Palestra 07


Antes que vocês me façam alguma pergunta, deixe-me falar uma coisa. Uma pessoa estava conversando comigo agora a pouco e disse que viu um filme onde o governo controlava as emoções e as pessoas eram obrigadas a não ter emoções. Esta pessoa me disse, então, que se este é o mundo que eu prego, ela quer isso para si. Mas, este não é o mundo que prego…

Na verdade, enquanto humanizado, você terá tudo de humano. Emoções, percepções e formações mentais estarão sempre presentes na sua consciência durante aquilo que vocês chama de encarnação. Não há como estar encarnado e não ter estas coisas…

O que eu prego não é você acabar com as emoções, mas sim se libertar delas. O que digo é que com o coração você deve chegar a ponto de dizer: estou feliz, estou, e daí? Estou triste, estou, e daí?

Claro que vocês não podem me ver, mas podem me ouvir e reparar que não há diferença de entonação na minha voz quando falo em tristeza ou felicidade…

A tristeza e a felicidade existirão sempre para você enquanto encarnado, mas não se deixar o seu coração se levar por elas: é isso que eu prego.

Participante: É não dar importância a elas?

Mais do que isso: é não deixar ela dominar seu coração.

Veja, emoção humana você sempre terá enquanto ligado ao ego humano; sentimento espiritual também, porque afinal de contas, você é um espírito: o que não pode fazer é deixar as duas soarem uníssonas…

Participante: O grau de amor, veneração e respeito a Deus é questão de sensibilidade?

Não, é questão de amar. O grau de amor e respeito a Deus depende do quanto se ama…

Deixe-me lhe dizer uma coisa interessante… Se o Universo é Uno, Único e Estável, não existem graus de amor. Existe o amar. Aliás, existe o amar e a ilusão de não estar amando, porque na verdade está sempre amando.

Então, diria, se você quer falar em graus de amor, que o grau de amor a Deus é medido de acordo com seu grau de não acreditar que está tendo raiva, desamor ou qualquer outra ilusão emocional que vivencia como real. Se você ama noventa por cento das ilusões que vivencia, diria, simbolicamente que ama a Deus apenas dez por cento…

Falei simbolicamente porque, na verdade, qualquer escala é uma ilusão. Sendo assim, a escala ou os seus níveis não existe dentro da Realidade…

Participante: O senhor pode falar sobre Krishnamurtti.

Um ego… Toda personalidade humana é um ego.

O ego Krishnamurtti tem para a ilusão planetária, como todos os outros, as funções descritas em O Livro dos Espíritos: servir de prova para um determinado espírito e cumprir a sua parte na obra geral. Ou seja, este ego serve a um espírito como provação por verdades, formações mentais, percepções e sensações e serve aos outros espíritos ligados a egos como provação. Serve a você como prova porque se vibrar seu coração na idolatria a Krishnamurtti, não chega a deus.

Então, qualquer personalidade humana ou humanizada – personalidade humana é o ser humano com carne; personalidades humanizadas são espíritos que vivenciam personalidades sem carnes como André Luiz, Emmanuel, Bezerra de Menezes – é sempre isso: prova para um espírito e instrumento para a obra geral de Deus.

Participante: Gostaria de saber se o caminho da paz tem que ser construído ao longo do tempo ou se ela está dentro de nós e temos somente que vivenciá-la?

Por favor, me diga: a que paz se refere… A paz planetária ou a paz interior? Fala da paz entre os homens ou você estar em paz?

Participante: Interior…

A paz interior é uma ilusão. Na realidade, a única coisa que o espírito tem consciência de ter é a sua capacidade de amar…

Na verdade, nenhum espírito vive paz, harmonia ou felicidade. No Universo que é Uno, Único e Estável, o espírito só pode ter uma coisa: o amor. Então, nele só existe amor.

Sendo assim, paz, felicidade e harmonias são ilusões que o espírito vivencia enquanto está amando… Estes elementos são sensações ilusórias que o espírito sente enquanto na sua consciência primária está apenas amando.

Agora, se você quiser saber sobre a paz planetária, eu digo que isso é impossível. Se houvesse paz eterna no planeta, não haveria vicissitudes…Se não houvesse vicissitudes, não haveria provações…

Não havendo mais provas, pergunto: para que encarnar? Não precisando encarnar, pergunto novamente: para que ter planeta?

Participante: É ilusão achar que destruir é mais fácil do que construir?

É claro que é, até porque é ilusão se acreditar que se pode construí ou destruir alguma coisa…Se o Universo é um Uno, Único e Estável, nele não pode ser destruído nada ou construído alguma coisa nova, senão ele perderia a estabilidade.

Nada pode ser destruído e nada pode ser construído… Portanto, é ilusão achar que é mais fácil destruir…

Participante: Se tudo que o humanizado percebe é um processo mental, como fica o papel dos sentimentos em tudo isso?

Você deve estar fazendo uma confusão entre sentimento e emoção ou sensação.

O sentimento é algo espiritual e sendo assim não é percebido pelo ego. Se ele é percebido pelo ego é uma ilusão; se não é, para você ele nem existe, porque só que é percebido é real para você.

Agora, se você fala sensações, de emoções, elas são elementos que se agregam ao espírito quando acontece a natividade. Quando você, espírito, começa a viver a vida humana, passa a conviver ilusoriamente com os “Cinco Agregados”: forma, sensações, formações mentais, memória e percepções. Tudo isso não é do espírito: são elementos que se agregam ao espírito quando acontece a natividade, segundo Buda.

Sendo assim, as emoções que você percebe são elementos da provação, elementos ilusórios que constroem a realidade ilusória que serve de provação ao espírito.

Participante: Posso viver sentimentos na carne, ou seja, posso viver alguma coisa do espírito enquanto encarnado?

A palavra “poder” que colocou em sua pergunta nos cria uma situação meio estranha. Isto porque, você só vive o que é do espírito. Você só vive sentimentos na Realidade. Então, você não pode: só fiz isso.

Agora, eu lhe perguntaria, você pode ter consciência do que vive na Realidade? Eu lhe respondo que não… Enquanto encarnado você não tem consciência de nada do espírito.

Respondendo-lhe, então, digo que você não pode viver o que é do espírito ou não: você só vive o que é do espírito. Mas, tenho que lhe dizer também que viver o que é do espírito é uma coisa, mas ter a consciência de estar vivendo o que é do espírito é outra…

Você não pode ter consciência de viver o que é do espírito porque o ego não tem elemento para lhe trazer esta Realidade. Por que isso? Porque o ego, por definição, é um criador de realidades ilusórias e não algo que traga ao consciente a Realidade.

Participante: Não existe paz, felicidade e não sabemos amar… Somos totalmente iludidos… O que resta como guia para o correto caminhar?

Vou usar uma frase humana chula. Perdoe-me por isso, mas acho que ela traduz perfeitamente a única coisa que você pode fazer: relaxar e gozar…

Só lhe resta isso… Você não pode construir o destruir, fazer ou deixar de fazer nada, então, assista o que é feito…

O que resta ao ser humanizado é assistir a pretensão de estar agindo que o ego cria. Mas, ele não age: ele transmite a ilusão de estar agindo. Na verdade Deus emana o acontecimento e o ego transmite a ilusão de você estar agindo.

Sendo assim, não he resta nada mesmo a fazer, mas nunca restou… O problema é que você vivia mais iludido que está hoje e por isso até hoje imaginou que agia…

A única coisa que você pode se sempre pode é fazer o que Krishna disse: repousar em Deus e assistir a sua vida…

Assistir a sua vida é sentar na frente da televisão e assistir as imagens que lhe são projetas. Na é imaginar-se capaz de interferir nelas, não querer determinar futuro, passado ou presente para os personagens… Isso é a única coisa que lhe resta fazer…

Foi por causa desta ausência de coisas a serem realizadas que Cristo disse: venha para mim que meu jugo é leve… No cristianismo não há nada a se fazer, a não amar a Deus sobre todas as coisas…

Mas, para amar a Deus acima de todas as coisas, o se pode fazer? Não fazer nada, pois tudo que você faz é fundamentado num apego e quando faz algo com apego está amando mais aquilo do que a Deus… Então não faça nada, assim estará amando a Deus…

Sabe o quem não ama a Deus acima de todas as coisas? Quem acredita que está proferindo palavras, quem acredita que tem coisa que precisem ser feitas de dia e a noite, quem acredita que tem que iro centro ou no templo para poder ligar-se a Ele, quem acredita que precisa fazer oração para falar com Ele…

Estes não amam a Deus, porque amam as suas convicções acima de qualquer coisa…

Participante: Então, enquanto encarnados, só vivemos espiritualmente na espiritualidade. Só nos basta desapegar das emoções que são como sentimentos distorcidos. É isso?

Sim, você só tem que se desapegar. Mas, uma coisa interessante: tem que se desapegar sem nenhuma ação de desapego.

Desapegar-se não é jogar fora, mas ter e não deixar isso mexer com você. Desapegar-se não é mudar as suas sensações, mas ter todas elas e não vibrar no êxtase do prazer ou na depressão da dor.

Sim, você só tem que se desapegar, mas este desapego também não é um trabalho que precisa ser feito. Este é o grande problema para vocês compreenderem o que falo, porque imaginam que para desapegarem-se imaginam que tenham que executar alguma ação.

Como me perguntaram agora a pouco, se não resta nada a fazer, quer dizer que seremos inertes? É isto que não os deixa compreender o que digo, pois o ego não aceita a idéia da inércia.

O ego quer construir, quer fazer, por isso lhe cria a obrigação de viver uma vida produtiva, com objetivos, quando a vida não tem nenhum objetivo a não ser assisti-la. O único objetivo da encarnação é você conseguir provar a você mesmo que é capaz de simplesmente assisti-la.

