Palestra 08


Participante: Quando, portanto, vires os dias de abominação se instalarem no lugar santo, fuja para as montanhas; não desça para apanhar as coisa da sua casa (Matheus). Qual o significado de abominações neste texto?

Grande pergunta…

Vocês só pensam em desolação, em abominações, em termos materiais, ou seja, em catástrofes. Por isso, imaginam que haverá grandes catástrofes físicas naquele dia que Cristo ensinou, mas não vai ser isto que acontecerá…

Como Cristo ensinou – e nós já estudamos este texto – se Reino de Deus é dentro de cada um, o que marcará aquele dia acontecerá dentro de cada um. Sendo assim, no momento que a moral espiritual do ser humano for cobrada através do apontamento da imoralidade que é a moral humana, ou seja, que em nome de Deus se mata, vilipendia e se faz outras coisas, se neste momento você estiver em cima, ou seja, estiver buscando a sua elevação espiritual, não volte para pegar coisas materiais. Agora, se estiver em baixo, ou seja, preso ao amor aos elementos do mundo material, saia correndo pra cima, para o espiritual, pois esta cobrança quer dizer que os tempos chegaram…

O que acontecerá naqueles dias que Cristo ensinou são as demonstrações de que a moral humana é imoralidade para Deus. Esta imoralidade será muito bem apontada por aqueles que têm moral para tanto: aqueles que vocês chamam de extraterrestres. Estes são espíritos mais evoluídos que vocês e eles, a partir de sua própria ascensão moral, mostrarão como imoral é a moral humana.

Participante: Os extraterrestres virão materialmente ou espiritualmente?

Esta pergunta já meu foi muitas vezes feitas: claro que eles virão espiritualmente, porque são espíritos. Virão em emissão espiritual…

Agora, imagino que você ao me fazer esta pergunta está se querendo saber se eles virão de uma forma perceptível a vocês. Eu respondo que sim, eles serão percebidos pelo ego humano, mas virão espiritualmente e não materialmente…

Falo desta forma para que vocês possam compreender uma coisa importante: o que os seus egos perceberão não são eles, mas as formas às quais eles estão ligados. É diferente. Compreende? Vocês verão um extraterrestre, mas o que verão é uma forma e não o próprio espírito.

Estes espíritos poderão lhes trazer esta cobrança moral porque eles estão livres dos conceitos humanos e dos conceitos do planeta deles. Não digo que é um espírito de posse da sua consciência espiritual, mas que já tem verdades do quarto ou terceiro nível de consciência.

Participante: Esta forma de apresentar-se dos extraterrestres é a mesma que você utiliza?

Não, não é como eu me apresento. Eu, na verdade, não me apresento à vocês com nenhuma forma minha própria. Eu utilizo o que vocês chamam de mediunidade e por isso me apresento à vocês através da forma do médium.

Já os extraterrestres se apresentarão dentro de formas próprias deles, pois não se farão presentes pelo processo de incorporação. Só que estas formas serão meras criações dos seus egos. Esta é a diferença: vocês vão olhar para os extraterrestres e, diferente da minha apresentação, verão um corpo específico para aquela apresentação, mas este corpo só existirá no ego de vocês e não fora dele.

Mas será que todos vão ver da mesma forma os extraterrestres? Sim. Todos terão a mesma percepção da figura com a qual estes espíritos se apresentarão porque, afinal de contas, ninguém vê nada, mas Deus é quem cria o que é percebido pelos egos. Então, Ele irá criar de uma forma o universal as imagens dos extraterrestres.

Resumindo, os extraterrestres se apresentarão com um corpo próprio. Mas este corpo não pertence ao espírito, mas os egos humanos é que o estará criando…

Participante: Estas apresentações serão para mais provas para nós? Mais uma coisa para nos libertarmos?

Sim, a forma percebida pelo ego será mais um elemento para vocês se desapegarem. Apegando-se àquele ser extraterrestre através da sua forma, nada terão alcançado com relação à elevação espiritual.

O que vocês precisam ouvir é a mensagem que eles trarão e não apegarem-se às formas com as quais eles se apresentarão. Aliás, como disse o texto bíblico que deu origem a esta série de perguntas: Quando, portanto, vires os dias de abominação se instalarem no lugar santo, fuja para as montanhas; não desça para apanhar as coisa da sua casa

Participante: O senhor pode falar sobre intenção? Ela vem do coração, do espírito ou é criada pelo ego via prova?

Toda intencionalidade é racional. O ego cria as formações mentais sempre com bases intencionais, ou seja, age sempre com um objetivo predeterminado.

Todo pensamento tem a característica de criar uma intenção, de falar a respeito de uma intenção. Portanto, são provas, já que a base de todas as intenções humanas é o egoísmo.

Saiba: não existe pensamento humano que não contenha no seu íntimo uma pretensão egoísta. Mesmo quando o pensamento fala em fazer o “bom” para os outros, há nele uma intencionalidade. Isto porque o pensamento quer diz que se deve fazer aquilo que se acha “certo” ser feito, sem consultar se quem vai receber quer aquilo e porque o ego só aceita fazer o “bom” para quem quer bem, ao invés de buscar agir assim de uma forma generalizada.

As formações mentais que o ego cria fundamentam-se prioritariamente no “eu”, que é por natureza egoísta. Por isto, as intenções que ele expressa, por mais que pareçam “santas”, são sempre de cunhos egoístas. Por ter este cunho, são, portanto, provações para o espírito.

Agora, esta intencionalidade é dada através do raciocínio e de uma emoção ou sensação. Ou seja, você tem um raciocínio que compreende uma intencionalidade e uma emoção que vibra de acordo com esta intenção.

O espírito que ligado ao ego aceita esta emoção como real, como verdade, como sendo dele, passa, então, a achar que está vibrando aquilo. Neste momento, ilusoriamente, ele imagina que está sentindo aquela emoção Mas, o espírito não tem esta intencionalidade: ela está apenas no ego. Como já disse, no Universo Uno, Único e Estável, o espírito apenas acha que está vibrando de acordo com as emoções do ego…

Resumindo o assunto, então, digo que as intenções são frutos do ego, são elementos da personalidade temporária à qual o espírito se liga e fazem parte da provação deste, seja esta intencionalidade criada através de emoções ou razão…

Participante: Outro tema que me faz confusão é a vontade. Ela está sempre ligada a um desejo? Sendo sua resposta sim, pergunto: por que foi dito seja feita a vossa vontade ao ser humanizado?

Foi dito “seja feita vossa vontade” com relação à vontade de Deus, não à vontade do ser humano. Pelo contrário: foi dito que Deus não se submete as vontades humanas…

Sim, vontade é sinônimo de desejo, mas isso é assim para vocês. Para os egos humanizados vontade é sinônimo de desejo. Mas, quando se fala na vontade de Deus, não se pode imaginar que ela seja fruto de um desejo, porque Ele não deseja.

