Palestra 01
Participante: Parece que um espírito, no estado que é concebido, ou seja, na sua criação, embora perfeito, não consegue ter consciência de si mesmo. Por isso, para ampliar cada vez mais a auto consciência, vivencia muitas e variadas experiências ao longo da eternidade. Parece também que o contato com a matéria mais densa é um dos principais meios se não o único e obrigatório nesta trajetória.
Sendo mesmo assim que uma importante fase da caminhada da evolução se desenvolve então, o espírito como co-criador que molda matéria até no plano mais denso, o faz impulsionado por amor a todos os demais, porque expandir o plano físico nada mais é do que ampliar o cenário aonde mais espíritos venham a se desenvolver.
Tem algo que presta ou certo neste raciocínio?
O raciocínio é longo… Para melhor responder, proponho analisá-lo, passo a passo.
“Parece que um espírito que é concebido, ou seja, na sua criação, não consegue ter consciência de si mesmo”.
Vamos estudar apenas este trecho.
O espírito, no estado que é gerado por Deus, não tem consciência de si como individualidade. Essa afirmação é verídica.
Mas, porque ele não tem esta consciência? Porque, segundo o que foi ensinado pelo Espírito da Verdade, ele nasce simples e ignorante – ignorante no sentido de não conhecer, ignorar. Então sim, o espírito no início não tem consciência de si porque ignora os elementos do Universo.
A partir do nascedouro, começará a conhecer os elementos do Universo. Que elementos são esses? Não é a água, o ar, o vegetal ou o mineral. Na verdade ele conhecerá o único elemento existente no Universo: aquele que foi chamado pelo Espírito da Verdade de fluído primário ou fluído cósmico universal.
Aí está a primeira etapa da evolução do espírito: ele nasce puro, simples e ignorante, por isso não reconhece a si mesmo como individualidade; a partir daí começa a vivenciar o processo de conhecimento do fluído cósmico universal reconhecendo o resultado das múltiplas combinações que este elemento pode ter.
Quando o espírito conhece as múltiplas combinações a que o elemento primário do Universo pode se submeter passa, então, a ter consciência de si mesmo e do mundo que o cerca. Este conhecimento, no entanto, ainda não é profundo, pois, mesmo neste estágio, ele é como uma criança que está no nível primário de estudo escolar: reconhece as letras, mas não sabe escrever, não sabe juntar as letras para formar palavras.
O período de reconhecimento das combinações do fluído universal é descrito na Bíblia. Corresponde a adaptação do homem ao paraíso, ou seja, quando Deus, depois de criar o homem e a mulher, afirma: isso tudo é seu, visite cada lugar e dê nome a cada coisa que encontrar.
É exatamente isso que estou dizendo em outras palavras. O espírito é gerado por Deus e aí o Senhor diz: o Universo é todo seu; visite tudo e dê nome a todas as coisas, ou seja, crie reconhecimento para essas coisas.
Vamos continuar com a sua pergunta…
Parece também que o contato com a matéria mais densa é um dos principais meios se não o único e obrigatório nesta trajetória.
Aqui começamos a discordar… “Parece que o contato com a matéria mais densa”…
Deixe-me dizer uma coisa. Em O livro dos Espíritos está escrito: no Universo existem apenas dois elementos. Estes elementos lá são descritos como espírito e matéria. Afirma mais: acima de tudo existe Deus. Portanto, no Universo, só existem o espírito, a matéria e Deus…
Está escrito lá também que a matéria é apenas o fluído cósmico universal. Agora lhe afirmo quanto ao elemento material do Universo: ele não aceita densidades diferentes.
Lá atrás, antes de falarmos de ego e de construções de realidades, também tivemos que usar este conhecimento (mundos em densidades diferentes), assim como o espiritismo também usa esta denominação para falar dos planos mentais de vida. Mas, isso porque tanto nós como o espiritismo, ainda não tínhamos trazido as notícias sobre o ego, a personalidade humana que o espírito veste e sua vivência com ela.
Mas, veja, a partir do momento que compreendemos que o ego é o criador de realidades, ou seja, é ele que cria o que é percebido, tenho que afirmar que não existe matéria mais ou menos densa. O que existe, na verdade, é uma percepção ilusória de densidades do fluído cósmico universal.
Vou lhe dar um exemplo. Olhe para a parede de sua casa. O que está vendo? Uma matéria numa densidade diferente da espiritual. Mas isso não é verdade.
O que existe ali não é tijolo nem parede. O que existe é fluído cósmico universal. Na verdade, você está tendo a percepção de uma matéria mais densa, mas estas percepções são criações do ego, ou seja, ilusão, mundo de maya. O que existe ali é fluído cósmico universal, é matéria universal na sua densidade original.
Voltando, então à sua afirmação, posso lhe dizer que não é contato com matérias mais densas um dos principais meios de evolução do espírito, mas que o processo que vem depois da primeira fase de aprendizado é o contato com ilusões de densidades. Isso muda tudo, porque muda o mundo que você vive. Ao invés de viver em um mundo real, verdadeiro, existente, passa a viver num mundo perceptivo, percebido, simplesmente isso.
Então, sim: o espírito evolui primariamente no Universo tomando contato com o fluído cósmico universal e as suas múltiplas combinações. Depois continua o seu progresso através de vivência de mundos mentias onde a percepção é de que as matérias são mais densas.
Alterando isso, então, eu posso concordar com você o trabalho de viver nestes mundos mentais onde a matéria é percebida com mais densidade é o processo de evolução do espírito.
Participante: Então, quanto mais iniciante na caminhada no contato com a matéria única nós a percebemos como mais densa possível?
Não como iniciante no contato com a matéria primária. Enquanto você não acorda para a consciência do “eu”, ou seja, não tem o contato completo com todas as possibilidades de combinações do fluído cósmico universal, só se relaciona com a matéria primária em sua forma original. A partir do momento que há a consciência do “eu” começará, então, a haver o contato com as percepções de matérias em densidades maiores.
Quando este segundo processo ou caminhada começa, posso concordar com a sua afirmação de agora. Isso porque, quanto mais no início desta segunda caminhada – não vou dizer menor, atrasado, mas no início da caminhada – mais a percepção é de que a densidade da matéria é mais grosseira.
A partir do momento que o espírito vai se afastando deste início, ou seja, aproximando-se de Deus, as percepções do fluído cósmico universal vão transformando a matéria em menos densa. É por isso é que os espíritos desencarnados falam de matérias mais fluídas. Na verdade as matérias não são mais fluídicas, mas as percepções deste espírito é que vêem a matéria primária desta forma.
As percepções, independente da densidade que conferem à matéria universal, existirão até que o espírito volte novamente a conviver apenas com o fluído cósmico universal na sua forma primária, ou seja, aproxime-se de Deus e da Realidade. Aí não haverá mais percepções mentais.
Participante: Então tem muito lugar ilusório ainda para visitar…
Olha, você está no pré-primário desta segunda etapa de caminhada. O planeta Terra, o Mundo de Provas e Expiações, é o início desta segunda etapa de caminhada dos espíritos. Por isso ele é o mundo onde as percepções da matéria são mais grosseiras, mais densas.
Eu diria que você ainda tem muito que caminhar no Universo.
Continuemos analisando sua pergunta…
Sendo mesmo assim que uma importante fase da caminhada da evolução se desenvolve então, o espírito como co-criador que molda matéria até no plano mais denso, o faz impulsionado por amor a todos os demais…
Espere um pouco… Deixe-me falar algo importante: o espírito não é co-criador:, mas assistente da Criação… O espírito não molda a matéria: ele tem a percepção de estar moldando.
O que é Criar? Como se moldam imagens? Para poder explicar isso terei que voltar a um ensinamento que já conversamos há algum tempo…
Existem três deuses no Universo. O primeiro é o Ser, o espírito que é o Senhor do Universo. O segundo são os deuses emanados, ou seja, os espíritos e as suas múltiplas personalidades ou “eus”.
O espírito é o deus emanado. Por que? Porque ele vive com consciências que Deus emana.
Por exemplo, você, espírito, agora acha que é a consciência ou personalidade José. Ao você imaginar-se como sendo o José, se torna neste personagem e o transforma, mesmo ilusoriamente, em realidade. Mas, o José não existe na realidade: ele é uma emanação de Deus, uma criação ilusória do Pai.
Tudo que José é está sendo emanado por Deus, criado pelo Pai e não existe na realidade. Você, espírito, não é nem cria nada do José: apenas assiste ao que Deus emana. Por isso se torna em um assistente da criação.
Terceiro deus do Universo: As emanações de Deus. São aquelas coisas que o José faz, que o deus emanado José faz, mental ou materialmente falando.
Mas, quando falamos que o José faz, não estamos sendo fieis à Verdade. Isso porque o José não faz nada, pois ele não existe, mas trata-se também apenas de uma emanação de Deus. Na verdade, Deus emana e dá ao José a ilusão de estar fazendo. Quanto ao espírito, ele acha que o José está fazendo, mas não tem interferência nenhuma neste processo.
Juntando tudo, então, posso dizer que, na Realidade, existe o espírito assistindo a tudo. Ele está apenas assistindo as emanações de Deus, mas acha que é o José, e que está fazendo o que o José faz.
O espírito, portanto, não é co-criador, mas assistente da criação.
Agora pode continuar a leitura deste parágrafo…
…o faz impulsionado por amor a todos os demais, porque expandir o plano físico nada mais é do que ampliar o cenário aonde mais espíritos venham a se desenvolver.
Antes não podia, mas agora posso falar sobre este trecho. Isso porque já deixei bem claro que não é o espírito que cria, mas sim Deus.
Sim, quando Deus cria toda a ilusão do mundo material, ou seja, quando ele emana as percepções que criam o mundo material, faz por amor, por Amor aos seus filhos.
Isso porque Ele sabe, como você colocou, que essa etapa é importante. Agora, uma coisa precisa ficar bem clara: essa etapa não é a mais importante…
O que é mais importante: aprender ou comprovar que aprendeu? Se você aprender de verdade a comprovação nem se torna necessária… O que é mais importante: assistir aula o ano inteiro ou fazer prova final? Assistir que eu digo é participar conhecendo e compreendendo os ensinamentos… Será que se você participar da aula aprendendo o ano inteiro precisará fazer prova final?
Portanto, a parte mais importante da segunda caminhada do espírito não é o contato com as percepções mais grosseiras – que se trata apenas de uma provação de ensinamentos recebidos – mas sim aquela onde o espírito toma conhecimento com a Verdade. Isso acontece quando há contato com percepções menos grosseiras, ou seja, fora da carne.
Isso é Real… Agora, para muitos espíritos que, como os humanos, vão para a escola para esperar a hora do recreio para comer e brincar, essa etapa se torna importante. Importante para que? Para ele compreender que não dá para fingir que aprendeu…
Esta é a grande importância para o espírito da etapa chamada vida carnal. O espírito se liga a este ego que cria percepções mais grosseiras, achando que sabe tudo, que conhece tudo, que pode resolver todos os problemas. Vem para cá e falha, ou seja, não consegue amar a Deus como todas as coisas e ao próximo como a si mesmo.
Quando retorna a uma consciência que cria percepções menos grosseiras, vê suas falha e descobre que ainda não aprendeu a lição. Aí compreender que tem se aplicar mais ao estudo durante aquilo que vocês chamam de existência entre vidas.
Então, a encarnação, ou a vida ligada à percepção de matérias mais grosseiras, é importante sim. Mas, não importante como evolução, porque na verdade a evolução está no aprender, o que é feito no mundo espiritual, mas é muito importante para o espírito entender que não dá para brincar de evolução espiritual.
Este é um aspecto que eu tenho batido muito. A maioria brinca de evolução espiritual, ou seja, transforma o processo evolucionário em segundo princípio de vida. O primeiro é transformar-se em um ser humano de sucesso material e feliz. O segundo é realizar isso, se possível, dentro do que os mestres ensinam.
Se possível fazem cumprem com a segunda prerrogativa, mas a primeira tem que ser feita…
É essa a grande importância da encarnação: o espírito compreender que tal modo de pensar não dá certo…
Outro dia, falei: olha temos que oferecer a outra face para quem bate em nós. Uma pessoa, que faz palestras religiosas, me disse que não, que devemos reagir. Disse, então: não foi isso que Cristo ensinou… Ele me respondeu: mas não dá para viver assim.
Mas, não dá por que? Porque se não reagir, ele não se considerará um ser humano de sucesso. Imaginará que, porque não reagiu, é um fracassado, humanamente falando…
Para este ser humanizado realmente não é possível viver os ensinamentos de Cristo, pois a sua prioridade número um, apesar de ser religioso, é tornar-se um ser humano de sucesso… Ser alguém reconhecido pela sociedade humanamente falando…
Este espírito, quando retorna à uma consciência que vive percepções menos densas compreende, então que esta opção pela materialidade não dá certo para sua evolução espiritual.