Este é o grande problema: não há nada a ser feito, mas o ego humanizado não suporta a idéia da inércia. Mas, ele não entende que para nada fazer é preciso trabalhar muito…

Participante: Simplesmente assistir a tudo não parece fatalismo?

Qual o problema de ser um fatalismo? Veja, porque o fatalismo é “errado”, “ruim”? Porque existe no seu ego uma verdade que afirma isso…

Você acredita que fatalismo é uma coisa “errada” ou “ruim”. Mas, para quem gosta do ócio, da preguiça – não estou falando de ninguém especificamente, mas fazendo um jogo de palavras para lhe responder – o fatalismo, a doutrina fatalista é “ótima”, porque assim ele pode ficar acomodado sem que ninguém lhe cobre ação…

Quem está “certo”: você ou ele? Chegando a uma conclusão lhe pergunto de novo? Por que este que você disse que estava “certo” pode ser considerado assim e não o outro? Apenas pela presunção de que aquilo é certo, ou seja, pelo fruto de um individualismo…

Já que o que você acha é apenas o que você acha e não uma Verdade Universal, volto a lhe perguntar: qual o problema de ser fatalismo? A vida ser assim só é problema para aqueles que querem agir. Para aqueles que querem ter a ilusão de agir, a ilusão de fazer alguma coisa, para esses o fatalismo é algo “errado”, “ruim”, não presta…

Sim, a vida humana é fatalista e isso está escrito em O Livro dos Espíritos com todas as letras…

851. Haverá fatalidade nos acontecimentos da vida, conforme ao sentido que se dá a este vocábulo? Quer dizer: todos os acontecimentos são predeterminados? E, neste caso, que vem a ser do livre arbítrio? A fatalidade existe unicamente pela escolha que o Espírito faz, ao encarnar, desta ou daquela prova para sofrer. Escolhendo-a, instituiu para si uma espécie de destino, que é a conseqüência mesma da posição em vem a achar-se colocado.

Veja bem… Segundo este ensinamento, a vida é fatalista, mas só é assim porque os acontecimentos que nela acontece são frutos da escolha do espírito, antes da encarnação. Estes acontecimentos precisam ser fatalistas, porque, como se lê no capítulo “Da escolha das provas “ deste mesmo livro, depois de encarnado, o espírito se prende a outra motivação é, por isso, não tem como mudar aquilo que pediu para provar.

No entanto, esta característica fatalista diz respeito apenas a atos e não a viver a vida. Ouça isso:

Continuação da resposta da pergunta 851.

Falo das provas físicas, pois pelo que toca às provas morais e às tentações, o Espírito, conservando o seu livre arbítrio quanto ao bem e ao mal, é sempre senhor de ceder ou resistir.

Os acontecimentos da vida (provas físicas) são presos ao fatalismo e, como já vimos, precisam ser, pois são frutos de uma motivação que o espírito que se encarna não tem mais. Mas, viver a vida não é uma atitude fatalista, pois você pode vivenciá-la ligado ao bem (vivendo a felicidade que Deus tem prometido aos seus filhos) ou ao “mal” (às concepções egoístas que o ego cria e que lhe prendem ao binômio prazer e dor).

Portanto, não sou eu que sou fatalista, mas a própria doutrina espírita dos espíritos, apesar dos humanos não assim a entenderem, é.

Participante: Um trauma que o espírito encarnado possa carrega em si como aquele de sentir medo, raiva ou frustrações aconteceu porque o espírito em alguma de suas experiências agarrou-se a estas sensações? Como vivenciar esta situação?

O espírito não tem vive traumas. O espírito está no Universo amando…Quem carrega em si, ou seja, quem acredita que existe um trauma é o ego e não o espírito.

Quem tem o trauma é o ego e não o espírito. Mas, por que o ego tem um determinado trauma? Por que ele acredita em uma determinada coisa? Porque Deus emana através dele esta crença.

Sendo assim, o ego não também não tem traumas, mas vivencia uma emanação de Deus à qual é dado valor de trauma. Uma coisa é diferente da outra…

Mas, por que deus emana este valor? Porque isso está preso ao gênero de provação que o espírito pediu antes da encarnação.

Então, está aí a sua resposta: a vivência pelo ego de emanações que possuem o valor de trauma é um elemento componente da prova que o espírito pediu para passar.

Isto precisa ser compreendido… Agora, querer saber se é porque se apegou ou não a alguma coisa nesta ou em outras encarnações, isto é apenas busca de cultura que não o levará a lugar nenhum.

Participante: Compreensão é um processo mental ou sentimental?

É um processo mental ilusório, que não existe. O ego não compreende: Deus dá a uma emanação sua um valor que o ego chama de compreensão.

Mas, aproveitando que estamos falando de traumas e de valores que Deus dá às suas emanações, deixe-me dizer algo. Para falar sobre isso lhes pergunto: o espírito tem carma? Não, o espírito não tem carma: ele vivencia emanações de Deus às quais o Senhor dá o valor de carma. Uma coisa é bem diferente da outra…

Mas, onde ocorre a vivência do carma? No ego. Então, o espírito não tem carma e nem vivencia carmas… Sabe, estar me ouvindo agora é um carma, mas quem está me ouvindo é o ego. O espírito está amando.

Estão mesmo esta história de carma, traumas ou qualquer outro valor que se dá a uma emanação de Deus não deve ser levada a sério, não deve gerar preocupações. A busca da compreensão destes valores é muito boa para os seres humanizados que estão no início do pré-primário da religiosidade da Terra. É lá que temos que estudar carma ou ação reação.

Quando chegamos ao final de uma temporada de estudos – e isso acontece sempre no monismo, seja porque mestre for o estudo que se realiza – preocupar-se com estas coisas é buscar cultura. Isto porque o espírito não pode ter ação como já vimos: como então estar submetido a uma reação? O espírito só ama, como pode, então, estar sujeito à reações variadas?

Não se preocupem com estas coisas… Ouçam o estou dizendo: assistam suas vidas sem acreditar nos valores que o ego dá a ela. Ou seja, sem se preocupar se tal ou qual coisa é um carma ou um trauma o oriundo de vidas passadas…

Esqueçam tudo isso… Assistam a vida: “ele está levando um tapa na cara”. Este ele ao qual me refiro é você mesmo…

Assista você levar um tapa na cara, se isso acontecer, mas não se preocupe em querer saber porque ou como isto aconteceu.

Participante: Um guru dizia que viver é fácil: é só ficar quieto…

Grande comentário. Apesar disso ser um conhecimento da humanidade, repare nas perguntas. Em todas elas está presente uma ânsia de fazer e uma busca de realizar.

Com esta minha constatação não estou dizendo que esta postura é “errada”; não estou dizendo que vocês são atrasados: não é isso que quero dizer. Quero apenas que vocês reparem que existe por trás das perguntas formuladas pelo ego esta ânsia e que você, espírito, está vibrando dentro desta ansiedade acreditando que isso lhe pertence…

Participante: Isso foi para mim: a ânsia de fazer acontecer…

Isto foi para você ego, não para o espírito. Mas não é só para você especificamente, mas para todo o ser humanizado.

A ânsia de realização é comum no ego humano, pois é um instrumento da prova do Mundo de Provas e Expiações. Isto porque esta ânsia é um subproduto da possessão, da posse.

O ego está dotado da ânsia de realizar porque possui a lógica que diz que fazer leva a possuir o que se faz. Portanto, ele possui em si esta ânsia para gerar a ilusão de querer ter.

Participante: O valor que o humano dá às suas percepções está diretamente ligado à parte da consciência que tem essa herança espiritual?

Se você está se referido a humanizado como um ser humano, ou seja, um ego, ele não tem nada. O ego é um programa que cria realidades virtuais. Sendo assim, ele não dentro de si nada: a cada momento ele cria a realidade que está vivendo, mesmo que a esta seja dada o valor de lembrança.

Se está se referindo ao espírito ligado ao ego, sim: ego é herança das vivências espirituais do espírito. Por que? Porque ele é o representante do gênero de provas pedidas por esse espírito e que está vinculado a conquistas ainda não realizadas…

Participante: Quando os mestres ensinam a manter a mente concentrada, reta, é pegadinha do ego?

Deixe-me dizer uma coisa que às vezes nossos egos não percebem…

Se você estudar os livros védicos, mais precisamente o Bhagavad Gita e o Bhagavata Puranas, que compõem os ensinamentos de Krishna, encontrará logo no primeiro ou segundo capítulo a seguinte informação: tudo que lhe vem à mente é maya, ilusão. A partir deste momento, se pensarmos que o controle da mente é feito pela própria mente, teremos que dizer que dizer que ele só ocorrerá dentro do mundo fantasmagórico criado pela ação inescrutável de maya… Mas, apesar disso, Krishna passa vários capítulos outros capítulos nestes mesmos livros ensinando a dominar a mente.

Parece incongruência? Parece… Parece falsidade? Parece. Mas não é: é caminho.

A idéia de que você pode dominar a mente e que fazer isso não seria uma ilusão, é o caminho ensinado por um mestre. Um caminho que você, durante determinado momento da sua existência, pode até encaminhá-lo, sem a consciência de que é Deus que está criando as sugestões de controle da mente e não você que está conseguindo realizar isso.

Agora, quando você recebe de Deus a oportunidade de ouvir ensinamentos monista – não estou falando apenas dos que passo, mas de todos os mestres que abordam o tema – que lhe levam a mais fiel compreensão do que o mestre quis dizer, deve começar, então, a dizer: está certo… Krishna diz que eu devo controlar a mente, mais se controlar, controlei; se não controlar, não controlei… Vibrando sentimentalmente dentro desta apatia com relação ao controle da mente, você começa a ser desprogramar do que foi programado na programação.

