o fato da encarnação, que conhecem a realidade que diz que apesar de humanizarem-se não deixam de ser espíritos, mas que ainda acreditam no nascimento do a partir do corpo físico? Nascimento é começo, início, mas não de uma existência humana, mas sim de uma encarnação. Sendo assim, a “compreensão correta” deveria nos dizer que estamos encarnados, mas vocês ainda acreditam que são seres humanizados que nasceram na maternidade…
Outra “compreensão correta” que grita aos nossos olhos somente a partir da constatação da existência do espírito ou alma: você não está vivo; está encarnado… Estar encarnado é completamente diferente de estar vivo.
Quem está encarnado vai a O Livro dos Espíritos e lê os objetivo da encarnação e a partir deles cria os valores para esta existência. Com isso, para de viver uma vida como humano e vivencia os objetivos ali descritos.
Pergunto ainda aos espíritas: se não existe vida nem nascimento, quem é seu pai e sua mãe? Quem são seus irmãos? Voltamos a um ensinamento crístico que não teve, também, uma “compreensão correta”…
Entender a “compreensão correta” é compreender que é preciso se ir moldando valores com é o respeito ao que você vivencia no dia a dia. Mas, para fazer isso, diz o Buda, é preciso ter uma “atenção plena correta”.
Vocês não têm uma “atenção plena correta”. Estão sempre focados externamente, ao invés de estarem atentos às razões que estão criando verdades e realidades. Por não prestarem atenção às formações mentais, vocês ficam presos a elas e acreditam no que ela diz…
Mas, para ser uma “atenção plena correta”, ensina mais Sidarta Gautama, é preciso ter uma “concentração correta”. Que concentração é esta? Para aqueles que querem transformar a ilusória existência carnal em uma oportunidade de voltar à sua consciência primária, este deve ser o seu foco principal…
No entanto, mesmo aqueles que se dizem buscadores estão concentrados em fazer o papel de ser humano bonito. Concentram-se em realizar-se dentro dos papéis que vivenciam durante a existência (ser um bom pai / mãe, ser um bom profissional, ser limpo). Esta é uma concentração não correta para aqueles que afirmam querer elevar-se espiritualmente, estar com Deus.
Este o “Nobre Caminho Óctuplo”. Estas três atitudes (compreensão, atenção plena e concentração correta), ainda segundo o Buda, leva uma fala correta, a uma ação correta, a um meio de vida correto. Não que elas mudem as ações criadas por deus, mas altera a compreensão da ação. Aplicando estes princípios, você não estará mais conversando com uma outra pessoa, apesar deste fato continuar acontecendo, mas vivendo uma ação carmatica e convivendo como um instrumento desta ação.
Comece pela compreensão correta para viver todo caminho ensinado por Buda, apesar dele se circular. Comece pela compreensão e depois de percorrê-lo por completo, volte à compreensão e compreenda tudo de novo. Aliás, é o que estamos fazendo há oito anos…
Mas, aproveitando a sua pergunta, afirmo que neste ensinamento está tudo o que precisamos entender a respeito da elevação espiritual: sem uma compreensão espiritualista da vida, não há elevação espiritual, não há busca espiritual. Aliás, hoje falamos quase que o tempo inteiro sobre isso: matéria versos espírito, materialismo versos espiritualista.
Como ensinou Cristo, depois que cresce, é preciso separar o joio do trigo e acho que o de vocês já está bem grande, pois vocês já estão há muito tempo nesta vida, nesta busca da elevação espiritual. A separação ensinada pelo mestre nazareno consiste justamente nisso que acabamos de falar: separar o que é material do que é espiritual e com isso mudar a compreensão da vida.
Não foi à toa que Cristo disse assim através do Evangelho Apócrifo de Tomé: quando você vir alguém que se saiba que não é nascido de homem de mulher, saiba que este é um mestre.
Porque ele falou assim? Porque este teve uma “compreensão correta” sobre si mesmo… Ele não se vê mais como humano, não preza mais a sua humanidade, mas sim a sua espiritualidade.
Participante: Porque nas casas de auxílio espiritual os encarnados, embora se encontrem muitos que já se emanciparam a da experiência humana, ainda continua se esclarecendo através das verdades ilusórias. É porque eles mesmos não estão afinados com estas verdades ou porque não havia outra maneira de auxiliar os necessitados que, por hora, compreendem desta forma?
É porque as casas espirituais não são casas espirituais, mais carma…
Uma religião que diga que acredita em Cristo, não é uma religião que acredita em Cristo, mas um carma para ver se você vai idolatrar a Cristo ou se vai amar a Deus acima da idolatria proposta… Uma casa espírita não é uma casa de Deus, mas uma casa espírita.
Mas, elas não estão erradas de serem assim: elas são carmas para ver se você acompanha os ensinamentos de Cristo que dizem que devemos que amar ao Pai e não a ele.