Agora, então, respondendo a tudo que você falou, digo que o espírito começa o processo evolucionário conhecendo o elemento do Universo e suas múltiplas combinações. Quando, depois de processo, toma consciência de si mesmo passa a viver ligado à múltiplas personalidades onde existem percepções de matérias mais grosseiras. Essas personalidades, no entanto, são temporárias e só servem para o espírito entender que precisa se dedicar completamente ao processo de evolução.
Participante: Insisto… porque expandir o plano físico nada mais é do que ampliar o cenário aonde mais espíritos venham a se desenvolver. Tem algo que presta ou certo neste raciocínio?
Olha, “certo ou errado” não existe… Eu não posso dizer se o seu raciocínio está “certo”: só quem pode fazê-lo é você, pois o seu “certo” não é o meu…
O que eu posso lhe dizer a respeito desse assunto é o seguinte: se o mundo da matéria mais densa é ilusório, ele expandirá para onde?
Olhe ao seu redor. Você acha que está numa sala ou num quarto: isso não importa… Você acha que está, mas não está, pois este lugar não existe.
Eleve-se um pouco mais. Olhe a cidade que onde imagina que está. Esta não é a cidade que você está, mas a que acha que está. Você não está lá, porque ela não existe, é uma ilusão.
Sobrevoe o planeta Terra e olhe para ele… Você acha que está dentro daquele globo, mas o planeta Terra não existe…
Só o que existe, só o que é Real é o Universo. Mas, para onde o Universo pode se expandir?
Pense… Se expandíssemos o Universo para outros lugares, é sinal de que esses outros lugares já existiam antes da expansão. E se já existiam, o que ele eram até então? Com certeza um lugar onde Deus não era a Causa Primária, pois o Espírito da Verdade afirma que o Senhor tem esta característica nas coisas universais…
Que Deus é esse que você acabou de criar? Com esta teoria de expansão voltamos à velha história dos múltiplos senhores (Deus e o diabo)… Sendo assim, Deus teria que conquistar os espaços além do Universo de outros Senhores… Que mundo material vocês está desenhando, não…
Não, desculpa, o Universo: o Universo não pode se expandir… Aliás, nem podemos dizer que ele é fixo, pois é a única coisa que existe. Se disséssemos que o Universo é fixo, estaríamos dizendo que ele era delimitado por outra coisa…
Sei que para vocês compreenderem isso é impossível. Isso porque a única forma como conseguem imaginar um lugar é que ele está dentro de outro. Tudo para vocês precisa estar dentro de outra coisa para existir, pois vocês humanos não conseguem imaginar nada infinito, que não tenha fim.
O Universo é infinito e o que é infinito não pode ser expandido. Agora as expansões das provas é outra coisa. Deus expandir as provas dos espíritos, ou seja, dar novas provações ao espírito é outra coisa…
Participante: O senhor pode comentar sobre o poder da oração se é que ela tem algum poder…
A oração tem um poder imenso… Tem um poder regenerativo, o poder de sublimar, curar e elevar o espírito… Olha como é importante a oração…
Sim a oração é importante. Agora que sabemos disso, no entanto, nos resta saber agora o que é a oração, não é mesmo?
Falo assim porque a oração não são as palavras de um texto. Em O Livro dos Espíritos está bem claro: a oração são energias que se expandem…
A oração é os sentimentos que o espírito sente enquanto recita ou não palavras. É aquilo que sai do coração e não da boca. Aliás, Cristo já disse: o problema não é o que entra pela boca, mas o que sai pelo que coração.
A oração, ou seja, a união amorosa com Deus – sentir-se amado e amar a Deus sobre todas as coisas (isso é oração) – tem todas estas propriedades que eu falei. Quem vive nesta união amorosa com Deus, ou seja, ama e se sente amado, não sofre, não fica triste, não tem depressão, nervoso, angústia, medo… Afinal se Deus é por nós, quem pode ser contra nós…
Então, sim a oração verdadeira tem um grande poder porque ela é formada por todas estas propriedades. Agora a oração recitada, executada por palavras não tem valor algum. Ou, aliás, tem sim: é um carma.
É muito fácil orar: quero ver viver de acordo com a oração. É muito fácil recitar uma oração, quero ver viver como a oração propõe sentimentalmente.
Nós já estudados a oração do São Francisco, do Pai Nosso… Podemos pegar qualquer uma e perguntar: será que vocês oram estas orações com o coração, ou seja, com o sentimento sincronizado com estas palavras, ou oram apenas da boca para fora, mantendo o coração preso em outras bases sentimentais?
Participante: Mas, o conceito oração do nosso ego é diferente. Então orar por alguém não tem nenhum sentido?
Orar com palavras? Não… Orar com palavras não tem nenhum reflexo para quem se está orando: tem para você. Vivenciar este acontecimento trata-se de uma prova para você.
Orar com o coração, isso faz sentido para o próximo. Isso porque, orar com o coração é amar. Quando você expande amor em direção a alguém, doa amor a essa pessoa. Com isso este espírito pode reagir melhor na luta contra o ego.
Oração com palavras é teatrinho e tudo que pertence à Divina Comédia Humana é carma, prova. Então, fazer uma oração para os outros é apenas uma prova para você mesmo.
Mas, faço uma pergunta: fazer oração para os outros, para que? Para acabar com o sofrimento? Para acabar com a carência de alguém? Desculpa, isso parece até Jó – personagem do livro bíblico homônimo.
Jó pergunta assim em uma de suas falas: que Deus está errado eu sei, mas quem tem coragem de dizer a Ele que está? Quem tem coragem de dizer a Deus que Ele está errado são aqueles que oram pedindo, exigindo benefícios que o Pai, que tudo sabe, não deu…
Quando você ora para alguém, para melhorar a vida de alguém, está partindo da premissa que Deus está “errado”. A sua oração está acontecendo porque imagina que aquilo não devia estar acontecendo com aquela pessoa naquele ou em qualquer outro momento.
Nós temos que orar a Deus – orar de coração – a todo o momento sim, mas agradecendo o que Ele nos dá. Não importa se o que Ele nos dá é fartura ou escassez, alegria ou sofrimento. Não importa, porque tudo que Deus cria é planejado nos mínimos detalhes para que o espírito possa executar a sua provação.
Deus não dá nada de mais nem de menos a um filho. Ou como vocês dizem: dá a cada um a cruz que cada pode carregar…
Então carregue a sua cruz louvando a Deus e oriente aos outros a fazer a mesma coisa, ao invés de orar a Deus pedindo que encurte a cruz dos outros ou a sua…
Na introdução do Evangelho segundo Tomé (livro escrito também pelo Espiritualismo Ecumênico Universal), tem uma história que eu conto sobre carregar a cruz. Vou reproduzi-la aqui porque cabe bem dentro do assunto:
A vida de vocês é um eterno caminhar. Vocês caminham levando uma cruz nas costas. Uma cruz que, para cada um, sempre é mais pesada que a do outro.
Aí se conta que existiu um moço que era muito esperto e um dia disse:
“Eu vou ficar andando com esta cruz grande e pesada? Eu vou fazer uma coisa: vou cortar um pedacinho da cruz e ninguém vai ver. Quer ver só?”
Ele cortou um pedaço da cruz e continuou caminhando. Engraçado, ninguém falou nada com ele. Ninguém cobrou dele aquele pedacinho da cruz. Aí ele disse:
“Está vendo como sou esperto? Já que agora eu cortei um pedacinho e ninguém reclamou, vou cortar mais um pedacinho”.
Continuou andando e ninguém veio dizer para ele que não podia cortar pedaços da cruz. Ele continuou caminhando confiante, porque a cruz tinha ficado mais leve sem os dois pedaços.
Assim foi ele fazendo a sua caminhada, cortando pedaços da cruz, até que a cruz ficou pequenina e ele a carregou nos ombros sem sentir muito peso, sem muito problema.
Uma multidão caminhava junto dele, cada um com a sua cruz pesada e ele, o grande homem, o homem que tinha descoberto o sentido da vida – cortar a cruz – caminhava tranqüilo, sem esforço, sem sofrimento e sem cansaço.
Mas, como todos os homens que caminhavam pela planície da vida, um dia ele chegou no desfiladeiro onde tinha um buraco muito grande para passar para o outro lado. Ele então pensou:
“E agora, como eu vou fazer para passar?”
Aí um anjo apareceu para todos que estavam à beira do precipício e disse:
“Do outro lado está a terra prometida. Do outro lado está a vida que vocês sempre quiseram. Se vocês perceberem, a cruz que cada um carrega é do tamanho exato do buraco por onde vocês têm que passar. Joguem a cruz que ela vai servir de ponte e vocês atravessam”.
Nosso amigo estava lá com o seu cotoco de cruz e ela não alcançava o outro lado do buraco. Os outros passaram pela cruz e no momento que chegaram do outro lado, a cruz sumiu. Mas o homem que carregava o cotoco teve que voltar pela mesma estrada para recolher as partes que ele tinha cortado, para juntar tudo e poder passar.
Acho que essa história o ajuda a entender se deve orar para ajudar o outro…
Participante: A pergunta é sobre o período inter vidas. Como se processa o estudo nesta fase? Podemos entender isso com nossas mentes humanas?
Deus é tão interessante que muitas coisas ele deixa você entender através do ego, mesmo ligado a ele.
A mesma pergunta que você está me fazendo agora, foi feita por Kardec ao Espírito da Verdade e a resposta está em O Livro dos Espíritos: observando os espíritos encarnados.
É assim que se aprende. O espírito que está numa consciência que forma percepções de matérias menos densas, observa como os seres que estão vivendo ligados a consciências que formam matérias mais densas se relacionam com suas ilusões.
Os espíritos que estão no período que você chamou de inter vidas vêem como se comporta o encarnado e juram que não irão agir da mesma forma. Agora, quando encarnam, ou seja, quando vivenciam eles mesmos a personalidade humana aí não conseguem realizar…
Como eu disse no início desta resposta, Deus é ótimo, porque primeiro dá a resposta e depois exemplifica na ilusão da vida como isso acontece. Ele deu a resposta através do espírito da Verdade nos anos 1800 e no final do outro século cria um programa de televisão que reproduz de forma semelhante este processo: Big Brother…
É no mesmo estilo que decorre este programa que acontece os estudos dos espíritos no mundo inter vidas: os seres “sentam numa sala” e ficam assistindo os seus irmãos que estão ligados ao ego e, portanto, presos na ilusão do mundo material. Durante este tempo, os seres do mundo menos denso analisam o comportamento do espírito – não é do ego – a cada ilusão que é criada. Analisa o comportamento do espírito e verifica como é a lei do carma em ação e entende o que acontece com o espírito quando ele se deixa enganar por essa ilusão.
Somente uma informação para deixar bem claro o assunto: eles observam o espírito e não o ego…
Por favor, não imagine que os espíritos da matéria menos densa ficam presos a observar o comportamento humano (participação em atos através de atitudes e pensamentos). Isso não é verdade: o que eles observam é a forma como o espírito reage às ilusões…
Participante: Tive uma experiência de pensar coletivamente. Não lembro o que foi pensado, mas pensava em conjunto com mais ou menos duzentos ou trezentos seres.
Não era debate: simplesmente um pensamento que se desenvolvia simultaneamente em várias consciências. Um único tema que se desenvolvia utilizando vários pensadores ao mesmo tempo. Ninguém pensava algo isoladamente, a todos pertencia igualmente a única coisa pensada, o que tornava o pensar infinitamente mais leve do que pensar sozinho.
Você pode comentar este fenômeno?
Responda-me: você sabe o que foi pensado?
Participante: Não…
Está certo…
Esta comunhão espiritual que você descreve, pode acontecer: diversos espíritos comungando num ideal. Aliás, não só pode: isso acontece sempre…
Esta é a Realidade do Universo. Deixe-me aproveitar a sua pergunta e explicar uma coisa…
Se vocês pudessem dar um rótulo para identificar a linha de raciocínio dos ensinamentos que transmito, poderíamos dizer que esta linha é monista. O que quer dizer isso?
Que a linha de raciocino dos ensinamentos que transmito busca fundir o múltiplo na Unidade. Busca trazer aqueles que estão na multiplicidade para a Unidade. Por que isso? Porque essa o monismo é a Realidade do Universo.
Deus é Um e Único; o Universo é Um e único; e a comunidade espiritual vive dentro do Universo com as suas individualidades em comunhão perfeita consigo, com todos e com Deus. Essa comunhão perfeita é a Unidade.