Sabe, volto s repetir um exemplo que para nós é clássico. Fizemos todo um trabalho a partir de estudos dos ensinamentos de Buda. No final dissemos: não se podem ter conceitos. Um mês depois fui obrigado a chamar todo mundo e disser: vocês estão criando o conceito de não ter conceito.

Isso é normal para o ego humanizado… É preciso que ele crie o conceito de não ter conceito para depois se libertar deste novo paradigma…

Sendo assim, eu não diria que o ensinamento que afirma que você deve controlar sua mente é uma pegadinha do ego, mas uma etapa das provações às quais você, espírito, está exposto.

Participante: Há cerca de vinte anos foi psicografado um conjunto de mensagens falando da importância de Portugal nestes tempos conturbados que se aproximam. Uma das mensagens seria do espírito da rainha Santa Isabel que informava que Portugal seria o local onde se ia dar o anúncio formal ao mundo da vinda do Cristo com toda uma hoste de anjos e servidores. Também se disse que de Portugal partiriam palavras de alegria e esperança para manter a felicidade humanidade nestes tempos perturbadores de problemas sociais e epidemias. Recentemente tivemos outras psicografias, supostamente também de Santa Isabel, apresentando-se como Yasmim, que resumidamente dizia que vinha trazer a informação da chegada de um novo portal de energia ao planeta. Depois disso nada mais será como antes. Comente isso, por favor.

São palavras bonitas, mas tenho alguns comentários a fazer…

Tem uma coisa que acho muito engraçada nas comunicações espirituais que os egos humanos vivenciam… Olhe O Livro dos Espíritos, os livros de mensagens espíritas, os livros da chamada literatura espírita e mesmo as músicas e pinturas mediúnicas e repare que não encontrará nenhuma mensagem do mendigo que ficava na porta do palácio…

Porque isso? Quem viveu como mendigo é porque se tratava de um espírito do “mal”? Repare: você não vai encontrar nenhuma mensagem de alguém que foi um ladrão durante uma existência carnal. Apenas encontrará mensagens de pessoas que viveram uma encarnação onde foram considerados santos ou sábios… Acho que tem alguma coisa neste fato que não está muito de acordo com o mundo espiritual, com os ensinamentos dos mestres…

Cristo disse que se uma pessoa for santificada ou glorificada nesta vida irá para o último lugar no mundo espiritual. Sim, se ele disse que o último na Terra era o primeiro no céu, ele quis dizer que os primeiros da Terra serão os últimos no céu…

Mas, não é isso que vemos… Os últimos da Terra jamais passam mensagens que são consideradas como de grande sapiência ou sublimidade… Este é o primeiro comentário que gostaria de fazer a respeito de sua pergunta.

Segundo: não existe Portugal, Brasil, América ou qualquer outro país. Aliás, não existe nem mesmo o planeta Terra: tudo isso é ilusão.

Que o dia virá, isso é certo, mas saber quando e como isso acontecerá, ninguém pode saber. Se nem Cristo, o Messias se arriscou a dizer quando, como ou aonde o dia chegará, como podemos saber?

Terceiro comentário… Você, subliminarmente, afirmou que com a vinda do Cristo acabariam as catástrofes e os desníveis sociais. Bolas, se ele fará isso no seu retorno, porque não acabou logo com tudo isso já dois anos atrás?

Não, ao invés de atacar os tiranos e os iníquos que criam os desníveis sociais, ele compactou com as prostitutas e os cobradores de impostos. Quando perguntado porque agia daquela forma, ele disse: eu vi para os doentes e não para os sãos.

Será que se ele voltasse agora ia se desdizer e agir em prol dos que se consideram sãos: as vítimas, os oprimidos, etc? Claro que não… Então, se ele voltasse não seria para acabar com situações como estas…

O que estou comentando é que nas mensagens ditas espirituais existem certo detalhes que se levados à luz fria dos ensinamentos, perdem o sentido que hoje se dá a estas informações…

Lembre-se sempre: Cristo disse que devemos amealhar bens na Terra e não no Céu. O bem celeste é o amor e o bem material é o prazer e a satisfação de ver nossos anseios humanos serem atendidos…

Se isto é verdade, Cristo, se voltasse, nos ensinaria a amar incondicionalmente e não se preocuparia em se tornar agente de felicidades materiais.

Quanto ao portal novo que a psicografia afirma estar se abrindo, sim: todas as doutrinas falam disso. Estamos num período de transição e quando ele for completado, nada mais será igual.

Esta mudança, no entanto, não se refletirá nas coisas do mundo material, mas nas provações dos espíritos.

Participante: A questão dos espíritos se manifestarem como santos, reis e rainhas, não seria uma necessidade para nós humanizados crermos no que estão dizendo? Não é a mesma coisa da época de Jesus, onde foi preciso que ele fizesse milagres e que morresse na cruz para que a palavra dele fosse ouvida?

Tudo que acontece na vida é uma prova. Portanto, o teor das psicografias e quem as assina são provações.

Sendo assim, eu diria que, estas nomeações – e, ainda dentro deste tema, acho engraçado que em O Livro dos Espíritos todos os espíritos que ditam mensagens são franceses; não existe um brasileiro lá – mais do que lhe ajudar ou transmitir ensinamentos, na verdade, estão criando a sua prova. Quando passa a acreditar em uma mensagem porque ela foi escrita por Santo Agostinho, um espírito que você acha santo, se esqueceu de Deus.

Cristo diz que nós devemos nos relacionar com Deus diretamente. Sendo assim, não devemos nos relacionar nem com ele, que dirá com outros que, segundo vocês, estão hierarquicamente subordinados a ele…

Sabe, concordo até com você que haja alguma intenção neste sentido nas nomeações que Deus cria para as psicografias que Ele emana, mas por trás delas sempre encontraremos o Senhor criando uma prova para os espíritos.

Participante: Se a lei é amar a Deus sobre todas coisas e o humanizado não sabe o que é o verdadeiro amor, já que por sua natureza vivencia o amor egoísta e não o universal, se cria um impasse. Como sair disso?

No â,ago de sua pergunta está o que estou dizendo hoje o tempo inteiro: vocês querem fazer algo, querem realizar alguma coisa… No ego humano há sempre a necessidade de realizar alguma coisa…

O impasse que você diz existir acontece apenas porque quer amar, quer realizar o amar universalmente, mas acredita que não pode fazer isso porque o seu ego é fundamentado no individualismo.

Responda-me: você sabe que os amores que vive hoje são egoístas? Então, não acredite que as ilusões que o ego cria são amores. Com isso, estará amando universalmente…

A elevação espiritual é o contrário do que vocês imaginam. Ela não é uma realização de construção, mas de libertação. Ela acontece quando no seu ego você tem a consciência de não saber o que é amar, apesar dele ainda afirmar que ama qualquer pessoa, e você não deixa o seu coração vibrar dentro desta sintonia. Ela ocorre quando o ego lhe diz que você está tendo raiva e você não deixa o seu coração vibrar junto com esta sensação…

Veja bem: se você não sabe amar, mas sabe o que é não amar, liberte-se de tudo que é não há amor. Assim estará realizando o que tem que realizar…

Volto a dizer… As perguntas de vocês estão sendo praticamente o tempo inteiro guiadas pela ânsia de realizar, de construção algo, de executar alguma coisa…

Não importa quantas vezes vocês mudem o objeto, enquanto a pergunta se fundamentar numa ânsia de agir, eu terei sempre que dizer que evolução espiritual não se dá por construção de nada. Cristo se libertou do mundo, se libertou das supostas obrigações de agir em um determinado sentido (de ter que, como Messias, libertar o povo de Israel do jugo dos romanos) e você quer continuar preso ao mundo e construir alguma coisa em benefício da humanidade?

Mas, apesar de imaginar que porque estou falando em não fazer nada, você não tem nada a fazer, está enganado. Você tem muito a fazer: tem que estar vinte e quatro horas por dia vigilante sobre o que o ego produz para se libertar da ânsia realizar materialmente alguma coisa…

Quando conseguir os frutos desta vigilância, ou seja, libertar o seu coração desta ânsia, estará amando, sem jamais ter construído a ação de amar. Isto porque, na Realidade, você, o espírito, já está amando… Você só tem a ilusão de não estar. Quando se liberta da ilusão, da idéia de que a ilusão é uma realidade, volta à sua essência que já é amar.

Mas, que trabalho, então, deve fazer para vigiar o ego? Aquele que já falei hoje: assistir a sua vida. Esta é a única coisa que você tem que fazer…

Participante: Assistir a vida é uma ação?

Grande pergunta…

Quando se fala em agir, temos três formas de realizar: a ação física, a omissão e a não ação. A ação é o ato de agir material ou racionalmente; a omissão é o ato de não agir para fazer alguma coisa material ou racionalmente; a não ação acontece quando para você agir ou não agir física e materialmente não tem importância.

Teoricamente falando, eu diria que a não ação, ou assistir a vida, é uma ação. Teoricamente, porque, na prática ela não é, já que não envolve uma atividade física ou mental, mas se trata de uma ação sentimental. Ela é uma ação porque precisa existir uma movimentação sua, mesmo que apenas sentimental, quando o personagem que você vivencia age ou omite-se física e mentalmente.

Mas, a não ação também se distingue da não ação ou da omissão em outro aspecto: no que fazer. A ação e a omissão são formadas por múltiplas formas, enquanto que a não ação consiste-se em sempre fazer a mesma coisa. A não ação, na verdade é uma ação continuamente de numa nota só o, ou seja, vivenciá-la é sempre não se importar se agiu ou omitiu-se física e mentalmente. Mas, não esqueça: este não importar se faz no coração, nos sentimentos e não na razão…

Respondendo-lhe agora, digo que sim, assistir a vida é uma ação, mas uma ação espiritual, não material não racional, não conhecida pela consciência nem com movimentação de o corpo e justamente por isso Buda e Krishna a chama de não ação.