Cristo sempre se colocou como uma segunda pessoa com relação ao Pai… Ele e o Pai não são a mesma coisa, o mesmo espírito… Portanto, as religiões que se dizem seguidores de Cristo não deveriam incitar a idolatria ao mestre nazareno.
No entanto, quando agem desta forma, elas não estão “erradas”. Isso porque elas não são “certas” nem “erradas”, mas elementos carmaticos.
Não podem ser consideradas como “certas” ou “erradas”, até porque, como elementos carmaticos que são, não existem… Se não existem, como podem ser consideradas “certas” ou “erradas”?
Elas, na verdade, são Perfeitas, porque servem há quem vá lá, ou seja, tornam-se instrumentos carmaticos de diversos espíritos, e a você, lhe dando uma oportunidade para escolher entre o individualismo (acreditar que elas estão “erradas” ou que são inadequadas com a realidade e com isso vibrar na crítica que o ego construirá) ou se permanecerá ligado a Deus.
Veja, não estou falando especificamente de você, mas daqueles que criticam as religiões dizendo que uma determinada é atrasada porque não acredito em reencarnação, que a outra é idolatra porque louva imagens, etc.
Participante: As vicissitudes do mundo interno, ou seja, quando estamos brigando internamente conosco ou com alguém, são sinais de fraqueza?
É sinal de carma…
Você está falando de vicissitude interna racional. (saber que existe através de uma razão), então é carma para ver se você se prende as brigas ou a lutar contra elas querendo vencer este atitude ou se apenas constata que está brigando. Tudo que lhe vem à razão, ou seja, tudo que lhe é consciente é um carma para ver se você prende com seu coração aquilo ou vive solto daquilo.
Participante: Desculpe, mas estou inconformado com o que o senhor falou a respeito das religiões, pois nos ensinou que elas fazem parte de um caminho. Como posso chegar para uma pessoa evangélica que nem sabe ler e escrever e dizer que ela nem existe? As religiões que o senhor falou falam de outra forma, ou seja, de uma forma que as pessoas entendam… Então, você não acha que estas casas não são caminhos?
Pois então, um carma: foi o que disse. O que é um caminho? Um direcionamento para se chegar a Deus… Como se caminha? É através da vivência dos carmas que se percorre o caminho.
Portanto, se elas lhe levam a se aproximar e são caminhos, elas são instrumentos do carma, do caminhar. Não foi isso que disse?
Agora, quanto a pessoa analfabeta não entender que ela é um ego, isso eu concordo com você. Mas com certeza compreende que deve amar a Deus sobre todas as coisas, inclusive acima da religião, do marido e dos filhos.
Não precisa se falar de ego para alcançar a evolução espiritual. Segundo Cristo não é preciso se ter cultura para se chegar a Deus, mas sim amar… Sendo assim, uma religião, principalmente cristã, que lhe diga que tem que saber alguma coisa é um carma…
Repare: uma religião forte de cultura e sabedoria é um carma, porque lhe prende a materialidade, ao conhecimento. Isto porque, como acabei de dizer, é por causa do suposto saber de cada religião que o ego cria a crítica a outras religiões.
Aqueles que se tornam religiosos de religiões que fomentam o saber para chegar a Deus ao invés do amor, possuem egos que vangloriam da sua religião. Apesar de constara isso, não digo que estas religiões são “erradas”, mas instrumentos carmaticos…
Na verdade, a religião é um carma para ensinar as pessoas o que eu falo. Mas, para você repassar o que falo para pessoas que não estão afetas aos nossos encontros, você não precisa a repetir as minhas palavras.
Em uma palestra recente, falei de cinco a seis horas sobre conhecimentos, cultura, sobre elementos espirituais desconhecidos daquela platéia. Mas, no final, como sempre, disse: esqueçam tudo que eu disse e preocupem-se apenas em amar a Deus. Disse mais: não há como se fazer isso a não ser amando a tudo como se fosse o próprio Deus, já que tudo é ação de Deus…
A partir disso posso afirmar que mesmo uma pessoa que não sabia ler pode receber o meu ensinamento. Para falar deles, não é preciso ensinar sobre egos… Aliás, quando se ensina a ego, cria-se uma nova prova, porque quem está ouvindo criará um novo saber…
O que preciso é falar do amor: isso não cria sabedoria alguma…
Por isso disse que as casas ditas como de auxílio aos encarnados não são “certas” nem “erradas”, ,mas instrumentos carmaticos. Ou seja, existem para ver se você se prende a uma cultura ou se ama Deus acima de todas coisas…
Participante: Como diferenciar consciência espiritual da razão do ego?
Não tem como diferenciar…
Isso porque tudo o que lhe é consciente é razão, é ego. O que pertence à consciência do espírito o ego não tem como lhe trazer ao consciente. O ego não possui elementos para decodificar (transformar em consciente) coisa alguma que espírito tenha sentido.