Essa é a Realidade do Universo. Todos os ensinamentos que lhe prende à multiplicidade – ou seja, isso deve ser feito, aquilo não; isso pode, aquilo não – são ensinamentos dualistas e, portanto, não universais.
Então veja, a consciência que se formou através do seu ego deu uma idéia do que é a Unidade Universal: diversos espíritos comungando um bem comum que não pertenciam a ninguém e é ao mesmo tempo de todos, sem posses.
Agora, o seu ego não consegue compreender o que é comungado entre os espíritos. Não há palavra que descreva o que é comungado entre os espíritos.
Veja bem: se há uma comunhão, é necessário que haja algo que seja comungado entre s espírito. No entanto, aquilo que é comungado entre os espíritos não pertence ao mundo material e, por isso, não pode ser reconhecido pela personalidade humana. O ego não consegue fazer idéia do que é comungado, por isso, quando trouxe ao consciente a Realidade Universal (a comunhão espiritual) criou a idéia de que o que estava sendo compartilhado era um pensamento…
Na verdade os espíritos não pensam, não comungam pensamentos, já que, segundo Buda, este elemento, como outros, são coisas que se agregam ao espírito depois do advento… Os espíritos comunicam-se entre si de uma forma diferente que os humanos…
Deixe-me dizer algo. No início desse trabalho, afirmamos que o espírito quanto mais ia evoluindo perdia algumas características humanas. Uma delas era o falar, a palavra, o som…
Quando dissemos isso nos perguntaram: como os espíritos se comunicam então? Eu respondi: amando-se. Um espírito ama (expande amor) e o outro recebe essa vibração e sabe perfeitamente o que o outro está “querendo dizer”.
Sei que imaginar isso é incompreensível para você ego. Isto porque não há imagens ou idéias que criem uma consciência de como se processa essa comunicação, já que para vocês a comunicação precisa ter formas, pensamentos, sensações, memórias, percepções: seja formada pelos cinco agregados do ego…
Então, comentando não a sua experiência, porque afinal o que você se lembra não foi realmente uma experiência sua (do ego), mas sim do espírito, que apenas foi descrita pelo ego dentro das suas limitações, posso dizer que você teve uma noção do que é a Unidade Universal. Na verdade você, ego, não teve experiência alguma, mas apenas tornou-se consciente de algo que ocorre com o espírito: a comunhão universal.
Mas, que fique bem claro: a comunhão universal não são diversos espíritos pensando, mas sim uma plêiade espiritual que comunga algo, que a consciência humana jamais poderá descrever, de forma única…
Participante: Foi isso mesmo, algo era comungado, mas o que era, não sei… Isso parece música, não?
Não, no Universo não existe música. Porque se existisse música teria que existir a não música, que poderia ser o silêncio ou a prosa.
Repare o que acabei de falar sobre dualismo: tudo o que é dual (pode ser ou não ser, estar ou não estar) não pertence ao Universo. Existe um único elemento no Universo e ele não tem nada a ver com a música (som) que vocês conhecem.
Sabe porque o seu ego descreveu essa comunhão como música? Porque ele é músico… Não é você que é músico, é o seu ego que é. Por isso, ele raciocina, através de sons (o ritmo do raciocínio é movido por música). Já o ego do escritor raciocina em palavras.
O que é comungado entre os espíritos não parece com música… Não queira dar valores a esta forma de comunhão porque a personalidade humana não tem idéias que possam descrever o que é comungado.
O que ela pode saber sobre isso é só que o que é comungando não dual, é Único, Uno. Além disso, ela pode saber que este elemento universal não pode deixar de existir ou existir em alguns momentos. Se este elemento não fosse Único e pudesse deixar de existir em algum momento, ele viraria dual como a música e a não música…
O elemento comungado entre os espíritos no Universo é Único, Uno e constante…
Saiba de uma coisa. Enquanto você, espírito, está iludido, vivendo a consciência humana, ou seja, vivendo a idéia de ser o personagem humano (suas idéias, seus pensamentos, suas emoções) está sempre nessa comunhão, sempre comungando.
Foi isso que eu quis dizer outro dia: o espírito só ama. Não faz mais nada. Naquele momento chamei de amar essa comunhão, mas isso é apenas um nome, um rótulo. Podia chamar de banana, de tesouro, de qualquer coisa, porque vocês não têm mesmo valores para descrever o que realmente o espírito faz.
Esta é a Realidade Universal: o espírito comunga com a coletividade espiritual constantemente – algo que chamamos de amar – mas tem a ilusão de estar irritado, depressivo ou feliz. Tem a ilusão de estar escrevendo, tocando ou se divertindo…
Deixe-me falar algo: estão sendo muito importantes estas nossas reuniões exatamente por causa de conversas como estas. Como já disse não temos mais nada a estudar: o que precisamos é alcançar a prática e a essência do ensinamento.
A essência de tudo o que falamos é exatamente o monismo, ou seja, a compreensão de que o Universo é Único, Uno e constante.
Participante: Fiz esta pergunta porque imaginava que não pudesse fazer contato espiritual dessa maneira…
Você, ego, não fez contato espiritual algum. Deixe-me deixar bem claro isso…
Sabe de uma coisa: agora, que você, ego, não está tendo a idéia de estar tendo esta comunhão, você, espírito está fazendo. Isso é Real, isso é Realidade… Não é porque o ego não cria a consciência de você, espírito, estar comungando, que você não está.
O que você ego teve não foi um contato espiritual, mas sim uma idéia (consciência) criada por Deus. O espírito tem a experiência espiritual, mas a personalidade humana recebe de Deus em determinados momentos a idéia desta experiência que faz parte da Realidade Universal. Portanto, você, ego, personalidade humana, não teve a experiência, mas sim apenas uma consciência da comunhão que o espírito vive.
Então, você não teve nenhum trabalho espiritual específico: Deus criou a idéia através do ego. São coisas completamente diferentes.
Mas, tem mais. Além de não ter realizado a experiência espiritual, não foi você ego, que criou a consciência dela existir: foi Deus quem criou a idéia da comunhão. O que o espírito faz, como ele existe, o ego não pode sozinho, ou por vontade própria ou do espírito tornar-se consciente. É preciso que Deus dê a idéia.
Portanto, você, ego, não teve experiência espiritual e nem teve a capacidade de tornar a comunhão universal consciente: tudo foi obra de Deus para dar a seu filho o justo e necessário para a sua caminhada de retorno à consciência primária.
Participante: Essa idéia é ilusória?
A idéia é carma, é prova para o espírito. Ou seja, é algo gerado através do inescrutável poder de maya por Deus para ver se o espírito acredita no que você acabou de dizer: “eu tive uma experiência espiritual”. Seria muito engraçado se um espírito acreditasse que teve apenas em determinados momentos uma experiência espiritual, não é mesmo?
Você, ego, não teve experiências nenhuma: teve apenas a idéia de ter tido.
Participante: Essa comunhão que o ego se lembra pode ter existido assim como pode não ter?
A comunhão sempre ocorre, sempre existe. Agora, a idéia de a ter vivenciado, é só uma idéia, uma ilusão, não a Realidade. O espírito que vivencia como real ter tido apenas uma experiência espiritual em um determinado momento, nega a sua Realidade, a sua Universalidade…
Participante: Então eu apenas acho que percebi a comunhão… É isso?
Mais do que isso: você, ego, teve apenas a idéia de ter percebido a reunião, teve apenas um raciocínio que a criou de forma fictícia. Aquela comunhão que você se lembra não existiu: foi apenas uma imagem criada pelo raciocínio.
Deixe-me voltar a deixar algo bem claro: não confie em nada que o seu ego crie; não feche questão com nada que o seu ego crie; não comprometa seu coração com o “certo e errado”, o “verdadeiro ou falso” que o seu ego crie sobre qualquer coisa.
Por exemplo: você acredita que teve a idéia de ter tido essa percepção para lhe mostrar que você teve uma experiência espiritual pessoal. Mas, quem disse que essa intenção é verdadeira? As intenções com as quais Deus gera as percepções não são distinguíveis através da razão…
Vou fazer uma suposição: essa idéia pode ter sido criada pelo seu ego só para justificar a pergunta que você fez hoje, agora. Ou seja, ela teve a finalidade que o seu ego diz que teve, mas pode ter servido apenas para justificar a existência da resposta que eu dei para que os outros pudessem ouvir esse ensinamento.
Ninguém sabe a finalidade com a qual Deus coloca as coisas através do ego, a não que é uma provação, ou seja, para ver se o espírito ama ou não. Se você, espírito, acredita no que o ego diz, ou seja, que foi uma experiência para fins pessoais, não estará amando universalmente.
Nada do que o ego diz é Verdade Absoluta, Universal. Para ilustrar bem isso, pergunto: quem foi que descobriu o Brasil. A resposta seria Pedro Álvares Cabral. Mas, a idéia que afirma que isso aconteceu é apenas uma criação de ego. É uma razão e não uma Realidade.
Ninguém pode afirmar que isso é verdade. “Ah, Joaquim, tem documentos que comprovam isso”. Quem disse que estes documentos são reais? Os documentos não existem: tudo o que você convive (percebe) é uma percepção gerada por Deus através do ego.
Olha, toda história universal é uma criação do ego, uma idéia que Deus traz ao consciente através das formações mentais. Mais: as histórias que o ego cria podem ser coletivas (do planeta) ou individuais.
Quem ainda tem mãe, pai, avó ou qualquer ascendente que já era adulto enquanto você era uma criança, converse com ele sobre algum acontecimento histórico de sua vida, sobre algo que você tenha certeza de que aconteceu de determinada maneira. Converse com seus ancestrais sobre algo que você acredita ter feito e verá que eles dirão que o acontecimento não foi bem como você se lembra…
Saiba de uma coisa: a sua própria história de vida é uma criação do ego. Coisas que imagina ter feito, que tem certeza que fez, podem não ter sido feitas.
Por que isso é assim? Porque todas as razões lógicas que você tem embutidas na sua memória fazem parte da sua história de agora. Por que elas influenciam no hoje? Porque levam a dar veracidade e razão a algumas verdades de hoje.
Por exemplo, se você tem medo de água, pode imaginar que um dia quase se afogou e por isso tem medo de água. Você justifica o medo de hoje com uma história do passado.
Mas, como eu já disse, não há este encadeamento entre as razões que o ego tem. A cada momento Deus leva razões à consciência para que sirvam de provação para aquele momento e estas razões nem sempre são fundamentadas em percepções realmente vividas.
A história que justifica o medo de água pode ser uma criação atual do ego para que você acredite que realmente tem medo de água. Com isso, a provação de hoje é gerada: você, espírito, vai vivenciar o medo que o ego cria, ou vai prender-se a Realidade e vivenciar apenas o amor?
Por isso, filhos, digo a vocês: sigam o conselho de Buda e Krishna. Estes mestres ensinaram que devemos viver apenas o momento de agora, sem vinculá-lo a nada do passado ou do futuro.
Sri Krishna chega a ensinar assim: o verdadeiro sábio não tem outro lugar para guardar o alimento que não a sua barriga. Quando estudamos isso fui bem claro: o que ele quer dizer é que o verdadeiro sábio não tem memória.
Claro que o ego do sábio tem memória, pois como vimos através dos ensinamentos de Sidarta Gautama, enquanto ele estiver encarnado terá este agregado. O que acontece é que o verdadeiro sábio não acredita na sua memória e, por isso, não compromete o seu coração com o que a memória traz à razão.
Só isso. Não comprometa o seu coração com o que a razão diz. Ou seja, não jure de “coração junto” (alusão ao dito “jurar de pé junto”) que aquilo é verdade, é real.
Não faça isso, porque você pode “quebrar a cara”. Muitos juraram de pés juntos, por exemplo, que Cabral descobriu Brasil, mas hoje até a própria ciência histórica afirma que o povo da Escandinávia estive no Brasil muito antes de Cabral.
Participante: Estando nós continuamente imersos em um mar de pensamentos de muitas inteligências, podemos dizer que aquilo que pensamos é aquilo que filtramos baseados na sintonia de nossos sentimentos naquele instante.
Eu não falei em momento algum que você está imerso num mar de pensamentos dos outros. Isso não existe.
O que falei foi que há uma comunhão e que nela é comungado algo que você não sabe o que é. Disse ainda que o ego, simplesmente para trazer essa comunhão a consciência, usou a figura de que se tratava de pensamentos.
Não, os egos não comungam nem se imergem num mar junto com outros egos. Eles vivem sozinhos. Os espíritos estão comungados com os outros, mas os egos vivem sozinhos. Até porque ego não vive.
Aliás, ele nem existe, não é verdade? Ego é uma idéia, uma ilusão, uma percepção que Deus cria e que o espírito crê ser real.
Portanto, não pode haver mar de pensamentos já que não existem pensamentos. O pensamento é uma idéia de ter pensado, um acreditar que pensou. Ele não existe: você só acredita que pensa.