Participante: Observar as reações do ego e não se identificar com elas e nem com as sensações que ela provoca. É isso?

Isso: observar com o coração as sensações do ego e não se identificar sentimental elas… Volto a dizer: isso é uma ação, mas como ela não acontece nem no físico nem no mental é chamada de não ação.

É difícil explicar certas coisas para vocês que presos a conceitos dualistas e à ilusão como realidade…

Participante: Entendo que os espíritos que viveram Cristo e Hitler, apesar de criados na igualdade, ambos ignorante, se humanizaram com base na consciência espiritual desenvolvida por cada um. Pergunto: como associar isso com o dito Deus dá a cada um segundo suas obras.

Simples: quem morreu no campo de concentração? Aqueles cuja obra esta de acordo com este acontecimento. Quem foi curado por Cristo? Aqueles cujas obras levaram a vivenciar esta situação… Pronto, associei…

Tanto isto é verdade que Cristo afirma que não cura ninguém, mas que a fé o curou. Ou seja, como resultado de suas obras aqueles mereceram ser curado.

Veja, é fácil associar isso, mesmo dentro das existências a que você se refere: é preciso haver um Hitler porque existem espíritos que de acordo com a sua sobras merecem morrer uma câmara de gás; é preciso haver um Cristo porque existem espíritos que por suas obras merecem receber a cura. Atente-se apenas que ao falar de merecimento não estou julgando méritos da questão, mas apenas falando em simples reação à ações anteriores.

Agora, você falou que Cristo e Hitler são espíritos que desenvolveram seus egos de acordo com a sua consciência espiritual. Com isso está fazendo uma confusão…

Ao dizer que a personalidade humana é condizente com a elevação espiritual do espírito, você está querendo dizer que o espírito de Jesus era mais “limpo” do que o que viveu Hitler, mas, quem disse que este espírito é mais “sujo” do que o outro? Krishna nos ensina:. Não se pode conhecer o espírito pela personalidade humana que ele vivencia.

Qual o maior apóstolo de Cristo? Judas… Este personagem que até hoje é chamado de “mal” – o papa inclusive fez um discurso acusando-o de muitas coisas – foi vivenciado por um espírito puro…

Foi o “mal” vivido por um espírito puro. Mas, se você analisar a história dentro da sua na sua linha de raciocínio, o personagem Judas teria que ser ligado a um espírito extremamente sujo, negativo.

Participante: Eu falo exatamente o contrário do que o senhor está dizendo. No início da minha pergunta falei que os espíritos de ambos os personagens foram criados na igualdade…

Sem, você fala que eles foram criados na igualdade, mas diz durante o texto que as consciências humanas estavam de acordo com o nível atual do espírito. Não é isso que você fala? “… com base na consciência espiritual até então desenvolvida”.

Ou seja, está dizendo que o espírito que viveu Hitler tem uma consciência não desenvolvida, enquanto aquele que o que viveu Cristo tinha uma desenvolvida. Isto não é verdade: o desenvolvimento das consciências são meras ilusões…

Como disse, no Universo Uno, Único e Estável não pode haver mudanças. Sendo assim, as duas consciências espirituais estão sempre no mesmo nível. A ilusão pode ser diferente, mas a ilusão não existe: é apenas uma ilusão…

O que estou querendo dizer é que a idéia que você tem, que afirma que Hitler era “mal” leva a idéia de que o espírito que vivenciou este personagem tinha uma consciência não desenvolvida. Isto não é Real…

O que quero deixar bem claro é que não podemos dizer que o espírito que vive um personagem que seja considerado pela humanidade como um bandido, em sua consciência primária, não é menos evoluído do que qualquer outro que tenha uma existência carnal santificada… Como disse, a Estabilidade e a Unidade universal não permite que exista um que seja, na Realidade, “melhor” ou “pior”, “mais” ou “menos”…

Sabe, existe muito guru na ação, no personagem, que precisa libertar-se da busca da fama, da necessidade ser elogiado. Por fora são elementos aparentemente “santos”, mas por dentro são espíritos vivendo ilusões extremamente egoístas…

Portanto, não podemos julgar o espírito pelo personagem que vivencia. O espírito que viveu o Jesus, Cristo e Hitler são todos em essência iguais e sempre continuarão a ser, mesmo que vivam ilusões diferentes.

Participante: Eu poderia hoje, na minha atual consciência primária, encarnar um personagem que poderia fazer os feitos de Jesus Cristo?

Claro que sim… Se for este o teatro que Deus escolher para suas provas…

Sim, é teatro… Jesus Cristo não fez nada, não existiu: é uma ilusão criada por Deus. Existe um espírito que viveu a personalidade Jesus; existe um espírito que vive aquele que vocês chamam de Cristo, mas nem Jesus nem Cristo existiram na Realidade…

Sim, você pode ter um personagem que vivencie atos físicos idênticos aos que eles ilusoriamente fizeram…

Deixe-me dizer uma coisa: há algum tempo me perguntaram sobre outras encarnações de do espírito que vivenciou o personagem São Francisco. Eu não respondi a esta questão, disse que não ia falar sobre o assunto.

A pessoa, então, me perguntou porque não falaria. Eu respondi: você não acreditaria em mim se eu dissesse que o espírito que viveu a vida chamada São Francisco já encarnou como bandido…

Saiba: o espírito liberto da ação do dualismo não pede para viver um personagem puro. Ele diz: Senhor, fazei de mim instrumento da sua vontade… Se a vontade de Deus é que este espírito encarne um personagem que realizará no teatro da vida o assassinato de milhares de pessoas, ele dirá “louvado seja o Seu nome” e se entregará a esta ilusão…

Sabe, tudo na vida é teatro. Sendo assim, tudo que Jesus Cristo fez ou tudo que qualquer mestre tenha feito, pode ser feito por qualquer ego. Para isso é apenas preciso que Deus emane esta ilusão como missão ou prova para um ser universal.

Participante: não precisaria eu para tal feito ter uma ligação íntima com a primeira consciência por interrogação

Não. Veja, vida odiados. Jesus Cristo não faz nada, deus é que fez. Se deus quiser, ele fez e se o espírito for mais apegada matéria, ter aquele monte de seguidores atrás de uma grande prova.

Participante: Perguntei se os atos de Jesus Cristo podem ser feitos por qualquer espírito e não por qualquer ego…

Tudo que é feito é ilusoriamente realizado por egos, porque o espírito não faz nada que seja material. E, tudo que é feito por qualquer ego será vivenciado pelo espírito que Deus assim declarar que deve vivenciar.

Portanto, qualquer espírito pode viver uma personalidade destas, se Deus assim fizer acontecer.

Participante: O que o senhor acabou de falar, me leva a pensar em um fenômeno que tenho observado. Aparentemente não existe relação direta entre a elevação do espírito e as reações do ego. Mas, por outro lado, percebemos também que algumas características que o ego manifesta são do espírito. O senhor poderia se estender um pouco mais sobre isso?

Posso. Para isso, vamos aproveitar como exemplo o que foi falado agora, ou seja, a hipótese de você viver as ações praticadas por Jesus Cristo…

Você disse que o ego tem algumas características do espírito: isso é verdade. Realmente o ego tem características do espírito. Deus cria os novos egos com características da crença ilusória atual do espírito sobre si mesmo. Não é o espírito que faz isso, mas sim Deus…

Fixando-nos neste aspecto, teríamos que dizer que não é qualquer espírito que pode viver as ações praticadas pela personalidade Jesus Cristo. Um espírito não evoluído (muito preso a ilusão do dualismo), por exemplo, não poderia viver uma vida Jesus Cristo. Mas poder…

Isto porque a característica que o ego tem é algo interno e não externo. Para você melhor compreender, eu darei um exemplo.

O espírito não evoluído poderia viver todas as ações externas, ser reconhecido por atos externos como foi Jesus Cristo, mas internamente ter uma característica da ilusão a que está preso: o prazer de ter realizado aquilo. Este prazer de realizar, que é uma das “Quatro Âncoras” que já conversamos (a busca pela forma pelo elogio) é interno e você não constataria a existência disso nele.

Exatamente por não ver esta característica intrínseca, ou seja, julgando apenas o externo, você poderia dizer que se trata de um espírito puro, mas não é. Ele está preso ao prazer de ser considerado como “santo”.

Então sim, o ego tem intrinsecamente elementos que o espírito ilusoriamente acredita ter. Mas, estes elementos não são perceptíveis a outros egos. A presença deste elemento interno em nada afetaria a participação deste personagem na obra geral, na ação carmatica que os demais espíritos precisam vivenciar…

Por que? Porque o processo de evolução espiritual é de foro íntimo… O espírito que vivesse esta vida Jesus Cristo deveria lutar, no seu íntimo, contra a fama. Não é necessário que Deus dê às demais personalidades que representam os seguidores deste “homem santo” o conhecimento desta luta interna. Até porque, se desse, pensando dentro de uma lógica material, seus seguidores o abandonaria e com isso não haveria mais provação para este espírito.

Então veja… O que você falou está certo: no ego existem características da ilusão que o espírito vivencia naquele momento, mas estas características existem apenas no mundo interno de cada um e ninguém pode vê-las… Aliás, mesmo que quisesse descobrir o íntimo dos outros, você não pode, pois a compreensão que o ego que está vivenciando hoje tem sobre os outros é Deus quem cria e não você que a alcança espontaneamente.

Já que estamos falando de mundo intrínseco de cada um, deixe-me lhe dizer que estas compreensões que Deus dá ao seu personagem também estão ligadas à características ilusórias que o ego tem sobre si mesmo. Ou seja, também estão ligadas à sua prova, ao seu nível de elevação também.

Sendo assim, você jamais teria como descobrir se aquele espírito é realmente simples ou não, pois a sua compreensão sobre ele dependeria de sua própria elevação espiritual.