Deus não tem desejos porque Ele não trabalha com hipóteses que podem dar “certas” ou “erradas”. Deus não tem desejos: só têm Verdades, Realidades. Sendo assim, quando se fala que seja feita a vontade de Deus, o que se diz é que se elimina as vontades humanas para que as Verdades e as Realidades de Deus aconteçam.

Neste aspecto, então, não se tem vontade como sinônimo de desejo, mas, para vocês humanos, a vontade é sinal de desejo.

Participante: Deus criou o espírito puro. Criou também os egos como uma ferramenta carmática e criou as ilusões através das quais os espíritos buscaram se libertar. Ao espírito cabe escolher entre a ilusão e Deus. Se escolher o amor individual estará criando nova encarnação, cujo herdeiro absoluto todo carma é única e exclusivamente o ego. É por aí?

Não, o herdeiro do carma é o espírito. Mas, o espírito quando escolhe um amor individualista gera para si um carma e não uma nova encarnação. Gera um carma que poderá ser vivido nesta ou em outra encarnação e não necessariamente uma nova existência humana.

Quem, no mundo ilusório, irá gerar a percepção da situação carmática é o ego, mas o carma não é dele. O ego vivencia a situação carmática, mas o carma e do espírito. Isto porque o ego só reflete aquilo que espírito precisa.

Então, o espírito adquire um carma por ter se banhado no amor individualista e Deus cria através do ego uma situação carmática que seja de acordo com aquele carma que o espírito adquiriu.

Participante: Eu havia entendido que o espírito não tem carma…

Só o espírito tem carma. O ego nem existe, ele é uma criação ilusória e que não faz nada; quem faz é Deus…

Veja bem. Deus cria a cena e o espírito escolhe entre o amor universal ou o individual. Neste momento da escolha do espírito existe uma ação fundamentada no seu livre arbítrio: da escolha entre o bem ou o “mal”.

Com existe uma ação, ela gera para uma reação. A reação a esta ação espiritual será teatralizada pelo ego. Por isso pode se entender que o carma é do ego, mas a origem desta cena, ou seja, da ação carmática, foi a ação do espírito o carma. Portanto, o carma é do espírito e não do ego…

Aliás, deixe-me falar uma coisa sobre o carma… Na verdade, nem existe carma…

Veja, se o espírito tem a ilusão de estar amando individualmente, o carma é o resultado de uma ilusão e por isso também uma ilusão. Acho que é neste aspecto que você está se baseando para afirmar que eu disse outro dia que o carma não é do espírito.

O carma realmente não é do espírito se você pensar que na realidade ele está sempre amando universalmente e por isso jamais geraria um carma. Mas, se olharmos pelo lado ilusório, pela realidade relativa que você chama de absoluta, ele existe…

O carma, portanto, é o resultado da ilusão de achar que não se está amando universalmente. Sendo o carma uma ilusão, ele não existe um carma. Ficou claro?

Participante: Se o espírito já está amando universalmente, para que então existe o carma?

Para mostrar a ele que apesar de estar amando universalmente, está iludido achando que não está…

Participante: É chover no molhado…

Sim, mas veja. Falar de atividade de espírito para egos, é sempre chover no molhado, porque toda atividade que pode ser conhecida através da razão é uma ilusão…

Se formos nos ater à Realidade, o carma não existe, mas isso não é real para vocês, pois vivenciam carmas…

Então vou dizer assim: ilusoriamente o espírito acha que ama individualmente. Quando vive esta ilusão como real, cai na ilusão da existência do carma. Neste processo de vivenciar ilusões como realidades, ele vai até se libertar de toda a ilusão, tomando cada vez mais a consciência de que não está fazendo nada que a razão diz que é real.

Mas, apesar de ilusório, o carma é importante, pois é o processo que faz o espírito ir de ilusão em ilusão libertando gradualmente do egoísmo…

Participante: Parece-me, então, que Deus criou o espírito já amando universalmente, mas não acreditou na sua própria criação. Por isso tem que colocá-lo à prova. É isso?

Exatamente isso que está na bíblia.

Participante: Então deus não é completamente Onipotente?

Não entendi onde não estaria a Onipotência de Deus…

Participante: Em não acreditar naquilo que Ele próprio criou: o espírito amando universalmente…

Não é que ele não acredite… Ele cria espíritos livres e não robotizados…

Ele cria o espírito de diz a este que pode fazer tudo, menos uma determinada coisa. Aí depende do livre arbítrio do espírito – que é a marca de sua liberdade – fazer ou não o que lhe foi informado para não fazer…

Ou seja, Ele cria a opção para que o espírito escolha, para que este não seja um robô. Ele deixa o espírito escolher o que fazer para não quebrar aquilo mesmo que Ele deu e que marca a liberdade do ser universal: o livre-arbítrio, o direito de escolha.

Deus apenas guia o espírito, através da sua Onipotência, para que este ser volte, depois de ter por moto próprio degenerado um dia, à postura inicial. Para isto criará a vivência de ilusões que sempre trarão em si uma pergunta para este ser responder utilizando-se do seu livre arbítrio: o que você está vivendo agora é Verdade ou ilusão?

Para administrar todo este processo, o Senhor precisa ser Onipotente…

Participante: Já lhe perguntei para onde o senhor vai quando o acabar nossa reunião. Mas, não quis saber do Joaquim, do ego, como foi a resposta que recebi, mas sim de você espírito. Gostaria de saber em que plano você, espírito, está. Insisto na pergunta por que não consigo conceber que você se valha de formas. Em que plano essencial você atua?

Diga-me uma coisa: em que plano como essencial você atua?

Participante: Aprendi com você que, como encarnado, só no sétimo plano…

O que quer dizer encarnado? Ligado a um ego humanizado…

O espírito, qualquer que seja a sua seu grau de elevação moral, não atua dentro do seu grau de consciência, mas dentro da que o seu ego está. Ou seja, tem a consciência sempre determinada pela personalidade transitória que está vivenciando…

Eu posso dizer que talvez eu já pudesse estar vivendo consciências de quinto nível, mas, por causa desta missão, eu me ligo a este ego que você chama de Joaquim. A partir do momento que me ligo a ele, tenho que estar, ou melhor, estarei onde este ego estiver. Quando ele for dissolvido, eu serei livre para ir para outro lugar, mas enquanto ele existir, enquanto houver a ligação ilusória com ele, estarei onde ele estiver.

Em O Livro dos Espíritos diz-se que o espírito está onde o seu pensamento está, ou seja, onde está o seu ego é que você está. Então, sempre estarei onde Joaquim estiver…

Por isso lhe respondi quando fez a primeira vez esta pergunta exatamente assim: por estar ligado ao ego Joaquim, eu, espírito, estou onde ele está. Não posso deixar de ser Joaquim daqui a uma hora e voltar a sê-lo depois de duas. Enquanto a minha missão dourar eu estarei Joaquim e estarei onde ele estiver.

Participante: Você deixa este ego Joaquim quando acaba a reunião?

Não, não posso deixar o ego Joaquim quando acaba esta reunião, porque ele continua depois dela.