Participante: Quanto a essa percepção que tive, o que quis me dizer o ego quando criou uma realidade distorcida em cima de uma Realidade Real?
Ele não quis dizer nada… Ele simplesmente propôs uma prova: e agora, você, espírito, vai amar a Deus acima de todas as coisas ou vai achar que você mesmo gerou para si uma oportunidade dessas. Você vai amar a Deus ou vai achar que você conseguiu isso sozinho?
Ego não tem intenção: é Deus quem faz as coisas. Aliás, ego nem existe: é apenas algo ilusório, um elemento ilusório que a razão cria para descrever o faça-se de Deus. Como então pode fazer alguma coisa ou ainda por cima ter intenções ao fazer?
NOTA: O “faça-se” de Deus foi profundamente discutido no estudo do Livro Primeiro de O Livro dos Espíritos. Num dos capítulos deste livro Kardec pergunta ao Espírito da Verdade como Deus age e o mensageiro espiritual respondeu que para o ser humano é impossível compreender isso, mas que a melhor definição estaria no livro Gênesis da Bíblia: Deus disse faça-se e a coisa se faz. Ficou, então, para nós, como ensinamento, que o “faça-se” de Deus é a sua forma de emanar tudo que existe.
Por isso afirmo: quem tem a intenção é Deus. Mas, qual a intenção do Senhor do Universo? Dar uma oportunidade para que o espírito prove a si mesmo que aprendeu a amar ao Pai acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. Para poder fazer esta comprovação, o espírito não pode acreditar no que o ego fala…
Sendo assim, esta foi a intenção com a qual você, espírito, recebeu a criação ilusória que você, ego, tornou consciente.
Participante: Com todos estes estudos, está ficando difícil participarmos de algum outro tipo de casa (espírita, de umbanda, etc), principalmente naquelas casas onde médiuns ou entidades falam coisas que já não condizem mais com o que o nosso ego no momento está pensando. Como participar dessas casas ou não devemos mais participar delas?
Primeiro que não está ficando para vocês (plural): está ficando para quem está e não está para quem não está. Não pode se generalizar as percepções de cada um. Como disse os egos vivem sozinhos, portanto, esta é uma percepção individual.
Já disse aqui que um ato não leva a outro; que dois mais dois não dá sempre quatro no Universo. Não é porque alguém vivencia como o outro a percepção de estar aqui que tem que viver exatamente o que o outro sente. Portanto, está ficando apenas para você e para quem mais estiver sentindo e não para todos.
Agora, na Realidade, não está ficando difícil para você, espírito, mas sim para você, ego. A idéia de estar ficando difícil freqüentar uma casa é uma criação do ego, ou seja, uma criação de Deus. Trata-se, portanto, como vimos, de uma pergunta: você vai continuar amando a mim ou se prenderá nessa angústia de querer saber se deve ir ou não, o que acontecerá quando chegar lá, como deve se comportar…
Saiba de uma coisa: não dá para se tentar solucionar problemas materiais da vida carnal com esses ensinamentos. Eles não têm a menor intenção de lhe fazer viver de uma forma ou de outra. O que eles querem é fazer com que você entenda que não deve comprometer seu coração, ou seja, misturar seus sentimentos à emoção que o ego está criando.
Portanto, se você está em dúvida, não é você que está, mas sim o ego; e se ele está, mantenha o seu coração em paz mesmo que ele esteja em dúvida.
Digo isso como orientador espiritual. Mas, materialmente falando, posso lhe responder de outra forma a pergunta como freqüentar a casa que freqüenta: não sei… Sabe porque falo assim? Porque você, ego, não pode decidir se freqüenta ou não e nem a forma como freqüentar uma casa.
Se você, ego, tiver que criar a percepção ilusória de freqüentar alguma casa, Deus a criará de qualquer maneira. Além disso, será também Ele e não você que criará as razões de como se sentir quando estiver freqüentando ou não. Tudo para que a freqüência ou ausência aliada aos raciocínios e sensações (emoções racionais) gere a oportunidade de provação para o espírito.
Volto a repetir. Se alimente do hoje, do agora. Esqueça o futuro, não acredite no passado…
Você está agora num desses lugares? Não, então não se preocupe com isso. Amanhã, se você foi, esteja lá. Se enquanto estiver lá o ego criar razões que afirme que as coisas não estão certas porque cada um está falando algo diferente, observe estas formações de razões, mas não comprometa o seu coração com essas sensações que o ego está criando.
Eu queria ter falado uma coisa antes dessa sua pergunta, mas acho que agora fica até melhor. Grave isso: não dá para se relacionar com o ego acreditando em algumas coisas e não acreditando em outras.
Se por premissa o ego é simplesmente um programa de computador que Deus usa para criar uma realidade virtual, tudo o que ele cria é uma emanação de Deus. Mas, o que Deus emana? Provas… Então, tudo é prova…
Não importa o que o ego está dizendo: tudo o que ele disse não tem finalidade nenhuma, não tem passado algum, não tem futuro nenhum, ou seja, não levará a lugar algum. Trata-se apenas de oportunidades para o espírito provar a si mesmo a sua universalidade ao não crer na realidade das construções do ego.
Se a personalidade humana tiver que ir para outro lugar, se tiver que fazer, acreditar ou pensar em outra coisa, quem criará esta outra coisa é Deus. Não será o ego que chegará, através de raciocínios brilhantes, a conclusões maravilhosas.
O ego não tira conclusões, não raciocina, não faz nada: ele simplesmente transforma uma emanação de Deus numa ilusão. Agora achar que o ego é que dá vida (cria percepções) também é uma ilusão. Deus é que faz tudo…
Deus é que é o Criador, o espírito é o espectador e o ego a tela que torna consciente o que Deus está projetando…
Participante: Mas, o conceito oração do nosso ego é diferente. Então orar por alguém não tem nenhum sentido?
Orar com palavras? Não… Orar com palavras não tem nenhum reflexo para quem se está orando: tem para você. Vivenciar este acontecimento trata-se de uma prova para você.
Orar com o coração, isso faz sentido para o próximo. Isso porque, orar com o coração é amar. Quando você expande amor em direção a alguém, doa amor a essa pessoa. Com isso este espírito pode reagir melhor na luta contra o ego.
Oração com palavras é teatrinho e tudo que pertence à Divina Comédia Humana é carma, prova. Então, fazer uma oração para os outros é apenas uma prova para você mesmo.
Mas, faço uma pergunta: fazer oração para os outros, para que? Para acabar com o sofrimento? Para acabar com a carência de alguém? Desculpa, isso parece até Jó – personagem do livro bíblico homônimo.
Jó pergunta assim em uma de suas falas: que Deus está errado eu sei, mas quem tem coragem de dizer a Ele que está? Quem tem coragem de dizer a Deus que Ele está errado são aqueles que oram pedindo, exigindo benefícios que o Pai, que tudo sabe, não deu…
Quando você ora para alguém, para melhorar a vida de alguém, está partindo da premissa que Deus está “errado”. A sua oração está acontecendo porque imagina que aquilo não devia estar acontecendo com aquela pessoa naquele ou em qualquer outro momento.
Nós temos que orar a Deus – orar de coração – a todo o momento sim, mas agradecendo o que Ele nos dá. Não importa se o que Ele nos dá é fartura ou escassez, alegria ou sofrimento. Não importa, porque tudo que Deus cria é planejado nos mínimos detalhes para que o espírito possa executar a sua provação.
Deus não dá nada de mais nem de menos a um filho. Ou como vocês dizem: dá a cada um a cruz que cada pode carregar…
Então carregue a sua cruz louvando a Deus e oriente aos outros a fazer a mesma coisa, ao invés de orar a Deus pedindo que encurte a cruz dos outros ou a sua…
Na introdução do Evangelho segundo Tomé (livro escrito também pelo Espiritualismo Ecumênico Universal), tem uma história que eu conto sobre carregar a cruz. Vou reproduzi-la aqui porque cabe bem dentro do assunto:
A vida de vocês é um eterno caminhar. Vocês caminham levando uma cruz nas costas. Uma cruz que, para cada um, sempre é mais pesada que a do outro.
Aí se conta que existiu um moço que era muito esperto e um dia disse:
“Eu vou ficar andando com esta cruz grande e pesada? Eu vou fazer uma coisa: vou cortar um pedacinho da cruz e ninguém vai ver. Quer ver só?”
Ele cortou um pedaço da cruz e continuou caminhando. Engraçado, ninguém falou nada com ele. Ninguém cobrou dele aquele pedacinho da cruz. Aí ele disse:
“Está vendo como sou esperto? Já que agora eu cortei um pedacinho e ninguém reclamou, vou cortar mais um pedacinho”.
Continuou andando e ninguém veio dizer para ele que não podia cortar pedaços da cruz. Ele continuou caminhando confiante, porque a cruz tinha ficado mais leve sem os dois pedaços.
Assim foi ele fazendo a sua caminhada, cortando pedaços da cruz, até que a cruz ficou pequenina e ele a carregou nos ombros sem sentir muito peso, sem muito problema.
Uma multidão caminhava junto dele, cada um com a sua cruz pesada e ele, o grande homem, o homem que tinha descoberto o sentido da vida – cortar a cruz – caminhava tranqüilo, sem esforço, sem sofrimento e sem cansaço.
Mas, como todos os homens que caminhavam pela planície da vida, um dia ele chegou no desfiladeiro onde tinha um buraco muito grande para passar para o outro lado. Ele então pensou:
“E agora, como eu vou fazer para passar?”
Aí um anjo apareceu para todos que estavam à beira do precipício e disse:
“Do outro lado está a terra prometida. Do outro lado está a vida que vocês sempre quiseram. Se vocês perceberem, a cruz que cada um carrega é do tamanho exato do buraco por onde vocês têm que passar. Joguem a cruz que ela vai servir de ponte e vocês atravessam”.
Nosso amigo estava lá com o seu cotoco de cruz e ela não alcançava o outro lado do buraco. Os outros passaram pela cruz e no momento que chegaram do outro lado, a cruz sumiu. Mas o homem que carregava o cotoco teve que voltar pela mesma estrada para recolher as partes que ele tinha cortado, para juntar tudo e poder passar.
Acho que essa história o ajuda a entender se deve orar para ajudar o outro…
Participante: A pergunta é sobre o período inter vidas. Como se processa o estudo nesta fase? Podemos entender isso com nossas mentes humanas?
Deus é tão interessante que muitas coisas ele deixa você entender através do ego, mesmo ligado a ele.
A mesma pergunta que você está me fazendo agora, foi feita por Kardec ao Espírito da Verdade e a resposta está em O Livro dos Espíritos: observando os espíritos encarnados.
É assim que se aprende. O espírito que está numa consciência que forma percepções de matérias menos densas, observa como os seres que estão vivendo ligados a consciências que formam matérias mais densas se relacionam com suas ilusões.
Os espíritos que estão no período que você chamou de inter vidas vêem como se comporta o encarnado e juram que não irão agir da mesma forma. Agora, quando encarnam, ou seja, quando vivenciam eles mesmos a personalidade humana aí não conseguem realizar…
Como eu disse no início desta resposta, Deus é ótimo, porque primeiro dá a resposta e depois exemplifica na ilusão da vida como isso acontece. Ele deu a resposta através do espírito da Verdade nos anos 1800 e no final do outro século cria um programa de televisão que reproduz de forma semelhante este processo: Big Brother…
É no mesmo estilo que decorre este programa que acontece os estudos dos espíritos no mundo inter vidas: os seres “sentam numa sala” e ficam assistindo os seus irmãos que estão ligados ao ego e, portanto, presos na ilusão do mundo material. Durante este tempo, os seres do mundo menos denso analisam o comportamento do espírito – não é do ego – a cada ilusão que é criada. Analisa o comportamento do espírito e verifica como é a lei do carma em ação e entende o que acontece com o espírito quando ele se deixa enganar por essa ilusão.
Somente uma informação para deixar bem claro o assunto: eles observam o espírito e não o ego…
Por favor, não imagine que os espíritos da matéria menos densa ficam presos a observar o comportamento humano (participação em atos através de atitudes e pensamentos). Isso não é verdade: o que eles observam é a forma como o espírito reage às ilusões…
Participante: Tive uma experiência de pensar coletivamente. Não lembro o que foi pensado, mas pensava em conjunto com mais ou menos duzentos ou trezentos seres.
Não era debate: simplesmente um pensamento que se desenvolvia simultaneamente em várias consciências. Um único tema que se desenvolvia utilizando vários pensadores ao mesmo tempo. Ninguém pensava algo isoladamente, a todos pertencia igualmente a única coisa pensada, o que tornava o pensar infinitamente mais leve do que pensar sozinho.