Resumindo: tudo que vocês chamam de viver, de reconhecer o que está acontecendo, ocorre nos campos mental, emocional e sentimental e estes campos não são perceptíveis no mundo externo. Até porque o mundo externo não se percebe por si mesmo: recebe-se as percepções de Deus, assim como também as conclusões… Tudo isso regido pela lei que já falamos hoje: Deus dá a cada um segundo as suas obras.

Acho que agora ficou claro, não?

Aproveitar o que já tinha sido comentado apenas para se entender o processo. Com isso não quis dizer que Jesus ou Cristo não foram personagens por espíritos libertos da ilusão…

Com este esclarecimento, reforça-se, ainda, o ensinado por Krishna: não dá para se falar de um espírito observando-se a personalidade humana que ele vivencia. Qualquer espírito, mesmo o mais preso à ilusão dual, pode viver um personagem considerado “santo” sem que isso denote a sua elevação espiritual.

Se isto é verdade, posso dizer que qualquer espírito, inclusive o mais puro (mais liberto das ilusões) pode vivenciar um ego considerado “mau” ou “errado” sem afete a sua elevação espiritual já atingida.

Participante: Ego: sou o bonzão, sei de tudo, quero tudo. Quero possuir tudo até o conhecimento, a felicidade e a caridade… Minha razão compreende isso e diz que realmente quero não me prender a nada disso… Mas, engraçado, isso também é ação…

Exato…

Veja, para você só o que lhe é consciente existe, mas tudo que lhe é consciente é do ego. Então, tudo que existe para você, será uma criação ilusória do ego e não uma Realidade. Por isso é que falei da não ação como um meio termo para ser aplicado entre a omissão e ação.

Não importa o que você esteja vivenciando, assista apenas, ao invés de vivenciar. Quando achar que está assistindo, assista este achar, porque este achar que está assistindo também é do ego.

Ou seja, é o que já lhe respondi anteriormente: relaxe e goze, pois não há nada a ser feito.

Viva… Viva o que tem: se tiver raiva tenha, se não tiver, não tenha, mas não se preocupe com as coisas.

Participante: Para mim esta coisa de ego é complexa. Apresenta-se como se fosse um espelho na frente do outro.As imagens vão se refletindo eternamente…

É exatamente isso… Mas, o mais importante: enquanto encarnado tudo será o reflexo de um espelho.

Então, não importa se você já se liberou do reflexo de cinqüenta espelhos, ainda está vendo apenas reflexos. Esta é a consciência para quem quer elevar-se: tudo é reflexo, nada é Real…

Participante: Se Hitler foi um missionário, porque autores espiritualistas dizem que ele está nas trevas?

Para manter a idéia do “bem” e do “mal”.

Autores espirituais não são santos, são egos que servem como instrumentos do seu carma. Autores espirituais não escrevem nada: é Deus quem escreve e dá a um determinado espírito a idéia de estar escrevendo. Tudo faz parte do carma.

Mas o que é o carma? Isso é algo que nos esquecemos sempre…

O carma foi criado lá no Adão e Eva. Ele passou a existir quando você comeu o fruto do conhecimento, o saber, e por isso passou a julgar o “bem” e o “mal” no que acontece na sua existência.

Um autor espiritual que escreva que Hitler é “mal” ainda, é um ego que comeu a maçã, ainda é humanizado: sabe distinguir o “bem” do “mal”. Mas veja, ele é um ego e por isso tem que distinguir entre o “bem” e o “mal”. Por que isso? Para ver se você abre mão de comer a maçã ou não.

Sendo assim, figurativamente, de que posso chamar estes egos? A cobra…

Estes egos são a cobra que estão lhe oferecendo conhecimento: “Hitler está até hoje nas trevas; como a isso, saiba disso”. Se você comer, na próxima vez que ver Deus, sairá para se cobrir porque terá a consciência de que está nu…

Participante: O senhor pode exemplificar a função espelho?

Sim…

Função espelho é quando a sua esposa lhe diz “não faça isso” e você fica com raiva dela, porque acha que está fazendo o “certo” e imagina ela não tinha o direito de falar isso…

Aí está um exemplo da função espelho: ela, ego, está lhe mostrando uma verdade, um achar, que você está acreditando que é “certo”. Olha que grande exemplo de função espelho…

Participante: Estas suas colocações vão demandar algum tempo para serem digeridas tendo em vista que elas colocam tudo de pernas para o ar…

Sim claro…

Aliás, você não vai digeri-las: não é o ego que chega a compreensões, mas Deus é quem dá a ele a idéia de ter compreendido. Portanto, você só compreenderá o que estou dizendo quando Deus criar a idéia de você ter compreendido.

Então, relaxe… É o que estou dizendo tempo inteiro: não queira compreender o que estou dizendo…

Se já falamos há tanto tempo as mesmas coisas e até hoje você ainda não conseguiu compreender, é sinal de que não é para ser compreendido, pois se isso fosse possível, você já teria compreendido antes. Então, o que digo não é para compreender, mas para apenas se constatar que estou falando determinadas coisas…

Além disso, apesar de que o que digo o colocar tudo de pernas para o ar, o chão desta nova construção é sólido. Volto a repetir: faz oito anos que conversamos e nunca disse uma coisa que não estivesse embasada no ensinamento de algum mestre.

Participante: Desde criança trabalho com música. Desde que comecei, os aplausos tiveram o mesmo valor que as críticas. Quando toco nunca senti que fosse eu: sou um ouvinte, com a diferença que estou executando um instrumento. Parece que me sinto bem com seus ensinamentos, embora ainda eu ainda não os tenha assimilado… Comente isso, por favor…

Se o aplauso e a crítica para você não fazem diferença, é sinal de que esta não é sua prova. Mas, ser apaixonado pela música é…

Achar que a música é bonita, importante e que tem que existir é sua prova. Achar que você tem que tocar é. Achar que você faz música é. Achar que existe música, é…

O que não é importante para você não é sua prova: só isso. Não há glória alguma nisso.

Isto porque, o aplauso a música, na verdade, não é importante para você, espírito. Foi Deus quem criou esta importância que você imagina ter sido gerada por você… É por isso que afirmo que esta é uma das suas provações… É onde as coisas são importantes que você tem que trabalhar.

Já falamos na busca da fama como elemento de provação para o espírito, mas ara você parece que não é esta a sua prova. Pode ser para muitos, mas para você parece que não é…

Mas, apesar disso, existem outras provas que lhe são específicas. A crença na necessidade e na importância da música; a idéia que tem de que é capaz de fazer música e de que não é você que está tocando… Estas são suas provações…

Tudo o que você acredita racionalmente, positiva ou negativamente, é sua prova. Isso porque não acreditar em uma crença. Tudo que não lhe afete o coração, não é sua prova, mas tudo aquilo em que você acredite sentimentalmente é…

Participante: Um dia, um cientista me disse que o homem se contenta em dizer que é um animal racional quando poderia almejar ser um ser consciente. Comente isso, por favor…

Cometo com a seguinte frase: vocês se contentam em ser seres humanos que exercem atividades espirituais, quando deveriam se tornar conscientes, ou seja, ter a consciência de que são espíritos tendo experiências materiais.

Participante: Mas, como o senhor já disse, somos cegos… Então não temos que saber ou deixar de saber nada…

Sim, levando para o lado racional você está certo, mas estou falando em saber ou não no coração. Quando me dirijo a espíritos, falo em coração e não em razão…

Portanto, no coração, você deve saber que é um espírito vivendo experiências humanas e por isso deve apenas amar, ao invés de sentir-se um ser humano que ama apenas nos momentos em que fazer isso lhe traz vantagens… É isto que digo, mas vocês preferem sentir-se um animal racional, ou seja, um animal que possui razão, do que alcançar amar incondicional…

Agora, isso não é “mau” nem “bom”, “certo” ou “errado”. Isso é o que é: a prova de vocês.

Participante: Qual o ditado correto: o que os olhos não vêem o coração não sente, ou o que o coração sente os olhos não vêem?.

O que o coração sente os olhos não vêem… Isto porque os olhos são a porta da entrada da razão.

A percepção jamais alcança o que o coração sente. Se alcançasse, deixaria de ser razão e passaria a ser sentimento.

Participante: O senhor disse que a avareza que o ego está criando não é do espírito, mas a forma que Deus escolheu para que este você vivenciasse um gênero de provas. Até agora eu tinha entendido que o espírito, de posse da sua consciência espiritual, é quem escolhia o gênero de provas e Deus se encarregaria da encenação correspondente a este gênero. Mas, quando o senhor disse que avareza foi a forma que Deus escolheu, eu fiquei confuso. disse Pode, por favor, esclarecer…

Posso…

Quais são os gêneros de prova que o espírito escolhe? Sem compreender bem este aspecto não podemos comentar o assunto…

São três os gêneros de provas: posse material, posse moral e posse sentimental. Estas três possessões formam todos os gêneros de prova que estão à disposição do espírito para escolha.

Sendo assim, ele escolhe, por exemplo, combater a posse material e Deus designa para este espírito a avareza como um dos elementos para se combater esta possessão. Ele escolhe esta sensação como elemento para se combater a posse moral, pois ela, quando exercida sobre uma paixão (um elemento material), está vinculada à possessão material.