Eu, além das reuniões, tenho que agir junto a vocês e a uma série de outros espíritos, que você chamaria de desencarnados, que estão junto conosco. Estes espíritos e vocês não me reconhecem como o ser universal, mas sim como Joaquim.

Quantas vezes, após acabar uma reunião, eu me encontrei com um grupo de espíritos que vocês chamam de desencarnados, que foram trazidos aqui para ouvir a palestra, me esperando. Durante o tempo que estava conversando com vocês, eles estavam vendo a cena que vocês estão e esperando Joaquim para continuar a conversa. Não o espírito, mas o Joaquim que eles conseguem perceber.

Participante: Nestes encontros você vai com forma do médium?

Não, eu vou com a forma de Joaquim. Ela é a forma que os espíritos estão me vendo participar mediunicamente nesta reunião. Eles me vêem dentro da forma Joaquim, ou seja, conseguem me distinguir da forma do médium.

Voltando à pergunta inicial, posso dizer que Joaquim é a missão que estou executando e, por isso, tenho que ser Joaquim o tempo inteiro. Quando acabar a missão, ou seja, o Joaquim dissolver-se, posso ir para outra consciência, mas, por enquanto, tenho que estar sempre preso a Joaquim.

Participante: O que mais prende a roda da encarnação não é o carma, mas sim o aceitarmos nossos atos de encarnado como reais. É isso?

O que mais prende o espírito à roda de encarnações não é aceitar o ato como real, mas aceitar a intencionalidade gerada pelo ego como real.

Foi o que respondi sobre intencionalidade: ela é o fruto do egoísmo. São as posses, as paixões e os desejos que Deus lhe cria através do ego como prova. Não é o ato de gostar ou não de alguém, mas o acreditar na intenção de gostar de determinada pessoa que prende os espíritos à roda de encarnações.

Um dia me disseram que eu falo que tudo é ilusão, mas como são bonitos um pôr-do-sol e as flores. Eu respondi a esta pessoa: é exatamente por achar as flores bonitas que você, espírito, está preso à roda de encarnações.

Você, espírito, aceita a ilusão da beleza que o ego cria como real e quer ter a ilusão de estar vivo para poder curtir o prazer de observá-las… Aí está a intencionalidade que eu falei que os prende à roda de encarnações…

Respondendo-lhe, então, digo que o que os prende à roda de encarnações é o apego às intenções egoístas criadas pelo ego e não o ato em si.

Participante: Entregar toda a responsabilidade dos meus atos a Deus é uma atitude de pequeno valor frente a emancipação espiritual. É verdade isso?

Sim, entregar a responsabilidade de seus atos a Deus ainda é pouco. Isto porque ainda permanece alguma intenção: Deus fez isso para acontecer aquilo, ele fez por causa daquilo…

Olha a intencionalidade presente… Esta intencionalidade é que está lhe prendendo e não o ato de agir.

Participante: No tema “Construindo a felicidade”, uma pessoa levantou a questão de que o carma pode ser interrompido e o senhor concordou dizendo: se nos mantermos equânimes não geramos carma. E isso vale para o carma de vidas passadas?

A resposta é sim, mas antes de completar a questão, precisamos deixar uma coisa bem clara: não existe carmas com origem em vidas passadas…

Não existe o carma de vidas passadas, visto por que o carma é sempre da vida atual. O carma está sendo sempre criado nesta vida. Ele pode ter origem em acontecimentos de egos anteriores, mas não é um carma daquele ego e sim deste.

Dito isto podemos continuar lhe respondendo…

A elevação espiritual se caracteriza pela vivência dos acontecimentos da existência com equanimidade, ou seja, pela libertação do coração das emoções. Quando se vive assim, o carma acaba.

Agora, será que acabar com o carma muda, modifica os acontecimentos previstos para esta existência? Não…

Libertar-se de um carma, ou seja, aprender a ser equânime frente às emoções geradas pelo ego, não modifica o ato pré-programado. Isto porque o Universo é interdependente.

O ato que você vivencia é sempre presenciado ou sabido por outras pessoas. Por isso os atos pré-determinados para sua encanação precisam existir, pois eles representam o carma pelos quais os outros espíritos precisam passar.

Seus atos não mudarão, mas, se conseguiu a equanimidade, você não terá o seu carma naquele momento, ou seja, poderá não ser tentado por determinado emoção. Vou dar um exemplo…

Um ato previsto para sua vida onde você é assaltado, ou seja, alguém entra na sua casa e retira tudo de lá ou alguém enfia a mão no seu bolso e tira todo seu dinheiro. Se você conseguir a equanimidade com relação à paixão pelos elementos materiais, este ato continuará existindo na sua vida, pois os egos do ladrão, do receptor, da polícia, das pessoas que saibam do acontecido, precisam dele para gerar a provação dos espíritos a eles ligados.

Agora, você, por já ter alcançado a equanimidade, não vive este ato tendo a emoção de estar sendo roubado, de ter perdido coisas… Neste momento o seu ego gerará a emoção de equanimidade e o espírito, mesmo ainda acreditando que é o ego, também continuará equânime.

Com isso você, o espírito, não gerará terá carma naquele momento. Isso porque equanimidade é apatia e, por isso, não pode ser considerada uma ação. Se não é ação, não pode gerar reações. Ficou claro?

O momento carmática só pode ser suspendido neste parâmetro (na emoção ou intenção) e nunca na ação propriamente dita, porque a programação de ação para você influencia na programação de ações de outro. Por isso você não pode viver uma situação diferente na sua vida. Agora a sua emoção, se já tiver alcançado a equanimidade será diferente…

Aliás, vocês mesmo conhecem este ensinamento… Quantas vezes já não se pegaram agindo sentimentalmente diferente em situações iguais às ocorridas no passado?

Participante: Quando o ser humano fica apático às situações, isto é um caminho para se desprender da materialidade?

Quando você alcança a apatia com relação às coisas do mundo, libertou se da ilusão. Agora, esta apatia não é racional, mas sentimental. Sendo assim, você nem sabe que alcançou. Quando a apatia é constatada racionalmente, acha que se tornou apático, saiba que não se tornou, mas isso é uma prova.

Sendo assim, lhe respondo que se você, no coração, não na razão, conseguir a apatia é uma prova que conseguiu vencer o mundo e que as emoções mundanas não mais lhe afetam o coração…

Participante: Quando não se esboça um comentário diante de uma situação escandalosa é porque se tornou apático?

Comentário é algo físico, então é prova.

Estou falando de coração… Quando seu coração está apático às emoções que o ego cria, você, o espírito, alcançou a apatia.

Agora, quando racionalmente souber que o coração está apático, pode não estar. Isso, com certeza é apenas o seu ego lhe informando que está.

Portanto, se quer alcançar a apatia, esteja com o coração apático a esta informação também…

Participante: O seu médium postou um texto onde sugere que as diversas entidades que se apresentaram através dele (exu, caboclo, baiano, índio, preto velho, etc.) seriam o mesmo Joaquim, o mesmo espírito que se apresenta sobre o nome de Joaquim. Poderia se estender sobre isso…

É muito simples e nem preciso me de estender tanto… O espírito pode assumir qualquer forma que seja necessária para o bom andamento do seu trabalho.