Você pode comentar este fenômeno?
Responda-me: você sabe o que foi pensado?
Participante: Não…
Está certo…
Esta comunhão espiritual que você descreve, pode acontecer: diversos espíritos comungando num ideal. Aliás, não só pode: isso acontece sempre…
Esta é a Realidade do Universo. Deixe-me aproveitar a sua pergunta e explicar uma coisa…
Se vocês pudessem dar um rótulo para identificar a linha de raciocínio dos ensinamentos que transmito, poderíamos dizer que esta linha é monista. O que quer dizer isso?
Que a linha de raciocino dos ensinamentos que transmito busca fundir o múltiplo na Unidade. Busca trazer aqueles que estão na multiplicidade para a Unidade. Por que isso? Porque essa o monismo é a Realidade do Universo.
Deus é Um e Único; o Universo é Um e único; e a comunidade espiritual vive dentro do Universo com as suas individualidades em comunhão perfeita consigo, com todos e com Deus. Essa comunhão perfeita é a Unidade.
Essa é a Realidade do Universo. Todos os ensinamentos que lhe prende à multiplicidade – ou seja, isso deve ser feito, aquilo não; isso pode, aquilo não – são ensinamentos dualistas e, portanto, não universais.
Então veja, a consciência que se formou através do seu ego deu uma idéia do que é a Unidade Universal: diversos espíritos comungando um bem comum que não pertenciam a ninguém e é ao mesmo tempo de todos, sem posses.
Agora, o seu ego não consegue compreender o que é comungado entre os espíritos. Não há palavra que descreva o que é comungado entre os espíritos.
Veja bem: se há uma comunhão, é necessário que haja algo que seja comungado entre s espírito. No entanto, aquilo que é comungado entre os espíritos não pertence ao mundo material e, por isso, não pode ser reconhecido pela personalidade humana. O ego não consegue fazer idéia do que é comungado, por isso, quando trouxe ao consciente a Realidade Universal (a comunhão espiritual) criou a idéia de que o que estava sendo compartilhado era um pensamento…
Na verdade os espíritos não pensam, não comungam pensamentos, já que, segundo Buda, este elemento, como outros, são coisas que se agregam ao espírito depois do advento… Os espíritos comunicam-se entre si de uma forma diferente que os humanos…
Deixe-me dizer algo. No início desse trabalho, afirmamos que o espírito quanto mais ia evoluindo perdia algumas características humanas. Uma delas era o falar, a palavra, o som…
Quando dissemos isso nos perguntaram: como os espíritos se comunicam então? Eu respondi: amando-se. Um espírito ama (expande amor) e o outro recebe essa vibração e sabe perfeitamente o que o outro está “querendo dizer”.
Sei que imaginar isso é incompreensível para você ego. Isto porque não há imagens ou idéias que criem uma consciência de como se processa essa comunicação, já que para vocês a comunicação precisa ter formas, pensamentos, sensações, memórias, percepções: seja formada pelos cinco agregados do ego…
Então, comentando não a sua experiência, porque afinal o que você se lembra não foi realmente uma experiência sua (do ego), mas sim do espírito, que apenas foi descrita pelo ego dentro das suas limitações, posso dizer que você teve uma noção do que é a Unidade Universal. Na verdade você, ego, não teve experiência alguma, mas apenas tornou-se consciente de algo que ocorre com o espírito: a comunhão universal.
Mas, que fique bem claro: a comunhão universal não são diversos espíritos pensando, mas sim uma plêiade espiritual que comunga algo, que a consciência humana jamais poderá descrever, de forma única…
Participante: Foi isso mesmo, algo era comungado, mas o que era, não sei… Isso parece música, não?
Não, no Universo não existe música. Porque se existisse música teria que existir a não música, que poderia ser o silêncio ou a prosa.
Repare o que acabei de falar sobre dualismo: tudo o que é dual (pode ser ou não ser, estar ou não estar) não pertence ao Universo. Existe um único elemento no Universo e ele não tem nada a ver com a música (som) que vocês conhecem.
Sabe porque o seu ego descreveu essa comunhão como música? Porque ele é músico… Não é você que é músico, é o seu ego que é. Por isso, ele raciocina, através de sons (o ritmo do raciocínio é movido por música). Já o ego do escritor raciocina em palavras.
O que é comungado entre os espíritos não parece com música… Não queira dar valores a esta forma de comunhão porque a personalidade humana não tem idéias que possam descrever o que é comungado.
O que ela pode saber sobre isso é só que o que é comungando não dual, é Único, Uno. Além disso, ela pode saber que este elemento universal não pode deixar de existir ou existir em alguns momentos. Se este elemento não fosse Único e pudesse deixar de existir em algum momento, ele viraria dual como a música e a não música…
O elemento comungado entre os espíritos no Universo é Único, Uno e constante…
Saiba de uma coisa. Enquanto você, espírito, está iludido, vivendo a consciência humana, ou seja, vivendo a idéia de ser o personagem humano (suas idéias, seus pensamentos, suas emoções) está sempre nessa comunhão, sempre comungando.
Foi isso que eu quis dizer outro dia: o espírito só ama. Não faz mais nada. Naquele momento chamei de amar essa comunhão, mas isso é apenas um nome, um rótulo. Podia chamar de banana, de tesouro, de qualquer coisa, porque vocês não têm mesmo valores para descrever o que realmente o espírito faz.
Esta é a Realidade Universal: o espírito comunga com a coletividade espiritual constantemente – algo que chamamos de amar – mas tem a ilusão de estar irritado, depressivo ou feliz. Tem a ilusão de estar escrevendo, tocando ou se divertindo…
Deixe-me falar algo: estão sendo muito importantes estas nossas reuniões exatamente por causa de conversas como estas. Como já disse não temos mais nada a estudar: o que precisamos é alcançar a prática e a essência do ensinamento.
A essência de tudo o que falamos é exatamente o monismo, ou seja, a compreensão de que o Universo é Único, Uno e constante.
Participante: Fiz esta pergunta porque imaginava que não pudesse fazer contato espiritual dessa maneira…
Você, ego, não fez contato espiritual algum. Deixe-me deixar bem claro isso…
Sabe de uma coisa: agora, que você, ego, não está tendo a idéia de estar tendo esta comunhão, você, espírito está fazendo. Isso é Real, isso é Realidade… Não é porque o ego não cria a consciência de você, espírito, estar comungando, que você não está.
O que você ego teve não foi um contato espiritual, mas sim uma idéia (consciência) criada por Deus. O espírito tem a experiência espiritual, mas a personalidade humana recebe de Deus em determinados momentos a idéia desta experiência que faz parte da Realidade Universal. Portanto, você, ego, personalidade humana, não teve a experiência, mas sim apenas uma consciência da comunhão que o espírito vive.
Então, você não teve nenhum trabalho espiritual específico: Deus criou a idéia através do ego. São coisas completamente diferentes.
Mas, tem mais. Além de não ter realizado a experiência espiritual, não foi você ego, que criou a consciência dela existir: foi Deus quem criou a idéia da comunhão. O que o espírito faz, como ele existe, o ego não pode sozinho, ou por vontade própria ou do espírito tornar-se consciente. É preciso que Deus dê a idéia.
Portanto, você, ego, não teve experiência espiritual e nem teve a capacidade de tornar a comunhão universal consciente: tudo foi obra de Deus para dar a seu filho o justo e necessário para a sua caminhada de retorno à consciência primária.
Participante: Essa idéia é ilusória?
A idéia é carma, é prova para o espírito. Ou seja, é algo gerado através do inescrutável poder de maya por Deus para ver se o espírito acredita no que você acabou de dizer: “eu tive uma experiência espiritual”. Seria muito engraçado se um espírito acreditasse que teve apenas em determinados momentos uma experiência espiritual, não é mesmo?
Você, ego, não teve experiências nenhuma: teve apenas a idéia de ter tido.
Participante: Essa comunhão que o ego se lembra pode ter existido assim como pode não ter?
A comunhão sempre ocorre, sempre existe. Agora, a idéia de a ter vivenciado, é só uma idéia, uma ilusão, não a Realidade. O espírito que vivencia como real ter tido apenas uma experiência espiritual em um determinado momento, nega a sua Realidade, a sua Universalidade…
Participante: Então eu apenas acho que percebi a comunhão… É isso?
Mais do que isso: você, ego, teve apenas a idéia de ter percebido a reunião, teve apenas um raciocínio que a criou de forma fictícia. Aquela comunhão que você se lembra não existiu: foi apenas uma imagem criada pelo raciocínio.
Deixe-me voltar a deixar algo bem claro: não confie em nada que o seu ego crie; não feche questão com nada que o seu ego crie; não comprometa seu coração com o “certo e errado”, o “verdadeiro ou falso” que o seu ego crie sobre qualquer coisa.
Por exemplo: você acredita que teve a idéia de ter tido essa percepção para lhe mostrar que você teve uma experiência espiritual pessoal. Mas, quem disse que essa intenção é verdadeira? As intenções com as quais Deus gera as percepções não são distinguíveis através da razão…
Vou fazer uma suposição: essa idéia pode ter sido criada pelo seu ego só para justificar a pergunta que você fez hoje, agora. Ou seja, ela teve a finalidade que o seu ego diz que teve, mas pode ter servido apenas para justificar a existência da resposta que eu dei para que os outros pudessem ouvir esse ensinamento.
Ninguém sabe a finalidade com a qual Deus coloca as coisas através do ego, a não que é uma provação, ou seja, para ver se o espírito ama ou não. Se você, espírito, acredita no que o ego diz, ou seja, que foi uma experiência para fins pessoais, não estará amando universalmente.
Nada do que o ego diz é Verdade Absoluta, Universal. Para ilustrar bem isso, pergunto: quem foi que descobriu o Brasil. A resposta seria Pedro Álvares Cabral. Mas, a idéia que afirma que isso aconteceu é apenas uma criação de ego. É uma razão e não uma Realidade.
Ninguém pode afirmar que isso é verdade. “Ah, Joaquim, tem documentos que comprovam isso”. Quem disse que estes documentos são reais? Os documentos não existem: tudo o que você convive (percebe) é uma percepção gerada por Deus através do ego.
Olha, toda história universal é uma criação do ego, uma idéia que Deus traz ao consciente através das formações mentais. Mais: as histórias que o ego cria podem ser coletivas (do planeta) ou individuais.
Quem ainda tem mãe, pai, avó ou qualquer ascendente que já era adulto enquanto você era uma criança, converse com ele sobre algum acontecimento histórico de sua vida, sobre algo que você tenha certeza de que aconteceu de determinada maneira. Converse com seus ancestrais sobre algo que você acredita ter feito e verá que eles dirão que o acontecimento não foi bem como você se lembra…
Saiba de uma coisa: a sua própria história de vida é uma criação do ego. Coisas que imagina ter feito, que tem certeza que fez, podem não ter sido feitas.
Por que isso é assim? Porque todas as razões lógicas que você tem embutidas na sua memória fazem parte da sua história de agora. Por que elas influenciam no hoje? Porque levam a dar veracidade e razão a algumas verdades de hoje.
Por exemplo, se você tem medo de água, pode imaginar que um dia quase se afogou e por isso tem medo de água. Você justifica o medo de hoje com uma história do passado.
Mas, como eu já disse, não há este encadeamento entre as razões que o ego tem. A cada momento Deus leva razões à consciência para que sirvam de provação para aquele momento e estas razões nem sempre são fundamentadas em percepções realmente vividas.
A história que justifica o medo de água pode ser uma criação atual do ego para que você acredite que realmente tem medo de água. Com isso, a provação de hoje é gerada: você, espírito, vai vivenciar o medo que o ego cria, ou vai prender-se a Realidade e vivenciar apenas o amor?
Por isso, filhos, digo a vocês: sigam o conselho de Buda e Krishna. Estes mestres ensinaram que devemos viver apenas o momento de agora, sem vinculá-lo a nada do passado ou do futuro.
Sri Krishna chega a ensinar assim: o verdadeiro sábio não tem outro lugar para guardar o alimento que não a sua barriga. Quando estudamos isso fui bem claro: o que ele quer dizer é que o verdadeiro sábio não tem memória.
Claro que o ego do sábio tem memória, pois como vimos através dos ensinamentos de Sidarta Gautama, enquanto ele estiver encarnado terá este agregado. O que acontece é que o verdadeiro sábio não acredita na sua memória e, por isso, não compromete o seu coração com o que a memória traz à razão.
Só isso. Não comprometa o seu coração com o que a razão diz. Ou seja, não jure de “coração junto” (alusão ao dito “jurar de pé junto”) que aquilo é verdade, é real.