Depois de escolher esta sensação, Deus, então, escolhe a paixão, ou seja, o objeto material para o qual a avareza será direcionada. Ou seja, escolhe onde o ego sentirá avareza…

Sendo assim, o espírito escolhe libertar-se de possuir sentimentalmente um elemento do mundo (posse material) e Deus lhe diz através de que sensação ele fará a sua provação. Isso porque o despossuir materialmente não está necessariamente vinculado à avareza. Existe ainda a soberba, a busca de acúmulos de bens, etc…

As posses são os elementos disponíveis para a escolha do espírito. Não é à toa que Cristo disse ao homem que já praticava todos os ensinamentos que deveria doar tudo que fosse seu…

A possessão, independente da sua forma for, é o fruto do egoísmo. Ela pode existir através de diversos sentimentos, mas o que estará sempre em jogo para o espírito é a libertação da possessão e não do sentimento…

Participante: O que tenho percebido é que cada coisa que sei a partir do que o senhor fala, só serve para mim é aprisionar e me encher de obrigações. Então estou em um momento de desacreditar de tudo que eu sei. Mas que coisa difícil é essa de ser feita…

Sim, tudo que você sabe cria uma prisão, pois o ego é dualista. A partir do momento que Deus dá através do ego a compreensão de algum ensinamento, automaticamente, Ele cria, também através do ego. o oposto.

Deus lhe dá a compreensão de que deve se libertar da verdade, mas Ele lhe diz mais do que isso: diz que não deve se prender. Ou seja, de uma prova nasce outra…

A cada ensinamento compreendido, surge uma nova provação. Isto é algo que venho tentando lhes passar a muito tempo e por isso venho dizendo: não tentem compreender o que digo; apenas ouçam. Faça as perguntas que fizerem sem se preocuparem com isso, já que não há nada “errado” ou ridículo, mas não tentem entender o que quero dizer quando respondê-las…

Participante: O senhor diz para não buscarmos entender, mas quem executa esta busca não é o ego?

Sim, quem busca entender é o ego. Ele sempre gerará uma nova compreensão, já que esta é a sua função, mas você não comprometa seu coração com isso.

Espiritualmente falando, vibrar o coração com a certeza de saber alguma coisa, é uma compreensão…

Participante: Não se pode vibrar com isso então?

Não, o coração tem que estar apático às coisas do mundo e às compreensões que o ego alcança…

O coração tem que estar sempre equânime, ou seja, sem diferença de emoções. Sendo assim, cada compreensão, cada resolução, cada certeza que o ego chega, lhe gerará uma nova prova, ou seja, uma nova oportunidade para exercer o seu livre arbítrio e optar por manter-se afastado da emoção de saber… É a história antiga que já falei sobre ter o conceito de que não pode haver conceitos.

Então, não se importe com a compreensão que aconteça ou se não alcança nenhuma: não comprometa seu coração com o que o ego gera.

Participante: Em outro momento chegamos à conclusão de que Deus é nos dá as provas. Há como conceber os ensinamentos que o senhor nos traz sem a idéia da vida como provação?

Não, não há como conceber o ensinamento que trago sem a idéia da provação. Mas também trago dentro do ensinamento a idéia de que a provação é do espírito para o espírito e não para Deus.

O espírito precisa provar a si mesmo e não a Deus se aprendeu determinado assunto, aprendeu determinado despossuir. Em O Livro dos Espíritos, este assunto está bem claro. Quando se pergunta se já que Deus é Onisciente, o que temos que provar a Ele, a resposta é: o espírito não precisa provar nada a Deus, mas a si mesmo.

Para poder lhe explicar isso de uma forma mais fácil de compreender, vou usar o seu próprio exemplo durante a vida carnal. Nesta existência, você estudou bastante, fez até a faculdade, mas durante este período, quantas vezes achava que sabia uma matéria e chegou na hora da prova viu que não sabia? Teve, então, que voltar a estudar tudo de novo.

É a esta provação que me refiro: você, espírito, se certificar de que realmente aprendeu um despossuir espiritual ou se a idéia de ter aprendido é apenas uma ilusão.

Participante: Eu particularmente acho que não há problemas em ter compreensões do que o senhor nos ensina… Imagino que o que não se pode fazer é prender-se a estas conclusões como verdades absolutas…

Nem como verdades…

Saiba que para o ego humano não há como distinguir verdades absolutas e relativas. Ele só trabalha com verdades relativas, mas acredita que todas elas são absolutas…

A verdade relativa não é uma verdade, mas uma crença individual. Além do mais, ela não é eterna, mas algo que só é verdadeiro por determinado tempo.

Portanto, mesmo que o ego gere compreensões, você não pode deixar o coração vibrar na ansiedade e na excitação de ter aprendido, na certeza de agora saber. É isso que ensino…

Participante: Quando estou com outra pessoa, estou tendo formações mentais a respeito desta pessoa. Isso gera um carma para mim ou é um carma para a pessoa?

Quando você cria formações mentais a respeito de outra pessoa, na verdade não está criando formações mentais a respeito de ninguém: Deus está dando ao ego estas formações mentais. Ao fazer isso, Deus está lhe dando a sua prova.

Saiba sempre que no final, é tudo entre você e Deus. Não importa o que você pense sobre qualquer um, o que existe é sempre uma provação dada por Deus para ver se você vai acreditar sentimentalmente naquela idéia ou se manterá seu coração no amor.

Acredito que você me faz esta pergunta porque existe no mundo material a idéia de que você projeta formações mentais contra outros. Mas, isso é ilusão. Você não pode emitir formações mentais contra o outro, porque as formações mentais fazem parte do mundo interno de cada um e não podem ser percebidas pelo externo.

Na verdade o que você pode mandar para outro ser é energia, sentimento. Mas, mesmo isso no mundo material não acontece. A troca de energias entre espíritos acontece no mundo espiritual e não no material…

Na realidade, você, ser humano, não manda energia: Deus lhe dá, através de formações mentais a idéia de estar mandando. Portanto, esta idéia é mais uma prova para você.

Pense o seguinte: você imagina que está do lado da sua esposa na sua casa. Acredita que vocês, ao se relacionarem, tem uma vida em comum… Mas, espiritualmente falando, vocês, espíritos, estão vivendo duas existências separadas.

As vidas humanas de vocês são duas ilusões separadas que não se misturam. Você tem a idéia de que ela lhe fala, mas não ela não lhe fala: Deus cria através do seu ego a idéia dela estar falando e de você estar a ouvindo.

A Realidade Universal é aquela que já falamos aqui comentando o livro “Nosso Lar”. André Luiz entra numa sala onde existem milhares de macas. Ao observar os espíritos, pelas feições destes compreende que eles estão vivenciando alguma coisa. Então, pergunta ao mentor o que está acontecendo. O mentor lhe responde: os espíritos estão vivendo as suas vidas…

Sendo assim, no momento que você pensa que está vivendo a lado da sua esposa, você, espírito, está em uma maca e ela em outra. Os dois estão, para a existência espiritual, desacordados, ou seja, sem ter consciência de estarem ao lado do outro. Aliás, podem estar em macas bem distantes um do outro…

Cada um em sua maca vive da sua vida carnal, suas projeções mentais humanas, onde pode estar a figura do outro ou não.

Participante: Não é um tanto desagradável viver a vida inteira nesta insegurança de nada saber, visto que assim só se passa desconforto e mal-estar por onde estiver? Isto não gera um carma negativo?

Não, eu acho que não… Pelo contrário, acho que quanto menos souber, mais leve de obrigações a vida fica e mais fácil ela é de ser vivida. Esta é a minha opinião…

E você, o que acha? Pela sua pergunta vejo que você acha que nada saber pode lhe causar mal-estar. Se assim é para o seu ego e se você se comprometer sentimentalmente com esta verdade, realmente será muito penoso viver assim…

Participante: Nós não temos nada a aprender, mas e o espírito, ele tem o que aprender?

Ele tem que aprender que o que ele vive não é real, é ilusão. Enquanto ele estiver preso à consciências ilusórias precisará aprender que tudo aquilo que está vivenciando é apenas uma ilusão. Só isso…

Mas, eu não diria que ele deve aprender isso. Falaria melhor: ele precisa alcançar a consciência de que tudo é ilusão, pois saber ele já sabe. Então, não é aprender, mas retornar à consciência primária que já sabe que tudo é ilusão…

Participante: Tenho procurado exercitar o amor tomando a postura do não julgamento. Tenho conseguido uma certa paz com isso. Esta paz é real?

Você tem consciência desta paz? Você tem consciência de que está exercitando o não julgamento e por isso está tendo paz?

Participante: Simplesmente faço…

Mas tem consciência que faz? Sabe que está fazendo? Sabe que o resultado do que faz é a paz? Sendo sim a sua resposta, afirmo que esta paz é ilusória, é criação do ego.

Tudo que lhe vem ao consciente é uma prova, ou seja, esta a paz que o ego está dizendo que você está sentido é uma prova para ver se você acredita que está conseguindo alguma coisa…

Não, assistir a vida não é se libertar das coisas ditas erradas e viver como real as coisas que acredita como certas. Assistir a vida é assistir a todos os a todas as formações mentais e não vivenciá-las sentimentalmente.

Participante: E o fato de eu não julgar?

Neste caso, se você tem consciência que não está julgando, quem não está julgando é o ego e não você. Você está achando que ele não está julgando, mas está, pois sabe que não está julgando.

Veja… Para saber que não houve um julgamento, é preciso que você julgue o que aconteceu naquele momento. Portanto, quando você toma consciência de que não julgou, esta consciência já foi fruto de um julgamento. Você só acha que isto não foi um julgamento porque o que ele decretou foi que você não julgou.

É isso que estou querendo mostrar: não importa o que o ego crie, você tem que se libertar de tudo, inclusive da idéia de você não está julgando, porque esta idéia de não julgar é fruto de um julgamento.

Participante: Como amar esta ilusão que é a minha companheira nesta vida, se nem comigo ela está… Gostaria de amar esta pessoa, espírito ou qualquer coisa que está ao meu lado… Se nem a minha companheira eu posso amar, como amar ao próximo?

Você quer amar sua companheira material? Ame a figura dela que existe dentro de você… Isso porque sua companheira só existe dentro de você mesmo…

É o que acabei de responder: você é um espírito deitado numa maca achando que está convivendo com outro espírito que pode estar em outra maca bem distante, inclusive em outras cidades espirituais…

A vida humana é um ato isolado: você vive a sua vida isoladamente com você mesmo. As pessoas que o ego cria como percepções, só existem dentro de você. Quando você quer amar a sua companheira, está buscando se amar. Isto porque quer amar alguém que está dentro de você.