Na verdade, alguns egos missionários são constituídos com esta característica: criar diversas formas, nomes, tendências, sotaques para apresentar-se quando participam de um trabalho. No meu caso isso, como eu já respondi anteriormente, sim, o meu ego possui esta característica.

No meu caso, é sempre um só espírito trabalhando sob diversas formas, de acordo com a necessidade do trabalho.

Com relação a este assunto, deixe-me dar uma complementada…

Na verdade, não foi o médium que escreveu o texto a que você se refere. Claro que o ego dele foi comandado para escrever. Isto aconteceu por um motivo muito importante, do qual gostaria de falar um pouco…

Quando me perguntaram hoje onde eu estava, em que nível de consciência vivia e eu não respondi diretamente, uma pessoa me falou em particular que a perguntava objetivava saber a que nível de elevação eu pertenço quando liberto deste ego. Disse a esta pessoa que tinha entendido o objetivo da pergunta, mas que esta resposta eu não daria.

É preciso deixar uma coisa bem clara: não importa que espírito esteja usando um ego, tudo que ele faz é sempre criação de Deus. Então, é sempre Deus falando…

Eu evitei responder à pergunta sobre meu nível de elevação – e me desculpem a sinceridade – para evitar endeusamento… Para um espírito missionário a pior provação é o ego criar esta emoção, pois se ele se deixa levar por ela, será, para ele, pura perda de tempo. A missão será realizada, mas ele não vai aproveitar o fruto do seu trabalho.

Entendido isso, podemos, então, entender porque Deus criou a idéia do médium estar divulgando tal texto: desmistificar, acabar com a idéia de um ser (Joaquim) melhor do que os outros…

Nosso trabalho sempre foi desmistificar todos os mitos que os egos humanos criaram a respeito da vida depois da vida. Uma pessoa uma vez me perguntou: se Kardec gerou “kardecismo”, será catecismo que este trabalho gerará o “Joaquinsmo”? Eu respondi: não, nunca…

Isto não pode acontecer porque tenho a plena consciência de que nada do que é transmitido pertence ao Joaquim, ou ao médium ou qualquer outro espírito especificamente. Não pertence nem mesmo ao Espiritualismo Ecumênico Universal…

Numa cidade uma pessoa me disse que estava devolvendo as páginas contendo os ensinamentos porque queria pedir desligamento do grupo. Eu disse que ele não podia pedir desligamento nem ligamento de nada, porque este é um trabalho da espiritualidade para os espíritos. Ele não tem dono…

O ego Joaquim é um transmissor dos ensinamentos e eu (espírito) sou um mero participante deste trabalho na função de locutor de informações. Como já cansei de dizer, Joaquim só toca o som que alguém produziu.

A divulgação da informação de que todas as incorporações, apesar das variadas formas com as quais elas se apresentaram, foram feitas por apenas um espírito, é muito importante para pararmos de dizer que Joaquim fala ou ensina alguma coisa. Joaquim não diz nada… Aliás, ele nem existe…

Este é um trabalho do mundo espiritual para a espiritualidade to planeta Terra. Por isso ninguém está fora nem dentro, nem ninguém cria nada. Tudo vem de Deus.

Participante: Queria lhe passar um comentário interessante que alguém fez e pedir que fale dele: “Interessante que Joaquim, sendo um preto velho, não se inclui nisso. Fiquei com a impressão de que suas frases são ditas por alguém que se considera oriental. Estou falando isso porque Joaquim mesmo diz que ele é porta-voz de um grupo de espíritos que formam o Espiritualismo Ecumênico Universal do. Por isso, acho eu, às vezes ele é ocidental, cristão, outras vezes adquire um tom oriental, budista”.

No início dizíamos assim: todas as nossas mensagens são oriundas da “Academia Superior de Ciências Espirituais”. Chamar a fonte de nossos ensinamentos de academia superior foi um ato de presunção de nossa parte, mas foi algo que foi necessária naquele tempo. Isto porque precisávamos impressionar para abrir ouvidos para as mensagens que trazíamos…

Hoje, o que posso lhe dizer a este respeito, é que os nossos ensinamentos, como os de todos os outros espíritos missionários, fazem parte de um planejamento de evolução dos espíritos que encarnam no orbe terrestre.

É preciso ficar bem claro isso: não se pode dizer que, por exemplo, o espírita é menos evoluído do evangelho. Ser evangélico ou ser espírita faz parte da evolução de cada um. São elementos de acordo com a necessidade de criação de ilusões. Isso não quer dizer que um seja mais elevado ou menos que o outro.

Como já dissemos, não se reconhece o espírito pelo grau de elevação do ego. Posso isso posso lhe dizer que qualquer ensinamento de qualquer religião ou doutrina, é administrado na ilusão, por um grupo de egos. Egos que possuem outras consciências, mas ainda personalidades ilusórias.

São estes egos que determinam o que qualquer mentor de qualquer doutrina irá passar. Mas, nem por isso podemos endeusar estes espíritos, porque ao vivenciar esta realidade, eles estão no mundo deles vivendo as suas provas…

Sendo egos que criam, é Deus quem comanda. Portanto, a administração do ensinamento que cada um vai passar, na verdade, constitui-se em simplesmente fazer o que Deus manda fazer. Portanto, o trabalho em si não é uma criação de espíritos…

Neste grupo de espíritos alguns espíritos estão ligados a egos que, não vou dizer nem que tenham origem, mas possuem missões, que vocês reconhecem como de cunho oriental enquanto outros vocês reconhecem como ocidental. Tratam-se de egos preparados para a criação de determinadas.

Então sim, o comentário que você ouviu é pertinente, pois muitas vezes leio um texto escrito por um ego com ensinamentos de cunho oriental, que foi escrito na ilusão por um ego comissão oriental, e outras vezes por um orientado nos ensinamentos ocidentais. Mas, eu apenas leio o texto deles…

A única coisa que faço aqui é ler textos. As perguntas que vocês estão me fazendo, apesar de vocês não acreditarem nisso, já estavam programadas, assim como as respostas. Eu só estou lendo os textos desta programação…

Um dia, numa destas reuniões, alguém me pediu para repetir uma resposta que eu tinha acabado de dar. Eu disse que não podia porque já tinham tirado a folha… Não dava mais para ler aquela resposta.

O comentário que ouviu, então, é perfeito, mas com a ressalva que eu não sou oriental ou preto-velho: leio respostas escritas por egos que têm esta ou aquela formação por causa da missão de cada um.

Sei que para vocês, espíritos aprisionados às ilusões geradas pelo ego, quando leio respostas parece que eu estou falando como se fosse oriental e ocidental. Mas eu não sou uma coisa nem outra: eu sou eu.

Participante: Na visão monista o passado e o futuro estão contidos no presente, ou esta compreensão é ilusão?