Não faça isso, porque você pode “quebrar a cara”. Muitos juraram de pés juntos, por exemplo, que Cabral descobriu Brasil, mas hoje até a própria ciência histórica afirma que o povo da Escandinávia estive no Brasil muito antes de Cabral.
Participante: Estando nós continuamente imersos em um mar de pensamentos de muitas inteligências, podemos dizer que aquilo que pensamos é aquilo que filtramos baseados na sintonia de nossos sentimentos naquele instante.
Eu não falei em momento algum que você está imerso num mar de pensamentos dos outros. Isso não existe.
O que falei foi que há uma comunhão e que nela é comungado algo que você não sabe o que é. Disse ainda que o ego, simplesmente para trazer essa comunhão a consciência, usou a figura de que se tratava de pensamentos.
Não, os egos não comungam nem se imergem num mar junto com outros egos. Eles vivem sozinhos. Os espíritos estão comungados com os outros, mas os egos vivem sozinhos. Até porque ego não vive.
Aliás, ele nem existe, não é verdade? Ego é uma idéia, uma ilusão, uma percepção que Deus cria e que o espírito crê ser real.
Portanto, não pode haver mar de pensamentos já que não existem pensamentos. O pensamento é uma idéia de ter pensado, um acreditar que pensou. Ele não existe: você só acredita que pensa.
Participante: Quanto a essa percepção que tive, o que quis me dizer o ego quando criou uma realidade distorcida em cima de uma Realidade Real?
Ele não quis dizer nada… Ele simplesmente propôs uma prova: e agora, você, espírito, vai amar a Deus acima de todas as coisas ou vai achar que você mesmo gerou para si uma oportunidade dessas. Você vai amar a Deus ou vai achar que você conseguiu isso sozinho?
Ego não tem intenção: é Deus quem faz as coisas. Aliás, ego nem existe: é apenas algo ilusório, um elemento ilusório que a razão cria para descrever o faça-se de Deus. Como então pode fazer alguma coisa ou ainda por cima ter intenções ao fazer?
NOTA: O “faça-se” de Deus foi profundamente discutido no estudo do Livro Primeiro de O Livro dos Espíritos. Num dos capítulos deste livro Kardec pergunta ao Espírito da Verdade como Deus age e o mensageiro espiritual respondeu que para o ser humano é impossível compreender isso, mas que a melhor definição estaria no livro Gênesis da Bíblia: Deus disse faça-se e a coisa se faz. Ficou, então, para nós, como ensinamento, que o “faça-se” de Deus é a sua forma de emanar tudo que existe.
Por isso afirmo: quem tem a intenção é Deus. Mas, qual a intenção do Senhor do Universo? Dar uma oportunidade para que o espírito prove a si mesmo que aprendeu a amar ao Pai acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. Para poder fazer esta comprovação, o espírito não pode acreditar no que o ego fala…
Sendo assim, esta foi a intenção com a qual você, espírito, recebeu a criação ilusória que você, ego, tornou consciente.
Participante: Com todos estes estudos, está ficando difícil participarmos de algum outro tipo de casa (espírita, de umbanda, etc), principalmente naquelas casas onde médiuns ou entidades falam coisas que já não condizem mais com o que o nosso ego no momento está pensando. Como participar dessas casas ou não devemos mais participar delas?
Primeiro que não está ficando para vocês (plural): está ficando para quem está e não está para quem não está. Não pode se generalizar as percepções de cada um. Como disse os egos vivem sozinhos, portanto, esta é uma percepção individual.
Já disse aqui que um ato não leva a outro; que dois mais dois não dá sempre quatro no Universo. Não é porque alguém vivencia como o outro a percepção de estar aqui que tem que viver exatamente o que o outro sente. Portanto, está ficando apenas para você e para quem mais estiver sentindo e não para todos.
Agora, na Realidade, não está ficando difícil para você, espírito, mas sim para você, ego. A idéia de estar ficando difícil freqüentar uma casa é uma criação do ego, ou seja, uma criação de Deus. Trata-se, portanto, como vimos, de uma pergunta: você vai continuar amando a mim ou se prenderá nessa angústia de querer saber se deve ir ou não, o que acontecerá quando chegar lá, como deve se comportar…
Saiba de uma coisa: não dá para se tentar solucionar problemas materiais da vida carnal com esses ensinamentos. Eles não têm a menor intenção de lhe fazer viver de uma forma ou de outra. O que eles querem é fazer com que você entenda que não deve comprometer seu coração, ou seja, misturar seus sentimentos à emoção que o ego está criando.
Portanto, se você está em dúvida, não é você que está, mas sim o ego; e se ele está, mantenha o seu coração em paz mesmo que ele esteja em dúvida.
Digo isso como orientador espiritual. Mas, materialmente falando, posso lhe responder de outra forma a pergunta como freqüentar a casa que freqüenta: não sei… Sabe porque falo assim? Porque você, ego, não pode decidir se freqüenta ou não e nem a forma como freqüentar uma casa.
Se você, ego, tiver que criar a percepção ilusória de freqüentar alguma casa, Deus a criará de qualquer maneira. Além disso, será também Ele e não você que criará as razões de como se sentir quando estiver freqüentando ou não. Tudo para que a freqüência ou ausência aliada aos raciocínios e sensações (emoções racionais) gere a oportunidade de provação para o espírito.
Volto a repetir. Se alimente do hoje, do agora. Esqueça o futuro, não acredite no passado…
Você está agora num desses lugares? Não, então não se preocupe com isso. Amanhã, se você foi, esteja lá. Se enquanto estiver lá o ego criar razões que afirme que as coisas não estão certas porque cada um está falando algo diferente, observe estas formações de razões, mas não comprometa o seu coração com essas sensações que o ego está criando.
Eu queria ter falado uma coisa antes dessa sua pergunta, mas acho que agora fica até melhor. Grave isso: não dá para se relacionar com o ego acreditando em algumas coisas e não acreditando em outras.
Se por premissa o ego é simplesmente um programa de computador que Deus usa para criar uma realidade virtual, tudo o que ele cria é uma emanação de Deus. Mas, o que Deus emana? Provas… Então, tudo é prova…
Não importa o que o ego está dizendo: tudo o que ele disser não tem finalidade nenhuma, não tem passado algum, não tem futuro nenhum, ou seja, não levará a lugar algum. Trata-se apenas de oportunidades para o espírito provar a si mesmo a sua universalidade ao não crer na realidade das construções do ego.
Se a personalidade humana tiver que ir para outro lugar, se tiver que fazer, acreditar ou pensar em outra coisa, quem criará esta outra coisa é Deus. Não será o ego que chegará, através de raciocínios brilhantes, a conclusões maravilhosas.
O ego não tira conclusões, não raciocina, não faz nada: ele simplesmente transforma uma emanação de Deus numa ilusão. Agora achar que o ego é que dá vida (cria percepções) também é uma ilusão. Deus é que faz tudo…
Deus é que é o Criador, o espírito é o espectador e o ego a tela que torna consciente o que Deus está projetando…
Participante: Quero aproveitar dois exemplos dados para esclarecer uma dúvida. É a respeito do impasse que se encontra quando conscientemente se busca a emancipação da alma e a impossibilidade de se ligar ao teatro carmatico. Trata-se um caso que já foi estudado aqui onde um senhor tem uma esposa que é médium sem controle. Supondo que o marido compreendeu que não somente deve deixar a crítica de lado, mas que também deve passar a viver feliz e apoiar a experiência de um espírito hora sua mulher. Pergunta: é possível que ele compreenda isso, mas continue tendo palavras e atos contrários à sua compreensão por não poder mudar o teatro terrestre, sobretudo se este comportamento for carma da esposa em que o marido assim deva se comportar. Esta é a primeira pergunta…
Esta sua primeira pergunta, longa, maravilhosa, muito bem conjeturada, só tem uma resposta: que marido? Que esposa? Que compreensão? Que raciocínio? Veja, todos estes elementos não existem.
Tudo o que você ouviu anteriormente não aconteceu de verdade: trata-se apenas de uma emanação de Deus para criar uma prova para você. Não estou afirmando que esta pergunta não foi feita em um dos nossos encontros. Ela foi, mas a sua lembrança e o raciocínio que ela serviu para embasar são apenas sua prova.
Veja, marido nenhum pode mudar… Isso porque não existem maridos, mas egos. Como um ego pode mudar, principalmente no caminho da busca da emancipação da alma? O ego, mesmo que pudesse emancipar-se, não quer isso…
Querer emancipar-se, ter razões que digam que você quer emancipar-se, não é uma Realidade, mas uma prova. Trata-se na realidade de uma vontade de emancipar-se, ou seja, um dos frutos do egoísmo.
Olha o que eu acabei de dizer: não para dizer que uma parte do ego é Real e outra não; não se pode dizer que ele raciocina em alguns momentos e em outros não…
Tudo isso é história, é sua prova. Isso porque o marido e a esposa que estão no seu ego não são nem aqueles personagens humanos, nem os espíritos que estão ligados a eles.
Deixa eu lhe dizer uma coisa. Em uma palestra anterior, me fizeram a pergunta mais interessante que recebi em todos estes anos de estudo: “Joaquim, onde você está”? Eu respondi com outra pergunta, que, aliás, é o tema de hoje: o que falei sobre as coisas materiais?
A pessoa, então, me respondeu: “o senhor disse que tudo é criação do ego”. Aí respondi a ele: bom, se eu disse que tudo do mundo exterior é uma criação do ego, eu estou no seu ego.
Sabe, Joaquim não existe no mundo exterior, mas somente no ego daqueles que um dia tiveram esta percepção. Mais: as palavras que você imagina que eu estou falando, não são minhas, mas criações do seu ego. É a sua personalidade racional que está criando as palavras e a compreensão do que você imagina que estou dizendo.
O mundo externo não existe e o do raciocínio também não. O que existe é o mundo do espírito e este não será alcançado através da razão ou das percepções.
Participante: Qual é a lição de se passar por um assédio sexual?
Não sei…
Veja bem… O que são os acontecimentos de uma existência humana? Percepções que servem para gerar provas para o espírito.
Qual é o fundamento básico de todas as provas que o ser universal se submete no Mundo de Provas e Expiações? O egoísmo. Todas as provações do espírito, ou seja, todos os atos e pensamentos do ego têm como objetivo fazer com que o ser universal comprove para si mesmo que abandonou o seu egoísmo.
Sendo assim, um espírito, ao passar por um assédio sexual, estará vivenciando uma provação onde terá a oportunidade de provar a si mesmo que venceu o egoísmo. Você pode até achar que um assédio sexual não tem nada a ver com egoísmo, mas vamos ver o caso sobre um outro ângulo.
Por que quem passa pelo assédio sexual sofre? Porque não gosta, não quer vivenciar o que está acontecendo. Acha que é “errado” passar por aquela situação…
Ora, o que é isso, senão idéias fundamentadas em valores individuais? Sim, é uma idéia individual, já que quem está assediando faz porque quer, porque gosta, porque achando “certo” fazer isso… As opiniões de cada um a respeito do acontecimento são individuais porque cada um tem a sua.
Agora, se analisarmos dentro da questão moral para fins de elevação espiritual, quem está perfeito: quem acha “certo” a prática do ato ou quem acha “errado”? Nenhum dos dois…
Dentro do prisma do aproximar-se de Deus os dois estão “errados”. Isso porque cada um acha que ele está “certo”. Ao agirem assim tornam-se egoístas, pois quererem ser o dono da verdade.
Isso vale para qualquer coisa que ocorre durante a vida de um ser humano, já que sempre haverá diversas opiniões sobre todas as coisas. Portanto, qualquer coisa que ocorra será sempre a provação do egoísmo.
Apesar de agora dar esta garantia, comecei lhe respondendo que não saberia lhe dizer que proveito tem um ato de assédio sexual. Por que fiz isso? Vamos entender…
O egoísmo se expressa sempre através de uma posse. Em todos as situações da existência alguma possessão está sendo ameaçada.
Que posses são essas?
A posse moral: eu acho certo, eu acho errado…
A posse sentimental: eu gosto ou desgosto…
A posse do elemento material, no caso o corpo físico.
Uma destas três posses – ou ainda todas elas – estão em provação neste caso que você citou. Como você perguntou genericamente, não saberia dizer qual delas, ou se todas elas, estavam nesta provação. Por isso respondi logo que não sabia…
Mas, não importa se saber que posse está em jogo, se todas elas partem do egoísmo. Se isso é verdade, então, o que está sempre em provação é o egoísmo.
O que está em prova sempre é o apego do espírito aos pensamentos gerados pelo ego a partir do “eu”: eu estou certo, eu gosto, eu quero…
Participante: Entendo o amar o próximo como amar o espírito em todos os humanos como manifestações divinas que são.
Deus atende as necessidades do espírito e não do humano.