Então, tudo é razão. Toda criação racional é ilusão como, aliás, Krishna ensina isso: tudo que lhe vem à mente é maya, é ilusão.
Participante: Estou vindo aqui a primeira vez… Sinto-me perdida com tantas informações… Isto é normal?
Sim. Veja, sempre que o vento bate sobre a areia, ele a espalha para todo lado e muito desta areia fica no ar. É preciso esperar o vento passar e a areia assentar para poder ver como as coisas ficam…
Este se sentir perdido a que você se refere, acontece porque aqui puxamos o “chão” que está debaixo dos pés de cada um, ou seja, aquilo no qual vocês sustentam a vida. Mas, fazemos isso de propósito porque o que se você vive como humano, ou seja, vive preso a um chão humano, jamais conseguirá chegar às nuvens.
Participante: Há algumas semanas atrás você falou em dois lados da moeda. Esta moeda se chama vida?
Esta moeda se chama a ilusão da vida. Ter dois lados é um dualismo e tudo que é dual é ilusório. Existe, na realidade, uma vida de um único lado que a ilusão transforma em dois.
Aliás, a ilusão não transforma somente em dois, porque ela não transforma simplesmente em “bom” e “mal”, mas cria também o “quase bom”, “pode ser que fique melhor”, “ótimo”… Portanto, a ilusão não é dual, mas múltipla, enquanto que a Realidade é a Uma, Única e estável.
Participante: Como podemos nos desapegar das coisas mundanas?
Eu sei que você é nova em nosso grupo, por isso vou lhe dizer: a resposta que lhe darei é uma resposta típica de Joaquim e não uma chacota… Como pode se desapegar das coisas mundanas? Desapegando-se…
Não há outro jeito… Não há fórmulas científicas que levem a desapegar-se a não ser o próprio desapego.
Mas, o que é desapegar-se das coisas mundanas? É não dar a elas o valor que têm hoje para você. É só isso…
Desapegar-se é alterar o valor que, a importância, o selo que tem hoje por estas coisas. Quando para você a importância e o zelo que existe hoje por alguma coisa mundana, se desapegou dela…
Digo isto porque o apego está justamente na importância e no zelo que se dá às coisas materiais…
Participante: Depois de ouvir você me dar alento, leio que o próprio Paulo se coloca como nós: em constante busca…
Sim, Paulo coloca que é necessário buscar sempre a Deus. Diz que o trabalho de busca a Deus é algo que não pode ser interrompido em momento nenhum…
Por que ele fala isso? Porque cada vez que você interrompe a sua busca Deus se prende a matéria.
Aliás, o que acabei de dizer me lembra um exemplo que dei há muito tempo atrás… Elevação espiritual é como de derrubar um prédio imenso, tijolo por tijolo tendo-se apenas um martelinho para bater. Além disso, é preciso estar constantemente batendo, porque quando não bate, assenta novos tijolos.
É isso que Paulo sabia e é isso que ele diz para vocês: Deus vinte e quatro horas por dia… Como dizem os evangélicos: é preciso tomar Deus na veia…
Agora, para finalizar esta conversa de hoje, deixe-me dizer uma coisa que acho que se encaixa muito bem com tudo que foi falado. Durante estes oito anos que tenho conversado com vocês acredito que devam ter percebido que tudo o que falei já estava escrito em algum ensinamento de algum mestre.
Posso dizer que todos os ensinamentos que falo não possuem conotação de novo para vocês. Mas, mesmo assim, vocês chocam se com muitas coisas que falo.
Por que isso? Porque não levaram o ensinamento que receberam para a vida, ou seja, não transformaram o valor das coisas que vivenciam a partir das verdades espirituais.
Foi o que falei agora pouco quando respondi sobre o “Nobre Caminho Óctuplo” de Buda. Falamos sobre “compreensão correta”, ou seja, que é preciso se pegar os ensinamentos dos mestres e a partir dele alterar os significados de elementos do mundo material.
No entanto, a humanidade pegou todos os suttas budistas, os textos védicos de Krishna, o Novo testamento, O Livro dos Espíritos, o Alcorão e transformou o conteúdo destes livros em palavras frias, em cultura, em ensinamentos decorados…Não, nenhum mestre veio trazer ensinamentos que precisem ser decorados… Aliás, todos foram unânimes em dizer que a letra fria mata.
Por isso afirmo que é preciso se pegar o ensinamento dos mestres e se colocar em prática. Esta prática existe quando a partir deles você buscar uma nova compreensão para tudo que hoje você tem como real.
É por isso que Cristo diz: o verdadeiro sábio é aquele que abre o seu baú de coisas velhas e tira coisas novas.
Sem isso, sem este trabalho de ir a vida e analisá-la a partir dos ensinamentos dos mestres, o que eles ensinaram vira letra fria.
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