Passado e futuro não existem… Só existe o presente que se repete a cada micro fração de tempo. Só isso.

Não existe passado nem futuro: isto é o máximo que posso lhe dizer… Falar mais do que isso é impossível para vocês que contam tem compreenderem…

Para vocês, egos humanizados, a única coisa que posso dizer é que na visão monista, ou seja, na visão do Universo Uno, Único e Estável, não existe passado ou futuro. Só existe o presente, que se repete a cada momento, sempre sendo presente.

Participante: Se existe só o presente, quando se dá o resultado do merecimento? Nós, os humanizados, temos a sensação de que temos que estar no caminho por um longo tempo para poder alcançar a elevação..

Se não existe tempo, não existe um longo ou curto caminhar.

Quando se dão resultado da ação do presente? No presente… Isto porque o presente é a única coisa que existe…

Como disse, é muito difícil explicar para vocês presente. Quando falo, por exemplo, que o resultado da ação no presente se dá no presente, vocês imaginam que são presentes sobrepondo-se. Com isso, surge, também, a idéia de que quando um presente se sobrepõe ao outro, o atual veio do futuro e o outro foi para o passado. Mas não é isso: sempre há apenas um único presente… Mais do que isso é impossível explicar ao ego humanizado, preso à existência de tempos.

Esta é a primeira explicação com respeito à sua pergunta. Quanto à sua afirmação de que vocês precisam de um longo tempo para elevar-se, Krishna diz que o trabalho da elevação espiritual pode ser executado no minuto anterior à morte. Sendo assim, até pelo tempo humano, você pode imaginar que pode alcançar a elevação espiritual rapidamente.

Aliás, deixe-me dizer uma coisa interessante. A elevação espiritual não gasta nenhum tempo… Isto porque, num presente você não está evoluído, mas no outro sim…

Por mais que vocês imaginem que estão caminhando, ainda não evoluíram. A evolução só acontece quando se termina a caminhada. Ela não acontece paulatinamente. É a mesma história sobre o haver apenas um presente constantemente: não dá para entender o que estou dizendo…

Vocês acreditam que estão evoluindo, mas apenas estão caminhando em um sentido e ainda nada realizaram. Evolução se alcança por completo: antes disso nada se alcançou…

Quando se evolui, evoluiu se. Ficou claro?

Participante: Não…

Que bom: não criaram um novo paradigma…

Não dá para ficar mais claro que isso. Se não compreendeu, pelo menos fique com as palavras de Krishna quando ele fala que, mesmo que a libertação seja feita no último minuto de vida, terá valido a pena toda a vida.

Participante: O quanto devo respeitar meu ego?

Que pergunta difícil…

Você não deve ter nenhum respeito por ele, se entende respeito como acatamento. Sabe, o filho deve respeitar um o pai, ou seja, deve acatar o que o pai fala. Este tipo de respeito você não deve ter nenhum pelo ego.

Agora, se você chama respeito de valorização, deve ter todo o respeito pelo seu ego. Ou seja, deve valorizá-lo muito porque ele é um instrumento da sua prova.

Mas, valorizar o seu ego não é valorizar o que ele cria: é ter respeito ao ego como criador de realidades ilusórias, mas não respeito pelas realidades ilusórias que ele cria. Não sei se me fiz entender, mas no fundo é isso: ame o seu ego porque ele é o seu amigo, o instrumento que lhe ajuda na evolução espiritual; mas, não o ame o que o seu ego cria.

Às vezes é difícil explicar determinadas coisas porque as palavras têm duplo sentido. Por isso fiz questão de falar sobre os dois sentidos que conheço para a palavra a respeito

Participante: Algumas pessoas falam que a Índia está numa situação precária devido à passividade das pessoas que lá habitam e acreditam que devem aceitar tudo que existe sem contrapor-se porque, afinal de contas, é carma. Ou seja, a idéia de que não é necessário se transformar as coisas. Comente, por favor…

O que você quer que eu comente? Pela lógica humana, a Índia está numa situação precária. Mas isso pela lógica humana…

Por que ela pensa isso? Porque a lógica humana é fundamentada na busca da satisfação pessoa… Então, sim, a situação na Índia é lastimável para o ser humano…

Para o ser humano que quer ganhar, que quer estar sempre certo, que quer a fama e o elogio, a vida na Índia acontece em situação precária. Agora, sobre o ponto de vista espiritual, a Índia é um foco de Luiz imenso.

Isto porque lá há amor… Amor real, amor entre espíritos…

Não digo em toda Índia, porque hoje o ocidental já ocidentalizou uma parte do povo deste país, mas nos redutos dos gurus, existe o amor verdadeiro e todos. Este amor não se expressa pelo congraçamento físico entre os habitantes das castas, mas ele sim pelo congraçamento de espíritos. Apesar da existência do sistema de castas, os indianos se amam espiritualmente.

Se isto está acontecendo, não há nenhum atraso espiritualmente falando. Agora para humano existe sim.

Mas, quero lembrar aos humanos uma frase de Cristo que é muito esquecida: o primeiro na terra será o último no Reino do Céu. Para aqueles que não vivem uma situação lamentável, o destino é o fim da fila… A partir disso lhe pergunto: quem é mais evoluído, a Índia, os povos africanos ou os Estados Unidos?

Apenas uma ressalva: nem sempre é preciso condições físicas lamentáveis para se estar mais à frente na fila. Como sempre digo o que comanda é o coração, o sentimento, e não os atos materiais.

Nesta resposta fiz apenas um comparativo para que vocês se libertem da idéia de que, espiritualmente falando, a vida no mundo material precisa ser plena de prazer…

Participante: Parece que a emancipação é o resultado de um somatório de vários momentos equânime, ou seja, acumula-se certa quantidade de pontos por assim dizer. Nunca acontece a equanimidade absoluta para o encarnado, mas sim um acúmulo de experiência na equanimidade.

Você está quase certo. Na verdade, não é difícil ter equanimidade absoluta: é impossível.

Isto porque este não é o mundo de se regenerar, ou seja, de se mudar, É um mundo de se provar que quer se optar por Deus. É bem diferente. O que vale aqui é você mudar a intenção, ou seja, ao invés de querer viver para a humanidade, provar que quer viver para espiritualidade.

Agora no próximo mundo, quando mudar o sentido da encarnação neste planeta, aí sim, começará o processo de regeneração.

Participante: O Talmude, livro judaico, diz: “tão grande é a paz que o nome de Deus é paz; tão grande é a paz que todas as bênçãos podem ser encontradas Nele”. Isto é verdade?

O que é paz? Vamos tentar entender isso porque é interessante.

Paz é quando você alcança uma boa convivência com o próximo. Estar em paz é estar harmonizado com o mundo que vive.

Agora, a partir desta necessidade de se harmonizar com o mundo, os egos humanos criaram a necessidade da mudança das outras pessoas para aquilo que eles chamam de “certo”. Por exemplo: os ocidentais querem que os árabes se mudem para a cultura ocidental para que haja paz. Querem que eles deixem de adorar a Alá, que mudem seu modo de vestir, etc.