Foi ensinado que devemos carregar a pedra que o humano nos pede até mesmo pelo dobro do caminho solicitado ou mais.
Atendendo a um pedido humano estaria eu muito que provavelmente colaborando para que esse se apegasse ainda mais ao ego o que me levaria a não seguir o exemplo de Deus.
Pode comentar estas colocações?
Vamos lhe responder esta pergunta pensamento por pensamento…
Entendo o amar o próximo como amar o espírito em todos os humanos como manifestações divinas que são.
Não tente entender o amar o próximo. Pois nenhum humano sabe amar o próximo. Por que? Porque o amor humano ao próximo, como entendido pelo humano, é gerado a partir do egoísmo, ou seja, é criado a partir daquilo que você quer amar…
Você ama Hitler? Ama aqueles que jogaram os aviões contra as torres gêmeas? Ama os terroristas que entraram em uma escola da Rússia e mataram as crianças? Claro que não… Então você não ama o próximo, porque eles também são o seu próximo…
Não queira entender o amor ao próximo porque o ego humano não sabe amar. O amor, a idéia de amar, do ego humano é egoísta, pois não ama universalmente, mas quem ele quer, quem ele gosta, quem acha certo amar…
Foi ensinado que devemos carregar a pedra que o humano nos pede até mesmo pelo dobro do caminho solicitado ou mais.
Não, não foi ensinado que se deve carregar a pedra que o humano pede. Cristo diz o seguinte: você deve carregar a pedra que o soldado inimigo lhe pede…
Não se trata de um simples ser humano, mas do soldado humano que, no caso, era o inimigo de quem estava ouvindo o mestre. Ou seja, o que foi ensinado é que o que o seu inimigo pede deve ser feito em dobro…
Veja. Não é a qualquer ser humano que você deve fazer mais do que ele espera, mas principalmente ao seu inimigo. Por isso acabei de perguntar se você ama alguns exemplos de pessoas que são consideradas como inimigas da humanidade. Para seguir o ensinamento que você citou, deveria amá-los em dobro.
Mas, existem outros ensinamentos de Cristo que podemos usar agora. Ele disse: se uma ovelha se desgarra, eu abandono noventa e nove e vou até essa que se desgarrou e digo que lhe amo mais do que as outras.
Repare que Cristo não diz que aquela ovelha voltou ao rebanho, ou seja, regenerou-=se para que ele a amasse. Ela não voltou, Cristo a buscou onde estava. Ela continuava sendo uma ovelha desgarrada quando o mestre afirmou que a amava mais do que as outras.
Se este é o ensinamento, é justo afirmar que você deve amar aos terroristas em dobro, que deveria amar Hitler mais do que os outros…
Atendendo a um pedido humano estaria eu muito que provavelmente colaborando para que esse se apegasse ainda mais ao ego o que me levaria a não seguir o exemplo de Deus.
Que exemplo de Deus você quer seguir? Qual o exemplo da bondade de Deus que você quer seguir?
A bondade de Deus que se expressou através da morte das crianças na Rússia? A bondade que este presente quando os judeus que foram mortos nas câmaras de gás? Acho que destas bondades você não quer participar, não é mesmo?
Talvez queira participar de outras. Quem sabe daquelas expressas nas passagens bíblicas. Talvez você queira seguir o exemplo da bondade de Deus que foi expressa no Velho Testamento onde Deus mandava os israelitas para guerra, prevenindo-os que todos iriam morrer? Se não quiser pode ainda colaborar com a bondade de Deus que acontecia quando Ele trazia os exércitos inimigos para dominar Israel?
Ainda não está disposto a ajudar? Que tal, então, participar da bondade de Deus com Jesus Cristo, Paulo, Pedro e os primeiros cristãos? Todos mortos violentamente em nome da fé em Deus…
É, a bondade de Deus nem sempre é bondosa, não é mesmo? Mas, mesmo assim não deixa de ser bondade, sabia?
As idéias racionais que definem a bondade de Deus para o ser humano é apenas uma criação do ego. Portanto, é uma ilusão, uma verdade relativa que serve para criar uma prova para o espírito.
Fundamentando-se na idéia de que Deus salva e ajuda o ser humano, o ego propõe ao espírito que espere Deus lhe salvar, que espere o Senhor lhe tirar da sensação de sofrimento. Ao fazer isso o espírito não utiliza o elemento universal que pode “salvar”: a fé.
Deus não salva ninguém: Ele dá a cada um segundo as suas obras. Ele dá a cada um o necessário para que o espírito possa agir contra as idéias do ego através da fé.
Esta é a bondade de Deus, este é o amor do Pai: dar a cada um o justo e necessário, não como punição, mas como uma nova oportunidade de elevação.
Se isto é verdade, quando fizer ou não por alguém, estará seguindo o exemplo de bondade do Senhor. Isso porque, o que acontecer, será fruto da bondade de Deus.
Respondendo-lhe, então, digo que sim, você deve seguir a bondade de Deus. Apenas ressalvo que ela não é o que você imagina. A bondade de Deus não se expressa em fazer o “melhor” para esta vida, mas em ter a certeza que se faz sempre o necessário, no sentido da evolução espiritual, para cada espírito.
Aquele que quer fazer a bondade de Deus, então, apenas se preocupa em não seguir as idéias de bondade que o “ego” cria. Ele está sempre vigilante aos seus pensamentos para manter a união amorosa com Deus (amar e sentir-se amado por Ele), mesmo que os acontecimentos que participe aparentem um sofrimento.
Sabe o que Cristo respondeu a Pilatos quando este lhe perguntou porque não se salvava, já que era um rei, filho de Deus? “Se Deus quisesse que eu me salvasse, teria mandado dez legiões de espíritos para isso”.
Na hora da morte completou: “Pai, afasta de mim este cálice, mas se não for possível, que seja feita a vossa vontade”. Esse é o verdadeiro reconhecimento da bondade de Deus: saber que Deus lhe entrega àquelas percepções de sofrimento com amor, como oportunidade de elevação.
A bondade de Deus jamais se prenderá ao que os humanos querem e, por isso, você também não deve prender a isso. Aliás, fazer o que o outro quer é impossível, já que você, ego, jamais deixará de seguir o seu egoísmo para fazer o que o outro quer.
Já dei esse exemplo aqui. Se alguém lhe pedir para dar um tiro nele, você fará? Claro que não, não é mesmo… Mas, ele quer, ele precisa. Você não está disposto a ajudá-lo? “Neste caso, não”, seria sua resposta, já que fazer isso foge aos seus princípios de ajuda.
Então você não quer ajudar o outro, mas sim fazer o que o seu ego diz que é “certo” e “perfeito”. Na verdade está sempre buscando satisfazer-se, contentar sua vontade, e não ajudar os outros. Isso não é uma bondade egoísta, uma bondade submetida aos seus conceitos de “bom”?
Não, a idéia de Deus bondoso acaba com a própria Bíblia, já que em toda ela o conceito de bondade é exatamente o oposto daquilo que os humanos acreditam. Acaba, também, quando descobrimos que Deus é Causa Primária de todas as coisas. Repare, todas as coisas e não algumas…
Quando se entra neste monismo surge uma nova idéia sobre a bondade de Deus, que se consiste em dar a cada um segundo as suas obras; dar a cada filho seu, cada espírito, a oportunidade e a prova necessária que gerará uma oportunidade de elevação…
Deixe-me dizer uma coisa muito claramente…
No Universo existe apenas Deus, o espírito e a matéria. O resto que a humanidade acredita que existe são apenas figuras ilusórias, meras fantasmagorias…
Sendo assim, não existe o ser humano para ser amado por Deus ou pelos enviados dele. O ser humano é uma ilusão. Não existe, também, vida humana; o que existe é a vida do espírito. Sendo assim, é nesta última e através dos valores dela que Deu age…
Veja que ilusão o ego cria. Ele quer que Deus aja naquilo que é irreal, para satisfazer a desejos egoístas de seres fantasmagóricos. Isso é impossível… Não se pode agir pelo humano porque ele não existe e não se pode agir durante a vida humana porque ela também não existe.
Participante: Não sei o que acontece comigo, pois não condeno Hitler, os terroristas, estupradores… Já não é um passo não condenar os vilões do mundo?
Não… Não ter nada contra não se consiste em passo algum. Para caminhar em direção a Deus você não tem que ter nem contra nem a favor: tem que amar.
Já disse anteriormente que os humanos não sabem amar, por isso lhe digo agora que para dar algum passo à frente é preciso que você seja equânime (tenha igualdade de ânimos) com as coisas do mundo. Sendo assim, quando para você os terroristas e São Francisco de Assis forem a mês coisa, quando o seu ânimo por Hitler ou Jesus Cristo for o mesmo, aí poderá começar a imaginar que está chegando perto de Deus.
Não ser contra ainda é ter alguma coisa a respeito destes personagens. A elevação espiritual é conseguida quando não se tem nenhuma opinião a respeito de qualquer coisa, pois as variadas opiniões que o ser humano tem pelas coisas denotam ânimos diferentes. A elevação se caracteriza pela consciência de que só Deus sabe.
Lembra-se do ensinamento de Cristo: amai a todos. O mestre não disse para amarmos apenas os “bonzinhos”, os “certos”. Pelo contrário: ele disse para amar o inimigo acima de tudo.
O amor tem que ser igual por todos. Quando você diz que não tem nada contra a Hitler, já está tendo, pois separou este personagem do outro que ficou conhecido como Jesus Cristo.
Saiba de uma coisa: Jesus Cristo e Hitler são a mesma coisa, farinhas do mesmo saco. Isso porque são dois egos criados e administrados por Deus que se converteram em personagens que serviram de instrumentos para a ação carmatica dos espíritos ditos encarnados. Além disso, na Realidade, os espíritos que estavam unidos a estes egos também eram iguais, pois foram ambos criados à imagem e semelhança do Pai.
Os espíritos que viveram a vida Hitler e Jesus Cristo são idênticos, já que Deus não pode gerar um espírito diferente do outro. Em essência eles têm a mesma pureza…
Os espíritos são idênticos porque Deus não gera espíritos diferentes entre si. Já os personagens, foram diferentes, ou seja, tiveram existências diferenciadas. Mas, mesmo isso deve lhe importar, não deve lhe fazer diferenciar um do outro, porque todos os personagens que vivem no planeta Terra são criações de Deus.
Se isso é verdade, apesar da aparente diferença de ação entre eles, os dois personagens foram iguais. Isto porque os dois saíram do amor de Deus, da Causa Primária.
Então, eles são iguais. Só quem diz que eles foram diferentes é o ego que julga pelos valores humanos, julga pelos conceitos humanos de bondade ou não…
Participante: Parece haver duas consciências distintas: uma do ego, outra do espírito. Comente, por favor.
Não, não existem duas consciências distintas: existem sete… Apesar de dizer isso, afirmo que, na verdade, existe uma única consciência: a consciência primária do espírito. Todas as outras consciências não são reais, mas ilusões que o espírito vive.
A primeira consciência, ou a que realmente existe, é a Real, a única. Só ela existe realmente. Agora, ao mesmo tempo em que esta funciona, o espírito está sujeito a outras seis conscientizações, que são ilusórias e não reais, que funcionam ao mesmo tempo.
Todas as seis consciências ilusórias criam realidades relativas e ilusórias dentro de um nível de percepção. Portanto, o espírito tem a sua consciência primária que opera na Realidade, mas, ao mesmo tempo, recebe informações (realidades) diferentes de seis outras consciências.
Uma observação: falo aqui do espírito encarnado na Terra. De acordo com o plano de vida e lugar de encarnação, a quantidade de níveis de consciências ilusórias diminui…
Participante: Pelo que o senhor diz, parece que o espiritual permanece inacessível pelo humano, visto que ele não tem como compreendê-lo.
A consciência humana, nesta escala de consciências que falei acima, é a sétima. A primária, a Real é a um.
Acontece que a consciência dois, ou seja, aquela que vêm logo depois da espiritual ou primária, não tem condições de acessar a realidade espiritual. Que dirá, então a sete, que já sofre a influência das criações das outras seis…
Só para você entender melhor este esquema que tracei, diria que as consciências funcionam como o computador de sua casa. A imagem que aparece no monitor é a realidade produzida pela sétima consciência; a realidade criada pelo programa que é utilizado para criar a imagem é a sexta. O programa que faz o criador da imagem funcionar é a quinta…
NOTA: Para ficar mais claro o exemplo dado pelo amigo espiritual, coloco nomes nos elementos usados por ele e que não são do seu conhecimento.
Digamos que estejamos usando um programa de digitação de textos como o Word. Como ele disse, a imagem virtual que aparece no monitor (o texto digitado) é a sétima realidade, fruto da sétima consciência. Ao mesmo tempo em que esta imagem nos é perceptível, temos uma realidade que é criada pelo programa utilizado (Word) que não nos é perceptível.