Agora, se você me diz que amar aquele espírito esqueça que este ser é sua companheira nesta vida, porque não é. Esqueça que ela divide a vida com você, porque ela não divide.

Amá-la espiritualmente é ao contrário de amá-la como companheira. É amá-la como irmã espiritual. E para amá-la espiritualmente, você não pode ter companheirismo algum por ela…

Sabe, o a amor que vocês querem dedicar a outras pessoas ainda é material, pois como você disse, quer amar a companheira da sua vida e não aquele espírito por si. Amando dentro desta condição, deixará de amar outras pessoas, aquelas que não são sua companheira.

Veja… Você tem que amar a todos de forma igual. Se isso é verdade, como pode, então, querer amar alguém especificamente. Fazendo isso não conseguirá amar igualmente a todos…

Por favor, ponham pois isso na cabeça de vocês: a evolução espiritual ou vida – já que evolução espiritual e vida são sinônimos – é um ato solitário. Por mais que você perceba que está cercado de gente, essas pessoas só existem dentro de você. Elas não existem fora. Sendo assim, você não está convivendo com uma pessoa externa, mas sim com a imagem daquela pessoa que está dentro de você.

Participante das. Porque Jesus disse para não julgarmos o próximo? A partir do que o senhor ensina, nunca conseguiremos isso…

Conseguirá sim…

Observe: ele disse para não julgar, mas também disse para amar. Se você não consegue com a razão parar de julgar, com o coração ame…

Realmente em seus ensinamentos Cristo disse para não julgarmos, mas se pegarmos o Novo Testamento em qualquer dos seus evangelhos, o mestre julga a todos. Repare que todas as palavras atribuídas a este personagem são sempre de acusação a um procedimento humano. Isso não é julgamento?

Aí você me dirá: ele podia porque sua envergadura moral, porque é um espírito mais elevado… Esta não é a Verdade…

Ligando o não julgar ao amar, podemos compreender que o mestre se referia a uma atividade sentimental e não racional. Cristo ao proferir todas as palavras que aparentemente traduzem em si mesmas julgamentos, no seu coração não estava julgando ninguém. Sentimentalmente ele vibrava amor enquanto que o personagem servia de instrumento para trazer as palavras que eram necessárias…

Isto por si só responderia sua pergunta, mas vou mais adiante: o que é não julgar ninguém pelo coração? É não ter uma emoção diferenciada por ninguém.

Quando você tem uma emoção diferenciada por um determinado ser, como, por exemplo, a que expôs na pergunta anterior (a minha companheira), acabou de julgar. Julgou que aquela é uma pessoa importante para você, pois é a sua companheira, alguém que lhe faz bem.

O que é criticar? Dar um veredicto sobre alguma coisa, criar uma qualificação para alguém ou alguma coisa. Cada vez que você sentimentalmente distingue alguém ou alguma coisa, está julgando…

Não amar no coração é não ter um sentimento privilegiado por nada. Privilegiado positiva e negativamente. Criticar não é apenas falar mal, mas falar bem também é o resultado de uma crítica, de um julgamento…

Não ter sentimentos distintos entre todos e tudo (amar universalmente): foi isso que Cristo ensinou. Já não julgar por palavras, isso ele não pode ter ensinado porque foi só o que fez…

Ou isso, ou teremos que acreditar que Cristo era hipócrita dentro da própria definição que ele deu a este termo: aquele que conhece os ensinamentos, mas não os pratica…

Participante: Devo amar a pessoa que está dentro de mim?

Não, deve amar a Deus, mas não o ser que você acredita que Ele é, mas como o próprio Universo. Deve amar o Um, a Unidade formada pelo Todo. Saiba que o amor privilegiado por alguém, mesmo que seja o Senhor, é fruto de um julgamento.

Repare: se amar as pessoas que estão dentro de você, não estará amando as pessoas que não estão…

São seis bilhões de pessoas no planeta… Será que todas elas estão dentro de você, ou seja, já passaram por sua percepção? Lembre-se que neste total ainda não consignamos os seres que não estão encarnados e nem aqueles que vivem fora do planeta…

Será que todos os incontáveis seres estão dentro de você? É claro que não… Então, se você amar apenas os que estão dentro de você ainda terá distinções sentimentais entre seres…

Agora, se você amar o Todo fundido na Unidade, ou seja, o Um, estará amando a todos… Por isso, ame o Universo e não as pessoas…

Participante: Joaquim, o que você está fazendo dentro da minha cabeça?

Não sei, você que é que me pôs aí…

É, ainda tem mais esta… As pessoas só existem dentro das cabeças de vocês, mas se infiltra aí: vocês é que as colocam lá…

Participante: Dá para definir neste estágio de consciência que estamos o que é felicidade para o espírito?

Boa pergunta… Mas, para que eu possa respondê-la, antes me diga: a que nível de felicidade você está se referido?

Participante: Só posso falar do nível que conheço pelo ego desta encarnação… Por esse estou lhe perguntando se dá para definir o que é felicidade para o espírito, já que certamente não é a mesma coisa que a felicidade para mim ego…

A felicidade para você, espírito, hoje é o que é felicidade para o ego. Por que digo isso? Porque o espírito está ilusoriamente achando que é o ego e vivencia ilusoriamente como real tudo que o ego cria. Sendo assim, você, espírito, é feliz hoje quando o ego lhe diz que você é feliz…

Agora, se você está falando da felicidade além do ego (universal), posso lhe dizer que qualquer definição que crie para esta sensação ainda será uma ilusão que o espírito vive enquanto está amando. Eu disse no início da conversa de hoje: felicidade, paz e harmonia, na verdade, é amor. Isto porque no Universo Uno, Único e Estável só existe o amor.

Então, o que você chama de felicidade, seja o nível do ego ou do espírito em qualquer outra de suas consciências, é o amor, a pulsação do amor.

Sei que anteriormente falei da felicidade universal que o espírito sente, mas isto foi antes. Falei desta forma como preâmbulo para se chegar ao ensinamento de hoje.

Hoje a única coisa que posso lhe dizer é que existe o Universo, onde não há nada que você pensa existir, onde estão os espíritos, que também não são aquilo que você imagina ser, que estão apenas vibrando amor. Mas, quando falei desse jeito hoje, não mudei nada da Realidade, porque isso nunca se alterou ao longo dos séculos e nunca mudará.

Participante: Quando tenho a intenção de me colocar como instrumento de Deus para auxiliar o próximo a ter força para cumprir a sua prova e digo “louvado seja Deus, que esta pessoa consiga atingir a iluminação”, isto é válido?

Tendo esta consciência e dizendo isso com palavras, você não está fazendo nada: é o seu ego que está realizando…

Isso é válido? Se o você que está dentro desta pessoa ali estiver de um jeito positivo, será válido… Se o você que está dentro desta pessoa estiver ali negativamente, também será válido…

Krishna ensina assim: nesta senda de iluminação nada se perde. Tudo que acontece, ou seja, toda criação do ego é válida, porque esta ação está sempre dentro de um gênero de provas pedido pelo outro.

Portanto, quando o seu ego diz o que você acabou de citar, estará criando uma provação para o próximo e para você. Se Deus repercutir (der compreensão) esta percepção positiva ou negativamente em você ou no próximo, o acontecimento terá sido válido como elemento de elevação espiritual, pois é a provação sua e dele…

Agora, se você quer saber se a sua atitude é válida no sentido de “facilitar” as coisas para o próximo, lhe respondo que não, porque ninguém pode auxiliar o outro a fazer elevação espiritual. Lembre-se sempre: a evolução espiritual é algo de cunho íntimo e cada um faz a sua no momento que tiver que fazer. Você não pode dar “empurrões”…

Volto a repetir: apesar do caminho para se alcançar a elevação espiritual seja o universalizar-se, esta caminhada é individual. Cada espírito caminha individualmente para a união com Deus e ninguém pode auxiliá-lo neste momento.

Participante: Tudo bem que a elevação seja individual e que ninguém pode ser instrumento da elevação do outro. Mas, o que você está fazendo aqui? Você aqui não é instrumento da nossa elevação, não está nos mostrando caminhos para elevar-se?

Eu? Eu não estou nem aqui…

Participante: Seja quem for, você ou o ego, não está servindo de auxílio à nós?.

O eu que está dentro de você está mostrando o caminho…

Não sou eu que estou fazendo nada, mas é o seu próprio ego que está lhe mostrando o caminho. Aliás, é Deus que está lhe mostrando…

Deus está lhe falando e, ao mesmo tempo, está criando a idéia de que a figura de Joaquim está falando. Sendo assim, é Deus quem está lhe ajudando, porque ele pode, mais ninguém, porque é o único que respeita o seu livre arbítrio.

Todos os outros seres do Universo, movidos por egoísmo em qualquer grau, estarão sempre procurando lhe ajudar para o que eles querem e não para o que você quer. Só Deus é capaz de abrir mão total de seu desejo para lhe dar a oportunidade de escolher livremente o que quer.

Apesar disso ser verdade, não pense que Deus dá um empurrão, lhe facilita as coisas: Ele lhe ajuda dando as provações necessárias para a sua evolução… O Joaquim que está dentro de você é uma prova; o que você compreende que ele fala, também.

Como já me disseram hoje, a cada vez que o ego cria uma idéia, surge uma prisão, ou seja, cada vez que você compreende o que falo, uma prova foi criada. Portanto, o Joaquim dentro de vocês é apenas um instrumento para a geração de provas.

Sendo assim, a cada vez que este Joaquim lhe fala, ele está auxiliando-o na elevação espiritual… Mas, tudo o que ele fala foi Deus quem criou.