Na verdade o que o ego quer não é paz, mas dominação do próximo. Exige, para dizer que está em paz, que todos os demais se submetam aos seus conceitos para que ele viva em paz…

Quando este livro hebraico fala que a paz é conseguida com Deus, pode se perceber que ele está falando de outro tipo. A paz que este livro fala, ou seja, a harmonia que ele prega, não provém das coisas do mundo, mas de Deus…

Só esta é uma paz verdadeira, pois ela não precisa submeter o mundo a alteração nenhuma e, com isso preserva a liberdade do próximo: o direito de ser quem ele quiser ser…

Quando se está com, em e por Deus, as coisas do mundo perdem o seu valor e aí a paz verdadeira pode ser alcançada. Quando se está com Deus, o assassinato não interfere na felicidade porque se vivencia apenas o amor de Deus por seus filhos.

Vivenciando apenas a relação amorosa com Deus, é possível se harmonizar com a ação do matar e com o assassino. Se, ao contrário, houver uma busca de paz fundamentada no objetivo humano (alterar os outros para o que se acha “certo”), a paz não pode ser alcançada.

Quando os valores humanos sobrepõem-se ao amor de Deus, a paz não pode ser alcançada frente a um assassinato porque a visão “errada” com o qual o ego distingue este tipo de ação seria sucedida pela condenação do ato e de quem o praticou, pela busca da vingança, mesmo que apenas na condenação moral do outro.

Então sim, esta fala é perfeita, pois ela fala da apatia, ou seja, ela lhe incita para que você se torne apático para o mundo vivenciando apenas Deus. Neste momento você poderá viver a verdadeira paz, a harmonia com o mundo, porque você entregará tudo nas mãos de Deus.

Participante: estar encarnando por várias vidas vivenciando vários egos é para mim o mesmo que não sair do lugar, ou seja, um longo presente, o momento sem variação, se presente o passado.

Se você é parte do monismo, está certo. Você está sempre viver da mesma coisa. Agora, se você pensar na idéia de evolução espiritual como conhecida pelos terrestres, ou seja com processo onde você vai se evoluído, na verdade está caminhando para a frente. Então, a sua fala e a e formação tem até alguma realidade, mas depende do seu ponto de vista. Aliás, qualquer coisa que você quiser debater com alguém, lembre-se sempre que depende do seu ponto de vista. Para você é o sempre uma coisa será uma coisa, mas para o outro uma coisa será outra coisa.

Participante: Fale mais do conceito equanimidade, por favor…

Equanimidade é, por definição, a manutenção de um único sentimento constante. Isso equanimidade: quando há um único sentir, não importa a emoção que o ego está criando, quando há um único sentimento no coração para qualquer situação da vida, o espírito alcançou a equanimidade.

Sabe, quando a responsabilidade no trabalho e a felicidade abraçar um filho não tiver diferença para você, isto é equanimidade. Quando o sofrimento de uma doença ou a vivência de ação que você chama negativa não tiver diferença no seu coração dos momentos chamados “bons” aí está a equanimidade.

Equanimidade é isso: quando não há alteração no coração de acordo com as emoções que o ego cria.

Participante: Assisti o filme “Profecia Celestina”. Será que aquelas profecias são corretas?

Em essência sim…

Aliás, se você acompanhar o desenvolvimento de nosso trabalho, ele está todo preso nestas profecias. Nós percorremos o caminho traçado por estas profecias.

Não quero com isso dizer que somos a realização destas profecias, mas que este é o caminho para todos. Em essência, não em atos…

Aliás, a respeito da caminhada dos nossos estudos, eu poderia afirmar que temos três fases bem distintas. A primeira onde nós começamos a combater alguns paradigmas, mas deixamos formar outros. Uma segunda, que ficou marcada pelos estudos dos ensinamentos dos mestres, onde combatemos os paradigmas formados na primeira fase. A terceira, que é a atual, a que estamos desenvolvendo aqui, é o monismo, onde combatemos os paradigmas da primeira da segunda, sem criar novos. Nela apenas dizemos: não importa que verdade seu ego cria, é uma ilusão.

Participante: Qual a próxima fase?

Depois do monismo? Nenhuma. A nossa parte do trabalho na obra geral já está acabando.

Participante: Quando uma indignação se apresenta eu esperneio e me mostro indignado. O curioso é que no fundo não levo a sério esta indignação, mas receio meu comentário, porque ele mostra que não cheguei a lugar algum. O que é isso?

Ego conversando com ego…

Deixe-me deixar bem claro: não se preocupe com o que lhe vem à mente, pois tudo é ilusão.

Participante: É como uma bolinha de pingue-pongue se debatendo numa caixa de espelhos?

Exatamente…

Não se importe com a razão: o que ela cria é sempre uma ilusão. O que vale é o seu coração, mas ele não é visto pela razão…

Quando você me diz que esperneia, mas no fundo sabe que, já chegou à razão. Então, o não levar a sério a indignação, o receio do seu comentário e a conclusão de não ter chegado a lugar nenhum é apenas razão, por isso é ilusão.

Já falei sobre isso… O que não é razão, não existe para você, porque você não toma conhecimento… O problema todo é que vocês ainda querem agir, fazer, ser, estar nem que seja espiritualmente falando, mas para o ego humano é impossível detectar alguma coisa que seja ação do espírito.

Então, não se importe com o que você acha, pois tudo será sempre o ego que está achando. Se você imagina que em determinados momentos está equânime, não tenha a certeza de estar. Na verdade esta consciência é o ego que está criando.

Saiba sempre apenas uma coisa: não dá, não tem condições de você saber nada nesta vida. Tudo que o ser humano sabe é criação do ego, portanto ilusão…

Participante: Queremos pegar a mágica da vida de calçados curtas…

Não é bem isso. Na verdade, o ego de vocês quer é controlar a vida.

Já falei sobre isto também nestas conversas monista. O ego tem como objetivo propor a você o controle sobre a vida. Para isso busca mostrar que tem a capacidade de realizar e conhecer as coisas. Mas não tem…

O objetivo do ego é lhe fazer cair na ilusão de que você está dominando a vida, nem que seja para elevação espiritual. Mas isso faz parte do egoísmo, faz parte da prova e, por isso, não é Real.

Participante: Esta necessidade de controlar a vida é porque a perda deste controle é o fim da encarnação?

Não, é uma prova do egoísmo.

Tudo o que eu ego cria tem como objetivo gerar uma prova. A ilusão do domínio da vida é fruto do egoísmo: o ego quer dominar a vida para poder tirar proveito individual dela.

Participante: Não seria também por medo de ver a vida como ela se apresenta?

Você está querendo entender o ego, mas não conseguirá. Você está querendo entender a razão gerada pelo ego, mas não entenderá… Isto porque toda idéia é sempre ego falando com ego.