Além disso, para que o Word funcione é preciso que exista o sistema operacional, neste caso o Windows. Apesar de não aparecer no monitor, o Windows está criando dentro do computador um mundo de realidades que são utilizadas pelo Word para poder criar a imagem virtual na tela.
Além do Windows é preciso ter o DOS e mais além desse é preciso ter o conjunto de Hardware. Todos estes elementos criam realidades que fazem o posterior funcionar, mas que não são perceptíveis por nós, os assistentes da imagem gerada pelo monitor.
Assim vamos até chegar à segunda consciência que são as peças que fazem o computador funcionar…
Respondendo-lhe, então, definitivamente, afirmo que na segunda consciência não há idéia que faça a Realidade ser conhecida, o que dirá, então, quando se vive como real apenas a sétima…
Participante: Visto que o interesse humano vai contra o interesse do espírito, é o amor do Pai que nos faz estar conversando sobre espiritualidade e nos impulsiona à emancipação?
Sim, é o amor do Pai que cria tudo, inclusive a ilusão desta conversa…
Eu não estou conversando com você, porque eu, Pai Joaquim, não existo e você, José, também não existe. Deus cria a ilusão da conversa e não a conversa em si. Para que? Não sei…
O ego pode criar idéias do para que Deus cria as conversas entre egos, mas eu, espírito, não sei. Veja bem: tudo o que o ego cria é apenas uma idéia e não Realidades.
Para mim que quero viver a unidade com Deus, a única certeza que posso ter é que eu, espírito, não estou conversando com você, espírito. O que está sendo percebido por mim, espírito, através do ego Joaquim trata-se apenas de uma ilusão.
Por isso lhe afirmo: por que e para que Deus está criando esta ilusão, eu não posso saber na Realidade. Apenas Deus pode…
Estou percebendo que você está se espantando com minhas respostas… Deixe-me dizer algo importante: não se ofenda quando lhe respondo desta forma. Não estou querendo lhe criticar nem acusar de nada, mas é preciso chocá-lo ao responder. Se eu não chocá-lo, você continuará preso à idéia que pode conhecer alguma coisa, que pode saber alguma Verdade ou Realidade…
Portanto, saiba que ninguém tem essa reposta para lhe dar. Desculpa, tem uma pessoa que tem: um ego…
Os egos sabem a resposta para tudo. Mas, o que eles sabem, são respostas de ego, ou seja, ilusões para criar provações e não Verdades, Realidades. Por isso não podemos ficar presos ao que eles criam…
O que precisamos compreender é que só Deus sabe a Verdade. Os egos recebem noções, idéias, criadas por Deus como provações e não com fidelidade à Realidade.
Isso nós precisamos saber… Já todas as demais idéias do ego, nós devemos abandonar…
Participante: Eu não me ofendo como que o senhor fala, mas me choco sim…
Mas a minha forma de lhe responder tem exatamente esta finalidade: lhe chocar.
É preciso chocar a humanidade de um ser para que ele não fique preso a idéias que o leva a achar que algumas coisas são verdades e outras não, que algumas coisas são passíveis de ser conhecidas e outras não. Isso não é Real…
Nada que você possa tomar ciência através da razão é Verdade no Universo. Além do mais, nada é possível ser realizado pelo humano. Tudo o que realmente for realizado universalmente será pelo espírito e não pelo ego. Mas, nesse caso, o ego humano não terá acesso ao que realmente esta acontecendo.
Participante: Se o espírito pode experimentar várias vidas humanas sem tomar consciência da sua essência espiritual, acredito que deve haver um véu do esquecimento que separe a realidade humana da Real. Partindo desse pressuposto, pergunto: que elementos ou situações são passíveis de vencer essa barreira na vida intra-física, ou em outras palavras, o que e como a alma pode pescar eventualmente do plano espiritual?
O que o ego criar, o que Deus der…
Repare… O que vocês chamam de vida intra-física é, na verdade, a existência tendo como base as consciências formadas em um dos outros cinco níveis que citei anteriormente. Acontece que quaisquer uma das outras consciências, com exceção da original, como a sétima, funcionam também apenas de acordo com o que Deus fizer elas criarem. Elas não podem criar (funcionar) realidades sem que Deus a faça funcionar, já que elas também são ilusões e não Realidades…
Portanto, repare bem e guarde este aviso para sempre: não há nada a ser sabido a não ser que nada deve saber. Isto vale para a sua existência eterna em qualquer grau de ilusão (consciência) que viva…
Preste atenção ao funcionamento do seu ego. A partir do momento que disse que nada desta vida pode ser conhecido, ele começou, então, a querer saber de outra. Veja como ele lhe impulsiona no sentido de buscar possessões morais (cultura)…
É, você, ego, quer sempre saber para poder criar uma posse… Mas, o que pode ser sabido, se nada é possível ser saber? Então, você só precisa saber que nada saberá nunca.
Veja, você está na sétima consciência. Atrás dessa existem outras cinco funcionando criando realidades que você não conhece.
Antes de poder ter acesso a qualquer coisa da Realidade Universal, você precisa se libertar das realidades criadas por estas cinco consciências. Mas, como se libertar destas realidades se você nem as conhece, que dirá saber como elas funcionam para poder libertar-se delas…
Veja bem: você tem que vencer seis realidades ilusórias, fantasiosas, para poder chegar à idéia principal, a Real. Se você ainda não consegue nem imaginar o que é essa fantasia que vive como real, como conseguir superar todas as outras para poder chegar a alguma coisa que seja Real?
Amigo, estou lhe respondendo bem positivamente para que você compreenda algo definitivamente: não há nada a saber… Com isso não estou querendo que pare de perguntar: você pode perguntar o que quiser. O que quero é lhe mostrar que esta busca sobre conhecimentos é infrutífera… O que quero é que você, ao invés de se prender à curiosidade de saber o que não pode compreender, entenda que não pode dar asas a esta busca do ego…
Acredite: você não deve acreditar em nada. Enquanto acreditar em alguma coisa, aquilo no qual acredita, se transforma em uma idéia racional. Esta razão, no entanto, não lhe trará nenhum adiantamento: será apenas um instrumento utilizado por Deus para dar ao espírito a provação que ele precisa fazer.
Saiba de uma coisa: não há evolução espiritual construída pela razão. A elevação espiritual constrói-se no coração, no amor, na relação amorosa com Deus e com todos.
Portanto, não queira entender o que é incompreensível ao ego humano.
Volto a repetir: só quem pode ter respostas a perguntas como essas são os outros egos. Mas nesse caso não serão respostas válidas, reais, mas ilusões fantasmagóricas, como Krishna diz. Além do mais, se conseguir respostas, não conseguirá chegar a conclusões (verdades) nenhumas, a não ser que Deus as crie.
Sendo assim, não foi você quem compreendeu, mas Deus que deu a você, ego, uma compreensão sobre um assunto que não existe a partir de uma resposta que Ele criou. Não é mais fácil estancar esta busca desesperada, já que tudo sempre acabará da mesma forma: algo ilusório que Deus cria…
Participante: Devemos, então, apenas ser espectador da vida. Apenas ir vivendo sem se preocupar em fazer algo já que tudo é ilusão e o ego não faz nada mesmo?
Krishna ensinou isso: repousa em Mim (Deus) e assista sua vida. Apesar disso ter sido ensinado por um mestre, eu me atreveria a ir um pouco mais longe: não assista a sua vida, mas sim a cada momento dela, sem conectar-se a passados ou futuros. Para fazer isso é preciso mais do que assistir a vida: é preciso assistir as formações mentais.
O que estou querendo dizer com isso? Estou querendo dizer que se amanhã o seu ego disser que vai a algum lugar, não comprometa seu coração com isso. Não acredite que irá ou deixará de ir a lugar nenhum.
Assista ao pensamento sem participar dele: é isso que estou querendo dizer… Não se trata de apenas assistir o ir ou não ir, mas também de assistir o pensar em ir.
Aliás, isso que estamos falando (assistir o pensamento) faz parte do Nobre Caminho Óctuplo que Buda ensinou. Buda disse que é preciso ter atenção plena correta e fazer isso é ter atenção ao pensamento que se está tendo naquele momento.
Esta atenção não se consiste apenas em acreditar ou não se a previsão trazida pelo pensamento acontecerá ou não. Ela deve levar o ser a estar sempre atento no sentido de não deixar o coração se comprometer com a razão…
Participante: É, só sobra a ilusão para saborear mesmo…
Participante: Como o espírito retém as experiências de vida na carne?
Como Deus criar através do ego…
Veja bem: o espírito não retém experiências. Ele não se lembra dos casamentos, dos filhos que teve…
Ele se lembra das provas. Ele se lembra que foi testado na posse sobre uma mulher ou sobre filhos. Ele não se lembra de casamento ou família que teve.
O que você chama de lembranças de vidas passadas, na verdade, são informações atuais que Deus está mandando pelo ego. Mesmo que estas lembranças descrevam acontecimentos de vidas anteriores, elas não estão vinculadas ao passado, mas foram criadas neste momento.
Quando um ego, num trabalho de terapia de vidas passadas se lembra de outras encarnações, ele não está se lembrando de nada: Deus está passando aquelas informações naquele momento e está criando a idéia de que aquilo são lembranças… Isto porque, tudo que vem pela razão é criação do ego atual.
Portanto, não há nem a ilusão para saborear. Da ilusão devemos querer distância, pois enquanto a saboreamos, não conseguimos libertar-nos dela…
Você, o espírito, tem a ilusão para tratá-la como ilusão e não é para saboreá-la. A única coisa que deve balizar o relacionamento com as ilusões é o nada: nada vale, nada sei, nada funciona, nada é o que vejo, o que sei e nada posso saber.
Apesar deste ser o balizamento da sua relação com as ilusões, isto não deve acontecer de forma racional, ou seja, por idéias. É preciso dizer com o coração que nada do que a razão cria é Real.
Se você alcançasse uma consciência racional que nada sabia, isto seria irreal, pois o saber que nada sabe ainda é um saber. Se soubesse pela razão não teria deixado de saber. Aliás, nada teria feito, pois a compreensão racional de nada saber é algo dado por Deus. É Ele que lhe faz ter a consciência racional de nada saber e não você que alcançou tal desprendimento…
É no seu coração que precisa não saber coisa alguma. Isso é alcançado pelo espírito alcança quando ele não deixa perguntas como essas e curiosidades como essas afetarem o coração.
É preciso não deixar a vontade de ajudar os outros ou a própria busca da elevação espiritual afetar o coração. Isso se chama equanimidade. Estar equânime é não deixar a razão afetar o coração.
Participante: Parece que tudo converge para Deus e, se não vai pelo amor, vai pela dor. Um amigo me disse que isso seria imposição e cerceamento da liberdade. O que dizer a ele?
Não, isso é dar a Deus o que é de Deus e a César o que é de César. Isso é dar a Deus a posição de Senhor do Universo, de Criador e dar ao ser humano a posição de criatura, de assistente da criação.
É isso que Cristo quis dizer quando afirmou que se deve dar a Deus o que é Dele e a César o que lhe pertence. Mas, apesar deste ensinamento, a humanidade, orgulhosa de si mesmo, quer dar a César o que é de Deus… Impossível…
Falo desta forma porque, se a humanidade diz que o ser humano é capaz de criar, está chamado-o de criador. Com isso retira esta função de Deus…
Veja, deixe-me dizer-lhe algo. Eu não aceito nem que se diga que o ser humano é uma marionete de Deus… Sabe por que? Porque o ser humano não pode ser nada, já que ele nem existe.
Eu já disse aqui e vou repetir agora: poderíamos comparar a idéia que o espírito tem de ser um humano como algo que surge no homem quando ele fuma maconha ou cheira cocaína: um delírio…
A idéia de ser um humano é um delírio do espírito… Se o delírio não existe, como pode ter direitos sobre o que é Real?
Sim, a personalidade humana é um delírio do espírito. Pense bem: será que o ser universal, que é simples e puro, criado a imagem e semelhança de Deus e que por herança genética possui tudo o que Deus possui, pode ser um humano? Claro que não…
Participante: Sempre adotei a idéia do humano como co-criador da Realidade Universal, mas vou adotar essa idéia de manipulador da matéria universal…
Quem é o manipulador? O espírito, o ser humano? Não, apenas Deus é o Criador e por isso o único manipulador. O que Ele faz é dar aos espíritos ilusões de estar manipulando alguma coisa.
Quando você fala em manipular por si mesmo está falando em co-criador do mesmo jeito.Saiba, não existem co-criadores. O que existe no Universo é Deus, o Criador e espíritos, assistentes da criação. Assistentes de assistir, ver e não de ajudar…
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