Um homem pode rir mesmo diante da morte?
April 9, 2009 by admin
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Osho,
Um homem pode rir mesmo diante da morte?
Narendra,
Depende. Há pessoas que não podem rir nem mesmo quando a vida está derramando toda a sua alegria sobre elas – elas permanecem sérias, obtusas, mortas. As flores continuam se derramando sobre elas; elas não olham para aquelas flores, elas não sentem gratidão. Elas se esqueceram completamente da linguagem da gratidão. Elas se esqueceram de rir.
Mas um homem que está alerta e consciente, um homem que é um homem no verdadeiro sentido – inteiro, centrado, enraizado – rirá diante da morte.
Mansur riu quando estava sendo morto. ele riu tão alto que as pessoas que o estavam matando não puderam conter a curiosidade. Elas perguntaram: “Mansur, o que que é que há? Você ficou louco ou o que? Porque você está rindo?”
Ele disse: “Estou rindo porque vocês estão matando outra pessoa. Este corpo não é Mansur – eu não sou ele. Se vocês pensam que eu cometi um crime ao declarar-me Deus, então, punam-me. Porque vocês estão punindo este corpo? Este pobre corpo não fez nada. Porque vocês estão cortando minhas pernas e minhas mãos? É como punir a casa do homem que cometeu um crime – é pura estupidez. é por isso que eu estou rindo”.
Aquelas pessoas devem ter se sentido muito embaraçadas. E, finalmente, quando elas iam cortar sua língua… – porque Mansur foi morto de maneira mais desumana do que Jesus. Ele foi cortado pedaço por pedaço: suas pernas foram cortadas, depois suas mãos foram cortadas, depois seus olhos foram arrancados, depois o nariz foi cortado, depois a língua foi cortada e depois sua cabeça foi cortada. Nunca, antes ou depois, foi torturado de um modo tão cruel.
Antes de cortarem sua língua, ele riu novamente, olhando para o céu. Eles não puderam conter sua curiosidade novamente, porque, agora, ele não estava olhando para eles, ele estava olhando para o céu. E eles perguntaram: “Você riu de nós, agora você está rindo de quem?”.
Ele disse: “Eu estou rindo de Deus! Estou rindo de Deus, porque eu estou lhe dizendo: `Você não pode me enganar. Mesmo que você venha na forma desses açougueiros, eu o conheço, eu o reconheço, eu o amo, eu o adoro, porque, mesmo nessas mãos que estão me cortando e matando está a sua energia e de ninguém mais. Você veio de belos modos para mim; agora, você veio de um modo cruel, só para me testar… se Mansur pode reconhecê-lo deste modo, ou não.’ Eu estou rindo dele. Estou lhe dizendo: `Eu posso reconhecê-lo em qualquer forma que você venha. Uma vez que o reconheci, eu o reconheci para sempre.’.”
Extraído do livro “Zen, A Transmissão Especial”, de Osho – pgs. 146-147.
A Recompensa em Infelicidade
April 9, 2009 by admin
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OSHO
A miséria tem muitas coisas para lhe dar que a felicidade não pode dar. De fato, a felicidade tira muitas coisas de você. A felicidade tira tudo aquilo que você sempre teve, tudo aquilo que você sempre foi, a felicidade lhe destrói.
A miséria nutre seu ego e a felicidade é basicamente um estado sem ego. Este é o problema, o ponto crucial do problema. Eis porque as pessoas acham muito difícil serem felizes.
Eis porque milhões de pessoas no mundo tem que viver na miséria… decidiram viver na miséria. Ela lhes dá um ego muito muito cristalizado. Sendo miserável, você é Feliz, mas você não é. Na miséria, a cristalização; na felicidade você fica dissolvido.
Se isso for entendido, então as coisas ficam muito claras. A miséria lhe torna especial. Felicidade é um fenômeno universal, não há nada especial sobre ela. As árvores são felizes e os animais são felizes e
os pássaros são felizes. Toda existência é feliz, exceto o homem. Sendo miserável, o homem se torna muito especial, extraordinário.
A miséria torna você capaz de atrair a atenção das pessoas. Quando você é miserável você é assistido, simpatizado, amado. Todo mundo começa a cuidar de você. Quem vai querer magoar uma pessoa miserável?
Quem tem ciúmes de uma pessoa miserável? Quem vai querer ser contra uma pessoa miserável? Isso poderia ser muito maldoso.
A pessoa miserável é cuidada, amada, assistida. Há um grande investimento na miséria. Se a esposa não for miserável o marido simplesmente tende a esquecê-la. Se ela for miserável o marido não pode se permitir a negligenciá-la. Se o marido for miserável toda a família, a esposa, as crianças, estão ao seu redor, preocupados com ele; isso dá grande conforto. A pessoa sente que ela não está só, a pessoa tem uma família, amigos.
Quando você está doente, depressivo, na miséria, os amigos vêm visitá-lo, vêm confortá-lo, vêm consolá-lo. Quando você está feliz, os mesmos amigos ficam com ciúmes de você. Quando você está realmente feliz, você vai ver que o mundo todo se voltou contra você.
Ninguém gosta de uma pessoa feliz, porque a pessoa feliz fere os egos dos outros.
Os outros começam a sentir, “Então você ficou feliz e nós ainda estamos rastejando na escuridão, na miséria e no inferno. Como você ousa ser feliz quando estamos todos em tal miséria!”
É claro que o mundo consiste de pessoas miseráveis e ninguém é bastante corajoso para ir contra o mundo inteiro; é muito perigoso, arriscado demais. É melhor se apegar à miséria, isso mantém você como
parte da multidão. Feliz, você é um indivíduo; miserável, você é parte da multidão – Hindu, Maometano, Cristão, Indiano, Árabe, Japonês.
Feliz? Você sabe o que a felicidade é? Ela é Hindu, Cristã, Maometana?
A felicidade é simplesmente felicidade. A pessoa é transportada para um outro mundo. A pessoa não faz mais parte do mundo que a mente humana criou, a pessoa não é mais parte do passado, da feia história.
A pessoa não é mais absolutamente parte do tempo. Quando você está realmente feliz, alegre, o tempo desaparece, o espaço desaparece.
Albert Einstein disse que no passado os cientistas costumavam pensar que haviam duas realidades – tempo e espaço. Mas ele disse que essas duas realidades não são duas – elas são duas faces de uma única
realidade. Dessa forma ele cunhou a palavra espaçotempo, uma única palavra. O tempo não é nada mais senão a quarta dimensão do espaço.
Einstein não era um místico, senão ele poderia ter introduzido a terceira realidade também – o transcendental, nem espaço nem tempo. Isso também está lá, eu o chamo de testemunha. E uma vez que esses três estão lá, você tem toda a trindade. Você tem todo o conceito do trimúrti, as três faces do divino. Assim você tem todas as quatro dimensões. A realidade é quadrimensional: três dimensões de espaço e a quarta dimensão do tempo.
Mas há algo mais, que não pode ser chamado de quinta dimensão, porque não é a quinta realidade, é o todo, o transcendental.
Quando você está feliz você começa a se mover para o transcendental.
Isso não é social, isto não é tradicional, não tem nada a ver com a mente humana, de forma alguma.
Osho, Extraído de: The Book of Wisdom