Não, o comando que Deus cria para formação das idéias de controle da vida, é fundamentado no egoísmo. Você só pode compreender isto… E, pode compreender isso porque tem a informação passada pelo Espírito da Verdade de que o egoísmo é a “mãe” de todos os males. Então, qualquer outra coisa que falar, será uma expressão do egoísmo e, portanto, será sempre um egoísmo em ação.

Na verdade, se você se olhar com uma visão dualista, o que está sempre acontecendo é uma luta entre o egoísmo e o Universalismo. Mas, esta luta é ilusória, porque existe a ilusão do egoísmo e não o egoísmo em si. Portanto, não adianta nem pela visão dualista querer criar razões que expliquem o funcionamento do ego…

Apesar de não adiantar, o seu ego continuará sempre criando razões. Ele sempre as criará milhares de vezes, mas a cada uma delas você tem que dizer sentimentalmente que não sabe se é isso…

Não adianta querer definições: para este mundo não há. Para este mundo não há exatidão. Neste mundo, para aquele que quer aproveitá-lo como uma etapa da elevação espiritual, só existe uma coisa: a incerteza sobre qualquer coisa. Isto porque qualquer certeza estará presa a um egoísmo e servirá para o ego criar formações mentais querendo ganhar.

Participante: Tudo que é dual foi por nós dividido. O que pode nos auxiliar a não dividir e mudar o foco para o monismo neste mundo material?

Deus. Isto porque ele é a única coisa Absoluta do Universo. Portanto, é preciso focar em Deus ao invés de ver “limpo” e “sujo”, “bonito” e “feio”. Agora, você só fará isso se Deus fizer o seu ego fazer, ou seja, só virá no seu consciente se o Senhor comandar esta mudança.

Saiba de uma coisa: viver a vida no sentido espiritual não é mudar o foco do ego, mas aprender a conviver com ego focado no material de uma forma equânime. Isso quer dizer que você terá a consciência de que está vendo “sujo” (idéia racional) e precisa, neste momento, ficar equânime no coração ao invés de vibrar na ansiedade de limpar, de tornar limpo. É a vibração nesta ansiedade que comprova a sua prisão à materialidade e não as idéias racionais de “limpo” e “sujo”…

Não pode haver mudança de foco porque não há realizações. O que precisa ser feito é aprender a conviver com ego do jeito que ele está focado, sem deixar o coração vibrar com isso.

Participante: O senhor me falou que nem tudo que vem pelo ego é dele. Em que situação isso acontece?

Eu não disse isso… Tudo que vem pelo ego é do ego. O que disse é que nem tudo que vem pelo ego é “errado”. Muitas vezes Deus repassa Verdades Universais pelo ego para ver se você se apega aquilo como Realidade.

Mas, não importa o que seu ego fale, você precisa se libertar do apego ao ego. Não dá para julgar as criações do ego no sentido de concluir se algumas dela são Verdades ou não…

Participante: É verdade, foi isso que o senhor falou. Eu me confundi…

Participante: Então, não nos chegam Verdades Absolutas pelo ego?

Chegam verdades absolutas relativadas.

O que quer dizer isso? Quer dizer que lhe chegam idéias de Verdades Absolutas dentro de uma forma relativa. Isto porque a Verdade Absoluta não é composta por formas, palavras nem intenções, elementos que sempre existem nas formações racionais do ego.

Então, o que posso lhe dizer é que lhe chegam Verdades Absolutas transformadas de tal forma que seu ego tem a capacidade de criar uma determinada consciência, que é relativa…

Participante: Deus pega leve conosco… É isso?

Não, Deus cria provas: esta é a Realidade.

Quando ele cria verdades absolutas relativadas, não está sendo bonzinho com você. Não está lhe amando, dentro dos critérios de amor de vocês, mas criando uma prova: você vai acreditar nisso quando sabe que não deve acreditar em nada?

Participante: Os mantras ou condicionamentos, se não vier do coração, dá na mesma? Aliás, só teremos compreensão ou emancipação se Deus assim permitir, não é mesmo?

De uma forma racional, sim. Mas, isto será porque Deus permitiu, mas sim porque Ele fez…

Deus não permite nada no universo: Ele faz, pois é Onipotente…

Agora, se Deus fizer pela razão, não é uma emancipação, mas uma provação, porque tudo que vem pela razão é uma provação. Sendo assim, a idéia de estar emancipado é uma prova.

Já falei isso aqui: existem espíritos que se liga a egos considerados “personalidade santas” que estão na prova da fama. Eles vivem este tipo de personalidade para ver se vibram em conjunto com a sensação de ter seguidores, de fazer livros, ou seja, de ser um guia para a humanidade, que ele imagina ser, apesar de não ser…

Participante: Por favor, nos dê uma mensagem, apesar de ter dado todas…

Se eu pudesse dar uma mensagem, ela seria no sentido de vocês buscarem se conscientizarem de uma Verdade muito velha, mas muito esquecida: a felicidade não é deste mundo.

Este é o ensinamento de Cristo que foi completamente esquecido. É preciso que vocês se conscientizem desta Verdade.

Mas, a consciência desta Verdade não deve lhes levar a acreditar que este seja um mundo de sofrimentos. Não é isso que Cristo que dizer. O que ele quis dizer é que a felicidade não pertence aos elementos materiais. A felicidade não é o que você sente durante a vida carnal.

Eu gosto muito de ver descrições sobre a sublime felicidade que sente um pai ou uma mãe quando nasce o filho. Mas, quando este espírito ultrapassa a maternidade ou a paternidade, ele verifica que aquilo, apesar de ter sido considerado tão sublime pelo ego, nunca foi ar a verdadeira felicidade.

Esta seria uma mensagem muito importante, porque o que o ego faz para que vocês aceitem o egoísmo como “certo” é justamente lhes dar a idéia de que serão felizes se o seguir. Ele cria as intenções, as ilusões, e a idéia do controle sobre a vida e vocês aceitam estas criações como reais, justamente porque ele diz que realizando isso, serão felizes…

Sabe, ele diz que no dia que vocês fizerem o que acham “certo” e que o mundo for o que vocês acham “certo”, serão felizes. Ledo engano… O espírito, que já é feliz de verdade, abandona a consciência da felicidade que tem para viver a ilusão daquilo que o ego chama de felicidade.

Mais do que eu a mensagem, este é um alerta para vocês, espíritos. Não se deixem levar por este conto da carochinha que o ego cria.

Ele diz, por exemplo, que se você se libertar de tal pessoa será feliz. Ilusão, a pessoa vai embora, vem outra e você terá os mesmos problemas com a nova. Eu costumo dizer que só mudou o endereço: é tudo igual.

Por que nada muda? Porque os seus problemas são criados pelo seu carma e não importa com que encontrar-se, viverá sempre o mesmo carma.

Então, se você quer racionalmente uma ajuda na sua elevação espiritual, conscientize-se de que tudo que o seu ego cria é uma armadilha onde lhe propõe que se cair na dele, será feliz. Aceitar ou não, é uma opção sua… Agora, entenda que por acreditar nisso, você entrega a verdadeira felicidade, ausenta-se se dá a verdadeira felicidade, perde a consciência da verdadeira felicidade.