Então não sou eu que lhes auxilio, mas sim Deus. Ele pode fazer porque para isso apenas cria provas sem jamais dizer o que deve fazer…

Participante: Se eu adotar a postura de amar a todos, os que estão dentro e fora, estarei caminhando para amar universalmente, incluindo também tudo que for compreensível?

Se você adotar esta postura, será o ego que a estará adotando… O ego não caminha para elevação. Portanto, se tiver consciência de estar adotando esta postura, nada estará fazendo…

Se você, o espírito adotar esta postura, estará caminhando para elevação… Mas, se você, o espírito, adotá-la, você, o humano, não terá consciência disso.

Portanto, sua pergunta não tem resposta. Ou melhor, tem: se você tiver consciência de adotar qualquer postura, saiba que esta conclusão é apenas uma prova, uma idéia à qual não deve se apegar, acreditar como realidade…

Mas, tem uma coisa importante que quero lhe dizer neste momento. Não pense que estou brigando com você ou lhe criticando, mas repare que a cada pergunta que o seu ego cria, há a intenção de descobrir uma ação que possa ser realizada por você, ser humano, e que tenha reflexos sobre o espírito…

Repare que, a cada pergunta, mudam as palavras ou o assunto, mas no fundo você, ser humano, quer saber o que tem para fazer para que você, espírito, possa evoluir.

Participante: Desculpe, mas, segundo os seus ensinamentos, a cada pergunta ele não faz nada: o ego dele faz…

Desculpe, vou falar diferente…

Ego perceba que a pergunta você cria a idéia de uma possível ação sua que favoreça a elevação do espírito. Mas, ego, compreenda que o espírito não pode compactuar com as idéia de que você é capaz de realizar qualquer coisa. Compreenda que o espírito tem que chegar à conclusão espiritual, ou seja, sentimental, e não racional de que não há nada a ser feito…

Cristo disse: tudo está pronto. Tudo está pronto, Deus faz tudo e você ego vem buscando justificar sempre com alguma palavra alguma coisa para fazer.

Não estou dizendo que você, ego, está errado; não estou dizendo que você, ego, é “mal”: estou querendo lhe que você não pode realizar coisa alguma, não importa o que seja.

Você, ego, sabe que não tenho meio termo e que, para exemplificar o que eu falo vou sempre aos extremos. Por isso lhe digo, que depois de eu responder tantas vezes que você não pode fazer nada, você, ego, vai acabar me perguntando: será que eu não posso realizar nem uma ação fisiológica?

Sim, é bem capaz de você, ego, chegar a este extremo porque, por causa do gênero de provações que o espírito que está ligado a você pediu, você, ego, está e extremamente preso à necessidade de fazer alguma coisa.

Quanto à você, espírito, o meu recado é o seguinte: repare no que eu acabei de falar a este ego. Agora, repare sentimentalmente…

Depois de reparar, não cai nesta armadilha, porque posso lhe garantir pelas perguntas que o seu ego me faz que esta é a sua prova… Liberte-se, espírito, da paixão pela realização material (execução de determinados atos escolhidos pela razão), pois ela é oriunda da possessão dos elementos materiais, da possessão sentimental e da possessão moral…

Participante: Pode falar da diferença de missões entre Cristo e Krishna?

Eu diria que o ego Jesus Cristo teve como objetivo falar do amor e o conhecido como Krishna falou do controle da mente. Com relação a diferença entre estas missões, só posso falar a respeito destes aspectos, que são constatados pela simples leitura, porque a intenção Real com que se cria uma missão, só Deus sabe.

Aliás, posso saber sim: criar provas. Toda encarnação missionária foi criada como prova para vocês.

Participante: O que é moral? Qual a importância dela na nossa passagem na terra. Locação

Vou lhe responder de uma forma direta. O que é moral? Aquilo que você acha que é. Qual a importância dela na nossa passagem na Terra? A que você achar que tem…

Acabei de falar que os valores que se dá aos elementos do mundo material são individuais. Sendo assim, tudo tem o valor que você der a ele.

Eu não posso lhe dizer qual o valor da moral, porque se você não concorda comigo, irá discordar. Agora, posso lhe falar a respeito da moral espiritual. Desta posso falar, pois ela é Universal, ou seja, possui um único significado para todos…

Qual a moral espiritual? Amar a Deus e amar a tudo e todos. O que imoral? Não amar.

Imoral, espiritualmente falando, é, por exemplo, você adorar a sua companheira desta encarnação. Isto é imoral, espiritualmente falando, porque fere o amor universal… Adorar um filho é uma imoralidade espiritual.

Aliás, Cristo, aquele que ensinou a moralidade amorosa, diz: enquanto você não se desapegar de seu pai, sua mãe, filhos, esposa e de você mesmo, não serve para mim.

Então, o que temos que entender a respeito de moral, é que a humana será sempre aquele que você achar que é. Agora, a respeito de qualquer coisa do espírito, amar é a única resposta real que se pode dar a qualquer questionamento.

Qual a importância da moral humana? Para mim, nenhuma, pois ela nem existe: é apenas uma verdade relativa que sumirá com a aproximação de Deus.

Participante: Como eu, espírito, tenho como saber a algum lugar ou algum feito? Estou, eu ego, confinado a viver na a insegurança e na escuridão da ignorância encarnada?

Você espírito pode saber de tudo, pode conhecer tudo. Agora, tudo que você, espírito, conhece não é consciente ao ego.

O que você está me perguntando, em essência, é diferente do que suas palavras dizem. Na verdade, você quer saber porque o ego não conhece o que o espírito sabe…

O ego não pode, por si próprio, saber o que o espírito está pensando porque ele nem existe. O ego é simplesmente um criador de realidades ilusórias. É uma ilusão que cria ilusões. Então, ele não pode saber.

Agora, você, espírito, sabe muito bem o que está fazendo. Mas, sequer saber isso na consciência humana, é impossível…

Participante: É uma louvável situação miserável da alma errante…

Desculpe, mas isso não é uma situação miserável: é uma glória para espírito. É o seu ego que está dizendo que miserável.

Você falou que o espírito está confinado a alguma coisa, mas ele não pode estar, pois é livre. Deixe-me dizer algo interessante a este respeito…

Há muito tempo atrás quando ainda discutíamos a questão do livre arbítrio, me perguntaram se o espírito mais elevado poderia ter o livre arbítrio dos atos. Eu disse que sim, ele pode ter.

Esta pessoa, então, ficou feliz em saber que alguém poderia exercer ações livremente. Aí eu lhe disse: sabe como ele exerce este livre arbítrio? Dizendo: Senhor, faça de mim instrumento de Vossa vontade. Eu faço o que o Senhor quiser… Isto é uma opção. O espírito optou por servir a Deus sem impor condições para tanto…

Sendo assim, o que você chama de confinamento (estar ligado a um ego), para o espírito é o resultado de sua liberdade de agir. O espírito ligado ao mundo espiritual dentro da Unidade, está livre, sente-se livre, inclusive de fazer aquilo que quer, que acha “melhor”…

Agora, o ego interpreta esta idéia de estar preso ao ego como confinamento. Mas, isso é o ego que está interpretando e não o espírito que está vivendo. Então, liberte-se disso também…

Não deixe seu coração sentir que o espírito está confinado em algum lugar, que ele está preso ao ego. Krishna diz bem claro: se o ego é uma ilusão e sentir-se aprisionado também, o espírito não está preso a nada. Tem apenas a ilusão de estar preso.

Participante: Desde que eu estou ligado a este ego, só poderei ver a situação miserável da alma errante, pois o ego é dominante…

O espírito não vê isso: imagina que está vendo. Na sua consciência primária ele não vê as coisas desse jeito. Mas, como não recorre a ela enquanto encarnado, mas só às secundárias, tem a ilusão de. Ele não está preso, mas imagina-se como tal.

Olha a diferença entre o que eu disse e o que você falou. Você está querendo colocar que a vida do ego, as razões da personalidade ilusória são reais para o espírito. Não são… São ilusões que ele trata como realidade, mas são ilusões.

Isso porque na consciência espiritual nada disso está sendo vivenciado: está se tendo a ilusão de estar sendo vivenciado.

Participante: Só sobram as ilusões como realidade?

Para o ego sim.

Aliás, nem para ele só sobra a ilusão como realidade, já que a ilusão não existe. O que se pode dizer é que para o ego toda realidade é uma ilusão…

Participante: Como encarnado só tenho acesso ao que o ego dita. É verdade isso?

Deixe-me tentar lhe mostrar uma coisa. Como encarnado você não tem só acesso ao que o ego dita. Como encarnado você é o ego… É diferente…

Mais do que ter só acesso ao que o ego diz, como se houvessem outras coisas para ter acesso, você é o ego. Sendo assim, não existe mais nada para você como encarnado.

Participante: Só teremos consciência das provas após o desencarne ou podemos ter em vida terrestre?

Você só terá consciência das provas quando se libertar sentimentalmente da personalidade que viva atualmente.

Digamos que seu nome é José. Enquanto você for o José, não terá consciência das provas. Agora, quando se libertar desta sétima consciência, poderá ter, pois na sexta consciência está registrado o que veio provar através da personalidade da sétima. Neste momento terá consciência das provas e do quanto realizou delas.

Isso não tem nada a ver com morte ou vida. Pode se ter esta consciência depois do que você chama morte ou vida…

Participante: Caso de tenha consciência das provas antes do desencarne e verifique-se que ainda ficou algo pendente, pode se seguir no trabalho inicial proposto na provação?

Quando você deixar de ser o José, ou seja, quando puder saber, não se preocupará com o que fez ou deixou de fazer. Você está pensando como ser humano, querendo ser espírito, mas pensando como ser humano. Isso é impossível.

Quando você atingir esta consciência, só dirá: louvado seja Deus…

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