Acho que essa mensagem é importante, pois fala de um assunto que ainda não tocamos nas conversas monistas: a consciência de que o dualismo existe como armadilha para que você se sinta motivado a acreditar nele pela busca da felicidade.

Participante: Somos amparados, mas devemos andar com nossas próprias pernas em sentimentos. É isso?

Sentir-se amparado racionalmente, é uma ilusão.

Deixe-me dizer uma coisa. Vamos supor que eu seja um aparador seu, seja um amigo espiritual que lhe auxilia. Isso, para você, é uma atitude sublime, mas para mim é minha prova.

Na verdade, só tem um que amparador: Deus. Mas, Ele muitas vezes lhe ampara dando o desamparo…

Sabe, se você nunca soltar a bicicleta da criança depois de tirar as rodinhas de apoio, ela nunca andará sozinha. Por isso, muitas vezes Deus solta a bicicleta sabendo que você irá cair. Mas, ele também sabe que só o tombo lhe ajudará.

Já aqueles que você imagina que lhe ampara, eles são para atores que imaginam que estão lhe amparando, mas na Realidade estão vivendo as suas provas. Além disso, com os amparadores dos amparadores acontece à mesma coisa e assim sucessivamente até chegarmos ao Amparador maior: Deus.

É isso que se chama interdependência: todos os espíritos do Universo executam um papel na chamada “divina comédia humana” onde o que fazem na Verdade é simplesmente vivenciarem uma criação carmática para sua elevação espiritual.

Participante: Quando falei em amparador me referi a Deus…

Participante: Deus ilude o humanizado colocando um corpo maravilhoso em meio a coisas maravilhosas de difícil compreensão e explicação. Além disso, é extremamente convincente a mágica utilizada para estas criações. Com suas últimas palavras, acabou de responder uma pergunta que fiquei fazer: você fala a espíritos e não a egos, não é?

Sim, eu falo ao espírito e nunca ao ego. Falo ao espírito através do ego, mas sempre a ele.

Mas, além disso, na sua pergunta você diz que Deus cria coisas maravilhosas, mas isso não é verdade. Deus não cria nada maravilhoso: Ele cria coisas e diz através do seu ego que elas são maravilhosas.

O nascer e o pôr-do-sol e um campo cheio de flores não são maravilhosos. O nascer e o pôr-do-sol é apenas o nascer e o pôr-do-sol. A eles pode ser atribuído um valor de maravilhoso, mas este valor não é uma Realidade, mas sim uma prova para o espírito.

Sendo assim, Deus não cria coisas maravilhosas. Ele cria coisas e lhe dá a idéia de que elas são maravilhosas.

Participante: Deus criou as maravilhas e nos colocou nela para nossa provação. É isso?

Não… Repito: Deus fez as coisas e lhe disse que elas são maravilhosas.

Deus da idéia a determinados seres humanizados a idéia de que algumas coisas são maravilhosas, mas não dá a todos a mesma idéia. A idéia de determinada coisa ser maravilhosa é relativa, individual…

Por exemplo: conheço uma pessoa se você levá-la ao lugar maravilhoso onde há muita calma, passarinho verde, ela não via gostar… Isto porque maravilhoso para ela é a agitação, carros, shoppings…

Sendo assim, posso afirmar que a maravilha das coisas depende do seu ponto de vista. É o que lhe disse antes: sempre que se pronunciar sobre alguma coisa saiba que este é o seu ponto de vista e não a realidade.

Então Deus não faz as coisas maravilhas: faz as coisas e dá a alguns a idéia de que aquilo é maravilhoso e a outros a idéia de que não é.

Para que isso? Para ver se você respeita a idéia dos outros ao invés de criticá-los, acusá-los ou dizer que estão “errados”. É por isso que afirmo que Ele não fez o maravilhoso, mas sim as provas.

Participante: A provação é deparar-se com conceitos diferentes e respeitar a todos?

Amar… Mais do que respeitar o outro, a amar o outro mesmo ele pensando diferente de você.

Mas, o que é amá-lo quando ele pensa diferente de você? É amar o que ele ama.

Então, quando estiver com alguém que não considere maravilhoso o que você considera, ame aquilo que ele ama… Não digo para achar maravilhoso o que ele acha assim, mas a amar a idéia de maravilhoso que ele tem sobre aquilo.

Participante: Mas, o senhor disse que como humanizados não temos acesso ao verdadeiro amar… Com fazer isso então?

Eu já respondi a esta pergunta milhares de vezes nestas conversas. Como amar, se você humanizado não sabe o que é o verdadeiro amor? Não se deixando influenciar pelo seu maravilhoso…

Você não sabe amar, mas sabe o que é vibrar no maravilhoso e o que é criticar a droga. Não aceite nem o êxtase do maravilhoso nem a depressão da droga que o seu ego cria. Aí estará amando, sem saber que está amando.

Amar não é construir um amor. Amar é simplesmente não vibrar no êxtase do prazer ou na depressão da dor. Isto o amar que vocês humanizados podem alcançar…

Então, no caso que disse que você deve amar o maravilhoso do outro, estou dizendo que não deve vibrar dentro do êxtase que o ego criará quando este padrão for igual ao seu nem cair na depressão da crítica se ele for diferente…

Participante: Ser frio… Seria isso?

Dizem que o inferno é quente… Então é melhor ser frio…

Sim, ser frio, ser indiferente, ser apático: isto é o amar que o ser humanizado pode compreender.

Participante: Uma coisa que aprendi depois destes ensinamentos é ser assim no coração. Às vezes você está numa roda de pessoas onde não pode externar isso com palavras. Então, agora, estou meio dividida. Sou uma do lado fora e outra do lado de dentro. O que o senhor tem a dizer sobre isso?

Tenho a dizer que na primeira linha do primeiro trabalho sobre o ego eu afirmei que enquanto você não criar a dupla personalidade (eu e o ego) nada conseguirá.

Dupla personalidade é isso: por fora ser uma coisa; por dentro ser outra.

Participante: Mas aí se cria uma dualidade…

Não se cria uma dualidade, porque quando internamente passa-se a ser outra pessoa, sabe-se que a externa é ilusão, que ela não existe… Com isso acaba a dualidade.

Parece estranho, não? Realmente tem certas coisas que são muito difíceis de explicar, mas acredite que você precisa dividir-se para poder entrar na unidade. Mas, dividir-se com a consciência de que o que resulta da divisão é uma ilusão. Que não é Real. Ficou claro isso?

Na verdade a ilusão, apesar de ilusória, existe… Mas, como a ilusão ilusória não é Real, ela não existe. Se você não separar você da ilusão e não tiver a consciência que a ilusão existe, ou seja, criar o dual, não consegue realizar nada.

Veja como o monismo ele é ambíguo: é preciso viver no dualismo para se chegar à Unidade.

Realmente, não há como explicar isto racionalmente…

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